Os diversos cabeçalhos rotativos e aleatórios do Tex Willer Blog que são verdadeiras obras de arte TEXianas

Por José Carlos Francisco

O cabeçalho (a parte superior da página da Web) é provavelmente a primeira coisa que um novo visitante vê num blogue, por isso é a primeira impressão. E a primeira impressão é a que fica registada na memória. É sobretudo por isso que o cabeçalho é um local privilegiado para o logótipo, o slogan e qualquer outra referência, já que a aparência geral e o conteúdo apresentado à primeira vista é o que vai ficar, se bem apresentado.

É definitivamente uma parte estratégica da página como a área que as pessoas vêem antes de rolar a página nos primeiros segundos de introdução ao blogue. Sendo de alguma forma um sinal de convite, o cabeçalho deve fornecer as principais informações sobre o produto digital para que os usuários possam digitalizá-lo em fracções de segundo. Na perspectiva do design, o cabeçalho é também a área que faz o amplo campo para soluções de design criativo que devem ser cativantes, concisas e úteis.

E é claro que o Tex Willer Blog, o Blogue Português do Tex não podia ser uma excepção a essa regra elementar da blogosfera mundial e por isso o cabeçalho do renovado Tex Willer Blog foi estudado ao pormenor e executado com rigor pelo Thadeu Fayad, o responsável informático que tornou viável a recente “revolução” tornando-o ainda mais profissional, independente, ousado e inovador com um lay-out clean, actual e ao mesmo tempo arrojado.

Mas voltando ao cabeçalho, nele pudemos ver diante de um fundo azul, com uma bela lista vermelha, onde se destacava, a branco, o nome Tex Willer Blog, o Blogue Português do Tex, dando ênfase ao personagem, e na lateral direita uma ilustração da autoria de Claudio Villa, um Tex de perfil que exprimia a ideia de que estava a vigiar, a zelar pelo blogue. E a aprová-lo! Não faltando ainda na outra lateral a bandeira de Portugal, reforçando o país de origem do Blogue.

Mas se um cabeçalho é deveras importante e no nosso caso bem bonito, porque não criar diversos cabeçalhos, todos eles emblemáticos e de um grande potencial artístico bem apelativo e irresistível para todo e qualquer fã e/ou coleccionador de Tex Willer, representados por poses e situações diversas do ranger interpretadas inclusive por outros desenhadores como por exemplo o genial criador gráfico Aurelio Galleppini ou os mais modernos e actuais Mario Milano e Roberto De Angelis, tendo ainda diversas outras interpretações da autoria de Claudio Villa, a começar no cabeçalho que mostramos de seguida e que se trata sobretudo de uma homenagem ao “velho” Tex Willer Blog:

O Thadeu Fayad foi sensível à ideia dos vários cabeçalhos e superando as expectativas acabou por confeccionar uma dúzia (e certamente não se ficará por este número) de verdadeiras obras de arte, todas elas idealizadas e realizadas pelo próprio Thadeu, que em todos os cabeçalhos deu a devida importância e destaque ao eterno e heróico Tex Willer e a Portugal, como podemos ver já a seguir:

Perante tanta beleza e diversidade surgiu a cruel dúvida sobre a qual cabeçalho dar o devido e merecido destaque no topo do Blogue e por qual período de tempo manter esse mesmo cabeçalho… mas a mente fervilhante e genial do Thadeu Fayad resolveu facilmente esse “problema”, conseguindo que os cabeçalhos fossem todos disponibilizados de forma aleatória, exibindo sempre uma imagem diferente a cada carregamento da página, fazendo inclusive com que alguns visitantes regressem várias vezes por dia ao Tex Willer Blog na expectativa de lhe ver surgir à frente dos olhos um cabeçalho ainda não “degustado”… e garantimos que não iremos parar em 12 cabeçalhos porque o Thadeu Fayad e eu próprio, assim como muitos visitantes, pelos ecos que nos chegam diariamente, adoram a “brincadeira”, por isso estejam atentos aos próximos cabeçalhos, que também acabarão por comprovar que o Tex Willer Blog é constantemente actualizado, não apenas em matérias…

