Sergio Tarquinio, desenhador de Tex, Ken Parker e Storie del West, morreu aos 100 anos

Sergio Tarquinio (13 de Outubro de 1925 – 11 de Janeiro de 2026)

13 de Outubro de 1925 – 11 de Janeiro de 2026

Por Mário João Marques

Sergio Tarquinio (1925-2026) nasceu em Cremona, Itália, e desde cedo revelou talento para o desenho. Deixa um legado imenso, através de uma carreira que abrangeu variados campos das artes gráficas.

Sergio Tarquinio

No início dos anos 1940, publicou trabalhos em revistas como Paperino Giornale e Topolino Gigante. Em 1942, venceu um concurso de desenho (Ludi Juveniles) e, como autodidata, começou a pintar e a fazer xilogravuras. Estreou-se na banda desenhada em 1946 com Luna d’argento da Editoriale Dea. Em 1948, colabora com a Medialanum, produzindo trabalhos como Blek e Gionni. Muda-se para a Argentina, onde trabalhou até 1952 para Cesare Civita (Editora Abril), com trabalhos em revistas como Misterix, além de criar Alan Blood, El Inspector Slop e outras. Regressa a Itália em 1952, tendo criado neste período séries como Marussia e Ray Fox, assim como adaptações de obras literárias. Ainda nos anos 1950, integrou a Editora Araldo (mais tarde Sergio Bonelli – SBE), assinando westerns como Giubba Rossa e Il giudice Bean, além de colaborar com a Mondadori, onde ilustrou Batman e Superman e trabalhou para o Corriere dei Piccoli. Na SBE, foi um dos artistas marcantes em Storia del West de Gino D’Antonio, sem esquecer os seus trabalhos em Il ribelle, Rick Master e, a partir dos anos 1980, em Ken Parker.

Sergio Tarquinio em Storia del West

No final desta década, abandonou a banda desenhada e passou a dedicar-se à pintura e xilogravura, com inúmeras publicações e exposições, tendo sido agraciado com muitos prémios, entre os quais se destacam dois em Portugal: em Viseu (1965) e Estoril (1977). A sua carreira no fumetto italiano foi reconhecida com a obtenção de diversos prémios, como o Nettuno di Bronzo (1979), Targa d’argento (Lucca Comics, 1998), Prémio do Júri da Anafi (1999) ou Targa do Município de Cremona (2005). As suas mãos foram imortalizadas no Walk of Fame do Festival de Lucca em 2017, por ocasião dos 50 anos de Storia del West. Em 2025, foi homenageado pelo Centro Fumetto Andrea Pazienza.

Sergio Tarquinio e Tex

O seu trabalho em Tex resume-se à história Ombre di Morte, um trabalho breve, mas marcante, interpretando o universo do ranger com o seu traço expressivo, feito de sombras e contrastes. O argumento foi escrito por Gianluigi Bonelli em meados dos anos 1960, tendo Tarquinio então desenhado 64 pranchas. A história nunca chegou a ser finalizada pelo autor, acabando esquecida nos arquivos da SBE. Não se sabe em concreto porque é que Tarquinio não terminou este trabalho ou mesmo porque nunca mais desenhou Tex. Provavelmente, algum receio da editora em ousar nos cânones da série, desafiando algumas “rotinas” habituais. Eventualmente, porque logo de seguida o desenhador passou a trabalhar em Storia del West. A verdade é que, recentemente, o trabalho foi redescoberto, tendo sido publicado em 2023, e finalizado por Mauro Boselli e Marco Torricelli. O lançamento da obra associou-se às celebrações dos 75 Anos de Tex, o que veio reforçar a visibilidade e destaque dado ao trabalho.

Tarquinio foi sempre um inovador, cuja narrativa visual, com enquadramentos cinematográficos e atenção aos detalhes, antecipava tendências que só se tornariam comuns anos depois. O seu traço seguro e rigoroso, a clareza e legibilidade gráfica ou ainda o ritmo fluido, contribuíram para dar grande credibilidade a personagens e ambientes, com especial destaque nas expressões faciais, nos cenários ricos e nas atmosferas emotivas. Este realismo narrativo acabou por se tornar num dos traços marcantes da sua obra, uma vez que Tarquinio não se limitava a desenhar com rigor técnico, também se preocupava em ser autêntico. A melhor homenagem que podemos prestar é reconhecer que, ainda hoje, os seus trabalhos permanecem atuais, quer do ponto de vista gráfico, quer esteticamente, o que prova todo o seu enorme talento. Tarquinio não desenhou apenas banda desenhada, ajudou a moldar o fumetto italiano.

