Os 4 pards e as suas companheiras na arte de Marcos Junio Ferreira dos Santos

janeiro 13, 2018

Os 4 pards e as suas companheiras

na arte de

Marcos Junio Ferreira dos Santos

O blogue do Tex dá hoje a conhecer uma vez mais a arte texiana de Marcos Junio Ferreira dos Santos, um pard brasileiro de Ibitinga que no passado participou diversas vezes aqui mesmo no blogue do Tex expondo a sua arte!

Marcos Santos e a sua colecção de Tex

Desta vez Marcos Santos brinda-nos uma ilustração muito especial e muito bem conseguida onde os 4 pards (Tex, Carson, Kit e Tigre) estão sentados em amena cavaqueira com as suas companheiras (Lilyth com Tex, Lena com Kit Carson, Donna com Kit Willer e Taniah com Jack Tigre) ao lado e cujo título é “A Utopia de Tex“:

A Utopia de Tex na arte a preto e branco de Marcos Santos

A Utopia de Tex na arte colorida de Marcos Santos

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Visita (de Dorival Vitor Lopes, Júlio Schneider e José Carlos Francisco) à Casa Bonelli em DESTAQUE nas edições de Tex 579 e Tex Coleção 444

janeiro 12, 2018

Visita (de Dorival Vitor Lopes, Júlio

Schneider e José Carlos Francisco)

à Casa Bonelli em DESTAQUE

nas edições de Tex 579 e Tex Coleção 444


As edições brasileiras de Tex número 579 e Tex Coleção número 444, ambas publicadas neste mês de Janeiro de 2018 pela Mythos Editora, contêm, nas suas contracapas interiores, uma matéria de duas páginas alusiva à Visita (de Dorival Vitor Lopes, Júlio Schneider e José Carlos Francisco) à Casa Bonelli, em Outubro do ano passado, com o título “VISITA À CASA BONELLI“.

Matéria essa onde o editor Dorival Vitor Lopes mostra aos seus leitores a passagem de Júlio Schneider, José Carlos Francisco e do próprio Dorival Vitor Lopes à Sergio Bonelli Editore, em Milão, com passagem inclusive pela paradisíaca Veneza, no passado mês de Outubro.

Matéria essa que o blogue do Tex dá hoje a conhecer, com a devida autorização da Mythos Editora, conforme se pode vislumbrar de seguida:

Para um fã de Tex, fazer uma visita à Casa Bonelli é como uma criança entrar numa loja de brinquedos ou visitar uma fábrica de chocolates.
O deslumbramento, o prazer e a alegria são imensos, indescritíveis mesmo. Foi essa alegria que senti nos dias 4, 5 e 6 de Outubro último, quando, por motivos profissionais, estive na sede da Sergio Bonelli Editore.

Recebido pela simpática secretária da direcção, Ornella Castellini, pude rever velhos amigos, como os directores Davide The Man Bonelli e Giulio Terzaghi, os roteiristas e editores Mauro Boselli, Moreno Burattini, Alfredo Castelli, Luigi Mignacco, o director editorial Michele Masiero, os redactores Graziano Frediani, Maurizio Colombo, Luca Crovi, o grande desenhista Pasquale Del Vecchio e o querido Roberto Paravano, do suporte editorial. Além disso, tive o prazer de conhecer novos amigos, como o director-geral Simone Airoldi, os redactores Tino Adamo e Gianmaria Contro, o coordenador de informática Luca Del Savio, o relações-públicas Giovanni Boninsegni, entre outros.

Tive uma proveitosa reunião com os directores Davide e Simone, além da secretária Ornella, onde fiz um resumo da situação editorial das publicações Bonelli no Brasil e discutimos
bastante o nosso plano editorial para 2018, principalmente sobre as edições comemorativas dos 70 anos de Tex. Posso garantir aos nossos prezados texianos que este ano teremos
muitas novidades. Comigo nesse passeio de sonho estavam o tradutor e redactor Júlio Schneider, e nosso representante em Portugal José Carlos (Zeca) Francisco.

Um dos pontos altos dessa viagem foi uma visita a Veneza, a belíssima cidade dos canais, também conhecida como a Cidade Flutuante. Sua arquitectura, suas pontes, seus canais, deixaram Júlio, Zeca, Roberto Paravano e eu deslumbrados. Agora, aprecie mais algumas fotos na ultima capa, que documentaram nossa esplêndida viagem.

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Collezione storica a colori nº 254 – Nantan l’Apache

janeiro 11, 2018

Tex nº 254 NANTAN L’APACHE


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O nascimento (na Itália) da capa (brasileira) de Tex Ouro #85

janeiro 10, 2018

O nascimento (na Itália) da

capa (brasileira) de Tex Ouro #85

Por José Carlos Francisco

Quando muitos de nós vemos uma capa de Tex Edição Histórica ou mais recentemente de Tex Ouro nas bancas de todo o Brasil ou até mesmo nos quiosques portugueses, não imaginamos por vezes o quão difícil e quantas horas de trabalho foram necessárias até se chegar ao resultado final…

Antes do falecimento de Sergio Bonelli tudo começava com um esboço da imagem pretendida, determinado pelo próprio editor, já que ao contrário do que muitos pensavam, o desenhador não tinha liberdade para fazer a capa que bem entendesse para a história, até porque na grande maioria das vezes, Claudio Villa não ia reler a história antiga.

