A Lambreta TEX

Lambreta: Ela nasceu na Itália em 1947, tornou-se um dos símbolos de uma geração e inspira o design de scooters até hoje mundo afora, pois como certamente muitos dos nossos leitores sabem, é um veículo de duas rodas, accionado por um pequeno motor, de forma análoga à motocicleta, mas provido de um assento em lugar de selim de montar, e com rodas de menor diâmetro.
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A Lambretta (nome original) nasceu então em 1947, após um ano de desenvolvimento e testes do protótipo, pelas mãos de Ferdinando Innocenti e Cesare Pallavicino e o seu nome é uma alusão ao rio Lambro, que passa pelos arredores de onde se situava a fábrica, na região de Milão..
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Tex Willer, caubói e pistoleiro da mira infalível, nasceu um ano depois, 1948, também em Itália, mais precisamente no dia 30 de Setembro e é o herói de faroeste mais amado pelos italianos, uma personagem que sobreviveu ao seu criador, que passou incólume por vários formatos editoriais e diversos enredos e tramas e que registou o seu nome de forma indelével na história da Banda Desenhada do país de Dante Alighieri.

Giovanni Luigi Bonelli, um dos grandes responsáveis pelo renascimento do faroeste na Itália, criou Tex Willer com um perfil que as pessoas idealizavam na época: A Itália ainda despertava do longo pesadelo vivido com a era fascista e a Segunda Grande Guerra Mundial, que tinham acabado há poucos anos, tornando-se um fenómeno de popularidade que já ultrapassou as sete décadas de existência…
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Lambretta e Tex Willer, dois símbolos da Itália que um indefectível apaixonado pelos dois símbolos, resolveu juntar numa única representação decorando a sua Lambretta precisamente com a arte de Tex Willer, como se pode ver nestas duas inusitadas fotografias que ilustram este texto…
 
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As Leituras do Pedro – El Otoño del Comisario Ricciardi: El Día de Difuntos

As Leituras do Pedro*

El Otoño del Comisario Ricciardi
El Día de Difuntos

Maurizio de Giovanni (argumento)
Sergio Brancato, Claudio Falco e Paolo Terracciano (guião)
Luigi Siniscalchi (desenho)
Marco Matrone (cor)
Panini
Espanha, 22 de Agosto de 2019
ISBN: 9788491679813
195 x 259 mm, 176 p., cor, capa dura
18,00 €

Fantasmas sob a tempestade

Cada vez mais atormentado pelos seus fantasmas, pelos fantasmas dos outros e – talvez mais ainda – pelos que ainda não o são, o comissário Ricciardi protagoniza o mais doloroso dos seus inquéritos, numa Nápoles atormentada pela chuva copiosa que não pára e que, em lugar de lavar a cidade, parece realçar a sua sujidade e o lado negro daqueles que nela habitam.

Infelizmente, quando o argumento – pesado e sofrido, acentuado pelo tom bordeaux carregado que acompanha o branco e o negro das pranchas – pedia tanto um traço firme e consistente, a escolha de Luigi Siniscalchi – desenhador regular da Bonelli, onde já desenhou Dylan Dog, Julia, Martin Mystère, Nick Raider, Mágico Vento… – revela-se algo infeliz, especialmente ao nível do trabalhado dos rostos, sempre demasiado indefinidos e com aparência de apenas esboçados, também por isso, menos expressivos.


El Día de Difuntos começa com o aparecimento do cadáver de um pequeno órfão, abandonado numa escadaria – mas não pelo seu cão. Ao contrário do habitual, Ricciardi não vê – literalmente – o seu fantasma a pedir justiça no momento da morte e isso intriga-o. A autópsia revela que a criança foi envenenada e lança o comissário em sucessivas pistas que o levam ao padre que gere um pequeno orfanato, à benfeitora que mimava o pequeno Tettè, ao ladrão que o usava nos seus assaltos, aos amigos que o atormentavam por ser o mais pequeno e gago…

Mas a identidade – e as motivações – do assassino tardam a ser descobertas e Ricciardi, torturado por uma forte gripe e dividido – sem o saber – entre a ingénua e doce Enrica e a bela e sensual Livia, terá mais uma vez de afrontar o poder instituído – para mais nas vésperas de uma visita de Il Duce a Nápoles – e contar com uma inesperada ajuda para levar a bom termo a sua investigação.


Que, mais uma vez, mais do que a descoberta de um criminoso, é uma oportunidade para Maurizio de Giovanni(continuar a) traçar um duro retrato da Nápoles – e da Itália (fascista) – dos anos 1930, dividida entre a ostentação de alguns e a pobreza extrema de outros, com a miséria moral a demonstrar não ser exclusivo de nenhuma classe social nem de ninguém.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Capa disponibilizada pela Panini Comics espanhola; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

O CARTAZ INTERNACIONAL DA COMIC CON PORTUGAL 2019 (que conta com a participação de Fabio Civitelli)

Por Pedro Mota (Presidente do CPBD)*
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Por muitas dúvidas que mantenha em relação ao modelo “comercial-pop” do evento, não tenho qualquer dúvida sobre a capacidade e profissionalismo dos organizadores do Comic Con Portugal, que conhecem muito bem a identidade do projeto que idealizaram, que desenvolveram um plano sólido e uma estratégia segura que ultrapassa a edição de cada ano, garantindo uma consolidação e uma continuidade e evolução que podem servir de base a toda uma série de novas oportunidades.
 
