Hoje no Blogue do Tex vamos divulgar um magnífico vídeo, de cerca de 15 minutos, produzido pela Sergio Bonelli Editore, mostrando passo a passo como nasce uma história de Tex, no caso em concreto, a recente história (a cores) publicada no passado mês de Setembro, o álbum número 695, edição comemorativa dos 70 anos de Tex, realizada por Mauro Boselli (nos textos) e Giovanni Ticci (nos desenhos).
No vídeo temos participações de Michele Masiero (director editorial da Sergio Bonelli Editore), Mauro Boselli (editor e argumentista de Tex) , Giovanni Ticci (desenhador de Tex) e Gianni Bono (coleccionador e crítico de banda desenhada) e é-nos mostrado e comentado através destes quatro grandes conhecedores, como nasceu a história comemorativa dos 70 anos de Tex, história essa que demorou cerca de um ano e meio desde a ideia inicial até chegar à bibliotex de cada coleccionador italiano do Ranger.
Trata-se de um vídeo imperdível onde também se aprende a distinguir, através das palavras de Gianni Bono, a edição original nº 1 de Tex (“Mano rossa”) de outras edições reeditadas ao longo dos anos, algo que não é assim tão fácil e caso você, caro leitor, tenha a edição número original, pode considerar-se uma pessoa sortuda e rica como se pode constatar de seguida assistindo ao vídeo:
Capa da edição nº 1 de Tex Willer, a nova série dedicada ao jovem Tex
Quando o Oeste era jovem!
Por ocasião da apresentação, esta segunda-feira em Milão, da mostra “Tex. 70 anos de um mito“, foi anunciada a nova série dedicada a Águia da Noite, que estreia na sexta-feira 16 de Novembro, mas que terá um número zero que virá de brinde apensado às edições de Tex 697 e Zagor 639.
Mauro Boselli revela a capa (da autoria de Maurizio Dotti) do número 1 da nova série mensal de Tex Willer, a nova série de Tex
Segundo foi hoje anunciado publicamente por Davide Bonelli e Mauro Boseli, esta nova série dedicada ao jovem Tex Willer terá uma periodicidade mensal e conterá 64 páginas a preto e branco no tradicional formato Bonelliano, tendo ao seu serviço desenhadores como Roberto de Angelis (desenhador da edição de estreia, num argumento de Mauro Boselli), Bruno Brindisi, Fabio Valdambrini, Pasquale Del Vecchio e Maurizio Dotti, Dotti que inclusive será o autor de todas as capas desta nova colecção já fadada ao sucesso. Bem, na verdade de todas não, pois a Sergio Bonelli Editore vai lançar um número ZERO que será agregado, gratuitamente, às edições nº 697 de Tex e nº 639 de Zagor, edição essa que terá uma capa da autoria de Alessandro Piccinelli e que será um pouco mais do que um trailer cinematográfico, uma breve apresentação antológica, mas onde os leitores poderão compreender que Tex estará sempre no epicentro dos acontecimentos, como um verdadeiro herói clássico, e que – para além das míticas personagens bonellianas dos primórdios (Tesah, Coffin, Montales, Lupe Velasco, Marie Gold, o Ranger Arkansas Joe, o jovem Kit Carson, Dick “Furacão”, Cochise, os irmãos Dickart, ou seja Mefisto e Lily) – vamos encontrar também verdadeiras personalidades históricas da História do Oeste – que já apareceram na saga de Tex, como por exemplo Allan Pinkerton e Buffalo Bill, e outras que nunca apareceram como o agente da Pinkerton Kate Marsh e o senador Abe Lincoln…
Mauro Boselli mostra-nos o número Zero da nova série TEX WILLER que virá agregada às edições de Tex e Zagor a publicar em Novembro
A capa da edição número Zero assinada por Alessandro Piccinelli
De seguida, através das palavras de Davide Bonelli, descobrimos o que podemos esperar na nova série dedicada a Tex Willer que estreia em Lucca para depois chegar aos quiosques italianos no dia 16 de Novembro:
Em 1948, quando a maior parte de nós nem sequer tínhamos nascido, a minha avó Tea Bertasi Bonelli pede ao seu ex-marido Gianluigi Bonelli para pôr o seu talento narrativo à disposição da pequena editora dela na qual a minha avó era a mettere il suo talento narrativo a disposizione della piccola Casa editrice della quale era la a sábia e prudente administradora. Assim, G. L. Bonelli – graças ao perfeito entendimento com um desenhador de grande talento, que se chamava Aurelio Galleppini – deu vida a Tex Willer, o herói do Oeste que representou o definitivo ponto de viragem para as Edizioni Audace, cujo crescimento foi depois consolidado pelo meu pai Sergio Bonelli.
Em 2018, Tex está mais forte e popular do que nunca, e continua a apaixonar milhões de leitores de todas as idades e classes sociais. Um sucesso incrível, que hoje decidimos celebrar com livros, mostras e iniciativas especiais, tudo centrado na carismática figura de um ex-fora-da-lei habituado a lutar pela justiça, sem preconceitos e sem compromissos. Um personagem que ainda tem muitas aventuras para viver no presente e no futuro, mas sobretudo tantas aventuras vividas para contar, relacionadas à sua tumultuosa juventude, quando era um dos “outlaws” mais procurados da Fronteira.
Precisamente conversando sobre estas “zonas obscuras” nunca antes exploradas como seriam merecedoras, há um par de anos, durante uma conversa informal com o editor e argumentista principal da série Mauro Boselli, surgiu a ideia de voltar às origens do mito texiano, numa edição mensal que traz no título o nome com que, nos avisos de recompensas, se convidava quem o encontrasse a capturá-lo e a entregá-lo à justiça vivo ou morto: Tex Willer.
Setenta anos depois da sua estreia nos quiosques italianos, em pleno Terceiro Milénio, sou eu a assumir a entusiasmática tarefa de apresentar esta colecção onde o inoxidável Tex eatá para viver uma nova e entusiasmante juventude. Tudo muda, no mundo ao nosso redor, mas também desta vez ele não vos irá desiludir. Tex é sempre Tex, eu vos asseguro!
Davide Bonelli
Prancha de Roberto De Angelis da edição nº 1 de Tex Willer, a nova série
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Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos)
Bruno Ramella e Moreno Burattini no Clube Português de Banda Desenhada
Neste fim de semana de 29 e 30 de Setembro realizaram-se vários eventos espalhados pelo mundo (Itália, Brasil, Holanda, Portugal, índia, etc.) para comemorar o septuagésimo aniversário de vida editorial do Ranger criado em 1948 por Gian Luigi Bonelli e realizado graficamente por Aurelio Galleppini, o mítico Galep.
Tex Willer recepciona Bruno Ramella e Moreno Burattini no Clube Português de Banda Desenhada
José Carlos Francisco, Bruno Ramella e Moreno Burattini no Clube Português de Banda Desenhada
Em Portugal o evento ocorreu na sede do Clube Português de Banda Desenhada, na Amadora, numa realização conjunta do CPBD, do Clube Tex Portugal e da Sergio Bonelli Editore e contou com a presença dos autores Bruno Ramella (desenhador) e Moreno Burattini (argumentista), verdadeiros embaixadores não somente de Tex, mas da própria Editora Bonelli e até se pode dizer dos fumetti (nome dado à banda desenhada na Itália) tantas são até à data as personagens onde ambos trabalharam e continuam a desenhar e escrever.
Bruno Ramella e Tex Willer
Tex Willer em acção
Do evento também constava uma exposição de trinta pranchas e capas de trinta autores diversos que mostravam bem a diversidade e até mesmo a evolução gráfica nestas sete décadas de vida editorial e onde se podia também constatar que o Tex teve e continua a ter sobretudo desenhadores do melhor que há a nível mundial. Também estavam expostas edições várias e de vários países, não somente de Tex mas de diversas personagens da editora Bonelli mostrando o estrondoso sucesso desta que é provavelmente na actualidade a maior editora de banda desenhada a nível mundial, sobretudo no número de páginas realizadas anualmente.
Houve ainda exposições de bonecos, estátuas e estatuetas de Tex (e não só), algumas peças únicas, da colecção privada de Ricardo Leite, que uma vez mais abrilhantou um evento Texiano comparecendo caracterizado a rigor de Tex Willer, o Ranger, fazendo o habitual sucesso junto dos presentes, mas sobretudo junto dos autores italianos que já o conheciam de fotografias de eventos anteriores e ficaram muito agradados por também o poderem conhecer pessoalmente, Ricardo Leite, ou melhor Tex Willer, que recepcionou pessoalmente os autores aquando da inauguração no sábado, tarde do dia 29!
Pode-se afirmar categoricamente que esta comemoração lusa dos 70 anos do Tex foi êxito, inclusive porque segundo o que os responsáveis do Clube Português de Banda Desenhada nos confidenciaram, a sua sede nunca acolheu tanto público presente (a maioria teve que estar em pé porque os lugares sentados esgotaram-se num ápice) como neste evento comemorativo dos 70 anos do Tex, o que prova que foi uma aposta ganha esta iniciativa tripartida do CPBD, do CTP e da SBE!
Claro que o mérito maior foi sobretudo do Tex, mas também, obviamente, dos autores Moreno Burattini e Bruno Ramella que a todos encantaram devido à enorme simpatia de ambos, mas sobretudo devido à enorme disponibilidade dos dois, tendo inclusive o escritor Moreno Burattini surpreendido todos os presentes ao também fazer desenhos de Tex, Zagor e Chico para o público presente, desenhos diferentes mas muito bem feitos e sobretudo bastante engraçados, sempre com uma dedicatória especial para os fãs.
Perante esta surpresa, muitos dos presentes diziam que caso um dia Moreno Burattini deixasse de ter ideias para escrever, poderia perfeitamente vir a desenhar, isto claro reforçando a brincadeira se bem que os desenhos de Burattini foram bastante admirados e requisitados fazendo com que o escritor italiano estivesse mais de duas horas consecutivas para diversos fãs, sem um momento de pausa. O mesmo se passou com Bruno Ramella, disponibilizando-se para fazer dezenas de desenhos de Tex, Kit Carson, Nick Raider e Mágico Vento, sempre com um sorriso no rosto e com uma simpatia ímpar, inclusive durante os almoços e jantares onde muitas vezes parava a sua refeição para desenhar para os fãs que pediam um desenho.
Na tarde de sábado houve ainda tempo para uma Conferência sobre os 70 anos de Tex, onde depois das suas apresentações Moreno Burattini e Bruno Ramella tentavam explicar a fórmula de sucesso desta personagem que sobreviveu quase ao fim do western no cinema e que certamente ainda terá muitas mais décadas de vida, Conferência essa liderada por Pedro Mota, o presidente do Clube Português de Banda Desenhada e que contou ainda com Mário João Marques e José Carlos Francisco na função de intérpretes.
Como dissemos anteriormente, a afluência de público foi enorme, com pessoas a viajarem centenas de quilómetros para poderem estar presentes neste aniversário épico de uma personagem que sobreviveu aos seus criadores e que continua com uma pujança enorme, pessoas que vieram de Braga, Ponte de Lima e até mesmo do Brasil, como foram os casos de Álvaro Machado (e as suas duas filhas) Júlio Brandão (que fez uma autêntica maratona num carro eléctrico) e Almaro Barreto (e sua esposa), este último chegando no sábado, de Pelotas, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul para comparecer ao evento no domingo de manhã e assim poder ver a exposição, conviver com os autores e ainda ganhar desenhos feitos na hora por Burattini e Ramella!
Ainda voltaremos nos próximos dias a falar deste grandioso acontecimento, tanto há ainda para dizer e mostrar, mas hoje deixamo-vos com algumas fotografias que já mostram um pouco da grandiosidade e excelência desta comemoração portuguesa dos 70 anos de Tex Willer!
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