O Alfabeto do Velho Oeste – Letra S

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…

É também autor dos seguintes blogues na Internet:
http://wilsonvieira.blogs.sapo.pt/
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

S

Sachems – Os Índios “Massachusetts” davam aos seus caciques, o nome de “Sachem”, que logo se tornou de uso comum também para os seus vizinhos. Para os “Alogolkin”, o cacique era “Sagamore”. Cada Clã ou Família possuía o seu próprio cacique. Cada grupo nómada tinha o seu próprio cacique também, designado precedentemente, para o qual todos deviam absoluta obediência. Junto a algumas tribos, sobretudo entre os Índios das planícies, um guerreiro rico e corajoso, poderia proclamar-se cacique, mas a sua nomeação era confirmada por um Conselho. Nas Confederações, aquele que possuía maior poder tornava-se o “Grande Cacique”, mas no caso na qual essa Confederação fosse muito activa ou potente, ele teria o título de “Rei” ou de “Imperador”. Os Ingleses deram a esses Índios títulos Reais. Para os “Natchez”, o cacique supremo era o “Grande Sol”. Junto aos “Iroqueses”, quando morria o seu “Sachem”, a matriarca da família, escolhia o sucessor entre os guerreiros do próprio Clã.

Sal – Em grandes blocos, tornava-se o verdadeiro sentido para as palavras: “Um manjar dos Deuses”, para os bovinos. Levavam-se os chamados “Kyacks” onde a boiada estava habituada a lamber o sal, devorando-os até não existir mais, nenhum cristal apetitoso.

Saloon – Nas primeiras cidades dos pioneiros o “Saloon”, havia um papel dominante naquela época. Era o ponto de referência de toda uma comunidade e algumas vezes da própria província. Servia para as funções religiosas, como aula de tribunal, sede de comícios eleitorais e públicos, até como sala operatória e era também: hotel, restaurante, estação ferroviária e lugar de troca para cavalos das diligências. Mas era também o lugar de diversão mais variado; bailes, jogos de azar e por último local de refeições para os cowboys. Vendia-se cerveja, uísque, mescal e pasmem, até limonada.

Salto do Pony Express – Subir na sela, saltando. Nesse acto o cowboy não se servia do estribo, incitava o animal a galopar e quando ele estava em movimento, com uma impulsão com as pernas juntas, abrindo-as e sentando já na sela, com o cavalo em pleno galope. Essa maneira de subir num cavalo não era muito utilizada por cowboys; porém foi e é muito usada em “faroestes hollywoodianos”.

San Francisco – Na manhã de 18 de Abril de 1906, surgiu o terramoto, que durou três minutos, pegando os habitantes dormindo, causando numerosas vítimas. Logo em seguida veio com o rompimento dos canos de gás, um tremendo incêndio. O escritor e jornalista Will Irvin deu assim a notícia da catástrofe de San Francisco no “McClure’s Magazine”: “A mais alegre, a mais generosa e vivaz cidade do Oeste, e por muitas razões a mais interessante e romântica, está reduzida a uma imensidão de desabrigados que vivem entre as ruínas. Poderá sim ser reconstruída e provavelmente o será, mas quantos conheceram essa extraordinária cidade, sabem que jamais será a mesma, novamente”. Mas San Francisco ressurgiu com uma velocidade e um entusiasmo sem precedentes, ao ponto que atraiu turistas de todos os cantos dos EUA, para assistirem e acompanharem o grandioso espectáculo; a reconstrução da cidade.

Santa Fé Trail – Essa estrada para caravanas entre Independence, Missouri e Santa Fé, New Mexico (1248 km). Serviu ao comércio entre os EUA e a Colónia Espanhola de New Mexico. Era a primeira estrada sobre a qual os Americanos atravessavam uma grande parte do Continente ainda inexplorada. A Santa Fé Trail, chamada pelos Espanhóis de “Jornada del Muerto” e atravessava em diagonal as planícies do Kansas, do nordeste ao sudeste para depois bifurcar-se na actual Dodge City em duas estradas diferentes; uma, a estrada das montanhas, seguia em direcção ao Arkansas River a oeste para as desérticas Montanhas Rochosas, para depois descer novamente ao sul, oeste do Colorado e depois após passar o Passo del Raton, chegava a Santa Fé, em New Mexico. A outra estrada, a do deserto das Staked Plains, extremo sudeste de Colorado e a sudoeste de Kansas, atravessava em seu percurso; a oeste, a Terra de Ninguém de Oklahoma conduzindo do nordeste de New Mexico a Pecos River, atravessando o deserto, subia as montanhas e finalmente descia para o Rio Grande para chegar a Santa Fé. Fome, sede, carroções quebrados, lobos, Índios, clima implacável e outros mil percalços, eram as causas pelas quais morreram incontáveis homens, confirmando assim que, a “Jornada del Muerto”, realmente existiu e era aterrorizante.

Santa Gertrudis – Raça bovina Americana, resultante do cruzamento entre as raças: Shorthorn e Texas-Brahma.

Sarape – Uma espécie de cobertor de lã com uma abertura ao centro que os Mexicanos trajavam como os “Ponchos”. Também os cowboys do sudoeste usavam, com tecido mais leve, como cobertor durante a noite e como protecção contra o sol, a poeira e a chuva. Os cowboys Americanos chamavam de “Sarape” ou “Jorongo”. Eram geralmente de 1,50 X 2,10 m e eram confeccionados em Santa Ana Chiautempan, Tlexcala, os coloridos em Saltillo, México. Os cowboys do Texas usavam os “Cobertores Saltillo”, sobretudo em desfiles dos “Rodeos”.

Sash – Deformação Americana da palavra Mexicana “Faja” = Tira, faixa em uso entre os “Vaqueros” e que significava echarpe. Geralmente era feita de seda ou lã vermelha e foi usada inicialmente pelos cowboys do sudoeste à maneira dos “Vaqueros”, ou seja, amarrando-a em volta da cintura e as duas extremidades eram enfeitadas em seu lado direito.

Sashay – Expressão utilizada pelos cowboys que significava “Passo Escorregadio”. Os colonos Franceses que ocuparam por muito tempo Louisiana, fronteira com o Texas, usavam tal palavra “Chassée” quando dançavam a quadrilha. Por uma razão desconhecida o cowboy apropriou-se dessa expressão, Americanizando-a e usando-a para descrever como o seu cavalo “Sashayava” numa trilha. Os cowboys de Mason County, Texas, que descendiam de colonos Alemães e que nos primeiros anos da criação de bovinos, serviam-se ainda da língua materna, e utilizavam a palavra Francesa Americanizada, dando-lhe uma forma Alemã; podiam-se ouvir frases como: “Diese hombre sashayte auf mich zu” = “Esse homem aproximou-se, devagarinho e silencioso”.

Satanta – Por muitos anos o cacique dos “Apaches-Kiowa”, foi “Satanta”, o mais jovem cacique. Em Maio de 1869, o general Mackenzie iniciou a chamada “Pacificação” desta tribo dos “Kiowa” e “Satanta”, “Big Tree” e “Satank” foram aprisionados. Antes do processo, diante ao Tribunal Militar, “Satank” tentou fugir e foi morto. Os demais dois caciques foram condenados antes à morte, depois transformada em prisão perpétua em 1873. Certa vez em Cow Creek em pleno território “Kiowa”, vivia o “Rancher” Peacock. Vendia uísque aos Índios e eles o deixavam em Paz. Um dia “Satanta” chegou ao seu “Ranch” para pedir-lhe uma “carta de recomendação”, para fazer uma “visita” a uma caravana de carroções. Claro, queria presas fáceis, pois a sua tribo não podia perder os seus valorosos guerreiros. “Diga a eles que eu sou um grande e potente cacique guerreiro, e, portanto devem me dar muito “Wohan” e alimentos, somente os melhores” disse o Apache. Invés disso Peacock escreveu: “Esse é “Satanta”, o maior mentiroso e espertalhão das pradarias. O que não conseguirá mendigar de vocês, ele roubará com certeza. Dê-lhes pontapés em seu traseiro sujo, até escorraçá-lo”. Os colonos levaram a sério aquela carta e “Satanta”, enfurecido, sabendo do teor escrito, reuniu os seus guerreiros, guiando-os até o ataque ao “Ranch” de Peacock. Matou-o juntamente a todos os empregados do local, excepto um velho que dormia num banco. Depois incendiou o local e levaram todo o uísque que encontraram.
“Satanta” suicidou-se em Outubro de 1878, saltando de uma das janelas do Hospital onde estava sendo tratado.