Vinheta de Fabio Civitelli que serviu de base para a capa de Tex Ouro 85

Por motivos vários, desde vetos do editor que não as considerava apropriadas ou por decisão do próprio desenhador que não ficava agradado com o seu trabalho, algumas capas chega(va)m a ter várias versões conforme já mostramos por diversas vezes aqui mesmo no blogue do Tex, mas damos a Claudio Villa a palavra para nos explicar o processo de criação ACTUAL de uma capa brasileira de Tex Edição Histórica e/ou de Tex Ouro:

Se no passado tudo nascia na editora, onde Sergio Bonelli examinava pessoalmente a história em questão para procurar uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas e depois elaborava um esboço veloz que me era enviado por fax, junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três), hoje em dia cabe-me a mim seleccionar a cena a eleger.
A partir daí, começo a trabalhar, preparando a cena “de capa”.
Em síntese, é preciso cuidar do enquadramento, da luz e do movimento das personagens: a capa deve contar sem revelar, deve ser legível e imediata, deve interessar e ser suficientemente dinâmica.
Às vezes, falta uma cena significativa e então ela é “construída” com os elementos extraídos da história.
Algumas vezes, para conseguir o melhor, cheguei a seis, sete esboços. É incrível de quantas maneiras se pode contar, em igualdade de situação, uma cena. E cada vez descobrir uma “temperatura” diferente, só deslocando o ponto de vista, a luz ou a disposição das personagens.

Esboço inicial de Claudio Villa inspirado na vinheta de Fabio Civitelli

Inclusive as cores da capa, são da responsabilidade de Claudio Villa:
Eu dou uma “indicação” de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa. Depois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz…

Ilustração final já com as cores de Claudio Villa

Mas falando desta “capa” (publicada a 15 de Dezembro de 2013 na edição nº 341 de Tex Nuova Ristampa) em específico  e que se tornou a capa brasileira de Tex Ouro #85, Claudio Villa confidencia-nos: “A ilustração que elegi para a capa de Tex Ouro #85 foi inspirada numa vinheta original, de Fabio Civitelli, publicada na página nº 111 da edição (italiana) nº 511 da série principal de Tex.
No Brasil ela foi reduzida, já que o formato das capas brasileiras têm uma estrutura concepcional numa forma quadrangular o que me faz ter esse facto em conta e por isso a enquadratura principal dos mini-pósteres deve conter tudo aquilo que se deve ver no Brasil. Somente após é que alongo a ilustração para uma forma rectangular para que possa então ser publicado no formato bonelliano. Deste modo a capa no Brasil não sai prejudicada já que o seu alongamento para Itália apenas acresce para cima, para baixo e para os lados pormenores irrelevantes já que a enquadratura correcta é a inicial, a quadrada!

Póster Tex Nuova Ristampa 341

Realce-se ainda que as capas que, de início, eram para ser uma exclusividade de Tex Edição Histórica, ficaram então tão boas que a Sergio Bonelli Editore passou a publicá-las também na Itália, como mini-pósteres encartados em Tex Nuova Ristampa, tendo a Mythos Editora também as adoptado para outras séries brasileiras de Tex como é então o caso de Tex Ouro.

A capa brasileira de Tex Ouro 85

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“Giustizia a Corpus Christi” (“Justiça em Corpus Christi”) de Boselli&Mastantuono

janeiro 9, 2018

Giustizia a Corpus Christi

(“Justiça em Corpus Christi“)

de Boselli&Mastantuono

Giustizia a Corpus Christi, capa de Corrado Mastantuono

Entre as inúmeras novidades que nos esperam neste 2018, ano em que Tex comemora os seus 70 anos de vida editorial, a Sergio Bonelli Editore, no próximo dia 23 de Fevereiro brinda-nos com a primeira novidade: o álbum cartonado e de formato gigante “Giustizia a Corpus Christi” (“Justiça em Corpus Christi“) assinado pela dupla Boselli (textos) & Mastantuono (desenhos) cuja capa e três (esplêndidas) páginas interiores (totalmente a cores – de Matteo Vattani) damos hoje a conhecer aos nossos leitores.


A história conta-nos um novo capítulo das aventuras de um Tex ainda jovem, desta vez  com a participação de uma “posse”: “O jovem Tex é perseguido por  elementos de uma posse que o acusaram falsamente, mas precisa de provas e testemunhas. Num turbilhão de tiroteios e golpes de cena, caçado por pistoleiros decididos a querer a sua pele, conseguirá enfrentar os perseguidores numa grande batalha nas ruas de Corpus Christi. Ao seu lado terá os seus amigos Rangers e o seu irmão Sam.

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Entrevista exclusiva: GIANNI SEDIOLI

janeiro 7, 2018

Entrevista exclusiva: GIANNI SEDIOLI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Gianni Sedioli na arte caricatural de Bira Dantas

Olá, caríssimo Gianni Sedioli, e bem-vindo ao blogue português do Tex! Para começar, caro Gianni, fale um pouco como era o pequeno Gianni Sedioli e quais eram as suas leituras e paixões na BD.
Gianni Sedioli: Olá a todos, rapazes! Eu praticamente nasci com o lápis na mão! A minha mãe sempre me conta que eu ficava horas e horas a rabiscar folhas, paredes de casa e até embaixo da mesa! Eu aprendi a ler com a BD e a paixão foi-me transmitida por amigos mais velhos que me passavam as revistas, mas sobretudo com um tio querido que presenteou-me uma caixa cheia de Zagor, Tex, Comandante Mark, Blek Macigno, o Pequeno Ranger e tantos outros. Os meus preferidos eram e ainda são Zagor e o mítico Thor de Kirby.

Você foi e ainda é um aficionado de cinema e de séries televisivas?
Gianni Sedioli: Eu vou muito ao cinema, mas não me considero um cinéfilo. Prefiro aquele género de filmes divertidos mas inteligentes, tipo os dos irmãos Coen e de Wes Anderson, por exemplo. TV eu acompanhava bem mais quando era pequeno, quando passava a tarde em casa. Eu recordo-me de Espaço: 1999 e Sandokan. Em tempos recentes, a única série que acompanhei de perto foi Lost. Deve-se ter em mente que, a ficar em casa a trabalhar, sozinho o dia inteiro, à noite eu prefiro sair para uma cerveja com os amigos.

