Entrevista com o fã e coleccionador: Ananias Francisco dos Reis

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ananias Reis: Bom! Meu Nome é Ananias Francisco dos Reis. Nasci em Santa Cruz do Monte Castelo no Estado do Paraná, Brasil, em 16 de Julho de 1969. Sou Bacharel em Ciências Contábeis (UNITINS, 2006/2009), Técnico em Agropecuária (ETAESG de Dracena-SP, 1989/1991). Recém-formado na área agrícola e pecuária, aventurei-me sozinho a trabalhar em Mato Grosso, chegando em Outubro de 1992. Fui funcionário Público Estadual de 1993 a 1995, onde trabalhei como Fiscal de defesa sanitária animal e Classificador de produtos de origem vegetal e Identificador de madeira. Em Janeiro de 1996, pedi a exoneração do cargo e montei o meu próprio negócio. Exerço a profissão há 20 anos como Técnico, e 15 anos como Micro empresário no ramo de Produtos Agro-pecuários, em Nova Guarita, a 700 km da capital do Estado, com 5.800 habitantes, interior do Mato Grosso. Fui Presidente fundador do Rotary Club de Nova Guarita em 2003/2004 e sou companheiro sócio representativo até os dias de hoje.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ananias Reis: Tenho duas recordações dessa época: a primeira, foi em 1975 com as revistas do Tarzan, (Prisioneiros dos Tuaregues, A Origem do Tarzan, O Templo de Opar e outros títulos que não recordo mais), aprendi a gostar dos quadradinhos mesmo sem saber ler. Nessa época, só se podia matricular os alunos nas escolas no período em que completassem 7 anos. A segunda foi ver o cafezal do meu pai queimar em pleno dia pela geada de 1975. Em 1976, dois meses depois de matriculado eu já estava lendo essas histórias de quadradinhos que antes só tinha folheado.

Quando descobriu Tex?
Ananias Reis: Em Junho de 1976, com o Tex número 61 da 1ª edição, “O Índio Branco”, (que tenho até hoje), conclusão do número 60, “O Homem de Denver”.

