Homenagem de Fabio D’Auria a Aurelio Galleppini

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer e Kit Carson no desenho de Aurelio Galleppini para a capa de “Tex” n° 322 “Il pueblo nascosto” publicado em 1 de Agosto de 1987

A refeitura da capa de “Tex” nº 322 por Fabio D’Auria em homenagem a Aurelio Galleppini, em arte Galep, o criador gráfico do Ranger do Texas

Fabio D’Auria

Nascido em 1978 na província de Napoli, Itália, Fabio D’Auria está activo como banda desenhista desde 2000.

Diplomado no Liceo Artistico di Napoli, depois ele frequentou a Scuola Italiana di Comix, sob a orientação de Daniele Bigliardo.

Desde 1996 vive em Reggio Emilia onde se diplomou como Animador de desenhos animados com qualificação de quarto nível, para depois trabalhar como Animador na fábrica reggiana “Marcenaro s.r.l.”

Fabio D’Auria estreia-se como colorista aos 22 anos com “Bonerest” para a Magic Press, história de banda desenhada criada por Matteo Casali e Giuseppe Camuncoli e de 2004 a 2017 trabalhou de modo continuado como colorista para Itália, França e Estados Unidos da América  – “Amazing Spider-Man” e “Dylan Dog” – superando as 7000 páginas coloridas.

Em 2008, faz uma tímida estreia como desenhador com uma prancha escrita e desenhada por ele para o nº 5 da revista “MONO” da editora Tunué e com uma ilustração em homenagem a Milo Manara publicada na monografia “Vita e donnine di Milo Manara” publicada pela editora Leopoldo Bloom Editore – biografia que contém ilustrações entre as quais de Bacilieri, Bernet e Geof Darrow.

Sempre em 2008, torna em parte à animação realizando, com Giuseppe Camuncoli e Andres Mossa, “The Shadow of Ra’s Al Ghul”, motion comics para DC Comics e Warner Bros produzido em exclusividade para a Nokia com textos de Dennis O’Neil, o motion comics narra acontecimentos que coligam “Batman Begins” a “The Dark Knight”, os primeiros dois filmes da trilogia do Batman de Christopher Nolan.

Fabio D’Auria

Em 2015, Fabio D’Auria coordenou para a TIWI a parte animada di “The Editor is in”, a primeira série televisiva da editora Sergio Bonelli Editore produzida por Sky Arte, desenhando todas as animações principais e coordenando a equipa de desenhadores.

Em 2017, saiu em França o seu primeiro álbum desenhado, o volume 8 da série “Oracle” para a editora Soleil Productions – em breve na Itália pela editora Panini Comics -, e a seguir algumas histórias breves para a editora Petit à Petit.

Fabio D’Auria ensinou, por 10 anos, Coloração Digital na Scuola Internazionale di Comics di Reggio Emilia, cidade onde vive e trabalha. Actualmente, está ao trabalho numa história breve a cores de Tex.

Bibliografia quase completa como colorista: http://comifab.blogspot.com/2000/12/bibliography.html

Bibliografia como desenhador:
2008. “Mono n°5”, editora Tunuè, Italia;
2008. “Vita e Donnine di Milo Manara”, editora Leopoldo Bloom, Itália;
2017/03. “Oracle: Le Héros”, editora Soleil Productions, França;
2017/11. “Guide de Paris en bandes dessinées”, editora Petit à Petit, França;
2018. “Histoires incroyables de la Coupe du Monde”, editora Petit à Petit, França;
2018/11. “Bordeaux #1 – D’Ausone à Montaigne”, editora Petit à Petit, França;
202x. “Color Tex”, editora Sergio Bonelli Editore, Itália.

Instagram de Fabio D’Auria: https://www.instagram.com/comifab/
Fonte: Fabio D’Auria.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Fabio D’Auria.
Afrânio Braga

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EXCLUSIVO: A Capa PORTUGUESA do novo Tex com o selo da editora A Seita, da autoria de r.m. Guéra

Após o lançamento de A Chicotada, volume de Tex (de Pasquale Ruju no argumento, Mario Milano no desenho e Matteo Vattani nas cores) que assinalou a estreia, em Março deste ano, da editora A Seita no que ao Ranger Tex Willer diz respeito, está para muito breve, ainda durante o mês de Junho, a sua segunda incursão, novamente baseada na colecção Tex Romanzi a Fumetti. 

Para esta segunda publicação os responsáveis de A Seita decidiram publicar no nosso país a história “O Homem das Pistolas de Ouro” (no original “L’uomo dalle pistole d’oro“), história escrita também por Pasquale Ruju sendo desenhada por Rajko Milošević mais conhecido por r.m. Guéra, desenhador sérvio de Scalped e de Os Malditos (The GodDamned), sendo as cores da responsabilidade de Giulia Brusco. Trata-se de uma aventura de um Tex jovem, nos seus primeiros anos de Ranger, com ambientação ao redor do Rio Bravo, mas sobre a história em si, falaremos em breve.

