José Carlos Francisco entrevistado pela Quadrinhosfera

Entrevista publicada no blogue Quadrinhosfera em 20 de Julho de 2012, por Luan Carlos Zanatta Zuchi.

A Quadrinhosfera orgulhosamente entrevista: JOSÉ CARLOS PEREIRA FRANCISCO do renomado Blogue Português do Tex!!!

Tex e José Carlos Francisco deram azo à entrevista da Quadrinhosfera

A Quadrinhosfera tem o orgulho e a honra de estrear suas entrevistas com nada mais nada menos que um dos maiores coleccionadores de Tex. O amigo José Carlos Pereira Francisco (Zeca), o timoneiro do blogue do Tex, um dos maiores feitos no que diz respeito à informação e ligação entre fãs e a gigantesca editora Bonelli.
Nesta entrevista falamos sobre o coleccionismo em geral, o mundo dos quadradinhos e todo o universo que o cerca, um pouco do presente e do futuro desta mídia.
Para quem ainda não conhece o Zeca e o blogue do Tex fica recomendado a leitura deste belo material on-line e para aqueles que já conhecem vamos mostrar um pouco deste grande fã dos quadradinhos.

Quadrinhosfera – A princípio fale um pouco de você amigo Zeca, profissão, hobby, etc.
José Carlos Francisco – Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, mais conhecido por Zeca e nasci em Lourenço Marques, a antiga designação da actual cidade de Maputo, capital de Moçambique, em África, a 13 de Dezembro de 1967, tendo vindo para Portugal, na companhia dos meus pais, em 1977. Sou casado, pai de duas lindas filhas que são o meu orgulho, a Andreia Sofia de 18 anos e a Ana Beatriz de 7 e como bom chefe de família, sou adepto e simpatizante do glorioso Benfica. Habito actualmente na região centro/norte de Portugal, relativamente próximo ao litoral, entre as cidades de Coimbra e Aveiro, mais precisamente numa localidade chamada Malaposta, pertencente ao concelho de Anadia e profissionalmente sou director de produção numa indústria de mobiliário metálico na região de Águeda, uma empresa jovem e dinâmica fabricante de todo o tipo de expositores metálicos para o comércio e indústria, a Expoluso, sendo também no campo editorial o representante da Mythos Editora em Portugal.

Quadrinhosfera – Como você se tornou um coleccionador?
José Carlos Francisco – Ao longo dos anos a banda desenhada esteve sempre presente na minha vida; quando nasci a minha mãe era proprietária de uma livraria e  ela sempre me incentivou na leitura, aliás sempre me recordo com muito carinho das histórias que a minha mãe lia diariamente para eu adormecer, foi ela que me introduziu no mundo do coleccionismo já que ela comprava e guardava esses mesmos livros, tais como os álbuns da Anita (que serviram mais tarde para eu adormecer a minha filha mais velha e que hoje leio para adormecer a minha filha mais nova com apenas 7 anos) ou do Astérix e desde então comecei a dar valor ao coleccionismo, sendo sempre muito zeloso com os itens que ganhava de presente, ou que, mais tarde, comprava, tornando maravilhosa a “arte” de coleccionar, cujo sentimento é sem dúvida nenhum indescritível, porque o valor sentimental daquilo que coleccionamos com verdadeiro fervor acaba por não ter preço, como acontece por exemplo hoje com tudo que diga respeito à minha colecção de Tex Willer, o Ranger mais temido (mas também o mais amado) do velho Oeste!
Mas antes de coleccionar Tex, coleccionei inúmeras outras revistas e séries de banda desenhada tais como Lucky Luke, Michel Vaillant, Tintin, O Mundo de Aventuras, O Falcão, Condor, Tarzan, Tio Patinhas, Mickey, Pato Donald, Zé Carioca e tantas outras, revistas essas que ainda hoje estão religiosamente guardadas em casa dos meus pais, já que o meu apartamento, infelizmente, não tem condições para eu ter ao pé de mim as milhares de revistas que fui lendo, coleccionando e guardando ao longo de várias décadas, mas a minha faceta de coleccionador não se restringiu apenas à banda desenhada, pois também fui um ávido coleccionador, entre outras coisas, de cromos, selos, moedas e latas de Coca-Cola, mas hoje em dia no que ao coleccionismo diz respeito apenas Tex Willer continua a manter a chama da paixão no seu apogeu e isso devo-o, como disse antes, à minha mãe e por isso estou-lhe eternamente grato devido ao seu empenho e infindável preocupação em que me tornasse alguém mais rico culturalmente falando, já que foi graças ao seu incentivo que me tornei uma pessoa bem informada, culta e com maior capacidade para aproveitar plenamente todas as possibilidades que a vida me foi oferecendo ao longo dos meus 44 anos, quase todos eles sempre passados com o coleccionismo na mente…

