Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Roney Marino Junior: Saudações facinorosas a todos os leitores desse nobre blog! Agradeço de coração essa oportunidade.
Vamos lá, sobre a minha história… Me chamo Roney Marino Junior, tenho 33 anos, nasci em São Paulo-SP, mas fui criado entre a capital e a cidade de Analândia, no interior paulista, onde meus avós moravam. Tive o privilégio de passar a infância entre cachoeiras, cavalos e brincadeiras no meio do mato. Uma realidade já distante do jovem moderno. Fui atleta de natação na adolescência, e posteriormente, ingressei nas fileiras do Exército Brasileiro, me formando Aspirante-a-Oficial da arma de Cavalaria (Mais uma vez refletindo meu amor pelos equinos).
Atualmente, sou sofredor… Ou melhor dizendo, sou advogado. Sempre confundo. Apesar dos altos perrengues e dos parcos honorários, adoro minha profissão. Verdadeiramente acredito naquele negociozinho chamado Justiça (Mesmo que a justiça terrena não seja sempre confiável, ainda temos a justiça do Papai do Céu. Essa sim sempre chega, mais cedo ou mais tarde).
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Roney Marino Junior: Sempre fui um ávido leitor de quadrinhos. Lembro de ir em sebos comprar Homem-Aranha em formatinho quando era bem jovem (talvez uns 8-9 anos). Eram bem baratinhos na época.
Por outro lado, o primeiro quadrinho novo que tive, foi um presente da minha tia Maristela, que o adquiriu em uma banca no centro da cidade. Era Homem-Aranha nº 1 da Panini (jan/2002), com arte do Romitinha. Tenho até hoje, as páginas estão caindo de tanto que li e reli.
Por incrível que pareça, na infância nunca dei muito bola para Turma da Mônica ou Disney. Eu gostava mesmo era de super heróis! Em especial, o Cabeça de Teia e o Morcegão, meu herói favorito, aliás. Atualmente, eu até gosto de ler histórias da Disney (Tio Patinhas, principalmente), mas na época não ligava nem um pouco.
Também me recordo de passar horas e horas desenhando (e copiando as artes dos quadrinhos). Até hoje tenho guardados os desenhos da infância e da adolescência. Desenhar, inclusive, é um hobby que mantenho até hoje. Ainda arrisco na arte, fazendo meus mirabolantes, quiçá, delirantes, DOODLES. Quem quiser conferir, o Instagram é @marinodoodleart.
Com 15 anos, eu parei de colecionar para me dedicar à música. Lembro de vender em sebos muitos quadrinhos (Se arrependimento matasse, eu já tinha morrido umas 30 vezes). Foi somente na faculdade, em agosto de 2015, que eu voltei a colecionar seriamente.
Quando descobriu Tex?
Roney Marino Junior: Tex, grande Tex! Eu que achei ele ou ele que me achou? Não sei, o que eu sei é que Tex é uma leitura que desejo levar até o último dia da minha vida.
Minha trajetória bonelliana é deveras intrigante. Como eu disse, voltei a colecionar em 2015. Mas só super heróis e quadrinhos alternativos, nada de Bonelli. Nunca tinha tido contato com Bonelli inclusive. Sempre que via os anúncios ou revistas da Bonelli, eu ficava meio receoso devido a numeração. Dylan Dog 36, Tex 631, Julia 143… Já pensou ter de ler dezenas ou centenas de quadrinhos anteriores para entender a história e a cronologia? Óbvio que sabemos que não é assim que a Bonelli funciona, mas na época eu não fazia a menor ideia.
Pois bem, por volta de 2021, eu decidi arriscar. A Mythos estava relançando Dylan Dog por um valor acessível, e peguei os volumes 1, 2 e 3. Foi amor a primeira leitura! Eu queria mais e mais! Comprei outro lote de Dylan Dog, e comprei alguns Tex Platinum e Tex Ouro (acho que paguei 5 reais cada um, bons tempos).
Lembro de ler primeiramente Tex Ouro nº 100, com as tramas “Intriga no Klondike” e “Onde Mora o Medo”. Achei magnífico! Logo em seguida, li Tex Platinum 22 que compilou o clássico “Matador!”. Não tinha mais jeito, eu já estava fisgado. Dali adiante, Tex ingressou no panteão das leituras preferidas!
Porquê esta paixão por Tex?
