Collezione storica a colori nº 242 – Duello nel canyon

fevereiro 14, 2017

Tex nº 242 DUELLO NEL CANYON


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Entrevista com o fã e coleccionador: Cido Ribeiro

fevereiro 13, 2017

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Cido Ribeiro: Olá amigos, sou o Cido Ribeiro, brasileiro de Mauá, São Paulo, casado, pai, avô… adoro contar histórias, principalmente através de minhas imagens… eu sou fotógrafo de casamento há mais de 36 anos… mas vamos lá… contar a história de Tex em minha vida , antes como as Notas Especiais nos rodapés de Tex… alguns termos que uso, pode ser estranho em Portugal ou até mesmo para a nova geração: Mocinho: Personagem de filmes de Westerns; Gibi: Qualquer revista em quadradinhos; Matiné: Sessão de domingo no cinema; Feira : Barracas que ocupam toda uma Rua, com géneros variados de comércio, predominante legumes e frutas, numa extensão de vários quarteirões!
Voltando a mim, sou brasileiro, embora morando na região metropolitana de São Paulo, sou do Paraná, oriundo do Oeste , pois sou da roça como se diz por aqui, e na minha região natal predominam as grandes planícies, com plantações de soja, algodão e fazendas de gado… tenho 51 anos, sou de 1965, minha família deixou a região quando eu tinha 6 anos e desde então sou adoptado pela correria da metrópole paulistana… embora Mauá, onde vivo, somente de há uns 25 anos ganhou esta “cara“ de cidade grande… quando eu era moleque tinha jeito de cidade do interior, com crianças brincando na rua, correndo atrás de bola em campinhos e ou até mesmo brincando de “mocinho“ com seus coldres e cavalos imaginários em terrenos vazios que na nossa imaginação fértil reproduzia os cenários de Monnument Valey que tanto víamos nas películas de FarWest das matinés de domingo no único cinema da cidade.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Cido Ribeiro: Desde pequeno sempre fui ávido por leitura, assim que aprendi a ler, tudo que me caía nas mãos eu lia (sou assim até hoje) , gostava muito das BDs Disney, que acredito que foi o início da paixão pelos quadradinhos, mas à medida que ia conhecendo outras fui tendo minhas preferidas, nos anos 70 aqui no Brasil existiam duas saudosas Editoras… a Ebal que tinha em seu cast toda a linha DC Comics, onde fui apresentado a Super Man e Batman, além de tantas publicações diversas, eles eram muito eclécticos, e publicavam de tudo , e sua concorrente directa era a Bloch Editora, esta tinha o catálogo Marvel… como o meu pai (eu era órfão de mãe e criado pelo pai, éramos só nos dois) não tinha muitos recursos, juntava dinheiro trabalhando como engraxate para ter os meus trocados para a matiné e comprar HQs (BDs)… e aos domingos existia uma feira de bairro destas de venda de legumes, frutas onde encontrava outros garotos para fazer trocas de revistas, então todas semana abastecia com novos gibis (como nos referíamos às BDs ), neste caso preocupando-se com que não tinha lido ainda sem se ater a títulos propriamente dito.

Quando descobriu Tex?
Cido Ribeiro: Num barbeiro, rsrs
Meu pai levava-me sempre para cortar o cabelo no mesmo barbeiro, e na sala de espera tinha uma mesinha cheia de revistas de desporto, notícias e alguns gibis que me chamaram a atenção pela capa por ser um “mocinho“ de bang-bang.
A princípio meio que desgostei por ser preto e branco, as que lia habitualmente eram de cores fortes… mas como ia demorar a minha vez e entre revistas sem interesse, comecei a ler, uma página, outra e mais outra, e o barbeiro me chamando, eu respondia desinteressado que poderia pular a vez , e lembro que num espaço de tempo não tão longo terminei a revista. Era na época editada pela Editora Vecchi, e estava bem surrada, com suas folhas soltando-se, alguns rabiscos, alguém tentara colorir com giz de cera , mas a mim não importava, já estava mergulhado no universo Texiano mesmo que na hora ainda não soubesse…
Era o número 10 da edição brasileira com o título A Flecha Negra
Quando adulto e coleccionando cheguei a ter todos os números com poucas faltas… quando por motivos pessoais tive que me desfazer, guardei esta e algumas outras por motivos afectivos.

