ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – BONELLI 2020: EM STAND BY

O final de cada ano é desde sempre o momento para fazer balanços. E, claro, Saverio Ceri não poderia deixar de nos dar os números totais relativos à produção Bonelliana ocorrida em 2020. Convidamos-vos a encontrar as edições anteriores da sua rubrica se acabou por as perder, pois estamos seguros que após estas novas estatísticas, ficarão tal como nós, à espera da próxima.

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2020

Por Saverio Ceri

BONELLI 2020: EM STAND BY

Bem-vindos uma vez mais ao relatório anual dos números Bonelli. Como no ano passado, vamos dividir o resumo numérico da safra Bonelliana em vários capítulos. Nesta primeira parte trataremos dos dados gerais e das personagens.
A safra Bonelliana obviamente não foi tão brilhante quanto a anterior; 2020 foi um ano de forte contracção em termos de páginas publicadas, como é lógico que seja num período de crise, também e sobretudo económica, que esperamos em breve deixar para trás. Foi uma espécie de ano em stand by; alguns projectos e alguns lançamentos foram atrasados ​​a começar pelo filme de Dampyr, a primeira jóia de uma Bonelli vanguardista, que não conseguiu estrear nos cinemas. Enquanto espera para voltar a olhar para o futuro, a editora encara o ano novo celebrando o passado, a partir de Janeiro, quando festejará os seus 80 anos e em Junho, então com um duplo aniversário, com os 30 anos de Nathan Never e os 60 de Zagor.

Um dinâmico Tex de Claudio Villa salta em direcção ao futuro da editora

Antes de descobrirmos este primeiro ranking de 2020 na íntegra, vamos renovar a premissa para os leitores que se deparam com esta rubrica pela primeira vez:

Aquelas que se seguem são classificações de quantidade, não de qualidade; são elaboradas considerando as páginas inéditas produzidas pela Sergio Bonelli Editore e publicadas exclusivamente pela própria editora Bonelli no decurso do ano. Não encontrarão assim todos os autores bonellianos, que dia após dia trabalham para a editora, mas apenas aqueles que nos últimos doze meses foram publicados; aparecerão assim autores que talvez já não trabalhem mais, mas cujas histórias ainda não tinham sido publicadas; não encontrarão também alguns autores que actualmente produzem material para a Sergio Bonelli Editore, mas cujas histórias não foram ainda programadas nas várias séries da editora italiana. Não encontrarão igualmente as páginas produzidas pela Bonelli, mas publicadas por outras entidades (como os livretos publicados por ocasião de eventos de banda desenhada), tal como não serão contabilizadas as páginas não inéditas, quer tenham sido publicadas em álbuns bonellianos ou não. Ou seja, de modo a uma melhor compreensão, não encontrarão os dados das várias histórias reimpressas em edições de livraria a não ser na questão das cores, como no caso dos cartonados da série Tex Willer, onde as cores são contabilizadas porque foram realizadas propositadamente para a ocasião, ou as histórias breves de Groucho republicadas num Dylan Dog Color Fest, originariamente publicadas na “caixa” Grouchomicon de 2017.

Di Giandomenico ilustra as duas capas do crossover Flash & Zagor, um dos últimos lançamentos de 2020

Os números

Em comparação com a safra record de 2019, nos últimos doze meses registarmos uma redução de 2.571 páginas inéditas publicadas, o equivalente a -10,59%.

As páginas inéditas de banda desenhada em 2020 foram precisas 21.712, o número mais baixo desde 2015 até hoje. Destas, 1931 apareceram em volumes destinados ao circuito do livro, cerca de 8% a menos comparativamente ao ano ano anterior. Um pouco melhor do que o número geral Bonelliano.

Do total de páginas inéditas, as publicadas em primeira instância em volumes destinados aos quiosques foram 91,11%; por inerência, as páginas que estrearam em produtos voltados para livrarias ficaram em 8,89%, o que representa um pequeno avanço ante os 8,65% no ano passado.

Foram 217 as edições, entre revistas e livros, principalmente inéditas publicadas em 2020, vinte a menos do que em 2019, que representam uma queda de -8,44%; com isso, a média de páginas inéditas por volume cai para 100,06 páginas, 2,34% a menos que nos doze meses anteriores e cada vez mais distante do record de 2011 que atingiu 130 páginas por volume. Nesse aspecto a Bonelli mantém-se fiel à tendência dos últimos anos, que é criar álbuns cada vez mais finos, para obter maior receita por cada página.

