Galep, sempre um grande?

maio 18, 2012

Por Anthony Steffen[1]

Com o advento da Internet e portanto com o frequentar os vários sites e fóruns dedicados ao Ranger, eu tive a oportunidade, ao longo dos anos, de fazer descobertas texianas extraordinárias, como por exemplo curiosidades relacionadas com algumas histórias, notícias e aprofundamentos sobre alguns argumentistas e desenhadores, etc.

Mas seguramente a “descoberta” que mais me surpreendeu (com toda a sinceridade não me sinto em condições de dizer se positivamente ou se negativamente) é sem dúvida alguma ter tomado conhecimento de que muitas das capas de Aurelio Galleppini, aquelas esplêndidas capas genéricas, aquelas não relacionadas com a história contida no álbum, não eram fruto da sua fantasia de desenhador mas sim decalcadas em maneira muito fiel a cartazes de cinemas, fotografias de actores, capas de livros western, etc.

Há realmente muitas destas situações e eu próprio com a ajuda da Internet, pus-me há alguns anos atrás à procura de imagens de alguns autores com poses que recordassem algumas capas de Galep. Encontrei muitas e estou convicto que mais encontraria se fosse comparar todos os cartazes de filmes western dos 40′,50′ ou 60′.

Devo confessar que ainda hoje esta situação embaraça-me um pouco. Não sei como explicá-lo, e por isso vos peço de não me acusarem de “blasfémia” , mas, uma vez feita a descoberta, não as apreciei mais como as admirava quando, maravilhado, as contemplava nos primeiros anos em que coleccionava Tex.

É como se fosse, em certo sentido, traído. Não sei se consigo dar a entender o meu pensamento. Saber que por trás de uma pose de Tex estava um John Wayne ou um Burt Lancaster, saber que a ideia de determinada capa não era original mas “copiada”, deixa-me um pouco desorientado nos confrontos de Galep, que pese tudo isto, continua a ser um grande mestre.

Para concluir, e após verem alguns exemplos mais abaixo, gostaria muito de conhecer as opiniões, dos leitores portugueses e brasileiros, respeitantes a este assunto que considero um pouco complicado e até mesmo delicado e saber se há algum que sinta o mesmo “desconforto” que eu, esperando ao mesmo tempo que não tenha provocado a susceptibilidade dos admiradores de Aurelio Galleppini.

[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 16 de Abril de 2012)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco

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Vídeo: Andrea Venturi desenha Kit Carson

maio 17, 2012

No vídeo que damos a conhecer hoje no blogue do Tex, temos a oportunidade de ver um dos melhores desenhadores italianos, Andrea Venturi, com passagens por Dylan Dog, Mágico Vento (onde foi o autor das capas desde o nº 1 até ao nº 31) e Tex (estando neste momento a desenhar um Tex Gigante com publicação prevista para 2014, tendo por base um argumento – de Mauro Boselli - com uma história épica de caravanas e pioneiros, em viagem rumo ao Oeste, com a participação dos 4 pards), a realizar um magnífico Kit Carson a pedido de um seu fã no decurso do evento Bilbolbul 2010, realizado em Bolonha:

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Entrevista com o fã e coleccionador: Fabiano Monteiro Pereira

maio 16, 2012

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Fabiano Monteiro Pereira: Nasci no Município de Pérola, Estado do Paraná, Brasil, no dia 21 de Março de 1975. Sou graduado em Logística e actualmente trabalho na portaria de uma empresa.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Fabiano Monteiro Pereira: Praticamente quando aprendi a ler, sempre gostei de heróis e comecei a ler as revistas que o meu irmão mais velho tinha, na época era a série Heróis da TV, da Marvel.

