Por Mário João Marques
No pequeno artigo dedicado a alguns pontos importantes da vida de Sergio Tarquinio, sobretudo aqueles que de certa forma ajudaram a moldar o seu carácter e personalidade e contribuíram para o desenvolvimento do seu estilo gráfico, foi focado o período da sua estadia na Argentina, a convite de Cesare Civita, onde o desenhador, nascido em Cremona, conheceu e conviveu com um conjunto de autores italianos, que também migraram para aquele país. Esses autores, relembremos os nomes, Mario Faustinelli, Alberto Ongaro, Hugo Pratt e Ivo Pavone, eram todos oriundos de Veneza e formavam a chamada “Escola de Veneza”, também conhecida por L’Asso di Picche.
Importa fazer um prévio enquadramento: este “êxodo” de desenhadores italianos para a Argentina foi consertado pelo editor Cesare Civita, um judeu italiano que fugiu para Buenos Aires na segunda metade dos anos 1930, devido às leis raciais promulgadas pela ditadura fascista. Civita, graças à sua agência milanesa que permaneceu ativa, recrutou talentos para a sua Editorial Abril. O grupo mais célebre foi o veneziano de L’Asso di Picche, cujo nome advém da série com o mesmo nome, idealizada por Faustinelli, Pratt e Ongaro, cujo protagonista foi o primeiro herói mascarado do fumetto italiano, um ícone do pós-guerra que encarnava justiça e aventura. Este projeto deu origem a um ambiente fértil, a referida “Escola de Veneza”, que contribuiu para o crescimento do fumetto e marcou a carreira de grandes mestres, particularmente Pratt, que viria a definir uma época nos quadradinhos italianos.
O grupo instalou-se no confortável bairro de Acassuso e, rapidamente, a casa que compartilhavam tornou-se um verdadeiro centro social e artístico, uma oficina informal de criatividade onde os jovens italianos ensinavam o ofício a autores argentinos. A colaboração estendeu-se a alguns dos maiores autores argentinos da época, como Alberto Breccia, Arturo Del Castillo, Hector G. Oesterheld, Francisco Solano López ou Eugenio Zoppi.
Podemos, então, concluir, que a Escuela de Acassuso não foi uma escola no sentido literal do termo, mas sim um movimento artístico formado por autores, entre os quais Sergio Tarquinio, que naquele local teve as suas primeiras experiências com o desenho, antes de regressar a Itália. Assim como, esta migração italiana não foi apenas um facto biográfico, mas sobretudo uma transferência de saberes e técnicas que iria influenciar profundamente a banda desenhada argentina.
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