Falecimento de Decio Canzio, mítico director geral da SBE, editor e argumentista de Tex

Por José Carlos Francisco

Decio Canzio (27 de Outubro de 1930 - 4 de Janeiro de 2013)

DECIO CANZIO (1930-2013)

Decio Canzio, histórico director geral da Sergio Bonelli Editor, cargo que ocupou, até 2006, por 3 décadas, nascido em Milão a 27 de Outubro de 1930, faleceu com 82 anos na manhã desta sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013.

Decio Canzio e José Carlos Francisco, em 2002

Tive o grande prazer e a grande honra de conhecer pessoalmente Decio Canzio em 2002 (e de revê-lo em 2006 e 2009) aquando da minha primeira visita à editora italiana. Canzio, verdadeiro braço direito de Sergio Bonelli até praticamente ao falecimento do editor milanês, era uma espécie de super-editor já que supervisionava todas as séries bonellianas, Tex inclusive, mas também um argumentista de alto quilate. Escreveu para Tex (quando teve que substituir temporariamente Claudio Nizzi), Zagor e Il Piccolo Ranger, para além de ter realizado também o roteiro para dois volumes da série “Un uomo un’avventura“: “L’uomo del Nilo” e “L’uomo del Messico“, ambos desenhados por Sergio Toppi.

Fernanda Martins, Decio Canzio e José Carlos Francisco, em 2006

No que a Tex diz respeito, Decio Canzio escreveu, em 1994, duas histórias, embora numa delas contando com a colaboração de Claudio Nizzi, num total de 342 páginas: L’oro di Klaatu, Tex italiano 401 a 403 (“O ouro de Klaatu“, Tex brasileiro 311 a 313) desenhada por F. Fusco e Il messaggio cifrato (em colaboração com Nizzi), Tex italiano 405 e 406 (“A mensagem cifrada“, Tex brasileiro 315 a 317), com desenhos de G. Lettèri.

Gianni Petino, José Carlos Francisco, Decio Canzio e Júlio Schneider, 2009

Canzio, uma figura de referência importante para todos na editora, era uma pessoa sempre agradabilíssima e com uma memória notável e prova disso é que quando o revi pela última vez, em Outubro de 2009,  ainda trabalhava diariamente na Sergio Bonelli Editore apesar de se ter aposentado em Dezembro de 2006. Sobre a sua importância no crescimento da Sergio Bonelli Editore a partir da metade dos anos setenta até aos nossos dias,ainda não foi escrito o suficiente, mas ela fica bem vincada nas palavras de Claudio Nizzi: “A contribuição de Canzio à editora de Sergio Bonelli foi muito mais importante do que pode ser percebido pelos leitores. Dada a sua natureza reservada, deixou sempre para Sergio as luzes da ribalta. Mas a sua contribuição diária de sugestões, ideias e propostas foi decisiva para o sucesso da Bonelli nos últimos trinta anos.“.

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11 Comentários

  1. Uma notícia muito triste. Os meus sentimentos à família e a toda à comunidade texiana.

  2. Uma triste notícia para nós, amantes dos quadrinhos! “Mais uma estrela da constelação Bonelli se apaga!” Estamos de luto!

  3. Federico Castagnola escreveu, no grupo italiano de debates Ayaaaak, divulgado pelo José Ricardo no BonelliHQ:

    Viene a mancare con lui un ottimo sceneggiatore e soprattutto quello che, assieme a Sergio Bonelli, ha costruito silenziosamente e pietra dopo pietra la SBE che conosciamo tutti.
    Condoglianze a tutta la redazione.
    fede

    “Vem a faltar com ele um ótimo roteirista e, sobretudo, aquele que, junto a Sergio Bonelli, construiu silenciosamente e pedra após pedra a SBE que todos conhecemos.
    Condolências a toda a redação.
    Fede (Federico Castagnola)”

    Mais um baluarte da SBE e dos fumetti italianos que está cavalgando nas pradarias celestiais ao lado de saudosos editores e autores da BD.

  4. Mais uma grande perda para a Bonelli e particularmente para o fumetto italiano. Decio Canzio teve, de facto, na sombra, de forma simples e recatada, um papel relevante para a afirmação da editora de Sergio Bonelli como uma das mais importantes no universo dos quadrinhos, a nível europeu e mundial.
    Que descanse em paz nas grandes pradarias onde se foi juntar aos seus companheiros e amigos de tantos anos!…

  5. Notícia lamentável.

    Os Mestres, depois que formam os seus pupilos, simplesmente se vão, mas deixam conosco o seu legado e a saudade…

    Sílvio Introvabili

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