O editorial da revista nº 10 do Clube Tex Portugal

O editorial da revista nº 10 do Clube Tex Portugal

Caros amigos e leitores, com algum atraso, aqui está mais um número da nossa revista, sempre presente com artigos que julgamos do interesse de todos. E uma vez mais com duas capas originais, da autoria de Giacomo Danubio, um desenhador que paulatinamente tem vindo a subir no firmamento texiano e a recolher elogios junto dos texianos. Não só agradecemos ao autor, como também ao nosso querido consócio Francesco Micoli, também ele artificie, porque teve a ideia do convite ao desenhador italiano e também a ele se deve todo o acompanhamento e os contactos posteriores, nomeadamente de preparação de uma entrevista.

No que que respeita ao conteúdo deste número, recheado de muita matéria texiana e de western, para além do artigo escrito por Mário João Marques de apresentação de Giacomo Danubio, que inclui excertos de uma entrevista ao desenhador, que o Blogue Tex Willer em breve irá publicar na íntegra, destaque-se a participação vinda de terras transalpinas, através dos sempre interessantes artigos do Sandro Palmas e do Moreno Burattini, o primeiro a escrever sobre as capas de Claudio Villa, enquanto o editor de Zagor apresenta El Morisco, uma das mais interessantes e queridas personagens da nossa série preferida. Do Brasil chega-nos mais um excelente artigo do Jesus Nabor Ferreira, que como sempre nos tem brindado com a sua presença e dedicação, desta vez sobre uma das melhores aventuras de Tex (Il Messaggio dei Dakotas – A Noite dos Assassinos) e que o Jesus dedica ao nosso saudoso Jorge Magalhães. Ainda de terras de Vera Cruz, não poderia faltar o nosso querido Julio Schneider com um artigo sobre Giorgio Giusfredi, redator e argumentista na Sergio Bonelli Editore, desta vez acompanhado pelo João Marin, o maior colecionador brasileiro de Tex e um dos seus maiores divulgadores, que muito nos honra com a sua presença. De terras lusas, saúde-se o regresso do Sérgio Sousa, que consideramos ser um dos bons conhecedores de Tex e da realidade das publicações Bonelli, com um artigo bem documentado sobre Guido Nolitta, a “outra face” de Sergio Bonelli; do José Carlos Francisco com mais uma curiosidade que ficou famosa e que até motivou um debate na redação da editora, o célebre murro de Tex a Carson; do Jorge Machado-Dias com um ensaio biográfico sobre alguns desenhadores de Tex; do Ricardo Leite sobre figuras de Tex; e do Rui Cunha, que nos vem falar de mais uma série franco-belga, Comanche, de Hermann e Greg.

Agradecimentos, que nunca esquecemos, à Sergio Bonelli Editore pela colaboração, assim como a Stefano Biglia, Bruno Brindisi e Alessandro Bocci pelos magníficos materiais enviados, sempre em exclusivo para a nossa revista. Por fim, e não menos importante, um especial agradecimento ao Sérgio Streiechen, pela colorização das capas, trabalho cuja qualidade mereceu a prévia aprovação da editora italiana e rasgados elogios do próprio Giacomo Danubio.

Boas leituras.

As Leituras do Pedro: Tex Especial Colorido #11

As Leituras do Pedro*

Tex Edição Especial Colorida #11
Terra de Valentes
Pasquale Ruju (argumento)
Giacomo Danubio (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Agosto de 2018
160 x 210 mm, 162 p., cor, capa dura
R$ 26,90

Abordagem realista

Numa leitura – qualquer leitura – procuramos sempre algo diferente. A exigência de um leitor – de banda desenhada, no caso – nunca é igual quando escolhe Paco Roca, Marjane Satrapi ou Joe Sacco – para citar autores da colecção Novela Gráfica 2019, em curso – um clássico de aventuras franco-belga ou um comic de super-heróis, uma história de Dylan Dog ou de Tex.

Embora – de formas diferentes – possa fruir e tirar prazer de todas elas.

Em Tex – naturalmente – será normal procurar o western puro e duro a que sete décadas de história(s) nos habituaram, com um protagonista acima dos comuns mortais, (quase?) infalível e inflexível na aplicação da justiça – muitas vezes pelas próprias mãos.

Se este era o espírito original das suas aventuras que, com algumas atenuantes se tem prolongado no tempo, temos regularmente, aqui e ali, abordagens com algumas diferenças.

No caso presente, de Terra de Valentes, a banda desenhada que preenche na totalidade a 11.ª edição de Tex Edição Especial Colorida, a surpresa vem do tom inusitadamente realista que marca grande parte da narrativa.

