Vai decorrer no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, nos dias 27 e 28 deste mês de Abril, a 6ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento anual realizado na capital bairradina e que traz este ano mais dois consagrados desenhadores de Tex ao nosso país: Bruno Brindisi e Roberto De Angelis.
Tex 71 anos – 71 rostos
Para além das exposições individuais dedicadas aos dois autores presentes, este ano vamos ter três exposições já que a organização irá também montar uma exposição intitulada TEX: 71 anos, 71 rostos. Não esquecendo a Mostra Permanente dedicada a Tex pelo próprio Museu do Vinho Bairrada, a única exposição permanente não relacionada com o vinho.
Tex 71 anos – 71 rostos
Trata-se de uma exposição de homenagem aos 71 anosde Tex Willer, personagem italiano criado em 1948 por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallppini e que será composta precisamente por 71 rostos de Tex desenhados por 71 desenhadores do staff de Tex, todos eles autores que tiveram (ou têm) o privilégio de desenhar oficialmente o mítico Ranger da Casa Bonelli, uma exposição enriquecedora e que mostrará a todos os visitantes, durante o fim de semana do evento, 71 rostos diferentes de Tex feitos por muitos dos mais consagrados desenhadores da Nona Arte a nível mundial e que emprestaram a sua arte a Tex Willer.
Molduras do material a expor (no Museu do Vinho Bairrada) da autoria de Bruno Brindisi e Roberto De Angelis
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Ricardo dos Casaes Belo:Olá a todos do Tex Willer Blog! Sou oriundo de Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, sendo este o lugar onde eu ainda moro. Nasci em 1995, o que me faz estar com 24 anos hoje em dia. Sou estudante do curso de Ciência da Computação, pela Universidade Federal de meu estado. Como é comum das pessoas dessa área, divido meu hobby do Tex com o de coleccionar vídeo games.
Além desses dois, já tive o hobby de numismática (coleccionei quase todas as cédulas do Brasil depois do período da República Velha).
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Ricardo dos Casaes Belo:Tive interesse desde muito pequeno! Antes do Tex, coleccionava várias “revistinhas” da Disney (Mickey Mouse, Pato Donald, Tio Patinhas, etc.). Meus pais sempre apoiaram a leitura, então, nada mais natural que, eventualmente, eu quisesse entrar no mundo dos “heróis em quadrinhos”.
Quando descobriu Tex? Ricardo dos Casaes Belo:Pergunta difícil… mas acho que foi lá pelo ano de 2005, tinha em torno de 10 anos, lembro que eu e minha família viajámos para o litoral e numa das praias da qual ficamos havia uma revistaria muito grande, com muitas edições do Tex a um preço bem acessível. Comprei uma para fazer o “test drive” e lembro-me que logo voltei (depois de conseguir um adiantamento da minha mesada) para comprar um lote inteiro!
Porquê esta paixão por Tex? Ricardo dos Casaes Belo:Na época que descobri o Tex, eu já tinha tido contacto com as comics mais famosas (Marvel, DC, etc.), além dos Mangas japoneses (Naruto, Dragon Ball, etc.) e nenhum deles me despertou interesse de realmente querer investir na série. No caso das Hero Comics americanas, é difícil para mim dizer exactamente o que não gostei, talvez uma combinação da narrativa relativamente séria junto com o “absurdo” do universo fantasioso (heróis fantasiados, universos alternativos e geral falta de consistência e/ou verosimilhança).
O Tex, em contrapartida, se assemelhava mais com desenhos que eu adorava quando criança (Johnny Quest e Tintin) e com protagonistas de vídeo game (um hobby que comecei ainda mais cedo). Sempre gostei do tom mais sério e aberto do Tex, onde, por exemplo, a morte é levada a sério, sem personagens sobrevivendo absurdos ou “universos alternativos”. A fantasia é bem limitada e esporádica na série, o que a deixa bem mais interessante nas pouquíssimas vezes em que é utilizada, se assemelhando a outra série de filmes que amo, Indiana Jones.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Ricardo dos Casaes Belo:Além do realismo já citado, a consistência do personagem durante os seus mais de 70 anos (raras são as vezes que Tex e seus parceiros “saem do personagem”). Não conheço nenhuma outra série que se manteve assim.