Você começou a trabalhar como representante comercial: o que o levou a tentar a carreira de desenhador? Imaginamos que, no seu primeiro emprego, no tempo livre você se exercitava com lápis e pincéis.
Gianni Sedioli: Sim, exactamente. Apesar do evidente talento para o desenho, eu não frequentei uma escola de artes. Os meus pais eram pessoas simples e não viam futuro no trabalho de desenhador. Por isso eu frequentei um instituto técnico (sigh!). Mas o chamado da floresta era sempre mais forte e eu passava horas a estudar desenho sozinho, como autodidacta. Eu examinava cada quadradinho das BDs para buscar captar os segredos e entender como o desenhador havia trabalhado. Eu ia a várias mostras para estudar os desenhos originais e, no tempo livre, eu desenhava dezenas de páginas. Em seguida eu comecei a agendar horários nas várias editoras para mostrar o meu trabalho a pessoas do sector. A experiência como representante comercial foi útil para vender-me e vender o meu talento! Eu sabia organizar-me, preparava o portefólio e tomava notas como um verdadeiro profissional :-)

A sua estreia foi na revista semanal Tiramolla: fale um pouco dessa experiência.
Gianni Sedioli:
Eu havia lido em uma revista especializada (Fumo di China, se não recordo mal) que, na redacção de Tiramolla, à época pertencente à Editora Vallardi de Milão, procuravam desenhadores para um restyling da personagem. Com isso, eu passei o Natal do distante 1991 a estudar e desenhar Tiramolla para depois apresentar os meus estudos à Vallardi. Fui recebido por uma senhora muito jovem, Marina Baggio, que olhou os meus desenhos e pediu-me para fazer alguns testes. Depois Tiramolla passou para a Comic Art de Roma, eu fiz contacto com Lorenzo Bartoli e Andrea Domestici, na época responsáveis pelos textos e desenhos da série, a coisa funcionou e assim comecei a escrever e desenhar Tiramolla como autor completo (roteiro e desenhos). Fiz cerca de dez histórias, foi uma experiência fantástica!

Em 1994 você fez duas histórias para a Hobby & Work: como vê, hoje, aqueles trabalhos?
Gianni Sedioli:
Em 1993 Tiramolla deixou de sair e eu soube por um amigo, Riccardo Crosa (hoje a trabalhar na Bonelli com Dragonero Adventures), que na Hobby & Work estavam a preparar uma mini-série de 3 números chamada Steampunk. Tive que mudar o meu estilo e passar do humorístico, como era Tiramolla, a um mais realístico: não foi simples, mas no fim Massimo Torriani, da Hobby & Work, passava a mim duas de cada três edições. Evidentemente o meu traço era adequado ao que se estava a realizar. Com os olhos de hoje posso dizer que era um trabalho imaturo e cheio de incertezas, mas já evidenciava a minha qualidade como desenhador de quadradinhos, no sentido de legibilidade, a capacidade de contar com os desenhos.


The Witch é uma série auto produzida que você criou e que, num certo sentido, foi uma experiência que lhe permitiu tentar mais tarde uma abordagem na Sergio Bonelli Editore. Como nasceu a ideia dessa série? Quais foram os resultados em termos de satisfação profissional?
Gianni Sedioli: Depois do trabalho com a Hobby & Work eu queria mostrar o que havia aprendido. Eu tinha escrito e desenhado Tiramolla, desenhado Steampunk e outras pequenas coisas. Eu havia sido pago, mas o trabalho como desenhador não era continuado, eu não conseguia viver disso. Foi quando pensei em fazer um produto todo meu, personagens minhas, texto e desenhos meus, para distribuir nas lojas de BD. Uma verdadeira auto-produção! Para isso eu até criei uma pequena editora independente, a Seagull Comics. Pedi um empréstimo no banco para publicar as histórias. Mas depois de apenas dois números, um especial e a presença na mostra de Roma de 1996, o dinheiro acabou. Do ponto de vista financeiro foi um fracasso total, mas com esse trabalho eu finalmente fui notado por gente importante. O momento de The Witch foi o mais entusiasmante de toda a minha carreira de banda desenhista.

Já que mencionamos a SBE, como você entrou em contacto com a Editora da Via Buonarroti?
Gianni Sedioli: Justamente com The Witch! Eu já tinha mandado vários desenhos de amostra à Bonelli mas não haviam suscitado interesse, porém Michele Pepe ficou entusiasmado com os desenhos de The Witch e apresentou-me a Antonio Serra, o homem de Nathan Never. Serra disse-me que o meu tipo de desenho era adequado para algumas coisas novas que estavam em planeamento, estava a montar-se a equipa para Jonathan Steele.

A sua estreia na Bonelli foi com a série Zona X: quantas histórias fez?
Gianni Sedioli:
Para Zona X eu fiz uma história curta, para completar as páginas da edição, e Federico Memola passou-me o roteiro de A Guardiã da Fonte da série A Estirpe de Elan. Não foi fácil! Eu havia entrado na Bonelli com o meu estilo de The Witch, muito americano e inspirado em Gen 13, de Scott Campbell, mas na SBE eu tive que bonellizar os traços e daí saiu um estilo híbrido e não exactamente eficaz, mas também foi o primeiro trabalho na Editora.


A passagem seguinte a Jonathan Steele, a personagem criada por Federico Memola, fez você ser conhecido pelo grande público. Quais foram as referências gráficas para essa série muito particular? Dentre as histórias que você fez, a quais se sente mais ligado?
Gianni Sedioli: Com Jonathan eu levei em frente aquele processo de bonellização que me permitia permanecer dentro dos limites estabelecidos à época pela Editora. Falo de mais de vinte anos atrás, e as coisas eram bem diferentes dos dias actuais. Foi um momento muito intenso e muito estimulante. Para Jonathan Steele creio ter feito 4 ou 5 histórias, e Vencedores e Vencidos é, para mim, o trabalho com melhor resultado.