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A capa (provisória) do Maxi Tex “Os três irmãos Bill”, personagens de G. L. Bonelli, numa aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada por Alessandro Piccinelli

Os três irmãos Bill

Foi antecipado para Setembro o Maxi Tex nº 27 que trará a história “Os três irmãos Bill“, história essa escrita por Mauro Boselli e desenhada (magistralmente) por Alessandro Piccinelli. Uma aventura em que Tex e Carson encontram os três irmãos Bill, personagens criados nos anos 50 do século passado por Gianluigi Bonelli, que se assemelham muito, como poder de choque, aos dois pards, com os quais primeiro se confrontam e depois se solidarizam em páginas ricas de cenários western, como os bisontes, o ataque à diligência, etc.! Mas para saber mais sobre “Os três irmãos Bill“, um trio de irmãos dotados dos rostos dos actores John Carradine, Victor MacLaglen e Montgomery Clift, clique AQUI!

Este Maxi Tex outonal trata-se de uma edição verdadeiramente histórica porque neles teremos, ao fim de cerca de 72 anos de vida editorial, o primeiro team-up de Tex, que poderá ser um forte indício de que futuramente teremos outros team-ups de Tex, em especial o tão falado e desejado por muitos fãs, team-up com Zagor.

Alessandro Piccinelli exibe uma página, ainda a lápis, de um dos três Bill

Voltando ao maxi Tex que terá então uma única história, a fase de revisão, encargo do próprio editor e escritor da história, o Mauro Boselli, autor que nos facultou algumas fotos do processo de revisão divulgando-nos inclusive algumas páginas desenhadas pelo Alessandro Piccinelli ao lado das páginas do guião (roteiro) do próprio Boselli, para o editor poder fazer a respectiva revisão a nível de desenhos (para somente depois as páginas serem legendadas), mostrando-nos inclusive como se processa esse trabalho de revisão e até mesmo da criação de uma história de Tex, pôde ser visto em várias fotografias que podem ser vistas clicando AQUI!

Os três irmãos Bill de Mauro Boselli e Alessandro Piccinelli em fase de revisão

Entretanto a Sergio Bonelli Editore já está a trabalhar na capa (da autoria de Claudio Villa) dessa edição, capa essa, ainda provisória, que damos a conhecer de seguida devido à habitual cortesia e disponibilidade de Mauro Boselli:

A capa (provisória) do Maxi Tex nº 27 que trará a história Os três irmãos Bill

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INÉDITO!!!!! – Edição portuguesa de Mister No “OVNIS na Amazónia” à venda em Itália juntamente com a edição italiana “Alien” e uma Página Original da História, todos os três itens autografados por Fabio Civitelli e vendidos numa caixa exclusiva!

Neste último fim de semana realizou-se em Arezzo, Itália, na presença do Mestre Fabio Civitelli, o lançamento simultâneo, algo inédito até hojedo volume português de Mister No “OVNIS na Amazónia(volume nº 9 da Colecção Bonelli da Editora Levoir/Jornal Público) e do mesmo volume italiano lançado recentemente pela Sergio Bonelli Editore, intitulado Alien, com a particularidade de ambos os volumes virem numa belíssima e original caixa em cartão confeccionada e ilustrada propositadamente para esta iniciativa e essa mesma caixa conter também uma Página Original da história desenhada precisamente por Fabio Civitelli sob um guião de Tiziano Sclavi.

Caixa Exclusiva e Numerada da Livraria Fenice contendo a edição portuguesa e a edição italiana de Mister No com a história OVNIS na Amazónia e ainda uma Página Original da história, todos os itens autografados por Fabio Civitelli

Ambos os volumes, o português e o italiano, estão autografados pelo Mestre Fabio Civitelli, assim como também autografada por Civitelli está a Página Original inserida em cada uma das vinte caixas produzidas por Aldo Giancarlo Valdambrini para venda exclusiva na sua Livraria “La Fenice.

Fabio Civitelli no lançamento, em Arezzo, das publicações portuguesa e italiana da sua história de Mister No

Há a destacar ainda que esta capa foi feita por Fabio Civitelli para a edição portuguesa e que a Sergio Bonelli Editore, dois anos depois, utilizou-a agora para o lançamento em Itália, um verdadeiro feito lusitano.