Roney Marino Junior: No fundo, eu amava o Tex e nem sabia! É verdade, deixe-me explicar melhor…
Quando eu era jovem, frequentava muito a cidade de Analândia (Férias, feriados, etc), pois era lá que meu avô morava. Meu avô paterno se chamava Oswaldo Marino, o Vadinho. Era um italianão bem-humorado, boca suja e meio rabugento. Foi jogador da zaga do Palmeiras na década de 50. Oberdan Cattani (uns dos maiores goleiros do Palmeiros) lhe apelidou de “Caminhão”, pois ele atropelava tudo mundo em campo.
Pois bem, meu avô tinha uma extensa coleção de VHS e DVDs. Apenas filmes de faroeste e do Mazzaropi. Mais nada! Ele era fanático por coisas de velho oeste e caipiras. Todas as vezes que ia para a casa do vô Vadinho, assistíamos algum filme dessa coleção. Portanto, desde pequeno esse amor pelo faroeste já vinha sendo incutido em mim através da influência do meu avô.
Nunca parei de assistir faroeste, sempre gostei. Portanto, é deveras estranho eu não ter lido Tex antes, não é? Nem tanto, como expliquei na resposta acima, as numerações altas sempre me afastaram. Tinha receio de pegar uma história no meio e não entender nada. Não deixava de comprar porque não gostava de faroeste, mas sim, porque tinha medo de não entender nada.
Contudo, um belo dia resolvi apostar… E pra variar, Tex ganhou essa aposta! Haha. Essa paixão que eu sempre tive por faroeste, só vem aumentando!
E tudo começou com o vô Vadinho. Saudades…
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Roney Marino Junior: Justiça, justiça e justiça! Tex é o baluarte da justiça! Não existe um único malfeitor que não receba o devido castigo nas páginas de Tex. Em tempos onde a injustiça, desonestidade e corrupção imperam, vislumbrar um sopro de justiça é sempre bem-vindo, mesmo que seja nas páginas de uma HQ. É difícil ver Tex atuando em áreas cinzentas, sua bússola moral é incorruptível! Ele pode até atropelar o falido sistema policial e jurídico, mas sempre em prol de alcançar a execução da verdadeira justiça, que não raras as vezes, se demonstrou ser olho por olho.
Além disso, Tex é cabra macho ligado no último! Ele não tem medo de nada (Talvez um pouco do Mefisto. Haha.). Em vários momentos Tex larga as armas para encarar os bandidos com os próprios punhos! Pois, às vezes, não basta vencer o mal… O mal também precisa ser humilhado. A mensagem de que o bem, a justiça e a moralidade devem prevalecer sobre tudo é contumaz nas páginas texianas. É isso que torna Tex tão elementar e granítico! Uma dedicação sobre humana na defesa dos injustiçados, custe o que custar!
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Roney Marino Junior: Deixe me ver aqui… 1, 2, 3, 4… Haha. Brincadeira.
Apesar de ter quase toda coleção catalogada, esse ano eu deixei esse necessário ofício de lado. De tal maneira, não cataloguei quase nada no ano de 2026. Falta de tempo total nesse ano (primeiro ano de casado, aliás).
Ou seja, todas as aquisições desse ano, ainda precisam ser catalogadas. Graças a Deus, consegui pegar bastante coisa, principalmente Zagor, Tex e alternativos.
Os quadrinhos de super heróis estão todos na casa da minha mãe. Infelizmente, não caberiam no apartamento que moro atualmente, que por sua vez, comporta toda a coleção Bonelli, acrescidos dos alternativos.
Contudo, para o bem dessa entrevista, e com o auxílio de minha esposa, contei toda a coleção e cheguei ao número atual, vamos lá:
• No geral, são 3.443 títulos.
• Desses, 1.123 são Bonelli.
• E desses, 665 são Tex (Um volume a mais e seria a coleção do Mefisto. Haha)
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Roney Marino Junior: Coleciono de tudo. Sketches, bookplates, canecas, marca-páginas, postais, pósteres, itens pequenos, e é claro, os quadrinhos. Atualmente venho colecionando os livros didáticos sobre o Ranger. O melhor deles, sem dúvidas, é “Tex… E a história de uma coleção” do pard João “Fuinha” Marin, grande conhecedor do personagem e maior colecionador do Brasil.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Roney Marino Junior: O Dinamite. Haha. Brincadeiras a parte, estou bem satisfeito com minha coleção. Tenho todas as histórias do Ranger já publicadas, num formato ou em outro. Evito repetições, a não ser que seja uma versão P&B e uma colorida da mesma história.
