Foto/vídeo-reportagem da Inauguração da Exposição “TEX – Mais que um Herói”, inaugurada hoje nos Serviços Sociais do Banco Montepio

Por Orlando Santos Silva e Lurdes Aragão (fotografias e vídeos)

Os Serviços Sociais do Montepio inauguraram este sábado, 17 de Fevereiro, pelas 15h00, na Sala Convívio da Sede dos Serviços Sociais, na Rua Garrett, 47 – 2 º, em Lisboa, a exposição “TEX – Mais que um Herói”, de Mário Marques.

O Mário Marques é um dos maiores conhecedores do “Tex Willer” a nível mundial. É também o co-fundador do Clube Tex de Portugal e diretor da revista do Clube (a única revista que atualmente se edita no nosso país sobre um herói de Banda Desenhada).

Trata-se de uma exposição, onde através de um conjunto de textos e pranchas, para além de vários objectos da colecção pessoal do Mário Marques, se conta a história e a evolução do Tex desde 1948 até aos nossos dias. Dividida por décadas, a exposição pretende assim realçar o caráter humanista e justiceiro de uma personagem que desde 1948 vem acompanhando gerações em todo o mundo.

Esta exposição surge, assim, como mais um marco de Tex em Portugal e estará patente até ao próximo Verão. Se não teve oportunidade de estar presente hoje na inauguração, não deixe de dar um saltinho até à Baixa Lisboeta nas próximas semanas.

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Entrevista com o fã e colecionador: Mário Moraes

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Mário Moraes: Me chamo Mário Moraes e nasci no ano de 1980. No momento estou desempregado mas trabalhei durante 14 anos numa madeireira. Atualmente cuido de um sítio com minha esposa.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Mário Moraes: Faz um tempo já que gosto de desenhos ou gibis com desenhos. No meu caso surgiu na década de oitenta com meu irmão mais velho ao trazer em casa um gibi do Tex.

Quando descobriu Tex?
Mário Moraes: Foi com meu irmão e meu primo. Ambos começaram suas coleções e eu ainda criança já passei a me interessar pelos desenhos, pois ler ainda não me dava vontade.

Porquê esta paixão por Tex?
Mário Moraes: Minha paixão por Tex sem dúvida se dá pelo fato do mesmo ter ideias que batem em cheio com as minhas. Senso de justiça e amor pelas pessoas me atraíram também a esse universo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Mário Moraes: Tex se diferencia dos demais por ser humano e não dispor de super poderes para combater seus asseclas. Tex como pessoa normal e com sentimentos.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Mário Moraes: Minha coleção parou em número 350 pois parei de comprar. E uma das minhas preferidas com certeza é El Muerto. Me limitei a ler scans, não que isso ajude as editoras.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Mário Moraes: Coleciono muitos livros mas dou destaque a Tex. Já tive Zagor também, mas hoje não tenho mais.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Mário Moraes: O objeto de desejo acho que de todos os fãs de Tex seria com certeza o Colt 45, original da época.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Mário Moraes: Minha estória favorita é El Muerto, mas posso citar também “Caçadores de escalpos”, “Caçada humana” e “Caçador de homens”. Essa última se não me engano desenhada por Jesus Blasco. Meu desenhista favorito sempre foi Galep (Aurelio Galleppini) mas posso destacar os trabalhos magníficos de Ticci e Jesus Blasco. Meu argumentista preferido sempre foi o Gianluigi Bonelli mas na atualidade sem dúvida é o Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Mário Moraes: O que mais me agrada em Tex é sem dúvida seu senso de justiça e o que me desagrada é saber que Tex é apenas um personagem fictício.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Mário Moraes: Tex se torna ícone pelo fato de ser um ser humano comum, mas com senso de justiça enorme. Tex é capaz de socar um oficial do exército pra defender um índio ou um negro, e isso é fantástico.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Mário Moraes: Seria uma honra poder me encontrar com outros colegas colecionadores, mas infelizmente não aconteceu ainda.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Mário Moraes: O futuro do nosso querido herói é incerto. Mas continuamos firmes na esperança de que por muitos anos ainda sejam publicados suas belas estórias. Desejo que nossos filhos e netos possam também conhecer tão grande herói, mas não como uma lembrança que passou.

