As páginas CENSURADAS do Tex Gigante de Joe Kubert

Por José Carlos Francisco (texto) e Giorgio Rizzi (imagens)

Capa do livreto da SAF Comics contendo as páginas de Joe Kubert censuradas

Joe Kubert, nome mítico dos comics americanos e senhor de uma carreira muito preenchida, em que abordou os mais diversos géneros, com destaque para “Sargento Rock”, “Enemy Ace” e “Tarzan”, também teve uma participação especial em Tex, numa história (O Cavaleiro Solitário) de 224 páginas publicada originalmente na Itália, em 2001, para a série Tex Gigante,  e que segundo reza a lenda levou seis anos a desenhar, mas tanta demora deveu-se a uma boa causa, conforme testemunha João Miguel Lameiras no diário “As Beiras”: “Pois Kubert interrompeu este Tex para escrever e desenhar “Fax from Sarajevo”, uma história documental que relata o drama real de Ervin Rustemagic, editor e amigo de Kubert, que se viu cercado com a família em Sarajevo, durante a guerra na ex-Jugoslávia e que apenas conseguiu sair com vida, graças ao esforço de uma série de autores que representava, como Joe Kubert, Hermann e Hugo Pratt.

Mas, voltando ao “Cavaleiro Solitário”, em termos gráficos temos um Joe Kubert igual a si próprio, com o pouco pormenor e os cenários apenas sugeridos ou inexistentes, a serem compensados por uma planificação extremamente dinâmica e que escolhe sempre os ângulos de maior impacto dramático e por um traço cheio de força e personalidade, que adapta como uma luva às cenas de acção desta história de vingança sangrenta.“.

Contracapa do livreto da SAF Comics contendo as páginas de Joe Kubert censuradas

Mas o pouco pormenor de Joe Kubert foi inclusive posto em prática, de forma propositada na roupagem, ou melhor na falta dela, ao desenhar cenas de nudez (e violência porque estamos na presença de uma tentativa de estupro) quando no início da aventura a jovem Lena banha-se no riacho da fazenda dos Colter, cenas essas que nunca foram vistas porque foram CENSURADAS pela Sergio Bonelli Editore já que as diversas edições publicadas em vários países onde o Tex Gigante de Joe Kubert viu a luz do dia trazem as páginas da versão censurada.

Mas hoje, finalmente, com a imprescindível colaboração de Giorgio Rizzi, o blogue português do Tex mostra ao mundo as páginas tal como elas foram desenhadas por Joe Kubert, páginas essas publicadas há vários anos atrás num raríssimo (e valiosíssimo) livreto da SAF Comics e que somente alguns felizardos em todo o mundo o possuem:

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(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

16 Comentários

  1. Censurada dentro do padrão Bonelli para Tex, que entendo, mas desnecessária na conjuntura atual

  2. Perfeito, tem de censurar mesmo, esse recurso apelativo não cabe dentro do contexto de Tex.

  3. Não achei nada de apelativo. A nudez se justifica com a história. Se houvesse alguém a quem culpar (e não é o caso) seria o roteirista que colocou o estupro como estopim da história. Kubert só desenhou o que o roteiro mandava, ora pois…

  4. Em “Blueberry”, série do irmão francês de Tex, Jean-Michel Charlier, criador literário e roteirista do Tenente Mike Blueberry, não era favorável à nudez feminina sobre as pranchas dos álbuns (apesar de Blueberry ser um galanteador repleto de namoradas e casos amorosos), tal como o editor Sergio Bonelli nas pranchas do Ranger do Texas.
    Após a morte de Charlier, Jean Giraud, criador gráfico e desenhista da série, prosseguiu sozinho as histórias blueberryanas, incluindo cenas de nudez em “Arizona Love” (última narrativa escrita pelo Alexandre Dumas da BD – até a página 22) e no Ciclo Mister Blueberry, também chamado de OK Corral e de Tombstone, e na série “Marshal Blueberry“, desenhada por William Vance (os dois primeiros volumes) e Michel Rouge (o terceiro e último volume).
    Assim como aconteceu com os leitores texianos, aqueles blueberryanos ficaram divididos sobre o assunto: uns contra, outros a favor. A maioria das histórias das três séries de Blueberry têm censura a partir de 12 anos, mas alguns somente a partir de 16 anos. Como “Tex” é censura livre, na minha opinião que não caberia as cenas de nudez com Lena em “Il cavaliere solitario” (“O Cavaleiro Solitário“), de Claudio Nizzi e Joe Kubert.
    A versão em preto e branco de “The Lonesome Rider“, publicada pela SAF Comics, não apresenta a jovem nua. Se porventura “Tex” não fosse censura livre, eu penso que seria possível os desenhos daquela forma, pois não aparece nu frontal, apesar da bunda da moça.
    Restou a histórica edição americana, em cores, com as controvertidas imagens. A ressaltar que refazer ilustrações de partes de corpos de mulheres já acontecera em outras aventuras da saga de Tex Willer, mas não por causa de censura da própria editora e sim pelo órgão responsável.
    Saudações texianas desde a Amazônia.

  5. Afinal aqui na Sergio Bonelli Editore também não se pode ser Charlie!

    Infelizmente não me espanta, mas deixa-me triste! Já no fórum TexBr me aconteceu algo parecido pelo que deixei de frequentar…

  6. Muito melhor a versão não censurada….
    Os leitores de Tex já cresceram muito, a maior parte já tem cabelo branco ou nenhum ehehhe, por isso está na altura do Tex ser mais “adulto” e deixarem de ser tão castos com as histórias.