Quadrinhosfera – Na sua opinião, porque os quadradinhos tornaram-se um dos objectos mais coleccionados ao redor do globo?
José Carlos Francisco – Creio que a junção de três factores: o universo das personagens, dos autores e das próprias revistas em si, isto porque as histórias aos quadradinhos, como as chamamos em Portugal, desenvolvem no coleccionador uma profunda empatia tanto pelo apelo de determinadas personagens, como de certos autores assim como pelo aspecto gráfico das publicações em si, sempre ricamente ilustradas e cujo mundo de fantasia das histórias, nós podemos imaginar, mas há também quem coleccione tendo em conta apenas a vertente comercial já que cada vez mais a banda desenhada é um negócio rentável sobretudo no que a edições antigas e raras diz respeito.

Quadrinhosfera – Nos nossos tempos cada vez mais a Internet é quotidiana, como você vê a relação do coleccionismo de HQs (BDs em Portugal) e a nova mídia?
José Carlos Francisco – A Internet está a converter-se na melhor ferramenta para os coleccionadores de todo o mundo encontrarem “aquela” edição que andam à procura. As viagens que se faziam, ou as cartas que se enviavam em busca do último exemplar que faltava na colecção de cada um, são agora virtuais. Os sites de leilões na Internet são os locais favoritos dos coleccionadores, ou seja, a web transformou-se hoje em dia numa plataforma imprescindível para os coleccionadores de banda desenhada.

Quadrinhosfera – E quando poderemos ter o prazer de receber o grande Zeca no Brasil?
José Carlos Francisco – Até o dia 14 de Julho, estava tudo programado para eu comparecer ao próximo Fest Comix de São Paulo, em Outubro próximo (19 a 21) mas um convite de casamento de um sobrinho meu, para esse mesmo fim de semana, inviabilizou a minha presença no evento ao qual compareci em 2010 acompanhando o consagrado desenhador de Tex, Fabio Civitelli, por isso ficou adiado o meu regresso ao Brasil, mas seguramente a minha presença num dos próximos eventos brasileiros relacionados à Nona Arte ficou somente adiado para um futuro breve pois tenciono voltar a terras tupiniquins assim que a ocasião se proporcionar.

No topo edições de luxo da personagem Tex. Abaixo estatuetas da colecção das personagens da saga do ranger.

Quadrinhosfera – Como está o cenário europeu dos quadradinhos? Na sua percepção qual é o futuro da banda desenhada?
José Carlos Francisco – No que diz respeito ao meu país, a BD popular, aquela onde se integra Tex, quase que não existe mais em Portugal, pois hoje em dia nos quiosques portugueses praticamente só temos as revistas oriundas do Brasil, as enviadas pela Mythos e pela Panini e certamente com resultados, a nível de vendas, muito modestos. Já quanto à banda desenhada mais luxuosa, aquela com venda em livrarias, essa continua presente em Portugal, sobretudo por intermédio da ASA que com a “aquisição” de Tintin, reforçou a liderança nacional no segmento da banda desenhada. Astérix, Gaston Lagaffe, Corto Maltese, Blake & Mortimer e Lucky Luke são alguns dos heróis presentes no catálogo da prestigiada editora portuguesa, mas o que tem valido aos apreciadores portugueses de banda desenhada tem sido a colaboração da ASA com o jornal “Público”, que tem permitido a publicação de inúmeros lançamentos (como actualmente acontece com Thorgal) a preços bastante atractivos.
Fora de Portugal, creio que sobretudo em Itália e França o cenário ainda continua bem forte e estou plenamente convencido que o futuro a breve e médio prazo no que diz respeito aos quadradinhos ainda é risonho, sobretudo no que se relaciona aos fumetti e às edições franco-belgas, aquelas com que mais lido habitualmente, mas certamente chegará o dia em que a banda desenhada será apenas para um restrito número de apreciadores, mas acredito que tal ainda demorará umas décadas a acontecer…

Quadrinhosfera – Para encerrar conte-nos um pouco sobre como surgiu o Tex Willer Blog e como o mesmo tornou-se grande e influente fazendo a ponte entre os fãs da personagem (e das demais publicações Bonelli) e a gigante editora europeia?
José Carlos Francisco – O Tex Willer Blog, o blogue português do Tex, é uma criação do meu grande amigo Mário João Marques. Ele, tal como eu, também um grande fã e coleccionador português do Tex. A ideia nasceu da mente dele em 2006 e foi posta em prática pelo próprio Mário em Setembro desse mesmo ano e como necessidade dele publicar muitos dos textos que escrevia sobre Tex e as suas histórias e desse modo dar a conhecer a outros leitores esses mesmos textos, divulgando assim também o herói criado por G. L. Bonelli e também para mostrar que mesmo não sendo Tex publicado em Portugal, havia muita paixão pelo Ranger neste pequeno, mas belo país à beira-mar plantado. Sendo o Mário um grande amigo e sabendo do meu conhecimento sobre Tex e das minhas amizades com editores e muitos dos autores de Tex, convidou-me a fazer parte deste seu projecto logo desde o início, ao que de pronto aceitei com a condição de fazermos algo muito a sério, já que Tex para mim é algo de sagrado e ao entrar para o projecto era para fazermos algo de verdadeiramente grandioso, à altura do Tex e felizmente com o decorrer do tempo e com a ajuda e colaboração de muitos outros fãs e coleccionadores, tornamo-nos hoje em dia uma referência na Internet mundial, destacando-nos sobretudo pelas interessantes iniciativas que promovemos, como por exemplo as belíssimas entrevistas aos argumentistas e desenhadores, para além das inúmeras novidades que vamos dando em rigoroso exclusivo, sobretudo devido à forte amizade que me liga ao editor Dorival Vítor Lopes, assim como acontecia com Sergio Bonelli e hoje em dia acontece com Davide Bonelli, responsável maior da editora e com Mauro Boselli, o editor responsável por Tex na Itália. Hoje em dia creio que o blogue português do Tex se pode bem resumir em três adjectivos: informação, credibilidade e paixão. A nível das postagens, tudo passa somente por mim a nível de editoração, já que o Mário Marques infelizmente não tem tempo disponível para tal, mas a nível de conteúdo, conto com a colaboração de muita gente que me auxilia enviando textos, artigos, críticas, desenhos, fotos, traduções e novidades que eu depois só tenho o trabalho de editar e publicar. Ou seja, há uma grande equipa por trás e que torna possível que hoje em dia sejamos “grandes e influentes”, como você mesmo afirma!

Quadrinhosfera – Se desejar acrescentar mais alguma coisa que não lhe foi questionada sinta-se à vontade!
José Carlos Francisco – Apenas quero agradecer pelo convite, que me permitiu falar sobre esta minha paixão e agradecer também a quem dedicar-me-á atenção lendo esta entrevista que muito me honrou.

Quadrinhosfera – A Quadrinhosfera é que agradece a gentileza de sua parte Pard, José Carlos Pereira Francisco, em dividir com os nossos leitores um pouco de sua intimidade relativa ao coleccionismo e em particular a sua colecção de Tex.
Forte abraço e muito obrigado!

José Carlos Francisco com os editores Sergio Bonelli e Dorival Vitor Lopes

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Entrevista com o fã e coleccionador: Luan Carlos Zanatta Zuchi

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Luan Zuchi: Chamo-me Luan Carlos Zanatta Zucchi e nasci em Coronel Freitas no Oeste do Estado de Santa Catarina, Brasil, e no momento resido em Flores da Cunha, na serra gaúcha. Tenho 16 anos e dedico-me aos estudos e aos quadradinhos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Luan Zuchi: Minha relação com os quadradinhos e com Tex começaram juntas. Nunca gostei de histórias infantis como por exemplo a Turma da Mônica. Então em uma viagem feita à minha terra natal encontrei velhas revistas de banda desenhada na casa do meu querido padrinho, ainda me lembro do fascínio exercido pela primeira edição que li: “Corrida da morte”, Tex Coleção número 90. Então tivemos que voltar para o Rio Grande do Sul, mas na bagagem vieram comigo três edições antigas de Tex, porém nenhuma estava completa, mesmo assim fiquei hipnotizado pelo mundo de Tex. Em outra viagem à casa de meu padrinho trouxe comigo quase toda a coleção de Tex que “sobrevivera” a anos dentro de baús, tendo entre eles, relíquias da vida editorial dos fumetti. Foi assim que tudo começou e devo o meu envolvimento com a Nona Arte ao meu querido padrinho Arquile Zanatta, e devo a continuidade deste bendito vicio ao meu tio, e também leitor de Tex, Arlei Zanatta que me incentiva com envio de edições mensais de Tex. Agradeço a ambos.

Porquê esta paixão por Tex?
Luan Zuchi: Como fumetto Tex tem algo particular, já ouvi dizer que Tex tem duas expressões: com o chapéu e sem ele. Tex é um herói que segue um padrão muito bem estabelecido ainda em 1948, porém todos os meses as histórias que encontramos nas bancas (quiosques, em Portugal) são diferentes e entusiasmantes. Tudo isso sendo Tex um herói sem super-poderes – além de sua habilidade mestra com o Colt e Winchester. Mas Tex é além de fumetto, é parceria porque quem lê uma história texiana logo se torna mais um Pard e isso não existe ciência que explique.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Luan Zuchi: Não sei se é o clima familiar imposto pela editora, se é o tipo de colecção – sem esquemas mirabolantes como as editoras americanas – ou as próprios personagens e suas verossimilidades, apesar de Tex dificilmente aparecer recarregando os seus revólveres, mas até isso é interessante, uma certa “licença poética”. Creio que deva ser a mescla de tudo isso, talvez algo mais.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Luan Zuchi: Actualmente possuo cerca de 200 edições. A importância se dá ao conjunto de todas, mas cabe ressalvar a edição Tex de Ouro nº 29 com um desenho exclusivo e autografado por Fabio Civitelli. Aqui, se me permite, gostaria de relatar uma anedota ocorrida nesta passagem.
Para ir à Gibicon número 0, saí eu e a minha família cá do estremo sul brasileiro e atravessamos praticamente dois Estados para prestigiar tal evento em Curitiba. Na fila para os autógrafos o nervosismo e alegria misturavam-se, mas prevalecia a última. As simpatias de Civitelli e de Filippucci é algo a se ressaltar. Pedi um desenho a Civitelli e fui atendido. Quando ele terminou o desenho destinado à minha pessoa, presenteei o grande autor com uma humilde recordação, um desenho de minha autoria. O que seguiu foi algo a se guardar na mente e na alma, Civitelli do alto de sua grandiosidade pediu a mim, reles mortal, um autógrafo.
Sinceramente espero que ele o tenha guardado. Por isso essa edição é tão importante, ela é a única em que memórias de minha vivência estão gravadas junto a histórias da minha personagem preferida.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Luan Zuchi: Apenas HQ’s (BD’s em Portugal).

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Luan Zuchi: O objecto texiano que mais gostaria de possuir é a edição número 1 italiana ainda no formato talão de cheque. E claro, o final da aventura “Corrida da morte” que até hoje é uma incógnita para mim. Sim meus caros amigos a primeira aventura, aquela que me mergulhou neste maravilhoso mundo, ainda está incompleta em minha colecção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Luan Zuchi: Além dos clássicos incontestáveis e dos criadores, as aventuras que marcaram as minhas leituras foram as seguintes: “Território inimigo” em que Tex auxilia os nortistas na Guerra da Secessão em um flashback narrado para Kit Carson em uma viajem de trem. E “O passado de Kit Carson” ressaltando neste último um excelente trabalho na arte de Marcello. Actualmente nos desenhos a minha preferência é com certeza Fabio Civitelli que ao meu ponto de vista é o mais próximo da perfeição em Tex. Nos roteiros Boselli é meu preferido após papá Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Luan Zuchi: O senso de justiça atemporal e a excelência editorial. O que desagrada? Eu não ser italiano, ou quem sabe Tex não ser brasileiro. Eu realmente gostaria de ter a oportunidade de vivenciar a vida editorial na Itália (desculpem pelos sonhos de um banda desenhista).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Luan Zuchi: O que torna Tex ícone é a sua longevidade, mas o que o torna longevo é a sua qualidade ao ser exemplo de humanidade.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Luan Zuchi: Alguns amigos que também coleccionam e moram aqui mesmo em minha cidade, mas de congresso só participei da Gibicon, ao qual espero retornar na próxima edição.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Luan Zuchi: O futuro do Ranger, como tudo no mundo das BD’s, é um mistério. Pela qualidade das histórias deverá ser eterno, porém as mídias electrónicas acabam por superar a nostalgia do papel na mão e o cheiro da cola das edições. O mundo está acelerado a tal ponto que ninguém mais pára para ler um livro ou uma boa banda desenhada. Mas se as mídias forem usadas como o TexBR e o blogue português do Tex poderão salvar as BD’s de uma “parada cardíaca”. Creio que sempre haverá espaço para as edições impressas porém é evidente a necessidade de adaptação – e quem melhor que Tex para demonstrar isso, a personagem mudou de formato de tiras a gigantes e ainda assim não perdeu nenhuma de suas características. Falando como editor – algo que almejo, porém ainda está distante – se coubesse a mim o papel de decisão, eu realmente investiria em web comics, bem pensada de modo que não houvesse meio de “piratear” tal material, certamente seria mais rentável tanto para a editora (diminuição do custo de produção) e para o consumidor que poderia ler a sua personagem favorita a baixo custo. Mas já posso ouvir os conservadores ao longe gritando à procura de uma árvore e uma corda para pendurar-me, mas eu também não concordo com o fim da banda desenhada tradicional, só acharia que poderíamos com certeza ter uma série de Tex on-line seja republicação ou algo como especiais com autores convidados.

Prezado pard Luan Carlos Zanatta Zuchi, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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CiviTex por Luan Zuchi

Por José Carlos Francisco

De Luan Carlos Zanatta Zuchi, morador no Rio Grande do Sul, Brasil, um local de forte colonização italiana, recebemos esta bela homenagem dedicada a Fabio Civitelli (para aproveitar a extensão completa da imagem, clique na mesma), autor que teve o prazer de conhecer pessoalmente no decurso da Gibicon nº 0, realizada o ano passado na bela cidade brasileira de Curitiba :

Luan lê Tex desde os seus 8 anos, tendo 16 no presente. Começou a lê-lo por influência do seu padrinho, que possuía uma vasta colecção, inclusive com edições raras. Primeiramente atraído pela bela arte de Galep, pois ele já começava a traçar os seus desenhos e queria “copiar” os desenhos de Galep. Porém, afirmou-nos que a sua paixão de hoje por esta mítica personagem criada por G. L. Bonelli não existiria se as histórias não fossem tão talentosamente “tramadas” precisamente por Papa Bonelli, mas para conhecer melhor o pard Luan Zuchi não deixe de ler a entrevista que este valoroso fã e coleccionador de Tex, com jeito para o desenho, nos concedeu e que publicaremos muito em breve!

Fabio Civitelli e Luan Zuchi na Gibicon nº 0 em Curitiba, 2011

As Leituras do Pedro: Dampyr #147 – Tributo di Sangue

As Leituras do Pedro*

Dampyr #147 – Tributo di Sangue
Giovanni Eccher (argumento)
Maurizio Dotti (desenho)
Sergio Bonelli Editore (Itália, Junho de 2012)
160×210 mm, 100 p., pb, brochado, mensal
2,90 €

Resumo

Em viagem de turismo pelo Norte de Portugal, Maud, durante uma visita a umas caves de vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia, avista um fantasma que parece querer entrar em contacto com ela.

Abalada pela experiência chama Harlan Draka (Dampyr) para investigar o fenómeno, o que os levará até Miranda do Douro e ao confronto com um velho conhecido.

Desenvolvimento

Se a trama e a génese desta história já foram suficientemente dissecadas no anúncio prévio da sua publicação e nas entrevistas a Giovanni Eccher e Maurizio Dotti, confesso que a sua leitura foi uma agradável surpresa.

Desde logo porque a localização da trama em Vila Nova de Gaia e em Miranda do Douro não foi um mero capricho “turístico”, mas faz todo o sentido na forma como a história se desenrola, havendo uma muito conseguida apropriação de algumas das especificidades físicas (caves, zona ribeirinha, eléctrico #1 para o Infante…) e históricas (vinhos, perseguições da inquisição, dialecto mirandês…) dos locais para o desenvolvimento da narrativa.

Que, como é normal na série, é uma história de terror, que tem por base as perseguições aos judeus pela inquisição portuguesa no século XVI, construída de forma competente e bem balizada, com alguma acção mas em que predomina o terror psicológico e um clima de ansiedade que acaba por contagiar o leitor.

Graficamente, Dotti, embora “queixando-se” de ter apenas trabalhado a partir de fotografias, cumpre com distinção a sua missão, não fazendo da banda desenhada uma colectânea de bilhetes-postais mas tornando perfeitamente reconhecíveis os locais escolhidos como cenário da acção (ribeira de Gaia, ponte Luiz I, caves, Miranda do Douro, zona vinhateira) e credíveis os que recriou com base em (outros) elementos reais, como acontece com o fictício Mosteiro de Madalena.

A reter

– O equilíbrio entre os factos e locais reais e a narrativa ficcionada, que resulta numa história interessante e credível.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.