Entrevista com o fã e coleccionador: Luiz Santiago

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Luiz Santiago: Olá a todos! Meu nome é Luiz Santiago. Eu nasci em Cabo de Santo Agostinho, uma cidade do litoral sul de Pernambuco (Nordeste do Brasil), em abril de 1987. Sou professor de História, Geografia e Sociologia, além de editor-chefe, ao lado do meu amigo Ritter Fan, do site Plano Crítico, para onde também escrevo críticas nas áreas de cinema, quadrinhos, literatura e séries.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Luiz Santiago: Quando eu era criança. Meu primeiro contato com as HQs (BDs em Portugal) veio através dos personagens da Turma da Mônica. Eu devorava os almanaques do Cebolinha (meu personagem favorito do Mauricio de Sousa), do Chico Bento e da Mônica. Dessa paixão foi que migrei para outras revistas, como as do Homem-Aranha, Tio Patinhas, Mickey e Pato Donald. Lá pelos 10 anos de idade eu já era um ávido leitor de quadrinhos e tinha bastante incentivo tanto em casa quanto na escola. Praticamente zerei a gibiteca da Sala de Leitura do colégio. Desse grande interesse foi que também veio muito cedo a minha paixão pela literatura.

Quando descobriu Tex?
Luiz Santiago: Ainda na infância, por influência familiar. O western sempre foi um gênero muito querido em casa, então cresci assistindo aos famosos bang bang, que adorava, e que fundamentou também a minha paixão pelo gênero. Nesse mesmo período eu cheguei a pegar e ler algumas histórias de Tex, mas não me interessou muito na época, então não continuei. Só voltei para o personagem já adulto, na época da faculdade. A partir daí nunca mais parei de ler as histórias do ranger, embora uma leitura regular do personagem só tenha começado a fazer parte da minha grade mensal nos últimos cinco ou seis anos.

Porquê esta paixão por Tex?
Luiz Santiago: Acho que um dos motivos é uma certa nostalgia de ambiente familiar, que me traz boas lembranças. Mas o caráter das histórias de Tex é o grande diferencial, é o que fundamenta essa paixão. Valores individuais, cenários visitados e a relação entre ele e seus amigos e também entre ele e seus inimigos são coisas tão bem exploradas que é muito difícil ignorar. Esse tipo de exploração de um Universo ou de um personagem me fascina, daí vem a grande proximidade que tenho com o ranger e suas histórias.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Luiz Santiago: Eu diria que é a qualidade geral das histórias e a contínua exploração do personagem que se mantém constantemente boa. É claro que existem tramas que gostamos mais, outras menos, mas em Tex não temos aquela estranha gangorra de longas fases ruins ou “apenas aceitáveis” contrapostas a um ou dois arcos realmente bons. Em Tex (a para ser sincero, na Bonelli, como um todo), o selo de “boa história” é a regra, não a exceção. E aí reside a principal diferença em relação a outros heróis, especialmente os muito badalados de editoras gigantes, como Marvel e DC.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Luiz Santiago: A minha coleção individual é um verdadeiro bebê, com apenas 65 edições. Já a coleção familiar conta com 207 revistas de Tex. A mais importante para mim é a história Tex, O Grande, que li pela primeira vez aos 20 anos, numa edição da Editora Globo, datada de 1998. E considero que esta é a mais importante porque foi a história que marcou o meu retorno ao personagem, para não mais me afastar dele.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Luiz Santiago: Livros. E sempre que encontro alguma caneca personalizada também trago para a coleção. Tenho 4 dele.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Luiz Santiago: Eu gosto bastante de action figures, então um boneco bem trabalhado do Tex, em tamanho grande seria incrível. Ou a sua estrela de ranger. Esses são itens do personagem que eu gostaria de ter.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Luiz Santiago: Minha história favorita muda de tempos em tempos, dependendo das novas leituras. Hoje, diria que é O Nascimento de um Herói, história de 2017, publicada originalmente na Maxi Tex #21. Meu artista favorito é Claudio Villa, talvez empatado com Civitelli. Já o argumentista, fico com G.L. Bonelli e Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Luiz Santiago: O que mais me agrada em Tex é a sensação de “estarmos voltando para casa” quando lemos suas histórias. Há uma organicidade incrível na maneira como a Bonelli manteve as publicações do personagem ao longo dos anos, mantendo a essência e fazendo as modificações necessárias para torná-lo alinhado à forma narrativa dos novos tempos. O que menos me agrada são algumas saídas absolutamente milagrosas que aparecem em algumas tramas (normalmente as mais antigas). Isso tira um pouco a graça da cena para mim, porque o personagem não faz para se safar do perigo, ele apenas “dá sorte”.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Luiz Santiago: A qualidade das histórias, que é capaz de segurar o leitor ao personagem e procurar cada vez mais novas aventuras. Além disso, Tex representa um momento do passado, mas não é um personagem atrasado. Como comentei acima, a editoria da Bonelli sempre foi muito inteligente ao alinhar o ranger aos novos olhares, isso não só prende um leitor inicial, como também é capaz de mantê-lo fiel depois de algumas leituras.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Luiz Santiago: Infelizmente nunca estive em um encontro de colecionadores de Tex. Apenas tenho contato com leitores através de comentários nas minhas críticas das histórias ou em diversos grupos de redes sociais, dos quais faço parte.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Luiz Santiago: Uma continuidade dessa modernização sem perder a essência que temos vistos nos últimos anos. Temos exemplos de títulos relativamente novos, como Tex Graphic Novel e Tex Willer – As Aventuras de Tex Quando Jovem, que provam essa tentativa da Bonelli em colocar Tex nos mais diferentes gostos e nas mãos das novas gerações. Aqui no Brasil, tenho visto uma aproximação interessante de novos leitores, muitos deles bem jovens embora o personagem ainda mantenha a alcunha de “quadrinho de idoso” nas bolhas de comentadores de quadrinhos por aqui. Vejo a série regular de Tex seguindo a sua qualidade de sempre e os títulos auxiliares sempre trazendo inovações. Um futuro grandioso e plural para o personagem, é assim que vejo!

Prezado pard Luiz Santiago, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Muito boa entrevista, é sempre bom conhecermos as coleções e histórias dos colecionadores do nosso amado ranger.

  2. O Plano Crítico, site do Luiz, é um dos meus favoritos de cinema. Sempre que vejo um filme ou série vou lá conferir as críticas. Muito bom vê-lo por aqui!!

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