Prezado pard Mário Moraes, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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As Resenhas de Rafael: Tex nº 641/6 (BIS) – A Herança do Bandido

As Resenhas de Rafael*

Tex nº 641/6 (BIS) – A Herança do Bandido
Roteiro: Pasquale Ruju
Arte: Giovanni Freghieri
116 páginas
Editora: Mythos
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Vincent Lamar é mais um canalha que o ranger Tex Willer despacha para o inferno. Após árdua caçada pelo Arizona, nosso herói mete um balaço no facínora e encerra sua passagem por esse vale de lágrimas.
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Mas o rastro de maldades e violência não se encerra com sua morte. Um caçador de recompensas e os antigos membros de sua quadrilha decidem se apossar do dinheiro escondido por Lamar, fruto de seus crimes, e sobre o qual muito se fala. Uma fortuna em moedas de ouro, dizem os boatos, e que, com sua morte, estaria na posse da viúva, Gillian. Cabe a Tex protegê-la, ao mesmo tempo em que deve liquidar essa fatura de uma vez por todas.
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“A Herança do Bandido“, escrita por Pasquale Ruju e com arte de Giovanni Freghieri saiu em 2022 na Itália como uma espécie de edição extra do título mensal do ranger. Enredo enxuto e dinâmico, tem na figura de Gillian a verdadeira protagonista da história. Mulher marcada pelos desmandos de Lamar, ela encerra no silêncio de um semblante opaco e triste, toda uma trajetória de violência doméstica que pretende deixar para trás, mas que teima em continuar com a procura pela herança do morto.

Ainda que conte com a ajuda de Tex, Gillian se mostra uma mulher forte e decidida, que busca acima de tudo proteger sua filha Wendy dos bandidos que as cercam nessa “caça ao tesouro”. Uma figura que contempla as marcas de traumas passados e as preocupações de um presente incerto, ainda sob o julgo de memórias infelizes.
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É justamente pela leitura de seu olhar marcante que Tex se põe decidido a encerrar o caso o quanto antes, para que essas mulheres possam viver em paz. Uma abordagem diferenciada nos enredos da longa saga texiana, e por isso mesmo uma aventura que merece atenção.

* Rafael Machado é professor, escritor e jornalista. Publica suas resenhas no perfil do instagram “Leituras do Exílio“, além de colaborar com o sítio “Quinta Capa”.

(Imagens disponibilizadas pela Mythos Editora; clicar nelas para as apreciar em toda a sua extensão)

A epopeia “brasiliana” de Tex

Por Júlio Schneider*

O Mocinho do Brasil – A História de Um fenômeno Editorial chamado Tex; Autor Gonçalo Júnior – Editora Laços – 2009 – Brasil

Quando o livro O Mocinho do Brasil – A História de Um Fenômeno Editorial Chamado Tex, do jornalista Gonçalo Júnior, chegou às mãos do editor italiano Sergio Bonelli, esse sentiu-se como se estivesse a viver uma viagem no tempo, de quando a personagem criada pelo seu pai, Gianluigi Bonelli, chegou à América do Sul na década de 1950, e depois quando, na década de 1960, o próprio editor conheceu as praias brasileiras, a caipirinha e aquela que se tornaria a sua grande paixão, a Amazónia. O livro brasileiro foi uma espécie de chave que abriu o baú das recordações, e as lembranças de Sergio Bonelli vieram à tona em dois editoriais da edição italiana de Tex Nuova Ristampa (o Tex Coleção italiano) em maio e junho de 2010. Ao ler esses editoriais, Gonçalo Júnior comentou que “essas informações da passagem de Bonelli no Brasil eram até então desconhecidas! Tomara que ele fale mais na próxima edição“. E, de facto, depois desses o editor milanês falou da epopeia brasiliana de Tex por mais três editoriais dos volumes italianos, que reproduziremos nesta e na próxima edição da Revista do Clube.

