Alessandro Piccinelli: De desenhador têxtil a Tex

Alessandro PiccinelliCaros amigos,
Há cerca de um ano, em Maio de 2006 chegava aos quiosques italianos “Huron!”, o primeiro capítulo de uma longa aventura de Zagor que trazia a estreia no mundo bonelliano de Alessandro Piccinelli, um desenhador de traço clássico e dinâmico, particularmente ligado ao Rei de Darkwood. “Zagor foi a primeira banda desenhada “adulta” que eu li, quando tinha nove anos”, revelou Piccinelli numa entrevista publicada há algum tempo no sítio da Sergio Bonelli Editore, na Internet.
 
Além disso, para uma pessoa nascida e criada como eu entre os bosques dos vales do lago de Como, era fácil identificar-me com o Espírito da Machadinha, tentando (ainda que com fracos resultados) saltar de uma árvore à outra como ele… Tudo isto para dizer que, como leitor, conhecia muito bem e há muito tempo a personagem, por isso imergir-me na atmosfera zagoriana não foi um problema”.
 
Satisfeito com o trabalho realizado por Piccinelli naquela ocasião, Sergio Bonelli requereu ao autor para entrar no restrito número de autores de Tex.
Apesar de ainda não sabermos quando será publicado a história em que está actualmente a trabalhar e da qual provém o belo retrato de Águia da Noite que podem ver um pouco mais abaixo, o blogue português do Tex, dedica a rúbrica de hoje a este cartoonista, cujo talento, estamos seguros saberá conquistar-vos e que poderá ser apreciado em antestreia mundial no XVI Salão Internacional de Moura a realizar de 27 de Maio a 3 de Junho, já que Piccinelli é um dos 15 autores da nova vaga de desenhadores de Tex, que terá material exposto em Moura.
 
Nascido em 3 de Abril de 1975, Piccinelli conseguiu o diploma de desenhador têxtil tirado no Instituto Técnico “Setificio” da cidade de Como, para depois frequentar a “Scuola del Fumetto” em Milão. Naquele período concluído o serviço militar, começa a colaborar nas vestes de ilustrador para o quotidiano “Il Corriere di Como”. Em 2000 apresenta-se como autor completo na revista “M.A.R.E.”, para a qual realiza as capas dos primeiros dois números e as histórias em banda desenhada dos primeiros sete. A partir de 2001 assina para a Editora Meroni mais de trezentas ilustrações de fim didáctico, e para a Mediacomics o quarto episódio da primeira história de “Armadel”, uma banda desenhada consultável através da Internet.
 
Seguidamente a esta experiência, realiza para a Sergio Bonelli Editore provas para a série de Zagor e de imediato entra no staff do “Espírito com a Machadinha”, estreando-se com a quádrupla aventura “Huron!” publicada a partir de Maio de 2006.
 
Indicando os desenhadores dos quais se sente mais influenciado, ao lado de mestres estrangeiros como Alex Raymond, John Buscema, Hermann e Jean Giraud, Piccinelli cita Claudio Villa junto do qual frequentou um período de tirocínio: “Eu tive a felicidade de conhecê-lo e de vê-lo a trabalhar no seu estúdio: lá fez-me compreender o que significa ser um profissional. Um que não se contenta jamais, que com uma paixão infinita procura sempre a melhor solução para descrever cada vinheta, metendo-se ao serviço do leitor. É um grande narrador que une riqueza de particulares, potência do claro-escuro, precisão na anatomia e tantas outras qualidades, sem jamais perder de vista a legibilidade do desenho.”.
 
O Tex de Alessandro PiccinelliPara Piccinelli, o western sempre foi o género preferido, e Águia da Noite “o segundo amor” (o primeiro é Zagor, obviamente), e portanto, diz: “chegar a desenhá-lo é como ter realizado um sonho, mesmo que o impacto inicial tenha sido traumático, porque tinha a sensação de estar a enfrentar um repto titânico, sentindo o peso da responsabilidade… Depois, porém, comecei a sentir-me cada vez mais à vontade. O meu pai era um leitor de Tex desde o primeiro número, e portanto encaminhou-me também à cultura western, seja através da banda desenhada, seja pela via cinematográfica: não sei quantas vezes vi o meu filme preferido, “Ombre rosse”, do mestre John Ford! Mesmo que pareça ter passado de moda, não creio que o western tenha acabado: no fundo, cada vez que sai um filme com actores famosos, como Clint Eastwood ou Kevin Costner, as salas estão sempre cheias. E não creio que nem o advento da Internet possa representar uma ameaça para a banda desenhada em geral. A Rede é um meio interessante que custa pouco e permite um usufruto imediato. Ao fim e ao cabo, porém, a banda desenhada impressa tem todo um outro fascínio, pois permite um contacto físico com os álbuns e estimula o prazer do coleccionismo. Para mim, a banda desenhada estampada é imortal”.
 
Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…”, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 181 de 14 de Abril de 2007.

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