Quando descobriu Tex?
Fabiano Monteiro Pereira: Todo domingo pela manhã o meu pai levava-me à banca e eu escolhia uma revista, adorava filmes de western e as capas de Tex fascinavam-me, só que comprava Tex esporadicamente e não seguia nenhuma colecção, ainda me lembro de algumas edições que eu tinha e infelizmente perdi: O grito dos apaches, A máscara de ferro, Linchamento, Pesadelo, Espectros.

Porquê esta paixão por Tex?
Fabiano Monteiro Pereira: Primeiramente, claro, por sua personalidade e carácter, pela constância de suas histórias e pelo cenário e época em que se passam. Diferentemente de outros heróis, as histórias de Tex começam e terminam, já outras personagens se o leitor não acompanhar há anos fica perdido. Já assisti filmes de determinadas personagens, fui na banca e comprei uma revista qualquer da mesma e desanimei, é sempre algum que morreu algum que ressuscitou, mudanças de equipa, etc. Com o Ranger não temos estes problemas.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Fabiano Monteiro Pereira: Tex não tem que ser mudado e revitalizado de vez em quando como tantos outros heróis, Tex pode até estar injuriando menos e com a “mão mais leve” que antigamente, mas a sua essência não mudou.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Fabiano Monteiro Pereira: Colecciono o Tex normal desde a edição 301, o Tex Edição Histórica a partir do 38, o Tex Gigante desde o número 4, já o Almanaque, Os Grandes Clássicos e Anual desde o começo, apenas as séries Tex Ouro e Férias que deixei de comprar alguns números pois já os possuo na série mensal. No total tenho por volta de 430 revistas do Ranger. Para mim sem dúvida a mais importante é a primeira, a edição Tex mensal 301 “Isca para um Deus”, do ano de 1994.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Fabiano Monteiro Pereira: Apenas revistas e posters quando surgem, até gostaria de ter bonecos por exemplo, mas imagino que sejam muito caros. Também colecciono Batman desde 2000, Marvel Millenium desde o primeiro número e Homem de Ferro desde o primeiro número.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Fabiano Monteiro Pereira: A edição “O ídolo de cristal“.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Fabiano Monteiro Pereira: A minha história favorita é “A grande invasão”, na qual Tex vai ao enterro de um amigo e relembra uma importante passagem da sua vida. Na minha opinião Boselli superou-se e escreveu um épico, quanto ao desenhador ninguém supera Civitelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Fabiano Monteiro Pereira: O que mais me agrada em Tex sem dúvida é o seu jeito de ser de não perdoar os bandidos, seu censo de justiça, sua luta contra o racismo e em favor das minorias. Quanto às histórias prefiro aquelas em que os quatro parceiros actuam, não gosto de histórias “detectivescas” com muita investigação e pouco tiro.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Fabiano Monteiro Pereira: Tex é um herói de um tempo que já passou mas está no imaginário de muita gente. O bang-bang é um género que tem fãs pelo mundo todo.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Fabiano Monteiro Pereira: Aqui na minha região apenas com um primo que mora em uma cidade vizinha e que inclusive começou a coleccionar por influência minha. 

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Fabiano Monteiro Pereira: Discordo de quem diz que as vendas de Tex estão em baixa pelo facto do público mais jovem não gostar de western, há quem até diga que o futuro da personagem italiana é negro, mas na minha opinião o problema é outro. Pergunte hoje a uma criança de seis anos por exemplo quem é o Homem de Ferro, Capitão América ou Thor, dificilmente alguma não vai conhecer. O meu filho tem seis anos e conhece Tex de me ouvir falar e ver as revistas. Acho que o que Tex precisa de início é um novo filme, de preferência feito pelos americanos (que recentemente realizaram até um do Dylan Dog), não dá mais para ficar restrito somente à revista, as personagens que citei acima estão com títulos nas bancas que até há bem pouco tempo não tinham, porém aparecem directo em filmes, desenhos, etc. Quem sabe se depois de um bom filme surgiriam outros produtos como um videojogo e por aí vai, outras formas de mídia que atraiam e o façam conhecido para as novas gerações, fico na torcida. Quanto a mim, consumirei Tex até dar o grande salto. Um abraço a todos.