Devido à preciosidade em questão, em especial para os fãs portugueses de Mister No e de Fabio Civitelli, o Aldo Giancarlo Valdambrini reservou por um curto período de tempo, um número reduzido de caixas para o mercado nacional pelo que eventuais interessados em ter estas preciosidades devidamente autografadas por Fabio Civitelli nas suas colecções devem entrar em contacto, o mais rapidamente possível, com o Aldo Giancarlo Valdambrini através do e-mail cartolibrerialafenice@gmail.com

Informamos ainda que as fotografias que ilustram este artigo foram tiradas precisamente na jornada deste fim de semana em Arezzo onde houve então esse lançamento totalmente inédito e relacionado com Portugal!

Coleccionadores de Mister No e fãs de Fabio Civitelli durante o lançamento ocorrido no exterior da Livraria La Fenice, em Arezzo

Para finalizar, deixamo-vos com o Trailer Oficial, produzido pela Sergio Bonelli Editore, desta história de   Mister No: “Alien”.

Claudio Villa inova uma vez mais, com uma capa verdadeiramente superlativa: Dos esboços iniciais à capa final de Tex #717 (“Guardia Rural”), passando pelas cores originais de Claudio Villa

* Depois de mais de 70 anos de vida editorial, Tex # 717 traz uma inovação na capa, verdadeiramente superlativa, nascida da mente brilhante de Claudio Villa como o próprio confidencia.

No próximo dia 7 de Julho a Sergio Bonelli Editore publicará a edição número 717 de Tex, intitulada “Guardia Rural” que contém a segunda parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada pelo Mestre argentino Ernesto Garcia Seijas.

Claudio Villa

A capa, tal como todas as posteriores à número 400 (inclusive) desta colecção, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, que na verdade foram dois esboços, e das artes finalizadas porque na realidade são duas artes sobrepostas, pintada pelo próprio Claudio Villa tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex, mas sobre esta capa tão sugestiva e superlativa, Claudio Villa disse-nos algumas palavras que reproduzimos de seguida:

Na realidade, esta mais recente capa, trata-se de um novo episódio de: ‘o desespero motivacional intenso, coordenado e contínuo’. E agora o que raios vou desenhar?
Visto que a Editora Bonelli acabou de divulgá-la, deixo-vos com alguns antecedentes dos bastidores do trabalho em andamento
A ideia era colocar os Rurales, que têm a honra do título, com Tex, mas neste volume que traz a segunda parte da história iniciada no número anterior, eles não se encontram.
Então para dar azo à ideia era necessário uma capa com uma dupla imagem…
Mas que raios!
Sempre a habitual capa! Não podia ser…
Mas e se eu realmente fizer uma capa dupla? Tex desenhado apenas com tinta-da-china e o fundo colorido?
Nããããoooo, muito ousado! Isso nunca foi feito no Tex!
Feito esboço, envio para o editor Mauro Boselli, e ele aprova. ‘Calhou-me’ mesmo ter de fazê-la!
Assim sendo deixo-vos com a ‘capa de sempre’!
Em Julho.
Nos quiosques de toda a Itália e depois em vossa casa

Esboço inicial da capa de Tex #717, da autoria de Claudio Villa

Tex para a capa de Tex #717, com as cores originais de Claudio Villa

Os Rurales do fundo da capa de Tex #717, com as cores originais de Claudio Villa

Capa de Tex #717

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Covid-19: Sétima edição da Comic Con Portugal adiada para 2021, onde desde já se informa que o Clube Tex Portugal estará presente, assim como teremos a presença de consagrados autores de Tex, devido ao renovado convite da organização

* Estava agendada para os dias entre 10 e 13 de Setembro, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras e contaria com a presença do Clube Tex Portugal e de renomados autores de Tex Willer.

* O dever de um Herói é proteger os outros e a si próprio.

A 7.ª edição da Comic Con Portugal, prevista para Setembro deste ano, foi adiada para 2021, anunciou esta sexta-feira a organização do evento que se realizaria no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras e que contaria com a presença do Clube Tex Portugal e também com renomados autores de Tex, tal como aconteceu o ano passado aquando da presença de Fabio Civitelli, cuja edição contou com mais de 140 mil visitantes. 

