Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no Amadora BD 2019)

Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no Amadora BD 2019)

Por José Carlos Francisco

De todos os desenhadores espanhóis aos quais Sergio Bonelli convenceu para que trabalhassem com a personagem criada pelo seu pai, Alfonso Font constituiu o caso mais inesperado; antes de mais porque não se trata de um autor com que qualquer apreciador de banda desenhada o identifique como desenhador de cowboys e pela tendência que sempre demonstrou de não trabalhar com guiões alheios.
Contudo, e de certa maneira, Font já era uma espécie de presença habitual em Tex, ante a manifesta influência que do autor catalão mostravam alguns dos desenhadores espanhóis que o precederam a laborar em Tex.

Alfonso Font Carreras nasce em Barcelona em 1946. Como a maior parte dos desenhadores da sua geração, e das anteriores, iniciou-se no mundo da banda desenhada muito jovem, e com 16 anos já trabalhava para a editora Toray, onde teve um dos seus poucos contactos com o género western anteriores ao seu trabalho em Tex, mediante a sua colaboração em alguns episódios da série Sioux. Durante a década de 70 trabalha para o mercado francês, sendo Los Robinsones de la Tierra, obra escrita por Roger Lecrueux, o seu trabalho mais difundido. Pouco depois, e já para o mercado autóctone, realiza as séries Géminis, escrita por Carlos Echeverría, e Tequila Bang, escrita por Victor Mora, esta última, obra coral realizada juntamente com Carlos Giménez e Adolfo Usero.

A partir de 1980 Font começa a escrever os seus próprios argumentos, numa sucessão de obras com cenários de ficção científica, nas quais alterna o tom dramático e a comédia: séries como Cuentos de un futuro imperfecto, El prisionero de las estrellas e Clarke & Kubrick com as quais se descobre um grande narrador para o grande público – a sua constatada qualidade como desenhador era já sobejamente conhecida por essa altura.

Alfonso abandona então o género da ficção científica para centrar-se em histórias mais contemporâneas, criando assim em 1985 Jann Polynesia, personagem a qual mais tarde rebaptizará como Rohner e é com ele que narra uma série de aventuras nos mares do Sul com um sabor deliberadamente próximo das novelas e contos de Robert Louis Stevenson e Jack London. Tal como nas narrações de ambiente fantástico, em que os roteiros assinados por Font possuíam uma forte componente de crítica social, as andanças de Rohner caracterizam-se também por conter essa mesma mensagem, por baixo do seu envoltório de aventura ou comédia.

Os géneros negro e histórico foram os que ocuparam os últimos trabalhos de Alfonso Font anteriores à sua chegada a Tex: Taxi era uma série sobre uma intrépida jornalista de investigação, enquanto que Privado era o livro de cabeceira que englobava várias histórias curtas cujo nexo de união era que nelas intervinham detectives privados e por sua vez Negras Tormentas era uma narração policial histórica, escrita por Juan Antonio de Blas – junto aos dois tomos de Alicia e os Argonautas, escritos por Patrick Cothias, uma das poucas ocasiões em que trabalhou com textos de outrem nos últimos vinte e cinco anos – e Bri D’Alban uma série desenvolvida na época medieval em território catalão. Todas elas confirmam uma sucessão de obras que nos serve para testemunhar que estamos, não só ante um excepcional narrador, mas também diante de um desenhador que fez escola, cujo nome aparece recorrentemente nas conversas de autores estrangeiros sobre a banda desenhada espanhola.

Alfonso Font começa a sua carreira em Tex com o Texone nº 12, escrito por Mauro Boselli e publicado na Itália em Julho de 1998 sendo hoje um caso peculiar no que ao Ranger diz respeito, ao ser um dos dois únicos desenhadores que trabalhou nas quatro principais séries de Tex: Texone, Almanacco del West, Maxi Tex e Tex inedito.

