ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2018: O ANO DE TEX

O final de cada ano é desde sempre o momento para fazer balanços. E, claro, Saverio Ceri não poderia deixar de nos dar os números totais relativos à produção Bonelliana ocorrida em 2018. Convidamos-vos a encontrar as edições anteriores da sua rubrica se acabou por as perder, pois estamos seguros que após estas novas estatísticas, ficarão tal como nós, à espera da próxima.

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2018

Por Saverio Ceri

BONELLI 2018: O ANO DE TEX

O ano que acabou de encerrar foi, como era facilmente previsível, o ano de Tex. Se o Ranger em 2017 saiu pela primeira vez, depois de 49 anos, do pódio das personagens bonellianas mais publicadas, em 2018 reentrou nesse mesmo pódio e logo no degrau mais alto desta classificação, depois de 11 anos de domínio dylandogghiano e ainda por cima estabelecendo o record histórico de páginas publicadas no decurso dos doze meses do ano.

Esta icónica ilustração (da autoria de Claudio Villa) de Tex foi realizada por ocasião dos cinquenta anos, mas parece-nos ser a ideal para festejar o fabuloso ano do Ranger

Reiteramos de seguida a premissa para os recém-chegados.

Aquelas que se seguem são classificações de quantidade, não de qualidade; são elaboradas considerando as páginas inéditas produzidas pela Sergio Bonelli Editore e publicadas exclusivamente pela própria editora Bonelli no decurso do ano. Não encontrarão assim todos os autores bonellianos, que dia após dia trabalham para a editora, mas apenas aqueles que nos últimos doze meses foram publicados; aparecerão assim autores que talvez já não trabalhem mais, mas cujas histórias ainda não tinham sido publicadas; não encontrarão também alguns autores que actualmente produzem material para a Sergio Bonelli Editore, mas cujas histórias não foram ainda programadas nas várias séries da editora italiana. Não encontrarão igualmente as páginas produzidas pela Bonelli, mas publicadas por outras entidades (como os livretos publicados por ocasião de eventos de banda desenhada), tal como não serão contabilizadas as páginas não inéditas, quer tenham sido publicadas em álbuns bonellianos ou não. Ou seja, de modo a uma melhor compreensão, não encontrarão os dados das várias histórias reimpressas em edições de livraria, a não ser na questão das cores, como no caso do recente volume de Nathan Never, Odissea nel futuro, onde as cores são contabilizadas porque foram realizadas propositadamente para a ocasião, ou episódios como “Tre tipi tosti” de Dragonero republicado no último Magazine do personagem, mas originariamente publicado em apêndice ao volume”Minaccia all’impero” distribuído nas livrarias em Setembro de 2017.

Em comparação com os anos anteriores devo fazer uma premissa adicional: os números que se seguirão correm o risco de não serem completamente exactos.Algumas histórias são realizadas a mais mãos, muitas mãos. Esta abundância de assinaturas, provavelmente impede a redacção de indicar quantas páginas em cada álbum sejam desenhadas por cada um dos ilustradores. Por isso temos edições onde temos de dois a oito desenhadores, muitos dos quais estreantes (e consequentemente com um traço menos reconhecível), “amalgamados” em alguns casos por coloristas, que se por um lado com o seu trabalho facilitam a fusão entre os estilos evitando cortes brutais nas diferentes artes, por outro complicam a atribuição dos autores dessas mesmas artes. Assim sendo ao tentar creditar o melhor possível as várias páginas de cada edição, não é de todo garantido que o consigamos; assim exorto os desenhadores e os coloristas destas edições multi-assinadas a reportarem-me imprecisões, se as detectarem, ajudando-me assim a corrigir as cronologias das séries envolvidas, atribuindo a cada um os próprios méritos.