Nesse período você finalmente entrou para a equipa de Zagor. Você havia solicitado ou os responsáveis pela série o convidaram a fazer uma tentativa com a personagem de Nolitta e Ferri?
Gianni Sedioli:
Foi um pedido meu. Zagor sempre foi uma das minhas personagens preferidas desde a infância! Eu não podia resistir a tentar uma abordagem e apresentei-me a Moreno Burattini: depois de alguns testes, para minha grande satisfação eu estava na equipa!

A propósito do Mestre Gallieno Ferri: como foi comparar-se com os traços do artista, a quem evidentemente você olhou com atenção especial?
Gianni Sedioli: Ferri é Zagor! Desde as minhas primeiras tentativas Burattini aconselhou-me a seguir o classicismo do Mestre, o que eu fiz sem esforço, visto que eu conhecia praticamente tudo de Ferri e do seu Zagor.


Nos seus primeiros trabalhos de Zagor você também buscou inserir outras reminiscências da sua bagagem cultural?
Gianni Sedioli: Sim, claro. Em nível gráfico a opção de permanecer no clássico é evidente, mas a composição das páginas, as dinâmicas e enquadramentos são fruto das minhas experiências passadas.

Se tivesse que levar consigo somente três de seus trabalhos zagorianos, dentre os que desenhou sozinho, quais você levaria à famosa ilha desabitada?
Gianni Sedioli:
Um Complô Federal (no Brasil, Zagor Especial n° 52), O Retorno de Guthrum e Expedição de Socorro (ambos inéditos em língua portuguesa).


Nos últimos anos você também fez vários trabalhos zagorianos a quatro mãos com o desenhador Marco Verni. Como acontece esse trabalho conjunto?
Gianni Sedioli: Digamos que a actuação com Marco Verni está a tornar-se a parte principal da minha actividade com Zagor. Eu faço as páginas a lápis – no que eu posso explorar a minha característica melhor, ou seja, contar a história – e Marco faz o acabamento e a arte-final, visto que ele tem uma pincelada realmente zagoriana. No fim o nosso trabalho resulta diferente dos traços individuais de cada um, e, depois de algumas dificuldades iniciais, estamos a atingir resultados realmente satisfatórios.


Depois de um bom início – O Dia do Juízo (Brasil, ZG 122) – vocês deram um salto notável de qualidade na história do retorno de Hellingen (Brasil, ZG 169 a 171): há algum causo ou curiosidade sobre a elaboração dessas histórias? E qual é a sua opinião geral sobre as duas tramas?
Gianni Sedioli:
A nossa actuação conjunta já havia acontecido em algumas histórias de uma só página feitas para mostras (n.t.: publicadas no Brasil no ZG Especial n° 36, 2012), o nosso trabalho em série começou com um telefonema do próprio Verni. Ele estava a trabalhar na história mencionada, O Dia do Juízo (que se iniciou em A Ponte no Abismo, no Brasil ZG 121), mas por algum motivo ficou meio bloqueado do ponto de vista criativo, e pediu-me que o ajudasse com o lápis. Depois do OK de Burattini fizemos toda a parte restante da história, e todos ficaram satisfeitos. Depois veio Hellingen e, nos trabalhos desse longo retorno, a nossa actuação conjunta foi realmente eficaz e com algumas páginas de grande impacto gráfico.


Para fechar os parênteses zagorianos, gostaríamos de ter alguma notícia sobre as histórias que você está a realizar, tanto sozinho quanto em dupla com Marco Verni.
Gianni Sedioli:
Com o Marco estou a trabalhar numa história escrita por Jacopo Rauch, A Senhora das Cobras, com a tripulação de Fishleg, em particular Ramath como protagonista. Sozinho estou a fazer uma história escrita por Zamberletti intitulada Secção Ómega.


Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: hoje que você é um desenhador bonelliano afirmado, gostaria de desenhar Tex? Já lhe foi proposto?
Gianni Sedioli: Quem não gostaria de desenhar Tex? Infelizmente, excepto a possibilidade de uma história curta na série Especial Colorida, nenhuma proposta. Por outro lado, a equipa de Tex está cheia de desenhadores muito bons e a minha mão é muito útil no mundo de Zagor.

O que significaria para si desenhar histórias de uma lenda da BD como o Tex?
Gianni Sedioli: Seria como a cereja do bolo depois de uma longa carreira que começou de baixo, como a minha. Como a bandeira no topo do Evereste, onde mais alto não se chega ;-)

Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Gianni Sedioli: De Tex eu gosto da linearidade das histórias, o carácter íntegro. Tex é um justiceiro, é o sentido natural de justiça. Tex é um modelo de homem que talvez jamais tenha existido mas a quem todos gostaríamos de nos assemelhar. O que gosto menos… não tanto de Tex como personagem, mas como tipo de histórias, o facto de que talvez estejam a se tornar por demais complexas para acompanhar, com o risco de perder aquele carácter de BD popular que sempre o definiu no passar dos anos.


Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Sob quais aspectos?
Gianni Sedioli: Como mencionei acima, entre roteiros e desenhos, as histórias tornaram-se cada vez mais de autor. A qualidade é sempre alta mas há o risco de se afastar demais daquela linearidade e simplicidade de leitura que sempre o distinguiu no passar dos anos. Em mais de uma ocasião pessoas que eu conheço dizem que as novas histórias de Tex são muito difíceis e que preferem reler as clássicas. O meu querido tio que me iniciou na BD bonelliana e de quem falei no início da entrevista, por exemplo, é um desses.