Fabio Civitelli abrilhantou a Comic Con Portugal 2019

A decisão, é explicado pela organização, surgiu “após a aprovação da proposta de Lei do Governo Português que determina a proibição da realização de grandes eventos até ao dia 30 de Setembro de 2020“, juntamente “com o prolongamento do estado de calamidade do país, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo“.

Esta edição estava a ser analisada em formatos diferentes e adaptados às contingências actuais, contando com várias confirmações de talentos nacionais e internacionais. No entanto, devido ao panorama internacional, tornou-se impossível estarem presentes. Por isso, acabou por ser uma decisão tomada com grande tristeza, mas de forma consciente e a pensar na segurança e bem-estar de todos os fãs da cultura pop“, adiantou a organização no seu comunicado.

Fabio Civitelli e o Clube Tex Portugal na Comic Con 2019

A realização da 7.ª edição já estava a ser “analisada em formatos diferentes e adaptados às contingências actuais“, mas devido à pandemia da Covid-19, tornou-se também “impossível estarem presentes” talentos nacionais e internacionais confirmados, entre os quais os autores de Tex, que manteremos no anonimato para anunciar com pompa e circunstância no início de 2021.

Isto porque a organização fez questão de informar a Direcção do Clube Tex Portugal que “Gostaríamos assim de poder continuar a contar com a vossa colaboração, reiterando o convite aos autores que tinham contactado para a edição deste ano.

Conferência Fabio Civitelli & Tex na Comic Con Portugal 2019

A Comic Con Portugal realizou-se pela primeira vez em 2013, na Exponor, em Matosinhos, distrito do Porto, onde decorreram as primeiras quatro edições. Em 2018, a convenção dedicada ao entretenimento e à cultura pop decorreu pela primeira vez no Passeio Marítimo de Algés.

A organização da Comic Con Portugal assinou um protocolo com a Câmara Municipal de Oeiras por três edições (2018, 2019 e 2020) e que previa o envolvimento, por parte do município, de um apoio financeiro e logístico de 330 mil euros por edição.

Fabio Civitelli na Comic Con Portugal 2019

Apesar do adiamento, ainda irão existir novidades este ano. “Nos próximos meses, será lançada a loja Oficial da Comic Con Portugal“, irá ser realizado “o primeiro estudo de mercado em Portugal, onde o objectivo é traçar o perfil do Geek português” e “haverá a edição dos Prémios dos Galardões da BD, que visam premiar a melhor Banda Desenhada que se faz e edita em Portugal“. 

O comunicado não esclarece como se processarão os pedidos de reembolso, ou se a transição dos ingressos para 2021 funcionará de forma automática, para esse e outros detalhes, visitem o website dedicado ao evento.

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Póster Tex Nuova Ristampa 313

Póster Tex Nuova Ristampa 313

Nesta belíssima ilustração da autoria de Claudio Villa, vemos numa noite de temporal na cidadezinha de Blythe, na encosta Oeste da montanha Eagle, Tex Willer e Kit Carson no interior de um barracão cheio de goteiras, observando atentamente um bêbado que saía do saloon e que se dirigia precisamente para o barracão onde eles estavam…

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #78 e inspirado na história “A sangue freddo” de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #483 e #484).
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Texto de José Carlos Francisco

Os OITO esboços necessários para realizar a capa de Tex Willer n° 20 e ainda o lápis, a tinta-da-china e as cores originais de Maurizio Dotti

Mauro Boselli exibe orgulhosamente vários exemplares de Tex Willer nº 20 que contém uma história de sua autoria

Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o desenhador tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.

Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 20 de Tex Willer, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito OITO esboços diferentes até dar-se por satisfeito, embora o esboço eleito acabasse por ser o número 7 como poderemos ver de seguida, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores de todos os OITO esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como também mostraremos a arte eleita arte-finalizada com tinta-da-china e também com as cores originais do próprio Dotti, concluindo com a capa tal como ela foi publicada, no passado dia 18 deste mês de Junho, pela Sergio Bonelli Editore, com o título “Nella terra dei Seminoles“, uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Michele Rubini:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Quarto esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Quinto esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Sexto esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Sétimo esboço (o eleito) para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Oitavo esboço para a capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis da capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta-da-china da capa de Tex Willer #20, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #20, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #20

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As Leituras do Pedro: Revista do Clube Tex Portugal #12

As Leituras do Pedro*

Revista Clube Tex Portugal #12 – Capa principal

Revista do Clube Tex Portugal #12
Vários autores
Capas de Alessandro Bocci
Clube Tex Portugal
Portugal, Junho de 2020

210 x 280 mm, 48 p., cor, capa mole, semestral
Exclusiva para sócios
(ver condições de adesão aqui)

‘Fanático’, segundo uma das definições da Infopédia, é um “indivíduo que se dedica entusiasticamente a algo ou alguém; apaixonado”. E esta é uma definição que assenta como um luva nos directores do Clube Tex Portugal, organizadores da mostra anual de Anadia dedicada a Tex, responsáveis pela presença em Portugal de diversos autores do Ranger em diversos eventos dedicados à BD e editores da revista, cujo 12.º número hoje trago aqui.
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Pelo seu título e pelo acima escrito, será aceitável a conclusão que que esta publicação se direcciona a fanáticos‘ – outra vez! – da principal criação Bonelli – Tex Willer, claro – mas isso seria redutor pois os apreciadores de banda desenhada em geral – e os de western em particular – poderão encontrar nas suas páginas motivos de interesse – consoante as temáticas ou os escribas envolvidos.
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Revista Clube Tex Portugal #12 – Capa variante

Se nos primeiros números, a autoria dos textos ficou (quase?) exclusivamente a cargo de (alguns) sócios, aos poucos, a publicação foi-se impondo e o número de colaboradores alargou-se, quer ao Brasil, quer mesmo a Itália, com elementos da própria redacção da Sergio Bonelli Editore e autores do peso, por exemplo, de um Mauro Boselli.

No presente número, sem querer ser exaustivo, mas servindo de montra da diversidade habitual, artigos sobre Alessandro Bocci, A Juventude de Blueberry ou A primeira série gigante de Tex, uma entrevista com Giorgio Giusfredi ou curiosidades sobre Os porta-chaves (oficias) de Tex ou as 2000 edições de Tex no Brasil. Para além disso, como sempre, há ilustrações/esboços originais de autores de Tex, que também têm sido responsáveis pelas duas capas – a comum e a alternativa – de cada número da revista.

Completamente a cores, bem impressa, em bom papel, com cerca de meia centena de páginas, a publicação encontra-se em fase de mudança de grafismo devido ao falecimento de Jorge Machado Dias que o assegurava desde o número inicial, estando agora nas mãos de João Marin.

Sabendo que nestes casos, a ‘cada cabeça’ corresponde uma ‘sentença’, atrevo-me mesmo assim a deixar algumas sugestões: a diminuição do tamanho de letra dos textos, o que permitiria que (algum)as imagens respirassem melhor, e alguma uniformização da dimensão das ilustrações – que são originalmente similares’, quer para evitar reduções extremas, quer para que não haja, por exemplo, capas iguais na origem, com dimensões (muito) diferentes na revista. Questões de pormenor – que o são – dirão alguns – com razão – que não questionam o interesse do conteúdo apresentado mas que podem ser estudadas porque o crescimento e a expansão – e o prestígio, até – atingidos pela Revista do Clube Tex Portugal o justificam.

Esta não é uma publicação que se encontra à venda, pois destina-se exclusivamente aos membros do Clube Tex Portugal, que recebem um exemplar com a capa comum, podendo encomendar outro(s) exemplar(es) dessa mesma capa ou da alternativa.