Os números

As páginas inéditas publicadas em 2018 foram 23.452, ou seja 1,32% a menos comparativamente ao ano passado. Destas 1290,67 (5,62% a mais em relação a 2017) foram produzidas para o circuito de livros (ou ainda para venda directa no shop online e para os eventos relacionados com a banda desenhada). O porquê do número decimal iremos descobri-lo mais à frente; agora o facto curioso é que diante de uma diminuição, embora ligeira, do número de páginas produzidas, foram aumentadas as páginas inéditas destinadas principalmente às livrarias, isto não obstante as páginas de banda desenhada publicadas no decurso de 2018, cerca de 13% a menos comparativamente aos doze meses precedentes. O dado por agora é considerado apenas “curioso” e não “interessante”, porque no fundo estamos a falar apenas de 5,50% de páginas inéditas para livros, contra uns 5,13% em 2017: movimentos mínimos que podem ser simplesmente fruto do acaso e não de uma mudança estratégica por parte da editora milanesa. Um novo record, o de 219 edições predominantemente inéditas publicadas em 2018, evidencia por sua vez uma outra tendência, ou seja de edições cada vez mais “magras”. A média este ano cifra-se nas 107,09 páginas inéditas por álbum, 3,58% a menos em comparação com 2017, mas sobretudo 17,52% a menos do record histórico de 129,54 páginas que remonta há 7 anos.

Uma das novidades em 2018 – voltaram as striscias – Capa de Sedioli (lápis) e Verni (tinta)

Voltando ao mercado das livrarias, assinalamos que as publicações destinadas a este circuito este ano foram 49 (+19,51% comparativamente a 2017), entre republicações, inéditos, temáticos e art books. Em média as páginas de banda desenhada contidas nos volumes para livrarias caem 27% em relação ao ano de 2017. Ambos os dados são “alterados” devido a uma das “novidades” de 2018: as striscias de Zagor que em 6 edições apresentaram o que normalmente vem publicado em menos da metade de um volume, incrementando assim  o número das publicações, mas diminuindo drasticamente a média de páginas por edição. Para a queda da média contribuiu também a edição dos Bonelli Kids que apresenta apenas 22 tiras inéditas, ao contrário das 14,67 páginas “clássicas” publicadas em 2017 na Internet. Isto explica o número decimal citado anteriormente.

As séries e as personagens

O ano de dois mil e dezoito assinalou o nascimento oficial da linha Audace, a linha “adulta” da Bonelli, embora uma pequena amostra já tinha sido vista com o primeiro volume de Senzanima, apresentado em Lucca durante o ano de 2017. Das 28 séries publicadas nos doze meses de 2018 e que podem ser vistas de seguida na classificação que apresentamos, 5 são atribuíveis a esta nova linha dos “conteúdos explícitos”, enquanto 4 são as colecções “young” dedicadas aos jovens leitores, colecções estas que em 2018 sofreram um revés até à estreia da série Dragonero em desenhos animados. De assinalar o regresso, embora na versão Audace, de Mister No, o histórico personagem criado por Sergio Bonelli.

O regresso de Mister No, numa espécie de What if… bonelliano – O que teria acontecido se Jerry Drake tivesse nascido vinte anos depois – Capa de Emiliano Mammucari

No ranking que se segue poderão encontrar todas as séries classificadas pelo número de páginas inéditas publicadas durante o ano de 2018 e na última coluna encontrar as variações com relação às posições ocupadas em 2017 e ao lado, quando necessário, um quadrado amarelo que indica que o resultado obtido em 2018, no que diz respeito a páginas publicadas, é o melhor de sempre para a personagem; o Record Histórico (RS) se escrito a verde foi batido, se em cor de laranja simplesmente igualado.

Como mencionamos no início, após onze anos de indiscutível domínio dylandogghiano volta a festejar Tex, que não apenas conquista o seu 48° “scudetto” bonelliano, mas também estabelece um novo record histórico de páginas publicadas em apenas um ano por um personagem, precisas 2906; talvez apenas o Rato Mickey em todo o mundo possa gabar-se de ter uma produção maior, embora eu não conheça assim tão bem as vicissitudes editoriais do Rato Mickey a nível planetário para ter a certeza. A Dylan Dog, que por sua vez também obtém o record “pessoal” de páginas publicadas num ano, não resta do que abdicar e acomodar-se no segundo lugar mais alto do pódio. Nathan Never que em 2017 foi segundo, embora melhorando o resultado este ano no quesito de páginas publicadas, foi obrigado a sair do pódio, superado por  Zagor que também superou o seu próprio record de páginas anuais publicadas, conseguindo entrar no restrito lote de personagens no pódio. Record histórico também para Dragonero que se destaca com o número de publicações inéditas, precisas 25, graças não apenas à versão “adulta”, mas também à versão “jovem”. Com as páginas deste ano Dylan Dog supera a barreira das sessenta mil páginas publicadas, Mister No a das quarenta mil; enquanto Dampyr torna-se o oitavo personagem mais publicado de sempre pela Editora Bonelli, ultrapassando O Pequeno Ranger, parado desde os anos Noventa do século passado.