Gli Assassinni, título da história do seu Texone, apresenta-nos Tex e Carson atrás dos passos de uma organização secreta de assassinos, com a qual, Kit e Jack Tigre já tinham tido a má sorte de encontrá-la acidentalmente, com dolorosas consequências para ambos. A par dos protagonistas que iniciam a sua investigação para ajustar contas com os membros da dita organização, a história apresenta-nos um jovem chamado Mitch que também tem algumas contas a saldar com o mencionado grupo. Tal como sucedeu com os argumentos de Claudio Nizzi para Blasco ou De la Fuente, a história que Boselli escreveu para Font neste Texone correspondeu às características mais essenciais dos seus trabalhos: introduziu uma personagem como Mitch que goza de um protagonismo em alguns momentos equiparável ao do titular da série.

Esses mesmos parâmetros os encontramos também na sua história do Almanacco del West: La legge del deserto desenrola-se em algum lugar da fronteira entre o México e o Arizona, numa zona desértica na qual se encontra fugindo um grupo de bandidos que levavam um rapaz de curta idade como refém. Tex toma parte, junto do pai do jovem, na patrulha que perseguia o bando. Aparte das inclemências climatológicas a situação complica-se por acção de outro bando de bandidos que pretendem pôr em prática o velho ditado de ladrão que rouba ladrão… e assim ficar com o botim que transportam os primeiros. O argumento centra-se na relação entre um dos bandidos e o rapaz que levam como refém; de modo que o primeiro não hesitará em arriscar a sua vida para proteger o adolescente, ainda que não renuncie ao dinheiro por ele.

320 páginas abarca Nei territori del Nordovest, o Maxi Tex ilustrado por Alfonso Font. A história arranca quando um cadáver aparece no interior de uma canoa, trazendo uma carta para Jim Brandon, coronel da Polícia Montada do Canadá. O coronel, depois de conhecer os factos, desaparecerá na fronteira entre o seu país e o Alasca, sem dar explicações e sem deixar rastos. Tex e Carson deverão deslocar-se em pleno Inverno ao norte para investigar o que se terá passado com o seu amigo, a quem declaram desertor e deverão enfrentar uma infinidade de perigos naturais e não só. O certo é que o volume constitui um dos trabalhos mais impressionantes dos surgidos nas revistas de Tex na última dúzia de anos. O argumento escrito por Boselli representa todo um exercício de ritmo, exercício que Font plasma em imagens de forma magistral, com sequências de acção que mostram um portento de solvência narrativa. Algo muito similar ao que Alfonso já havia levado a cabo, por exemplo, no seu Texone, que possui nas suas páginas finais uma sequência de um tiroteio ocorrido no interior de uma mansão cujo brilhantismo não se pode descrever em palavras.

Após estas três edições especiais, Alfonso Font entrou para o staff oficial de desenhadores de Tex e na série normal já viu serem publicadas várias histórias, sendo as três primeiras I lupi rossi, Colorado Belle e Morte nella nebbia.

O que mais chama a atenção na globalidade do trabalho de Font em Tex, radica que ele elabora um tratamento gráfico distinto para cada uma das suas histórias. O seu Texone realiza-o utilizando profusamente tramas mecânicas com um resultado esteticamente muito atractivo, enquanto que para a sua segunda história – que como já vimos se desenrola num deserto – abandona as tramas e realiza um desenho com muita claridade, com poucas sombras, linhas e grandes manchas de branco, o que facilita a ambientação do cenário da história e finalmente, no seu Maxi Tex resolve-o perante grandes manchas de tinta para os sombreados, criando uns negros sólidos e contundentes que lhe dão um estilo muito pessoal à obra e que ademais contrastam poderosamente com as manchas de branco das sequências que se desenrolam na neve.

