A Minha Prancha de Tex – Mauro Boselli

Por Mauro Boselli*

Tex Gigante nº 45, “La voce misteriosa”, página 99

A Revista do Clube Tex Portugal pediu-me que eu revelasse qual a minha prancha preferida de Tex ou aquela que eu considero mais significativa. Difícil responder, pois seriam cem… ou mesmo mil! A dificuldade é acrescida pelo facto que os primeiros Tex que eu segurei nas minhas mãos foram os velhos álbuns de tiras e, por isso, para mim aquelas eram as páginas de Tex. Uma tira, hoje, é apenas um terço de uma prancha de Tex, mas nos anos cinquenta do século passado constituíam uma página inteira, em cujo limitado espaço gráfico e narrativo Bonelli e Galep conseguiam condensar uma incrível quantidade de sonhos, aventuras, expetativas e suspense.

A Minha Prancha de Tex – Mauro Boselli

Quando eu era criança, para mim a magia de Tex estava sobretudo nas histórias na fronteira com o fantástico. Com tanta vontade em lê-lo, acho que devorei o volume que recolhia os pequenos álbuns “Le terre dell’abisso”, com a bela Mah-shai e os dinossauros, ou aquele com a história dos pumas gigantes do diabólico Vindex. No verão dos anos sessenta, durante as férias da escola primária, devorei em capítulos uma história que, ainda hoje e não só para mim, constitui o auge da face onírica, misteriosa, exótica da narrativa feuilleton de Tex, onde Bonelli salda a sua dívida para com a literatura sensacional do final do século XIX e início do século XX que tanto o tinha apaixonado em criança, de Conan Doyle a Gaston Leroux, de Edgar Allan Poe a Emilio Salgari, de Jean Ray às histórias de Fantomas.

Tex Gigante nº 45, “La voce misteriosa”, página 99

Não por acaso, “La valle della paura” (também conhecida como “La voce misteriosa”, título do Tex Gigante nº 45) era a preferida do seu autor, que a escolheu, nos anos sessenta, para publicação num grande e prestigiado volume encadernado, a cores, que seria publicado pela importante editora Mondadori, verdadeiramente a primeira aparição de Tex Willer e dos fumetti com marca da Bonelli nas livrarias! A cena do gorila assassino que, em plena noite, cavalga um garanhão negro e grita com toda a força dos seus pulmões, agitando uma cimitarra salgariana de caçador de cabeças de Bornéu, só pode ficar marcada a ferro na retina e na memória de um jovem leitor. É por isso que a minha escolha recaiu numa prancha desta história, a 99 do nº 45, quando Tex, no rio, com a sua pistola encharcada, enfrenta numa ação desesperada o terrível gorila: uma cena e uma história sugestiva, de grande atmosfera, e que me inspirou durante muito tempo na minha futura carreira de escritor de banda desenhada nos trilhos do grande Gianluigi.

* Texto de Mauro Boselli publicado originalmente na Revista nº 13 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2020.

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2 Comentários

  1. São pranchas ou páginas como essa, que fisgam uma criança ávida por aventuras. Entre as milhares e milhares de páginas, uma me marcou de modo profundo. A página 65 ou 68 de Tex Os Cinco Fugitivos do Inferno, onde um Tex atado ao chão por estacas, tenta se soltar e apela para o máximo de suas forças. Foi o primeiro Tex que li! Idade? 8 anos!

    • As páginas correspondem na incerteza na primeira edição, mês de abril de 1973. Infelizmente não possuo mais essa edição, apenas a Segunda Edição de agosto de 1979.

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