Também graças à nova série Tex atingiu um número impressionante de páginas publicadas em 2018. Capa de Maurizio Dotti

De precisar que as páginas dos team up entre personagens foram atribuídas à colecção “hospedeira”, assim no caso do recente encontro entre Dylan Dog e Martin Mystère, todas as páginas foram atribuídas ao Detective do Impossível, assim como a Zagor foram atribuídas as do encontro com Brad Barron e a Morgan Lost aquelas do crossover com o Investigador do Pesadelo. O número decimal nas páginas de Martin Mystère deriva da necessidade de acrescentar uma vinheta a uma das sequências em Martin Mystère Presenta, que de alguns anos para cá deixou de ser um livreto, para ser integrado como flip book, no especial do Detective do Impossível.

Os argumentistas

Após quatro anos de sinal positivo, desta vez o número de escritores envolvidos nas edições bonellianas volta a cair. Foram 78, contra os 92 de 2017, os argumentistas que teceram as tramas dos 219 álbuns inéditos, publicados no ano que acabou de findar. Doze foram os estreantes na Casa Bonelli, entre eles um certo… Dario Argento que alcançou a sexagésima quarta posição. Na tabela que se segue pode-se encontrá-los pelo número de páginas publicadas, descobrir em quais personagens colaboraram e se o resultado dos últimos doze meses é o seu Personal Best (PB), ou se se estão a estrear (E), na editora milanesa. Os muitos números periódicos que encontrarão são filhos de histórias escritas a mais mãos e de páginas de formato não clássico (como aquelas dos Bonelli Kids).

Menos óbvia do que o esperado é a enésima vitória anual de Mauro Boselli, que conseguiu o décimo quinto sucesso, o oitavo consecutivo e o vigésimo pódio na sua carreira bonelliana.

Mauro Boselli, o vencedor habitual na categoria dos argumentistas

Mauro, de facto, até ao início de Setembro seguia bem distante de Pasquale Ruju, com cerca de 600 páginas de atraso, mas nos últimos quatro meses de 2018 uma incrível explosão, de mais de 1000 páginas publicadas, permitiu-lhe uma vez mais vencer esta classificação especial. Na história da editora milanesa apenas G.L. Bonelli entre 1949 e 1958 conseguiu fazer melhor, vencendo dez vezes consecutivas.O único que impediu que este record fosse superado foi involuntariamente o mesmo Pasquale Ruju, visto que em 2010 foi mais prolífico do que Boselli. Sem essa vitória estaríamos agora a festejar a décima primeira vitória consecutiva de Mauro Boselli. Para Ruju é o quinto pódio da carreira, assim como para Stefano Vietti, terceiro classificado: ambos regressam pela primeira vez ao pódio após 2012. Atrás deles vem Jacopo Rauch que pela primeira vez na carreira entra no top ten anual dos argumentistas bonellianos mais prolíficos, graças ao seu record pessoal de páginas publicadas num ano. O mesmo vale para o colega zagoriano Antonio Zamberletti: record e primeira histórica presença no top ten. Sete foram os autores que conseguiram manter o posto entre os primeiros dez, comparativamente a 2017. Saíram Burattini (após nove anos consecutivos de presença neste restrito circulo), Eccher e Faraci. Para a história Boselli alcança a sua 25ª presença consecutiva no Top Ten.

Claudio Chiaverotti, alcançou o trigésimo ano de publicação consecutiva para a editora Bonelli

Entre os escritores publicados em 2018 o mais veterano continua a ser Alfredo Castelli, que atingiu o seu 47º ano bonelliano, seguindo-se Giancarlo Berardi que publica edições para a SBE há 41 anos e Maurizio Mantero que se estreou em 1979. Além disso, o já citado Castelli, atingiu o seu 42º ano consecutivo de publicação, Mignacco é publicado ininterruptamente há 32 anos, seguindo-se Vigna (31 anos), Chiaverotti (30), Boselli (29), Burattini (28), Manfredi e Berardi (25), Ruju (24), Vietti (23), Enoch (22), Barbato e Mantero (21).