Tudo isto nos leva ao que poderíamos considerar como a contribuição essencial de Font à série de Tex e que é algo muito difícil de definir mas que poderíamos chamar de arte. Porque o que Alfonso Font contribui não é tão só um trabalho de uma qualidade lógica num autor que durante muitos anos foi uma das referências do meio. Não vamos realizar vaticínios porém estamos seguros que a verdadeira repercussão do trabalho de Alfonso Font em Tex está todavia por chegar através da influência deste nos autores que se seguirão na realização da série.

 

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“TEX …E A HISTÓRIA DE UMA COLEÇÃO” de João Marin com participação de Sérgio Streiechen está entre os 10 indicados ao prémio HQMIX na categoria Livros Teóricos

A paixão pelas histórias em quadrinhos, como as de Tex Willer, faz com que fãs e coleccionadores busquem contactos e integração com outras pessoas que compartilhem do mesmo gosto de ler e coleccionar ou simplesmente do prazer que a leitura das histórias proporcionam.

Actualmente os grupos de WhatsApp e Facebook facilitam demais os contactos e foi através deles que se formaram muitas amizades, como a que ocorreu entre o João Marin e Sérgio Streiechen, que resultou em uma parceria com finalidade de divulgar o personagem Tex Willer e ajudar a manter acesa essa chama.

No passado mês de Setembro (quando o nosso herói Tex comemorou 70 anos de publicação na Itália), os “texianos” conheceram um livro, de cunho bibliográfico e jornalístico, dedicado ao Ranger e seu mundo, mais especificamente em relação às suas publicações, que trouxe, de forma resumida, clara, e ilustrada, um pouco da história do maior herói dos quadradinhos de faroeste de todos os tempos.

“Tex …e a história de uma coleção”, foi uma obra feita com muito carinho e cuidado contendo a experiência dos autores acumulada ao longo de mais de quatro décadas como leitores e coleccionadores de Tex. Muitas informações e curiosidades do mundo texiano foram trazidas à tona nessa publicação com base nos factos acompanhados pessoalmente ou vividos na época e, sempre que possível, com ilustrações e/ou imagens. É um guia de Tex para quem quer relembrar ou conhecer um pouco mais das publicações do personagem.

O projecto não teve fins lucrativos, teve tiragem limitada e numerada de 500 exemplares,contendo 352 páginas de uma viagem ao maravilhoso mundo das publicações “texianas”, mostrando factos, fotos/imagens, muitas curiosidades, relação de edições, uma homenagem aos 100 anos de “Galep” (na forma de imagens), uma matéria sobre a revista do Clube Tex Portugal, comparativos, imagens das publicações de Tex em alguns países, e muito, muito mais…

Trata-se de um volume tão completo e sobretudo com tanta e tão boa qualidade de acabou de ser nomeado como um dos 10 livros indicados ao prémio brasileiro HQMIX na categoria Livros Teóricos.

A “indicação” já é um verdadeiro prémio para os autores do livro, pois foi feita por profissionais que tiveram contacto com a obra, já que a escolha foi feita por uma comissão de pessoas conhecedoras e que actuam na área (e que tiveram contacto com o livro – viram a edição através de arquivo no formato PDF).
A próxima votação será feita por pessoas ligadas também à área, mas que não terão as publicações disponíveis para avaliação (será uma votação muito “subjectiva”). Vai ganhar quem tiver “mais sorte” entre os 10 indicados… e não a obra que tiver mais mérito. Essa na nossa opinião é uma grande falha do processo de votação final do HQMIX.

O Troféu HQMIX foi criado em 1988, pela dupla JAL e Gualberto Costa, no programa TV MIX, da TV Gazeta. O prémio logo foi apadrinhado pelo então apresentador do programa, Serginho Groisman. O resultado final dos vencedores de melhores publicações, em 2018, onde esperemos esteja esta obra dedicada a Tex, será anunciado uma semana antes do evento, que acontecerá em Setembro.