Sauna Indígena – Quando o adolescente se tornava guerreiro, purificava-se com lavagens do corpo na “Sweat Lodge” = “Casa do Suor”. Tratava-se de uma tenda rústica, feita com cobertores e peles apoiadas nas hastes dela. O tecto era hermeticamente lacrado e o ar interno não era nunca renovado. O jovem ficava ao lado de um recipiente com água. Ao externo, entretanto, uma fogueira aquecia a água, sendo levada para dentro emitindo assim o seu vapor. Brevemente o ar interior da tenda, tornava-se sufocante e o jovem começava a tomar muita água fresca, que provocava então uma transpiração abundante. Terminada essa sessão, o jovem levantava-se, corria para o rio próximo, mergulhando. Quando saia, seus companheiros agrupados na margem esfregavam com peles a gordura de urso ou com o óleo dos “Senecas”, ou seja: petróleo.

Savage – Palavra Inglesa que significava “Selvagem”, usada principalmente para indicar os Índios predadores, mas também era usada pelos “Yankees” para designar os cowboys que galopavam através de um vilarejo, disparando para todos os lados.

Savvy – Palavra Americanizada usada pelos cowboys, que era derivada da palavra Mexicana “Sabe” = eu sei, ele sabe. O cowboy usava-a na linguagem corrente para dizer: entendo, entendido, ou está claro. Um homem, porém podia também ser “Savvy”, ou seja, estar sabendo de algo, ou saber de algo. “Savvy” dita movendo-se os ombros era sinónimo da expressão Mexicana “Quién sabe?” = Quem sabe?

Scabbard – Coldre do rifle, fixado com duas tiras de couro à sela, colocado no modo que a empunhadura do rifle, ficasse e saísse verticalmente e pudesse ser sacado rapidamente. O revólver, porém levava-se dentro a um “Holster” e a faca dentro a uma “Sheath”.

Scouts – Exploradores, guias, rastreadores. Homens que já conheciam o West antes dos colonos e pioneiros, cowboys e soldados, e que o percorreram em altura e largura. Conheciam todas as características daqueles locais selvagens e os usos e costumes dos Índios. Eram homens que trabalhavam com armadilhas e comerciantes de peles para as grandes Companhias de peles, como as: Hudson Bay Company, Missouri Fur Company, Northwest Company, etc. Após 1803 tinham percorrido todo o Continente até à costa ocidental e serviam como guias nas migrações para o Oeste, em Oregon, Califórnia, New Mexico e Utah. Mais tarde, foram os primeiros cowboys, que tinham levado as boiadas pelo Oeste, serviram ao Exército, durante as guerras contra os Índios. Todavia também os Índios, especialmente os da tribo “Apaches”, “Arikaras”, “Delaware”, “Pawnees”, “Ponkas”, serviam-se de “Scouts” no Exército Americano. Não necessitavam de mapas, nem bússolas. Conheciam todas as particularidades do terreno, as nascentes e os atalhos através das montanhas. Alguns “Scouts” famosos foram: Kit Carson, Buffalo Bill, Wild Bill Hickok, Jim Bridger e tantos outros.

Section – Nas imensidões do Velho Oeste, falava-se de “Secções” de terra; cada “secção” era de 640 acres, correspondendo a uma milha quadrada.

Segale – Rosa Maria.  Nasceu em Génova e foi para o Selvagem West, como a freira Blandina da Misericórdia, para construir escolas, para ensinar, difundindo o princípio da Cultura e da Moralidade. Usou a picareta, superou em bravura os homens, conseguindo com muito esforço escolas em pradarias desoladas. Iniciou um diálogo com os temíveis Apaches, fundou hospitais e até uma Universidade no West. Em página de seu diário, escreveu: “A Rebelião Indígena, é a consequência das brutais violências dos brancos. Execuções, homicídios e massacres são costumeiros. Quatro homens foram enforcados, diante a minha escola. Ontem o xerife, chamou-me para perto de um moribundo. O seu assassino estava ajoelhado diante dele e suplicava o seu perdão. Naquela mesma noite um cacique dos Índios “Ute”, trouxe-me o seu filho agonizante, para que recebesse a extrema-unção. O meu aluno morreu em Paz. O pai pode deixar a cidade sem perigo, eu providenciei tudo”.

Sela – (Saddle). Após seu cavalo, a melhor amiga do cowboy era a sela, que durante a sua história pessoal passou por várias transformações estruturais, e gerando incontáveis modelos, tais como: a “Hacendado”, a “Madre Hubbard”, a “Texana”, a “Missiones Californianas”, a “California Center Fire”, a “Swell Fork”, a “Vaquero”, a “Texas Roper – 1865”, a “Californiana – 1875”, a “Ellensburg – 1892”, a “McClellan – da Cavalaria US”, etc.. Anatomia da sela do cowboy: pito, cabeça, garganta, assento, virola, aba traseira, suporte de látego, argola dianteira, aba do assento, reforço lateral, aba do suador, margarida, argola traseira, loro, correia de paralama, paralama, látego traseiro, estribo e pedaleira. Como disse Charles Marion Russel (1864-1926), um dos grandes Artistas Americanos, que retratou o Velho Oeste e suas personagens: “Um cowboy sem a sua sela, é como um pintor cego, literalmente falando”.

Sela Pad – Era um tipo de sela usada pelos Índios, nos tempos em que cavalgavam. Ela consistia em duas peles de bisontes, veados, alces ou antílopes, macia, costurada num modo de tornar-se um tubo disforme e recheada com crina de cavalo. Era amarrada ao cavalo com uma tira de couro cru. Mais tarde os Índios adoptaram selas com o suporte em madeira.

Seminoles – Do Espanhol “Cimarron” = selvagem. “Seminole” = “Aqueles que vivem de fora”. Povo dos “Muskhogee” que vivia num vilarejo/cidade na Flórida e na Geórgia meridional. Cultivavam a terra metodicamente e possuíam uma vasta Cultura e elevada Civilidade. Após duras batalhas, foram derrotados na primeira metade de 1800 nos paludes Mangrovee da Flórida e obrigados à rendição, foram transferidos para Oklahoma. Foi justamente durante as batalhas contra os “Seminoles” que os modelos do revólver de Samuel Colt, obtiveram o seu primeiro sucesso. Os descendentes desses “Seminoles” altivos e cultos vivem actualmente nas Reservas de Big Cyprees, Brighton e Dania, na Flórida. Outros “Seminoles” vivem na Reserva de Oklahoma.

Sequoya – (1760 – 1843). Foi o famoso inventor do Alfabeto “Cherokee”. Nasceu na cidade de Taskigi, Tenessee, por volta de 1760. Era filho de um homem branco e de uma Índia “Cherokee”. Seus companheiros o chamavam de: “Sigawagi”, mas foi igualmente conhecido com o nome de George Gist, como o seu pai Guess ou Guest. Cresceu em sua tribo, revelando-se muito inteligente. Tornou-se um hábil incisor de prata, mas um incidente de caça mutilou-o para toda a sua vida. Ele então aproveitou para instruir-se mais e descobriu o quanto fosse importante saber ler e escrever e o quanto isso era importante para os brancos em suas vantagens. Sua primeira mulher considerou-o um louco quando começou a criar o Alfabeto “Cherokee” e ensinar para a sua filha Ayoku, mas, em 1821, com a ajuda da filha, conseguiu apresentar o Alfabeto aos caciques da Nação “Cherokee” e obtendo o consenso geral, ensinou-o para toda a tribo. Rapidamente a maioria de seus companheiros sabia ler e escrever. Mais tarde uma parte da Bíblia foi traduzida em “Cherokee” e em 1828, era publicado um jornal semanal estampado todo em “Cherokee” e Inglês. Em 1884 foi o “Cherokee Advocate” a ser publicado em Tahlequah, capital “Cherokee”.