Porquê esta paixão por Tex?
Cido Ribeiro: As razões são diversas… Argumentos muito bem trabalhados por todos os roteiristas Bonellianos… Traços verdadeiramente cinematográficos com perfeição de uso de luz e sombra (como sou fotógrafo, acreditem que uso muitas vezes inspiração desta técnica)… Claro que como todo fã de Tex tenho meus preferidos e alguns que não gosto, mas na maioria seguem uma escola, então sempre que termino uma leitura fico ansioso pela próxima… e depois de tanto tempo lendo… acredito que o mais importante… a mensagem por trás de Tex… Justiça sem olhar a quem, lealdade, aquele amigo que gostaríamos de ter por perto e assim o é … com tanto tempo, poderia dizer que cresci com os Pards por perto, me sinto assim, um quinto pard cavalgando junto.
Ideia com certeza compartilhada por quem lê frequentemente Tex, somos o quinto, mas se nos juntássemos as Pradarias seriam pequenas.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Cido Ribeiro: Acho até que já antecipei na anterior… Mas eu diria que para citar apenas um… Honra.
Que por trás disso traz toda a sua personalidade… palavra dada palavra cumprida, justiça não importando se for um pele vermelha, um negro, um fazendeiro ou até mesmo um foragido, como numa das mais brilhantes histórias que já li iniciada em A Grande Invasão (412, 413 e 414)!

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Cido Ribeiro: Hoje não muitas como gostaria, quando fui obrigado a me desfazer das mensais, e tive oportunidade de retomar, foquei nas histórias completas, então fui atrás de números assim e mesmo ainda não consegui ter todos os números, que aos poucos e sem pressa vou repondo…
Minhas colecções na estante são: – Tex Ouro; – Almanaque de Tex; – Tex Anual; – Tex Edição Histórica; – Platinum Tex.
E tenho alguns variados, neste caso guardei mais por questões afectivas, seja por uma boa história que quero reler muitas vezes, por ser uma edição que conte um momento histórico, como o casamento de Tex em uma edição a cores. A mais importante para mim, nem é uma das melhoras aventuras, e já foi relançada muitas vezes, mas eu possuo a número 10 , a já citada A Flecha Negra, pois ela foi a primeira que li de Tex e como conheci seu universo.

Colecciona apenas Tex ou também algumas outras personagens bonellianas?
Cido Ribeiro: Colecciono só Tex, mas já li muitas BDs italianas algumas com muita preferência e muita saudade, nesta época elas não são tão comuns em bancas, e consequentemente não há novas histórias… poderia citar Diabolik, que considero show… li todos que tive oportunidade, cerca de umas 30 histórias… outro que gostava era Martin Mystère… principalmente nas aventuras que giravam em torno de descobertas arqueológicas ou seitas secretas (quase um antecessor de Langdron de Código da Vince) e Dylan Dog achava divertida. E na juventude li muita, mas muita foto-novela (acredito que até foi o motivo de ter me tornado fotógrafo profissional)… era apaixonado por Michela Roc na juventude rsrs… e conhecia todas e todos actores, como conhecemos hoje em dia do cinema ou da TV.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Cido Ribeiro: Hipoteticamente falando? Nem é de Tex, rs… eu gosto da camisa de franjas de Carson… ah, sim, lembrei… a estrela de Ranger… eu tenho uma estrela de Xerife, mas não é a mesma coisa…