Dados da publicação:
Título:
TEX …E A HISTÓRIA DE UMA COLEÇÃO
Páginas:
352
Capa:
em cores, cartão triplex 300 g/m2 com aba, e laminação fosca.
Miolo:
em preto e branco, papel couché 90 g/m2
Formato:
24 x 17,3 cm
Brinde do livro:
2 marcadores de leitura
Contactos para aquisição:
E-mail:
jukacadillac@yahoo.com.br
Facebook: Joao Marin (Juka)

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Lançamentos Mythos Editora: As edições Bonelli de AGOSTO de 2019

O Blogue do Tex anuncia hoje os lançamentos brasileiros da Mythos/Bonelli para o mês de Agosto:

5 de Agosto
Tex Coleção #475
Formato 13,5 x 17,6 cm – 116 Págs – R$ 11,90
Texto: Mauro Boselli
Desenhos: Guglielmo Letteri

TERROR EM SILVER BELL
Em seguida à queda de um meteorito, factos estranhos acontecem no deserto do Arizona. A água de Good Water é contaminada e afecta os assaltantes do banco de Silver Bell, que se refugiaram no posto de trocas. Depois da morte horrível de seus cúmplices, o chefe do bando, Link Johnson, consegue voltar para Silver Bell em busca de vingança contra Tex e Carson e contamina várias pessoas na cidade, criando pânico e mortes.

Tex Coleção #475

9 de Agosto
Maxi Tex #2
Formato 13,5 x 17,6 cm – 288 Págs – R$ 27,90
Texto: Luigi Mignacco
Desenhos:
Ugolino Cossu

O CAVALO DE FERRO
Um jovem dakota prepara a sua vingança pessoal contra a companhia ferroviária para a qual trabalha, enquanto no trem para Winslow viaja uma perigosa quadrilha de assaltantes. Na estação, Tex e Carson estão prontos para o acerto de contas!
A CARAVANA DOS CHEROKEES
Uma pacífica caravana de cherokees, em busca da Terra Prometida, está em perigo: os caçadores de bisontes provocaram a fúria dos utes com uma insensata chacina de animais, e agora esses índios estão em pé de guerra! O chefe deles é Lobo Amarelo, um índio branco. Só quatro magníficos cavaleiros podem evitar o massacre!

Maxi Tex #2

Maxi Tex #2

16 de Agosto
Tex Platinum #22
Formato 13,5 x 17,6 cm – 228 Págs – R$ 29,90
Texto: Mauro Boselli
Desenhos:
Aldo Capitanio

MATADOR!
Os Montoyas, uma poderosa família do norte do México, quer se vingar de Rafael Guerrero, cujo único “crime” foi apaixonar-se por Elvira, filha de Enrique Montoya. Os três irmãos de Elvira atacam a diligência em que a moça fugia e matam um dos passageiros. Quando o trio chega a Guadalupe para raptar o toureiro, Tex e Carson, que estavam assistindo à tourada a convite do governador Montales, resolvem ajudar o rapaz e pôr um fim na prepotência criminosa dos Montoyas.

Tex Platinum #22

Tex Platinum #22

19 de Agosto
Dylan Dog #10
Formato 16,0 x 21,0 cm – 100 Págs – PB – R$ 26,90
Texto: Tiziano Sclavi
Desenhos:
Bruno Brindisi

ZED
Fugir do mundo, da dor e do tédio, para entrar em um Éden de beleza e serenidade. É isso que os clientes de Scout procuram: uma passagem para uma realidade perfeita e doce… a realidade de Zed. O Paraíso está escondido em um beco londrino, por trás da magia de uma porta invisível? Talvez seja assim, mas preste atenção: esse jardim encantado contém muitos frutos proibidos!

Dylan Dog #10

20 de Agosto
Tex Willer #8
Formato 16 x 21 cm – 68 Págs – R$ 14,90
Texto: Mauro Boselli
Desenhos:
Bruno Brindisi

A PRISIONEIRA
O impiedoso general Ortega está disposto a tudo para arrancar da sua prisioneira, a indómita Tesah, o segredo do tesouro do povo vermelho, até mesmo torturando a indiazinha! Mas, ao quartel-general da Armada do Norte, chegam três cavaleiros desejosos de se engajar: Tex, Pedro e Miguel.