Prezado pard Fabiano Monteiro Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex Willer por Dimitri

maio 15, 2012

Por José Carlos Francisco

Do jovem fã italiano Dimitri, de apenas 8 anos de idade, recebi recentemente um magnífico desenho de Tex de sua autoria, desenho esse devidamente dedicado, como pode ser visto de seguida:

Dimitri por influência do seu tio Giancarlo Malagutti, um dos mais conceituados autores italianos como se pode constatar na entrevista que Malagutti nos concedeu e que pode ser lida clicando AQUI, é um verdadeiro apaixonado pela banda desenhada, não só a nível de leitura, mas sobretudo pela arte de desenhar e prova disso, é a engraçada página desenhada a 4 mãos com o seu tio, a propósito da 600ª edição italiana de Tex e que foi enviada a Sergio Bonelli, numa altura em que o editor italiano ainda estava de boa saúde:

  

Dimitri vive inclusive num verdadeiro mundo da banda desenhada, como comprovam as fotos que seguem e que mostram o seu quarto, decorado pelo seu tio Giancarlo, tendo nas suas paredes cenas de acção com super-heróis tais como Homem-Aranha, Super-Homem, Demolidor…

Para além disso, Dimitri lê muitas revistas de aventuras e é um grande apaixonado do Comandante Mark, Zagor, Puffi e Tintin.

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #84 – Drama em Alto Mar

maio 14, 2012

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #84Drama em Alto Mar
Giancarlo Berardi, Giuseppe De Nardo e Lorenzo Calza (argumento)
Mario Janni (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Novembro de 2011)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal
4,00 € 

Resumo
Durante um cruzeiro de má memória, transformado num auxílio a Leo Baxter numa investigação, Julia Kendall acaba por se ver envolvida num sequestro. 

Desenvolvimento
Menina-bonita deste blogue, após uma (demasiado longa?) ausência, Julia Kendall está de volta, curiosamente não devido à história que Berardi (com De Nardo e Calza) conta na revista este mês disponível nos quiosques portugueses – e na qual, como é habitual, há vários motivos de interesse, a começar pela “deslocalização” da criminóloga para “águas” que não costumam ser as suas e pela forma como a (aparente) base inicial da narrativa muda (por duas vezes) surpreendendo sucessivamente o leitor – mas para meditar um pouco acerca da importância da capa numa edição de banda desenhada.

Arte narrativa fundamentalmente gráfica, a banda desenhada tem na imagem a sua principal arma, pelo menos no primeiro impacto – e essa seria uma outra discussão, que me levaria longe do tema que hoje trago aqui.

Por isso, tanto se louva a importância do desenho, embora geralmente fazendo-o para lá da capa. Que, no entanto, é a primeira imagem que o leitor vê.

Por isso, também, se compreende que em meios aos quadradinhos “mais industriais”, frequentemente o autor da capa seja diverso do que desenha a BD propriamente dita, como acontece na Marvel e na DC Comics, que tantas vezes recorrem a nomes de peso ou ao truque de capas alternativas, para valorizar as obras, ou, como no caso presente, na Bonelli. Nesta última, aliás, as capas de cada série – igualmente por uma questão de uniformização – estão geralmente entregues a um artista específico – Claudio Villa para Tex, Gallieno Ferri para Zagor ou Marco Soldi para Julia, são alguns dos exemplos possíveis.

Regressando à temática genérica “capa”, se é fundamental que ela seja chamativa para atrair o leitor, introduzindo-lhe a história, também não pode cair no erro crasso de desvendar o enredo ou de vender “lebre por gato”.

E é nesta sequência de ideias que entra esta capa de J. Kendall. Mas, antes de entrar na sua análise e adiantar demasiado sobre o argumento – algo que será inevitável – deixo o aviso a quem quiser parar por aqui e ler este “Drama em alto mar” antes de continuar a leitura das ideias que aqui alinhavo. 