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Cido Ribeiro: Difícil citar só uma… são muitas… sou do tipo absolutamente bobo, apesar da idade, quando termino uma aventura que gostei, fecho a revista e começo a aplaudir, como se pudessem escutar rsrsrs… Uma destas que recebeu meu aplauso de pé foi a citada acima, onde entrincheirados com um grupo de prisioneiros num velho forte prestes a ser invadido por peles vermelhas, são obrigados a deixar posições de lado, não há homens da lei, nem prisioneiros… somente a sobrevivência e amizades forjadas pelo momento terrível… daria com certeza um belo filme… o argumento se notar nem vemos os índios… é mais um terror psicológico e quase claustrofóbico… Aplauso.
E quanto a desenhadores e argumentistas, não tenho um específico, sei o que não gosto, por exemplo as edições gigantes aqui no Brasil, saem com histórias com roteirista e desenhador fora da linha mensal, e uma característica destas publicações são desenhos quase rabiscados eu diria, não gosto, tanto que tenho uma de Civitelli e Boselli, A Cavalgada do Morto… eu acho que li quase toda a colecção, mas muitas delas acho o desenho sofrível.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Cido Ribeiro: Nas revistas, não no personagem? As revistas mensais continuadas… sou muito ansioso, e detesto esperar para ver a história completa, por isso de só comprar hoje os números com mais páginas, são mais caros, porém mais fáceis de guardar e ter já todo o enredo.
O que mais me agrada, indiscutivelmente é o universo sem ser refém de cronologia. Parei há muitos anos de ler Marvel e DC por esta história de ter cronologia e chegar um momento que bagunçam tanto, que tem que criar novos universos, zerar personagens , mudar enfoques… Tex é sempre aquilo… se vermos um Kit adulto, casado com filhos, aí envelheceria Tex e Carson que não teriam o mesmo enfoque. Uma edição especial tipo, “O que aconteceria se …“… ou as que remontam o passado dos personagens, é até interessante… mas não se tornar refém a ponto de chegar um momento, perder leitores por se tornar confuso, e ter que zerar tudo.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Cido Ribeiro: A longevidade das publicações. Aqui no Brasil, uma revista com mais de 60 anos, sempre com o mesmo enfoque e ter o sucesso que tem, não é para muitos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Cido Ribeiro: Tenho um grande amigo, que vejo muito menos que gostaria, ele sim, possui TUDO de Tex… todas as edições lançadas. E trocamos gostosos bate papos nas raras vezes que nos vemos… é o único.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Cido Ribeiro: Aqui no Brasil eu tenho medo… pois como deve acompanhar atravessamos uma crise económica, que afecta os editores e Tex por conta dos fãs já teve  um fôlego que mais do que grandes inimigos enfrentados, ele já batalhou contra o fechamento da Editora Vecchi, da Editora Globo e agora na Mythos eles sentem também, tanto que sai algumas notícias de cancelamento de alguns títulos… e isso deixa sempre assustado… pois a morte editorial é mais implacável que cavalgar nas pradarias celestes nas BDs…

Bem, chegamos ao fim. Você gostaria de dizer algo mais? Algo que não lhe foi perguntado e que você gostaria que os nossos leitores soubessem?
Cido Ribeiro: É isso… pessoalmente sou muito falante… se nos reunimos diante de uma cerveja gelada e um bife de dois palmos de altura acompanhando de uma montanha de suculentas batatas fritas, ficaríamos horas, e no texto não foi diferente… mas é uma grande oportunidade de deixar um grande abraço a todos os amigos.
Querendo conhecer meu trabalho de fotógrafo meu web site é www.summerfoto.com.br e no blogue agregado ao site podem ver as minhas histórias de casamentos…
Abraços …

Eiaaaa… vamoooos… Iupiiiiiiiiiii!

Prezado pard Cido Ribeiro agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Póster Tex Nuova Ristampa 276

fevereiro 12, 2017

Póster Tex Nuova Ristampa 276

Em mais uma dramática ilustração realizada por Claudio Villa, vemos numa noite de luar, Tex Willer numa diligência a defender-se do ataque realizado por índios papagos que tinham nos olhos um estranho brilho de morte, devido a terem sido atingidos por um maldito contágio provocado por Link Johnson, bandido perseguido por Tex e Carson por roubo a um banco, devido ao patife ter bebido água contaminada pela radiação de um meteorito vindo do espaço e que caiu num poço em Água Clara.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “La luce dallo spazio”, de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #420 a #422).
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Maurizio DOTTI exibe orgulhosamente as SUAS duas capas publicadas na revista nº 5 do Clube Tex Portugal