Sharps Shooter – A ideia de que os “Sharps Shooters” fossem homens chamados assim, pois eram atiradores escolhidos ou só usavam rifles “Sharps”, é totalmente errada. A denominação é derivada das tropas “Scout” do Coronel Henry S. Sharps, que casualmente estavam equipadas com rifles “Sharps”. Os “Sharps Shooter” não eram mais que os “Homens do Coronel Sharps”. Quanto à segurança em tiros do rifle “Sharps”, dependia exclusivamente do seu calibre. O “Sharps”. 40-90 era o rifle normal de peso médio para a caçada de bisontes, o “Sharps Borschardt”. 44-100 era um rifle para tiros a longa distância, até 2000 metros e finalmente o “Sharps Buffalo”. 45-120-550 era um rifle muito pesado, mas matava os maiores bisontes, com um só disparo e a longa distância.

Shawnee – Os Meridionais.  Tribo dos Índios “Algonkin”, que vivia nas margens do Cumberland River. Em 1800 foram deportados da Pennsylvania para Oklahoma, onde concluíram a Paz com os EUA.

Shoshones – Grande família Linguística de Índios do noroeste Americano (especialmente das regiões montanhosas); pertencia à grande família Linguística dos “Uto-Astecas” e reagrupava as seguintes tribos: “Shoshones”, “Snakes”, “Bannacs” e “Utes” com as subtribos: “Comanches”, “Kiowas” e os “Madocs”. Os “Shoshones” do norte viviam em Idaho oriental e meridional, na parte norte oriental de Utah e em Wyoming ocidental. Os “Shoshones” ocidentais, chamados também de “Diggers”, viviam na parte central e ocidental de Idaho, na fronteira com Nevada, na parte norte ocidental de Utah e num pequeno território perto do “Vale da Morte”, Califórnia. O nome “Sho-Sho-ni” tinha o significado de: “Aqueles-que-vivem-nas-cabanas-de-mato”, nome dado por seus vizinhos próximos, enquanto os brancos os chamavam de: “Serpentes”, não tendo nada a ver com o réptil, mas sim ao “serpentear” de sua língua por sinais, que usavam quando falavam entre eles. Os “Shoshones” do norte foram os primeiros Índios a criarem cavalos que depois negociavam com os “Pés-Negros”, os “Coeur d’Alènes”, os “Crows”, os “Flatheads” e os “Narizes Furados”. Com a ajuda dos cavalos, as enormes distâncias reduziam-se e as subtribos dos “Kiowas” e “Comanches” transformaram-se naquele “Povo a cavalo”, que sem trégua assaltavam o sul impedindo por dois séculos a Colonização dos Espanhóis e dos Americanos. Os “Shoshones” ficaram famosos por intermédio de uma de suas filhas: “Scajawea” a qual serviu como guia à Expedição de Lewis e Clark (1804-1805) e por seu conhecimento do local, evitou aos membros daquele grupo que morressem de fome ou assassinados. Dado que os “Shoshones” conheceram a arma de fogo muito mais tarde, foram então presas fáceis para as tribos das pradarias. Para evitar que sua tribo fosse totalmente dizimada, seu cacique “Washaki” não viu outra saída que pedir protecção aos EUA e ir para uma Reserva provisória, protegida pelo Exército Americano. Em 1868 assinaram um tratado em Fort Bridge e os “Shoshones” transferiram-se para a Reserva Wind River em Wyoming. Assim “Washaki” evitou que os “Shoshones” do norte, tivessem a mesma sorte de outras tribos “Shoshone”: a morte.

Siesta da tarde – Em Inglês: “Nooning”. “Siesta” = Soneca da tarde do cowboy, durante a qual, cuidava do seu cavalo, dando-lhe água, ajustava a sela, acessórios e ornamentos, costurava os rasgos da calça, limpava as suas armas e entre uma coisa e outra “cochilava” despreocupadamente, como os vizinhos Mexicanos.

Sinais – Para comunicar em grandes distâncias, os Índios usavam o mesmo sinal. Eles podiam ser feitos com cavalos, cobertores, espelhos recebidos dos brancos aos caciques, fogueiras, flechas incendiárias e outras variações. Para fazer sinal com o seu “Poney”, o Índio descria arcos, ou então avançava ou retrocedia, percorrendo certa distância, subindo uma colina ou descendo para a planície. Dessa maneira ele conseguia se comunicar com outro grupo. Se depois desaparecia e surgia repentinamente, com o seu animal, queria dizer que existia algum perigo rondando por ali. Os sinais feitos com cobertores podiam ser vistos de muito longe. O Índio que os fazia, pegava o cobertor por um dos cantos com a sua mão direita ou com a esquerda e agitava-o para a frente e para trás, formando uma curva vertical. Quando o cobertor chegava a tocar o chão, também a mão pousava ao solo, tanto a direita, quanto a esquerda. Com o cobertor podia-se fazer todos os sinais; agitá-lo duas ou três vezes para frente, significava que se esperava uma pergunta e dessa maneira se começava um diálogo, com sinais. Se o cobertor aproximava-se do chão e depois era colocada nele, queria dizer que aguardava um armistício ou era a suspensão de uma hostilidade. Com os espelhos, os Índios possuíam um código muito completo. O espelho reflectindo os raios solares chamava a atenção do outro, ou seja, servia de advertimento, depois, com um número mais ou menos prolongado de reflexos, confirmava-se de ter descoberto o seu interlocutor e se repetia a operação, para dizer que tinha entendido. Geralmente os jovens serviam-se do espelho para cortejar uma moça, para chamá-la ou para sinalizar a própria presença de cima de uma colina em proximidade da tribo; desse modo ela era convidada a vir. Os sinais de fumaça assemelhavam-se muito a aqueles dos espelhos e usava-se o mesmo código. Uma fogueira era acesa em cima de uma pequena altura bem visível aos olhares, ou sobre um pico rochoso. Para começar era usada lenha muito seca, depois, quando o fogo estava bem aceso, colocavam-se ramos de mato ainda verde ou grama. Estendia-se então um cobertor sobre o fogo e o retirava em intervalos regulares, deixando subir ao céu a fumaça. Tais sinais tinham certa analogia com o nosso Alfabeto Morse, formava a mensagem. Quando as distâncias eram imensas, usava-se então um mensageiro. À noite os Índios usavam as suas flechas incendiárias. Os Índios também desenhavam as suas mensagens; um cachimbo significava que o grupo passou por ali, queria a paz e se ao contrário representava um “Tomahawk”, significava então uma provocação de guerra. E finalmente existiam também os Sinais Pintados, com os quais os Índios conservavam o testemunho de certos acontecimentos, desenhando ou pintando sinais simbólicos em peles de cervo ou bisonte e também em cortiças. Essa espécie de “Escritura” era para o homem, um modo de manifestar o próprio pensamento.

Single Action – Tipo de obturador de revólver. Levantando o cão, armava-se também o gatilho e o tambor era empurrado a rotear por um sexto do giro. Um revólver “Single Action” estava pronto a dar o segundo disparo somente após ser repetida a operação, ao contrário da “Double Action”.

