As Leituras do Pedro: Nas neves de Montana (Tex #584) & Homens da Montanha (Tex #585)

As Leituras do Pedro*

Tex #584: Nas neves de Montana
Tex #585: Homens da Montanha

Pasquale Ruju (argumento)
Alfonso Font (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Junho e Julho de 2018
135 x 180 mm, 114 p., pb, capa mole, mensal
€ 3,60

Detective…

Em mais de 70 anos de edições, Tex assumiu diversos papéis e as suas aventuras diversos estilos e temáticas, mas raramente terá havido uma história com um tão evidente tom policial e com o ranger a actuar como um verdadeiro detective.

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Resumo

Na perseguição a um bando de assaltantes – acidentalmente assassinos de um amigo seu – Tex Willer e Kit Carsom chegam a Silver Bow, numa altura em que o povoado está em estado de sítio, porque Wolfman Lang, um caçador e assassino implacável, decidiu vingar a morte do irmão, Justin Lang, morto a tiro após ter ganho uma avultada quantia ao póquer e maltratado uma prostituta.

Perante a ameaça de Wolfman, que tira partido da localização específica da povoação e da tempestade de neve que assola a região, de ir matando habitante após habitante até lhe ser entregue o assassino do irmão, os rangers têm de proteger a população e descobrir quem  matou o fora-da-lei.

Desenvolvimento

Pasquale Ruju, o argumentista deste díptico – sem retirar os elementos típicos do western em geral e de Tex em particular, dá-lhe um tom eminentemente policial, com a trama a desenvolver-se em torno da descoberta de quem assassinou Justin Lang.

Depois de um longo intróito – como é cada vez mais habitual em Tex, com a chegada de Justin ao povoado e o acompanhamento dos rangers na perseguição aos assaltantes e na descoberta do cadáver do amigo a decorrerem em paralelo, estes dois segmentos unem-se em Silver Bow.

O facto da povoação ter vias de acesso limitadas e de Wolfman, enquanto caçador, ser especialista em deslocar-se sem se deixar ver, transforma a narrativa quase num caso de assassinato em local fechado, o que aumenta a tensão crescente à medida que as vítimas do vingador vão aumentando.

Ruju, de forma inteligente, umas vezes directamente, outras deixando as pistas ao cuidado da intuição dos leitores – e permitindo mesmo que estes tenham acesso a mais informação do que os rangers – vai apontando potenciais assassinos, alguns evidentes – como o derrotado na partida de póquer ou a prostituta abusada – outros menos evidentes ou com motivações menos claras, que me vou abster de indicar.

O final, que vem aliviar a tensão crescente que aumenta ao longo do relato, fazendo sentido, irá surpreender alguns leitores menos atentos, como convém sempre numa história de… detectives!

A reter

– Como sempre, o traço do veterano Alfonso Font, duro, esguio, expressivo e assente em conseguidos contrastes de preto e branco, sublimados pela presença constante da neve que cobre toda a paisagem.

– O tom policial que Ruju imprimiu ao relato, sem pôr em causa os princípios que regem as narrativas de Tex.

– A capa da edição #585 (#685 da cronologia original italiana), pelo recurso a uma dupla imagem, nada habitual no historial da série.

Menos conseguido

– Tex é sempre Tex e mesmo quando assume um papel de investigador, a sua faceta de invulnerável e (quase) todo-poderoso vem (quase) sempre ao de cima. A narrativa teria ganho muito sem o seu confronto final – inevitável (?) e previsível – com Wolfman Lang.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Ler novamente uma história de Tex contada por esta dupla é para mim nostálgico. Me lembra a primeira história do ranger que eu li, a história Mestiço! cujos autores eram justamente Ruju e Font.

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