Para concluir o tema, como vê o futuro do Ranger?
Gianni Sedioli: Eu vejo-o positivo! Na Bonelli há grandes autores, entre escritores e desenhadores, que saberão como resolver os problemas que a BD e todo o material à venda em quiosques têm hoje. Mas sobre esse assunto abrir-se-ia uma discussão realmente longa.

Quanto tempo leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, leitura, busca de informações, ócio, vida familiar?
Gianni Sedioli: Eu sou bastante regular e metódico nos tempos do trabalho. Necessito de cerca de um dia para uma página de Zagor, e com base nisso eu consigo organizar tanto a semana de trabalho quanto os compromissos familiares e a vida social. Os meus filhos já são grandes e autónomos, mas quando eram pequenos e a minha esposa tinha uma pequena empresa artesanal e estava sempre fora de casa, não era fácil administrar e encaixar tudo. Quem tem família sabe do que estou a falar, e a família de um desenhador de quadradinhos exige o mesmo tempo e dedicação de todas as outras famílias, imagino ;-)


A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você gostaria de fazer a chamada BD de autor como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Gianni Sedioli: Para ser sincero, eu adoro a BD popular! Claro que eu aprecio os grandes autores, mas a BD popular, isto é, aquele tipo de BD que é dirigido ao grande público desde a concepção, parece-me mais verdadeira. E será que hoje existe mesmo toda essa diferença entre BD popular e BD de autor? Quando criança eu lia Corto Maltese e não pensava que estava diante de uma BD de autor, como se entende hoje em dia, simplesmente eu gostava.

Você sente-se um artesão da BD ou um artista? Para você, desenhar é um estímulo, uma diversão ou um trabalho?
Gianni Sedioli: Desenhar é tudo isso! Estímulo, diversão e também trabalho. Para mim, conseguir viver e ter uma vida normal a desenhar é o máximo da realização. Eu vivo do meu trabalho e é por isso que tenho um enorme respeito pelo que estou a fazer. Artista ou não artista… sei lá! Nos Estados Unidos a palavra artista é bem mais difundida e fácil de usar, todo a gente é artista de alguma coisa. Na Itália a palavra artista tem um peso enorme, talvez por causa da nossa História. Eu busco manter um posicionamento de quem sabe que faz um trabalho, criativo e artístico sim, mas também artesanal.

Como é a sua técnica de trabalho?
Gianni Sedioli:
Muito simples! Eu visualizo o roteiro com um storyboard rápido. Depois começo a desenhar seriamente, a estudar as perspectivas e anatomias com desenhos de esboços em folhas de papel fino. Em seguida apoio tudo na mesa de luz e refaço os traços numa folha lisa, Shoeller 220 gramas. Nesse ponto a página a lápis está pronta para receber a tinta. Para a arte-final geralmente eu uso os pincéis Windsor & Newton série 7 n° 2. Há pouco tempo também comecei a trabalhar em digital, com uso de mesa gráfica Wacom Cintiq e programas gráficos como Manga Studio e Photoshop.

Há outro título bonelliano com o qual você nunca trabalhou e que gostaria de desenhar? Caso positivo, qual seria e porque?
Gianni Sedioli: Sem dúvida Dragonero Adventures, a nova e primeira série Bonelli feita para um público infantil! Como dito, eu nasci como autor de BD com Tiramolla, seria como voltar às origens.

Quais são os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Gianni Sedioli: No futuro ainda haverá Zagor. Uma hora destas nós teremos que explicar o que aconteceu com Hellingen.

Quais BD você lê actualmente, com quais identifica-se mais?
Gianni Sedioli: Além de Zagor e Tex eu acompanho regularmente Dragonero, que considero muito bem feito, e também Mercurio Loi que, mesmo por não ser um produto de quiosques mas de livraria, considero realmente interessante! E há tantas outras BDs que acompanho sobretudo pelo autor como, por exemplo, tudo o que desenham Alan Davis e Mark Farmer.


Além de BD, quais livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Gianni Sedioli: Para narrativa, BD é mais que suficiente. Eu leio muito ensaios, história, filosofia, psicologia, religião… coisa meio complicada ;-) Quanto a música, rock de todo tipo, de Foofighters a Muse, Led Zeppellin, coisas assim. Cinema, gosto de tudo, desde que não seja estúpido ou excessivamente violento e triste.

Bem, chegamos ao fim. Há algo mais que você gostaria de dizer? Algo que não lhe foi perguntado e que gostaria que os nossos leitores soubessem?
Gianni Sedioli: Eu diria que foi dito todo o necessário!

Caro Gianni, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu.
Gianni Sedioli: Eu é que agradeço a vocês pelo interesse demonstrado!


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Intervista esclusiva: GIANNI SEDIOLI

janeiro 7, 2018

Intervista esclusiva: GIANNI SEDIOLI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Ciao, carissimo Gianni Sedioli, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Per iniziare, caro Gianni, raccontaci un po’ com’era il ragazzino Gianni Sedioli e quali erano le tue letture e passioni fumettistiche.
Gianni Sedioli: Ciao a tutti, ragazzi! Sono praticamente nato con la matita in mano! Mia madre mi racconta sempre che rimanevo ore ed ore a scarabocchiare fogli, mura di casa e il sotto del tavolo! Ho imparato a leggere con i fumetti e la passione mi è stata trasmessa dagli amici più grandi che mi passavano i loro da leggere, ma soprattutto da un mio carissimo zio che mi regalò una cassetta piena di Zagor, Tex, Comandante Mark, Blek Macigno, il Piccolo Ranger e tanti altri. I miei preferiti erano e lo sono ancora Zagor e il mitico Thor di Kirby.