Para além da ampla divulgação e forte comunicação, um dos aspetos mais evidentes em que se traduz a capacidade e profissionalismo da organização é o sempre forte cartaz de convidados internacionais ligados à banda desenhada.
 
A edição de 2019 decorre entre 12 e 15 de setembro no Passeio Marítimo de Algés. A apresentação oficial da Comic Con Portugal 2019 teve lugar no passado dia 9 de abril, no Templo da Poesia, em Oeiras, e o Clube Português de banda Desenhada foi gentilmente convidado para o efeito.
 
E esta nova edição de 2019 volta a propor um cartaz fortíssimo, integrando a mais impressionante embaixada de autores brasileiros ligados à banda desenhada de super-heróis que já esteve em Portugal: mesmo se Mike Deodato (Mulher Maravilha, Avengers, Elektra, Hulk, Homem Aranha, Thor) cancelou a vinda a Portugal, o evento conta com Joe Prado (Superman, Green Lantern, Blackest Night), Ivan Reis (Superman, Aquaman, Green Lantern) e Greg Tocchini (Wolverine, Fantastic Four).
 
Como se isto fosse pouco, ainda lhe acrescenta Fabio Civitelli (Tex) e Ed Brubaker (Punho de Ferro, Fatale, Velvet, Fade Out), dois autores muito populares em Portugal.
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Fabio Civitelli abrilhantará a Comic Con Portugal 2019

E acresce um muito interessante lote de convidados portugueses, que destaca autores como Luís Louro, Filipe Faria, Manuel Morgado ou Susa Monteiro.
 
O cartaz de autores convidados continua a ser um dos principais critérios segundo os quais o público mede a qualidade e o interesse de um evento ligado à banda desenhada.
 
Este ano de 2019 está a ser um dos mais ricos neste âmbito. Beja apresentou um cartaz verdadeiramente extraordinário e imbatível (Alcimar Frazão; Altarriba e Kim; André Diniz; André Morgado; Arlindo Fagundes; Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Marc Bourgne; Dany; David Sala; Enrique Sánchez Abulí; Enrico Faccini; Fábio Zimbres; Horácio; Joana Afonso; João Vasconcelos; Jorge Coelho; José Ruy; Luís Cruz Guerreiro; Luís Zhang e Fábio Veras; MAF; Miguel Ángel Martín; Nuno Duarte e Mosi; Olivier Vatine e Alberto Varanda; Paul Duffield; Pedro Serpa; Pep; Peter van Dongen; Rita Alfaiate; Roberto Gomes; Rodrigo Rosa; Tyler Crook; Véte, e as autoras da coletiva Nódoa Negra), e agora a Comic Con avança com a sua tradicional aposta forte.
 
Aguarda-se com expetativa a oferta proposta pela Amadora para o seu 30.º Festival, em que já se sabe que foi (finalmente) abandonada a opção de apenas convidar autores ligados ao tema central ou em destaque através de exposições, voltando a apostar na presença de autores como um motivo de interesse autónomo.
 
Para já, recomenda-se a visita ao Comic Con!
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Tex Willer na ARTE de Fabio Civitelli

* Texto publicado no Facebook do Clube Português de Banda desenhada em  20/08/2019
Copyright: © 2019 Clube Português de Banda Desenhada;
Pedro Mota
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Ilustrações de Tex homenageando Portugal

Tex e a Torre do Relógio no Castelo de Moura, por Fabio Civitelli – 2007

Tex Willer na Torre de Menagem do Castelo de Beja, por Fabio Civitelli – 2010

Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu, por Fabio Civitelli – 2011

Duelo de Tex na cidade do Porto, por Fabio Civitelli- 2012

Tex de visita à Sé Catedral de Viseu, por Andrea Venturi – 2013

Tex de visita à Praça do Município de Anadia, por Pasquale Del Vecchio – 2014

Tex em Anadia empunhando a bandeira com o brasão da cidade, por Stefano Biglia – 2015

Tex no Paço da Graciosa em Anadia, por Maurizio Dotti – 2016

Tex na região vitivinícola de Anadia, por Massimo Rotundo – 2016

Tex num duelo na Main Street de Anadia em pleno século XIX, por Leomacs – 2017

Tex Willer e Kit Carson junto ao Monumento dos Mortos da Grande Guerra, na Praça Visconde Seabra, em Anadia, por Andrea Venturi – 2017

Águia da Noite e Kit Carson de canoa no rio Mondego à chegada a Coimbra, por Walter Venturi – 2018

Numa típica adega portuguesa, o engenheiro Tavares da Silva (pai do espumante português) serve uma taça de espumante a Tex Willer, por Alessandro Nespolino – 2018

Tex na região vitivinícola de Anadia, por Alessandro Bocci – 2018

Tex Willer no Castelo de Beja, por Rossano Rossi – 2018

Tex e Carson nas Caves Bairradinas de Anadia, por Bruno Brindisi – 2019

Duelo inusitado de Tex Willer nas vinhas portuguesas de Anadia, por Roberto De Angelis – 2019

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