Os desenhadores

Novo record de desenhadores publicados em edições bonellianas num só ano: 229, entre os quais 47 estreantes (outro record). Tal como anteriormente com os argumentistas, mostramo-los de seguida pelo número de páginas publicadas.

Finalmente é o ano de Gianni Sedioli, que já por duas vezes, em 2008 e 2014, tinha superado as 500 páginas publicadas num ano, mas em ambos os casos teve que se contentar com a medalha de prata, primeiro atrás de Cascioli e depois de Roi. Desta vez com apenas (apenas, como quem diz) 487 páginas consegue vencer o seu primeiro “scudetto” dos desenhadores bonellianos. Bom resultado de Marcello Mangiantini que não apenas é o único desenhador do top ten de 2017 a a estar presente também em 2018 nos primeiros dez, mas inclusive conseguindo subir um lugar do pódio, de terceiro para o segundo posto; além disso, Mangiantini consegue o seu terceiro pódio nos últimos quatro anos, o quarto na sua carreira. No degrau mais baixo do mesmo pódio ficou Alessandro Nespolino, que pela primeira vez vence uma medalha; à parte este último todos os outros desenhadores entre os primeiros dez, tinham já alcançado na sua carreira o top ten, alguns apenas por uma vez, como são os casos de Raffaelli, Dotti ou Ginosatis, outros já por dezassete vezes como é o caso dos irmãos Di Vitto.

Gianni Sedioli, o desenhador mais publicado pela editora Bonelli em 2018

Na classificação dos desenhadores aparece pela última vez Renzo Calegari, que concluiu a sua parábola bonelliana iniciada em 1954, com a história Gli eroi del Messico publicada postumamente em Le Storie em 2018. O decano entre os desenhadores do ano findo é Giovanni Ticci, cuja carreira bonelliana se iniciou em Janeiro de 1967, seguido de Roberto Diso, bonelliano desde 1975 e de Giancarlo Alessandrini, estreante em 1977. Come sempre mencionamos os desenhadores mais constantes, publicados ininterruptamente há décadas como são os casos de Giovanni Freghieri, que está presente pelo 34º ano consecutivo, um a mais do que a dupla Montanari & Grassani; Seguem-se Brindisi publicado ininterruptamente desde há 29 anos, Rodolfo Torti há 26, Michelazzo há 24, Enoch há 23 e Piccoli há 21.

Os capistas

Novo record também para os capistas; neste ano que acabou de findar para realizar aquele que muitos consideram o desenho mais importante do volume foram chamados 64 ilustradores. Outro record foram as 271 capas publicadas em 2018: 218 para álbuns contendo histórias inéditas; as restantes para edições reimpressas para quiosques, reimpressões para edições de livraria, capas variantes, livretos e volumes não contendo banda desenhada. Não foram contabilizadas as capas realizadas pela redacção Bonelli tendo por base vinhetas extraídas das páginas das histórias, ou capas realizadas usando ilustrações feitas no passado por ocasiões de eventos de banda desenhada ou para edições estrangeiras.

Segundo triunfo para Gigi Cavenago, capista de duas séries mensais; completam o pódio, tal como em 2017, Alessandro Piccinelli e Claudio Villa. De assinalar a presença na classificação também dos dois ilustradores que se ocuparam de quatro romances em prosa dedicados aos jovens heróis bonellianos: Bonetti e Barbieri; para o primeiro trata-se de uma estreia absoluta na editora Bonelli,enquanto o segundo já tinha ilustrado uma capa para o Dylan Dog Color Fest no passado.

Auto-retrato de Gigi Cavenago, pelo segundo ano o capista mais empenhado na editora da Via Buonarroti

