As Leituras do Pedro: J. Kendall #132 – Aventuras de uma criminóloga – “Amor que mata” e “Além da Fronteira”

As Leituras do Pedro*

J. Kendall #132 – Aventuras de uma criminóloga
Myhtos Editora
Brasil, Janeiro/Fevereiro de 2018
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,80 / 9,00 €

Amor que mata
Berardi e Calza (argumento)
Roberto Zaghi (desenho)

Além da fronteira
Berardi e Mantero (argumento)
Antonio Marinetti (desenho)

Actualidade por antecipação

No meu regresso a Julia – finalmente!, preenchendo um vazio que (me) é difícil de explicar – percebi, ao ler o resumo da contracapa, que uma das histórias desta edição da Mythos abordava uma temática que está na ordem do dia. Actualidade por antecipação, pois a edição original data de 2011.
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Uma actualidade que, afinal – já o sabíamos, mas talvez andássemos (mediaticamente) esquecidos – era anterior a megalomanias murais de um determinado presidente e que espelha, apenas, uma das muitas situações de desigualdade que persistem neste mundo.
Em Além da Fronteira, tudo começa quando um grupo de clandestinos mexicanos tenta passar a fronteira a salto, em busca (das ilusões) do sonho americano. Como uma delas sentirá – na pele, no corpo, na carne… – de imediato, como outros sentirão após meia dúzia de passos no paraíso sonhado que se revela inferno, como alguns – que conseguiram o objectivo primário de vivenciar o sonho, ou viver apenas ao seu lado… – carregarão como um fardo toda a vida.
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A história de Berardi, que arranca como descrito e ganha de imediato contornos incómodos e chocantes – pela grande probabilidade estatística de espelharem alguma (parte da) realidade – assume depois um rumo diferente, com Julia Kendall e Leo Baxter a deslocarem-se ao México em busca da mãe (retida no país) de uma menina (que passou a fronteira), numa narrativa que, sem nunca descurar o lado humano, se apresenta com mais acção – e menos reflexão – do que é habitual nos relatos da criminóloga de Garden City.
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Antes dela, a abrir a edição, somos presenteados com Amor que mata, um thriller de suspense em que a protagonista surge como vítima de um perseguidor/raptor.
Com um longo intróito em que o desespero de Julia, presa, tentando libertar-se e fugir, numa extensa sequência muda, alterna com a sua procura por parte dos seus amigos, esta é mais uma narrativa em que o tom geral apresenta diferenças substanciais em relação ao habitual, sem contrariar o espírito que preside à série, servindo antes para um alargar sustentado do seu âmbito narrativo, da dimensão do seu universo e da exposição da forma distorcida de pensar de alguns daqueles com quem convivemos quotidianamente.

Em tempo útil

Numa curiosa coincidência, daquelas em que o Detective do Impossível antevê sempre algo mais, já este texto estava meio escrito quando, ao ler Martin Mystère #2 (Mythos Editora, 2018) deparei com o início da história O Segredo da Mina, da autoria de Piero Prosperi e dos irmãos Cassaro, originalmente datada de 1988 que mostra uma outra tentativa de passagem clandestina da fronteira entre o México e os EUA.
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Se a abordagem é em tudo díspar, aqui com o tom realista substituído por um relato fantástico baseado em lendas locais sobre uma criatura demoníaca e misteriosa, não deixa de ser curioso que uma questão (local) dos EUA, seja abordada por dois autores italianos, em épocas diferentes – o que a torna, se não universal, pelo menos globalmente abrangente.
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E reforça a tal ‘actualidade por antecipação’ de uma questão que possivelmente nunca terá solução enquanto houver seres humanos de um e outro lado da linha imaginária – bem real… – que divide ricos e pobres…
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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Tex: Um 2019 de aventuras

Hoje no blogue do Tex vamos lançar um olhar à programação OFICIAL* das edições de Tex em 2019 para descobrir em antestreia, através de uma viagem de várias etapas, o que Tex oferecerá aos seus leitores nos próximos doze meses.

Por Mauro Boselli e Giorgio Giusfredi*

O ano passado Tex completou setenta anos! Este ano supera a barreira do número 700. Cada ano batemos novos records e, como sabem, há alguns meses que o nosso herói se desmultiplicou: no clássico álbum mensal está sempre presente o valoroso Ranger e chefe dos Navajos que todos conhecemos, rodeado dos seus leais e letais pards, enquanto, na nova colecção Tex Willer,que teve um sucesso imediato, Tex é o jovem fora-da-lei das primeiras histórias escritas por Gianluigi Bonelli, um imprudente aventureiro, com cerca de vinte anos, que desafia o risco sempre com um sorriso no rosto.