Porque – e até hoje nunca o tinha sentido de forma tão evidente – esta capa de Julia tem um spoiler evidente: a protagonista, sumariamente vestida – despida? – está numa cabine de um barco, deitada numa cama, com as mãos amarradas atrás das costas, de olhar receoso e perdido face ao homem musculoso e mal encarado que entra na cabine e cujas intenções lascivas não deixam dúvidas. 

A sua visualização, enquanto imagem forte, provocou desde logo em mim dois efeitos: por um lado levou-me a perceber que a estadia de Julia no iate, apercebido pela primeira vez apenas por volta da prancha 40, seria tudo menos pacífica – ficando assim desvendada parte da trama; por outro, criou a expectativa sobre quando teria lugar a tal cena – e o desenvolvimento da narrativa possibilitou-a mais do que uma vez antes que realmente se concretizasse. E, finalmente, quando tal aconteceu, ela mostrou-se ainda mais denunciadora, pois a cena que intui é fundamental para o desfecho e resolução do caso – ao mesmo tempo que revela uma Julia desconhecida para o leitor, empurrada (?) para perigosos limites pela situação extrema que vivia.

Ou seja, esta capa, se cumpriu o propósito primário de estimular o interesse pela história, também desvendou parte do argumento e antecipou mesmo o seu momento capital.

Sei, sem sombra de dúvida, que – como sempre neste blogue – esta é apenas a minha leitura e que cada leitor, após a sua leitura personalizada, terá (poderá ter) sobre ela uma opinião díspar, e o que para mim pode ser defeito, para outros será virtude.

Fica o desafio para leituras (mais) atentas… das capas!

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

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Collezione storica a colori nº 141 – La luce sulla collina

maio 13, 2012

Tex  nº 141LA LUCE SULLA COLLINA

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O Alfabeto do Velho Oeste – Letra W

maio 12, 2012

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve… 

É também autor dos seguintes blogues na Internet:
http://brasilhq.ilcannocchiale.it/
http://brawvhqs.blogspot.com/
http://wilsonvieira.leonardo.it/blog

 

Caros Leitores Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência - o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

W

Waddie – Expressão dialectal para indicar um cowboy nómada. (Waddy, expressão dialectal para indicar um Australiano). Por volta de 1880, alguns imigrantes Australianos do norte do Nebraska, colonizadores e pequenos “Ranchers”, foram surpreendidos em roubar gado, conseguindo escapar e colocando-se, pelo menos em aparência, a serviço como cowboy nómada. Desde então foram chamados de “Waddies”, todas aquelas figuras que se mesclavam aos cowboys do norte. Não era um insulto, era mais um apelido brincalhão. Pensa-se que destes “Waddies” surgiram os ladrões de bovinos do Wyoming, que levaria ao fim a guerra do Município Johnson.

Walla-Walla – Um Povo Indígena, da família linguística dos “Septins”, que habitava na zona montanhosa do noroeste e que compreendia as tribos dos “Klickitats” ou (Tlickitacks), dos “Chutes”, dos “Yakimas” e dos “Palouses”.

Wampum –  Cinta larga feita com conquilhas que eram confeccionadas pelos Índios “Iroqueses” e de outras tribos “Algonkin” da costa. Servia como ornamento ou então como uma espécie de moeda na troca de produtos. A falta de moeda induzia os Europeus a aceitar tais objectos como troca. Foram escritas Leis que fixaram o seu valor. Não faltaram Ingleses ou Franceses que fizeram confeccionar na Europa certas imitações em porcelana, foram tantas que a verdadeira cinta em pouco tempo perdeu o seu real valor.

