Entrevista exclusiva: PEDRO MAURO

março 20, 2017
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Entrevista conduzida por José Carlos Francisco com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Bira Dantas na caricatura.

Pedro Mauro na arte caricatural de Bira Dantas

Caro Pedro Mauro, bem-vindo ao blogue português de Tex. Para começar, pode falar um pouco da sua infância?
Pedro Mauro: Eu nasci em uma grande fazenda no interior de São Paulo, Brasil, onde eu passei a minha infância nesse lugar, no meio da natureza, com rios e cachoeiras.
Éramos onze irmãos, uma grande família. E foi nesse lugar que desde cedo, comecei a gostar de cinema e quadrinhos, e os meus preferidos eram os de cowboys.

Quais foram os primeiros quadradinhos que você leu?
Pedro Mauro: Eu adorava quadrinhos mesmo antes de saber ler, me encantava com os desenhos, e dizia para os meus pais que queria ser desenhador.
Os primeiros que li, foram os da Disney.

Na época da sua infância e adolescência, quais eram as BDs (HQs) publicadas no Brasil?
Pedro Mauro: As HQs publicadas no Brasil naquela época eram muitas.
As HQs europeias apareciam em almanaques com histórias de guerra e  westerns. A grande maioria era americanas, como Disney, Fantasma, Mandrake, Príncipe Valente, Flash Gordon e super-heróis da Marvel e DC.
As publicações brasileiras eram sobre temas históricos, personagens do folclore brasileiro, como o Saci Perere, do Ziraldo,  terror e histórias sobre a segunda Guerra mundial.

Quando é que você começou a se familiarizar com lápis e pincéis?

Pedro Mauro: Comecei muito cedo a desenhar e pintar. Desde criança eu tinha na mente que eu iria ser desenhador de HQs. Passava horas olhando e tentando copiar grandes desenhadores da época, tentando fazer a minha própria história. Meus cadernos escolares eram cheios de desenhos, o que sempre me levava a ser repreendido pelos professores, mas não desistia.

Quais foram os seus primeiros trabalhos profissionais?

Pedro Mauro: Fiz o meu primeiro trabalho profissional quando tinha 16 anos, como assistente de um grande desenhador, Ignacio Justo, que desenhava histórias sobre a segunda grande guerra. Ele foi o meu mestre e eu assinei algumas histórias de guerra com ele. O editor viu que eu gostava de desenhar cowboys, confiou em mim, e convidou-me para desenhar um personagem, Pancho, no estilo western spaguetti, que aliás faziam muito sucesso na época. Já comecei com uma revista mensal de 28 páginas e capa, e desenhei westerns por dois anos.



Como foi a sua experiência nos Estados Unidos, para onde você se mudou em 1990?

Pedro Mauro: Quando eu deixei as HQs em 1972, eu fui trabalhar em publicidade, em São Paulo, como ilustrador de storyboards. Trabalhei no mercado brasileiro por mais de vinte anos. Foi quando em 1995 visitei estúdios em Nova York e fui convidado para trabalhar lá como ilustrador.
Acertei com um grande estúdio, Santa Donato Studios,  que representava vários artistas para grandes agências de publicidade e estúdios de cinema.
Morei lá por 12 anos, e fiz muitos storyboards e artes para diversos clientes. Foi um período muito importante na minha carreira profissional, aprendi muito com artistas americanos e pude acompanhar de perto o trabalho de HQs, apesar de não ter tentado nada com quadrinhos por lá. Mas foi lá, antes de voltar ao Brasil, que decidi que iria voltar para os quadrinhos.

Em 2013 você voltou a trabalhar com BD ao desenhar uma história escrita por Carlos Stefan: como considera esse seu trabalho?
Pedro Mauro: A minha primeira tentativa de voltar para os quadrinhos, foi em 2013, com o convite de meu amigo Carlos Stefan, numa história Back From The Dead Red, sobre uma lenda de uma pirata francesa, a qual não está ainda finalizada, devido às nossas agendas de trabalhos.

Como você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore?
Pedro Mauro: O meu primeiro contacto com a Bonelli, foi na realidade através de Gianfranco Manfredi.
Como eu estava trabalhando na minha história de piratas, passei a publicar na minha página no Facebook os meus desenhos e estudos. Em Janeiro de 2014, recebi uma mensagem do Gianfranco convidando-me para desenhar dois episódios de Adam Wild, seu novo personagem para a Bonelli. Trocamos emails e comecei a desenhar meses depois.