Na questão do personagem, o facto de Tex não ter medo de ser pai e, posteriormente, levar seu filho junto nas jornadas é um destaque. Um herói ter família já é raro e que parte dessa família seja também protagonista é quase um “sacrilégio” no mundo narrativo. Muitas vezes a família de um herói está ali só para objecto narrativo (morte dos pais do Batman ou Superman, por exemplo) ou para uma história à parte (famosa historia “One Shot”). No nosso caso, Kit Willer é um protagonista pleno.
Essa ideia, junto com o conhecido senso de justiça moral, seu background simples (ele não é um mutante ou magnata, como o Homem Aranha e o Batman) e sua afronta quase sempre aberta aos inimigos (ele não tem identidade secreta ou coisa do tipo, inclusive quase sempre coopera com as forças da lei) o fazem um personagem muito humano.
O mais próximo de Tex que conheço são “Detetives Noire” (Philip Marlowe, por exemplo) e o Judge Dredd britânico. Embora todos esses tenham menos elementos interessantes do que Tex (quase todos os detectives são anti-heróis) e Judge Dredd é o implacável e neutro justiceiro da lei, quase sem nenhum apego moral.
Tex, ao meu ver é único, devido a ele conseguir ser um herói aventureiro (e não anti-herói), ter uma família (Kit e seus Navajos) e ainda conciliar o seu trabalho com suas convicções morais.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Ricardo dos Casaes Belo:Fazendo uma conta por baixo, tenho em torno de 250 edições com histórias completas (enquanto escrevo, tem pelo menos 50 revistas no correio a caminho da minha colecção) e em torno de 100 revistas avulsas. Sempre gostei de ter as histórias completas e foi só recentemente que comecei a coleccionar o Tex mensal e o Tex Coleção.
Adoro a “Tex em Cores”, ela faz a reedição em ordem desde a primeira história do Ranger, com a qualidade da coloração e do papel impecáveis.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Ricardo dos Casaes Belo: Colecciono principalmente os livros, embora se a sorte me colocar diante de outro “merchandising” do Tex, com certeza irei comprá-lo. Recentemente fui atrás de um póster lindíssimo lançado aqui no Brasil pela editora Salvat (Tex Gold nº 1).
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Ricardo dos Casaes Belo:Hmm, outra pergunta difícil… acho que ficaria com um de seus Colts Single Action Army (sempre adorei armas antigas), pensei na sua estrela de Ranger, mas não me considero à altura para ter um objecto desses! Se a pergunta se refere a um objecto real… adoraria ter essas pequenas “action figures” que recentemente vi em fotos de outros coleccionadores no Facebook, até onde sei, foram lançadas apenas na Itália.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Ricardo dos Casaes Belo: Minha favorita é “Juramento de Vingança”. Considero essa a história mais significativa do nosso Ranger. Poder acompanhá-lo e seus Pards na trilha para vingar sua amada nos permite ver o Ranger (e seu filho) no seu caso mais pessoal de todos.
Acho que vou ser meio “padrão” aqui e dar minha preferência a Civitelli como desenhador favorito, amo os traços limpos e característicos dele (todos os Pards ficam com um visual grandioso), embora Lettèri e Galep dividam o meu segundo lugar.
De argumentista, impossível escolher entre Bonelli pai ou filho, ambos tem igual importância em tornar Tex o que ele é hoje, ambos escreveram histórias incríveis. Destaco também Nizzi, por sua fonte prolifera e inesgotável de ideias para os nossos heróis.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Ricardo dos Casaes Belo: Adoro que as histórias tenham fins definitivos (com raras excepções). Quase nenhuma delas ficam com elementos em aberto (os famosos “plot-holes”). Os argumentistas de Tex não têm medo de matar os vilões.
