Entrevista com o fã e colecionador: Lorenzo Sacchis

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde nasceu? O que faz profissionalmente?
Lorenzo Sacchis: Inicialmente gostaria de agradecer a oportunidade de contar um pouco sobre a aventura de ser um leitor de Tex, realmente muito obrigado. Me chamo Lorenzo Gottfried Sacchis, natural da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Sou filho de Maria de Fátima Gottfried Sacchis e José Luís Rocha Sacchis. Atualmente resido em Florianópolis, Santa Catarina. Sou professor de Educação Física atuando na rede estadual e municipal na cidade de Santo Amaro da Imperatriz, torcedor do Grêmio Foot-Ball Portoalegrense e pai do Kauã Maidana Sacchis.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Lorenzo Sacchis: Desde cedo sempre gostei de HQ, ficava alucinado com os heróis e seus poderes, suas imagens, as cores, os uniformes. Existiam duas bancas de revistas próximas a minha casa e eu sempre estava por ali vendo as novidades e comprando chicletes e balas de goma. Também existia a biblioteca do Clube Caixeiral, onde se podia sentar e ler as histórias calmamente e de forma gratuita. As revistas e livros sempre me chamaram muito atenção e na época era uma das diversões que tínhamos, a leitura.

Quando descobriu Tex?
Lorenzo Sacchis: Meu pai colecionava Tex, então, as revistas sempre estavam à minha volta, desde muito pequeno, com capas incríveis e histórias fascinantes. Lembro que observava ele mexendo na coleção, aquelas capas me deixavam alucinado, louco para chegar minha hora de mexer também. A primeira edição que li foi ‘O Signo da Serpente’, que para mim tornou-se um marco, o que fez com que nunca mais deixasse de acompanhar Tex e seus pards.

Porquê esta paixão por Tex?
Lorenzo Sacchis: Acho que esta paixão por Tex vem também desse mundo mágico que ele vive, sempre com seu senso de justiça e vontade de resolver, ajudar as pessoas. Também os filmes de faroeste na época contribuíram para me interessar ainda mais pelos pards. Mas, creio que o maior motivo é que ele tornou-se um elo de ligação entre eu e meu pai, um assunto nosso que sempre nos aproximou. Conversar sobre as histórias, as coleções, os números que faltavam, as capas. Lembro que quando saiu o álbum de figurinhas do Tex e seus pards, andávamos por toda a cidade trocando as figurinhas até completarmos, foi uma sensação muito boa que tivemos juntos, aquela satisfação do objetivo concluído, de sucesso, de felicidade. Era incrível colar os cromos com cola tenaz, com todo o cuidado para ficarem perfeitos, precisava-se de um certo cuidado para não usar muita cola e borrar, técnicas primitivas… Tex nos unia.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Lorenzo Sacchis: Creio que esse universo do Velho Oeste, um mundo mais rústico, os animais, os índios, as paisagens, os enredos das histórias, os vilões, enfim, são vários os aspectos. Logicamente que o seu caráter, seu estilo de vida, senso de justiça, sua coragem e inteligência também o tornam único. Os roteiros que ao mesmo tempo que trazem histórias entrelaçadas com factos reais da conquista do Oeste Americano, mostra monstros, misticismo, ameaças do espaço, dinossauros, lugares sinistros, criando enredos para todos os gostos e imaginações.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua coleção? E qual a mais importante para si?
Lorenzo Sacchis: Devemos ter em nossa coleção, mais de mil exemplares, eu creio. A mais importante para mim é o número 1, ‘O Signo da Serpente’, que foi a primeira que li, ainda sendo alfabetizado, e foi fundamental para seguir os passos de Tex e seus amigos.

Coleciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Lorenzo Sacchis: Em nossa coleção temos apenas livros e pôsteres de Tex, mas é um sonho ter outros itens como os bonecos dos pards, suvenirs tipo chaveiro e canecas. Em algumas fotos que vi, acho que da coleção do pard José Carlos Francisco, notei que os bonecos são realmente incríveis, peças que enchem os olhos de emoção. Aqui possuímos os gibis; Tex Mensal, Tex Ouro, Tex Edição Colorida, Tex Gigante, Almanaque do Tex, Tex Willer Jovem, Tex Anual, Tex Platinum, Minisséries Tex, Maxi Tex, Superalmanaque Tex, creio que são essas as coleções que temos. Nossa empreitada também é construir uma estante bem bonita para a coleção, mas tudo em seu tempo.