Tex – ‘Ombre di morte’ de Gianluigi Bonelli e Sergio Tarquinio

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Apresentação FREDERIC VOLANTE: Desenhador de Tex presente em Anadia nos dias 9 e 10 de Maio integrado na 11ª Mostra do Clube Tex Portugal

Por Mário João Marques

Frederic Volante, estrela texiana que abrilhantará a 11ª Mostra do Clube Tex Portugal, nos dias 9 e 10 de Maio de 2026, na cidade de Anadia

Frédéric Volante, de nacionalidade italiana, nasceu em Etterbeek (Bélgica) em 19 de outubro de 1975. Formou-se no Instituto de Arte de Imperia, e iniciou a carreira no estúdio de Bruno Ramella. A estreia profissional ocorreu em 2001 com Nick Raider e continuou, a partir de 2004, com Magico Vento. Em 2009, entra no mercado franco-belga com Shahidas (Bamboo) e, no ano seguinte, trabalhou em Les Z (Glénat). Entre 2014 e 2015, participou nas séries Lukas e Lukas Reborn e, em 2015, desenhou o terceiro volume de L’Avocat (Le Lombard). Em 2018, dedicou-se a projetos institucionais, como diversos álbuns comemorativos para a Marinha Italiana, colaboração que culmina com a publicação de Come Dei nella tempesta, por ocasião dos 90 anos do navio-escola Amerigo Vespucci. Em 2022, estreou-se em Tex numa breve história a cores (Il professionista), prosseguindo, em 2024, com Un covo di vigliacchi, no Tex 765 BIS. Em 2025, lançou Lourdes, une histoire millénaire, um projeto oficial sobre o santuário francês. O seu estilo gráfico realista e detalhado caracteriza-se pelo cuidado anatómico e expressões faciais precisas.

Frederic Volante estará em Anadia nos dias 9 e 10 de Maio para deleite dos fãs de Tex

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Apresentação UGOLINO COSSU: Desenhador de Tex presente em Anadia nos dias 9 e 10 de Maio integrado na 11ª Mostra do Clube Tex Portugal

Por Mário João Marques

Ugolino Cossu estará em Anadia nos dias 9 e 10 de Maio para deleite dos fãs de Tex

Ugolino Cossu nasceu em Roma a 18 de agosto de 1954 e formou-se em Decoração na Accademia de Belas Artes da sua cidade natal. Iniciou a carreira nos estúdios de Romano Mangiarano e Alberto Giolitti. Colaborou com a Eura Editoriale e, em 1977, desenhou para o mercado britânico na revista Tales of Kathy Jane e para o germânico Gespenster. Regressou a Itália em 1980, colaborando com a revista Orient Express (Il colore del vento, 1984) e para a Comic Art com a saga de fantasia do repórter Dan Morrison. Nos anos 1990 entrou na Sergio Bonelli Editore, desenhando várias histórias de Dylan Dog. Desde 2008, desenha Tex, tendo a sua estreia ocorrido no Maxi Tex 12, com a aventura Lo squadrone infernale, escrita por Claudio Nizzi. O seu estilo limpo combina realismo gráfico, domínio do preto e branco e uma atmosfera intensa que varia conforme o género, traduzido numa experiência visual sempre poderosa e envolvente.

Ugolino Cossu e Tex estarão no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, nos dias 9 e 10 de Maio de 2026

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A arte a preto e branco e as cores originais de Claudio Villa para a capa de Tex #783

Tex #783 – I comancheros di Fort Harper
Argumento: Pasquale Ruju
Roteiro: Pasquale Ruju
Desenhos: Alfonso Font
Capa: Claudio Villa
Lançamento: 8 de Janeiro de 2026

Jason Hanger ainda está à caça do dinheiro do roubo na agência indígena de Santa Clara River…  Ele apanhou e puniu Brendan Cassel, o seu lugar-tenente, mas Vivien, a amante traidora, está em fuga com a jovem filha… E é ela quem está com o saque!… Enquanto Tigre e Kit seguem a trilha dos rebeldes Piutes liderados por Nakash, Tex e Carson chegam a um antigo forte abandonado, agora um esconderijo para os implacáveis ​​​​comancheros de Remo Mendez!

A capa como habitualmente, e como citamos acima, é de Claudio Villa, capa essa que devido a nova  gentileza do artista vamos dar a conhecer de seguida, através versão original a preto e branco e da versão colorida pelo próprio Villa.

A arte original a tinta da china de Claudio Villa para a capa de Tex #783

As cores originais de Claudio Villa para a capa de Tex #783

Capa de Tex #783

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