Sioux – Os “Sioux” a si próprios de “Da-coh-tah” = Amigo, aliado, porém os “Cheyennes” que viviam nas florestas do Wisconsin, inimigos jurados dos “Dakotas”, chamavam-nos de “Nado-weis-siw” = Serpentes, inimigos, após receberem as primeiras armas de fogo dos primeiros exploradores Franceses em 1640. Os Franceses “deformaram” o nome em “Nadouessioux” e depois para “Sioux”. Os “Chippewas”, em possesso das armas de fogo dos Franceses, tornaram-se os mais potentes que os “Sioux” que foram caçados de Wisconsin ocidental e por decénios os empurraram sempre mais para o oeste, perseguindo-os sem tréguas. Em busca de novas terras, os “Sioux” encontraram os “Arikaras” que viviam em cabanas de terra às margens do Missouri River, e lá empossaram-se pela primeira vez de cavalos. No arco de 50 anos, tornaram-se o mais temido Povo de Cavaleiros de todas as pradarias do norte. Durante essa evolução entre 1750 e 1800, as tribos dos “Sioux”, que viviam ao sul e no centro, dividiram-se dos “Sioux” setentrionais, repreendendo a velha tradição do cultivo da terra, sempre, porém servindo-se dos cavalos (o qual só rendia possível a vida nas pradarias). Invés os “Teton-Dakotas”, renegando a tradição agrária dos séculos passados, tornaram-se exclusivamente caçadores de bisontes. Esse foi sem dúvida um dos motivos pelo qual as tribos agrárias dos “Sioux” renunciaram rapidamente a ocupação de seu território por parte dos brancos, enquanto os “Teton-Sioux” combateram até o fim, para que os brancos, com suas incontáveis caravanas, não colocassem em perigo a migração dos bisontes. Finalmente os colonos, garimpeiros e a construção da Ferrovia, foram a causa determinante do extermínio total dos bisontes e a total destruição de sua base existencial. Já em 1804, Louis e Clark encontraram os “Dakotas” como dominadores absolutos das regiões ao oeste do Missouri. Seus grupos de caçadores assombravam Black Hills e as pradarias de Dakota setentrional. Em Montana conheciam todos os vales dos rios: Powder, Tongue, Big Horn e Yellowstone e em Wyoming, chegavam até o sul até North Fork do Platte River, no actual Arkansas. “Esses homens em canoas, que tinham escapado fugazmente, tornaram-se depois guerreiros a cavalo; era a melhor Cavalaria do mundo”, escreveu Washington Irving. Era “Pte”, o bisonte que fornecia a eles de tudo, que era necessário, para viver: a carne que era cozida e secada, preparada como o “Pemmican”, o couro para o vestuário e as peles pesadas para o Inverno, couro para cobertas e correias ou para os sapatos e roupas de verão, a pele oleada dos novilhos para as tendas e finalmente para fazer o famoso “Bullboat”, a canoa recoberta com pele de bisonte, ou melhor, ainda da pele do pescoço do bisonte que resistia a todas as lanças. Além do mais fabricavam bolsas, e vários objectos ainda; com os ossos faziam-se utensílios, do casco extraíam a cola, utilizavam os tendões para a costura, faziam agulhas, colheres com os chifres e misturavam o seu sangue com terra para fazer as cores. Com o “Pte” e a grande quantidade de condimentos selvagens, a vida para eles era a perfeita. “Pte” era o centro da Mitologia “Sioux”, era o grande milagre o qual dedicavam suas Danças Sagradas e Ritos Religiosos. Podia-se chamar a águia de “Irmão”, mas somente o bisonte era o “Tio ou Pai”, ao mesmo tempo. A exortação: “Não joguem nunca os ossos do teu pai”, referia-se seja ao pai verdadeiro, quanto ao bisonte, mortos. Desprovidos do conceito de propriedade pessoal (salvo por suas armas, cavalos e tenda), os “Sioux” tinham contemporaneamente como objecto a realidade actual e a sensibilidade, passando de uma para outra, num modo circular perpétuo e na convicção de que a vida possuísse o sentido por si mesma e não contesse um objectivo para atingi-lo. Daqui é derivada aquela incompreensão profunda por parte dos “Sioux”, da inquietude dos brancos que consideravam o ter, como único objectivo de sua vida. Para os “Sioux” a liberdade da natureza, da terra e do céu, eram intocáveis: por tal motivo, consideravam os tratados que tinham como objectivo a propriedade fundiária, vazias palavras sem algum sentido. “Como posso declarar propriedade pessoal o ar em torno a mim, a terra da qual eu galopo a cavalo, as folhas de uma árvore que se movem ao vento, como podem uma parte do vento, das nuvens, ou uma parte da terra, serem somente minhas?” – disse “Nuvem Vermelha”, certa vez. A avidez dos brancos, a máquina burocrática, a pesada administração, a brutalidade executada pela estratégia Militar, a hipocrisia dos políticos e a vilanice dos Cristãos, foram os elementos que cegavam a consciência dos “Sioux”, assim como a superioridade de um Inverno e impiedoso raciocínio, foi o peso que os encurralou até destruí-los. Diante a tudo isso nada podiam as Lendas dos “Iktomis” os pequenos homens aranha, que fabricavam em segredo as pontas das flechas de seus amigos Índios, ou a Lenda do gigante do norte “Wasiya”, cuja respiração gélida cobria as pradarias de geadas, ou o voo do Pássaro-Trovão, que vivia nas grutas entre a terra e o céu, ou ainda a Lenda do Monstro que vivia nas águas do Missouri River, que fazia fundir o gelo com a sua respiração de fogo. Os incontáveis Tratados de Paz, estipulados entre os Índios e os Americanos, não foram nada além que dados num jogo que os “Sioux” não conheciam, nem possuíam os meios para entender tais documentos Oficiais; na realidade sancionavam como desenvolvimento futuro das situações já existentes ou legalizavam actos de violência como a invasão dos brancos no território dos “Sioux” e a ocupação “legal” de suas terras. Somente o primeiro Tratado não foi escrito nesse estilo; aquele de 1815 falava somente da amizade e simpatia recíprocas. Porém já em 1830 os “Siox” eram colocados diante a truques jurídicos, a eles desconhecidos, como uma verdadeira paisagem lunar: quatro “Subtribos” obrigatoriamente impemhavam-se a ceder aos EUA, territórios, que eram zonas de caça de tantas outras tribos completamente estranhas a tudo isso; além do mais deveriam procurar um acordo com tantas outras tribos. Na realidade tratava-se disso: a futura e inevitável política de extermínio, com todas suas nuances e as violências a elas indexadas, diante dos olhos de mundo devia mostrar-se em harmonia; pelo menos em nível dos Direitos Internacionais, com a declaração dos Direitos do Homem, bradada pelos Americanos, enquanto conscientes da missão a cumprir, que desde o início dos EUA, segundo o conceito: “Os Americanos” eram “Homens Melhores”. Desde então, de Paz em Paz, de insurreição em insurreição, continuou-se a usar a mesma receita eficaz, simplista e brutal da Política Americana em confronto aos Índios; os brancos garantiam aos Índios o inviolável Direito de seus territórios, e também o ressarcimento pelas terras cedidas por eles. Entretanto os brancos avançavam, não pagavam ou pagavam bem abaixo do acordado e os Índios então protestavam, porém não encontravam ninguém que os escutassem e os brancos continuavam avançando e os Índios os combatiam e escorria muito, muito sangue. Agora então intervinha o Exército, pois não se podia tolerar que os brancos fossem massacrados. Acontecia depois um novo Tratado de Paz, logo após novamente a repetição idêntica dos factos. A primeira grande insurreição logo após de uma série incontável desses “Tratados de Paz”, que não eram nada além de uma guerra permanente de Conquista, teve lugar em Nova Ulm em 1862, num período o qual os “Sioux” nutriam a vaga esperança de que os brancos pudessem exterminar-se entre si próprios, durante a Guerra Civil. Mais de 1.000 brancos encontraram a morte durante aquele facto; foi o maior massacre das Guerras Indígenas. Os Americanos, todavia sufocaram a tal insurreição. “Little Crow”, o cacique, foi morto; foram feito 392 prisioneiros, que foram acusados: 307 deles foram condenados à morte, entre os quais 39 “Sioux” foram justiçados publicamente em 28 de Dezembro de 1862. Foram assinados novos tratados de Paz, com os quais prometiam novamente terras aos “Sioux”. Ao mesmo tempo, todavia, os caçadores começaram suas matanças de bisontes nas pradarias, iniciou-se a construção da Ferrovia Union Pacific, através dos mesmos territórios e milhares de colonos invadiam sobre aquela terra “Garantida” aos Índios. Projectava-se igualmente a Ferrovia Northern Pacific. A “Sociedade de navegação a vapor do Missouri” tomou possesso do rio e suas margens, mas os “Ressarcimentos” prometidos aos Índios nunca chegaram. Surgiu também uma quantidade enorme de Fortes, em territórios “Sioux”, as tropas foram reforçadas e foi inaugurada a Via Transcontinental “Bozeman”. Então os “Dakotas” tomaram consciência que a América deixava a eles, somente duas alternativas: transformarem-se em míseros agricultores num terreno estéril e receber esmolas do Governo dos EUA, ou então combater até à última gota de sangue. Decidiram morrer, combatendo. Seus caciques: “Nuvem Vermelha”, “Crazy Horse”, “Spotted Tail”, “Gall”, “Sitting Bull” e tantos outros, conduziram a uma Guerra Total, interrompida somente por breves intervalos. Foram incontáveis batalhas, brigas, assaltos e massacres, que somente as mais espectaculares acções são recordadas: em 1863: White Stone Hill, Fort Abercrombie, Stoney Lake, Dead Buffalo Lake, Big Mound; em 1864: Killdeer Mountains, Little Missouri. Na Paz de Laramie (1865) foram garantidos novamente e para a “Eternidade” os territórios aos “Sioux”, porém no mesmo ano, o Exército Americano ocupava os mesmo territórios, construindo uma centena de fortificações. Os resultados foram: em 1866 o massacre de Fetterman prócimo ao Forte Phil Kearney; em 1867 Wagonbox Fight, Hayfield Fight; em 1868 Beecher Island, Battle of the Tongue, Crazy Woman Fight. Entre 1869 e 1872, “Nuvem Vermelha” tentou procurar a Paz de outra maneira; foi para Washington, falou em reuniões públicas abertamente e denunciou a ruptura dos Tratados por parte dos EUA. A opinião pública estava ao lado dele, o Governo e o Exército encontraram-se embaraçados. Em 1874 Custer foi mandado a Black Hills, encontrando ouro os garimpeiros chegavam aos milhares nos territórios dos “Sioux”. Mas os Índios insistiam que fossem respeitados os Tratados e não combateram. Apesar disso o Exército atacou-os, para “Resolver o problema Sioux”. Em 1876 na primeira batalha perto de Rosebud, a derrota do general Custer não foi importante, mas poucos meses após, em Little Big Horn, o general Custer com todo o seu Sétimo Regimento de Cavalaria, foi completamente exterminado. O ano acabou com uma vitória dos EUA em Slim Buttes, onde encontrou a morte “American Horse”, um cacique “Minneconjou”. Em 1877 “Sitting Bull” refugiou-se no Canadá, “Crazy Horse” rendeu-se e foi fuzilado em Forte Robinson. Somente em 1891, “Touro Sentado” retornou aos EUA com o restante de seus guerreiros “Sioux” esfomeados. O Exército dos EUA esperou-os em Wounded Knee River e massacrou-os sem piedade. Dessa maneira o “Problema Sioux” está finalmente, resolvido para todo o sempre. Os brancos venceram.

