Fim de semana TEX, a encerrar o FIBDA 2008

Sábado, 8 de Novembro
O Tex (Ricardo Leite) esteve na AmadoraFoi o dia do concurso de Cosplay. E com isso, de longe, o dia mais CHEIO do Festival de Banda Desenhada da Amadora, desde que eu vim pela primeira vez!

Infelizmente, ao contrário do ano passado, não consegui ver o concurso porque a multidão simplesmente entupiu todos os acessos. Ainda vi algumas fantasias de alto nível (tinha uma garota que parecia fantasiada de Luís XIV em traje de gala que estava com um visual impressionante!), mas a parte interessante – garotas seminuas e gente pagando mico – estava complicada demais. Pena! Espero que no próximo ano eles consigam mais espaço para isso, embora não consiga imaginar como. Enfim, além do dia do cosplay, este também é o fim de semana Tex!

Marco Bianchini, José Carlos Francisco e Fabio CivitelliO amigo José Carlos Francisco, mais conhecido por Zeca, apareceu junto com dois desenhadores do caubói monolítico, Marco Bianchini e o espectacular Fabio Civitelli, que foi bastante requisitado. Eu fui um dos privilegiados que saíu com um belíssimo desenho de Fabio Civitelli e consegui ainda por cima o de um dos meus personagens favoritos… Mister No!

Cumprido esse passo, aproveitei para pegar um autógrafo com o principal autor português de quadradinhos, José Carlos Fernandes, outra “parada obrigatória” em qualquer festival da Amadora. Sempre muito simpático e solícito, ele fez-me um belo desenho no seu novo álbum em parceria com o desenhador Luís Henrique.

Mister No de Fabio Civitelli para PedroA seguir fui atrás do Cyril Pedrosa. Ele fez a excelente BD “Três Sombras”, premiada em Angoulême este ano. É sobre um garoto que começa a ser perseguido pelas “três sombras” do título e os esforços do seu pai para tentar salvá-lo. Belíssimo e recomendado! Eu levei meu exemplar e o Cyril autografou.

Por fim, entrei em uma bela fila para conseguir um autógrafo de outro desenhador de peso: Das Pastoras. O espanhol, que desenha a série Castaka (que conta a história dos ancestrais do Metabarão) com roteiros do Jodorowski, fazia miséria tendo como única ferramenta… Um lápis! Quem via não acreditava no que o camarada fazia com esse utensílio simples e versátil! Grande talento!

Autores e fãs com... TexPara finalizar o sábado, uma grande sessão de fotos com o Civitelli, o Bianchini, o José Carlos e… O Tex!

Sim, um dos frequentadores da tradicional Tertúlia BD de Lisboa estava lá devidamente paramentado como o caubói! Não dava para perder a oportunidade de tirar umas fotos com isso, né?

Domingo, 9 de Novembro.
Pedro BouçaFoi hoje só e amanhã não tem mais… O cansaço dos últimos dias bateu forte e precisei arrastar-me para
fora da cama de manhã. Até conseguir ficar em condições de sair de casa já era BEM tarde e eu cheguei ao festival pouco depois do início da sessão de autógrafos. Felizmente o sentimento parece ter sido generalizado e havia pouca gente por lá. Entrei na fila do Marco Bianchini e cheguei rápido até ele, porém ele logo interrompeu para conversar com o Jean-Pierre Dionnet!

Compreendo perfeitamente o sentimento dele, já que uma oportunidade para conversar com uma lenda viva como Dionnet (editor original da Metal Hurlant!) não surge todo dia.

Bianchini, Civitelli e Dionnet à conversaCivitelli, que sabe francês (para minha surpresa, mas isso facilitou MUITO minhas conversas subsequentes com ele…), serviu de intérprete. Bianchini mostrou ao Dionnet um trabalho dele publicado na França, uma série pós-apocalíptica chamada “Formiga Branca”, publicada pela obscura editora Pavesio. Sem dúvida era material no estilo que Dionnet editava nos velhos tempos da Metal. Não peguei toda a conversa, mas pareceu-me que o Bianchini estava interessando em arrumar uma nova editora para esse material na França. Ele e o Dionnet acertaram uns detalhes e a sessão de autógrafos recomeçou. Vale notar que, diferente do Bianchini, o Civitelli não parecia interessado em tentar um projecto mais pessoal (eu até perguntei…) e aparentemente está feliz em só trabalhar com Tex mesmo. Curiosa falta de ambição, ou amor em demasia à personagem!

Mister No de Bianchini para PedroEnfim, a interrupção levou um certo tempo, mas o Bianchini mais do que compensou fazendo uma bela ilustração da personagem que ele mais desenhou na Bonelli, Mister No (perceberam um padrão aqui?). O maior destaque do desenho foi o belíssimo trabalho de sombras que ele fez, misturando caneta, feltro e pincel! Bem melhor que o que se costuma ver nos trabalhos dele para a Bonelli (onde, a bem da verdade, a qualidade de impressão utilizada elimina essas subtilezas), quase no nível de Frank Miller! Apesar da longa espera, o trabalho de Bianchini mais do que valeu a pena, no final das contas.

Aproveitei esse meio tempo para ver os portefólios de ambos os artistas que estavam à disposição. Bianchini tinha pilhas de páginas de Mister No e alguma coisa de outros personagens à venda.

Tenente Blueberry por Fabio CivitelliJá Civitelli tinha uma história quase completa do Tex para mostrar. Páginas e mais páginas de uma qualidade inimaginável para quem está acostumado a ver o trabalho dele impresso porcamente em papel ordinário. Dava até pena de pensar em como isso ficaria nas edições da Mythos! A história, aliás, era escrita pelo Manfredi – primeiro trabalho dele no Tex mensal! Não dava para ler as mais de 200 páginas e fazer uma avaliação do roteiro, óbvio, mas a arte do Civitelli era impecável. No final do portfolio estavam algumas ilustrações, incluindo um desenho de Blueberry feito por Civitelli e um de Tex por Jean Giraud! Os dois artistas andaram “trocando cromos”! Inusitado e bem curioso!