Eri e sei anche un appassionato di cinema e di serie televisive?
Gianni Sedioli: Vado al cinema spesso, anche se non mi ritengo un cinefilo. Preferisco quel genere di film divertente ma “intelligente” tipo quelli dei fratelli Coen e Wes Anderson, per intenderci. La Tv la seguivo molto di più da piccolo, quando la sera rimanevo in casa. Mi ricordo Spazio 1999, Sandokan. In tempi recenti l’unico serial che ho seguito fino in fondo è stato Lost. Dovete capire che rimanendo in casa a lavorare, da solo per tutto il giorno, la sera preferisco uscire per una birra con gli amici.

Hai iniziato la tua attività lavorativa come agente di commercio: qual è stata la molla che ti ha spinto a tentare la carriera di disegnatore? Immaginiamo che, durante il tuo primo lavoro, nel tempo libero ti dilettassi con matite e pennelli.
Gianni Sedioli: Sì, esattamente. Nonostante l’evidente talento per il disegno, non frequentai una scuola d’arte. I miei genitori erano persone semplici e non vedevano un futuro per un lavoro come disegnatore. Così frequentai un Istituto Tecnico… sigh! Però il “richiamo della foresta” era sempre più forte e passavo ore ed ore a studiare disegno da solo, come autodidatta. Osservavo ogni singola vignetta dei fumetti che tanto mi piacevano per cercare di carpirne i segreti e per capire come il disegnatore aveva lavorato. Passavo da una fiera all’altra per studiare gli originali e nel tempo libero disegnavo e disegnavo decine di pagine. Cominciai quindi a prendere appuntamento con le redazioni di diverse case editrici per cominciare a mostrare il mio lavoro a persone competenti del settore. L’esperienza come agente di commercio mi era servita per vendere me stesso e il mio talento! Sapevo organizzarmi benissimo. Preparavo il portfolio e prendevo appuntamenti come un vero professionista ;-)

Hai debuttato sul settimanale Tiramolla: raccontaci questa tua esperienza.
Gianni Sedioli: Avevo letto in una rivista specializzata (mi sembra Fumo di China, ma non potrei giurarci) che alla redazione di Tiramolla, che apparteneva a quel tempo alla Vallardi Editore di Milano, cercavano disegnatori per un restyling del personaggio. Così passai le vacanze di Natale del lontano 1991 a studiare e disegnare Tiramolla per poi presentare i miei studi alla Vallardi. Mi ricevette una signorina molto giovane, Marina Baggio, che guardò i miei disegni e mi fece fare alcune prove. Dopodiché Tiramolla passò alla Comic Art di Roma ed entrai quindi in contatto con Lorenzo Bartoli e Andrea Domestici, a quel tempo responsabili ai testi e ai disegni della serie, e la cosa funzionò e cominciai così a scrivere e disegnare Tiramolla come autore completo. Realizzai una decina di storie e fu un’esperienza fantastica!

Nel 1994 realizzi due storie per la Hobby & Work: oggi come consideri questi tuoi lavori?
Gianni Sedioli: Nel 1993 Tiramolla chiuse i battenti e venni a sapere da un amico, Riccardo Crosa (che ora è al lavoro in Bonelli su Dragonero Adventures), che alla Hobby & Work stavano preparando una miniserie di 3 numeri, si chiamava “Steampunk”. Fui costretto a cambiare lo stile e passare da uno stile umoristico, come era Tiramolla, ad uno più realistico: non fu semplice, ma alla fine Massimo Torriani, della Hobby & Work, mi affidò due numeri su tre. Evidentemente il mio tratto era adatto a quello che si stava realizzando. Con gli occhi di oggi posso dire che era un lavoro molto acerbo e pieno di incertezze ma che già evidenziava la mia maggior qualità come disegnatore di fumetti, e cioè la “leggibilità”, la mia capacità di riuscire a “raccontare” con i disegni.

The Witch è una serie autoprodotta che hai creato: questa è stata forse l’esperienza che in un certo senso ti ha permesso di tentare l’approccio con la Sergio Bonelli Editore. Com’è nata l’idea di questa tua serie? Quali sono stati i risultati in termini di soddisfazione professionale?
Gianni Sedioli: Dopo il lavoro con la Hobby & Work volevo dimostrare cosa avevo imparato. Avevo scritto e disegnato Tiramolla, disegnato Steampunk e altre piccole cose. Ero anche stato pagato ma ancora il lavoro come disegnatore non era continuativo, non riuscivo a viverci di questo. Così’ pensai di realizzare un prodotto tutto mio, personaggi miei, testi e disegni miei da distribuire nelle fumetterie. Una vera autoproduzione! Fondai per l’occasione anche una piccola etichetta indipendente, la “Seagull Comics”. Andai in banca per chiedere un prestito per pubblicare le storie. Ma dopo appena due numeri, uno speciale e la presenza alla fiera di Roma del 1996, i soldi erano già finiti. Dal punto di vista economico fu un fallimento totale, ma con questo lavoro venni notato finalmente da gente importante. Quello di The Witch fu il momento più entusiasmante di tutta la mia carriera da fumettista.

Visto che abbiamo accennato alla SBE, come sei entrato in contatto con la Casa editrice di Via Buonarroti?
Gianni Sedioli: Come dicevo, con The Witch! Avevo già spedito vari disegni di prova alla Bonelli ma non avevano destato alcun interesse, invece Michele Pepe rimase colpito dai disegni di The Witch e mi presentò ad Antonio Serra, l’uomo di Nathan Never. Serra mi spiegò che il mio tipo di disegno era adatto per alcune cose nuove che stavano bollendo in pentola, si stava costituendo lo staff per Jonathan Steele.