Sitting Bull – (1834-1890).  O mais famoso dos Índios, foi um extraordinário guerreiro, xamã e cacique dos “Sioux Hunkpapas”. Nasceu às margens do Big River, Dakota do Sul. Tinha apenas 10 anos quando matou o seu primeiro bisonte e somente 14 quando matou, durante uma batalha contra os “Crows”, o seu primeiro inimigo. Chamava-se então “Four Horns” = “Quatro Chifres” e foi somente em 1857, quando se tornou xamã, que obteve o nome de “Tatanka Yotanka”, ou “Sitting Bull” = “Touro Sentado”. Ficou guerreando de 1869 a 1876, ano no qual negou juntamente com seus companheiros, de ser aprisionado numa Reserva. O general George Armstrong Custer, começou uma Campanha para juntar os Índios e obrigá-los a submeterem-se aos brancos. Aconteceu então a batalha de Little Big Horn, durante a qual, “Sitting Bull” combateu com uma força contendo 3.000 guerreiros “Sioux”, “Cheyennes” e “Arapahoes”. Obtida a vitória, “Sitting Bull”, refugiou-se no Canadá, onde lá permaneceu até 1881. Retornando aos EUA, foi conduzido para a Reserva de Standing Rock, onde teve o reconhecimento de cacique xamã da religião da “Ghost Dance”. Foi assassinado por um Agente Índio da Polícia, “Red Tomahawk”, em 15 de Dezembro de 1890, no decorrer de uma confusão, quando deveria ser preso.

Six Shooter – Seis tiros.  Após a introdução impactante do Colt “Whithneyville Walker” com seis tiros, todos os revólveres foram chamadas assim, mesmo se disparassem 5, 6, 7, 8, ou 10 tiros. Outra lenda estava criada.

Slade Jack – Quando numa quente manhã de Maio em 1864 um cavaleiro, recoberto de poeira, quase caindo da sela diante da casa de Virginia Slade, gritou: “Senhora Slade! O seu marido, está sendo enforcado, lá na cidade, senhora Slade!
Em Virginia City ele fez o Diabo: atirou em todas as vidraças que apareciam, disparava a esmo, comportou-se como um furacão por lá, e agora querem enforcá-lo! Enforcá-lo, senhora Slade!”.
A jovem e linda Virginia correu ao estábulo, montou o garanhão Cayuse “Billy Bay” e partiu em louca galopada. O cavalo negro, da Raça Thoroughbred, quase que voava devorando as milhas, diante de si. Jack Slade tinha-o comprado dos Índios “Pés Negros”, pois era um animal formidável, imenso como um monumento. O vento batia com força no rosto de Virginia, a grama alta tocava os estribos e um céu cinzento, parecia engolir toda a Terra. Sobre uma grande caixa de madeira rústica estava o rude Jack Slade, abaixo de uma trave transversal de uma porta de Corral, nos limites da cidade; em volta a ele uma multidão imensa, urrava. X. Beidler estava sentado numa caixa e ajustava atentamente um laço com seu devido nó. O juiz Alexander Davis estava em pé, sobre uma mesa e falava com a multidão: Vocês culparam esse homem por um delito e querem justiça! Porém nenhum Tribunal o condenou. Serão vocês os responsáveis e por sua vez, assassinos! Desistam, não cometam esse homicídio!
– Cale a boca, juiz! Está tomando o nosso tempo! Acabou, Beilder? – gritou um garimpeiro esfarrapado, de cabelo ruivo. O homem pequeno, sempre sentado, sorria, mexendo já com o laço e nós, feitos. O juiz continuava a encarar a multidão raivosa, ganhando mais tempo, pois sabia que Virginia Slade chegaria. Talvez ela conseguisse evitar a execução. Mas, quando Virginia Slade chegou à cidade, tudo tinha terminado. Jack estava já deitado por terra, morto. Ninguém olhou para Virginia. Depois surgiram os comentários: o cavalo “Billy Bay” tinha percorrido 12 milhas exactas em 21 minutos à velocidade de 55 km/hora, tinha galopado um terreno desnivelado, com grama alta, tinha atravessado a pradaria, subindo e descendo montes. Tudo é verdade acreditem, e está escrito de próprio punho, no diário pessoal do General A. Custer. Pois ele o tinha cavalgado pessoalmente, galopando 17 horas sem descanso, juntamente ao seu Esquadrão, completando a distância de 225 quilómetros, antes da Batalha de Little Bighorn.

Slaughter – Christopher Columbus Ex-reverendo, casou-se aos 26 anos com Cynthia Anne Jowell, comprando um pequeno “Ranch” nas colinas, perto do Palo Pinto Canyon. Certo dia ele saiu de casa, para controlar o seu pequeno rebanho de bovinos e quando retornou à noite, encontrou um “Comanche” morto diante da casa. Mais de vinte “Comanches” tinham observado sua esposa solitária e tentaram raptá-la. Cynthia correu, trancou-se em casa e tinha matado o índio com o seu rifle. Salughter tentou persegui-los e duas semanas após retornou. Não disse uma palavra; mas espalhados por suas terras estavam os cadáveres dos “Comanches” dispersos. Pouco antes da Guerra de Secessão, Slaughter tornou-se um Texas Ranger e quando surgiam “Comanches”, tudo terminava rapidamente. Ele alistou-se como Voluntário no Exército Federal e o seu valor em combates, conferiu-lhe as divisas de coronel. Quando terminou a guerra e ele voltou, encontrou uma boiada sadia, cuidada por sua mulher com 5.000 “Longhorns”; que ele levou junto aos seus homens e com muitas dificuldades, chegou ao Kansas, conseguindo o valor de $35 dólares por cabeça. Retornando, comprou outros bovinos e transportou-os ao norte. Muitas vezes teve que combater os Índios e quadrilhas de ladrões e passou através da “Linha da Morte”, sem ao menos vislumbrá-la. No curso de dez anos “Chris Columbus”, como era comummente chamado Slaughter, do Canadá ao México, levou milhares de bovinos para o norte e tornou-se o “Trail Boss” mais famoso e mais temido de todos. Atacar a sua boiada significava o mesmo que cometer suicídio. Quando em 1876 Cynthia faleceu, por uma picada de cascavel, ele vendeu o seu “Ranch” de Palo Pinto. Depois ele conheceu em 1877, Carril Averill e a esposou, fundando logo após o famoso “Long-S-Ranch”. Mas teve que conquistar as suas terras com punhos e revólver; por dois anos combateu os ladrões, bandidos e Índios, porém o seu gado aumentou ano após ano. Continuou durante a sua vida comprando terras e gado. Mas, a velhice chegou e ele foi vendendo o que tinha conseguido. Após a sua morte em 1919 restaram somente alguns “Ranches”, que ficaram com seus descendentes. Entre eles ficaram os famosos: “Long-S- Ranch” e o “Lary-S-Ranch”.