Abrindo com um encontro fortuito de Tex e Kit Carson com um antigo amigo, ex-xerife, agora transformado em criador de gado, que com alguns homens conduz uma manada, através das grandes planícies americanas, até ao local onde a deseja vender, o relato apresenta um retrato interessante e bastante credível dos perigos naturais e humanos que podiam afectar este tipo de transporte. Tempestades, rios, fogo, assaltos de brancos e índios, cansaço, os choques naturais entre os homens que conduziam a manada, preenchem maioritariamente a primeira parte desta aventura.

Aventura que, por esse motivo, assume o tal tom mais realista, não me atrevo a dizer ‘quase documental’, embora acredite que boa parte do que é mostrado corresponda ao que realmente acontecia. O que acaba por transformar também em heróis – embora outro tipo de heróis – todos os vaqueiros que acompanham a manada, num trabalho que exigia muito e os levava a superarem-se e a descobrirem capacidades que desconheciam possuir.

É verdade que, (não) acessoriamente, a narrativa não esquece os aspectos que distinguem – e aproximam! – Tex de outros westerns, pois também inclui os habituais confrontos e tiroteios, perseguições, entre-mediação entre o ranger e tribos índias, um – pouco vulgar neste western – romance, tudo (inevitavelmente) sob a égide do ‘grande’ Tex, mas a verdade é que, para mim, foi o tom realista inicial que predominou nesta leitura.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no Amadora BD 2019)

Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no Amadora BD 2019)

Por José Carlos Francisco

De todos os desenhadores espanhóis aos quais Sergio Bonelli convenceu para que trabalhassem com a personagem criada pelo seu pai, Alfonso Font constituiu o caso mais inesperado; antes de mais porque não se trata de um autor com que qualquer apreciador de banda desenhada o identifique como desenhador de cowboys e pela tendência que sempre demonstrou de não trabalhar com guiões alheios.
Contudo, e de certa maneira, Font já era uma espécie de presença habitual em Tex, ante a manifesta influência que do autor catalão mostravam alguns dos desenhadores espanhóis que o precederam a laborar em Tex.

Alfonso Font Carreras nasce em Barcelona em 1946. Como a maior parte dos desenhadores da sua geração, e das anteriores, iniciou-se no mundo da banda desenhada muito jovem, e com 16 anos já trabalhava para a editora Toray, onde teve um dos seus poucos contactos com o género western anteriores ao seu trabalho em Tex, mediante a sua colaboração em alguns episódios da série Sioux. Durante a década de 70 trabalha para o mercado francês, sendo Los Robinsones de la Tierra, obra escrita por Roger Lecrueux, o seu trabalho mais difundido. Pouco depois, e já para o mercado autóctone, realiza as séries Géminis, escrita por Carlos Echeverría, e Tequila Bang, escrita por Victor Mora, esta última, obra coral realizada juntamente com Carlos Giménez e Adolfo Usero.

A partir de 1980 Font começa a escrever os seus próprios argumentos, numa sucessão de obras com cenários de ficção científica, nas quais alterna o tom dramático e a comédia: séries como Cuentos de un futuro imperfecto, El prisionero de las estrellas e Clarke & Kubrick com as quais se descobre um grande narrador para o grande público – a sua constatada qualidade como desenhador era já sobejamente conhecida por essa altura.

Alfonso abandona então o género da ficção científica para centrar-se em histórias mais contemporâneas, criando assim em 1985 Jann Polynesia, personagem a qual mais tarde rebaptizará como Rohner e é com ele que narra uma série de aventuras nos mares do Sul com um sabor deliberadamente próximo das novelas e contos de Robert Louis Stevenson e Jack London. Tal como nas narrações de ambiente fantástico, em que os roteiros assinados por Font possuíam uma forte componente de crítica social, as andanças de Rohner caracterizam-se também por conter essa mesma mensagem, por baixo do seu envoltório de aventura ou comédia.

Os géneros negro e histórico foram os que ocuparam os últimos trabalhos de Alfonso Font anteriores à sua chegada a Tex: Taxi era uma série sobre uma intrépida jornalista de investigação, enquanto que Privado era o livro de cabeceira que englobava várias histórias curtas cujo nexo de união era que nelas intervinham detectives privados e por sua vez Negras Tormentas era uma narração policial histórica, escrita por Juan Antonio de Blas – junto aos dois tomos de Alicia e os Argonautas, escritos por Patrick Cothias, uma das poucas ocasiões em que trabalhou com textos de outrem nos últimos vinte e cinco anos – e Bri D’Alban uma série desenvolvida na época medieval em território catalão. Todas elas confirmam uma sucessão de obras que nos serve para testemunhar que estamos, não só ante um excepcional narrador, mas também diante de um desenhador que fez escola, cujo nome aparece recorrentemente nas conversas de autores estrangeiros sobre a banda desenhada espanhola.