Warner, Matt –  Nome de baptismo: Willard Erastus Christiansen, nascido em 864, morto em 21 de Dezembro de 1938. Filho do Dinamarquês Christian Christiansen, que tinha se convertido em Mórmon e tornou-se Bispo em Salt Lake City. Sua mãe era Alemã, quinta e a mais jovem mulher do Bispo. Tom McCarry, o chefe da famigerada quadrilha chamada “Wild Bunch” de ladrões de gado de Blue Mountain, tinha esposado Teenie, a irmã de Warner. Aos 13 anos Warner fugiu de casa escondendo-se no covil dos bandidos o “Brown’s Hole”. Trabalhou como explorador e correio postal para o bando “Blue Mountain” e em 1884 começou a roubar na quadrilha de McCarry. Quando ela terminou após um assalto ao Banco em Delta, Colorado, onde sofreu muitas perdas e quando “Butch Cassidy” fundou o primeiro “Wild Bunch”, Warner tornou-se vice-chefe e o líder de vários ataques. Foi muitas vezes preso e condenado. Em 1912 apresentou sua candidatura para a função de xerife em Carbon County, Wyoming. Não foi aceito porque se apresentou com o nome de Matt Warner e não o seu verdadeiro nome. “Vocês não sabem o que é ser perseguido” disse ele quando foi condenado pela última vez. “Não se pode dormir nunca, precisa estar sempre com uma orelha atenta e um olho aberto. Depois de certo tempo, perde-se a razão. Nunca se dorme. Mesmo quando está ao seguro, não consegue mais dormir. Cada formiga debaixo do travesseiro parece fazer o rumor de cavalo, de alguém que está lhe caçando”. Morreu de nefrite. 

Wash – Termo usado no Oeste, para indicar um riacho.

Washakie –  (1804/1900). Esse Cacique “Shoshone” tornou-se o líder de sua tribo, em Wyoming, somente com a idade de 70 anos, quando os jovens guerreiros do seu Clã, solicitaram a sua presença no comando. Ele então desapareceu e retornou dois meses depois, apresentando-se ao Conselho, segurando seis escalpes extraídos por ele mesmo; porém tentou de recusar dizendo que era muito velho para tal cargo importante. Tornou-se amigo dos brancos estabelecidos naquela região e tentou ajudá-los a prosperar. Morreu e foi sepultado com Honras Militares em Fort Washakie, Wyoming. 

Weanling – Um potro, abaixo de um ano, que tinha sido desmamado.

Wells Fargo Co. –  Uma Empresa para transportes rápidos, fundada na Califórnia, em 1852, por Henry Wells e William George Fargo. Ao início servia de terceiros para os transportes, mas depois criou a sua própria Linha de Diligências Postais e comprou outras. Participando de Agências Ferroviárias, de Navegação e Bancárias e tornando-se assim a Agência de Transportes mais importante da América e especialmente do Oeste selvagem. 

Wet – Expressão Texana para bovinos e cavalos roubados, que, eram capturados por bandidos Mexicanos nas proximidades do Rio Grande e levados pelo rio da fronteira, para o México onde eram vendidos ainda “banhados” pela travessia.

Whiskey –  Álcool extraído da cevada que depois era envelhecido por muitos anos em barris de carvalho. No Oeste e especialmente em Kentucky, onde era produzido, eram populares as marcas: “Roan Oak” e “Boubon”. O licor de cevada proveniente da Escócia era chamado de “Whisky” e os Escoceses tentaram inúmeras vezes com processos Internacionais em obter que as imitações Americanas do seu produto, incluíssem a letra “E” entre a letra “K” e a letra “Y”, de maneira essa que não pudesse existir confusão entre os dois produtos. Entanto em todo o mundo, o precioso líquido é ainda envelhecido em barris de carvalho, segundo a velha tradição, enquanto que os Escoceses em muitos anos utilizam barris metálicos. Hoje certamente estariam contentes se o seu produto, fosse confundido com o “Whiskey Americano”.