Il tuo debutto in Bonelli avviene con la testata Zona X: quante storie hai realizzato?
Gianni Sedioli: Su Zona X realizzai un riempitivo, serviva una breve storia per completare l’albo e Federico Memola mi diede la sceneggiatura de “La guardiana della fonte” per la serie “la stirpe di Elan”. Non fu facile! Anche se ero entrato in Bonelli con il mio stile di The Witch, molto “americano” e ispirato a “Gen 13″ di Scott Campbell, in SBE dovetti però “bonellizzare” il tratto e ne uscì un segno “ibrido” e non proprio efficace, ma fu anche il primo lavoro alla Casa Editrice.

Il successivo passaggio a Jonathan Steele, il personaggio ideato da Federico Memola, ti ha fatto conoscere maggiormente al grosso pubblico. Quali sono stati i riferimenti grafici per questa serie molto particolare? Quali sono gli episodi da te realizzati a cui ti senti più legato?
Gianni Sedioli: Con Jonathan portai avanti quel processo di “bonellizzazione” che mi consentiva di rimanere nei limiti dello stile consentito a quei tempi dalla Casa Editrice. Parlo di oltre vent’anni fa e le cose erano molto diverse dai giorni nostri. Fu un momento molto intenso e molto stimolante. Per Jonathan Steele realizzai, credo, 4 o 5 storie e “Vincitori e vinti” è, per me, il lavoro riuscito meglio.

In questo tuo periodo sei stato infine inserito nello staff di Zagor. È stata una tua richiesta oppure i responsabili della testata ti hanno invitato a provare con il personaggio di Nolitta e Ferri?
Gianni Sedioli: E’ stata una mia richiesta. Zagor è sempre stato uno dei miei personaggi preferiti sin dalla mia prima infanzia! Non potevo resistere a non tentare un approccio e così mi presentai a Moreno Burattini e dopo alcune prove mi ritrovai con mia grande soddisfazione nello staff!

A proposito del Maestro Gallieno Ferri: com’è stato confrontarti con il segno dell’artista ligure, a cui evidentemente hai guardato con particolare attenzione?
Gianni Sedioli: Ferri è Zagor! Fin dai miei primi tentativi Burattini mi consigliò di seguire la classicità del Maestro, cosa che ho fatto senza neanche troppa fatica, visto che di Ferri e il suo Zagor conoscevo praticamente tutto.

Nei tuoi primi lavori di Zagor hai anche cercato di infilare altre reminiscenze del tuo bagaglio culturale?
Gianni Sedioli: Sì, certo. Anche se a livello grafico la scelta di rimanere nel classico era evidente, la composizione delle tavole, le dinamiche e le inquadrature sono frutto delle mie passate esperienze.

Se dovessi portare con te soltanto tre dei tuoi lavori zagoriani, da quelli disegnati da solo, quali porteresti con te nella famosa isola disabitata?
Gianni Sedioli: L’uomo nel mirino” (Maxi Zagor 14), “Il ritorno di Guthrum” (Color Zagor 2) e “Spedizione di soccorso” (Maxi Zagor 21).

Negli ultimi anni hai anche realizzato diversi lavori zagoriani in collaborazione con Marco Verni. Ci piacerebbe sapere come si svolge la vostra collaborazione.
Gianni Sedioli: Diciamo pure che la collaborazione con Marco Verni sta diventando la parte principale della mia attività su Zagor. Io eseguo le tavole a matita, così da mettere a frutto la mia caratteristica migliore, e cioè il “raccontare” la storia, e Marco fa da rifinitore ed inchiostratore, visto che ha nelle mani una “pennellata” davvero zagoriana. Alla fine il nostro lavoro risulta qualcosa di diverso dal singolo di ognuno, e, dopo alcune difficoltà iniziali, stiamo raggiungendo risultati davvero soddisfacenti.

Dopo un buon inizio – ci riferiamo all’avventura cilena “Il giorno del giudizio” (Zagor 577-580) – avete compiuto un notevole salto di qualità nella storia del ritorno di Hellingen (Zagor 602-605): ci sono aneddoti o curiosità sulla lavorazione dei racconti citati? Inoltre, qual è il tuo giudizio complessivo sulle due vicende?
Gianni Sedioli: Anche se già sperimentata su alcune strisce singole appositamente preparate per le fiere (la prima in assoluto è stata realizzata nel 2007), la nostra collaborazione “seriale” comincia con una telefonata dello stesso Verni. Era infatti al lavoro sulla storia da te citata, “Il giorno del giudizio”, ma per qualche motivo si era bloccato dal punto di vista creativo e mi chiese di dargli una mano con le matite. Dopo l’ok di Burattini realizzammo tutta la parte rimanente della storia con una certa soddisfazione di tutti. Poi venne Hellingen e, nella lavorazione del lunghissimo ritorno, la nostra collaborazione diventò veramente efficace con alcune tavole di grande impatto grafico.

In ambito zagoriano, per chiudere questa parentesi, ci piacerebbe conoscere alcune anticipazioni sulle storie che stai realizzando, sia da solo sia in coppia con Marco Verni.
Gianni Sedioli: Con Marco sono al lavoro su una storia scritta da Jacopo Rauch, “La Signora dei serpenti”, con la ciurma di Fishleg ed in particolare Ramath come protagonista. In singolo invece, sono al lavoro su di una storia scritta da Zamberletti intitolata “Sezione Omega”.


Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei un affermato disegnatore bonelliano, ti piacerebbe disegnare per Tex, ti è mai stato proposto?
Gianni Sedioli: A chi non piacerebbe confrontarsi con Tex? Purtroppo, a parte alcune ipotesi di una storia breve sul Color, niente proposte. D’altronde lo staff di Tex è pieno di disegnatori bravissimi e la mia mano è troppo utile nel mondo di Zagor.

