As Leituras do Pedro: Le Storie – Mohawk River

As Leituras do Pedro*

Mohawk River
Mauro Boselli (argumento)
Angelo Stano (desenho)
Panini
Espanha, Dezembro de 2019
195 x 259 mm, 144 p., cor, capa dura
16,00 €

Antes do western

Última proposta Bonelli da Panini espanhola no final de 2019, Mohawk River, mais um título da série Le Storie, tem sabor a épico clássico, ambientado no período em que franceses e ingleses disputavam entre si – e com os indígenas autóctones – os territórios dos futuros Estados Unidos da América, em meados do século XVIII, na zona atravessada pela corrente de água que lhe dá título.

É, por isso, penso que posso escrevê-lo, um ‘pré-western’, na peugada de obras célebres – e celebradas – como O último dos moicanos, de Fenimore Cooper ou Ouvem-se tambores ao longe, de John Ford, que o próprio argumentista, Mauro Boselli, evoca – entre várias outras – no prefácio deste livro, onde também cita Pratt – e a que me atrevo a adicionar, noutro contexto e registo, o Humpá-pá de Goscinny e Uderzo.

Narrativa de acção, mas quase sempre em ritmo pausado, vive não só das sucessivas alianças e traições entre as diversas tribos índias, ingleses e franceses – ao sabor dos interesses e de quem paga mais – mas também do relacionamento humano – com tanto de bom quanto de mau ele pode ter – entre os seus protagonistas.
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Na génese da história está o ataque de uma tribo índia a uma pequena quinta de colonos, e o rapto dos dois filhos. A perseguição, a vontade de libertação, a adopção pelos captores, as intrigas políticas, os assassinatos contratados e outras relações que não adianto para não esvaziar a leitura do prazer que me proporcionou, vão-se entrecruzando num registo que decorre ao longo de uns quantos anos, com algumas surpresas, que o leitor nem sempre consegue antever ou antecipar.
O traço de Angelo Stano, mais funcional do que atraente, no qual se adivinham influências de Pratt, adequa-se muito bem ao registo narrativo escolhido, estando para além disso servido por um bom trabalho de cor que ajuda a definir cada um dos momentos. Apesar disso, não é possível deixar de imaginar como resultaria o livro, se fosse todo ele trabalhado a aguarela como as ilustrações que lhe servem de guardas ou que ilustram o prefácio de Boselli.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

 

2 Comentários

  1. Boa tarde, Zeca. Seria possível a Mythos publicar alguns volumes desta série “Le Storie”? Ouço muitos elogios desta publicação.

    • Possível é, pard Banzé, até porque a Sergio Bonelli Editore vende também os direitos de histórias separadas da colecção Le Storie e não obriga à aquisição de todos os volumes, aliás já há (e mais haverá em breve) editoras brasileiras publicando material de Le Storie…

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