Slicker – Capa impermeável para cavaleiros, confeccionada em linho oleado, da cor amarela clara, na qual o cowboy colocava os seus utensílios e que, durante uma “Stampede”, usava-a como bandeira de sinalização. Estendia-se também ao chão e colocava-se madeira cortada nela. Era usada no corpo somente quando chovia muito. Barney S. Gold, em 1878, assim disse: “Eu vi, durante as transferências de boiadas, cair uma chuva intensa e uma dúzia de cowboys, molhados, mas levando essas capas, bem amarradas e enroladas atrás de suas selas. Cada um parecia esperar o outro e que a chuva tornasse realmente insuportável, para vestirem a tal protecção amarelada”.

Smith – 1 – Erwin E. Cowboy e fotógrafo nascido em 22 de Agosto de 1886 e morreu em 5 de Fevereiro de 1947. Tirou milhares de óptimas fotos que fixavam as imagens de cowboys trabalhando no sudoeste. 2 – Jefferson Randolph, apelidado de “Soapy”. Fuzilado em 8 de Julho de 1898 em Skagway, Alaska. 3 – Thomas James, apelidado de “Bear River Tom”, nasceu em 1830 foi desde 4 de Junho de 1870 até 2 de Novembro de 1870, o xerife de Abilene, Kansas. Domou Abilene com os seus próprios punhos e armas, foi morto em 2 de Novembro de 1870.

Snaking – A maneira do cowboy em transportar tudo amarrado em um laço levado atrás de seu cavalo. Tantos objectos que outros homens transportavam em carroções. O cowboy “Serpenteava” atrás de si; caixas, lenha cortada, etc., por quilómetros a fio.

Sociedade Militar – As numerosas Sociedades Militares dos Índios das Planícies reuniam os melhores guerreiros em Clãs consagrados aos animais. Cada grupo tinha os seus próprios costumes, danças e próprios cantos e também o seu próprio emblema. Em ocasião das Grandes Cerimónias, como a partida para a caça ou para a pesca e a Celebração de Festas, os membros dessas Sociedades, organizavam a ordem, a defesa e a guarda. Entre os “Cheyennes”, a Sociedade Militar “Hotamitanes”, chamada também por “Dog-Soldiers”, reunia os melhores guerreiros. Ela tornou-se tão famosa e os brancos usaram esse nome para definir todas as Sociedades Militares, também das demais tribos. As Sociedades dos Índios tiveram origem junto aos “Crows”, que possuíam bem doze grupos diversos. Os “Kiowas” possuíam também seus “Dog-Soldiers”, reunidos em sessões de dez membros, todos portavam um grande colar negro no pescoço e tinham feito o juramento de enfrentar sempre com determinação e coragem, seus inimigos. Os que os comandavam eram os “Dog-Chief”. Tais homens portavam lanças especiais.

Sociedade Secreta – Como outros Povos, também os Indígenas tiveram as suas Sociedades Secretas, a maioria das quais tinham um significado Religioso, Militar ou Médico. Algumas ocupavam-se do tempo, como os provocadores de chuvas, outras contentavam-se em conservar aos homens o seu poder intacto sobre suas mulheres. O “Chefe” de uma Sociedade Secreta era mais ou menos o que os brancos chamavam de Sacerdote. Como o xamã, eles eram considerados a ligação entre o Mundo dos Espíritos e aquele dos seres humanos. Mas, enquanto o xamã trabalhava sozinho, o “Chefe” da Sociedade Secreta era assistido por muitos companheiros e trabalhava sempre por conta de toda a sociedade. Muitas Sociedades Secretas, entre os Índios das Planícies, eram de carácter militar, mas existiam outras, como a “Buffalo Society”, que reagrupava alguns especialistas, com o objectivo de curar os enfermos. Junto aos “Cheyennes”, existiu uma chamada “Big Bellied Men” e cujos membros, exercitavam-se em caminhar sobre o fogo, e sobre as cinzas, ainda quentes. A mais importante de todas essas seitas, era a “Medewiwin Society”, ou seja, a Sociedade da Grande Magia dos “Chippeways”, que compreendia quatro categorias distintas de membros. Para passar de um grau para outro superior, precisava ter grandes gastos para organizar muitos festejos. Os membros dessa Sociedade estudavam o segredo da magia e as virtudes medicinais das plantas. O “Grande Serpente” dos “Delawares”, reunia adeptos que usavam a magia, para curar e celebravam os funerais. Junto aos “Zunis”, existiam pelo menos treze Sociedades Secretas, algumas das quais se dedicavam à cura dos doentes, outras de acontecimentos particulares, como o fazer chover, nos momentos de seca. Entre os “Pomos”, uma tribo da Califórnia, existia uma Sociedade Secreta, cujos membros escorraçavam a má sorte, apavorando as mulheres e mantendo-as sob seus poderes.

Soldado Bisonte – “Buffalo Soldier”.  Nome Indígena dado aos soldados negros. O cabelo crespo recordava aos Índios das Pradarias a pele do bisonte. Nunca era tirado o “Escalpe” a um soldado negro, pois isso era julgado como “Mau Agouro”, para quem o fizesse.

Sombrero – Chapéu Mexicano, com variadas formas, tamanhos, ornamentados ou não e confeccionado em vários materiais; contendo aba larga e copa alta.

Son-of-a-gun – 1 – Expressão que o cowboy “tomou” emprestado, durante a época da navegação à vela, seja Cristiana que Guerreira. Naquele tempo coincidia que os marinheiros embarcassem também com suas mulheres e essas não somente dormiam com seus homens, debaixo de cobertores entre os canhões. Caso nascesse depois, um filho macho, o chamavam de o “Filho de um canhão”. Os cowboys usavam esse termo no sentido de amigável estima. 2 – “Son-of-a-gun-stew” = Guisado do filho de um canhão. Era uma receita especial dos cozinheiros da Marinha. Lewis T. Mansfield, cozinheiro do “Ranch JPO”, declarou certa vez: “É tudo muito simples. Coloca-se num caldeirão, tudo o que é verde, forte e que se possa esmigalhar com o martelo ou com os próprios dentes. Depois adiciona-se tudo do boi, com excepção do couro, cascos e chifres. Basta ferver bastante e pronto. Portanto é muito fácil de preparar e digamos, com alto poder de conteúdo substancioso, para cowboys medrosos, nervosos ou esfomeados”.

Sorte dos inimigos vencidos – Quase sempre, as mulheres possuíam o direito da vida e da morte sobre os prisioneiros. Durante os seus ataques contra as tribos inimigos e os brancos, os guerreiros Indígenas faziam o maior número possível de prisioneiros e não somente de homens fortes, mas também de mulheres e crianças. Os pobres desgraçados eram conduzidos para a tribo, e deviam desfilar entre uma fila dupla de “Squaws”, verdadeiras e próprias guerreiras, armadas com bastões. Os prisioneiros, após terem sido apresentados aos membros do Conselho, eram entregues às mulheres. Elas decidiam a sorte que lhes seria reservada; ou eram mortos, após torturas atrozes, ou eram mantidos como escravos e submetidos às tarefas mais árduas. As mulheres que tinham perdido o marido em combates podiam escolher entre os guerreiros, aquele que preferia e sem poder exprimir a sua própria opinião, substituiria seu defunto esposo. As mulheres capturadas tornavam-se geralmente as companheiras dos guerreiros. Aquelas que não eram escolhidas seriam escravas infelizes e deviam fazer os trabalhos mais pesados.

Spotted Tail – Na língua “Sioux” = “Sinte Galeska”. Nasceu em 1823 e morreu em 1881. Cacique dos Índios “Brulé-Sioux”. Orador e condutor era considerado o mais hábil diplomático da Nação Sioux. Adaptou-se facilmente às complexas praxes políticas de Washington, mas o Governo não o via com bons olhos, por causa da sua grande habilidade em enfrentar os políticos, com os mesmos argumentos. Aos 19 anos conquistou a sua mulher num duelo com um guerreiro de grau superior ao seu e mesmo ferido durante o combate, saiu vencedor, ganhando a esposa e a estima de todos. Certa vez a sua tribo foi punida pelo Exército, por ter emboscado vários deles. “Spotted Tailo” endossando as vestimentas de guerreiro e entoando cantos fúnebres apresentou-se com dois homens em Fort Laramie e pediu para que fosse morto no lugar dos prisioneiros, mas não foi preso. Aos 32 anos tornou-se cacique dos “Brulé-Sioux”. Ele foi morto perto da Agência de Rosebud, em Dakota do Sul, no dia 5 de Agosto de 1881, por um homem da sua própria tribo chamado “Crow Dog”, com o qual se encontrava em desacordo.