Conheceu pessoalmente Sergio Bonelli?
Pedro Mauro: Não, não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Sergio Bonelli, mas amigos meus que o conheceram, falavam muito dele, como profissional e amante dos quadrinhos.

Como foi trabalhar com Gianfranco Manfredi?

Pedro Mauro: Trabalhar com Gianfranco foi e é muito fácil e prazeroso. Eu recebo o roteiro muito bem descrito e com uma grande e organizada quantidade de referências fotográficas, pesquisa e etc…
Eu apresento sempre as páginas a lápis antes de fazer o nanquim, e nunca houve mudanças ou problemas, devido à forma que ele detalha e me entrega os seus roteiros.
Estou terminando o meu terceiro trabalho com ele, e provavelmente vamos iniciar um quarto em breve.

Fale um pouco do seu trabalho com Adam Wild.
Pedro Mauro: Eu fiquei muito feliz quando recebi o primeiro roteiro de Adam Wild, porque eu estava voltando para os quadrinhos com uma bela aventura e assinada por um grande roteirista.
A história passava-se em Lagos, Nigéria, e os personagens principais já estavam criados, mas nos meus episódios tive que criar outros importantes dentro da história, como Prince e Baba. Eu me apaixonei pelos personagens, pena que a série foi descontinuada.

Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, busca de informações, ócio, vida familiar?
Pedro Mauro: Eu levo em média um dia para fazer uma página completa. Mas eu gosto de trabalhar fazendo sketches a lápis de uma série de páginas, então eu mostro para o autor e finalizo essa série toda.
Assim, minha média mensal é de 15 a 20 páginas por mês, dependendo da complexidade das cenas. Eu procuro sempre manter uma rotina de trabalho de 8 horas diárias, de segunda às sextas. Os fins-de-semana eu sempre uso para pequenos acabamentos nos desenhos, e para ficar com a família. Duas vezes ao ano eu tiro alguns dias para viagens e Comic Cons.

Como é a sua técnica de trabalho?
Pedro Mauro: Eu trabalho minhas páginas da maneira tradicional. Uso lápis, papel e para acabamento uso nanquim, pena e pincel. Geralmente faço em tamanho A3 (28 por 38 cm).

Você se sente um artesão dos quadradinhos ou um artista? Para você, desenhar é um estímulo, uma diversão ou um trabalho?
Pedro Mauro: Vejo-me como os dois, artesão e artista, pela forma com que eu trabalho minhas HQs.
Desenhar para mim é puro estimulo. Eu vivo e penso desenho todo instante, se vejo uma cena na rua, de repente imagino ela desenhada, o mesmo quando assisto a um filme.
É claro que é também meu trabalho. Eu vivo de desenho há mais de 40 anos.
Mas encanta-me esta profissão, você poder viajar pelo mundo sem sair da sua mesa, dar vida a personagens de todo tipo, ser o director, cenografista, camera man, enfim, poder trabalhar nesse maravilhoso mundo de fantasia que é a banda desenhada.


Você mora e trabalha em Itu, no Estado de São Paulo. Como é o seu relacionamento com essa cidade histórica?
Pedro Mauro: Itu foi a cidade que escolhi para viver nos últimos trinta anos. É uma pequena cidade histórica perto de São Paulo, e que teve grande importância no período colonial do Brasil.
Com seus museus e igrejas seculares, ainda tem nos seus casarões a arquitectura portuguesa de mais de quatrocentos anos.
Aqui no meu estúdio, eu encontro a paz que eu sempre busquei para trabalhar.

Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Agora que você é um desenhador bonelliano, gostaria de desenhar Tex? Já recebeu alguma proposta nesse sentido?
Pedro Mauro: Eu sempre gostei de westerns e comecei a minha carreira desenhando westerns.
É claro que, desenhar Tex para mim seria coroar a minha carreira de quadrinista, uma honra. Mas sei que desenhar Tex é para poucos. Não recebi nenhuma proposta nesse sentido.
Mas me senti realizado quando visitei a sala de redacção de Tex, na Bonelli, lá pude sentir a força do personagem nos quadrinhos.