Começando pela série regular, depois da sensacional super-aventura em Nova Iorque teremos o fantástico número 700 a cores, em que – em contemporânea com o final da primeira história de Tex Willer – o nosso ranger reencontra a Tesah e o tesouro dos Pawnee. Imediatamente depois, vamos reencontrar o El Morisco numa aventura na selva mexicana contra a rainha dos vampiros. Na nebulosa San Francisco encontraremos por sua vez Tom Devlin e descobriremos o que é feito do pistoleiro Bowen e de Tim, o rapaz cujo pai ele matou.


Um famoso anti-herói do Oeste aparecerá no Texone de Laura Zuccheri, primeira mulher a desenhar Tex, mas será aliado ou adversário dos nossos heróis? Um álbum cartonado totalmente a cores desenhado pela guest star R.M. Guéra irá apresentar-nos os jovens rangers Tex e Carson contra o homem do revólver de ouro! E, a propósito de juventude, na nova série paralela, o jovem bandido Tex Willer irá procurar a desaparecida Tesah no México entre comancheros, soldados e Apaches, para depois – nas margens do Mississippi – se ver envolvido numa intriga política com a participação dos irmãos Steve e Lily Dickart, da bela agente da Pinkerton Kate Warne e do aspirante a senador Abraham Lincoln!

E ainda vos iremos mostrar ataques de Comanches, desastres ferroviários, pistoleiros de pele vermelha, e selvagens saqueadores de Netdahe, os rurais, uma aventura a solo de Gros-Jean, seitas satânicas e mil outras ocasiões de aventura na fronteira do Far West!


*Texto apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore em 11 de Janeiro de 2019.
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2019, Sergio Bonelli Editore S.p.A.

Entrevista com o fã e coleccionador: Júlio Pereira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Júlio Pereira: Sou de Ribeirão Preto – São Paulo, tenho 52 anos e trabalho numa empresa gráfica.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Júlio Pereira: Gosto de ler bandas desenhadas desde a infância, com meus 7, 8 anos. A leitura sempre me fascinou e comecei a ler histórias, como Disney, heróis Marvel e DC e em seguida TEX.

Quando descobriu Tex?
Júlio Pereira: Descobri TEX quando tinha pouco mais de 10 anos através de um amigo da escola. Paixão imediata. Foi o TEX número 72 com a história TEXAS BILL. A segunda história que li foi logo em seguida a de número 71 com a história ASSALTO AO TREM.

Porquê esta paixão por Tex?
Júlio Pereira: Como sempre gostei de ler, e em TEX temos essa questão de aventuras, de histórias com bom roteiro, bem montadas e estruturadas e a sua busca por justiça.
Creio que outro detalhe é por ter 10 anos na época em que o conheci, e já ter gosto por leitura e livros de aventuras (como Jules Verne, Robert Louis Stevenson por exemplo), as revistas de TEX me pareciam mais adultas (do que Disney por exemplo, que sempre gostei, mas de forma diferente) e isso me fascinava.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Júlio Pereira: Creio que se analisarmos unicamente a sua personalidade ou actos de coragem e altruísmo, vários personagens e heróis em quadrinhos têm isso. Claro que isso me impactou, mas creio que além disto temos mais dois factores:
Primeiro, algo que me chamou a atenção desde o início foi o estilo da revista, com histórias longas e roteiros bem elaborados e pelos desenhos em preto e branco. Além disso, conheci a revista numa época clássica com nomes incríveis como o próprio criador G.L. Bonelli e os artistas Aurelio Galleppini, Giovanni Ticci, Erio Nicolò, Guglielmo Letteri, dentre outros.
Os de hoje são excelentes, mas os desenhadores dessa época de ouro eram incríveis e em conjunto com Bonelli criaram verdadeiros clássicos.
E o segundo factor, especificamente para mim, as revistas TEX significam muitas recordações de minha infância, dos sonhos e planos de futuro, das descobertas.
Creio que parte desta admiração e paixão tenha um pouco de nostalgia.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Júlio Pereira: Infelizmente, quando jovem nunca tive condições financeiras de coleccionar a revista, sempre acompanhei, lia através de amigos que me emprestavam ou comprava uma ou outra quando do lançamento, mas nunca pude coleccionar.
De alguns anos para cá resolvi iniciar uma colecção, com isso tenho poucas revistas, e hoje tenho em torno 240 revistas.
A maior dificuldade é que não gostaria de comprar revistas em sebos/antiquários, pois muitas vezes estão desgastadas pelo tempo.
As que mais gosto e são importantes para mim, são da colecção EDIÇÃO HISTÓRICA números 90 (ASSALTO AO TREM) e a 91 (O XERIFE TEX) por serem as primeiras que li na infância.

