O blogue do Tex na Feira da Banda Desenhada Usada e de Colecção, em Bolonha, com Lucio Filippucci

Por Francesco Micoli[*]

Mostra Mercato del Fumetto Usato e da Collezione, Bolonha, 2015

Bolonha 25 e 26 Abril 2015

Também neste início de ano, como acontece há muitas Primaveras, realizou-se a Feira da Banda Desenhada Usada e de Colecção (Mostra Mercato del Fumetto Usato e da Collezione). A feira que se realiza em Bolonha, duas vezes por ano, na Primavera e no Outono, atrai milhares de apaixonados, coleccionadores, fãs ou simples leitores, jovens e menos jovens todos à procura daquele número que lhe falta ou daquele em particular que o transporta ao passado e lhe traz à memória recordações longínquas e já desvanecidas, que de repente retornam e tornam-se novamente actuais.

Passear entre os expositores, sentir o cheiro do papel amarelado, por vezes desbotado, amassado ou rasgado faz-nos voltar a trás no tempo, tornando-nos novamente crianças e saborear o odor daquelas velhas revistas como saboreávamos a cozinha da nossa mãe ou da nossa avó, coisas distantes no tempo mas gravadas no nosso subconsciente como se estivessem esculpidas numa pedra.

Roberto Roli e Francesco Micoli

Estes eventos realizam-se anualmente às centenas em diversas localidades espalhadas pela Itália, mas esta feira de Bolonha, juntamente com a de Reggio Emilia, são as mais antigas e as mais visitadas. A Emília Romana é terra de grande tradição na banda desenhada e os itens mais belos e mais raros que tenho na minha colecção, seguramente encontrei-as aqui. Um grande número de desenhadores e argumentistas da banda desenhada são emilianos. O “Palanord” da rua Stalingrado é a Meca para quem procura raridades, novidades e curiosidades, mas também o local onde os coleccionadores se reúnem para trocar, comprar e vender qualquer revista antiga, nova ou até reservar edições ainda não publicadas.

É também o local onde se encontra após um ano algumas pessoas, como por exemplo algumas que eu só encontro aqui, se faz novas amizades ou se revê velhos amigos que já não se via há algum tempo. Passear entre os expositores, desfolhar velhos álbuns, encontrar aquilo que se procura, negociar o preço e finalmente satisfeito, trazer para casa o item que faltava na colecção ou até mesmo uma inteira colecção. O frenesim é tanto que alguns dias antes da feira já me concentro no que devo levar para trocar e faço a lista do que desejo.

Roberto Roli, Francesco Micoli e Maurizio

É evidente que para um coleccionador da velha guarda é cada vez mais difícil encontrar o que lhe falta, ou encontrando é muito caro e assim sendo passa uma vez mais adiante. Mas respirar e tocar todas aquelas antiguidades, às vezes muito raras, faz com que nem se dê pelo tempo a passar e por isso prefiro sempre ir sozinho, porque por vezes se negoceia por mais de uma hora num único expositor ou se encontra um amigo e lá se perde mais uma hora, ou até entre a multidão se descobre um autor e tem que se fazer uma série de truques para tentar abordá-lo, cumprimentá-lo e porque não, pedir-lhe um desenho ou um autógrafo.

Há alguns anos atrás, precisamente na feira de Reggio Emilia vislumbrei entre a multidão Claudio Nizzi, estava incógnito, muitos o reconheceram mas ninguém ousava perturbá-lo, depois de uma perseguição e várias emboscadas abordei-o junto de um expositor, cumprimentei-o e apesar dele não estar muito entusiasmado autografou-me um exemplar de Tex pedindo-me para eu não levantar muito a voz, caso contrário não conseguiria mais desfrutar da feira.

Roberto Roli e Francesco Micoli

Há ainda as editoras menores, aquelas que reeditam, em poucos exemplares numerado, séries antigas em fac-símile, os pequenos clubes e tantos expositores mais ou menos importantes ou conhecidos, que vendem revistas, páginas originais, t-shirts, estátuas, álbuns de cromos, etc., etc. Na banca expositiva do clube Amys (amigos de Martin Mystere), estavam Lucio Filippucci e Alfredo Castelli (infelizmente no sábado esteve ausente), que festejavam os vinte anos de Doctor Mystere. A ocasião era tentadora para me aproximar de Lucio e convencê-lo a fazer-me um desenho. A ousadia foi compensada e consegui um desenho híbrido.

Filippucci fez-me o Doctor Mystere e Tex juntos para não descontentar ninguém! Manobra que repetiu com outros texianos visto que a sua presença na feira era por causa dos vinte anos de Doctor Mystere. Enquanto me fazia o desenho trocamos algumas impressões, Lucio está ocupado com outros empenhos, sobretudo Martin Mystere, no entanto confirmou-me o seu compromisso numa história de Tex, onde está prestes a completar 170 das 220 páginas visto que a história será publicada em dois álbuns da série mensal, provavelmente na Primavera de 2016. Fez segredo absoluto quanto ao título e ambientação.