Alfonso Font começa a sua carreira em Tex com o Texone nº 12, escrito por Mauro Boselli e publicado na Itália em Julho de 1998 sendo hoje um caso peculiar no que ao Ranger diz respeito, ao ser um dos dois únicos desenhadores que trabalhou nas quatro principais séries de Tex: Texone, Almanacco del West, Maxi Tex e Tex inedito.

Gli Assassinni, título da história do seu Texone, apresenta-nos Tex e Carson atrás dos passos de uma organização secreta de assassinos, com a qual, Kit e Jack Tigre já tinham tido a má sorte de encontrá-la acidentalmente, com dolorosas consequências para ambos. A par dos protagonistas que iniciam a sua investigação para ajustar contas com os membros da dita organização, a história apresenta-nos um jovem chamado Mitch que também tem algumas contas a saldar com o mencionado grupo. Tal como sucedeu com os argumentos de Claudio Nizzi para Blasco ou De la Fuente, a história que Boselli escreveu para Font neste Texone correspondeu às características mais essenciais dos seus trabalhos: introduziu uma personagem como Mitch que goza de um protagonismo em alguns momentos equiparável ao do titular da série.

Esses mesmos parâmetros os encontramos também na sua história do Almanacco del West: La legge del deserto desenrola-se em algum lugar da fronteira entre o México e o Arizona, numa zona desértica na qual se encontra fugindo um grupo de bandidos que levavam um rapaz de curta idade como refém. Tex toma parte, junto do pai do jovem, na patrulha que perseguia o bando. Aparte das inclemências climatológicas a situação complica-se por acção de outro bando de bandidos que pretendem pôr em prática o velho ditado de ladrão que rouba ladrão… e assim ficar com o botim que transportam os primeiros. O argumento centra-se na relação entre um dos bandidos e o rapaz que levam como refém; de modo que o primeiro não hesitará em arriscar a sua vida para proteger o adolescente, ainda que não renuncie ao dinheiro por ele.

320 páginas abarca Nei territori del Nordovest, o Maxi Tex ilustrado por Alfonso Font. A história arranca quando um cadáver aparece no interior de uma canoa, trazendo uma carta para Jim Brandon, coronel da Polícia Montada do Canadá. O coronel, depois de conhecer os factos, desaparecerá na fronteira entre o seu país e o Alasca, sem dar explicações e sem deixar rastos. Tex e Carson deverão deslocar-se em pleno Inverno ao norte para investigar o que se terá passado com o seu amigo, a quem declaram desertor e deverão enfrentar uma infinidade de perigos naturais e não só. O certo é que o volume constitui um dos trabalhos mais impressionantes dos surgidos nas revistas de Tex na última dúzia de anos. O argumento escrito por Boselli representa todo um exercício de ritmo, exercício que Font plasma em imagens de forma magistral, com sequências de acção que mostram um portento de solvência narrativa. Algo muito similar ao que Alfonso já havia levado a cabo, por exemplo, no seu Texone, que possui nas suas páginas finais uma sequência de um tiroteio ocorrido no interior de uma mansão cujo brilhantismo não se pode descrever em palavras.

Após estas três edições especiais, Alfonso Font entrou para o staff oficial de desenhadores de Tex e na série normal já viu serem publicadas várias histórias, sendo as três primeiras I lupi rossi, Colorado Belle e Morte nella nebbia.

O que mais chama a atenção na globalidade do trabalho de Font em Tex, radica que ele elabora um tratamento gráfico distinto para cada uma das suas histórias. O seu Texone realiza-o utilizando profusamente tramas mecânicas com um resultado esteticamente muito atractivo, enquanto que para a sua segunda história – que como já vimos se desenrola num deserto – abandona as tramas e realiza um desenho com muita claridade, com poucas sombras, linhas e grandes manchas de branco, o que facilita a ambientação do cenário da história e finalmente, no seu Maxi Tex resolve-o perante grandes manchas de tinta para os sombreados, criando uns negros sólidos e contundentes que lhe dão um estilo muito pessoal à obra e que ademais contrastam poderosamente com as manchas de branco das sequências que se desenrolam na neve.