Como item de desejo pessoal, adoraria possuir aquela coleção gigantesca da Mondadori com a lombada vermelha (“Grandi libri”). Tenho alguns volumes, mas sempre estou em busca de outros. Infelizmente, no Brasil é bem difícil de consegui-los. Talvez seja mais fácil eu comprar um cavalo e chamá-lo de Dinamite mesmo!
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Roney Marino Junior: Ah, agora entraremos em terreno perigoso… Como escolher apenas uma história?? Que tarefa hercúlea! Mas vamos lá, primeiramente as menções honrosas.
Podemos citar “O Bando dos Irlandeses”, “Fuga de Alcatraz”, “Caçador de Fósseis”, “Dinamite”, “Tex: O Herói e a Lenda”, ” O Implacável”, “O Vale do Terror”, “O Passado de Kit Carson”, “O Presságio” e “O Duelo”.
Todas essas histórias são clássicos incríveis e adoro de coração cada uma delas. Outras histórias menos conhecidas, mas que também adoro são “Missão em Boston” e “Assassinato em Nova Orleans”.
Entretanto, a história que está no meu top 1 é Patagônia!! Forte, dinâmica, bem narrada e bem desenhada! Uma obra-prima! Em dado momento até escorreu suor dos meus olhos.
Os desenhistas que mais gosto são José Ortiz, Claudio Villa, e é claro, Fabio Civitelli, que felizmente tive o prazer de conhecer esse ano, quando veio ao Brasil em evento promovido pela Mythos Editora.
Sobre os roteiristas, irei chover no molhado. Adoro tudo o que Gianluigi e o Sergio fizeram. Eles criaram e deram forma aos pards. Ambos possuem tramas maravilhosas e icônicas… Porém, para mim o maior roteirista de Tex é o Mauro Boselli. Ele atualizou o Ranger, deu mais vida para os pards e construiu histórias mais coesas e ricas, levando em consideração panoramas históricos e geográficos. Sem mencionar toda a gama de personagens secundários, incrivelmente interessantes e multifacetados. Juntar Boselli com um bom desenhista, não tem erro!
E agora eu serei mais polêmico ainda: Nizzi sabe escrever Tex, mas Boselli sabe escrever uma história! Não tem nem comparação. Nizzi é mais direto, com tramas mais clichês, onde conseguimos ver o desfecho de longe. Boselli, por sua vez, sabe respirar, sabe criar a ambientação, e sabe desenvolver os personagens. Além disso, diferentemente do Nizzi, Boselli trata o Carson com mais respeito. Ou seja, não o trata como alívio cômico que Tex toda hora precisa resgatar. Via de regra, Boselli trata o Carson como um ranger casca-grossa e habilidoso, pois é isso que o Camelo Velho realmente é.
Gosto do Nizzi, não me entendam mal. Assim como gosto da escrita do Gianluigi, Sergio, Ruju… Mas acredito que nunca mais teremos outro escritor que consiga fazer o que Boselli fez no Ranger.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Roney Marino Junior: Já respondi em partes, mas volto a ressaltar o senso indômito de justiça do ranger! Tex é detentor de um incorruptível caráter, além do comprometimento com as amizades, suas atitudes caridosas, seu ar disciplinado e seu eterno amor por seu filho e sua falecida esposa… Em suma, Tex encarna valores nobres, justos e benevolentes, que por sua vez, se fazem mais necessários nos tempos modernos.
O que menos me agrada é a infalibilidade do Tex. Em algumas passagens, a suspensão de descrença precisa ser bem alta para acreditar que um ser humano comum (sem super poderes, digo) consiga fazer tudo que Tex faz. Ele ouve melhor que todos, atira melhor que todos, anda a cavalo melhor que todos… Tem um sexto e sétimo sentidos! Sabe aqueles momentos em que Tex corre através de uma saraivada de balas e nenhuma sequer acerta ele de raspão? Ou ainda, aqueles momentos em que Tex consegue desarmar o inimigo que está com a arma a queima-roupa nas costas dele? Pois bem… Às vezes é complicado acreditar em tudo isso, principalmente quando situações desse tipo se repetem na mesma história.