Por isso, para os interessados, termino citando o – renovado! – TexWiller Blog, “Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal cujos estatutos podem ser vistos aqui pode inscrever-se escrevendo via e-mail para José Carlos Francisco sendo necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,50 € (3,00 € se não for residente em Portugal)“.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).
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Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979)

Giovanni Ticci e a tridimensionalidade gráfica
Por Giancarlo Malagutti [1]

Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 1

Giovanni Ticci, nascido em Siena a 20 de Abril de 1940, chega à banda desenhada quase por acaso. “Em 1956″ – como o próprio declara – ″tinha um tio que vivia em Milão, no mesmo palácio em que habitava Rinaldo Dami. Mostrei-lhe alguns dos meus desenhos e ele convidou-me a visitá-lo, para eu conhecer o mundo da banda desenhada. Assim o fiz e, depois de um mês de provas, pediu-me para fazer parte do seu staff, no qual permaneci até ao final de 1957. Naquele período eu frequentava contemporaneamente cursos nocturnos para me tornar contabilista, mas por sorte a paixão pela banda desenhada levou a melhor e assim passei a ser desenhador“.

No período em que colabora com o Estúdio Dami, Giovanni Ticci realiza o lápis para “La pattuglia dei bufali” (“A patrulha dos búfalos“), das Edições Araldo, e várias séries, entre as quais «Battle Britton» e «Dick Daring» para a Fleetway Publications de Londres, que certamente desenvolveram no jovem autor propensão à perfeição e à dedicação no trabalho, porque como bem se sabe, o mercado exterior sempre foi mais selectivo. “Naturalmente” – precisa Ticci – “não é que as várias histórias ou episódios fossem desenhados integralmente por mim. No estúdio éramos uns 5 ou 6 (entre os quais Porciani, Trevisan, Calegari) e tentávamos aprender como se fazia banda desenhada; tratava-se, portanto, de um trabalho de equipa“.

No início de 1958 Ticci abandona o estúdio Dami e regressa a Siena onde retoma os estudos, mas após três meses, por mérito de Carlo Porciani, foi posto em contacto com Franco Bignotti, que o convence a levar a sério a ideia de fazer banda desenhada. Inicia assim a fazer os desenhos a lápis para este último e, de tal modo, a desenvolver os próprios dotes artísticos tendo, em primeiro lugar, a possibilidade de trabalhar em estreito contacto com um valente artista e, em segundo lugar, a de desenhar apenas a lápis e, portanto, aperfeiçoar dia após dia a técnica e o estudo do desenho sem ter de fazer pausas para o repasso da tinta-da-china.

Os primeiros trabalhos, «Kansas Kid» e «Dick Daring», ainda foram realizados para a Fleetway, que os encomendava ao estúdio Dami com o qual Bignotti colaborava. Em seguida o editor Bonelli confia à arte de Bignotti uma nova série, «Il ragazzo nel far west», com textos de Guido Nolitta, que depois deixará a série nas mãos de Giovanni Bonelli. Bignotti, depois de três ou quatro volumes em tiras, conforme era moda naquele tempo, passa os guiões ao jovem (por isso a mão de Ticci já é vista no primeiro álbum da série republicada), o qual realiza mais uma vez apenas o lápis, porque como o próprio admite, tendo feito anteriormente apenas desenhos a lápis, tinha pouca destreza com a tinta.

Tira de «Un Ragazzo nel Far West», lápis de Ticci e tinta-da-china de Bignoti

O editor no início não sabia desse facto, mas em seguida foram indicados dois desenhadores, com a sigla «Bignoticci». Naquele ano há um breve parêntesis dedicada à realização gráfica de um texto de Francesco Bernini, a história de um rapaz, ambientada no Japão medieval, publicada em cinco edições do mensal «Piccolo Sceriffo» da Editora Dardo.

Tomando como medida a longa saga do «Ragazzo nel far west» (série republicada na colecção Rodeo e concluída com um episódio realizado integralmente por Bignotti com textos de Decio Canzio), pode-se notar o caminho gráfico percorrido pelo desenhador. Nos primeiros álbuns ainda não se nota a mão do jovem autor que, embora hábil, ainda não possuía um estilo pessoal, devido sobretudo ao facto de ter trabalhado num estúdio onde cada indivíduo realizava uma pequena parte do trabalho, aquela onde se sentia melhor, acabando assim por especializar-se e às vezes por despersonalizar-se. O lápis de Ticci acaba portanto por ser coberto pelo estilo de Bignotti, sendo este último alguns anos mais velho e consequentemente mais experiente.