Squatter – Era assim chamado o colonizador sem títulos de direito que, no terreno Estatal dos EUA, ditava as suas próprias Leis e a sua própria Organização Política.

Staab Abraham – Quando em 1879 o Novo México, envolvido na guerra de Lincoln County e o nome de Billy the Kidd, apareceu em todos os jornais, o Arcebispo de Santa Fé, John B. Lamb, atravessou a cavalo o local, recolhendo fundos para a sua catedral. Entre outras pessoas, foi encontrar o padre Católico Robert Garrassu, em Moura perto do Forte Union. Quando o Arcebispo afirmou da necessidade urgente de $2.000 dólares para pagar os operários, o padre não acatou com alegria, tal pedido. A grande seca tinha empobrecido a gente, a guerra pela pradaria em Lincoln County, o empenhava mais que qualquer outra coisa. Mas mesmo assim o padre solicitou um dia de espera. No dia seguinte, chegou com uma bolsa cheia com moedas de ouro, no valor de $2.000 dólares. “Onde em nome de Deus, conseguiu esse dinheiro todo?” – perguntou abismado o Arcebispo. “Estive em Forte Union e venci no póquer, jogando com os oficiais” – falou o padre. Um ano após o Arcebispo estava novamente necessitando de verbas e pediu ao Rabino da Comunidade Hebraica de Santa Fé, Abraham Staab, que em 1858 tinha emigrado da Westfalia e que tinha se transformado num homem rico, em prorrogar os vencimentos de algumas notas promissórias que ele tinha assinado antes. Staab, que já tinha ajudado muito o Arcebispo na construção da mesma catedral, pegou todas as promissórias do cofre e agitando-as em mãos, disse que queimaria todas elas. O Arcebispo concordou feliz e os documentos foram queimados. Quando a catedral ficou pronta, o Rabino Staab apareceu e mandou esculpir as letras Hebraicas “JVH” no portal da catedral.

Stable – Estábulo.  Existiam em quase todas as cidadelas do West. Com baias para animais de sela, ou carroções. Os viajantes de passagem ali deixavam os seus animais para serem cuidados. Geralmente existia sempre um ferreiro no próprio local, para ferrar um cavalo ou consertar os veículos.
Em 1875, as tarifas eram as seguintes:
Cuidar integralmente de um animal: 1 dólar ao dia, ou 5 dólares a semana e 18 dólares ao mês.
Cuidar integralmente de mulas que puxavam carroções: 0,50 centésimos ao dia, 2,75 dólares a semana e 7.50 dólares ao mês.
Carroção com seu cavalo: 1,50 dólares ao dia, 8,50 a semana; com 2 cavalos: 2 dólares ao dia e 11,50 dólares a semana.
O custo era variável segundo os locais. A instituição dos estábulos tinha então a mesma importância quanto têm hoje as garagens para carros das cidades.

Staked Plains – “Llanos estacatos” = Pradarias sinalizadas com estacas. No trajecto desértico da estrada para Santa Fé, os cocheiros experientes tinham sinalizado o percurso com estacas, servindo assim como orientação para caravanas e cocheiros inexperientes da região. Tais estacas eram visíveis umas das outras. Os Índios “Apaches”, “Kiowas”, “Apaches-Kiowa” e esporadicamente os “Comanches”, trocavam de posições tal sinalização, distanciando as caravanas das fontes de água e jogando-as em emboscadas, onde todos eram exterminados. O uso de sinalizar com estacas esses percursos desérticos devia-se às Missões Espanholas, muito avançadas do Novo México, as quais, por sua vez, queriam sinalizar o caminho da água a quem, não estivesse habituado ao percurso. A extensão desértica no Texas oriental e em Novo México oriental possuia uma extensão de 150 milhas da nascente ao poente e de 400 milhas do norte ao sul, então 240 X 640 quilómetros. É uma parte e continuação do planalto Texano, cujas fronteiras são: a norte o Canadian River, a oeste o Rio Pecos, a leste as nascentes do Red River, Rio Brazo e Colorado River e ao sul o Rio Grande. A partir de 1876, essas “Staked Pains” foram ocupadas por “Ranches” de médias proporções para a criação de bovinos, depois que tinham sido exterminadas as manadas de bisontes que lá pastavam e onde os Índios também habitavam.

Starr – 1 – Myra Belle Shirley, a “Belle Starr”, sempre mencionada em romances, como a “Rainha dos Bandidos”, a qual, com o seu bando assaltava diligências, ferrovias e bancos. Não existe nada de verdadeiro em tudo isso. Historicamente existe só o facto de que foi condenada 5 vezes pelo juiz Parker, em Fort Smith, por roubo de cavalos e bovinos e que tinha uma filha com o assaltante de bancos Cole Younger, filha esta que chamava-se Pearl Starr e que, na fuga para a Califórnia, teve um filho, Edward, com o assaltante de bancos, Jim Reed. Após ter sido fuzilado Jim Reed, ela retornou em 1875 para Oklahoma, onde se tornou a chefe de um bando de ladrões de cavalos. Em 1876 casou o mestiço “Blue Duck” e depois o mestiço “Cherokee Sam Starr”. Nove anos mais tarde dividia tecto e cama com o bandido Texano John Middleton, que tinha eliminado o seu quarto marido, Sam Starr, com uma bala na cabeça. Depois que John Middleton foi fuzilado, esposou o Índio “Creek Jim July”. Em 19 de Julho de 1888 também o sexto marido foi eliminado pelos “Marshals”. Em 1 de Fevereiro de 1889 Belle, que já tinha 41 anos, foi morta por um andarilho, enquanto cavalgava para casa. Em 3 de Fevereiro de 1889 foi sepultada diante a sua própria casa em Younger’s Bend. Foi uma mulher que, pela maior parte de sua vida, estivera em fuga, cinco vezes em prisão e que nunca tivera realmente uma família. Poucos dias antes de sua morte, teria dito a sua filha Pearl: “Os piores erros são cometidos quando se é jovem e se crê naquilo tudo, como o correcto”. 2 – Henry Starr e Kid Wilson, juntos a mais três desconhecidos, assaltaram o banco de Bentonville. A quantia foi de $11000 dólares. Ele era o neto da famigerada Belle Starr, Oklahoma; em 1894, Henry Starr matou o oficial Floyd Wilson – US Deputy Marshall, oficial do juiz Parker e por isso foi condenado à morte pelo próprio juiz. Starr apelou, porém foi novamente condenado à morte. Em seguida foi agraciado pelo Presidente Teodoro Roosevelt, em Maio de 1903. Henry Starr foi libertado e não demorou a assaltar o banco de Bentonville. Um mês após o assalto foi descoberto pela polícia no Café Royal em Colorado Springs e foi preso. Na pensão próxima chamada Spalding House, encontrava-se adormentada a sua companheira. Debaixo do travesseiro foram encontrados $1460 dólares em cédulas e $500 dólares em moedas de ouro. Henry Starr foi condenado a 5 anos de prisão. Cumpriu a pena. Quando foi libertado em 1908, não levou uma semana para assaltar um banco em Oklahoma. Mas não teve sorte. Foi morto enquanto deixava o local.

Stetson – Como o “Colt” nos EUA substituiu a palavra revólver, o “Stetson” substituiu perfeitamente a palavra chapéu, tornando-se igualmente reconhecido. John B. Stetson da Filadélfia que ao início de 1865 desenhou-o pensando que somente um chapéu com aba larga, pesada, indestrutível, poderia responder às exigências das rudezas do Velho Oeste e às suas personagens. Quando vendeu o seu primeiro exemplar para um cocheiro, ficou entusiasmado. O chapéu custava 5 dólares. A primeira dúzia de sua produção mandou para Denver em 1866, chamando-o de “Chefe das Planícies”, tornando-o famoso. Naquele tempo o feltro era feito ainda com a pele de coelho: secava-o, mastigava-o cuspindo o suco extraído, através dos dentes. Com o aumento da demanda, Stetson pensou logicamente a algo melhor, para produzi-lo. Quando morreu em 1906, deixou em herança uma Fábrica de Chapéus, reconhecida mundialmente.