O Mauro Boselli é um pouco mais realista nesse sentido. O Tex dele erra um pouquinho mais. Não a ponto de transformá-lo num homem comum, mas o suficiente para que Tex não seja infalível como o Batman.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Roney Marino Junior: Tex é um ícone porque é eterno! Um personagem que atravessou gerações e continua de pé! Independente do que ocorra com as vendagens no futuro, Tex nunca irá desaparecer. Tex tem vasta importância cultural, em especial na Itália, e não somente no meio quadrinístico. Sua influência transcende as páginas. Páginas estas, aliás, que influenciaram centenas de artistas e escritores.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Roney Marino Junior: Sim, pelo menos duas vezes por ano encontro os pards em eventos pela capital. São Paulo possui bastante entretenimento nesse sentido. Sempre tem um festival aqui, um evento ali… Tenho que tirar meu chapéu (de cowboy) para a Mythos nesse sentido. Vira e mexe, ela organiza eventos na loja e no estoque para reunir os colecionadores. Nessas e outras, as figurinhas de sempre (fuinhas, no meu caso) acabam se encontrando.
Como é que as redes sociais e os fóruns online mudaram a sua experiência de colecionador em comparação com a época das cartas dos leitores?
Roney Marino Junior: Quê que foi, quê que foi, quê que há? Não sou tão ancião assim… Não cheguei a pegar a época das cartas. Haha.
Mas sim, as redes sociais foram um divisor de águas para o colecionismo.
Você acaba conhecendo diversas pessoas com interesses em comum, seja através de grupos do Facebook, Whatsapp ou Instagram. E um pard apresenta outro, que apresenta outro, e por aí vai.
Lembro de conhecer o Carlos Ramalho em uma negociação por Whatsapp. Encontrei em um sebo de Águas de Lindóia/SP um catálogo raro do Tex (Da exposição “A Balada de Tex” no SESC Pompéia de 1992), e perguntei se ele tinha interesse. Óbvio que ele tinha (vendi barato. Me arrependo. Haha).
De lá para cá, nasceu uma decorosa e saudável amizade com o Chico Tupiniquim. Pessoa extraordinária! Digo o mesmo sobre o pard João Marin, que conheci inicialmente pelo Facebook. Um sujeito sensacional que já me recebeu na própria casa. Também vale menção, Guilherme Fermiano, nerd inveterado, que a duras custas está adentrando no universo de Tex.
Mas todos são pessoas que considero amigos. Conheci e mantenho contato praticamente diário com todos, graças a facilidade das redes sociais.
Já influenciou ativamente alguém da sua família (filhos, netos, sobrinhos) a começar a ler e a colecionar Tex? Como foi essa experiência?
Roney Marino Junior: Família ainda não. Estou na luta para influenciar irmão e esposa. Sem muito sucesso até o momento. Contudo, amigos já influenciei alguns! Um deles (Lourran Damasceno) virou fanático pelo Tex, já adquiriu uma renca de coisas (Já que a Bonelli ou a Mythos não fazem muito esforço para renovar os leitores, bora fazer a nossa parte, né?).
Como imagina que será a sua coleção daqui a 20 anos? Pensa em doá-la, vendê-la ou passá-la como herança familiar?
Roney Marino Junior: Se Deus permitir, ainda estarei vivo (e jovem!) daqui 20 anos. Logo, imagino que a coleção estará bem maior. Talvez com 7 ou 8 mil exemplares no total. Definitivamente precisarei encontrar um cafofo maior. Haha.
Agora, quando eu estiver velhinho, gostaria que fosse herança. Gostaria que meus futuros herdeiros gostassem de ler quadrinhos. Que fossem apaixonados como nós somos. Gostaria que minha biblioteca vivesse através deles, que eles compartilhassem a cultura e entretenimento que só uma biblioteca é capaz de proporcionar. Vou além, que eles se inspirassem a se tornarem artistas ou escritores (nem que seja como um hobby).
Entretanto, por mais que nós incentivemos ou invistamos, às vezes, nossos filhos não seguem nossos hobbies. Cada ser humano tem sua personalidade, aptidões e gostos pessoais. Nesse cenário, observando o desinteresse dos herdeiros, irei vender tudo antes de partir para as pradarias celestiais (E usar o dinheiro para fazer um cruzeiro ao redor do mundo com minha esposa – The Last Voyage!).
Como vê o futuro do Ranger?
Roney Marino Junior: Olho diariamente para minha bola de cristal mefistofiana, e sinceramente, o futuro não é nada promissor. A geração atual simplesmente não liga para leitura, muito menos Tex. O negócio deles é video game. De certa maneira não os culpo. Os quadrinhos estão cada vez mais caros e as casas cada vez menores. Como um jovem vai comprar e onde vai guardar uma grande coleção de quadrinhos, não é mesmo?
