As Leituras do Pedro: Tex 656/21 a Tex 659/24 – O Tigre ataca de novo

As Leituras do Pedro*

Tex 656/21 – O Tigre ataca de novo
Tex 657/22 – Fuga pelo Oceano
Tex 658/23 – O rajá branco
Tex 659/24 – Os piratas de Bornéo
História originalmente publicada em Tex 756 a Tex 759 (SBE, Itália, 2023)
Mauro Boselli (argumento)
Andrea Venturi (desenho)
Mythos Editora
Brasil, 2024
160 x 210 mm, 112 p., cor, capa cartão
R$ 32,90

Tex – O Tigre ataca outra vez
De que lado?

Continuando a ressuscitar – mais figurada que literalmente – personagens marcantes da longa cronologia das aventuras de Tex Willer, Mauro Boselli desta vez leva-nos de novo ao encontro do Tigre Negro, aqui na sua quarta aparição na série, algo que poucos – ou mais nenhum? – dos adversários de Tex se podem gabar, com excepção talvez de Mefisto.

Relembro que a personagem, na sua origem, chefiava as tríades orientais que dominavam o sub-mundo de São Francisco, o que levou ao confronto com Tom Devlin, primeiro, enquanto chefe da polícia local, e depois com Tex e Carson chamados por aquele. À parte isso – e, de certo modo, evocando Mefisto – há nas histórias originais do Tigre Negro também uma componente fantástica, fruto da sua ligação ao culto vudu oriundo de New Orleans, o que lhes confere uma aura especial – e lhe confere uma galeria de sequazes muito interessante, igualmente presentes neste retorno, a começar pela bela Luana.

Agora, numa longa história que ocupou quatro revistas mensais da série – ou seja, mais de 400 páginas – Boselli começa por encerrar esta componente fantástica para avançar pela temática aventurosa pura e dura, embora, de certa forma, coloque desta vez o cerne do seu argumento no quão legítimo é usar meios errados para atingir fins nobres.

Por outras palavras, leva a inferir que o Tigre Negro apenas cometeu todos os crimes que lhe conhecemos do passado, para conseguir meios económicos para recuperar o principado que governava e lhe foi roubado pelos colonizadores brancos, no caso holandeses. Essa situação acaba por originar dois interessantes confrontos de ideias, entre o próprio Tigre e Tex, a um determinado nível, e também entre os jovens Kit e Daniel (filho daquele), mas num outro patamar. Os dois, pai e filho Willer, numa ou noutra altura, questionam até o lado de que deveriam estar: na luta pela recuperação do trono usurpado ou na perseguição ao criminoso que tanto mal causou durante a sua passagem pelos Estados Unidos.

Numa história com muita acção, cenários muito variados, um leque alargado de intervenientes, várias surpresas e um desfecho que só se torna evidente já perto do final do relato, Boselli, que aqui e ali o estica um pouco mais do que o necessário, consegue fazer jus à aura que a personagem trazia e contribui mesmo para a aumentar.

Inevitavelmente, já que a parte final da história é ambientada no Bornéo, esta quarta saga do Tigre Negro (cujo nome verdadeiro é Sumankan) evoca, a vários níveis, um outro príncipe, que lutou igualmente para recuperar um trono usurpado, também ele um tigre, o de Monpracem, mais conhecido como Sandokan, a marcante criação de Emílio Salgari.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(capa brasileira disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as apreciar em toda a sua extensão)

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