Os coloristas

Em contraste com o passado recente, a contribuição dos coloristas nos fumetti bonellianos. Em 2018 as páginas que a SBE encomendou para colorir foram 6833,67 (-11,60% comparativamente a 2017), das quais 5779,67 inéditas (-4,58% sempre em confronto com os doze meses anteriores); a incidência das páginas a cores sobre o total das páginas produzidas decaiu para  24,64%; os coloristas (ou estúdios de colorização) empenhados subiram para 67 (novo record para a editora). O facto positivo é que em 2018 a atribuição das cores foi um pouco mais pontual, embora uma pequena parte das páginas continuasse não creditada; por esse motivo na parte inferior do ranking estão algumas páginas coloridas… não se sabe por quem. Em todo o caso, tal como para os desenhadores eu tentei identificar quem coloriu o quê, mas não tenho a certeza de ter conseguido, por isso a classificação que se segue pode conter algumas incorrecções. Uma precisão: não estão atribuídas páginas já coloridas em precedentes ocasiões e simplesmente republicadas; por isso não surgem na contagem as páginas do Tex Classic (as cores foram as usadas originalmente na Collezione Storica do La Repubblica), enquanto no caso da série Dylan Dog de Tiziano Sclavi, a Bertelè foram atribuídas apenas metade das páginas, porque mais do que coloridas, foram enriquecidas com efeitos vintage, as páginas que já estavam coloridas. Eis a classificação completa:

Terceira vitória consecutiva para o Arancia Studio que se ocupa praticamente em exclusivo de Morgan Lost. Também Luca Bertelè alcança o pódio pelo segundo ano consecutivo, graças ao seu trabalho em exclusivo para a reedição dedicada a Dylan Dog de Sclavi; a completar o pódio encontramos Oscar Celestini o colorista principal das séries dedicadas a Tex.

Luca Bertelè, novamente no pódio dos coloristas mais activos, graças ao trabalho em Dylan Dog de Tiziano Sclavi

Série por série

4Hoods
Naquela que poderá ser a única temporada do quarteto aventuroso criado por Recchioni, o principal argumentista foi Rossi Edrighi, o principal desenhador Riccardo Torti e o principal colorista Bagnoli.

Comissário Ricciardi
Na primeira safra “completa” da transposição para a banda desenhada do personagem de Maurizio De Giovanni, o argumentista principal foi Terracciano, enquanto o desenhador mais publicado foi Siniscalchi. Entre os coloristas um empate entre Carotenuto e Matrone.

A versão em banda desenhada do Comissário Ricciardi. Desenho de Daniele Bigliardo

Creepy Past
Também para o horror adolescente de Enna e Di Gregorio pode tratar-se de uma única temporada, e os dois argumentistas dividiram equitativamente os seus deveres, escrevendo cada um 180 páginas. Entre os desenhadores Rigano é o vencedor da classificação de 2018. O colorista principal do ano foi Dottori.

Dampyr
Depois do título de Falco em 2017, Boselli voltou a ser o escritor mais prolífico do ano dampyriano de 2018 com 564 páginas, conquistando o seu décimo sétimo “scudetto” em 19 anos de presença do personagem nos quiosques italianos. Entre os desenhadores venceu pela segunda vez Del Campo graças às 160 páginas do Especial.

O “quadro” realizado por No Curves utilizado como capa da edição para livraria de Dampyr 224

Dragonero
Com o record de 1199 páginas publicadas, Vietti é pela quinta vez o argumentista mais produtivo do ano em Dragonero. Entre os desenhadores vence pela primeira vez Olivares graças às 188 páginas publicadas em 2018. De assinalar que com as páginas publicadas no ano findo Rizzato superou Matteoni na classificação geral da série tornando-se, no presente, o desenhador mais produtivo do personagem.

Dylan Dog
Gigi Simeoni pela primeira véz foi o escritor mais publicado do ano nas diversas colecções dedicadas ao Investigador do Pesadelo com 470 páginas; entre os desenhadores foi o veterano Casertano com as suas 254 páginas a alcançar o seu quarto titulo dylandogghiano.

O Dylan Dog desenhado por Corrado Roi numa história escrita por Dario Argento

Júlia
Obviamente é Berardi com 819páginas, a metade do total, visto que assina a quatro mãos todos os argumentos o escritor mais prolífico de Júlia. Entre os desenhadores, com 252 páginas vence pela quarta vez na sua carreira, Boraley.

Martin Mystère
Lotti
repete a vitória de 2017 como escritor de Martin Mystère mais publicado; em 2018 com 539 páginas, record pessoal, ascendendo ao quinto posto em absoluto na classificação dos escritores do Detective do Impossível. A mesma sorte teve Paolo Ongaro entre os desenhadores, que alcançou o quinto posto em absoluto entre os ilustradores graças às 372 páginas (record pessoal também para ele) que lhe permitiram ser em 2018 pela quarta vez na sua carreira o desenhador mais produtivo do ano mysterioso.

