Luca Vannini – Mestre das cores

Por Italo Marucci*

Luca Vannini sempre considerou o desenho não como exercício gráfico num campo particular (a banda desenhada), mas sobretudo como meio de expressão de sentimentos íntimos, como possibilidade de descrição de estado da alma, como se pode ver em Ken Parker, Júlia, Tex: como meio exemplificativo para traduzir com maior naturalidade e espontaneidade a expressão que deve chegar sem dificuldades ao espírito do leitor.

Luca Vannini capta e usa com muita atenção e elegância no desenho todas as possibilidades expressivas das cores, como organizadoras do próprio espaço e transfiguradoras de uma história aos quadradinhos: para ele, a tendência dominante das cores deve servir para melhorar a expressividade da ilustração.

Luca Vannini aplica as suas cores sem preconceitos ou cálculos; o lado descritivo das cores impõe-se de modo puramente expressivo. Observando a capa da revista #3 do Clube Tex Portugal, fica imediatamente evidente que Luca Vannini atingiu a plena maturidade técnica, que se manifesta num domínio seguro dos meios expressivos, destinado a libertar a explosão de uma interioridade particularmente sensível.

Arte original de Luca Vannini para a capa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal

A solução do espaço coloca-se não segundo uma concepção estática, mas sim como uma projeção dinâmica, extremamente móvel, de uma imagem fantástica, realisticamente pensada e de cromaticidade perfeita numa composição com um senso inato das proporções dos equilíbrios, o que fica mais evidente quando se passa a considerar outros elementos das suas ilustrações, como, digamos assim, a matéria pictórica e a luz; devo destacar que justamente o facto do uso da luz como projeção de liberdade cromática é o elemento guia para compreender a aventura artística de Luca Vannini, aquilo que de forma substancial condiciona todos os outros componentes, da segurança no tracejar à adoção de cromias modernas e irreais que só se justificam na beleza intrínseca e na coerência expressiva.

Recorremos ainda mentalmente às suas ilustrações de Tex que vemos em todas as mostras de banda desenhada: as páginas de Luca Vannini são estupendas e significativos exemplos de pintura por ilustrações no vasto panorama da banda desenhada italiana. A sua ilustração, imediatamente legível, pode parecer simples, mas é rica de componentes complexos: Luca Vannini descreve com ilustrações límpidas e honestas as histórias do Oeste, as quais interpreta, com simplicidade e paixão, toda a poesia; ambienta a história num espaço temporal no qual mostra toda a sua capacidade narrativa, com o uso das variações de luz nas diversas horas do dia, acompanhando a mudança da atmosfera da história: as luzes variam de acordo com as horas, quase de acordo com os estados da alma dos protagonistas, e atingem grande capacidade de comunicação expressiva, sobretudo nos seus belíssimos noturnos.

O claro conhecimento do mundo do oeste, em conjunto com a síntese expressiva atingida por Luca Vannini, permitem-lhe justamente narrar com tanta exatidão cénica, desenhativa e cromática, toda a realidade da Fronteira, vista de um ângulo onde se capta uma humanidade vitoriosa e digna.

* Texto de Italo Marucci publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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Príncipe Valente, Mandrake, Fantasma e Flash Gordon, entre outros, na arte de… Galep

Hoje no Tex Willer Blog vamos dar a conhecer algumas fotos de uma colecção de magníficos e inusitados pósters (da colecção pessoal de Andrea Annis, coleccionador italiano) em formato gigante (medem cerca de 65 x 50 cm cada) relativos ao Mestre Aurelio Galleppini, conhecido popularmente por Galep e às suas interpretações pessoais de alguns personagens históricas da banda desenhada dos anos 30/40 do século passado:

Príncipe Valente na arte de Galep

Mandrake na arte de Galep

Fantasma na arte de Galep

Flash Gordon na arte de Galep

Virus (de Molino), Mefistofele (de Albertarelli) e Tex na arte de Galep

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Águia da Noite por Ronald Guimarães

O Tex Willer Blog, o blogue português do Tex apresenta hoje aos seus leitores a mais recente arte dedicada a Tex Willer, da autoria de Ronald Guimarães, um fantástico desenhador brasileiro que nos tem brindado com uma certa regularidade algumas das fantásticas artes texianas de sua autoria como é esta que damos a conhecer de seguida onde vemos um imponente Águia da Noite:

Águia da Noite na arte de Ronald Guimarães

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Lançamentos ‘A Seita’ – Tex volume 3: “O Vingador” (Mauro Boselli e Stefano Andreucci), e Tex volume 4: “Justiça em Corpus Christi” (Mauro Boselli & Corrado Mastantuono)

E pronto, provas revistas, tudo OK, tudo aprovado… agora é só imprimir!