Porquê esta paixão por Tex?
Ananias Reis: Então! Até hoje, não consigo definir essa paixão. Acredito que muitos fãs também não conseguem descrever. Só sei dizer que Tex faz parte da minha vida, assim como a minha família e os nossos amigos. Ficar sem Tex não tem como. Em 1982, frequentando a 7ª série, eu morava no sítio e estudava à noite, todos os dias o autocarro (no Brasil: ônibus) passava em frente à nossa propriedade às 17:00 para nos levar para o colégio, esse trajecto dava uns 15 km até à cidade, voltávamos sempre às 23:30 da noite. Numa dessas idas e voltas, lembro que eu tinha lido “O Grande Golpe”, “Em Nome da Lei”, “A Cela da Morte” e não conseguia encontrar o Tex “A Sombra do Patíbulo”, um amigo de sala e que estudávamos juntos desde a 5ª série, indagou-me se eu gostava de Tex, porque na casa dele tinha vários números.
Interessei-me e no final da aula ele levou-me a casa dele e acabei encontrando justamente o Tex que eu queria ler. Resultado: eu perdi o autocarro e tive que fazer esse trajecto de 15 km a pé. (…risos…)
Tem uma sabedoria indiana (dito popular) que diz que há três coisas na nossa vida que não conseguimos explicar: DEUS, a LOUCURA, e o SORRISO. DEUS e a LOUCURA está muito além do nosso conhecimento, então, só nos resta SORRIR bastante, portanto, eu pego um gancho nessa sabedoria e acrescento TEX como uma paixão inexplicável.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ananias Reis: É um herói que tem sofrimentos e sentimentos, quem lê Tex, sabe do que estou falando!!! Sofreu com a perda do pai, do irmão (”Tex, Vingador e Justiceiro”), da esposa, (”Juramento de Vingança”), dos amigos, sequestro do filho, quem não se lembra do episódio ”Flechas Pretas Assassinas”? Como dizia (Nietzsche) “demasiadamente humano”,  em algum momento da nossa vida passamos por esse sofrimento, uns mais cedo, outros mais tarde, isso faz parte da vida.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ananias Reis: Eu tenho a colecção completa de Tex Normal, Tex Coleção, Tex Edição Histórica, Tex Ouro, Tex Grandes Clássicos, Tex Almanaque, Tex Gigante, Tex Anual, Tex Férias, Tex mini-série, Tex Colorido (Globo), Tex em Cores, Tex os Aventureiros e Tex 2ª edição que ainda me falta alguns números para completar a colecção. Comprei também recentemente Tex “O Ídolo de Cristal” editado pela Vecchi. Ao todo devo ter aproximadamente mais de 2000 revistas, mas ainda me falta a revista Texbr, o livro do Gonçalo Júnior, ”O Mocinho do Brasil – A História de um Fenómeno Chamado Tex” e o livro do Pard G.G. Carsan,”Tex no Brasil, O Grande Herói do Faroeste”.
Interessante que o Tex mais importante para mim não foi o primeiro que li, e sim “O Mistério das Pedras Venenosas”, o qual eu troquei por um cromo (no Brasil: figurinha) do jogador Basílio, (isso já em 1978), com um corinthiano que em 1977, viu o seu clube sair de um jejum paulista com mais de 20 anos sem título. Ele ficou super feliz por completar o álbum de cromos do seu clube e eu por ter ficado um ano à espera de ler a continuação do Tex, “O Bruxo Mouro”, mas a felicidade foi passageira ao descobrir que tinha mais uma continuação, “A Caverna do Vale dos Gigantes”, que eu iria ler somente em 1992.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ananias Reis: Eu aprecio bastante a leitura, tanto que já li a bíblia toda, o velho e o novo testamento, lembrando que, não tenho e não sou praticante de nenhuma religião, mas segundo São Tomás de Aquino, “todas as religiões emanam de um único Deus”. Não gosto de coleccionar livros, mas todos aqueles que compro, leio e faço doação para a biblioteca do colégio da minha cidade, assim, o conhecimento fica ao alcance de todos.
Em se tratando de banda desenhada, eu tenho a colecção completa do Zagor da Vecchi, Zagor da Rio Gráfica, Zagor da Globo, Zagor da Record, Zagor Especial da Record, Zagor Satko da Globo, Zagor Extra, Aventuras de Chico, Zagor da Mythos, Zagor Extra da Mythos, Zagor Especial da Mythos e ainda colecção completa do Chet da Vecchi, Maxi Judas da Record, Chacal da Vecchi, Tony Carson da Vecchi, os cinco números do Chacal da BLC e os dois números do Chacal da Nova Sampa, Mister No da Record, Mister No da Mythos, Ken Parker da Vecchi (incompleta), Ken Parker da Mythos, Ken Parker Encadernado, Ken Parker da Tapejara (está faltando alguns números), Bella&Bronco, “A História do Oeste” (incompleta) e do Mágico Vento (incompleta) e tenho também 10 exemplares de Tex italiano que ganhei do Pard Zenilto, mas não os aprecio muito.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Ananias Reis: Não gosto de coleccionar objectos, cromos, estátuas, etc., mas não sou contra quem gosta. Os únicos objectos que tenho são um Colt 44 e um Rifle 45, que são armas de verdade, semelhante àquelas que o Tex usa, mas registadas como de colecção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ananias Reis: A Volta do Dragão! É uma história parecida com o que vemos todos os dias nos noticiários, tráfico de drogas e de armas, assassinatos, factos bem actuais, entre outras inúmeras histórias bem argumentada pelo grande mestre Gian Luigi Bonelli. Nunca critico os desenhadores pois cada um tem o seu estilo próprio. Algumas histórias fazem um casamento perfeito entre argumentista e desenhador, tanto que se pudéssemos poríamos na próxima edição, mas, tenho uma simpatia pelos traços da velha guarda como os de Fusco, Galep, Lettèri, Nicolò, Ticci e actualmente Civitelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ananias Reis: Se você ler Tex começando por “O Totem Misterioso”, vai encontrar um Tex fora-da-lei matando sem piedade, ou seja um justiceiro. É bem verdade que eram outras épocas, mas isso não me agrada. Agora, o Tex de hoje, esse sim, mesmo ambientado no velho Oeste os argumentistas tomam um certo cuidado ao designar as suas atitudes de acordo com a justiça, às vezes baseado em factos históricos da colonização americana, e até porque é um homem da lei. Isso se torna agradável à leitura e é um atractivo para os novos leitores de Tex.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ananias Reis: Vou fazer uso das suas palavras, Pard, numa frase escrita em um marcador de páginas que eu ganhei do Amigo Iranildo, do XVI Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura de Maio/Junho de2007:  “Desde os meus primórdios, vi nascerem muitas personagens, que alcançaram admirável sucesso, mas pereceram diante das adversidades. E Tex, herói de um tempo passado, continua presente, actual, ajudando-nos a suportar as mazelas do nosso tempo, mostrando a cada novo número, a cada nova história, que o caminho certo é o do bem, da lei e da justiça.”.
Não precisa dizer mais nada.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ananias Reis: Não! Mas isso não quer dizer que eu seja escravo do trabalho. O único sacrifício que faço, é visitar os meus pais todos os anos no Paraná aventurando 2.300 km de distância, coincidindo com as férias escolares dos meus filhos. Entendo que é por uma boa causa, quem tem os seus pais que moram distante sabe o quanto isso nos enobrece e faz de nós mais humanos. Espero que seja compreensível a minha ausência nos encontros de coleccionadores.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Ananias Reis: Tex sempre vai estar além do nosso tempo, basta olhar para o staff da Bonelli, para o Portal Texbr e o esforço que o Pard Gervásio faz para o manter, para o nosso amigo GG Carsan, que além de divulgar Tex, ainda se incorpora na personagem vestindo a carácter em todos os encontros em que é possível ele ir. São essas pessoas que colocam o nosso Ranger muito à frente de nós, isto sem falar dos coleccionadores conhecidos, outros anónimos que vão dando a sua parcela de contribuição comprando todo mês uma nova edição.
Até entendo o lançamento de histórias repetidas, porque o mundo é capitalista, é uma forma de aumentar as receitas sem muita despesa, mas vai minando e afastando aos poucos os leitores, chegando a um momento de fazer a opção sobre qual se vai coleccionar, por se tornar dispendioso. Quem sabe se um dia seremos agraciados com o lançamento de Tex no Brasil no formato italiano e na mesma ordem cronológica. Sonhar não custa nada.