fevereiro 11, 2017

Maurizio DOTTI exibe orgulhosamente as

SUAS duas capas publicadas na revista nº 5

do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco

A pouco e pouco a revista nº 5 do Clube Tex Portugal vai chegando às mãos de todos os Sócios do Clube, inclusive àqueles que residem no estrangeiro e os elogios não param de chegar à Direcção do Clube Português assim como ao Director da Revista, o nosso Consócio Mário João Marques, elogios vindos um pouco de todo o país, mas também do estrangeiro, inclusive dos próprios autores de Tex que já tiveram o privilégio de receber a Revista, fazendo até questão de exibi-la com bastante orgulho como se pôde constatar com Mauro Boselli, o responsável editorial de Tex, com o argumentista Moreno Burattini, e com os desenhadores Dante Spada, Michele Benevento e Pasquale Del Vecchio.

Segundo a totalidade dos ecos chegados até nós a revista uma vez mais está “fantástica” em todos os quesitos, desde o conteúdo, até ao grafismo, passando pela qualidade do papel nas suas luzidas 48 páginas, onde a cor é uma nota dominante. Um verdadeiro primor que não deixa nada a desejar (até supera!!) em relação ao padrão Bonelli, algo que muito nos orgulha mas que também nos obriga a manter alto o padrão de qualidade para os próximos números e prova também do sucesso desta quinta edição é que os pedidos de Sócios para colaborarem na edição número 6 surgem quase diariamente. A crescente afluência de colaboradores fará com que algumas colaborações fiquem já de reserva para o nº 7 desta nossa Revista que já está fadada ao sucesso e prova disso foram também os elogios e incentivos vindos da parte de Maurizio Dotti, um dos mais consagrados desenhadores de Tex que colaboraram desde a primeira hora com esta iniciativa colaborando logo na revista nº 1 e que nos concedeu o privilégio de realizar duas fantásticas capas para este quinto número!

Eis as palavras que Maurizio Dotti confidenciou-nos: “Aproveito a oportunidade para dar-vos os meus parabéns, além de, obviamente, o meu mais sentido agradecimento por me terem dedicado boa parte do espaço desta vossa publicação. A revista está muito bem feita e tem uma alta qualidade, inclusive na escolha das ilustrações.“.

Maurizio DOTTI exibe orgulhosamente as SUAS duas capas publicadas na revista nº 5 do Clube Tex Portugal

Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui pode inscrever-se escrevendo via e-mail para José Carlos Francisco sendo necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,00 € (2,50 € se não for residente em Portugal).

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A Opinião do Rui: Tex Platinum nº1 – O Caçador de Fósseis

fevereiro 10, 2017

A Opinião do Rui:

Tex Platinum nº1O Caçador de Fósseis

Por Rui Cunha

Ao longo da sua já longa existência, de quase 70 anos (a cumprir em 2018), Tex Willer, o carismático Ranger do Texas, personagem de Banda Desenhada, criado no já distante ano de 1948, por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, viveu inúmeras aventuras, algumas delas inesquecíveis, a  apelar ao seu senso de justiça, na companhia dos seus três companheiros de sempre: o seu filho Kit Willer, o índio Jack Tigre ( em muitas aventuras) e Kit Carson ( na maior parte delas), nunca decepcionou os seus fãs, espalhados um pouco pelo mundo inteiro onde chega a Nona Arte. Entre as dezenas de desenhadores e argumentistas que fizeram e ainda fazem parte do “staff” texiano, alguns deixaram marcas indeléveis na obra do Ranger. José Ortiz, o desenhador espanhol foi um desses casos.

Ortiz, quando foi recrutado para a Bonelli, em 1993, já tinha nome dentro e fora do seu país e créditos firmados no mercado da Banda Desenhada. Entre muitos trabalhos e colaborações em revistas e livros de BD, durante as décadas de 70 e 80, foram as suas obras feitas em parceria com Antonio Segura,  argumentista de renome e também ele espanhol, que mais chamaram a atenção sobre si. Não admira, pois, que até chegar a Tex  fosse apenas uma questão de tempo.