A verdade nua e crua é a seguinte: a Bonelli é uma editora sustentada por leitores mais antigos. Pessoas mais velhas. Homens, com no mínimo 40 anos. O grosso dos leitores de Bonelli está dentro dessa demografia. Nós percebemos isso pelos eventos. Eu tenho 33 anos e devo ser o mais novo por ali. Haha.
Além disso, vejo diversos colecionadores mais velhos comprando e vendendo edições mais antigas de Tex/Faroeste por valores absurdos, imaginando que isso irá valorizar algum dia. Ledo engano. As únicas pessoas dispostas a pagar caro por uma edição antiga de Tex é justamente essa geração mais velha que cresceu lendo faroeste. Hoje, tal geração, possui melhores condições financeiras e a nostalgia faz com que paguem caro em algumas edições. Mas isso não se repetirá no futuro. Simplesmente não há apego emocional ao Tex por parte das gerações mais jovens. Quando os leitores mais velhos falecerem, essa bolha especulativa irá desaparecer, e os preços dos quadrinhos antigos/raros irá despencar grandemente. Me perdoe a sinceridade, mas um jovem de 19 anos não tá nem aí pra edição 01 de Tex da Vecchi. Se der na mão dele, ele troca por um jogo de video game na hora (jogos estes, que atualmente já custam seus 300-400 reais, inclusive).
Quadrinhos de heróis ainda vendem bem, não nego. Mas o jovem que ainda se interessa por quadrinhos, não vai gastar seu suado e escasso dinheiro com Tex, História do Oeste ou Mister No, sejamos francos. Ele vai comprar Batman, Homem-Aranha, Vingadores, etc… Muitas vezes influenciado pelos filmes.
O resumo da ópera é o seguinte: daqui uns 25 anos todo o cenário de colecionismo bonelliano irá mudar. As vendas já vem caindo ano após ano, seja no Brasil, seja na Itália.
Se a Bonelli e a Mythos não se reinventarem para renovar o público, no futuro poderemos “sepultar” o Ranger. Não tem muito segredo…. Do jeito que as coisas estão, o futuro não é nada promissor. Tex continuará existindo, óbvio!
Mas com uma produção bem menor, para um público bem nichado.
Para concluir, alguma palavra final?
Roney Marino Junior: Novamente agradeço de coração por essa oportunidade! Foi em prazer comentar minha trajetória texiana!
Para os pards deixo uma recomendação… Sempre que possível compartilhem histórias da Bonelli, principalmente Tex. Empreste para familiares, presenteie novos leitores, levem amigos aos eventos, incentivem os filhos e netos a fazerem trabalhos na escola envolvendo o Ranger… Não vamos deixar o bastião do faroeste desaparecer! Depende de nós também! Um abraço a todos e fiquem com Deus!
Prezado pard Roney Marino Junior, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Que entrevista maravilhosa, Zeca! Ler a história deste companheiro e pard de Tex faz-me lembrar de quando comecei a minha própria coleção, há mais de 30 anos. Essa paixão pelo Ranger é algo que une gerações. Parabéns por mais este conteúdo de altíssimo nível no blog!
Excelente leitura! É fantástico ver como a paixão pelo Tex se traduz em dedicação à coleção. O entrevistado tocou em pontos fundamentais sobre a evolução dos desenhos e dos roteiros ao longo dos anos. Mais um post obrigatório para quem respira a BD bonelliana.
Grande entrevista! É formidável ver a força da nossa comunidade lusa e brasileira unida em torno do Tex. Histórias de vida como esta provam que Tex não é apenas uma banda desenhada, é um estilo de vida. Quem me dera ter uma coleção assim tão bem organizada!
Sensacional! Sou da nova geração de leitores de Tex e ver esse nível de dedicação de um fã mais experiente serve de grande inspiração. Comecei a minha coleção há pouco tempo e ler o blog dá-me ainda mais vontade de ir atrás dos números antigos. Parabéns pela entrevista!
Fiquei impressionado com o acervo do entrevistado! Todo o colecionador sabe o trabalho, o suor e o orgulho que dá conseguir aquela edição rara. Obrigado, Tex Willer Blog, por trazer estas histórias de bastidores dos próprios leitores. Abre espaço para todos partilharmos as nossas loucuras por Tex!
Que coisa linda e interessante sabermos que TEX continua mesmo em tempos modernos (digitais )continua fazendo leitores , colecionadores e admiradores ! Parabéns ao pard pela bela coleção e ao pard Zeca pela entrevista