Almanacco del West 2008 (Itália): La palude nera

Almanacco del West 2008Almanacco del West 2008 – “La palude nera“, de Janeiro de 2008.
Argumento de Pasquale Ruju, desenhos de Franco Devescovi e capa de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.

Ao destino nunca se foge, e a aventura de Pasquale Ruju, que marca a estreia de Franco Devescovi em Tex, pode ser considerada como uma parábola sobre o destino dos homens e da condição humana. Mais tarde ou mais cedo, por muitas voltas que se dêem, o destino vem ao nosso encontro com o objectivo de saldar as suas contas, de limpar definitivamente um passado que se julgava apagado ou iludido pela força do tempo.

Hannibal Cannon foi um notável caçador de prémios, um pistoleiro como poucos, alguém que teria conseguido enfrentar Tex Willer se os acasos da vida tivessem colocado os dois em lados opostos. Pelo contrário, ambos estiveram juntos quando anos antes apanharam Daniel Dumont, um maníaco das cartas de tarot que deixava um rasto de sangue e morte durante os seus assaltos. Entretanto, Hannibal Cannon retirou-se de uma vida feita em perseguição dos mais variados malfeitores procurados pela lei e vive com o seu filho perto de Corpus Christi no Texas. Agora, depois de se ter evadido da penitenciária onde se encontrava, Daniel Dumont pretende a vingança há muito preparada. Colocar frente a frente, desta vez em campos opostos, os dois homens que o prenderam, Tex Willer e Hannibal Cannon.

Arte de Franco DevescoviApós Demian, Pasquale Ruju regressa a Tex para assinar nova aventura depois da estreia com “Nella Terra dei Klamath”, também publicada em Almanaque. Já em Demian, o autor dera mostras da sua apetência em privilegiar atmosferas duras com personagens bem vincadas e, apesar das poucas páginas da aventura, o autor consegue desenvolver bem o seu argumento, recorrendo a alguns flash-back que ajudam a construir a contento uma personagem dura e depressiva como Daniel Dumont, um louco sanguinário em busca de vingança. Uma vingança original, convenhamos, porque em lugar de Dumont pretender pura e simplesmente abater os seus inimigos, leia-se Tex e Hannibal, vai mais longe na sua loucura, chantageando o agora retirado caçador de prémios para o obrigar a enfrentar Tex.

Tex por Franco DevescoviMas se o destino vem muitas das vezes ao nosso encontro, esse mesmo destino está previamente marcado sendo válido para todos, inclusive para Dumont. Um passado que deixou marcas ou um passado que ficou por resolver afinal pode voltar-se para quem nele procura a sua motivação para, numa obsessão sem limites, buscar uma vingança. As atmosferas duras tão ao gosto de Ruju são servidas pelo dramatizar crescente das situações, tentando com isso obter um ambiente capaz de prender gradualmente o leitor à história. Toda a cena final, pela sua atmosfera, por se tratar de um regresso do passado, do confronto entre os seus protagonistas, vem ainda mais condimentada com uma tempestade nua e crua, perfeita na sua carga dramática.

Tex por Franco Devescovi

Ruju acaba por deixar a sua marca nesta aventura, quer na criação da figura de Dumont quer nesta questão da carga dramática que o autor já tinha dado mostras em Demian. No entanto, a aventura é algo falhada na construção de Tex, um ranger sempre mais diplomático, não sendo muito diferente daquele Tex nizziano que tantas críticas tem tido. Um Tex que numa primeira fase parece não se assumir como o verdadeiro protagonista que gostaríamos que fosse, sabendo no entanto impor-se na parte final da aventura.

Arte de Franco DevescoviPor seu lado, Franco Devescovi é, mais um novo desenhador em Tex, mas não um novato nestas andanças. Nascido em 1943, Devescovi tem trabalhado sobretudo para Martin Mystère, onde o seu traço certinho e limpo parece adequar-se mais do que em Tex. Explicando melhor, Devescovi tem um trabalho honesto e meritório, um desenho bonito de contemplar, mas aqui e ali caracterizado por pouco dinamismo, sobretudo nas cenas de acção. O seu Tex está bem construído, parecendo assemelhar-se ao modelo de Civitelli, mas sem lograr a mesma presença ou o mesmo rasgo. Um trabalho correcto certamente, mas sem conseguir interpretar eficazmente o dramatismo sempre presente na aventura de Ruju.

Texto de Mário João Marques

Um comentário

  1. Olá Pard! Parabéns pelo artigo e muito obrigado por nos manter informados sobre as novidades na Italia.
    Abraços,
    Geluri.

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