Prezado pard Ananias Francisco dos Reis, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Ananias Reis: Eu é que agradeço imensamente a si, Pard José Carlos, amigo!!!!!!  Você é uma verdadeira biblioteca ambulante de Tex, ou melhor, uma gibiteca (eu li as suas entrevistas). Agradeço também ao amigo Gervásio do portal Texbr por me ter apresentado virtualmente a si, como coleccionador. Nunca participei do fórum, blogue ou encontro de coleccionadores, mas acompanho todos os dias pelo Portal Texbr e sei do esforço que vocês fazem para informar aos leitores as novidades do mundo de Tex.
Espero ter contribuído falando um pouco da minha história como coleccionador.
Um grande abraço a todos os coleccionadores de Tex!

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

10 Comentários

  1. Que se pode dizer sr.Ananias? Que bela coleção!!! Gostei da entrevista e concordo contigo e noutras partes eu discordo um pouco. Mas que tal tuas armas moço, devem ser uma flor de especial!!
    Tua coleção enche os olhos!!
    Um quebra-costela cinxado.
    Hasta la vista, pard!

  2. Buenas… Belíssima entrevista com o pard e amigo Ananias, e mais bela ainda é sua grande coleção. Parabéns e um abraço, amigo…

  3. Excelente entrevista e quem sabe, esse ano, durante as férias escolares e sua viagem anual ao Paraná, não esteja na 1ª Gibicon em Curitiba – neste período -, junto aos demais pards, hein?!!
    Alias, tenho que correr atrás do tempo curto, ver a data certa, hotel e tudo o mais – passeio de trem de Curitiba à Paranaguá no Paraná -, ou a esposa me coloca às formigas vermelhas… rsrs!!
    Parabéns aos pards: entrevistado e entrevistador!!
    PS: Alguém tem novas da Gibicon, pards?!!

  4. Sem dúvida, mais uma excelente entrevista que eu tive o prazer de conduzir e deste modo dar a conhecer melhor, mais um grande fã e coleccionador do nosso Tex.

    Parabéns pela sua grandiosa colecção e pela sua imensa disponibilidade, pard Ananias.

    Respondendo agora ao pard Wilson, o Tex nº 498 traz um texto de página inteira com as mais recentes novidade sobre o grande evento de Curitiba, o GIBICON. Não deixe de adquirir esse exemplar e ficar então a par do que está sendo preparado 😉

  5. Grande pard, Ananias!!! Serpentes dançarinas!! Belíssima entrevista, peste!! Parabéns pela coleção maravilhosamente linda q vc tem!!
    Pelo menos em duas coisas somos iguais: Também não gosto de colecionar objectos, cromos, estátuas, etc. E, apesar de ter vários Tex italianos, tbm não aprecio muito… O q eu gosto msm é do TEX BRASILEIRO!… E como vc, tbm tenho todas as coleções. E por incrível q pareça, as únicas q ainda não tenho completas (me faltam uns 10 números), são justamente as que vc tbm não tem: Ken Parker da Vecchi e Tex 2ª edição.
    Abraço, hombre.

  6. Belíssimas coleções Pard Ananias. Vamos completar as que faltam. Tenho Ken Parker da Vecchi (alguns duplicatas), “A História do Oeste” (também) e do Mágico Vento, além de Tex 2ª edição. Aguardo sua lista por e-mail para eu poder te enviar o que tiver faltando na sua listagem e eu tiver aqui em duplicata. Forte Abraço, pra você meu grande amigo e Pard.

  7. Parabéns meu amigo Ananias pela sua coleçao, mas os primeiro Tex nós lemos juntos em minha casa na Relíquia do Norte, você se lembra?

  8. Parabéns, não sou fã desse tipo de leitura, mas admiro muito quem gosta de ler em geral, quem lê fala melhor, se expressa bem e abre portas pra vida profissional. Abraço.

  9. Parabéns, já não leio Tex com essa frequência toda, mas não deixei de gostar, e sem dúvida é um clássico da literatura em quadrinhos!

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