Tudo isto nos leva ao que poderíamos considerar como a contribuição essencial de Font à série de Tex e que é algo muito difícil de definir mas que poderíamos chamar de arte. Porque o que Alfonso Font contribui não é tão só um trabalho de uma qualidade lógica num autor que durante muitos anos foi uma das referências do meio. Não vamos realizar vaticínios porém estamos seguros que a verdadeira repercussão do trabalho de Alfonso Font em Tex está todavia por chegar através da influência deste nos autores que se seguirão na realização da série.

 

Venha ao Amadora BD 2019 e ganhe um Tex original do Mestre Alfonso Font

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“TEX …E A HISTÓRIA DE UMA COLEÇÃO” de João Marin com participação de Sérgio Streiechen está entre os 10 indicados ao prémio HQMIX na categoria Livros Teóricos

A paixão pelas histórias em quadrinhos, como as de Tex Willer, faz com que fãs e coleccionadores busquem contactos e integração com outras pessoas que compartilhem do mesmo gosto de ler e coleccionar ou simplesmente do prazer que a leitura das histórias proporcionam.

Actualmente os grupos de WhatsApp e Facebook facilitam demais os contactos e foi através deles que se formaram muitas amizades, como a que ocorreu entre o João Marin e Sérgio Streiechen, que resultou em uma parceria com finalidade de divulgar o personagem Tex Willer e ajudar a manter acesa essa chama.

No passado mês de Setembro (quando o nosso herói Tex comemorou 70 anos de publicação na Itália), os “texianos” conheceram um livro, de cunho bibliográfico e jornalístico, dedicado ao Ranger e seu mundo, mais especificamente em relação às suas publicações, que trouxe, de forma resumida, clara, e ilustrada, um pouco da história do maior herói dos quadradinhos de faroeste de todos os tempos.

“Tex …e a história de uma coleção”, foi uma obra feita com muito carinho e cuidado contendo a experiência dos autores acumulada ao longo de mais de quatro décadas como leitores e coleccionadores de Tex. Muitas informações e curiosidades do mundo texiano foram trazidas à tona nessa publicação com base nos factos acompanhados pessoalmente ou vividos na época e, sempre que possível, com ilustrações e/ou imagens. É um guia de Tex para quem quer relembrar ou conhecer um pouco mais das publicações do personagem.

O projecto não teve fins lucrativos, teve tiragem limitada e numerada de 500 exemplares,contendo 352 páginas de uma viagem ao maravilhoso mundo das publicações “texianas”, mostrando factos, fotos/imagens, muitas curiosidades, relação de edições, uma homenagem aos 100 anos de “Galep” (na forma de imagens), uma matéria sobre a revista do Clube Tex Portugal, comparativos, imagens das publicações de Tex em alguns países, e muito, muito mais…

Trata-se de um volume tão completo e sobretudo com tanta e tão boa qualidade de acabou de ser nomeado como um dos 10 livros indicados ao prémio brasileiro HQMIX na categoria Livros Teóricos.

A “indicação” já é um verdadeiro prémio para os autores do livro, pois foi feita por profissionais que tiveram contacto com a obra, já que a escolha foi feita por uma comissão de pessoas conhecedoras e que actuam na área (e que tiveram contacto com o livro – viram a edição através de arquivo no formato PDF).
A próxima votação será feita por pessoas ligadas também à área, mas que não terão as publicações disponíveis para avaliação (será uma votação muito “subjectiva”). Vai ganhar quem tiver “mais sorte” entre os 10 indicados… e não a obra que tiver mais mérito. Essa na nossa opinião é uma grande falha do processo de votação final do HQMIX.

O Troféu HQMIX foi criado em 1988, pela dupla JAL e Gualberto Costa, no programa TV MIX, da TV Gazeta. O prémio logo foi apadrinhado pelo então apresentador do programa, Serginho Groisman. O resultado final dos vencedores de melhores publicações, em 2018, onde esperemos esteja esta obra dedicada a Tex, será anunciado uma semana antes do evento, que acontecerá em Setembro.

Dados da publicação:
Título:
TEX …E A HISTÓRIA DE UMA COLEÇÃO
Páginas:
352
Capa:
em cores, cartão triplex 300 g/m2 com aba, e laminação fosca.
Miolo:
em preto e branco, papel couché 90 g/m2
Formato:
24 x 17,3 cm
Brinde do livro:
2 marcadores de leitura
Contactos para aquisição:
E-mail:
jukacadillac@yahoo.com.br
Facebook: Joao Marin (Juka)

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