Voltando ao mercado do livro, e à confirmação do que dissemos anteriormente, sobre a tendência de se apostar cada vez mais nas livrarias, destacamos que as publicações destinadas a este circuito foram 69 este ano (+ 11,29% face a 2019), incluindo volumes de reimpressões, de inéditos e temáticos. Um número record para a jovem divisão editorial da editora, ainda que como para os quiosques registemos a “perda de peso” média dos volumes, já que tanto as páginas gerais quanto as páginas de banda desenhada nelas contidas estão ligeiramente abaixo em relação a 2019. Esperamos que, com a inauguração iminente da Loja Bonelli em Milão, este sector da editora da Via Buonarroti experimente um novo aumento no próximo ano.

Entre os números de 2020, não encontrará nada relacionado a este volume. Oficialmente, nunca foi lançado, mas algumas cópias apareceram nos mercados italianos de segunda mão. É um mistério digno de Martin Mystère

As séries e as personagens

Após a façanha de 2019, também está em queda o número de personagens que tiveram páginas inéditas publicadas este ano: São 30 personagens ou séries, incluindo três novas estreias absolutas, todas derivados do universo Sclaviano: Zardo, Daryl Zed e a tira humorística Craven Road “Comics” e três agradáveis retornos Legs Weaver, Cassidy e Nick Raider; este último está incluído no cálculo de 2020 graças ao Free Comics Book Day. Está cada vez mais distante o record de 37 personagens diferentes publicados em um único ano, datado de 1983. Comparativamente a 2019 houve a redução de 12 para 7 títulos na Linha Audace e desaparece a Linha Kids.
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Na classificação que se segue podem encontrar todas as séries alinhadas pela quantidade de páginas inéditas publicadas no decurso do ano; Na última coluna encontra-se a variação em relação à posição ocupada em 2019 e ao lado, quando necessário, um pequeno quadrado com as letras “RH“, que indica que o resultado obtido em 2020, ao nível das páginas publicadas, é o melhor de sempre para a personagem: o Record Histórico. O quadrado verde indica que o record foi batido; se for amarelo, que apenas foi igualado.
Tex conquista o seu 50º “Scudetto” (o terceiro consecutivo), batendo a concorrência com quase 700 páginas e 5 álbuns a mais que Zagor, segundo classificado. Todos os personagens do pódio perdem uma publicação em comparação ao ano passado, mas enquanto isso significa 227 páginas a menos para o Águia da Noite e 20 a menos para o Espírito com a Machadinha, curiosamente transforma-se num record histórico de páginas publicadas para o Investigador do Pesadelo, graças à transformação do Maxi em Old Boy; o score de Dylan Dog está destinado a melhorar ainda mais em 2021, visto que a colecção do “velho rapaz” estará totalmente operacional, apresentando mais 50% de lançamentos num ano civil comparativamente com a encarnação anterior, com um total anual de mais 64,5 %, mas publicando “apenas” 33% de páginas a mais, nova prova da estratégia de livros cada vez menos encorpados e mais caros.

A capa do Old Boy e o póster gratuito “prestam homenagem” à primeira e lendária capa de Dylan Dog. Desenho dos irmãos Cestaro

Com Dylan em ascensão, o segundo lugar de Zagor conquistado este ano pela 17ª vez na sua carreira, dificilmente poderá ser reproduzido nos próximos doze meses, embora graças aos já citados sessenta anos do personagem, não faltarão surpresas.

No top ten das séries mais publicadas assinalamos a troca de posições entre Júlia e Nathan Never. Este último, devido ao encerramento de muitos spin-offs, regista o valor mais baixo de 2004 até à data, saindo da “zona dos campeões” que sempre alcançou nos últimos 15 anos. Graças à diminuição do número de páginas da personagem de Medda, Serra e Vigna, Júlia alcança, apesar de um número constante de páginas publicadas, a quarta posição, a sua melhor colocação de sempre. Odessa entra no top ten das séries, graças à sua primeira, e talvez única, safra completa, em detrimento de Le Storie, uma série agora distorcida, já que nunca como neste ano foi feita de reimpressões e repescagens de antigas glórias Bonellianas.

Para este ano não existe ranking da década: sendo os primeiros doze meses dos anos Vinte do século XXI, o ranking corresponde obviamente ao anual.

Aqui termina a primeira parte dos números Bonellianos do ano que está a findar. No segundo capítulo  abordaremos os argumentistas Bonellianos mais publicados pela editora neste 2020.

Até breve.

Saverio Ceri
Material apresentado no blogue Dime Web em 22/12/2020; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2020, Saverio Ceri

2 Comentários

  1. Não entendi?? “Daryl Zed” não foi lançado mas apareceram volumes a venda…piratearam o nome, ou é o material oficial que vazou???

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