  7. Este tipo de censura com a nudez feminina nas histórias aos quadradinhos era frequente há algumas décadas e atingiu também algumas das principais revistas portuguesas de BD, particularmente o “Mundo de Aventuras“, onde até as armas, por vezes, eram eliminadas, ficando os personagens a apontar com o dedo, em poses e situações absolutamente ridículas.
    Hoje em dia, mesmo no universo de um herói ainda tão tradicional como Tex, nada disto se justifica. Mas não esqueçamos que “O Cavaleiro Solitário“, de Kubert e Nizzi, foi publicado há 14 anos… que as grandes renovações na série datam de há menos tempo… e que, se algum dos autores quis desafiar a censura interna, esse deve ter sido, em primeiro lugar, Kubert e não Nizzi, pois não acredito que este tivesse imaginado uma cena tão erótica, com tantas vinhetas em que a moça aparece completamente nua.
    Enfim, são palpites que pouco interessam, agora, para o caso…

  8. Essa polêmica é interessante e curiosa, já que traz à tona outros temas pertinentes. Não sei até onde os editores atentam para o perfil mais maduro de seu público, nem sei o quanto a amplitude de uma versão “censura livre” influi no resultado de vendas. O debate – bastante educado até aqui -resulta numa listagem de pontos de vista interessantes até mesmo para editores atentos perceberem a opinião de seus leitores. Particularmente achei o nu desenhado por Kubert muito bem executado, muito suave e pudico, mas quando se trata de Bonelli a tradição é um dos valores em pauta. Continuo entretanto a sentir falta da presença mais constante de personagens femininas (de relevância não apenas figurantes e vilãs) no universo de Tex.

  9. Prezado Pedro Pereira,
    eu sou o Administrador do Fórum TexBR, cujas regras podem acessadas através do seguinte link: http://www.texbr.com/forum/viewtopic.php?f=19&t=4182
    Eu estou à sua disposição para tratar de assuntos do fórum. Contate-me pelo e-mail bracam70@hotmail.com
    Bem lembrado pelo Jorge Magalhães que a história “O Cavaleiro Solitário” foi publicada há 14 anos. Os tempos mudaram, mas, respeitando todas as opiniões, não quanto à nudez feminina nas pranchas de “Tex”.
    Por falar em nudez feminina, Chihuahua Pearl aparece despida totalmente em “Arizona Love“; mesmo o blog sendo censura livre, assim como os álbuns texianos, eu expus a cena loira pegando chuva, aonde ela mostra tudo. Confiram essa e outras imagens da história de Charlier e Giraud: http://blueberrybr.blogspot.com.br/2015/01/blueberry-n-23-arizona-love.html
    Abraços texianos a todos.

  10. Eu sou contra qualquer tipo de censura e na BD ainda mais. Acho muito mal a Sergio Bonelli Editore ter censurado as imagens originais de nudez porque Tex não é propriamente uma BD para o público cantar e dançar alegremente. Tex é uma BD sóbria, dura, com personagens implacáveis e por isso é que eu sou fã. Bem sei que as origens de Tex estão assentes na quase ausência de personagens femininos mas acho patético terem eliminado 3 ou 4 páginas de nudez feminina que não prejudicam e nem fazem mal a ninguém!

  11. Agora a cena faz todo o sentido, foi erro da Bonelli ter censurado. A única coisa explícita que aparece é a bunda dela isso não mataria ninguém. hahaha

  12. A matéria é muito interessante, mas fiquei com algumas dúvidas. A situação causou algum transtorno na relação entre a Bonelli e Kubert ou ele aceitou numa boa o veto aos desenhos originais? Os desenhos que cobriram a nudez da jovem foram feitos pela própria editora ou por Kubert? Tendo sido feitos na Bonelli, sabe-se quem os fez? E se a versão original foi impressa pelo livreto promocional da SAF, a censura da Bonelli não ocorreu em um primeiro momento, a SAF os publicou sem consultar os editores italianos ou ela valeria apenas para as edições internacionais? Se a Bonelli autorizou a divulgação dos desenhos, o que a levou a voltar atrás e promover a mudança e vestir a moça?

  13. Prezado Álvaro Barreto,
    como temos conhecimento, o mestre Joe Kubert está cavalgando nas pradarias celestiais. Por aquilo que eu sei sobre esse episódio, posso informar que o renomado artista gráfico norte-americano não questionou a mudança solicitada pela SBE, cuja foi feita por ele próprio.
    A SAF Comics publicou um álbum em preto e branco, sem a nudez de Lena, com tiragem muito maior do que aquele em cores, a qual apresenta a moça despida. As demais edições internacionais foram lançadas como a italiana, ou seja, a ruiva trajando roupa.
    Talvez as muitas manifestações contrárias a uma nudez feminina mais explícita nas pranchas do Ranger do Texas tenha feito a editora italiana voltar atrás na permissão do nu e padronizar aquelas cenas do banho – dessa vez com a moça vestida com uma peça íntima da época – em todas as publicações pelo mundo.
    Ressalto que pode haver equívocos em minha resposta.
    Saudações texianas desde o Inferno Verde.

  14. Correto. A nudez é desnecessária. Não acrescenta absolutamente nada no contexto, apenas, levar a censura, sem esquecer, que temos muitas crianças que curtem TEX; não há necessidade de nudez.

  15. Na minha opinião, as cenas em que a garota estava nua são cabíveis dentro do roteiro, afinal Tex é feito para adultos, gente. Além do mais não há nada de agressivo nas cenas ou algo explícito. Pra mim, isso foi um exagero de puro puritanismo.
    E que os demais texmaníacos me perdoem… mas isto é pra falsa moral. Ninguém é santo e estamos em pleno século XXI onde a pornografia rola solta nos sites da WEB.
    Não vi nas cenas de nudismo nenhum suposto “atentado ao pudor”. Tenho dito!

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