Tex Nuova Ristampa n° 256, maio de 2010

Matéria publicada na “Tex Nuova Ristampa” nº 256; maio de 2010 – Itália

Caros amigos,
Quando eu falo do lento e inexorável desaparecimento do mercado europeu dos quadradinhos bonellianos, caracterizados por longas histórias em série no tradicional branco e preto, sempre indico o Brasil como uma das mais inexpugnáveis fortalezas dos comics da rua Buonarroti. Na verdade, nesse País enorme, habitado por mais de cento e noventa milhões de pessoas, a BD nunca pôde contar com um número particularmente elevado de leitores. Apenas para dar um exemplo, o nosso Tex, apesar de ser indicado como um dos líderes de mercado, sempre teve de contentar-se com cifras bem distantes daquelas atingidas na pátria mãe. Mesmo outras publicações, dos clássicos americanos dos anos de ouro (Fantasma, Mickey Mouse, Mandrake, Flash Gordon e outros) aos mais modernos super-heróis (é claro que me refiro às famosas personagens de editoras como Marvel e DC), jamais se constituíram em preocupante concorrência ao verdadeiro Rei nacional, aquele Maurício de Sousa que – graças a aventuras simples e locais de personagens como Mónica ou Cebolinha – conquistou o título de Walt Disney sul-americano. Os primeiros motivos que me vêm à mente para justificar a pouca difusão dos balões falantes naquela enorme nação devem ser procurados, não apenas na elevada taxa de analfabetismo que, até há pouco tempo, afligiu a sua população, mas também no atraso e na precariedade da rede de estradas que tornou problemática a distribuição de todo tipo de publicação. Não é de se espantar, então, se à pouca presença dos quadradinhos nas bancas (como lá são chamados os quiosques) corresponde uma quase total ausência de eventos análogos ao nosso Lucca Comics & Games, e uma raríssima presença de articulistas, críticos e historiadores de BD. Por isso, é com grande admiração que vi chegar às minhas mãos o volume cuja capa se vê abaixo. Ilustradíssimo e muito bem documentado, tem um título simpático e lisonjeiro que, em português, é O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex. O autor, Gonçalo Júnior, é o mesmo aficionado a quem se deve uma poderosa obra de alguns anos atrás, A Guerra dos Gibis, dedicada ao nascimento e crescimento do mercado brasileiro de quadrinhos entre os anos 1933 e 1964. Entre as muitas curiosidades que emergem do livro em questão, apresento abaixo a capa de um Tex de 1951 ainda privado de sua verdadeira identidade e – porque não? – até da sua dignidade, visto que havia sido rebatizado como Texas Kid pelos editores de uma série intitulada Júnior. A história de Águia da Noite no Brasil é tão apaixonante (até para mim, que a vivi) que merece a frase ritual: “Continua a seguir…“