Colecciona apenas livros do Tex ou também de outras personagens?
Júlio Pereira: Como comecei a coleção há pouco tempo, tenho apenas as revistas.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Júlio Pereira: Estou planeando iniciar uma colecção italiana de TEX (Nuova Ristampa, Tutto Tex e Tex), e espero conseguir.
Será a realização de um sonho inimaginável para aquele garoto que há muitos anos não tinha nem a edição brasileira.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Júlio Pereira: Minhas histórias favoritas são TEX número 72 com a história TEXAS BILL e a de número 71 com a história ASSALTO AO TREM, pois foram as primeiras que li.
Mas tem histórias incríveis que gosto muito como TAMBORES DE GUERRA (número 51), A NOITE DOS ASSASSINOS (número 58), A MARCA DO DRAGÃO (número 88), O GRANDE GOLPE (números 107 a 110) dentre inúmeras outras.
Quanto a desenhadores, gosto de todos desta época clássica, mas em especial Galep e Ticci, que para mim é o melhor. Seu traço forte e realista me impressiona até hoje.
Dos actuais gosto muito de Fabio Civitelli, um traço incrível e maravilhoso e também de Alessandro Piccinelli e Claudio Villa que são excelentes.
Com argumentistas, o maior de todos G.L. Bonelli, clássico e atemporal e também Guido Nolitta (saudoso Sergio). Os argumentos de Claudio Nizzi também são incríveis.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Júlio Pereira: O que mais me agrada, é a estrutura das histórias, argumentos bem elaborados e desenhadores fantásticos.
O que menos me agrada? Difícil dizer, não tem nada que não goste, a não ser o facto de não ter mais itens em minha colecção.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Júlio Pereira: Creio que sua luta por justiça e defesa dos mais fracos seja algo marcante em TEX, porém isso é comum a todos os heróis das bandas desenhadas, creio que aliado a isso os grandes desenhadores e argumentistas que trabalharam muito para criar este ícone.
Apesar da passagem do tempo (lá se vão 70 anos), TEX manteve a aura de Bonelli e Galep na estrutura das revistas e suas histórias. Isso é muito marcante.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Júlio Pereira: Devido a questões de trabalho e por ter iniciado a colecção há pouco tempo ainda não, mas pretendo participar de encontros e festivais de banda desenhada com certeza.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Júlio Pereira: Espero que o nosso ranger continue a conquistar fãs pelo mundo, apesar de toda a tecnologia e inovações, os nossos jovens precisam de incentivo à leitura e conservação de valores, muitos deles defendidos por TEX.
Vida longa ao nosso ranger.

Prezado pard Júlio Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Vídeo: Claudio Nizzi, argumentista de Tex, em Lerici

Claudio Nizzi

A cidade italiana de Lerici (região da Ligúria, Província da Spezia), no passado mês de Dezembro, encontrou-se com a história da banda desenhada italiana recebendo um dos maiores protagonistas da Nona Arte, Claudio Nizzi.

Nizzi é um dos principais argumentistas dos fumetti (nome dado à banda desenhada italiana), conhecido sobretudo como escritor do mítico personagem Tex Willer. O evento foi organizado pela Società Marittima di Mutuo Soccorso e inseriu-se nos vários esforços para disseminar e divulgar a cultura italiana.

De seguida mostramos um pequeno vídeo com intervenção de Claudio Nizzi a propósito do evento e de Tex:

FINALIZADO o Tex Gigante desenhado por Laura Zuccheri

Laura Zuccheri com Mauro Boselli na redacção da SBE

Recentemente, mais precisamente no mês de Dezembro de 2018, a desenhadora Laura Zuccheri, a primeira mulher a desenhar Tex, esteve na redacção da Sergio Bonelli Editore para entregar em mãos, as últimas páginas da história que acabou de desenhar e que será publicada na série Tex Gigante deste ano.

Laura Zuccheri a fazer as últimas correcções no seu Tex Gigante

Laura Zuccheri e as últimas correcções nas páginas originais do seu futuro Tex Gigante

À sua espera, estava Mauro Boselli, escritor da sua história e editor do Ranger, e nesta última qualidade mencionou as correcções finais que Laura Zuccheri teria que fazer de modo a então sim, finalizar o seu Texone tão ansiosamente aguardado, não apenas por ser a primeira aventura desenhada por uma mulher, mas também por ser uma história onde Tex encontra uma verdadeira lenda do Oeste, um anti-herói o qual ainda se desconhece a identidade…

Originais do Tex Gigante de Laura Zuccheri na SBE

E assim sendo, deixamo-vos com várias fotografias da passagem de Laura Zuccheri pela redacção da Sergio Bonelli Editore, na Via Michelangelo Buonarroti, nº 38.

Originais do Tex Gigante de Laura Zuccheri na SBE

Pasquale Ruju e Laura Zuccheri na redacção da SBE

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