Stock Horse – Era um cavalo de sela, particularmente adaptado ao trabalho com bovinos.

Story Nelson – O jovem aventureiro Nelson Story um “Yankee”, que durante a Guerra tinha sido garimpeiro e cocheiro de carroções de mercadorias, ao fim dela comprou no Texas 1.000 cabeças de gado da Raça Longhorn e conduziu-os para o norte. O ano de 1866 foi o mais rico em chuvas e tempestades dos últimos dez anos. As boiadas que iam para o norte, tiveram que enfrentar muitas calamidades naturais. A maioria dos condutores deu-se por vencidos antes de chegarem à fronteira do Kansas. Nelson Story, porém, levou a sua boiada, sem perdas, através dos rios que tinham transbordado, e finalmente chegou a Fort Leavenwort. Comprou então 15 carroções carregados com mercadorias, puxados por bois. Recrutou alguns homens e comprou também novos rifles Remington. Com esses rifles a repetição, resistiu a todos os ataques das tribos dos “Pawnee” e “Sioux” e continuou a sua estrada para Montana, que chegou após 9 meses e sem nenhuma perda. Vendeu em Virginia City o carregamento de seus carroções, com grande lucro e fundou com a sua boiada o primeiro criatório de gado em Montana. Quando a criação de cavalos tornou-se uma realidade, comprou 200 cavalos da Califórnia e fundou o primeiro criatório de cavalos de Montana. Somente o exemplo desse homem, convenceu outros a seguirem os seus passos e implantassem outros criatórios em Montana. Story tornou-se um dos mais importantes criadores daquele Estado, construiu Sedes Comerciais, fundou o primeiro Banco Nacional em Montana, construiu o primeiro moinho, ergueu em honra de John Bozeman um monumento na cidade que tinha o seu nome e presenteou um terreno, onde foi construído em 1893, o Montana State College of Agricolture and Mechanics Arts. Em 1892 vendeu 13.000 bovinos e foi para Los Angeles. Investiu então o seu capital em negócios e fez construir o primeiro edifício da Califórnia, o Story Building. Nelson Story morreu em 1926, com a idade de 88 anos e o seu Espírito de pioneirismo e fibra, aquele de conduzir uma boiada por mais de 3.500 milhas, jamais foi igualado ou repetido.

String – Cavalos de reserva para os mais variados trabalhos especiais, assim chamados pelos cowboys. Uma então “String” consistia normalmente entre 5 a 7 cavalos descansados.

Stubborn McNail – Old Pink “Stubborn” McNail que em 1864, com sua mulher e 4 filhos, construiu uma cabana rústica na encosta de uma elevação na pradaria de Nebraska, cobriu-a com grama, pendurou uma pele de bisonte diante da “porta”, começando a trabalhar a sua terra, viveu por 30 anos com a sua família nessa cabana solitária da pradaria. Sua mulher Mary recolhia esterco seco de bisonte para acender o fogo e quando tinham mais bisontes no local, recolhia grama. Deu à luz 14 filhos, sepultando 8 deles no curso dos anos. Passaram por Invernos tenebrosos, cujos ventos gélidos quase destruíram aquela pobre habitação. Old Pink combateu lobos e Índios. Por dez vezes, a sua colheita de milho foi destruída pelo granizo, fogo, gelo, inundações e ciclones. Quando tudo isso parecia ter sido superado, vieram os gafanhotos que esconderam o sol. No espaço de uma noite, o Nebraska ficou quase que completamente sem habitantes. Gente esfarrapada, esfomeada e sedenta deixava o locam, onde por anos; suaram, se esforçaram e perderam tudo. Mas o velho Old Pink “cabeça de mula” permaneceu. Sepultou a sua mulher, consumida pelo cansaço daquela terra implacável. Finalmente 20 anos depois de tentar pela primeira vez, colheu a sua plantação de milho e gastou $400 dólares para vestir os seus filhos e mandou todos os filhos sobreviventes para a escola e seis deles, para a Universidade. E enquanto os seus filhos progrediam, o velho Old Pink, continuava a sua vidinha de sempre, dia após dia. O seu “heroísmo” e de sua mulher, deixariam algo de duradouro; terra fértil, filhos sãos, que permaneceram orgulhosos de seus pais, para sempre.

Succotash – Alimento saboroso, feito com peixe, milho e feijão, o qual sustentava os Índios dos Estados Atlânticos.

Sudadero – Uma correia de couro que ornamentava a borda da maior parte da sela.

Sulker – Termo usado para mencionar um cavalo selvagem que nos “Rodeos” persistia em não sair de sua baia, ficando mordendo e dando coices, e que inesperadamente precipitava-se para a arena.

Superstição – O cowboy Americano, quotidianamente exposto às leis naturais e profundamente convencido que a vida já possuía em si um significado, tinha sim a Fé Cristã, mas dos Índios e de seu modelo, o Mexicano “Vaquero”, tinha se despojado da representação de uma Religiosidade místico-naturalística, as quais tentavam explicar racionalmente as coisas inexplicáveis. Dessa maneira, o facto de que “Os cães da noite latissem”, ou “Uma árvore frutífera que florescesse fora de estação”, ou “Um quadro que caia imprevistamente da parede”, ou “Um pássaro que voava dentro de casa”, tudo isso estava significando a Morte. Significava invés má sorte “se trabalhasse aos domingos”, ou “Se matasse uma aranha, um gato ou então uma galinha”, ou “Se via três corvos”, ou “Se torcia uma orelha do burro”, ou “Se cortassem a unha de um recém-nascido antes de ter completado um ano”, ou “Se iniciasse uma viajem na sexta-feira”, ou “Se varresse dentro da casa, após o escurecer”, ou “Se saísse de uma porta, diferente pela qual entrou”, ou “Se numa mudança levasse todas as vassouras velhas”. Também a mudança do tempo podia ser antecipada, com segurança: “As moscas eram abundantes, quando estava para chover”. Porque a chuva no clima desértico do West era de uma importância vital, os sinais eram observados detalhadamente. Assim choveria se: “Chama-se um pássaro”, “Se sentia doer os membros”, “Se os cavalos brincavam à noite”, etc.

Surcingle – Uma correia, cinta ou corda que era amarrada na barriga do cavalo.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

6 Comentários

  1. Este dicionário é deveras sensacional! Confesso não ter visto ainda seja na web ou fora dela nada semelhante e de qualidade tão ímpar! Deveria ser publicado em formato de livro! Wilson Vieira está de parabéns!

  2. Caro Sandro, obrigado por suas palavras incentivadoras! Realmente não é fácil não, encontrar na web, tantos verbetes reunidos num só lugar. E devo tudo isso, aos amigos Mário e José, administradores desse fantástico: Tex Willer Blog. Portanto, estamos todos nós de parabéns.
    Quem sabe talvez, quando ele estiver acabado alguma Editora Nacional ou Portuguesa se faça avante, não é mesmo?
    Obrigado meu amigo e continue nos acompanhando, pelas velhas trilhas empoeiradas do Velho Oeste.

    Wilson

  3. Oi Wilson, os selvagens, caubois que entravam nas cidades atirando pro alto também laçavam as pessoas? Como no jogo Red Dead Redemption ,mas em RDR quem chegava atirando pro alto eram bandidos, mas depois disso eles iam embora da cidade, como por exemplo na primeira vez que vi isso, eu fiquei o dia inteiro perdido no deserto, cheguei na cidade à noite e lá estavam eles, eu peguei atirei pro alto também (pensei que só estavam comemorando) depois quando passaram por mim vi que estavam arrastando um homem e atirei nos 4 bandidos. Obrigado.

  4. Caro Pedro, geralmente os caubois, após seu dia de pagamento e a entrega do rebanho ao seu devido proprietário, iam para o bar mais próximo da cidadela onde estavam, já galopando e fazendo grande algazarra (entre as quais laçando pessoas, também), imagine só após terem bebido então, tornavam-se um grande problema para o xerife.

    Grande abração.

    Wilson

  5. Hahahah, então não devia ser muito diferente da minha sala de aula. Grande Abraço.

  6. O alfabeto do velho oeste letra S é sinônimo de (vivendo o passado) no velho oeste, me sinto como estivesse vivendo essa época.

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