Tex esteve presente em gravações externas para Estreia do Clube do Filme no canal do YouTube, em Caruaru – Pernambuco – Brasil

Por Zenaldo Nunes – Caruaru / Pernambuco / Brasil [1]

70 ANOS DE UM HERÓI

Zenaldo Nunes nas vestes de Tex Willer

O cenário é natural semelhante ao Velho Oeste

Foi um domingo que começou nublado e terminou ensolarado. Exactamente como precisávamos para manter o clima do Velho Oeste. E lá estávamos nós, a equipa de produção do Canal do blogue: Paulo Nailson e Petryk Lucas, com a responsável pela coluna Clube do Filme, Mary Queiroz, vivenciando mais uma etapa da preparação para o programa que vai estrear no nosso canal do YouTube. Não estávamos sozinhos, connosco Bento Gomes, profissional que actua no campo da fotografia e faz cosplay de diversos personagens entre eles de Wolverine e Zenaldo Nunes, profissional da saúde e cosplay de TexWiller.

A vegetação rasteira alternando com cactos levou-nos várias vezes a imaginar que estávamos mesmo lá, e entre as cenas de gravação vinha sempre à nossa mente muitas cenas dos velhos filmes do faroeste e de índios. Apaches e navajos, terra áspera, espinhos e galhos secos, um cocho… enfim, o cenário ajudou.
.

Tudo isso para produção do programa Clube do Filme que foi ao ar em sua primeira edição no dia 29 de Setembro. No dia 30 era celebrado 70° aniversário da primeira aparição do Ranger. Criado em 1948 e originalmente publicado na Itália. Tex é um dos personagens de westerns mais longevos da história dos quadradinhos, sendo publicado em diversos países do mundo.

Bento Gomes, à direita, ajudou no registo fotográfico e também gravou com o seu personagem, Wolverine, que terá também um programa especifico para tratar do personagem

As histórias de Tex jovem passam-se por volta de 1860, nesse período vemos Tex no rodeio e nas acções durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Já Tex quarentão e com o filho Kit Willer, bem como com Kit Carson de cabelos brancos, remonta ao período de 1880-1890.
.
.
Tex é um Ranger do Texas, uma espécie de polícia especial dos Estados Unidos. Enquanto os xerifes são a autoridade maior numa cidade, Tex é o representante da lei em qualquer lugar do Estado por onde passa. Além disso é o chefe dos navajos, bem como seu agente indígena para tratar com o governo os destinos da tribo.

Mary Queiros, colunista no blogue e apresentadora do programa no Canal do YouTube e Zenaldo Nunes, nosso TEX

Por sua bravura e perícia, Tex é requisitado pelo comando dos rangers a actuar em missões delicadas e especiais, mesmo em outros Estados e mesmo fora dos limites territoriais dos EUA. Muitas vezes Tex perseguiu bandidos no México, nas frias terras do Canadá ou em casos extremos na Colômbia, na Argentina/Bolívia e até mesmo na Oceania.
Tex normalmente recebe carta branca para agir e fazer cumprir a lei, sendo-lhe confiadas missões variadas. Contrabando de armas, assaltos a trens ou bancos, roubo de manadas inteiras, xerifes abusando da sua pataca para explorar o povo são apenas casos mais comuns, dentre tantos que Tex tem que enfrentar. Para isso, ele conta com a ajuda de seus pards: Kit Carson, Kit Willer e o índio navajo Jack Tigre.

Zenaldo Nunes além de colecionar é Cosplay do cowboy (Foto: Bento Gomes)

Estaremos divulgando a partir dessa semana as “chamadas” do programa que foi ao ar no dia 29 de Setembro, data em que também aconteceu no programa Clube do Filme na Rádio Cultura um programa especial dedicado ao Ranger.

Da esquerda para direita – Petryk Lucas (cinegrafista), Paulo Nailson (responsável pelo blog e canal), Mary Queiroz (apresentadora do programa, Zenaldo Nunes (entrevistado)

O programa especial Clube do Filme 70 anos de TEX foi ao ar no dia 29 de Setembro

[1](Texto publicado originalmente no Blogue “Paulo Nailson“, em 17 de Setembro de 2018)

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

As Leituras do Pedro: Face Oculta – Volumes 1 a 3

As Leituras do Pedro*

Face Oculta – Volumes 1 a 3
Gianfranco Manfredi (argumento)
Goran Parlov, Massimo Rotundo, Alessandro Nespolino, Ersin Burak, Leomacs, Roberto Diso, Giovanni Freghieri, Giuseppe Matteoni, Gigi Simeoni (desenho)
Panini
Brasil, Setembro de 2016/Maio de 2018
160 x 210 mm, 386 p./482 p., pb, capa mole com badanas
R$ 39,90/R$ 51,90

O outro lado Bonelli

Sigo (algumas) edições Bonelli há anos mas, mesmo assim, a colecção que a Levoir e o Público disponibilizaram este ano (também) foi de descoberta para mim. E criou apetência para novas explorações, como este (aconselhável) Face Oculta.