Tex Willer #8

Tex Willer #8

23 de Agosto
Tex em Cores #38
Formato 15 x 21 cm – 228 Págs – R$ 44,90
Texto: Gianluigi Bonelli
Desenhos:
Aurelio Galleppini

DRAMA NA PRADARIA
Para se apoderar das fazendas da região da cidade de Delmar, que estão no trajecto da futura ferrovia, o gordo banqueiro “Big Ben” Berries não hesita em mandar os seus pistoleiros tirarem do caminho os verdadeiros proprietários, recorrendo a qualquer meio ilícito, contando com a cumplicidade do xerife local e tendo como braço direito o sinistro e inescrupuloso Long Jim. Ao ajudar a viúva Myra Everett, Tex e Carson sofrem um atentado e acabam aprisionados num subterrâneo aparentemente sem saída, de onde deverão tentar escapar a tempo de deter o ataque final dos matadores a mando do especulador.

Tex em Cores #38

Tex em Cores #38

23 de Agosto
Tex #598
Formato 13,5 x 17,6 cm – 116 Págs – R$ 11,90
Texto: Mauro Boselli
Desenhos:
Maurizio Dotti

PÂNICO NO TEATRO
Andrew Lidell, o monstruoso criminoso conhecido como o Mestre, ameaçou infectar a água potável de Nova York com o seu terrível vírus, caso não receba dois milhões de dólares. Com a ajuda dos seus cúmplices, Nick Castle e Muggs, ele já conseguiu tornar-se o líder de todas as facções criminosas da cidade. Porém, sem que ele saiba, as thongs chinesas estão a fazer jogo duplo e colaborando com a polícia. No Teatro Bowery, Tex e Carson conseguiram evitar um massacre que a gangue dos Dusters ia perpetrar, seguindo ordens do Mestre, e Tex sai em perseguição ao líder da gangue, o alucinado e drogado Monkey Shines.

Tex #598

30 de Agosto
Zagor Especial #66
Formato 13,5 x 17,6 cm – 284 Págs
Texto: Luigi Mignacco
Desenhos:
Walter Venturi

A VINGANÇA DE SMIRNOFF
O Espírito da Machadinha retorna ao inacessível refúgio do Duque Smirnoff, em terras canadianas, mas entre as ruínas da fortaleza que dominava o território ele encontra o corpo do déspota russo. Anos depois, um velho amigo de Zagor vai até Darkwood para avisá-lo de que, na verdade, Smirnoff ainda está vivo e pretende fazer estourar uma guerra entre os impérios britânico e russo. Para impedir, Zagor obtém a ajuda de alguns amigos com experiência no jogo de enganos da espionagem internacional. Mas o tempo para evitar o pior é escasso.
Uma superaventura inédita de 286 páginas para delírio dos fãs do Rei de Darkwood.

A capa de Zagor Especial 66 ainda não está finalizada, pelo que somente a divulgaremos assim que nos for enviada, em contra-partida, damos a conhecer antecipadamente a capa de Martin Mystére #11:

Martin Mystére #11

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“Os Predadores do Deserto” – Tex Romance Gráfico (da Polvo Editora) na análise de Rui Cunha

Por Rui Cunha (texto) e Margarida Cunha (fotografias)

Os Predadores do Deserto, da Polvo Editora, na análise de Rui Cunha

Apesar da palavra deserto nos causar algum arrepio quando pronunciada seja em que circunstância for, o mais que não seja pelo próprio significado a ela ligado: um completo vazio seja do que for. Mas ela também nos transporta para um território onde se dão acontecimentos que, de uma forma ou de outra, marcaram continentes e as vidas dos povos que os habitam.