Hoje todo o destaque vai para a capa portuguesa que é diferente das edições italiana e brasileira. Trata-se de uma capa que o r.m. Guéra fez, e que a Sergio Bonelli Editore escolheu não usar. Foi previamente usada numa edição especial (uma capa alternativa com tiragem limitada) na versão holandesa do livro e ganha agora uma maior projecção sendo capa em Portugal:

Tex- O Homem das Pistolas de Ouro; A Seita

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As Leituras do Pedro: Tex Edição Especial Colorida #15

As Leituras do Pedro*

Tex Edição Especial Colorida #15: Forca para um inocente
Claudio Nizzi (argumento)
Rodolfo Torti (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Agosto de 2020
160 x 210 mm, 160 p., cor, capa mole
R$ 31,90

Choque formal

Acho que será pacífico afirmar que, entre as várias colecções que a Sergio Bonelli Editore dedica a Tex – e que a Mythos replica no Brasil – esta é aquela em que os leitores estão mais sujeitos a surpresas.

Por outras palavras – que até já utilizei a seu propósito… – a (no original) Color Tex de certa forma é um laboratório onde são experimentados caminhos, se não novos ou inovadores, pelo menos diferentes, para o ranger.

Mesmo quando, como no presente caso de Forca para um inocente, se trata de um western puro e duro, de matriz tradicional, ou não fosse ele assinado por Claudio Nizzi, um dos mais produtivos escritores de Tex, que aqui assinala o seu regresso após uma licença sabática.

Bem ao seu estilo, uma vez que é cultor do Tex decidido e implacável, partidário do mote que diz que tudo se resolve melhor – e de forma mais definitiva…! – de colts na mão, esta história começa com a prisão de Kit Willer por ter morto a tiro o filho do tiranete que domina a cidade de Holbrook.

A entrada em cena de Tex – de forma a protegê-lo até ao julgamento – desencadeará sucessivos confrontos que têm por objectivo uma vingança ‘dente por dente’, com emboscadas, e vários tiroteios que, com muita acção e adrenalina, ocupam uma parte significativa do relato.

A inovação que citei no início, desta vez surge a nível gráfico, com a estreia nas aventuras do ranger de Rodolfo Torti, desenhador regular de Martin Mystère, informação que seria desnecessária para os que seguem as duas séries da Bonelli, pois o estilo evidente logo nas primeiras páginas ‘denuncia-o’ claramente…

Possuidor de um traço fino e (bem mais) caricatural do que é norma(l) nas aventuras de Tex Willer, estou convencido que o trabalho de Torti nesta edição vai desagradar aos fãs mais empedernidos do ranger uma vez que nele ‘verão’ sempre o (lado mais caricatural) do Detective do Impossível.

Paradoxalmente, é esse mesmo desenho que, nas primeiras páginas, se coaduna às mil maravilhas com a cena introdutória, em que Tex e Kit Carson capturam um traficante de uísque, destruindo a sua carga, pois aporta à situação um tom rocambolesco que realça a postura provocadora e zombeteira dos dois rangers.

No entanto, com o avançar do relato – e da assumpção de um registo mais duro e violento, de acordo com as sucessivas situações criadas – da tentativa de linchamento público de Kit às emboscadas aos quatro pards – apesar de alguns ajustes pelo artista, ficam sempre resquícios caricaturais – especialmente ao nível dos rostos mas também da postura física dos intervenientes – que, acredito eu, aos olhos dos fãs (mais) tradicionalistas, irão de certa forma despojar os protagonistas do seu lado mais rígido e severo, e provocar um certo choque entre o estilo e o tom da obra. E, já agora, entre o estilo do miolo e o da capa (mais realista) de Claudio Villa…

Nota final

Trabalhando regularmente como tradutor, sabendo o quão difícil pode ser por vezes encontrar o tom e/ou o termo, adequados, evito geralmente comentar as opções feitas. No caso presente, parece-me que a Mythos – no seu próprio interesse comercial – não foi feliz no título escolhido, já que o original italiano – Un capestro per Kit Willer – é muito mais chamativo e provocador, uma vez que dá um nome – com impacto… – ao ‘inocente’ do título brasileiro – pese embora o tom cadavérico dos dois Kit…

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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A arte original a preto e branco de Stefano Andreucci e as cores (de Sérgio Streiechen) na CAPA PRINCIPAL da revista nº 14 do Clube Tex Portugal

Stefano Andreucci

Após Andrea Venturi (revista nº1), Fabio Civitelli (nº 2), Luca Vannini (nº 3), Enrique Breccia (nº 4), Maurizio Dotti (nº 5), Massimo Rotundo (nº 6), Stefano Biglia (nº 7), Pasquale Del Vecchio (nº 8.), Rossano Rossi (nº 9), Giacomo Danubio (nº10), Pasquale Frisenda (nº 11), Alessandro Bocci (nº 12) e Lucio Filippucci (nº 13), STEFANO ANDREUCCI é o desenhador de Tex que realizou as capas (principal e variante) da edição nº 14 da revista do Clube Tex Portugal, engrandecendo ainda mais o fantástico naipe de desenhadores do Ranger que se pôs ao serviço do Clube Português dedicado à mítica personagem criada, em 1948, por G. L. Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (arte).

