Por José Carlos Francisco
O sinal dado em 2005 de que Tex continuava a seduzir e encantar os leitores da terra que viu nascer o grande poeta Luís Vaz de Camões, criador da imortal obra “Os Lusíadas”, foi que o jornal “Correio da Manhã” em associação conjunta com a Panini e depois do sucesso que foi a primeira série dos “Clássicos da Banda Desenhada” o quotidiano português lançou a colecção “Clássicos da Banda Desenhada, Série Ouro“, cujos 20 volumes, saíram semanalmente aos domingos, a partir de 26 de Junho de 2005 ao preço de 6,40 €, mais o preço do jornal. A única personagem ligada aos “fumetti” foi precisamente o TEX, no oitavo volume, que saiu no dia 14 de Agosto, com a história “Tex contra Mefisto” (título original– “La mesa degli scheletri” – Tex italiano #39 e #40), a primeira do volume 2 da “Serie Oro di Repubblica” lançada na Itália.
A edição de Tex foi traduzida a quatro mãos, num trabalho meticuloso de José Carlos Pereira Francisco e Júlio Schneider isto porque a tradução da história assim como os textos de apresentação foram confiados a este português que escreve este texto, e ao seu Amigo brasileiro, consultor e tradutor de Tex no Brasil, assim como, maior coleccionador de Tex do mundo e um dos mais entendidos no que diz respeito a Águia da Noite.
Foi um velho sonho deste aficionado que tem toda a colecção de Tex brasileira, assim como italiana, que se tornou realidade depois de quase 3 décadas, assim como foi seguramente a realização de um sonho de inúmeros Texianos portugueses, que rejubilaram de alegria por verem o Tex ser editado em Portugal, mesmo tratando-se de uma edição única, mas uma edição especial e histórica que é guardada com muito cuidado e carinho nas BiblioTex’s de cada um, devido à sua importância e significado.
Inclusive, vários Texianos do mundo inteiro estiveram de olho nesse livro e as encomendas aumentavam dia a dia após o anúncio, tornando o volume dedicado a Tex como um dos exemplares mais vendidos desta colecção que continha personagens como Capitão América, Batman, Quarteto Fantástico, Mónica, Elektra, Star Wars, Wolverine, Homem-Aranha, Ric Hochet, Surfista Prateado, Spirou, Super-Homem, Garfield, Michel Vaillant, Gaston, X-Men, Hulk e autores como José Carlos Fernandes e Taniguchi.
O jornal português aquando do lançamento da colecção anunciou esta mítica edição de Tex com os seguintes termos:
“Criado por Giovanni Bonelli e Aurelio Galleppini, o cowboy Tex é a mais popular personagem da casa Bonelli, a maior editora transalpina de fumetti (nome dado à BD em Itália). Nesta aventura épica, tão movimentada que as 208 páginas habituais desta colecção não foram suficientes para a contar, Tex e seus amigos reencontram um antigo e perigosíssimo bandido chamado Mefisto, que usa uma estranha raça indígena para dominar o Vale dos Esqueletos e vingar-se de Tex por factos ocorridos num passado distante.“

A equipa do Tex português – Rui Alves, José de Freitas, José Carlos Francisco e João Miguel Lameiras
História de Tex contra Mefisto que curiosamente ainda hoje é considerada na Finlândia, numa votação pública pelos Texianos desse país nórdico, como a melhor história de Tex de toda a sua longa saga!
A edição portuguesa de Tex foi tão especial que foi inclusive destaque num editorial de Sergio Bonelli, mais concretamente na edição de Tex Nuova Ristampa nº 148, datado de 30 de Novembro de 2005, editorial esse que damos, de seguida, a conhecer, na nossa língua:
“Caros amigos,
como se pode ver no quadro reproduzido à direita, o nosso velho Mefisto está a fazer em português a mesma pergunta que nós da rua Buonarroti já o vimos fazer em francês, espanhol, turco, finlandês, sueco, grego, sérvio, croata, etc., etc. E, obviamente, também em brasileiro, visto que, nas últimas temporadas, o Brasil tornou-se um dos Países mais interessados nas histórias de Águia da Noite. Mas – este é o ponto mais importante – o livro de onde extraímos essa imagem não é escrito em brasileiro, mas em português. A diferença entre os dois idiomas realmente é mínima, até difícil de perceber para nós, conhecedores superficiais. No nosso caso, o jornal “Correio da Manhã” – na esteira de uma iniciativa anterior lançada com sucesso na Itália pelo “La Repubblica” – levou às bancas uma colecção de volumes intitulada “Os Clássicos da BD Série Ouro”. Bem, esse jornal estava tão orgulhoso de apresentar uma célebre aventura do Ranger de Bonelli & Galep que não se contentou em usar uma edição brasileira já existente, mas quis oferecer ao seu público uma versão “falada” no mais clássico idioma lusitano.
Os artífices da minuciosa adaptação são dois amigos nossos de quem já tive ocasião de falar: José Carlos Francisco (há anos aficionado apoiador de Tex em Portugal, tanto em jornais quanto em manifestações de quadradinhos) e Júlio Schneider, advogado na cidade de Curitiba, que cuida das traduções de muitas edições bonellianas publicadas por editores brasileiros. Em suma, como deu para entender, “Tex contra Mefisto” é o primeiro volume de Tex que um português aficionado por BD pôde ler na sua língua. O trabalho de Júlio Schneider e José Carlos Francisco mereceu a citação no frontispício do volume “histórico” (que mostro aqui ao lado), mas principalmente, os agradecimentos de todos nós da rua Buonarroti.
Sergio Bonelli.”
Para finalizar este post, fica aqui o ÍNDICE desta histórica (e muito apetecida por quem não a tem) edição portuguesa de Tex:
Um olhar ao horizonte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
As histórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Os autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Tex contra Mefisto . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . 9
Índice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256
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