Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 52 e 53 – Buddy Longway

BUDDY LONGWAY

Uma bela vinheta de “Buddy Longway”São imensas as séries de “western”, cujo principal objectivo é demonstrar que o bem vence sempre o mal. Só que neste caso, essa luta é rodeada de belas paisagens do Oeste.

Só muito raramente, as Histórias aos Quadradinhos se preocupam com os problemas da colonização e, muito principalmente, com os problemas dos índios. Às vezes e, excepcionalmente, um ou outro autor resolve oferecer-nos algum material para pensar e não limitar-se só a apresentar factos da Conquista do Oeste e dos índios, que nada devem à realidade e são, principalmente, fruto do ego dos norte-americanos, normalmente deturpados, alterados, pejados de tudo o que possa denegrir o seu modo de estar na vida e muito menos passíveis, de ofender a memória dos que estiveram presentes nos massacres e no genocídio desse povo.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 52“Buddy Longway” é uma dessas histórias diferentes. Em 1972 o suíço Derib, seu autor, depois de ter passado pelos estúdios de Peyo e de ter desenhado, em estilo humorístico, as aventuras de “Attila” um cão sábio que falava e actuava como os humanos, resolve criar, com argumento de Greg, outra série, “Go West”, um “western” fora de vulgar, mas com um grafismo um pouco caricatural. Quando nesse mesmo ano resolve ocupar-se desta nova série, “Buddy Longway”, a mesma virá com um grafismo idêntico. Com o tempo, a cara e as feições das personagens foram adquirindo maior realismo, embora nem sempre com resultados satisfatórios, mas teremos que admitir que não será pelo estilo, que a série deixará de ter as qualidades necessárias para ser considerada uma obra distinta e de peso.

“Longway” é um solitário, um caçador que vagueia pelos longos espaços do Oeste, ganhando o seu sustento com a venda das peles dos animais que vai caçando. Um dia vê uma cena que o revolta, quando dois brancos maltratam uma jovem índia, que tinham raptado. Embora pacífico, resolve intervir, para entregar a mulher ao seu povo. Na sua viagem para devolver “Chinook”, acaba por se apaixonar por ela. Depois de a entregar ao seu povo, os “Sioux”, verifica que afinal não pode viver sem ela. Assim resolvem casar e constroem uma cabana na pradaria.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 53A partir daqui inicia-se a sua saga familiar, com alguns percalços pelo caminho, embora de uma maneira geral, calma e tranquila. Trata-se de uma história pacífica, com o nascimento do seu filho “Jerémie” e, mais tarde, da sua filha “Kathleen”. Pouco mais é do que a vida quotidiana de muitos colonos, que no Oeste assentaram, decidindo viver e contribuir para o desenvolvimento desses grandes espaços. Em paralelo vão surgindo algumas figuras secundárias, que serão os seus amigos e conhecidos, que num clima de inter-ajuda, compartilham entre si as vicissitudes e as agruras do dia a dia.

“Buddy” move-as à vontade entre os dois povos, os brancos e os índios, com quem compartilha as suas ambições, os seus desejos e que, por sua vez ajuda, sempre que há qualquer problema.
Uma das características pouco comuns da série, é que as personagens envelhecem à medida que o tempo passa. De jovens, passam a pessoas maduras e os seus filhos vão crescendo, com o passar dos anos.
Derib é um grande admirador do “western” e um declarado amante da natureza. A intensidade paisagística dos vales, dos montes, das pradarias e dos bosques, a neve e o sol, as árvores gigantescas, os animais selvagens, as rochas, os cavalos, os rios, tudo ressoa como que um hino à Mãe Natureza.

O amor de “Buddy Longway” por “Chinook”À medida que a história avança, o estilo de Derib evolui e as personagens também. Os rostos que ao princípio parecem talhados com um cinzel, são suavizados e mostram já uma certa serenidade, ao enquadrarem-se na grandiosidade do cenário e no silêncio que os rodeia, magistralmente captados pelo artista, notáveis pela sua beleza e precisão.
Mas o mais admirável da sua forma de narrativa, é que ele nos obriga a ler não só os textos como as próprias imagens, mesmo quando estas não possuem legendas ou balões a interpretá-las.

É uma constante de Derib, a criação de uma vinheta dentro de outra vinheta ou a imagem dentro de outra imagem, que elucida e explica o que acontece nos grandes planos.
A intensidade das suas cores, normalmente quentes, a composição das pranchas e a disposição das vinhetas, dão ainda maior veracidade a cada história.

No nosso país, “Buddy Longway” foi publicado na revista “TinTin” e mais tarde em álbuns, pela Bertrand (5 títulos).

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

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