Mas conforme gradualmente as edições do «Ragazzo nel far west» prosseguem, Ticci torna-se cada vez mais um perfeccionista do desenho; a produção de edições no formato de talões de cheques com 32 ″striscias″ (tiras) dá-lhe a possibilidade de aplicar-se com calma, sem o frenesim que se apodera do artista quando tem de realizar volumes corposos onde existem muitas páginas para entregar num curto prazo ao editor.

No final de 1960, acontece um facto muito significativo na vida de Giovanni Ticci: o regresso à Itália de Alberto Giolitti, que já tinha conhecido anteriormente. Os dois desenhadores encontram-se em Roma, começando a trabalhar juntos em algumas séries, também elas para o mercado externo; porém desta vez trata-se dos Estados Unidos, meta sempre ambicionada por qualquer autor, tanto para os que escrevem como para os que desenham.

Um exemplo da convincente e eficaz ambientação da ficção científica na série «Judok» (textos de G. L. Bonelli)

Inicia assim a colaboração com «Gunsmoke», «Have Gunwill Travel» e «Tales of Wells Fargo», versões em banda desenhada de famosas séries televisivas para os álbuns da colecção Gold Key Comics da Western Publishing CO. de Nova Iorque, para além de algumas histórias para «Boris Karloff» e «Twilinght Zone», sempre para a mesma editora. Ticci a trabalhar com Giolitti deve por força das circunstâncias adaptar-se ao estilo que já era conhecido na América. A confirmação desse facto vê-se na já citada série do «Ragazzo nel far west», onde se nota uma notável mudança no desenho. Tal não é apenas devido à convivência com Giolitti, que certamente influenciou bastante o jovem Ticci, mas também à inata habilidade deste que, ajudado pelo autor mais experiente, consegue deitar cá para fora toda a sua capacidade com que é dotado. E pode-se mesmo dizer que o “aluno” superou o “mestre”.

Enquanto prossegue a série na companhia de Bignotti, em 1962 inicia com o amigo Giolitti a série «Turok», publicada em Itália pelos irmãos Spada. A vinheta alarga-se, as figuras dos personagens passam a ser mais cuidadas e a qualidade do desenho do desenhador de Siena melhora cada vez mais. Nota-se aqui e ali a influência de Dan Barry e de John Cullen Murphy, dois grandes autores americanos que inspiraram inúmeros desenhadores italianos e de muitos outros países. As cenas são dotadas de maior movimento e o enquadramento torna-se mais cinematográfico, que será cada vez mais uma característica de Ticci.

As duas fases principais do processo criativo de Giovanni Ticci: O desenho a lápis e aquele final já repassado com tinta-da-china

O rigor da descrição histórica tende a melhorar graças sobretudo ao cuidado no desenho dos detalhes, tais como armas, roupas e acessórios. Cada vez mais a personalidade do desenhador deixa a sua marca, e o arte-finalista Bignotti não pode deixar de aprimorá-la, e com uma certa complacência, visto que abandona o seu estilo próprio (que depois retoma quando finaliza os seus próprios desenhos a lápis) para começar a pintar mais finamente, seguindo muito fielmente os desenhos a lápis subjacentes.

Para além das figuras humanas, saltam imediatamente à vista o cuidado e a beleza de certas paisagens, cidades ou acampamentos índios, pradarias e sobretudo canyons, que Ticci realiza com toque magistral. Porém, não obstante a paixão pelos grandes espaços, os índios, os cavalos e tudo aquilo que faz parte do Oeste americano do século XIX, o desenhador deve produzir também séries de tipo diverso, entre as quais «Voyage to the botton of the sea», uma série de ficção científica na qual uma vez mais derrama toda a sua habilidade.

Vinhetas do álbum «King Kong» realizado juntamente com Alberto Giolitti

Até 1968 leva por diante esta enorme quantidade de trabalho, à qual se soma o volume «King Kong», traduzido e publicado em Itália pelos irmãos Spada, e republicado depois pela Cenisio, na onda do sucesso cinematográfico do filme homónimo. Também desenha «Sword for Hire» e «The Fiery Furnace», um par de histórias para a Fleetwey Publications. Em 1963 tinha iniciado, para as Edições Araldo, uma série de ficção científica muito bela, com textos do multifacetado G. L. Bonelli e intitulada «Judok», mas nem sequer consegue concluir o primeiro episódio, devido aos inúmeros empenhos.