Para si, o que significaria desenhar histórias de uma lenda da Banda Desenhada como Tex?
Pedro Mauro: Seria uma realização pessoal desenhar uma lenda como Tex, e também um desafio, sabendo que grandes artistas já deram vida a esse famoso Ranger, que logo mais completa 70 anos.

Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que mais lhe agrada e menos agrada no Ranger?
Pedro Mauro: Eu vejo o Tex como uma lenda, uma lenda que atravessou décadas e é um sucesso.
O que me agrada é seu senso de justiça e que faz valer a lei custe o que custar. Um verdadeiro herói fazendo sua história no Oeste.



Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Pedro Mauro: Tenho certeza que Tex vai atravessar muitas décadas cavalgando, fascinando seus fãs mundo afora.
Tex é carismático e uma fonte inesgotável de aventuras, e é cuidado com muito carinho pelos seus editores.

Quais são seus projectos futuros? Pode nos antecipar alguma coisa?
Pedro Mauro: Tenho um projecto pessoal para este ano, que é um álbum com reprodução de algumas histórias de western que desenhei em 1970, e com uma história nova e inédita de abertura.
Também uma série em fase de sketches e finalização de roteiro, de ficção cientifica que será publicada provavelmente nos Estados Unidos.
Por fim, aguardando um ok, para mais uma participação numa série de Gianfranco, para a Bonelli.



Além de BD, você lê livros? E quais são as suas preferências no cinema e na música?

Pedro Mauro: Sim, sempre leio livros, mas também às vezes fico muito tempo sem ler devido à minha agenda de trabalho. Procuro assistir o máximo de filmes porque adoro cinema, que é uma fonte inesgotável de aprendizado, para quem trabalha com quadrinhos.
Minhas preferências, na ordem,  westerns, ficção e aventura fantasia, como O Senhor dos Anéis.
Na música, rock leve, musica popular brasileira e jazz.

E chegamos ao fim. Você gostaria de dizer alguma coisa mais, algo que não lhe foi perguntado e que você gostaria que os nossos leitores soubessem?
Pedro Mauro: Só queria completar dizendo, que me sinto realizado nos meus 48 anos de profissão. Conseguir trabalhar naquilo que mais amo que é desenhar, e conhecer grandes artistas e profissionais tanto na área de publicidade como de quadrinhos, e coleccionar muitas boas histórias e emoções em todos esses anos, realmente não tem preço!

Caro Pedro, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Pedro Mauro: Eu é que agradeço vocês pela oportunidade de poder falar sobre minha experiência profissional, e mandar um grande abraço para todos os fãs de Tex. Sempre uma honra!

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Vídeo: NOVO spot publicitário de Tex na TV

março 19, 2017

Vídeo: NOVO spot publicitário de Tex na TV

Desde o passado dia 3 de Março (e até ontem, dia 16) que nos principais canais de TV na Itália esteve a ser emitido um spot publicitário que anunciava a estreia da nova colecção de Tex:  Tex Classic, a nova colecção (a cores) de Tex Willer que repropõe, a cada duas semanas nas suas 64 páginas, todas as aventuras de Tex desde as primeiras stiscias até às mais recentes edições no formato “bonelliano” (16 X 21 cm)  ao preço de 2,90€.

Com a chegada da edição nº 2 de Tex Classic, nesta sexta-feira dia 17, a Sergio Bonelli Editore fez um novo spot publicitário que já começou a ser exibido nos canais televisivos italianos, dando inclusive a conhecer as capas das edições nº 2 e nº 3, spot publicitário esse que dura 30 segundos e que damos também a conhecer aos nossos leitores:

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Clube Tex Portugal estabelece protocolo com o Hotel Cabecinho, de Anadia, a propósito da “4.ª Mostra do Clube Tex Portugal”

março 18, 2017

Clube Tex Portugal estabelece protocolo com

Hotel Cabecinho, de Anadia, a propósito da

4.ª Mostra do Clube Tex Portugal

Anadia Cabecinho Hotel 3 ***

Clube Tex Portugal e o Hotel Cabecinho, de Anadia, estabeleceram um protocolo que permite aos visitantes da 4.ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento a realizar no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, nos dias 29 e 30 de Abril (e com a participação dos consagrados desenhadores Andrea Venturi e Leomacs), beneficiarem de um preço promocional com os seguintes preços especiais:
•    Quarto Duplo : € 45,00
•    Quarto Single : € 37,50

Quem desejar, durante o evento, alojar-se então no Hotel Cabecinho, de Anadia (localizado mesmo de frente para o Museu do Vinho Bairrada, local da exposição), ao abrigo deste protocolo, no acto da reserva deverá enviar um mail para geral@hotel-cabecinho.com com a menção “PROTOCOLO TEX” para poder beneficiar deste preço promocional.