Tex volume 3: “O Vingador” (Mauro Boselli e Stefano Andreucci), e Tex volume 4: “Justiça em Corpus Christi” (Mauro Boselli & Corrado Mastantuono) a caminho!

Estejam atentos! Lançamentos respectivamente no Coimbra BD 2022 e na 7ª Mostra do Clube Tex Portugal. Em breve mais informações aqui no Tex Willer Blog.

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As Leituras do Pedro: Dylan Dog #1 (nova série) – A Despedida

As Leituras do Pedro*

Dylan Dog #1 (nova série) – A Despedida
Paola Barbato (argumento)
Bruno Brindisi (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Dezembro de 1918
160 x 210 mm, 112 p., pb, capa cartão

Capas

Uma capa pode dizer tanto ou tão pouco – mas ser igualmente (des)interessante.
Esta reflexão, surgida a propósito dos dois últimos inquéritos de Dylan Dog que li – este e O número 200, que A Seita editou entre nós há pouco – pode não passar de uma verdade de La Palisse, mas a verdade é que a capa de um livro é a sua primeira porta de entrada e tanto pode seduzir o leitor como afastá-lo de imediato.

Independentemente disso, esta edição confirmou a genialidade permanente (ou quase) que sempre rodeia Dylan Dog. Em comum, ambas as histórias – para além do óbvio protagonista – têm os autores, a escritora Paola Barbatto e o desenhador Bruno Brindisi. Com mais de 130 relatos -mais de dez anos! – entre as duas narrativas – esta corresponde ao Dylan Dog #338 original – em ambas o Detective do Impossível apaixona-se pela cliente ‘do dia’, como é seu timbre.

Reflexão sobre a morte – sobre o tempo final(?) que a antecede, quando o ser humano já está predisposto (alguma vez está?) para ela – A Despedida é também um tratado de humor negro.

Como tantas vezes, preocupado com o que está à sua frente – a reforma de Bloch e a cliente que devia estar morta – Dylan não vê o retrato global: uma Londres pejada de gente – atropelada, estropiada, eletrocutada, assassinada… – que devia ter morrido e continua a viver.

A razão – aos seus olhos e aos ditos cujos esbugalhados dos leitores – só será desvendada no final, especialmente terno e comovente, mais a mais por surgir da boca de quem – quem? – menos se espera.

Entre amizade, paixão, ódio e vingança, A Despedida surge como mais uma bela história sobrenatural com muito de humano, numa longa bibliografia de Dylan Dog que exibe tantos pontos altos.

Capas

Mas vamos então às capas que desencadearam este texto. Não sendo as suas escolhas imputáveis à Mythos, no Brasil, nem a A Seita, em Portugal – pois são unicamente da responsabilidade da Sergio Bonelli Editore – nestes dois casos surgem com estilos diametralmente opostos.

A edição portuguesa ‘herdou’ uma capa comemorativa de 200 edições – infeliz no modo e no estilo, e sem fazer grande sentido fora desse desiderato (e eu sei que a editora lusa lutou para poder usar uma imagem diferente). Já esta edição brasileira, foi ‘contemplada’ com uma bela realização gráfica. Por um lado, porque evoca a sombra tutelar (e protectora) de Bloch sobre Dylan ao longo da série e espelha o desânimo deste perante a partida – a reforma – do amigo de sempre – como O Número 200 nos revelou. Por outro lado, porque o seu autor – Angelo Stano – decidiu piscar o olhos aos leitores de comics da Marvel, emulando com o seu desenho uma célebre capa de John Romita Sénior para The Amazing Spider-Man #50.

Não sendo opostos nem extremos – apenas géneros diferentes, com uma importante qualidade em comum, o serem eminentemente ‘populares’ – não deixa de ser importante ver como comics e fumettis se podem tocar.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)