O que menos me agrada é que já se passaram décadas e Kit Willer ainda não teve muita evolução como personagem. Sempre imaginei que ele poderia ter uma parceira (imagine se Montales tivesse uma filha!) que não só poderia dar uma presença feminina na série (e alguém para usar uma Derringer com precisão mortal), mas também, adicionar uma maior dinâmica para os Pards. Uma moça que pudesse se juntar ao grupo dos semi-regulares coadjuvantes (Gros-Jean, Montales,etc) e trazer um pouco de felicidade para Falcão Pequeno!
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Ricardo dos Casaes Belo: Imagino que seja porque Tex tenha as características já citadas (herói pleno, paladino moral, etc.), que permaneceram imutáveis durante décadas, não saindo fora de moda.
Tex captura a essência da aventura, do heroísmo, da justiça. O tema do velho oeste é só o background que permite a exaltação do personagem.
Muitos outros personagens se perderam em detalhes e modismos do seu tempo, mas Tex conseguiu se desenvencilhar deles e do próprio tempo, além de se internacionalizar.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Ricardo dos Casaes Belo: Não. Embora seja da área de TI, por ironia só fui me juntar a grupos no Facebook de Tex este ano. Me surpreendi que muitos fãs brasileiros de Tex residem no meu estado. Imagino que seja porque somos gaúchos, nascidos no estado do Rio Grande do Sul, uma espécie de “Texas” brasileiro.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Ricardo dos Casaes Belo: Além do meu desejo de sucesso da recente série “Tex Willer”, com histórias do Tex jovem, eu realmente espero que a Bonelli Editore tente mais uma vez trazer Águia da Noite para o mundo dos videogames, a última tentativa foi na década de 90. Hoje em dia até um Youtuber tem um jogo feito em sua homenagem. O game best seller “Red Dead Redemption 2”, lançado ano passado, mostra que o género de Western está mais vivo do que nunca (embora Hollywood tenha quase que o abandonado).
As histórias do Tex podiam ser facilmente convertidas em uma série de games do género detective investigativo, com porções de acção (tiroteios!) inclusas.
Prezado pard Ricardo dos Casaes Belo, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Jornal da Bairrada, de 11/04/2019 Texto da secçãoCulturas Catarina Cerca
Jornal da Bairrada destaca a 6.ª Mostra do Clube Tex Portugal no Museu do Vinho Bairrada
MUSEU DO VINHO BAIRRADA (ANADIA)
6ª Mostra do Clube Tex Portugal regressa a 27 e 28 de Abril
Está de regresso a Anadia mais uma mostra do Clube Tex Portugal. Será nos dias 27 e 28 de Abril, que se vai realizar, como já vem sendo hábito, no Museu do Vinho Bairrada, mais uma Mostra do Clube Tex Portugal que vai já na sua 6.ª edição.
Este evento, que todos os anos traz à cidade de Anadia dois prestigiados autores da banda desenhada italiana Tex Willer irá, com certeza, atrair centenas de fãs e coleccionadores desta emblemática personagem da BD italiana.
Segundo revelou ao JB, o anadiense José Carlos Francisco, presidente do Clube Tex Portugal, esta 6.ª mostra do Clube Tex Portugal, único Clube em Portugal dedicado exclusivamente a um herói da Banda Desenhada e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo, trará, este ano, novamente dois conceituados desenhadores italianos a Portugal.
Para além da presença dos consagrados desenhadores italianos Roberto De Angelis e Bruno Brindisi, o evento, à semelhança das anteriores edições, deverá integrar mostras pessoais dos autores e exposição de várias pranchas das suas histórias de Tex.
De acordo com a organização, a mostra volta a contar com o apoio da autarquia anadiense que disponibiliza novamente o Museu do Vinho para a realização de mais esta exposição.
Autores convidados.