Cosa significherebbe per te disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex?
Gianni Sedioli: Sarebbe come la ciliegina sulla torta dopo una lunga carriera partita dalla gavetta, come la mia. Come la bandiera sulla cima dell’Everest, dove più in alto non c’è più niente ;-)

Chi o cosa è Tex, secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Gianni Sedioli: Di Tex mi piace la linearità delle storie, il carattere a tutto tondo. Tex è un “raddrizzatorti”. E’ il senso naturale di giustizia. Tex è un archetipo di uomo che forse non è mai esistito ma a cui tutti vorremmo somigliare. Che mi piace di meno… non tanto di Tex in quanto personaggio, ma come tipo di storie, il fatto che stiano diventando forse troppo complesse da seguire, col rischio di perdere quel carattere di fumetto popolare che lo ha sempre definito negli anni.

Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti?
Gianni Sedioli: Come dicevo sopra, le storie, tra sceneggiature e disegni, si sono fatte sempre più d’autore. La qualità è sempre più alta col rischio però di allontanarsi troppo da quella linearità e semplicità di lettura che lo ha sempre contraddistinto negli anni. Mi è capitato spesso gente che conosco dire che le storie nuove di Tex sono troppo “difficili” e preferiscono rileggersi i classici… il mio caro zio, che mi ha iniziato al fumetto bonelliano, di cui parlavo all’inizio dell’intervista, tanto per un fare un esempio, è uno di questi.

Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Gianni Sedioli: Lo vedo bene! In Bonelli ci sono grandi autori, tra scrittori e disegnatori, che sapranno come districarsi con i problemi che il fumetto e tutta la stampa da edicola hanno, oggi, nella modernità. Ma qui si aprirebbe un discorso veramente lungo.

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Gianni Sedioli: Sono abbastanza regolare e metodico nei tempi di lavoro. Mi serve circa una giornata di lavoro per una tavola di Zagor, ed in base a questo riesco ad organizzarmi sia la settimana lavorativa che gli impegni familiari e la vita sociale. Ormai i miei due figli sono grandi e autonomi, ma quando erano piccoli, con mia moglie titolare di una sua piccola attività artigianale, sempre fuori casa, gestire il tutto non è stato facile. Devi incastrare tutto! Chi ha famiglia sa cosa intendo dire, e la famiglia di un disegnatore di fumetti richiede lo stesso tempo e dedizione di tutte le altre famiglie, immagino ;-)

Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Gianni Sedioli: Devo essere sincero, io adoro il fumetto popolare! Apprezzo naturalmente i grandi autori, ma il fumetto “popolare”, cioè quel tipo di fumetto che fin dalla sua concezione è rivolto al grande pubblico, mi sembra più vero. E poi, esiste veramente, oggi, tutta questa differenza tra fumetto popolare e fumetto d’autore? Quando da ragazzino leggevo Corto Maltese e non pensavo certo di trovarmi di fronte ad un fumetto “d’autore”, come noi lo intendiamo oggi, semplicemente mi piaceva.

Ti senti un artigiano del fumetto oppure un artista? Disegnare è per te uno stimolo, un divertimento oppure un lavoro?
Gianni Sedioli: Disegnare è tutto questo! Stimolo, divertimento e anche lavoro. Per me riuscire a vivere ed avere una vita “normale” disegnando è il massimo della realizzazione. Io ci vivo con il mio lavoro ed è per questo che ho un grandissimo rispetto per quello che sto facendo. Artista o non artista… mah! In America la parola artista è molto più diffusa e facile da usare, tutti sono artisti di qualcosa. In Italia la parola artista ha un peso enorme, forse per via della nostra Storia. Cerco di tenere l’atteggiamento di chi è consapevole di fare un lavoro, sì creativo e artistico, ma anche artigianale.

Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Gianni Sedioli: Molto semplice! Visualizzo la sceneggiatura con un veloce storyboard. Poi comincio a disegnare “seriamente” studiando le prospettive e le anatomie disegnando bozze su fogli leggeri. Dopodiché appoggio tutto sul tavolo luminoso e riporto su di un foglio liscio, Shoeller da 220 grammi. A quel punto la tavola a matita è pronta per essere inchiostrata. Per l’inchiostrazione uso in genere i pennelli Windsor & Newton serie 7 nr 2. Recentemente sto lavorando anche su digitale e qui servono tavole grafiche come la Wacom Cintiq e programmi di grafica come il Manga Studio e Photoshop.

Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Gianni Sedioli: Senza dubbio Dragonero Adventures, la nuova e la prima serie Bonelli rivolta ad un pubblico di ragazzini! Se ricordi, sono nato come autore di fumetto su Tiramolla, sarebbe come tornare alle origini.

Che progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa?
Gianni Sedioli: Per il futuro ci sarà ancora Zagor. Dovremo prima o poi spiegare dov’è finito Hellingen.

Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Gianni Sedioli: Oltre a Zagor e Tex seguo regolarmente Dragonero, che trovo molto ben fatto, e anche Mercurio Loi; per quanto non sia un prodotto da edicola ma piuttosto da libreria, lo trovo veramente molto interessante! Poi ci sono tanti altri fumetti che seguo soprattutto per l’autore. Tutto quello che disegnano Alan Davis e Mark Farmer, per fare un esempio.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Gianni Sedioli: Per la narrativa, i fumetti sono più che sufficienti. Leggo molta saggistica, storia, filosofia, psicologia, religione… roba impegnata, insomma ;-) Per la musica, tutto quanto fa rock! Dai Foofighters ai Muse, Led Zeppellin e via discorrendo. Al cinema va bene tutto, purché non sia stupido o eccessivamente violento e triste.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Gianni Sedioli: Direi che è stato detto tutto il necessario!

Caro Gianni, a nome del blog portoghese di Tex, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Gianni Sedioli: Grazie a voi per l’interesse dimostratomi!

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

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