Visto isso, peguei o autógrafo com o Luís Henriques no livro que ele fez com o José Carlos Fernandes (que, vão lembrar, já tinha feito o dele ontem). Ele usa tinta para caramba! O resultado ficou bem impressionante, mas precisou secar por uma meia hora antes de eu poder guardá-lo com segurança…

Bianchini e Civitelli desenhando Tex perante... Tex!Feito isto eu finalmente pude pegar o autógrafo do Jean-Claude Denis. Levei o óptimo álbum dele sobre odores para autografar e falamos um pouco sobre o assunto. Já tinha encontrado o Denis no ano passado, mas como não conhecia a obra dele não rolou muita conversa. Ele é gente boa e fez um desenho bem engraçado.

Acabado os autógrafos dos artistas “de fora”, aproveitei para pedir autógrafos em um exemplar da revista de humor “Moda Foca” que o editor do BD Jornal, Machado Dias, fez com vários dos nossos colegas da Tertúlia BD. O pessoal é batuta e fez um trabalho bem simpático.

Pedro e uma prancha original e gigantesca de Flash Gordon por Alex RaymondJá mortinho da silva, eu acompanhei o Civitelli e o Bianchini enquanto admiravam as exposições. Eles ficaram babando sobre os originais do Flash Gordon do Alex Raymond em exposição, os mesmos que
os LEITORES texianos nem ligaram quando eu mostrei na abertura do festival…

Incidentalmente, Alex Raymond não fazia uma única correcção no seu nanquim nos originais. Aquelas linhas superprecisas e finíssimas estavam SEMPRE no lugar certo! O homem era craque!!! Não admira que um artista do nível do Civitelli tenha ficado embasbacado com o trabalho dele.

Bianchini e Civitelli vendo as exposições do FIBDABalanço final: Muitos autógrafos, muitas (demasiadas até, para meu orçamento) compras, conheci o Zeca e outros texianos que eu só tinha visto antes “de internet”, vi originais de Alex Raymond, Moebius, Liberatore, Leo e muitos autores que nunca nem imaginara poder admirar tão de perto, adquiri um novo respeito pela arte do Civitelli e do Bianchini, constatei que Pat Mills e Janjetov são autores absurdamente simpáticos, entrevistei o Mauricio de Sousa, encontrei o Sidney Gusman depois de muitos anos e, no geral, reencontrei muita gente boa que só vejo nesse evento. Ou seja, a experiência foi altamente positiva!

Bianchini e Civitelli entrevistados pela TV AmadoraHouvesse mais garotas (maldita falta de mangá em Portugal) e um programa definido com antecedência o bastante para eu poder ter material dos autores convidados em mãos a tempo para o festival e seria perfeito!
O público também achou e esse foi o festival mais cheio que eu já vi. Não duvido que nos próximos dias a organização divulgue um recorde de público (que costuma estar na casa dos 30 mil visitantes). Merecido!

Fabio CivitelliTex e suas fãs

Texto de Hunter (Pedro Bouça)
Fotos de José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

5 Comentários

  1. Realmente foi excelente eu ter tido a “inspirazzione” de ir a Portugal para rever os amigos e conhecer uma pessoa cujo talento sempre admirei. Terminei conhecendo também outro desenhista cujo trabalho desconhecia até então mas que posso garantir que é com certeza um possível sucessor do mestre.
    E dizer que foi maravilhoso seria até redundante pois como TODOS foram (e são) MARAVILHOSOS eu só estaria me repetindo.
    Estou morrendo de saudades desses dias de sonho.
    Fernanda

  2. Um excelente festival sem duvida, um convivio texiano
    fabuloso com amigos extraodinários.
    Um abraço a todos.
    Carlos e Teresa Moreira

  3. Acabo de aterrizar da minha primeira aventura texiana – o último FIBDA – e ainda me custa crer que em tão poucas horas de convívio com texianos que conhecia pela primeira vez tenha podido surgir um sentimento de grupo tão forte. Nada a ver com as “panelinhas” exclusivistas e umbilicais da maioria das tribos. Muito pelo contrário, aqui é o espírito de camaradagem que impera. Os texianos têm a amplitude mental das extensas pradarias e dos vastos desertos do velho oeste, e uma grandeza de espírito que nenhum Grand Canyon pode abarcar. É gente da melhor qualidade. De peito e braços calorosos e sempre abertos aos que se queiram achegar ao calor da sua fogueira para compartilhar afinidades, experiências, emoções…
    O nosso herói sessentão está de parabéns! Não só pela proeza de manter todo o seu vigor apesar da idade, mas também, e sobretudo, pela força aglutinadora que exerce ao longo das gerações.
    A todos os meus novos amigos texianos, um imenso e grato abraço de ¡Hasta la vista, compañeros!
    Tizziana

  4. Foi um fim de semana fantástico! Tive o grato prazer de estar na 6ª feira no aeroporto junto com outros amigos esperando por Fabio Civitelli e Marco Bianchini, de estarmos no hotel, de termos ido jantar entre nós (noutro restaurante) enquanto esperavamos que terminasse o jantar da organização, de termos passeado por Lisboa até cerca da 1h da manhã e de ter ido ao Festival da Amadora (onde achei tudo espectacular). Senti-me tão bem, uma amizade fraterna! Um abraço a todos. Orlando Santos Silva

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