Homenagens Bonellianas a Dorival Vitor Lopes e Júlio Schneider

Por José Carlos Francisco

O editor Dorival Vitor Lopes e o articulista, redactor, tradutor e consultor editorial para as publicações Bonelli no Brasil Júlio Schneider, duas personalidades brasileiras ligada aos fumetti (banda desenhada italiana) devido à grande paixão de ambos pela 9ª arte, mas sobretudo pelo dedicado trabalho desenvolvido por estes dois profissionais na Mythos Editora e à enorme amizade com muitos dos autores e redactores bonellianos, são com alguma assiduidade alvo de homenagens em edições de banda desenhada italiana por parte dos mais diversos autores, homenagens essas mais do que justas e que por muitas vezes não serem do conhecimento dos leitores e coleccionadores brasileiros e portugueses damos hoje a conhecer aos nossos leitores.

Júlio Schneider e Dorival Vitor Lopes foram alvo de homenagens bonellianas

Há argumentistas (roteiristas) que têm verdadeiro prazer em contar histórias, uma paixão que cultivam desde que eram pequenos leitores, quando sempre ansiavam pelo prazer de ver o próprio nome na página de cartas da sua revista preferida, e que hoje, adultos e autores, partilham esse prazer com pessoas que lhes são próximas, ao arrumar estratagemas para mencionar essas pessoas nas histórias. Por isso não é incomum que personagens coadjuvantes tenham o rosto ou o nome de outros autores, de amigos, de familiares, de leitores, de editores e de outras pessoas ligadas ao mundo editorial.

A Julio’s Tavern em Zagor

Zagor e a boa cerveja brasileira…

No editorial de Zagor A Terra da Liberdade (no Brasil, Zagor n° 49, Abril de 2005), Moreno Burattini e Mauro Boselli contam: “Até arrumamos um lugar para Júlio Schneider, incansável consultor e tradutor das edições brasileiras: Zagor vai a uma taberna de Lagos, na Nigéria, que tem o seu nome“. A Julio’s Tavern (desenhos de Gallieno Ferri) foi uma retribuição de Burattini por uma contribuição do Júlio na caracterização da personagem Rodrigues Lobo.
Durante a elaboração da aventura, em 1999, Júlio Schneider dizia a Moreno Burattini que a cerveja brasileira era bem mais suave e apreciada que a italiana, por isso o argumentista fez Zagor comentar, depois da primeira caneca daquela bebida: “é tão boa que vou tomar mais uma!“. Em 2012 Moreno teve a oportunidade de fazer a sua primeira viagem ao Brasil (para o Festcomix de São Paulo e para a Gibicon de Curitiba) e comprovou pessoalmente que a cerveja brasileira era mesmo boa.

…tão boa que Zagor bebe outra cerveja

Personagem Júlio

Em 2009, em reunião com a equipa da Mythos na sede da Sergio Bonelli Editore, em Milão, novamente o argumentista (e editor de Zagor) Moreno Burattini revelou que a história As Mulheres Guerreiras (no Brasil, Zagor Extra n° 116, Janeiro de 2014, desenhos de Mauro Laurenti) apresentaria o comerciante de borracha Dorival e o seu irmão (e capanga) Júlio, homenageando nas aventuras zagorianas o editor brasileiro Dorival Vitor Lopes e o seu “capanga” (além de tradutor e redator) Júlio Schneider, mas as homenagens foram só nos nomes, não nos rostos das personagens.

Personagem Dorival

Sam Mac Kenna na arte de Vincenzo Monti inspirado em Dorival Vitor Lopes?

Dorival, ou melhor Sam Mac Kenna na arte de Sergio Tarquinio

A aparência do Dorival não foi usada em Zagor, mas por uma dessas extraordinárias coincidências da vida, o editor brasileiro teve uma espécie de irmão gémeo retratado numa antiga personagem criada por Guido Nolitta (Sergio Bonelli) para a série do Juiz Bean, o ajudante Sam Mac Kenna. A capa de Juiz Bean é de Vincenzo Monti, e a vinheta de Sam é de Sergio Tarquinio.

Em 2010, na aventura zagoriana Lago Huron (no Brasil, Zagor n° 153, Abril de 2014), Moreno inseriu na trama o vilão Schneider, outra homenagem ao Júlio que, de novo, virou o patife da vez, com desenhos dos irmãos Esposito.

O vilão Schneider salvo por Zagor

Em conversa recente com Júlio Schneider soubemos também que em 2012 o argumentista Sergio Badino (que escreve para Disney e Bonelli) contou ao Júlio que estava a escrever um roteiro de Martin Mystère e que haveria uma pequena surpresa para ele: agora neste mês de Fevereiro de 2016 foi às bancas italianas a edição n° 343 do Detective do Impossível, Quetzalcoatl, na qual um director de museu e neto de um arqueólogo chama-se Julio Curitiba. Os desenhos são de Giovanni Romanini.

Martin Mystère e o amigo Julio Curitiba

Julio Curitiba na arte de Giovanni Romanini

Ao ver as imagens de Martin Mystère, o Júlio Schneider comentou connosco: “De dono de taberna e bandido para director de museu e neto de arqueólogo! Depois dessas actuações em revistas de banda desenhada, acho que vou fazer um curso de actor de cinema… cuida-te, Schwarzenegger!“. E acrescentou: “Eu acho que não faria feio no cinema, vista a minha ‘enorme’ experiência no assunto, por já ter actuado em teatro quando criança, numa peça da escola em que fiz o papel de árvore. Foi uma actuação digna de Óscar: a fantasia só tinha um minúsculo buraco para eu poder respirar, eu fiquei no fundo do palco, completamente imóvel, sem falar nada. A minha mãe sabia que eu participaria da peça, mas ela também não me viu. Ninguém me viu… ainda bem!“.

Sergio Badino e a edição n° 343 do Detective do Impossível, Quetzalcoatl

Se há pessoas que merecem ser homenageadas nesta área, Dorival Vitor Lopes e Júlio Schneider são essas pessoas, por isso estas homenagens (e outras que se perspectivam) são totalmente merecidas e devem chegar ao conhecimento de todos os fãs e coleccionadores de fumetti!

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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