Os três esboços iniciais, o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti para Tex Willer #67

Mauro Boselli exibe orgulhosamente a edição nº 67 de Tex Willer

No passado dia 18 de Maio, a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 67 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “El Diablo” que contém a primeira parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi, que tem a particularidade de ser baseada num argumento de G. L. Bonelli.

Um cruel bandido mexicano conhecido como El Diablo espalha o terror ao norte da fronteira. Há quem, como Sanchez, o considere um herói, o herdeiro de Juan Cortina. Outros, como mister Marshall e os Texas Rangers, reconhecem-no como um bandido pago pelo exército nacionalista mexicano e pelos conspiradores sulistas, taticamente aliados para criar o caos e preparar o terreno para a guerra. Tex tem a tarefa de encontrar o seu esconderijo. Mas mesmo os demónios, no fundo, têm coração. E o coração duro do Diablo bate por sua filha, a terna e inocente Florecita.

A capa deste sexagésimo sétimo número, tal como as sessenta e seis anteriores e as que se seguirão nesta  colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada dos três esboços iniciais, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #67, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #67, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #67, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #67, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #67, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #67, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #67 – “El Diablo”

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Morreu Luca Vannini (desenhador de Tex, mas sobretudo, Mestre das Cores)

Luca Vannini (24 de Novembro de 1961 – 22 de Maio de 2024)

(24 de Novembro de 1961 – 22 de Maio de 2024)

Esta é uma das notícias que nunca queremos dar, mas que a lei da vida a isso nos obriga. Luca Vannini grande desenhador e ilustrador do fumetto italiano, faleceu na semana passada, mais precisamente no dia 22 de Maio, aos 62 anos, deixando a banda desenhada em geral, e o Tex em particular, mais pobres.

Por Italo Marucci*

Luca Vannini sempre considerou o desenho não como exercício gráfico num campo particular (a banda desenhada), mas sobretudo como meio de expressão de sentimentos íntimos, como possibilidade de descrição de estado da alma, como se pode ver em Ken Parker, Júlia, Tex: como meio exemplificativo para traduzir com maior naturalidade e espontaneidade a expressão que deve chegar sem dificuldades ao espírito do leitor.

Luca Vannini capta e usa com muita atenção e elegância no desenho todas as possibilidades expressivas das cores, como organizadoras do próprio espaço e transfiguradoras de uma história aos quadradinhos: para ele, a tendência dominante das cores deve servir para melhorar a expressividade da ilustração.

Luca Vannini aplica as suas cores sem preconceitos ou cálculos; o lado descritivo das cores impõe-se de modo puramente expressivo. Observando a capa da revista #3 do Clube Tex Portugal, fica imediatamente evidente que Luca Vannini atingiu a plena maturidade técnica, que se manifesta num domínio seguro dos meios expressivos, destinado a libertar a explosão de uma interioridade particularmente sensível.

Arte original de Luca Vannini para a capa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal

A solução do espaço coloca-se não segundo uma concepção estática, mas sim como uma projeção dinâmica, extremamente móvel, de uma imagem fantástica, realisticamente pensada e de cromaticidade perfeita numa composição com um senso inato das proporções dos equilíbrios, o que fica mais evidente quando se passa a considerar outros elementos das suas ilustrações, como, digamos assim, a matéria pictórica e a luz; devo destacar que justamente o facto do uso da luz como projeção de liberdade cromática é o elemento guia para compreender a aventura artística de Luca Vannini, aquilo que de forma substancial condiciona todos os outros componentes, da segurança no tracejar à adoção de cromias modernas e irreais que só se justificam na beleza intrínseca e na coerência expressiva.

Recorremos ainda mentalmente às suas ilustrações de Tex que vemos em todas as mostras de banda desenhada: as páginas de Luca Vannini são estupendas e significativos exemplos de pintura por ilustrações no vasto panorama da banda desenhada italiana. A sua ilustração, imediatamente legível, pode parecer simples, mas é rica de componentes complexos: Luca Vannini descreve com ilustrações límpidas e honestas as histórias do Oeste, as quais interpreta, com simplicidade e paixão, toda a poesia; ambienta a história num espaço temporal no qual mostra toda a sua capacidade narrativa, com o uso das variações de luz nas diversas horas do dia, acompanhando a mudança da atmosfera da história: as luzes variam de acordo com as horas, quase de acordo com os estados da alma dos protagonistas, e atingem grande capacidade de comunicação expressiva, sobretudo nos seus belíssimos noturnos.

O claro conhecimento do mundo do oeste, em conjunto com a síntese expressiva atingida por Luca Vannini, permitem-lhe justamente narrar com tanta exatidão cénica, desenhativa e cromática, toda a realidade da Fronteira, vista de um ângulo onde se capta uma humanidade vitoriosa e digna.

* Texto de Italo Marucci publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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Tex Willer na Sardenha

Às 18 horas de sexta-feira, 31 de Maio, Giorgio Giusfredi apresenta o cartonado de Tex “La fonte della giovinezza“, escrito por ele, com desenhos de Fabio Civitelli, e o Speciale Tex Willer 8, “Stella d’argento“, desenhado por Pasquale Del Vecchio.

Tesouros de banda desenhada. Histórias que deixam a sua marca, o Festival Internacional de Banda Desenhada organizado e promovido pela Câmara Municipal de Pimentel (SU) e pela Associação Cultural Assonanze, oferece uma abordagem multi-direcional da banda desenhada, que tem em conta a pluralidade de géneros, temas e sensibilidades presentes no panorama editorial, bem como as diferentes faixas etárias às quais uma história de banda desenhada pode ser direccionada. Para a edição de 2024, Tesori a fumetti terá a sua antestreia na sexta-feira, 31 de Maio às 18 horas e é uma antestreia totalmente dedicada a Tex!

O convidado do espaço localizado na via Margherita 18, em Pimentel é o argumentista Giorgio Giusfredi, que na ocasião apresentará o cartonado de Tex La fonte della giovinezza, escrito por ele e desenhado por Fabio Civitelli, e o Speciale Tex Willer 8, “Stella d’argento“, desenhado por Pasquale Del Vecchio igualmente escrito por Giusfredi e que estará disponível nos quiosques italianos a partir de 18 de Julho.

Speciale Tex Willer 8, ‘Stella d’argento’; capa de Maurizio Dotti

Se algum dos nossos leitores estiver no sul da Sardenha e quer descobrir (ou se aprofundar) no incrível mundo do Tex, este é o evento que não pode perder: sexta-feira, 31 de Maio às 18 horas!