Sergio Bonelli

Júnior nº 28 – Janeiro de 1951 – O Globo; 1ª aparição de Tex no Brasil

Tex Nuova Ristampa n° 257, junho de 2010

Matéria publicada na “Tex Nuova Ristampa” nº 257; junho de 2010 – Itália

Caros amigos,
No editorial anterior eu falei da agradável e inesperada publicação de O Mocinho do Brasil, um livro brasileiro que propõe contar a história de cinquenta e sete anos de presença editorial do nosso Tex naquele País. O volume representa, sem dúvida, um evento particular, vista a pouca atenção reservada por lá aos quadradinhos (não por acaso, do livro foram impressas apenas mil cópias) e, justamente por isso, é muito útil para mim que, como jamais escondi, sempre tive alguns problemas com a memória. Então, graças a O Mocinho do Brasil, eu pude reconstruir (ao menos em parte) os eventos que levaram à famosa e complicada estreia brasileira de Tex, no distante 1951, quando o Oceano Atlântico constituía realmente uma barreira insuperável. Esse valioso ensaio histórico também me permitiu percorrer novamente aquelas aventuras que vivi na pele a partir do momento em que, em 1965, eu quis cuidar pessoalmente das nossas publicações em terra estrangeira, e decidi visitar as redações das editoras que haviam mirado a atenção para séries bonellianas. Como se pode ver na imagem ao lado, Águia da Noite era apresentado ao público brasileiro – com a confusão gerada pelo dúplice nome de Tex e de Texas Kid – a partir da edição argentina exportada pelo profissional da impressão Lotario Vecchi (nosso amigo de família que talvez alguns se recordem como editor de Jumbo, Primarosa, Rin-Tin-Tin e outras revistinhas dos anos Trinta). De minha parte não tenho grandes recordações dessa primeira fase, se excluirmos os copiões (na época não existiam fotocópias) que eu, como entregador, levava ao caro Vecchi. Apesar do seu discreto sucesso, Tex Willer desapareceu dos quiosques brasileiros em 1957, para regressar somente catorze anos depois, em 1971, pela Editora Vecchi. Antes dessa data, em 1968, com a mala cheia de revistas, eu desembarquei no Rio de Janeiro, se bem que com intenções mais turísticas do que profissionais, e, inevitavelmente, a minha primeira visita foi aos escritórios da importante editora administrada pela família inteira de Arturo Vecchi, irmão de Lotario. Família à qual, na verdade, eu devo o meu primeiro contacto com as praias do Rio e até com os locais onde, na época, ecoavam as notas da Bossa Nova, uma música que depois se espalhou pelo mundo todo. No mesmo período eu havia conseguido convencer um segundo editor, Adolfo Aizen, a propor aos leitores do seu país a nossa História do Oeste e também O Pequeno Ranger, mas a minha obra de comunicação (isso sim, eu lembro-me) não foi nada fácil. A EBAL, a empresa de Aizen, era conhecida por sempre apresentar personagens norte-americanas que podiam contar com a magia das cores e cujas histórias se desenvolviam em poucas páginas. Imaginem, então, com quanta dificuldade eu consegui ver nas bancas (como se chamam os quiosques no Brasil) as nossas edições que, apesar de ilustradas por grandes desenhadores, eram melancolicamente – segundo os leitores daquele país – em preto e branco. Na Vecchi, o nosso Tex sofreu uma série de mudanças de formato e de paginação que nem vos conto, mas – apesar de tantas indecisões – chegou a vender, em 1981, cento e cinquenta mil exemplares por edição, quantidade realmente impressionante. Aquele sucesso extraordinário encorajou os meus novos amigos a alargar a gama de quadradinhos italianos, ao apresentar tanto as fantasiosas histórias de Zagor quanto o rigor realístico de Ken Parker, enquanto uma pequena editora de São Paulo, a Noblet, fez uma tentativa tímida de publicar Mister No, iniciativa que infelizmente só durou uns poucos números. O citado império editorial (da Vecchi) dissolveu-se repentinamente em 1983 e desapareceu definitivamente do mercado. Como consequência, Tex de repente viu-se sem editor, e eu peguei a bola no ar para refazer as minhas malas e preparar-me para um trabalhoso encontro com eventuais novos editores, mas também – como já se entendeu – para planear junto aos meus amigos de sempre uma longa viagem à minha amada Amazónia. Eu os entediei? Espero que não e, como bom quadrinista, marco encontro para o próximo número, para contar o que aconteceu em seguida.

Sergio Bonelli

Almanaque do Bufalo Bill para 1956 – Rio Gráfica Editora – Brasil; Publicou uma história de Tex (Texas Kid) inteiramente produzida na Argentina

* Texto de Júlio Schneider publicado originalmente na Revista nº 11 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2019.

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