A sua estreia nas aventuras do Ranger aconteceu com “La Grande Rapina”, um Tex Gigante, escrito por Claudio Nizzi, que foi servindo para que o desenhador espanhol se adaptasse às personagens. A história tinha a ver com um bando de assaltantes de comboios que Tex e Kit têm de neutralizar antes que eles consigam roubar o comboio que traz o pagamento do exército. A estreia foi auspiciosa já que o seu desenho não desapontou ninguém, a começar na editora e a acabar no público. Estava dada a luz verde para novas aventuras de Tex desenhadas pela mão de José Ortiz.  A aventura seguinte viria a ser “Il Cacciattore di Fossili” e já incluía Antonio Segura, que fora entretanto recrutado para a série, no argumento. E é precisamente esta aventura que motiva este texto.

Il Cacciattore di Fossili” que em português recebeu o título de “O Caçador de Fósseis”, foi editada em Novembro de 1997 e pode dizer-se que é uma aventura do mais texiano que alguma vez me foi dado a ler (e eu já leio Tex desde os meus 11 anos!), mesmo sendo uma aventura passada no velho Oeste das grandes pradarias e das montanhas rochosas, com índios e vilões à mistura, mas com uma temática invulgar (a caça aos fósseis), mas tratando-se do universo texiano, tudo é possível.

Tex e Kit Carson estão a perseguir um bando de ladrões de gado. A sua pista leva-os até à  cidade de Buffalo, no Wyoming, onde  encontram Tom Baxter, um velho amigo que é Xerife e lhe pedem algumas informações sobre o bando. Na mesma altura outras figuras se movem, cada uma com os seus intuitos: “Four Bears”, um índio astucioso e impiedoso, cujo ódio pelos brancos é a sua única razão de existir; Charles Sutter, um paleontólogo brilhante cuja inteligência e dinheiro foram postos ao serviço do crime; Red Barnum, um caçador de prémios famoso que com uma bala alojada perto do coração ainda sonha em ter uma boa vida; finalmente, Edward Cope, outro paleontólogo  que percorre o Oeste em busca de vestígios do passado, na companhia da sua filha e de um negro que funciona como uma espécie de guia-protector daquela família. Todas estas figuras, de uma maneira ou de outra, irão cruzar-se com os dois Rangers.


Como qualquer boa história do Oeste, onde não se perde tempo com grandes apresentações de cenários ou personagens, também em “O Caçador de Fósseis”, a dupla Ortiz/Segura considera que tal seria quase uma perda de tempo, assim todas as personagens são-nos apresentadas nas primeiras 40 páginas (numa história com um total de 353 páginas!), onde fica igualmente dado o  mote para a aventura e o que se segue é um verdadeiro “Labour of Love” que nos é dado pelos dois autores, tal é a convicção com que Ortiz nos mostra a sua versão do Oeste, não descurando nenhum pormenor em belos planos/desenhos (como por exemplo no belíssimo quadro da carga dos búfalos na pág. 220) e dando especial atenção  a todas as sequências de acção, com especial ênfase pormenorizado no ataque dos índios “Pés-Pretos” e no sacrifício de Red Barnum (pág.283 e seguintes), seguindo, passo a passo, o argumento que Segura escreveu com grande à-vontade e conhecimento (tal fica patente nos ricos diálogos entre as personagens e na patética, mas bem-humorada, figura de Salomon, o velho e bêbado pesquisador de ouro).

Quando tudo parece estar quase resolvido e a correr bem para os nossos heróis e seus amigos, com Tex, apelando mais uma vez ao seu senso de justiça, a pacificar as partes em confronto, Antonio Segura lembra-nos que ainda não é tempo de guardar as armas pois ainda falta apanhar o mais difícil dos vilões e então, afastando-se daquilo que poderia ser mais uma banal história do Oeste, José Ortiz, através duma série de quadros muito bem conseguidos (toda a sequência em que Tex e Kit escalam a vertente mais difícil do monte ou o confronto final ente Tex e Sutter, com direito a cena com chicote “à lá Indiana Jones”) , introduz-nos na mais pura aventura, homenageando assim um dos géneros mais antigos da literatura em que a Banda Desenhada desempenhou e (ainda) desempenha um papel incontornável, mas sem nunca perder de vista o Oeste, género-base de toda a aventura e, à volta da qual, toda a história se move num grande dinamismo.