Lucio Filippucci e Francesco Micoli

Encontrei, depois, muitos amigos e fãs de Tex, um par dos quais incentivei a associarem-se, tal como eu, ao Clube Tex Portugal, até porque visitam habitualmente o blogue português do Tex e conhecem muito bem o grande Zeca (José Carlos Francisco) e ficaram entusiasmados por eu agora colaborar também com o blogue português.

O dia de sábado passou a voar como sempre acontece quando se faz algo de que se gosta, e eu tinha que me despedir porque no dia seguinte tinha outra missão, que em breve também darei conta aqui no blogue do Tex: Godega Sant’Urbano, num outro evento.

Tex e Doctor Mystere na arte de Lucio Filippucci

[*] Francesco Micoli é um dos maiores fãs e coleccionadores italianos de Tex e sócio nº 69 do Clube Tex Portugal.

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Mostra mercato del fumetto usato e da collezione; Bologna 25 – 26 Aprile 2015

Per Francesco Micoli

Bologna 25 – 26 Aprile 2015

Ci siamo, anche quest’anno, come ormai da tantissimi anni, si è svolta la mostra mercato del fumetto usato e da collezione. La fiera che si svolge a Bologna due volte all’anno, in primavera ed in autunno, attira migliaia di appassionati, collezionisti, amanti o semplici lettori di fumetti, giovani e meno giovani tutti alla ricerca di quel numero mancante o particolare che li riporta indietro negli anni e fanno ritornare alla memoria ricordi lontani e ormai sbiaditi, che all’improvviso affiorano e diventano di nuovo attuali.

Aggirarsi fra gli espositori, sentire il profumo della carta ingiallita, qualche volta addirittura sbiadita, sgualcita o stracciata, fa ritornare indietro nel tempo, per qualche momento ci risentiamo ragazzi, e assaporiamo l’odore di quei vecchi fumetti come assaporavamo l’odore della cucina della mamma o della nonna, cose lontane nel tempo ma impresse nella nostro inconscio come scolpiti su una pietra.

Queste manifestazioni ormai si svolgono a centinaia ogni anno ed in località disparate, ma questa di Bologna, insieme a quella di Reggio Emilia, sono le più longeve e le più seguite. L’Emilia Romagna è terra di grande tradizione fumettistica, le cose più belle e più rare che ho, sicuramente le ho trovate qui. Un foltissimo numero di disegnatori e scrittori di fumetti sono emiliani. Il Palanord di via Stalingrado è la mecca per chi è in cerca di rarità, le novità e le stranezze, ma anche il posto dove ci si dà appuntamento per scambiare, comprare e vendere qualsiasi fumetto antico, vecchio, nuovo o addirittura prenotare cose che devono ancora essere pubblicate.

E’ anche il posto dove magari ci si ritrova dopo un anno, alcune persone per esempio io le trovo solo qui, si fanno nuove amicizie o si ritrovano vecchi amici persi di vista da troppo tempo. Passare e ripassare fra le bancarelle, sfogliare e risfogliare vecchi albi, finalmente trovare quello che si cerca, contrattare il prezzo ed infine soddisfatti portare a casa il pezzo mancante della collezione o addirittura una collezione intera. Parecchi giorni prima del mercato mi concentro su quello che devo portarmi dietro per scambiare, oppure la mancolista di quello da cercare.

Chiaramente per un collezionista di vecchia data è sempre più difficile trovare quello che manca, oppure costa troppo e quindi si passa oltre. Ma respirare e toccare tutte quelle antichità, a volte molto rare, mi fa passare qualche ora fuori dal presente, io preferisco andarci da solo, perché a volte ci si trattiene un’ora su una bancarella a discutere, si trova un amico e si perde un’altra oretta, poi magari fra la folla intravedi un disegnatore, e allora scatta una serie di escamotage per cercare di avvicinarlo, salutarlo e perché no, chiedergli uno schizzetto, un autografo su un suo albo ecc.

Tanti anni fa proprio ad un mercato a Reggio Emilia intravidi fra la folla Claudio Nizzi, era in incognito, ma tanti lo avevano riconosciuto, ma nessuno osava disturbarlo, dopo un inseguimento ed appostamenti vari cercai di abbordarlo all’angolo di una bancarella, lo salutai, lui non fu proprio entusiasta, comunque mi autografò lo stesso un albo di Tex e mi salutò pregandomi di non spargere troppo la voce, altrimenti disse, son riesco più a godermi il mercato.

