As avaliações do Mattheus: Tex Ouro 48 – Missão em Boston

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Ouro 48 – Missão em Boston

| Antagonista bem trabalhado | Desfecho satisfatório | | Cenário inapropriado | Lutas desnecessárias |

Lançado no Brasil em Maio de 2010, Tex Edição Ouro 48 – Missão em Boston, traz uma história totalmente diferente das que estamos acostumados a ver/ler.

Nesta edição, Tex e Carson são enviados a Boston para investigar um tráfico de armas que tem um índio navajo envolvido. No desenrolar das investigações, Tex e Carson conhecem Pierre, um agente da Pinkerton que faz a eles um resumo sobre o que sabe sobre o tráfico, revelando que o chefe da polícia está envolvido na organização. E com essas informações, os Rangers fazem de tudo para acabar com o tráfico.

Neve e Tex não combinam.

Tempinho bom! Já estou com saudade do sol que deixamos no Arizona“. Esta fala de Carson resume perfeitamente a sensação que o leitor terá enquanto lê a aventura. Embora Civitelli retrate com perfeição a neve da cidade de Bonston e esta seja a intenção do roteiro, fica claro que este cenário não combina com nosso Ranger.

Aqui, em vez de deserto, sol, cavalos, diligências, cowboys e ambiente aberto, o leitor verá o oposto: neve, temporal, cidadãos comuns e ambiente fechado. A impressão que dá, é de não ser uma história de faroeste, e sim policial, à lá Nick Raider. A única diferença é que, em vez de táxi, Tex e Carson andam de charrete.

Em outras palavras, se no lugar de Tex, estivesse Nick Raider, não mudaria nada.

Réquim vs Tex.

Se por um lado o argumento erra em escolher um enredo (policial) que não combina com Tex, do outro acerta em cheio na escolha do antagonista (vilão). Réquim é quem executa as ordens do capitão Corbett e de Beaumont, e também é Réquim o responsável de quase toda acção da história.

Réquim não usa apenas armas para enfrentar Tex e Carson, mas também a astúcia. As batalhas entre herói e vilão protagonizam os melhores momentos da aventura. Na acção, vemos o tradicional bang bang e uma perseguição que vai do quarto de um hotel até o cais. E na astúcia,  Réquim e Tex disputam para ver quem é o mais esperto. Neste ultimo quesito, um consegue enganar o outro em determinado momento.

Não precisava disso.

Outro ponto negativo da história são algumas brigas desnecessárias. Nesta edição, o argumentista coloca umas lutas divertidas, porém, sem precisão. Que é bom ver o Tex dar uns sopapos em alguns caras folgados, não há dúvida, mas nesta aventura fica a sensação de que não precisava disso.

Durante a prisão de Tex e Carson, seus “colegas” de cela tentam limpar os bolsos dos rangers enquanto eles estavam aparentemente dormindo, e aí é soco para tudo que é lado. E quando nossos pards são liberados, Tex cruza com o guarda que havia lhe batido com um cassetete e ali mesmo decide ir à forra.

Esses combates, não acrescentam absolutamente nada na história. E o que é pior: as 12 páginas desperdiçadas nessas brigam fazem falta no final. Nizzi poderia usar essas páginas para explicar algumas coisas que ficaram sem resposta, como por exemplo, qual era a causa do povo de Julia Calvi que fez com que ela lutasse para recuperar o dinheiro roubado por Beaumont.

Acabou como tinha que acabar.

O desfecho de “Missão em Boston” aconteceu como deveria acontecer. Como a proposta do argumento era de uma aventura com ar policial, o fim foi satisfatório. Todos os culpados, com excepção de Beaumont, são presos e descobertos.

Não tinha como não ser assim. Ficaria muito estranho se, por exemplo, o capitão Corbett e Réquim não fossem presos. Que graça teria se eles (Corbett e Réquim) fossem mortos sem serem desmascarados e ficassem impune de seus crimes? Volto a repetir que este fim foi satisfatório pelo facto de ter sido uma aventura policial.