Qual o objeto Tex que mais gostaria de possuir?
Lorenzo Sacchis: Tem muitos itens que gostaria de ter, como as primeiras edições de Tex, as coleções de Tex que não possuímos, como Tex Coleção, Tex Edição Histórica, Tex edições da Panini, Clássicos do Tex, o famoso e lindo Tex Gold da Salvat, Tex Gigante Colorido Tex Graphic Novel, nossa muita coisa… Também possuir exemplares do Tex de vários países, mas algo que gostaria muito de possuir são os diversos bonecos dos pards, pois, também coleciono soldados de chumbo, outra paixão. Essa vontade de adquirir esbarra muito nas condições financeiras, a crise que se instala aqui no Brasil, então, isso nos impossibilita de complementar, mas aos pouquinhos dentro do possível vamos alimentando esse amor pelo mundo de Tex e tendo novas conquistas, adquirindo novos sonhos. Aproveito para agradecer aos vendedores e colecionadores como Carlos Ramalho, Luciano Alflen, Amarildo Reginatto, Sérgio Santos e Manoel Olavo que nos ajudam nessa incrível busca pelas edições, valeu mesmo.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Lorenzo Sacchis: Citar uma história apenas é difícil, mas poderia ser ‘O Signo da Serpente’, que foi a primeira que li e determinante para seguir lendo Tex, mas desculpe, tenho que citar outras como ‘O bando dos irlandeses’, ‘A noite dos assassinos’, ‘A flor da morte’, ‘Caçada humana’, ‘Juramento de vingança’, as aventuras com o Tigre Negro, o clássico ‘El Muerto’, ‘O passado de Kit Carson’, ‘Selva cruel’, Mefisto, Yama, puxa vida, são muitas e incríveis aventuras que se torna uma missão impossível citar apenas uma e um pecado não citar outras, mas pela importância deixo ‘O Signo da Serpente’, ufa!!!!
O desenhista que mais gosto é o Fusco, mas claro que aprecio outros como o lendário Galep, suas capas são clássicas, o Villa, Civitelli, Venturi, Letteri, Ticci e o Ortiz. O roteirista sem dúvida, Gianluigi Bonelli, com uma imaginação incrível, histórias envolventes, lendárias, e outros que gosto muito também são Boselli e Nizzi, grandes mestres.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Lorenzo Sacchis: O que mais me agrada sáo os roteiros ligados ás ilustrações magníficas. As capas de Galep também são um show à parte. O que não gosto são os preços altos e as muitas coleções lançadas ao mesmo tempo, o que dificulta a aquisição dos exemplares. Tenho uma lembrança forte também, que me entristece mas também me motiva, em um momento financeiro ruim da nossa família, meu pai teve que vender a coleção, juntamente com o álbum de figurinhas. Creio que tenha sido uma decisão muito difícil para ele, mas necessária no momento. O dinheiro da venda, nos proporcionou, ajudou-nos a abrir um negócio que até hoje sustenta nossa família, uma imobiliária, a Rio Branco Imóveis. Então, de uma decisão um pouco triste, mas corajosa de meu pai superamos as dificuldades e pudemos depois de algum tempo, colecionar novamente, graças a meu pai e Tex.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Lorenzo Sacchis: Acho que é por ser um personagem de personalidade forte, incorruptível, justo e altruísta que vem de uma época saudosa cheia de romantismos e sonhos. Não que isso não exista nos dias de hoje, mas era diferente, talvez algo mais inocente, difícil explicar. Além de Tex, ainda tem todo seu círculo de amigos e vilões que completa esse fantástico mundo.

Costuma encontrar-se com outros colecionadores?
Lorenzo Sacchis: Não. Devido a vida atribulada, não consigo participar de encontros, talvez por não me organizar direito, mas, também desejo vivenciar esses momentos, conhecer pessoalmente outros fãs e ter acesso aos grandes conhecedores, ver as revistas, materiais e objetos ligados a Tex Willer e seus pards. Nos grupos de Internet é que tenho conhecido outros colecionadores e aprendido mais sobre a história de Tex, as curiosidades e coleções, raridades, roteiristas, desenhistas, novidades. Este contato, está sendo muito bom para mim. Costumo postar quase que diariamente algo para as pessoas expressarem seus sentimentos, suas lembranças, suas ideias, suas alegrias e tristezas junto a Tex.
Outro ponto importante é conhecer vendedores que podem suprir as faltas nas coleções. Sem dúvida é muito importante essa interação com outros colecionadores, pois, surgem muitas discussões que esclarecem dúvidas, podemos dar opiniões, dividir as angústias, enfim, é algo muito bom e saudável.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Lorenzo Sacchis: Então, o futuro de nosso Ranger e seus companheiros, é algo preocupante. Cada vez mais o digital invade nossas vidas e as impressões parecem estar com os dias contados. Aqui em Florianópolis o jornal impresso só sai aos finais de semana, as bancas de revistas estão acabando assustadoramente, as bibliotecas públicas vazias. É clara essa nova forma de leitura, os PDF’s, os arquivos digitais, é o mundo em transformação e essas mudanças vieram para ficar, esses novos costumes (pelo menos por um tempo até novos chegarem…) e termos de nos adaptar a essas formas de leitura. Esse ciclo económico com fome de consumismo também é um grande atenuante para a diminuição de leitores, com muitas publicações, preço alto, diminuição das bancas de revistas, má distribuição, como havia citado anteriormente, as pessoas acabam não comprando as edições, por terem outras prioridades, necessidades para viver e lá se vai mais um leitor. Essa gratuidade de material digital, a pirataria, acaba sendo uma forma dos leitores sem condições financeiras lerem seus heróis. Eu vivo isso, a coleção está em Santa Maria com meu pai, aqui em Floripa fico com algumas revistas que vou adquirindo para nossa coleção e material em PDF, o qual acho estranho utilizar, acho pior ler no PC as histórias, mas como dizem por aqui, é o que tem hoje.
Existem também as questões ambientais, fabricação do papel, derrubada de árvores, é algo ruim para se conseguir matéria-prima das revistas, serem confeccionadas a partir da destruição das árvores.
Sem dúvida o cheirinho das revistas está ameaçado. Espero poder ter sempre as edições nas mãos, poder folhear as páginas, guardar a coleção na estante. Como disse anteriormente é algo romântico, clássico colecionar gibis, o colecionismo em geral é apaixonante. Por fim, Tex para sempre, é isso que espero, passar esse gosto pelo Ranger para meu filho seguir a saga. Abraço a todos os pards espalhados pelas pradarias mundão de Manitu, felicidades.

Prezado pard Lorenzo Sacchis, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Muito legal a entrevista do Lorenzo, trazendo a família para conhecermos e dando-nos a conhecer as suas aventuras, seus ideais, opiniões, desejos… Ele tem dado um bom combustível ao nosso Grupo Tex Willer – Águia da Noite com as suas postagens diárias com imagens do Universo texiano, abastecendo as ideias dos pards que acessam o grupo – pelo que agradeço pessoalmente em nome de todos.

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