Mercurio
Loi
Ponchione com 98 páginas foi o desenhador mais publicado em 2018 em Mercurio Loi, que inevitavelmente viu o seu criador Bilotta como argumentista principal. O trio Piscitelli, Righi, Meloni com duas histórias cada um foram os coloristas mais empenhados nos últimos doze meses na série.

Para uma série original quer-se capas originais, como a de Manuel Fior para Mercurio Loi

Morgan Lost
Chiaverotti
obviamente foi o escritor mais publicado em Morgan Lost (assim como em Brendon), sendo o único autor desde a sua estreia. Entre os desenhadores, por sua vez, vence pela segunda vez Romeo com 192 páginas.

Nathan Never
A redacção de Nathan Never, também em 2018, com 3178 páginas, continuou a ser a mais produtiva da editora Bonelli. Zamberletti no ano da sua estreia, com 377 páginas foi o escritor mais publicado do ano findo, bateu Vigna, vencedor nos três anos precedentes, por apenas uma página; este último “contentou-se” em 2018 em voltar a ser o escritor mais publicado de todos os tempos em Nathan Never destronando Vietti, que tinha assumido o comando em 2006, precisamente ao próprio Vigna. Segundo título neveriano entre os desenhadores para Gradin graças às 284 páginas do Maxi primaveril.

Orfani
Recchioni
pla sexta vez foi o escritor mais publicado nas séries de Orfani, mas também este ano divide o degrau mais alto do pódio com Monteleone, ambos com 282 páginas. Genovese com 126 páginas, foi pela segunda vez o mais publicado entre os ilustradores. Enquanto aguarda por ulteriores Especiais da saga, com as páginas da edição Extra de 2018 Genovese tornou-se também o mais prolífico desenhador de toda a série.

Um dos protagonistas de Terra, a saga de Orfani a quem foi dedicado o primeiro especial da série. Desenho de Gipi

Le Storie
Morales
, cinco anos após a sua morte continua a regalar-nos com aventuras de banda desenhada, tanto que em 2018 foi o escritor mais publicado em le Storie com 220 páginas. Entre os desenhadores, Lucchi, graças às 126 páginas do Especial a cores foi o desenhador mais publicado em 2018.

Tex
Ruju
graças ao record pessoal de 1216 páginas, foi em 2018, pela primeira vez na sua carreira, o escritor mais publicado em Tex. Primeiro “scudetto” texiano (depois de ter acumulado 6 em Dampyr) também para Dotti, que com as 380 páginas publicadas supera os outros vinte colegas empenhados em Tex neste ano findo. Sim, porque no ano comemorativo dos seus 70 anos registaram-se mais dois records internos na série: 9 argumentistas e 21 desenhadores empenhados em contar as aventuras do Ranger; em ambos os casos trata-se do número mais alto de sempre para a selectiva colecção emblemática da editora Bonelli.

Zagor
No ano record para a redacção de Zagor, Rauch interrompe depois de 20 anos o domínio de Burattini, para ele 886 páginas publicadas em 2018. Sedioli, com as suas 487 páginas venceu pela quarta vez na sua carreira o título de desenhador de Zagor mais publicado num ano.

Uma nova mini-série de Zagor que veremos em 2019

Os Especiais

Número de páginas “fora-de-série” em queda comparativamente com 2017; em 2018 foram 7664,33 (-8,05% em relação a 2017). Com os 49 álbuns especiais do ano transacto (15 a menos do que em 2017), as edições extra bonellianas atingiram a marca de 850 volumes em quase quarenta anos, com aquele mítico Cico Story do Verão de 1979.  Os autores mais “especiais” de 2017 foram zagorianos: entre os argumentistas Rauch com 604 páginas; entre os desenhadores os irmãos Di Vitto com 318 páginas publicadas em álbuns fora-de-série. Completa o tríptico Piccinelli com 6 capas destinadas aos fora-de-série de 2018. O personagem a quem foram dedicados mais Especiais nos últimos doze meses foram Nathan Never com 10 edições (quase uma por mês), já com relação ao número de páginas vence, pelo décimo segundo ano consecutivo, Dylan Dog, com 1508 páginas.

