Entrevista com o fã e coleccionador: Manuel Jasmim

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Manuel Jasmim: Sou de Teresina, capital do Piauí (um estado do nordeste brasileiro). Atualmente moro em Brasília, por conta do trabalho (servidor público). Nas horas vagas, arrisco a carreira de escritor.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Manuel Jasmim: Sempre achei engraçado a diferença entre os portugueses de Brasil e Portugal. Falo isso porque, para responder a essa pergunta, primeiro tive de pesquisar o que é ‘banda desenhada’ [risos].

Voltando à pergunta, meu interesse por banda desenhada surgiu quase que simultaneamente à minha alfabetização. Lembro que, pouco antes de aprender a ler, já pedia à minha mãe para ler quadrinhos para mim.

Quando descobriu Tex?
Manuel Jasmim: Meu pai e alguns tios leem Tex há muito tempo. Às vezes, via alguma revista em casa, mas nunca me interessava por ler (acho que por conta do distanciamento provocado pela falta de cores).
Até que um dia, por volta de 1993, em uma ida à banca de revistas vi a edição gigante ‘A Marca da Serpente’ e pedi para o meu pai comprar.
Desde então, acompanho o personagem e outros da Bonelli.

Porquê esta paixão por Tex?
Manuel Jasmim: Como não se apaixonar? Roteiros bem escritos, desenhos fantásticos e personagens que lhe cativam. Não é à toa que já existe ininterruptamente há setenta anos.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Manuel Jasmim: Em primeiro lugar, os valores que o personagem possui e dos quais não se distancia ao longo das histórias. Além disso, a proximidade das histórias com a realidade da época. Apesar de ser um verdadeiro herói, ele e seus companheiros são seres humanos como nós, que buscam deixar o mundo mais justo.

Uma coisa que chama muito a atenção também são os vilões. Nem sempre são pessoas más, às vezes temos personagens que por conta de uma circunstância estiveram no caminho de Tex e o ranger soube dar uma nova chance ou se esforçou para que tivessem um julgamento adequado.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Manuel Jasmim: Acredito que algo em torno de 700 exemplares. As muitas mudanças que fiz não me permitiram consolidar a coleção em um espaço só e hoje muitas das minhas revistas estão espalhadas pelo país.

Tenho um carinho especial por ‘A Marca da Serpente’ (primeira que li) e ‘A Mão Vermelha’ (episódio em que realmente descobri que aquele universo era o meu preferido nos quadrinhos).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Manuel Jasmim: Tenho alguns colecionáveis, mas a minha prioridade são as revistas mesmo.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Manuel Jasmim: Do personagem, seria difícil escolher entre a estrela de ranger e a camisa indígena. Dentre o que já foi publicado, queria pelo menos um exemplar de cada país onde há revistas do Tex.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Manuel Jasmim: Essa é a pergunta mais difícil de toda a entrevista. De cara, me vem à mente ‘Orgulho navajo’ e ‘O passado de Kit Carson’. Se penso um segundo a mais, já aparecem ‘Juramento de vingança’, ‘Chinatown’, ‘O bando dos irlandeses’, ‘Missão em Great Falls’, ‘A marca da serpente’… Daqui a pouco vou ter de classificar por década de lançamento ou por autor.
São muitos os desenhistas que aprecio no universo do Tex. Quando comecei a colecionar, tinha uma predileção por Galep, Letteri e Civitelli (apesar dos estilos bem diferentes). Hoje, acrescentei à lista o Villa e o Ortiz.
Com todo o meu respeito aos Bonelli (Giovanni e Sergio) e ao Nizzi, mas o autor que mais me agrada é o Mauro Boselli. Como participação especial, gostei muito das escritas pelo Antonio Segura.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Manuel Jasmim: O que mais me agrada é que o nível das histórias continua muito alto, mesmo sendo publicado há décadas, além de ter autores que se preocupam em trazer argumentos que surpreendem os leitores positivamente. A participação dele em eventos históricos também é um ponto alto de seu universo.
O que me agradava menos (mas tem sido corrigido nos últimos anos) era a pouca integração com o canône da série. Muitos personagens – principalmente coadjuvantes – não reapareciam, enquanto o ranger reencontrava ‘velhos conhecidos’ que nunca tinham mostrado as caras até então. Cheguei a escrever duas cartas para o Sergio Bonelli entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, onde toquei nesse assunto (não sei se ele chegou a ler, mas nunca tive resposta).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Manuel Jasmim: Acredito no conjunto da obra, desde a criatividade na concepção do personagem à qualidade da execução das histórias. Percebe-se claramente a preocupação editorial em manter o nível das aventuras e dos colaboradores das revistas.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Manuel Jasmim: Na verdade, conheço muitos poucos colecionadores fora do meu ambiente familiar. Hoje participo de alguns grupos no facebook e é lá onde vejo mais interação. Inclusive tenho interesse em me corresponder com leitores de outros países, para troca de exemplares do ranger em outras línguas (mjasmim@hotmail.com).

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Manuel Jasmim: Apesar de toda a crise do mundo editorial, as publicações do Tex têm se mantido com uma boa regularidade e uma enorme quantidade de séries. Estou gostando muito dessa fase mais recente, onde o universo das histórias está se tornando mais canônico (várias histórias resgatam personagens que já apareceram), além da integração com o universo dos outros personagens da Bonelli (vide o último Tex Anual, ‘Três Irmãos, e o encontro com o Zagor, previsto para o fim desse ano).
Pra continuar com chave de ouro, o Brasil merecia uma visita do Tex em uma aventura (além, é claro, da nossa expectativa de um dia ver o personagem ser escrito/desenhado por um brasileiro).

Prezado pard Manuel Jasmim, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. É sempre uma satisfação ler as experiências dos outros pards! Parabéns pela bela coleção e ótima entrevista!

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