Capas essa já divulgadas recentemente aqui mesmo no blogue português do Tex e que hoje damos a conhecer aos nossos leitores da arte original a preto e branco à capa final da edição principal, passando pelas cores do cirurgião dentista Dr. Sérgio Streiechen, brasileiro (e também artista nas horas vagas), fã e coleccionador de Tex desde a infância e que realizou um trabalho extraordinário como podemos ver numa bela sucessão de imagens que mostram bem como o pard Sérgio domina tão bem a arte de colorir, tanto que granjeou elogios do autor da ilustração, o próprio Stefano Andreucci. Salientamos também que as cores de Sérgio Streiechen foram também aprovadas pela Sergio Bonelli Editore tal como aconteceu quando coloriu as duas versões (principal e variante) da revista número 10, em 2019.

Desenho de Stefano Andreucci, a preto e branco, para capa principal da revista nº 14 do Clube Tex Portugal

Processo de colorização de Sérgio Streiechen

Processo de colorização de Sérgio Streiechen

A magnífica arte de Stefano Andreucci finalizada com as cores de Sérgio Streiechen

A capa principal da revista nº 14 do Clube Tex Portugal com a deslumbrante arte de Stefano Andreucci e com cores de Sérgio Streiechen

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Tex: Patagónia – Mauro Boselli e Pasquale Frisenda na visão de Cristina Alves

Por Cristina Alves[*]

A maioria das histórias de banda desenhada que têm origem na Bonelli (pelo menos, a maioria das que li) possuem arcos narrativos curtos e relativamente simples, prestando-se a uma leitura fluída e rápida, com alguns detalhes narrativos engraçados. Raras vezes excedem este patamar. Este é um desses casos que ultrapassa o usual. Este Tex, para além de apresentar mais de 200 páginas, possui uma maior complexidade narrativa, desenvolvendo personagens e explorando a história da Argentina.

A história começa por nos apresentar Tex, permitindo ao leitor perceber a personagem e contextualizar as suas reacções ao longo da restante história: um ranger que vive entre os índios e que viaja, muitas vezes acompanhado por Kit. Kit é, também, o nome do filho, cuja mãe é índia. Para além do bom sendo que lhe conhecemos, este enquadramento explica porque Tex vai ser escolhido para ajudar com uma perigosa missão que envolve os índios na Argentina.

Um grupo de índios terá raptado uma vila inteira. Para algumas chefias militares este será o motivo perfeito para justificar um extermínio dos índios. Mas um conhecido de Tex, argentino, vê nele um possível aliado para tecer estratégias menos drásticas e consegue-lhe a nomeação de comandante da patrulha de exploradores da expedição.

Tex faz-se acompanhar pelo filho, deixando o amigo Kit na tribo índia e percorre o longo caminho até à Argentina. Aqui encontram uma situação delicada. Por um lado, mesmo dentro do exército existem opiniões contrárias, algumas das quais envenenam os soldados contra os índios. Por outro, os exploradores, pouco habituados ao regime militar, não seguem um homem por simples designação.

Tex – Patagónia explora o conflito com os índios mostrando-nos as várias opiniões que existiam em relação a estas tribos. Para muitos tratam-se de selvagens, homens inferiores a ser dizimados, por forma a fazer avançar a civilização e a colonização pelo homem branco. Os mestiços eram, também, vistos como inferiores. Estas questões raciais são um dos focos narrativos mais interessantes.

Tex, para além de contrapor estas opiniões, apresenta-se como um guerreiro capaz, alvo de admiração por alguns militares – mas as suas ligações aos índios criam reticências nalgumas facções. A sua posição na tribo índia em que vive permite-lhe fazer uma ligação e tentar estabelecer acordos que poderão ser, para ambas as partes, mais fiáveis. Infelizmente, existem vários que se movem pelos seus próprios interesses – até porque, independentemente do preconceito, existem questões financeiras em jogo.

Como personagem principal, a influência de Tex está em todo o lado. Por um lado define parcerias com algumas tribos índias pacíficas, por outro acalma algumas facções militares. As estratégias de guerra que se vão definindo usam, também, as capacidades de Tex. Esta centralização excessiva é, a meu ver, o ponto fraco de uma forte história.

Em termos visuais, este volume apresenta um bom desenho, detalhado quando necessário, mas também capaz de acompanhar episódios mais movimentados e demonstrar confrontos e batalhas.

Tex – Patagónia destaca-se por vários motivos. Por um lado, explora conflitos reais colocando nestes as suas personagens ficcionais. Os conflitos na Argentina possuem um tom diferente e dão um contexto diferente à história. Por outro lado, trata-se de uma história mais complexa com negociações e conflitos que lhe conferem várias reviravoltas interessantes. Este Tex é uma leitura cativante que nos faz ler 200 e tal páginas de enfiada que será, decerto, muito apreciada para quem gosta do género Western na banda desenhada.

Este Tex foi publicado em Portugal pela Polvo.

[1] (Texto publicado originalmente no Blogue “Rascunhos“, em 21 de Outubro de 2020)
Copyright: © 2020; Cristina Alves

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