A única morte entre os mentores do tráfico de armas, a de Beaumont, não só foi satisfatória como também trouxe a única carga de emoção que a aventura teve. Beaumont morre pelas mãos da bela Julia Calvi, que vinga a morte de seu pai e também seu povo, a quem Beaumont traiu pela avidez do dinheiro. A cena poderia ter sido ainda mais emocionante se Nizzi usasse as páginas que usou nas brigas entre Tex e os presos/guarda para explicar a causa do povo da Julia, como foi mencionado no quesito acima.

Conclusão:.

Missão em Boston é uma boa aventura, mas pode ser considerada ruim por alguns. Inserir o género policial em Tex e mudar radicalmente o cenário em que estamos acostumados a ver, pode desagradar os fãs do ranger, mas não chega a comprometer a qualidade da história. Acção, perseguição e surpresas estão presente no enredo desta edição. Se você não se importa com as questões  negativas (género policial e cenário oposto do velho Oeste) citadas na crítica, esta é uma aventura interessante, por trazer elementos nunca visto antes no mundo texiano.

Nota para a edição: 7,0

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 15/12/2012;
Copyright: © 2012

2 Comentários

  1. Tex é um herói perfeito.
    Está sempre a vontade em qualquer ambiente, não tem nenhum dos cacoetes dos verdadeiros personagens daquela época.
    Fala vários idiomas.
    Qualquer dia ele será enviado a Marte para defender os direitos dos seus irmãos nativos marcianos e falará com eles na língua marciana, e eles, o marcianos, já terão ouvido falar do chefe branco dos seus irmãos terráqueos navajos.
    Isso posto, declaro que gostei dessa aventura de TeX em Boston.

  2. Mattheus soube dar exatamente o valor da história. É nota 7,0 mesmo.
    História excelente, mas que peca realmente por certas cenas tolas como aquelas brigas de Tex com prisioneiros e com o carcereiro. Não tem pra que cenas tolas também como aquela de Carson ficar preso na porta giratória. Isso sai um pouco do enredo, e como os rangers já provaram que sabem deitar e rolar em qualquer lugar que chegam, essa cena de Carson entalado destoa um pouco dessa característica marcante dos dois pards.
    Realmente, essa história bem poderia ser pra Nick Raider, mas também ficou boa com Tex, aliás excelente. Embora com umas grandes lacunas, é uma ótima história.
    De notar também são os desenhos do grande Civitelli. Estão lindos nesta história (aliás, sempre são lindos). “Missão em Boston” parece um pouco a antítese de “O Presságio” (em que Tex conhece a bela Alison). Nas duas histórias, os desenhos de Civitelli estão perfeitos, primorosos, provando que ele é um mestre tanto em ambientes rurais, selvagens, como nos ambientes urbanos. Os desenhos de Civitelli são perfeitos, sempre foram e não é à toa que ele sempre foi um dos desenhistas de primeira linha de Tex (sem dúvida é o mais detalhista deles, e o que dá os melhores acabamentos aos desenhos). Grande Civitelli!
    No mais, Tex realmente se adapta a qualquer ambiente. Como AMoreira disse, Tex não se prende aos clichês do faroeste, e sempre revelou inteligência muito superior aos simples caubóis e homens da lei do faroeste. Assim como AMoreira disse, também pra mim Tex fica bem lutando até contra seres alienígenas (coisa que ele também já fez, numa antiga história chamada “O Vale da Lua“. Tex já conseguiu enquadrar até um extraterrestre!).
    A nota é 7,0 por algumas lacunas na história. Mas se fosse avaliar pelos desenhos, sem dúvida seria nota dez com louvor! Um primor!
    O agente da Pinkerton, Réquim e a rebelde corsa foram os pontos altos da história, sem dúvida!

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