Anadia Cabecinho Hotel 3***

Situado numa das principais artérias da cidade de Anadia e a apenas 30 minutos de carro das cidades de Aveiro e Coimbra, o Anadia Hotel Cabecinho apresenta-se como uma óptima solução para lhe proporcionar uma estadia de qualidade, bem no coração da zona vinhateira e gastronómica da Bairrada.

Nas proximidades do Anadia Hotel Cabecinho, para além de poder visitar a 4ª Mostra do Clube Tex Portugal, a ter lugar no mui nobre Museu do Vinho Bairrada é também possível desfrutar de um contacto próximo com a Natureza. A uma escassa dezena de quilómetros, encontram-se as Termas de Luso, onde também se poderá deslumbrar com as verdejantes encostas da Mata do Buçaco, e a apenas 3kms do Anadia Hotel Cabecinho, as Termas da Curia também se apresentam como uma excelente forma de relaxar da agitação do dia-a-dia.

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #124 – “Faixa preta” e “O caso dos Grafites Apagados”

março 17, 2017

As Leituras do Pedro*

J. Kendall #124 – Aventuras de uma criminóloga

Faixa preta
Berardi e Mantero (argumento)
Pittaluga e Antinori (desenho)

O caso dos Grafites Apagados
Berardi e Mantero (argumento)
Antinori e Pittaluga (desenho)
Histórias originalmente publicadas em Julia #142 e em Almanacco del Giallo 2011

Mythos Editora
Brasil, Setembro/Outubro de 2016
135 x 180 mm, 224 p., pb, capa mole, bimestral
R$ 23,90 / 8,00 €

Madura ou jovem

No promissor início da sua publicação no Brasil, para além da colecção regular, J. Kendall teve direito a seis edições especiais, anuais, com as histórias da jovem Julia, ainda estudante de criminologia na faculdade. Agora, noutro contexto editorial, menos auspicioso, essa jovem Julia surge no título regular, a partir desta edição #124 e até se esgotarem as quatro narrativas ainda inéditas no Brasil. Para além de suprir uma lacuna, é também uma forma de o editor garantir estabilidade do preço (no Brasil, descida em Portugal face à queda do real) pela redução do número de páginas totais.

Em Faixa preta, o relato da Julia madura que nós melhor conhecemos, encontramo-la à procura de melhorar as suas noções de defesa pessoal – face aos riscos acrescidos que tem sofrido nos últimos casos… – o que acabará por a envolver com o assassinato de um homem, mesmo que numa primeira fase tudo pareça indicar acidente automóvel. Como habitualmente, o aprofundar das investigações vai revelar aspectos menos claros da vida da vítima, questionar relacionamentos, desvendar segredos (mal) escondidos, em mais um mergulho no comportamento social e individual dos habitantes de Garden City, que mais não são do que espelhos dos seres humanos com quem nos cruzamos.


Quanto a O Caso dos Grafites Apagados, revela-nos uma jovem Julia (ainda?) impetuosa, (já) insegura e à procura de si própria e do seu lugar, a braços com a morte de um jovem que acabara de conhecer, famoso pelos grafitis que exibia nalguns locais da cidade. Descoberto todo coberto com tinta branca, ao mesmo tempo que as suas pinturas começam a desaparecer pelo mesmo método, esta será uma corrida de Julia contra o tempo para descobrir qual o segredo que aquelas pinturas urbanas revelavam.