Os dois mais longevos protagonistas do fumetto italiano desenhados por Piccinelli, principal capista para álbuns fora-de-série em 2018

Classificações históricas

Entre os argumentistas bonellianos assinalamos que Boselli superou a fasquia das 40.000 páginas, o segundo autor na história da editora, de pois de G.L.Bonelli, enquanto Vietti superou a barreira das 20.000, entrando assim num restrito clube que até agora contava apenas com dez autores. O único movimento no Top Twenty all-time foi a ultrapassagem de Faraci às custas de  Lavezzolo no décimo oitavo posto. Na análoga classificação dos desenhadores: os irmãos Di Vitto reconquistam o nono posto às custas de Freghieri, enquanto saiu do Top Twenty Ortiz que cedeu o 20° posto a Civitelli, mas tendo sido também ultrapassado pelos Esposito Bros e por Casertano. Para os desenhadores obviamente é impossível atingir os números dos escritores, tanto que apenas dois autores na história da Bonelli conseguiram superar a barreira das 20.000 páginas; quatro atingiram as 15.000; sete a barreira das 10.000; à marca das 5.000, em 2018 juntou-se Siniscalchi, 28° ilustrador a ter alcançado as 5.000 páginas para a editora da Via Buonarroti. O versátil autor salernitano – que tem a particularidade de ter desenhado para 11 séries bonellianas -, é o primeiro nascido nos anos Setenta a atingir a barreira das 5.000.

Anos dez

Permanecendo nas classificações históricas, demos uma olhada à última década em curso, actualizando a situação no final de 2018, com ’90% do caminho já percorrido: abaixo pode-se então ver os dez argumentistas e os dez desenhadores mais produtivos da Bonelli nestes últimos nove anos.

Entre os escritores já é certo que Boselli irá vencer pela segunda década consecutiva o título de escritor principal da Bonelli, e depois deste último ano também se pode dizer que o pódio já está delineado, a menos que Ruju não consiga publicar mais do que 300 páginas em relação a Vietti em 2019. Burattini praticamente já deixou de ser hipótese para o pódio, tal como os restantes argumentistas que o seguem: para ele está reservado o honroso 4º lugar nesta década que está para concluir. Da quinta à oitava posição a situação é bastante fluída e tudo pode acontecer visto o calibre dos nomes envolvidos. Assinalamos a reentrada de Enoch na décima posição, o que o torna o único autor presente nas duas classificações. Entre os desenhadores as primeiras três posições parecem definidas e, à parte clamorosos scores que poderão acontecer em 2019, também neste caso o pódio da década parece já estar delineado. A luta pelo quarto lugar ainda está em aberto: Enoch, estando também empenhado nas vestes de argumentista, provavelmente não conseguirá manter essa posição, ainda mais tendo em conta os autores que o perseguem, mas com as 2.000 páginas acumuladas até agora, não deve correr o risco de sair do top ten. Podemos já antecipar que Villa e Dylan Dog serão, dada a vantagem, o capista e o personagem mais publicados da década.

Fabio Civitelli exibe uma sua prancha da história a publicar no número 700 de Tex com argumento de Mauro Boselli

E com isto arquivamos também 2018, o ano de Tex…  e 2019 corre também o risco de o ser novamente tendo em conta a série paralela recentemente inaugurada: quota 3000 páginas está a um passo! Além disso, nos primeiros meses do ano, à parte o número 700 da série regular, o Ranger atingirá a histórica marca das 100.000 páginas publicadas (em cerca de 700.000 de toda a história da editora milanesa).

Um último número antes de encerrarmos: 324. Foi o número de autores, entre argumentistas e desenhadores empenhados em 2018 nos diversos álbuns bonellianos; apenas três comparecem em todas as classificações principais (argumentistas, desenhadores e capistas), deixo a vós a tarefa de descobri-los. E com esta “caça ao tesouro” desejamos a todos os nossos leitores um bom 2019.

Saverio Ceri
Material apresentado no blogue Dime Web em 21/12/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018, Saverio Ceri

3 Comentários

  1. Galera os titulos da Bonelli fazem sucesso fora da Itália e Brasil?

    E teria número de vendas na Itália?

    Muito obrigado

    • Prezado Hercule Poirot,
      As edições Bonelli são publicadas em diversos países, sinónimo de sucesso. Pode ver a lista de países e personagens publicados indo a http://www.sergiobonelli.it/sezioni/660/licensing

      Quanto a número de vendas na Itália, deixamos de seguida valores não oficiais que se encontram disponíveis na Internet:

      Vendas Bonelli (não oficial)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *