✨ Em Chopinzinho interior do Paraná, nasceu a Vila Texas: um pedacinho do Velho Oeste criado pelos fãs de Tex Willer! Mais de 180 texianos se reuniram para celebrar o universo do lendário ranger em uma cidadezinha cheia de charme. Foi um dia incrível de nostalgia e diversão entre amigos do Tex!
Tex: Uma Paixão Inexplicável Meio século de colecionismo, aventuras e memórias
Maior Colecionador de Tex Willer do Brasil – João Marin, de Londrina (PR)
Memórias da infância
Os primeiros contatos com os “gibis” aconteceram no início da década de 1970, entre 1970 e 1971. Naquele tempo, a garotada se encantava com histórias curtas e coloridas: os clássicos da Disney – Pato Donald, Zé Carioca, Tio Patinhas e Mickey – e revistas de heróis e aventuras. Incorporar o papel de “mocinho” para derrotar o “bandido” era diversão e alento.
Mas, nem sempre, o prazer da leitura vinha fácil. Muitos pais e professores viam os quadrinhos com desconfiança, e uma distração pouco educativa. Havia ainda o peso do bolso: comprar uma revista podia significar abrir mão de um lanche na escola. A saída era improvisar, e se virar fazendo pequenos bicos – vender sorvete, engraxar sapatos, pintar cercas, recolher ferro-velho e garrafas – tudo para garantir a próxima leitura.
A solução encontrada para sempre estarem lendo envolvia espírito coletivo: cada amigo comprava uma revista diferente, e, depois de lidas, as trocas aconteciam aos sábados e domingos, em frente ao único cinema da cidade – que, quase sempre, estampava cartazes de Tarzan e de faroestes, que faziam a imaginação voar ainda mais alto.
O primeiro encontro com Tex
Nesse universo de revistas coloridas, havia um título à parte: Tex. Diferente das demais, as suas edições traziam histórias longas, em preto e branco, e era voltada a um público um pouco mais adulto – o que, inicialmente, não despertava entusiasmo na turma de jovens leitores.
A exceção vinha de Celso, um vizinho descendente de japoneses, alguns anos mais velho, e que já comprava a revista. Por volta de 1973, ele emprestou uma caixa cheia de gibis. Entre os exemplares da Disney e de heróis, surgiram edições de Tex. A leitura foi gradual: primeiro foram lidas as revistas coloridas, e, depois, o mergulho no faroeste em preto e branco de Águia da Noite (nome indígena de Tex).
A vida de colecionador
Em 1975, começou a coleção de gibis propriamente dita. O ponto de partida foi a revista Heróis da TV nº 1, dos personagens de Hanna-Barbera, publicada pela Editora Abril, e as dos super-heróis da Marvel, lançados pela Bloch Editores.
Tex já despertava admiração pela força dos roteiros, que eram envolventes, e tinha uma narrativa mais elaborada, mas suas edições ainda não faziam parte da coleção. A numeração um pouco avançada e a dificuldade de encontrar números antigos em uma cidade pequena eram obstáculos difíceis de transpor. O contato entre colecionadores, quando possível, acontecia apenas por carta – em uma era anterior à internet e às suas facilidades.
O relançamento de 1977
Tudo mudou no final de 1976, com a notícia de que Tex seria relançado desde o primeiro número. Isso fez com que a revista passasse a fazer parte das compras regulares, as quais se tornaram ininterruptas com o lançamento da segunda edição. Muitos números não chegavam às bancas da cidade. Uma das soluções era escrever diretamente à editora, ou conseguir junto a terceiros no mercado de usados. Curiosamente, até hoje, permanecem preservadas algumas das embalagens originais das encomendas recebidas e das cartas. No início de 1977 foi comprada a primeira revista diretamente da Editora Vecchi, o nº 46, O Grande Rei, a qual é um marco afetivo. Junto com essa edição veio uma carta da editora, que também está guardada até hoje.
Meio século de Tex
Desde então, foram 50 anos sem interrupções. O gosto pelo personagem era tanto que, sempre que possível, as revistas eram compradas em duplicata, seja nas bancas, seja por pedido direto à editora. Assim, ao longo de cinco décadas, gradativamente, nasceu uma das maiores, e mais bem conservadas coleções do personagem do Brasil.
Devido ao diminuto espaço disponível para exibição da coleção, a maioria dos exemplares são guardados em caixas e controlados através de um banco de dados no Access.
Hoje, o acervo soma 7.685 itens individuais – incluindo exemplares importados, por exemplo, da Itália, França, Alemanha, Holanda, Argentina, Portugal, Espanha, Turquia, Índia, Grécia, Croácia, Finlândia, EUA. Contando com os repetidos, o número ultrapassa 17 mil peças.
Entre os itens mais raros, até pelo estado de conservação, destaca-se Histórias do Faroeste nº 22 – aquela contendo histórias de Tex e que nunca chegou às bancas. Estima-se que existam de 15 a 20 exemplares originais em mãos de colecionadores.
Tesouros da coleção
• strisce (revistas em formato talão de cheque) italianas da década de 1950/1960, de várias séries • Histórias do Faroeste nº 22 – edição que não foi para as bancas (1981) • Estátuas numeradas de Tex produzidas pela Infinite italiana – nas três versões: Limited, Ultra Limited e EFX Ultra Limited (2010) • Álbuns de figurinhas Tex (italiano e nacional – 1979/1981) • Júnior nº 28 (primeira aparição de Tex no Brasil – fev/1951) e toda sequência com Tex • Edições estrangeiras das décadas de 1950/1960 • Artes originais, pôsteres e bonecos raros
Livros, revistas e eventos
A paixão por Tex, e o envolvimento com o acervo, ultrapassou o simples ato de colecionar, e deu frutos literários. Em 2018, nasceu o livro Tex …e a História de uma Coleção, escrito com a participação do amigo Sérgio Streiechen, em comemoração aos 70 anos de criação do personagem. Em 2024, foi a vez de Tex Curiosidades, desta vez em parceria com outro amigo, Doacir Liberalesso.
Desde 2019, a participação na equipe que produz a Revista do Clube Tex Portugal – atualmente uma das publicações mais relevantes dedicadas ao personagem – ajudou a consolidar a contribuição do colecionador também no campo editorial – pelo qual também é apaixonado. A publicação de livros, a confecção de artigos, a diagramação de revistas, dentre outros, servem para divulgar o personagem e, indiretamente, expor um pouco a coleção, tendo em vista a dificuldade de se montar uma exibição pública.
O mistério da paixão
E afinal, o que explica tamanho fascínio? O colecionador não tem dúvidas:
“É como uma paixão que surge e, inexplicavelmente, não desaparece com o tempo.”
Uma paixão que atravessa gerações, inspira artigos, livros, divulgações, eventos, cosplays. Talvez não haja resposta definitiva. Afinal, como nas grandes histórias de faroeste, a verdadeira riqueza está no caminho percorrido e nas amizades construídas.
Reconhecimento nacional
Mais do que um troféu pessoal, o reconhecimento pelo Rank Brasil é visto como homenagem a todos os fãs de Tex, independentemente do tamanho de suas estantes. O mais importante, ressalta, é estar satisfeito com o seu acervo.
O verdadeiro valor, defende o colecionador, está em manter viva a chama da leitura e os valores transmitidos pelo herói do faroeste, especialmente o senso de justiça.
Porque, no fim das contas, colecionam-se gibis, mas também se colecionam histórias e lembranças.
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Maurizio Dotti na Redacão da Sergio Bonelli Editore, com duas pranchas cheias de acção e fúria marítima, da história de Tex que está a desenhar, com roteiro de Mauro Boselli
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