*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
(http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

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Massimo Rotundo e Maurizio Dotti pelos caminhos da Bairrada

março 16, 2017

Massimo Rotundo e Maurizio Dotti

pelos caminhos da Bairrada

Por José Carlos Francisco (texto e fotos)

Massimo Rotundo, José Carlos Francisco e Maurizio Dotti tendo por trás a Câmara Municipal de Anadia

Numa altura em que já se prepara a 4º Mostra do Clube Tex Portugal, evento a realizar nos dias 29 e 30 de Abril próximo e que contará com as presenças ilustres de Andrea Venturi e Leomacs, vamos dar a conhecer hoje no blogue do Tex, a passagem de Massimo Rotundo e Maurizio Dotti, autores presentes o ano passado na 3ª Mostra do Clube Português, pelos caminhos da Bairrada, mais precisamente um passeio pela capital da Bairrada com passagem pelas Termas da Curia.

Massimo Rotundo, Maurizio Dotti, Ana Beatriz e Antonella Festuccia passeando pela Praça do Município de Anadia

A Bairrada é uma região situada na Beira Litoral, em Portugal, que compreende os concelhos de Mealhada, Anadia, Cantanhede, Águeda e Oliveira do Bairro, caracterizando-se essencialmente pela forte produção vitivinícola, sob a denominação Bairrada e sendo também considerada Região Demarcada, bem como pelo afamado Leitão Assado à Bairrada.

José Carlos Francisco, Maurizio Dotti, Antonella Festuccia e Massimo Rotundo na Praça Visconde de Seabra em Anadia

E foram pelos caminhos da Bairrada que os afamados desenhadores italianos de Tex, Massimo Rotundo e Maurizio Dotti passearam no passado mês de Abril de 2016 na companhia do seus pard José Carlos Francisco, antes da inauguração oficial da 3ª Mostra do Clube Tex Portugal. A oportunidade de dar a conhecer um pouco da região Bairradina a Rotundo & Dotti prendeu-se com o facto do desenhadores italianos terem ficado hospedados na Malaposta, QG de Tex em Portugal. O passeio começou precisamente pela capital da Bairrada, Anadia, uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Aveiro, região Centro e sub-região do Baixo Vouga, com cerca de 3.034 habitantes. A cidade de Anadia está inserida na freguesia de Arcos. Lugares desta freguesia: Anadia, Arcos, Famalicão e Malaposta. Anadia é ainda sede de um município com 216,64 km² de área e 31 422 habitantes.

Maurizio Dotti, José Carlos e Massimo Rotundo passeando pelas ruas de Anadia

Tradição ou lenda refere que o seu topónimo proviria de Ana Dias, proprietária de extensa vinha na periferia da povoação. O vinho produzido, de óptima qualidade, era por ela vendido junto da estrada de Coimbra, o que lhe granjeara tal fama, que o seu nome ficaria ligado a esta terra para sempre: Ana Dias, Ana Dia, Anadia.

Massimo Rotundo e Maurizio Dotti com os vinhedos de Anadia por trás

Seguiu-se uma visita à afamada Estância Termal da Curia (a Curia deve a sua existência às propriedades curativas das suas famosas águas. Já no tempo dos Romanos a qualidade da água da Curia era conhecida e, para eles, a Curia era Aquae Curiva – água que cura), localizada em pleno coração da Bairrada vitivinícola, também foi alvo de um passeio diurno que muito agradou os autores italianos e a Antonella Festuccia, esposa de Massimo Rotundo.

Massimo Rotundo, José Carlos Francisco, Antonella Festuccia e Maurizio Dotti no Parque Termal da Curia

“AQUAE CURIVA” era o nome conhecido ao tempo da ocupação da Península pelos romanos, que conheciam as nascentes e as exploravam. Do topónimo “CURIVA” adveio o nome da actual povoação, a CURIA, uma das mais antigas e afamadas estâncias hidrológicas portuguesas. Durante séculos, as termas viveram no esquecimento, até que em 1900 foi fundada a Sociedade das Águas da Curia, por iniciativa de Albano Coutinho.

Massimo Rotundo, José Carlos Francisco, Antonella Festuccia e Maurizio Dotti numa pausa em pleno Parque Termal da Curia

As termas da Curia, hoje em dia, oferecem ao Aquista a tradição termal unida ao conforto e à tecnologia moderna, usada no novo edifício termal, que ficou concluído em 1993. Assim, as Termas da Curia satisfazem as exigências do aquista durante todo o ano, tanto para uma cura termal como para férias relaxantes.