A recepção dada a esta aventura do Ranger, foi tão boa que, não só a dupla de autores nunca mais deixou de trabalhar para a Editora Bonelli, como, em Fevereiro de 2016, “O Caçador de Fósseis”, foi escolhido pela Editora Mythos, principal responsável pela distribuição das aventuras do Ranger no Brasil e em Portugal, para iniciar uma nova série intitulada “Tex Platinum” que agora chegou a terras lusas.

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Desenhadores Dante Spada, Michele Benevento e Pasquale Del Vecchio EXIBEM a revista nº 5 do Clube Tex Portugal

fevereiro 9, 2017

Desenhadores Dante Spada, Michele

Benevento e Pasquale Del Vecchio EXIBEM

a revista nº 5 do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco

A Revista do Clube Tex Portugal continua a fazer furor junto dos mais consagrados desenhadores do staff oficial do Ranger Tex Willer, não só pela elevada qualidade (em Itália pedem cada vez mais que a revista portuguesa tenha uma versão italiana) mas também pelo prestígio já que são cada vez em maior número os autores que se disponibilizam para colaborar na revista Clube português com desenhos e textos EXCLUSIVOS tornando a edição portuguesa cada vez mais cobiçada entre os fãs e coleccionadores do Ranger levando a que o número de sócios do Clube vá aumentando gradualmente já que para poder ter direito aos já tão cobiçados exemplares é necessário ser-se sócio do Clube Lusitano que é cada vez mais um verdadeiro Clube Internacional do Tex, tantos e tão variados são os países de origem dos associados.

Mas voltando aos autores de Tex, depois de termos visto recentemente Mauro Boselli e Moreno Burattini,  a enaltecerem e exibirem alegremente e orgulhosamente a revista nº 5 do Clube Tex Portugal, lançada no final de 2016, hoje no blogue do Tex podemos ver Dante Spada, Michele Benevento e Pasquale Del Vecchio a exibirem com evidente prazer e orgulho os seus exemplares da revista portuguesa:

Dante Spada exibe orgulhosamente a revista nº 5 do Clube Tex Portugal

Michele Benevento exibe orgulhosamente a sua ilustração devidamente dedicada aos sócios do Clube Tex Portugal

Pasquale Del Vecchio com Roberto Paravano e a visível alegria pela posse da revista nº 5 do Clube Tex Portugal

Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui pode inscrever-se escrevendo via e-mail para José Carlos Francisco sendo necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,00 € (2,50 € se não for residente em Portugal).

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As Leituras do Pedro: Tex Edição Histórica #96 – El Muerto

fevereiro 8, 2017

As Leituras do Pedro*

Tex Edição Histórica #96 – El Muerto
Guido Nolitta (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Maio de 2016
135 x 175 mm, 184 p., pb, capa mole
R$ 19,90 / 6,00 €

Introdução

A presença, actualmente, nas bancas e quiosques nacionais de Tex Edição Histórica #96, com a história completa El Muerto, é o pretexto para evocar uma das mais emblemáticas e apreciadas histórias do ranger.

Segunda história escrita por Guido Nolitta (pseudónimo de Sergio Bonelli), foi desenhada por Aurelio Galleppini e está agora disponível na colecção Tex Edição Histórica, que republica, completas, as histórias originalmente publicadas em Tex Colecção – que por sua vez publica as histórias de Tex pela mesma ordem cronológica que saíram em Itália.


Resumo

Esta aventura começa quando Jack Tigre e outro navajo regressam de uma viagem com cobertores e provisões para a tribo. Aproximam-se de um pequeno acampamento onde aparentemente são recebidos com hospitalidade mas rapidamente o grupo mata o indígena e espanca violentamente Tigre. No final, o chefe, uma personagem com a cara toda retalhada, que se intitula El Muerto, diz-lhe para transmitir um recado a Tex: se quer saber a razão do ataque, terá que se encontrar com ele no cemitério de Pueblo Feliz, daí a uma semana. Dias depois, uma diligência que transporta Kit Willer para se encontrar com o pai, é assaltada e o jovem baleado para transmitir o mesmo recado.