Vem esta dissertação a propósito do lançamento do sexto volume da colecção “Tex Romance Gráfico”,em Abril passado, por ocasião da 6ª Mostra do Clube Tex Portugal, que, mais uma vez aconteceu na Anadia. O título do volume em questão é precisamente “Os Predadores do Deserto” e foi editado pela Polvo Editora de Rui Brito.

“I Predatori del Deserto”, no seu título original, tem argumento de ClaudioNizzi e desenho de Bruno Brindisi e foi editado em Itália em Junho de 2002 pela Editora Bonelli na colecção “Tex Albo Speciale 16” e no Brasil na colecção “Tex Gigante nº 11”, em Maio de 2003, pela Editora Mythos.

No deserto do Arizona acontecem alguns assaltos a caravanas levados a cabo por bandidos disfarçados de soldados da Cavalaria, chefiados por uma misteriosa personagem que se intitula “O Pregador”, que matam os seus ocupantes para ficarem com os seus pertences. Tex Willer e Kit Carson são encarregados de descobrir o bando de ladrões e assassinos. Para isso vão encontrar-se com Jack Tigre e Kit Willer, só que Kit foi encontrado inconsciente no deserto e levado pelos homens do Pregador.

Claudio Nizzi, um dos nomes grandes da banda desenhada italiana, na qual conta já com uma carreira de mais de 50 anos e onde deixou a sua marca em várias séries, criando diversas personagens inesquecíveis para as quais escreveu inúmeros argumentos, foi recrutado para Tex em 1983 onde escreveu mais de 150 aventuras. Nos seus argumentos, Tex é figura central à volta da qual gira toda a aventura, é o protagonista principal, a base de praticamente toda a acção e isso mesmo é visível também em “Os Predadores do Deserto”. Este seu argumento, com personagens bem delineadas e interessantes (como a rapariga Liza, cuja beleza  motiva o confronto entre Kirby, um dos assassinos e Monkey, o braço-direito do “Pregador”que está obcecado com ela) e  mantendo todo o mistério em torno da figura do “Pregador” (o qual só surge em pessoa já a aventura vai a meio), de quem apenas se fala quase em sussurro e deixa-nos a ideia de que é alguém a evitar, alguém com um passado misterioso, quase até ao final, apesar de bem escrito, torna-se muito evidente a partir do momento em que “O Pregador” se encontra frente a frente com Liza e percebe-se que existe alguma ligação entre as duas personagens.

Sobre Bruno Brindisi caiu a responsabilidade de dar corpo ao texto de Nizzi. Desenhador profissional desde 1986, Brindisi entrou na Editora Bonelli em 1990, começando a desenhar histórias para “Nick Raider” e “DylanDog”, personagens do catálogo da editora.  Chega a Tex em 2002, precisamente para desenhar “I Predatori del Deserto” e, diga-se em abono da verdade, não poderia ter começado melhor!

“Os Predadores do Deserto” começa com uma imagem poderosa de um corpo caído no deserto do Arizona e com uns abutres ameaçadores a sobrevoá-lo. Esta sucessão de quadros logo no início da história, trouxe-me à memória, salvo as respectivas diferenças e enquadramento, o início do filme “Paris, Texas”, que o realizador alemão Wim Wenders filmou em 1984, onde sobre uma paisagem desértica (que até pode ser o deserto do Arizona), um homem solitário caminha, vigiado por um abutre, ao som da magnifica banda sonora de Ry Cooder enquanto decorre  genérico do mesmo. A cena é tão poderosa quanto a imagem com que Brindisi nos brinda (quem sabe se não se terá inspirado nessa cena para começar o livro?).

No prólogo violento que se segue a este início, Brindisi e Nizzi presenteiam-nos com algumas personagens que serão importantes no desenrolar da aventura: a jovem Liza, única sobrevivente do massacre da caravana; Monkey, o louco que quer Liza só para si e ambiciona tornar-se ele próprio o chefe do bando; e Kirby, o bandido romântico que reconhece o corpo caído como sendo Kit Willer e que quer ajudar Liza a livrar-se de Monkey. Os bandidos massacram toda uma caravana, apropriam-se de todos os seus bens e ainda fazem dois prisioneiros, um deles considerado valioso.