Massimo Rotundo, Antonella Festuccia e Maurizio Dotti no Parque Termal da Curia à conversa sobre os encantos portugueses

A Curia é então hoje uma moderna estância de saúde que oferece ao aquista um avançado complexo termal com tratamentos especializados para combater doenças metabólico-endócrinas, cálculos renais e infecções urinárias, hipertensão arterial, doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, programas de recuperação de forma física, reabilitação, fisioterapia correctiva e dietas de emagrecimento.

Um bem disposto Massimo Rotundo com o ar puro da Curia

Com génese nas águas termais descobertas então há muito pelos Romanos, a Curia é constituída de uma verdadeira mancha verde ímpar, propõe-nos um despertar para os verdadeiros sentidos da vida: regressamos ao nostálgico ambiente dos dourados anos 20 e mergulhamos na arquitectura “Belle Époque” e “Arte Nova”.

Massimo Rotundo, José Carlos Francisco e Maurizio Dotti na Estação Vitivinícola de Anadia com as suas vinhas

Apreciamos os gigantescos plátanos, respiramos o ar perfumado por calmas tileiras, passeamos pelos belos jardins e pelo frondoso Parque das Termas e deixamo-nos deambular pelos pitorescos caminhos por entre vinhedos, mas, acima de tudo, sentimos o raro prazer de viver um sentimento de liberdade e de espaço onde os únicos limites são a imensidão do verde das árvores e infinito azul do céu.

Antonella Festuccia e Ana Beatriz no monumento dedicado por Anadia aos mortos da Grande Guerra

Local paradisíaco onde Tex seria muito bem vindo e certamente ficaria agradado com este passeio na companhia de Massimo Rotundo e Maurizio Dotti. Caminhos curiosamente percorridos já anteriormente por Fabio Civitelli, Andrea Venturi, Pasquale Del Vecchio e inclusive pelo editor Dorival Vitor Lopes aquando das respectivas passagens pela portuguesa Região Bairradina…

Massimo Rotundo e Maurizio Dotti no Museu do Vinho Bairrada

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A arte, a preto & branco, da capa de Tex #675

março 15, 2017

A arte,

a preto & branco,

da capa de Tex #675

Por José Carlos Francisco

No passado mês de Janeiro a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 675 de Tex, intitulada “L’inferno che urla” que continha a terceira e última parte de uma longa saga maravilhosamente escrita por Mauro Boselli e magistralmente desenhada por Fabio Civitelli que trouxe o regresso do maléfico Yama e cujo título foi “Il segno di Yama“, como podemos assistir no deslumbrante trailer que apresentamos de seguida:

A capa, tal como todas posteriores ao número 400, foi da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada da sua arte ainda a preto & branco e finalizada com tinta da china.

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Os Bonelli Kids, as novas “personagens” da Sergio Bonelli Editore

março 14, 2017

Os Bonelli Kids, as novaspersonagens” da

Sergio Bonelli Editore

Os Bonelli Kids

Os Bonelli Kids são um grupo de jovens, entre os 8 e os 10 anos, ou seja uma nova geração de personagens da nona arte, totalmente apaixonados pela banda desenhada da Sergio Bonelli Editore a ponto de se vestirem como os protagonistas das suas séries preferidas e assumir os mesmos nomes: Angie, Java, Diana, Martin, Chico, Zagor, Jerry, Harlan, Tesla e Morgan.

O simpaticíssimo Tino Adamo apresenta os Bonelli Kids

Trata-se de uma série caricatural e humorística dedicada a um público de jovens leitores, difundida exclusivamente online. Se os quiserem conhecer melhor cliquem AQUI para ler os seus  cartões de apresentação.

A série é assinada por Alfredo Castelli, o pai de Martin Mystère, Sergio Masperi & Tino Adamo – oficialmente gráficos na Sergio Bonelli Editore, mas secretamente possuidores de numerosos e  insuspeitados talentos – e Luca Bertelè, desenhador de fama internacional. As cores são de Manuela Nerolini e a legendagem de Marina Sanfelice.

A cada segunda, quarta e sexta-feira, podem ler uma nova tira na página dedicada pela SBE aos Bonelli Kids e na página Facebook dos Bonelli Kids, onde poderão ver e descarregar material sempre inédito.


Bom divertimento!


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