Ci sono le case editrici minori, quelli che ristampano i fumetti antichi in maniera anastatica in pochissime copie numerate, i piccoli club e poi tante bancarelle più o meno importanti o conosciuti, chi vende fumetti, tavole originali, gadgets, magliette, statuine, album di figurine ecc. ecc. Alla bancarella del club Amys (amici di Martin Mystere), c’era Lucio Filippucci e Alfredo Castelli (però sabato assente), che itinerante festeggiano i venti anni di Doctor Mystere. L’occasione era ghiotta per avvicinare Lucio e farsi fare un disegnino.

Ci sono riuscito in un disegno ibrido mi ha fatto Doctor Mystere e Tex insieme per non scontentare nessuno! Escamotage che è stato sfruttato anche per altri Texiani. Mentre mi faceva il disegno abbiamo scambiato alcune impressioni, Lucio è impegnato anche su altri fronti, soprattutto Martin Mystere, comunque mi ha confermato il suo impegno su una storia di Tex giunta quasi a 170 tavole circa (totale 220 tavole due albi). Dovrebbe essere edita in primavera 2016, segreto sul titolo e ambientazione.

Ho incontrato, poi, tanti amici e appassionati di Tex di cui un paio non dispero di farli iscrivere al nostro clube. Leggono abitualmente il Blog di Tex portoghese conoscono molto bene il nostro grande Zeca e sono entusiasti che io adesso collabori con lui.

La giornata è scivolata via veloce come sempre quando si fa qualcosa che piace, e sono dovuto venire via perché domani altra missione: Godega Sant’Urbano (TV) per un’altra Kermesse.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Vídeo: Alessandro Piccinelli a desenhar Tex

Alessandro Piccinelli

Por José Carlos Francisco

No vídeo – produzido por Gianluca Gulmini (conhecido nos fóruns dedicados às personagens bonellianas na Internet por Lukas Luke) para a Zagor TV – que damos a conhecer hoje no blogue do Tex podemos ver, o cada vez mais admirado desenhador italiano de Tex, Alessandro PICCINELLI no dia 22 de Março de 2015 a desenhar, no evento Casale Comics 2015, um estupendo desenho de Tex Willer, realizado em cerca de sete minutos mas com uma mestria e segurança verdadeiramente inigualáveis:

O Tex de Alessandro Piccinelli

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #112 – “Sonhos mortais” e “O homem que lia”

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #112

Sonhos mortais
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Laura Zuccheri
(desenho)

O homem que lia
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Enio
(desenho)

Mythos Editora
Brasil, Setembro/Outubro de 2014
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 20,50 / 10,00 €

Mais duas histórias com a participação de Julia Kendall, numa edição actualmente distribuída em Portugal, que mostram a enorme capacidade de escrever que Berardi patenteia.

Sonhos mortais, que abre a edição, é um registo no limite do fantástico – para uma série claramente realista, que tem por base investigações relacionadas com o cérebro e a capacidade de sonhar.

Num relato em que Julia actua praticamente a solo – o que também não é habitual – Berardi explora a utilização de drogas e o seu efeito sobre o subconsciente, num registo entre o onírico e o fantástico que por mais de uma vez ameaça transformar-se em pesadelo.

Quanto a O Homem que Lia – título belíssimo para uma narrativa com uma belíssima abertura sobre o amor à leitura que – por coincidência mas muito a propósito – li no Dia Mundial do Livro (na passada quinta-feira, 23 de Abril), se volta ao registo habitual da criminóloga de Garden City, tem uma estrutura narrativa para a qual não posso deixar de chamar a atenção.

Começa pelo intróito, longo, pausado, ode (indirecta) à leitura e às suas potencialidades e virtudes, no qual aprendemos do desaparecimento de um homem – com evidentes necessidades económicas (e sociais…) – que tinha por hábito passar os seus dias a ler, numa livraria. O dono, que com ele estabeleceu uma relação de compreensão, ao sentir a sua falta decide solicitar a intervenção de Julia, também sua cliente.

O avanço da investigação, detalhado por Berardi, em pormenores como o traçar de um desenho robô que ocupa algumas páginas ocupa a ‘cena’ seguinte. A descoberta das suas rotinas, a visita aos locais que frequentava e a descoberta da sua casa, fazem aprofundar o tom sociológico da narrativa.

No entanto, quando tudo parecia indicar que o mote desta história era o envelhecimento, a perda de capacidades, a pobreza económica e o desenraizamento social, Berardi, num golpe de escrita, sem apagar ou negar o que até aí explanara, reorienta Julia (e o leitor) para um relato subitamente mais duro, onde prostituição, violência e vingança se vão combinar até ao desfecho trágico e distante do que apontavam os pressupostos iniciais.

Tudo isto é-nos contado sem quebras de ritmo, sem cortes nem saltos bruscos, ao longo de um trabalhoso passeio por algumas das zonas menos favorecidas de Garden City e pelas zonas mais sóbrias do ser humano e dos seus relacionamentos.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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