Logo de seguida vamos encontrar Tex e Carson a receberem as instruções do comandante do Forte Defiance para investigarem estes estranhos roubos levados a cabo por bandidos vestidos com uniformes de Cavalaria. Os dois rangers são encarregues de ir até à cidade de Gallup para ouvir o testemunho do único sobrevivente dos ataques desse bando, um condutor de diligências que foi supostamente dado como morto, mas que estava apenas ferido. É a partir deste momento que começa a aventura propriamente dita.

Apesar de alguma simplicidade no argumento, Claudio Nizzi, consegue manter o leitor sempre atento sem nunca perder o interesse nem mesmo quanto já se percebe qual vai ser o desfecho da aventura. Já Bruno Brindisi, através da sua arte, consegue colmatar as fraquezas do argumento.  Com um desenho muito próximo dos criadores do Ranger, Gian Luigi Bonelli e Aurelio “Galep” Galleppini, aplica todo esse conhecimento ao longo de toda a narrativa, no desenho das personagens e das suas acções (apesar de, na minha modesta opinião de quem pouco percebe destas coisas, achar que o “Pregador”, se assemelha muito com  Mefisto), dando especial ênfase às cenas nocturnas e de acção tornando-as algo realistas conferindo assim uma dimensão maior à aventura.

A capa, também da autoria de Bruno Brindisi, com Tex em primeiro plano está bem conseguida, apesar da pouca (ou nenhuma) importância dada ao bando do “Pregador” que merecia talvez algum destaque nela e não os índios “Yavapais” que na aventura não passam de secundários (surgem apenas em duas breves sequências). Em termos de cor ou paisagem nada a assinalar.

TEX – Os Predadores do Deserto

No que diz respeito à edição da Polvo editora somos, uma vez mais (e isto já se tornou um hábito nas suas edições), presenteados com uma obra pensada ao pormenor pelas partes envolvidas: desde o editor Rui Brito que se encarregou de fazer a revisão do texto traduzido do italiano pelo José Carlos Francisco (o culpado disto tudo!), passando pelas notas biográficas dos autores, pelo texto introdutório até à legendagem cuidada levada a cabo por Hugo Jesus. Tudo junto resulta numa obra, e digo-o sem qualquer dúvida, de qualidade superior capaz de fazer inveja a muitas outras que invadem o nosso quotidiano.

Apenas uma pequena ressalva que é também uma pergunta: porque é que, ao contrário das outras obras desta colecção, “Os Predadores do Deserto” não tem numeração nas páginas? Foi propositado? Foi esquecimento? Esta lacuna, se foi uma, torna, na minha opinião, mais difícil exemplificar e/ou opinar sobre qualquer quadro ou qualquer cena na obra, sendo apenas o único senão numa obra com esta qualidade.

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Em 2020 teremos no volume nº 5 de AS GRANDES AVENTURAS DE TEX a estreia de Fabio Civitelli

As Grandes Aventuras de Tex foi este ano (e continua a ser nos próximos) a grande aposta da Mythos Editora dedicada a Tex no Brasil. Uma série luxuosa que o Ranger há muito merecia em língua portuguesa e que foi inspirada numa colecção italiana, também pomposa, intitulada “Le grandi storie di Tex” e que reuniu 40 grandes histórias da saga de Tex Willer, sempre com aventuras completas e coloridas contendo capas inéditas de Claudio Villa.

