As avaliações do Mattheus: Tex Férias 9 – Caçador de Homens

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Especial Férias nº 9 – Caçador de Homens

| História bem construída | História bem explicada | | Cenas estranhas | Final injusto |

Lançado no Brasil em Junho de 2010, Tex Férias 9 – Caçador de Homens, traz uma história interessante e dramática.

Após presenciar a morte de dois desertores, Tex e Jack Tigre ficam sabendo do dono da taberna de Will Torrence, sargento que, junto de outros soldados, desertaram do forte Craig, e que agora são caçados por homens liderados por Mickey Finn, um mestiço que não tem escrúpulos. Mesmo contra a lei, Tex e Jack Tigre decidem ajudar o sargento Will Torrence e os seus a irem para o México.

Razões e emoções

O roteiro de “Caçador de Homens“, além de ser interessante, tem como tema um facto que realmente acontecia na época do velho Oeste americano. Mauro Boselli conta-nos, em meio a ficção, como eram as deserções de soldados naquele tempo e como elas eram vistas pelos chefões do Estado. Esta aventura, dá uma “aula” desse assunto.

Mas aqui o destaque mesmo é a trama. A história não se resume apenas em homens caçando desertores, há muita coisa a mais em jogo. Nesta edição, Boselli mais uma vez explora o lado humano das personagens e em cima disso, com a arte excepcional do saudoso Carlo Raffaele Marcello, constrói um enredo rico e interessante.

Nesta aventura, os bons são maus e os maus são bons. Mesmo “do lado da lei”, Mickey Finn e o major Craig, são homens inescrupulosos que usam seus recursos (a lei) para alcançar seus propósitos pessoais. Já Torrence, mesmo sendo um desertor ainda é uma pessoa respeitada e admirada por todos. O lado humano de cada um é mostrado de uma forma impressionante, e há quem ainda terá pena de Finn, por mais ruim que ele seja.

Para ninguém ter dúvidas

Continuando o assunto acima, o roteiro conta-nos a história de vários homens, e dá-nos uma visão clara do modo de pensar de cada um. Seja em flashbacks ou em cenas do presente, a trajectória do sargento Will Torrence, do comanche mestiço Mickey Finn e do major Craig, são explicadas de forma clara e coerente.

Boselli enriquece ainda mais o enredo desta edição fornecendo detalhes da vida desses três homens. Os flashbacks que contam o passado deles ocorrem em determinados momentos, ora quando Tex e Jack Tigre acampam e o ultimo pergunta se o ranger conhece bem Mickey Finn, ora quando estes salvam um companheiro de Torrence que estava sendo torturado e enquanto o ex-refém se recupera, conta o passado de Will Torrence e Craig e porque desertaram.

São pequenos detalhes que ligam os pontos e dão à trama mais humanidade. Vingança, liberdade e ódio são os sentimentos presentes na aventura. Sentimentos esses que cada deles (Torrence, Craig e Finn) carregam dentro de si.

“Falha nossa”

Um pequeno detalhe que pode ter passado despercebido pelo leitor, mas que deixa una sensação estranha, são duas cenas mal programadas, uma pelo desenhador, e outra pelo roteiro. A primeira, é quando Tex e Jack Tigre passam carvão no corpo para poderem camuflar-se para surpreender as sentinelas de vigia. O “erro” acontece quando os nossos heróis nadam para o outro lado e a água não tira o carvão do corpo deles.

Outro deslize, dessa vez do roteiro, é quando “do nada” Tex e Tigre conseguem um disfarce e infiltram-se no grupo de Mickey Finn. O último contacto dos pards com Mickey Finn e seus homens antes da infiltração é no momento da fuga de Torrence e os seus. Naquela ocasião, era impossível Tex e Jack Tigre pegarem as roupas dos homens de Finn para se passarem por eles. É claro que a intenção era fazer uma surpresa ao leitor, mas ficou um pouco sem nexo.

Ele não merecia isso

O único ponto da história em que “Caçador de Homens” desagrada, é no fim. Depois de tanta luta, humilhação e sofrimento que Will Torrence passou, a morte dele foi uma tremenda injustiça, e podemos dizer que quase tudo foi em vão e que o mau venceu. Mesmo depois de ter sido expulso do exército, o cruel major Craig conseguiu realizar a sua vingança tirando a vida do bravo Torrence.

Além de injusta, a morte de Torrence foi sem graça. Teria sido muito mais interessante e emocionante, se o sargento tivesse morrido salvando a sua esposa ou até mesmo salvando Tex. No desfecho da aventura, Boselli pecou em escolher o final mais desapropriado para o que ele mesmo criou.

Conclusão:

Caçador de Homens é uma história que vale a pena ser lida por todos os texianos. Com uma trama bem montada e um enredo rico, esta edição merece destaque na galeria de histórias do ranger. Seja pelos belos traços de Marcello ou pelo eficiente roteiro de Boselli, o leitor terá pela frente uma leitura agradável, emocionante e sobretudo ficará por dentro de um facto real do velho Oste americano: a deserção. Acção, emoção, aflição e surpresas estão presentes aqui.

Nota para a edição: 8,5

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 22/12/2012;
Copyright: © 2012, Mattheus Araújo

2 Comentários

  1. Eu adorei essa história mas meu ponto de vista é o seguinte:

    Essa história estava planejada para 3 edições com 330 páginas, mas tiveram que apressar as coisas e apertar a história em 2 edições por algum motivo (quase certeza que sempre os atrasos editoriais que o Bonelli sempre reclamava, ehehe).

    Isso explicaria porque de um quadrinho para outro, sem explicação alguma, Tex já aparece infiltrado entre os companheiros de Mickey e também a morte de Torrence sem maiores dramas, assim como a morte de Mickey sem sentido nenhum.

    Existia um pano muito grande para Mickey, por ele ser salvo por Tex e o odiar e ser grato ao mesmo tempo, etc.
    Creio que um final épico seria Mickey se sacrificando para salvar Torrence ou Tex, assim se redimindo de sua dívida moral com Tex, que tinha em seu subconsciente por Tex o ter salvo.

  2. Eu gostei bastante dessa edição, Mattheus. Algumas aventuras de Tex fazem-nos esquecer que não estamos vendo “apenas” Quadrinhos! Concordo que o final não foi muito justo, mas talvez tenha ocorrido como escreveu o Daniel.
    E a nota de 8,5 creio que está boa.
    Grande abraço,

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