Tex não tem qualquer lembrança de se ter cruzado com a estranha personagem, mas dispõe-se a comparecer ao encontro.


Desenvolvimento

Considerada uma das melhores histórias de Tex, El Muerto, originalmente datada de Agosto/Setembro de 1976, faz jus à sua fama.

Como quase sempre acontece nestes casos, apresenta um Tex menos infalível – por isso mais humano – que tem que correr atrás dos acontecimentos, desconhecendo quem orquestra tudo e porque o faz. E dando a ideia que chega sempre um pouco tarde ou que não consegue virar o rumo aos acontecimentos, mesmo quando consegue antecipar os movimentos do seu misterioso adversário, como na chegada a Sunsetville. Nessa “falibilidade”, Tex vê os seus amigos serem feridos espancados ou mesmo mortos, sem conseguir inverter as situações, algo raro nas suas histórias.

Mesmo a forma como, a caminho do lugar do encontro final, consegue derrotar os capangas de El Muerto – apenas cinco… -, após a emboscada que eles lhe prepararam, precisando para isso da ajuda providencial de Tigre, apenas reforça esse (estranho e incomum) lado humano do ranger e cria mais expectativa para o duelo final, aumentando a estranha aura de El Muerto.

Este, é uma personagem bem delineada, um dos mais marcantes vilões que Tex enfrentou, não tanto pelos seus actos, mas pela forma como se impõe ao ranger quase até final. Um vilão movido por um insano (?) desejo de vingança, que nem as explicações do ranger, no cemitério, conseguem demover. O que só contribui para acentuar o seu lado trágico e, surpreendentemente, para lhe dar consistência e credibilidade.

A tensão acumulada ao longo das pranchas, aumenta ainda mais quando Tex e El Muerto finalmente se encontram cara a cara no cemitério que este escolheu para se desvendar e ao segredo que há anos carrega. De uma forma (invulgarmente) leal e correcta, posicionando-se no capítulo moral no patamar que (apenas) Tex costuma ocupar, o que reforça ainda mais o seu impacto. Só dessa forma, aliás, seria possível o longo flash-back, em que um e outro vão completando a história – e em que finalmente são desvendadas as razões que motivam o bandido.

E se a explicação é longa, que dizer do duelo final que ocupa três (demoradas) pranchas e finalmente possibilita o aliviar da tensão acumulada. Pelo menos para o leitor, porque Tex, se obtém o esperado resultado final, ainda precisa de se libertar dela contra o relógio que testemunhou o dramático confronto…

Guido Nolitta, construiu com mestria a trama, que prima em conduzir num crescendo, sem pontas soltas nem incongruências, encaixando nela perfeitamente a narrativa “antiga”, afastando quase completamente o Tex heróico e infalível que tantas vezes custa a “engolir”.

A seu lado, esteve um Galep na posse de todas as suas (muitas) qualidades, com um traço vibrante e dinâmico como sempre, especialmente detalhado e completamente à vontade cenários interiores ou nas paisagens do velho oeste, no retrato de homens ou animais, de cenas calmas ou de acção intensa.


A reter

- A manutenção do mistério da identidade de El Muerto ao longo de 130 das quase 200 páginas da narrativa.

- A forma como Tex é desta vez um peão na história, seguindo o curso dos acontecimentos, não o impondo como é habitual.

- A consistência e a credibilidade de El Muerto.


Menos conseguido

- A história ganharia ainda mais se a presença de Paço Ordoñez na fatídica cabana fosse revelada apenas no final da narrativa em flashback.

- A reprodução a partir de uma versão colorida.

- A infeliz capa, que desvenda o final (apesar de tudo espectável) de uma história que tem no suspense um dos seus grandes trunfos.

Curiosidade

- Existe uma versão semianimada desta banda desenhada que pode ser vista de seguida:

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

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