A estreia desta colecção ocorreu em Março, num volume, intitulado “A morte de Lilyth” que trouxe a famosa história “Juramento de vingança” da dupla Gian Luigi Bonelli & Aurelio Galleppini, com 306 páginas onde “Tex conta ao filho Kit os factos ocorridos anos antes, pelos quais os desonestos comerciantes Brennan e Teller, para se vingarem do Ranger que os havia mandado para a prisão, encarregam capangas sem escrúpulos de levar à aldeia de Flecha Vermelha uma carga de cobertores infectados com varíola, causando a morte de Lilyth e de muitos outros navajos. Tempos depois da tragédia, um dos mandantes do crime cai crivado pelas balas de Tex. Agora os quatro pards saem à caça do patife sobrevivente que, anos antes, havia escapado do justo castigo. Uma velha lança, fincada no túmulo da esposa de Tex, dali não pode ser retirada enquanto não se cumprir a vingança.”

Em Junho tivemos o lançamento do segundo volume, volume esse que trouxe a famosa história “Entre duas bandeiras“, dos mesmos autores que inauguraram a colecção: Gian Luigi Bonelli & Aurelio Galleppini. Uma aventura de 315 páginas. Com o título original Tra due bandiere, a história foi publicada originalmente em Itália nos números 113 a  115 durante o ano de 1970:  “Tudo começa em Abilene, quando Tex, na companhia de Carson e seu filho Kit, ao chegar ao saloon encontra Dick Dayton, um seu velho amigo do tempo da Guerra da Secessão. E é na companhia de outro velho amigo, o xerife Ben Trevor, que Tex e Dick vão narrar alguns episódios que viveram juntos em pleno conflito que opôs norte e sul, mas que sobretudo colocou em lados opostos da barricada velhos amigos.“

Em Setembro próximo a Mythos Editora irá lançar o volume número 3 que trará a mítica história “O navio do deserto“, uma aventura de 272 páginas, escrita por Claudio Nizzi e magistralmente desenhada por Claudio Villa onde “El Morisco pede a ajuda de Tex e Carson para localizar o arqueólogo Doberado, que desapareceu enquanto buscava um lendário navio no deserto californiano.“

Por sua vez, em Dezembro, teremos a estreia nesta colecção da carismática dupla Mauro Boselli & Carlo Raffaele Marcello com a história “O bando dos irlandeses“, uma aventura de 336 páginas– que a título de curiosidade se pode dizer que foi a primeira que a Mythos editou no Brasil, quando “herdou” os direitos das publicações Bonelli da Globo – onde o argumento de Boselli, como habitualmente, é denso e bem urdido, pois explora o “estado” revolucionário da Irlanda e do México e igualmente o passado de Tex e Kit, fazendo aquele encontrar um amigo de adolescência, a quem quase seguiu para se tornar fora-da-lei. E a quem agora tem a missão de prender, bem como aos seus companheiros – o tal bando dos irlandeses que dá título à narrativa.

Em 2020 teremos no volume nº 5 de AS GRANDES AVENTURAS DE TEX a estreia de Fabio Civitelli

Mas hoje, num rigoroso exclusivo mundial, mais um, podemos anunciar aqui no Blogue do Tex que no primeiro volume de 2020, o quinto desta fantástica colecção, vamos ter a estreia do consagrado desenhador Fabio Civitelli numa história escrita por Claudio Nizzi: Os Espíritos da Noite (também conhecida no Brasil por “A Volta de Zhenda“), com 364 páginas publicadas originalmente nas edições italianas números 346 a 349 da série principal de Tex, em 1989, com o título original Gli spiriti della notte: “A perversa bruxa Zhenda, que todos acreditavam estar morta, reaparece com a sua ideia fixa de destruir Águia da Noite e colocar o seu filho Sagua como chefe de todos os navajos. Desta vez ela alia-se a um renegado mercador de armas e a uma desconhecida tribo de índios bastante primitivos que lhe obedecem cegamente e acreditam que a velha é uma deusa. Com os seus assombrosos poderes, Zhenda domina os índios, animais e tenta de todas as formas liquidar Tex e os seus pards.”

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