Capa do Jornal da Bairrada de 11 de Abril de 2019
Roberto De Angelis inicia a sua carreira em 1983, quando se junta a um grupo de jovens autores que vão criar o fanzine Trumoon. Estreia-se em Tex em 2004, desenhando o álbum gigante Ombre nella notte, um registo em tudo diferente de Nathan Never, e que acabará por ficar atravessado na garganta do autor, que o considera mesmo um fracasso, nunca escondendo o desejo de poder redimir-se. A ocasião surge em 2015, durante o Festival de Lucca, quando se encontra com Mauro Boselli e lhe pede para desenhar uma história curta de Tex, o que acabará por se concretizar em 2016, quando vai receber um argumento de 248 páginas para a nova coleção Tex Willer, centrada na juventude do herói.
Oriundo de uma família de artistas, Bruno Brindisi, autodidacta, com apenas 19 anos fundou em 1983 a chamada Scuola Salernitana com Roberto De Angelis e Luigi Siniscalchi, com quem publicou a revista amadora Trumoon. Em 2002 começa a trabalhar em Tex, desenhando o Texone I predatori del deserto, termina na série mensal Muddy Creek, uma aventura que Vincenzo Monti deixara incompleta devido ao seu falecimento, e inaugura o Color Tex com a história E vienne il giorno. Em 2015, foi galardoado com o prémio Romics d’Oro, mas antes, entre 1993 e 2012, já tinha vencido inúmeros prémios e reconhecimentos pelo seu trabalho, nomeadamente o Comicon 2003, onde foi classificado como “… um jovem de qualidades técnicas e artísticas de elevado nível. Pela sua capacidade de descrever e evocar pesadelos e sonhos, paisagens reais e fantásticas, colocando o seu estilo ao serviço da aventura e da diversão”.
Portugal Wine Trophy e Mostra Clube Tex Portugal em simultâneo no Museu do Vinho Bairrada
Daqui a pouco mais de 15 dias, o Portugal Wine Trophy e a Mostra do Clube Tex Portugal vão realizar-se, ambos os eventos, pela sexta vez! O Museu do Vinho da Bairrada e a cidade de Anadia tornam-se mais uma vez o centro de atenção da indústria internacional do vinho e da banda desenhada italiana!
O “Portugal Wine Trophy”, um dos maiores concursos de vinhos à escala mundial, regressa a Anadia. De quarta-feira, dia 24, a domingo, dia 28, este concurso terá como palco o Museu do Vinho Bairrada, em Anadia. A conceituada competição destina-se à indústria produtora de vinhos e segue as regras estritas da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).
Portugal Wine Trophy 2019
Em Anadia vai estar um painel internacional de jurados (cerca de 80), que irá provar e avaliar os vinhos durante os quatro dias de concurso.
Trata-se de um concurso internacional que anualmente se realiza em quatro momentos distintos: Alemanha (Berlin Wine Trophy e Berlin Wine Fair), Coreia do Sul (Asia Wine Trophy) e Portugal. Este ano, caberá novamente ao município de Anadia receber a edição portuguesa.
Por sua vez a 6ª Mostra do Clube Tex Portugal realiza-se nos dias 27 e 28 de Abril, também no Museu do Vinho Bairrada, e terá a presença dos consagrados desenhadores italianos Bruno Brindisi e Roberto De Angelis que estarão acompanhados por centenas de pards que virão não somente de todo o Portugal, mas também do Brasil, Espanha, Itália e Holanda, mostrando uma vez mais a fidelidade dos fãs e coleccionadores de Tex Willer ao maior evento realizado anualmente em Portugal na cidade capital do Tex: Anadia.
Exposição permanente dedicada a Tex no Museu do Vinho Bairrada
Deste modo, vamos ter a decorrer no Museu do Vinho Bairrada, dois grandiosos eventos que irão certamente fazer com que o Museu Bairradino tenha um dos fins de semana com mais gente nas suas nobres instalações, desde a data da sua inauguração, há 15 anos. Eventos que “casam” tão bem, que inclusive ambos os autores de Tex fizeram lindíssimas ilustrações exclusivas para o evento mesclando Tex Willer e o nobre vinho produzido na Bairrada!
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