Volto Nascosto no original italiano, publicado em 2007/2008, distingue-se da habitual produção Bonelli por dois aspectos principais. Em primeiro lugar, é uma mini-série em 14 volumes que – diga-se desde já – a Panini Brasil compilou (muito bem) em três tomos, no formato original, em edição (cuidada) de capa mole com badanas, que inclui as introduções do argumentista.

Depois, porque embora seja indiscutivelmente uma obra de ficção, está ancorada numa forte componente histórica.

Apesar destas diferenças – a duração limitada e a componente histórica – em relação às habituais edições Bonelli, à partida Face Oculta era uma aposta ganha, ou não tivesse a autoria, na escrita, de Gianfranco Manfredi, o autor da imensa saga de Mágico Vento. Com a qual Face Oculta também tem em comum a aposição da componente fantasista à realidade da época e um belo retrato dos nativos, os índios norte-americanos em Mágico Vento, os naturais da Etiópia em Face Oculta, mostrados de forma digna e respeitosa.

É verdade que a sua temática dirá, à partida, pouco aos leitores portugueses – como aos brasileiros – pois a acção decorre na Etiópia no final do século XIX, e interliga-se com as manobras do exército italiano nessa sua colónia. Apesar disso, a trama vai muito mais além do confronto – por via dos seus subordinados – entre o monarca italiano. Humberto I, e o soberano etíope, Menelik, ao lado do qual se encontram duas personagens marcantes e fundamentais no desenrolar do enredo, a rainha Taitú e a que dá título à série.

Mas, os jogos militares, que se transformam tantas vezes em massacres, são apenas uma das facetas da obra, que assenta, antes de mais, num (inevitável?) triângulo amoroso, embora de contornos nem sempre bem definidos. Os vértices deste triângulo – imperfeito… – são Ugu Pastore, que ama Matilde, que ama o tenente Vittorio de Cesari, que ama apenas o combate e o perigo.

Ugo, é um jovem inteligente e impulsivo; Matilde, uma mulher de elevada posição social, atormentada por fantasmas que lhe provocam um comportamento errante; Vittorio coloca-se sempre em primeiro lugar e é no campo de batalha que melhor se realiza.

Por sobre os três, mais acertadamente sobre os dois homens, paira a sombra de Face Oculta, guerreiro próximo do monarca etíope e o misterioso portador de uma máscara de prata, que cruza recorrentemente o seu caminho com os dos dois jovens e sobre eles exerce um estranho fascínio.

Tudo começa quando Ugo acompanha o seu pai numa missão comercial à Etiópia e é raptado pelo mascarado. A promessa de um reencontro, após a libertação e posterior regresso a Itália, fica-lhe na memória e há-de concretizar-se quando, anos mais tarde, regressa àquele país africano para libertar o tenente italiano, também ele prisioneiro de Face Oculta, para assim agradar a Matilde.

Com a acção a começar e a acabar em Itália, com um longo entreacto na Etiópia, esta extensa obra – sempre são quase umas suculentas 1400 pranchas de BD – é (muito bem) condimentada com outros encontros e desencontros, amores, paixões não correspondidas e vinganças, intrigas e violentos combates, jogos políticos e comerciais, e uma forte componente trágica, numa bem gerida combinação entre ficção e realidade, que proporciona ao leitor – qualquer que seja a sua nacionalidade – um aumento da cultura geral a par de umas quantas horas de leitura empenhada, sempre em busca da resposta primordial: quem se oculta por detrás da máscara prateada.

Graficamente, na senda da tradição Bonelli, Face Oculta – como os leitores portugueses descobriram na tal colecção Levoir/Público – apresenta um bom nível no que ao desenho diz respeito e, acima de tudo, um equilíbrio e consistência assinaláveis se pensarmos que esteve entregue a 9 desenhadores diferentes, para assegurar a sua periodicidade aquando da edição original italiana, que mantiveram os traços das personagens, o aturado retrato de época e o estilo realista, indispensáveis para dar coerência e credibilidade ao conjunto.


 

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)