Vinhetas de «Vendetta Indiana», a primeira aventura de Tex desenhada por Ticci, nas quais eram já evidentes o domínio dos meios expressivos e a forte carga dinâmica

Um dos primeiros rostos de Tex desenhados por Giovanni Ticci

A história foi depois republicada na colecção Rodeo (nº 8, Judok), mas completada por outro desenhador. A tudo isso adicione-se o facto de, em 1966, ter sido contactado pelo editor Sergio Bonelli para iniciar uma colaboração com Tex, para o qual realiza a história «Vendetta indiana», na qual, mesmo respeitando o seu próprio estilo, consegue um trabalho bastante homogéneo com relação aos precedentes desenhos de Galleppini. Daí em diante abandona aos poucos as produções antecedentes, terminando-as definitivamente em 1969 para dedicar-se exclusivamente a Tex, objectivo certamente muito cobiçado. As únicas excepções são uma história de guerra para o «Corriere dei Ragazzi» (L’aereo di Al-Agaila, nº 25 de Junho de 1970), à época revista muito cotada, e uma história do género fantástico sobre o Palio de Siena para a série «Twilight Zone» dos Gold Key Comics.

Nos últimos dez anos dedicados a Tex, Giovanni Ticci realiza dez aventuras, mais ou menos longas, publicadas em 24 volumes, segundo o hábito da editora de publicar aventuras não limitadas a um número fixo de páginas, para não pôr limites à inspiração criativa do escritor.

Os detalhes da arte de Giovanni Ticci em Tex

Essa produção pode parecer escassa em confronto com o trabalho dos outros colaboradores de Tex, mas examinando as vinhetas uma a uma e prestando a devida atenção, não se pode deixar de notar que cada vinheta é estudada e realizada com muito cuidado e cheia de detalhes, os quais exigem bastante tempo mas produzem um efeito final extremamente agradável. Nas suas páginas existem ares de epopeia de um filme western de grande qualidade, graças à precisão dos detalhes destinados a transmitir um sentido histórico e temporal àquele mundo matizado que foi o Oeste americano. Apesar das reduzidas dimensões da vinheta, o artista consegue passear a sua classe e criar uma tridimensionalidade que salta para além dos estreitos limites do quadradinho. Como faz com outras publicações, a editora poderia mandar realizar também para as edições de Tex vinhetas maiores, pelo menos do tamanho de duas vinhetas actuais para valorizar ao máximo a arte ambiental e paisagística. Cada vinheta de Ticci é realizada cuidadosamente: as cidades, as pradarias, os canyons são sempre muito realísticos e dotados de profundidade. Não por acaso Ticci é um dos artistas mais copiados por aqueles desenhadores que, dotados de pouca habilidade e escassa fantasia criativa, se inspiram fortemente no trabalho dos outros; assim, por vezes encontramos vinhetas inteiras recalcadas das suas, em outras publicações. Nós revimos a produção deste desenhador que se demonstrou um dos mais válidos desta geração italiana e que – no nosso entender – é tido talvez em fraca consideração, porque fazendo parte daquela lista de honestos profissionais que se dedicam a tempo inteiro e exclusivamente ao trabalho de série (naturalmente de boa qualidade), não têm tempo para andar à procura de glória em outros lugares, sobretudo nos periódicos considerados ″intelectuais″ e que seguem a moda do momento.

A tridimensionalidade da arte de Giovanni Ticci em Tex

A concluir este rápido perfil de Giovanni Ticci, cremos poder legitimamente exprimir um desejo e, ao mesmo tempo, fazer um convite à editora CEPIM para tomar em séria consideração a possibilidade de confiar a realização de um volume da afortunada colecção «Un uomo, un’avventura» a um desenhador como Ticci, que honrou com dignidade gráfica, talento criativo e seriedade profissional a banda desenhada italiana.

Giancarlo Malagutti

Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 2

Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 3

Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 4

Resgatando o passado: A primeira entrevista de Giovanni Ticci (Setembro de 1979) – Página 5

[1] Material apresentado na imprensa italiana em Setembro de 1979; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 1979, Giancarlo Malagutti