Wichitas –  Em Espanhol = Nortistas, Povo do Norte; em Francês = “Panis Pique” ou “Panipiquets” = “Pawnees tatuados”, ou “Panis Noirs” = “Pawnees Negros”. Uma das línguas principais da família linguística “Caddo”; as outras eram: “Caddo”, “Kichai” e “Pawnee”, cujas tribos: “Taovayas”, “Tawakonis”, “Wacos” e “Wichitas” viviam na região do Red River, Texas setentrional. Continuamente em fuga diante aos Texanos e das tribos circunstantes, já em 1859 eles foram para uma Reserva de Oklahoma, protegidos pelas cinco “Nações Civilizadas”.

Wickey up –  Também (Wickiup). Expressão dos cowboys para indicar a cabana (comuns entre os Apaches) em forma semicircular, cuja armação era feita com ramos e sobre a qual se colocava tecido grosso ou cobertores, para curto abrigo de 2 ou 3 semanas. Usava-se tal palavra também para indicar banhos a vapor, que os cowboys construíam da mesma maneira, quando tinham tempo de sobra.

Wigwam –  Cabanas com o tecto circular, de madeira, fibras vegetais e peles de animais, que eram construídas por Índios das regiões orientais e das tribos que habitavam as zonas de bosques. Não é para confundir com as tendas de peles de ursos junto aos Índios das pradarias.

Wild Bunch –  A maior, temível e audaciosa de todas as quadrilhas de bandidos que tenha existido no Velho Oeste Americano. Derivada do famigerado bando McCarry; cujos componentes eram: Tom, Bill, Lew e Butch Cassidy, que no período entre 1885/93 foi o protagonista de inúmeros assaltos a Bancos e trens do Colorado e Oregon. Butch Cassidy, Matt Warner e Elza Lay “fundaram” em 1893, a Wild Bunch, que era composta somente por uma dúzia de jovens que, comandados por Butch Cassidy, assaltaram algumas vezes. Em 1894 Cassidy foi condenado a dois anos de prisão e foi libertado em 1896. A Wild Bunch fez falar de si somente que um bando chamado “Junior Wild Bunch”, composto por quatro jovens: George Harris, George Bain, Joe Rolls e Shirley, todos com 18-20 anos, no Outono de 1896 em Meeker, Colorado, e foram dizimados após assaltarem um Banco. O início efectivo do Grande Wild Bunch, do qual algumas vezes faziam parte mais de 100 bandidos, data de 1 de Dezembro de 1897, quando Georg Curry, juntamente com os famigerados irmãos Logan (Henry, Johnny, Lonny e Harvey) e a 75 facínoras do bando “Hole in the Wall” se uniram ao bando Wild Bunch de Butch Cassidy, dando origem a um “Train Robbers Syndicate”. A quadrilha era dividida em pequenos bandos, respectivamente comandados por George Curry, Lonny e Harvey Logan, Harry Longbaugh (Sundance Kid) e Elza Ray, com a direcção geral de Butch Cassidy, e operavam separadamente e cometeram incontáveis assaltos a Bancos e trens do Wyoming, Utah, Colorado e Novo México. O raio de acção estendia-se praticamente sobre todo o território dos EUA da fronteira Canadense até à Mexicana, recebendo o nome de “Estrada dos fora-da-lei”. Investigadores da Agencia Pinkerton causaram a Wild Bunch tal perda (com a captura ou a morte de componentes do bando) que finalmente Butch Cassidy e Sundance Kid em 20 de Fevereiro de 1902 fugiram de New York (EUA), para Buenos Aires (Argentina). Um ano após aconteceu o último ataque por parte de bandidos dispersos do grupo. Em Cholilo (província de Chubut), Cassidy e Kid, no mês de Maio, esconderam-se num pequeno Rancho que tinham comprado, criando animais e onde ficaram tranquilos até 1906. Foi quando investigadores descobriram o local, eles abandonaram o Rancho e assaltaram um após outro um Banco em Mercedes (província de San Luis) e um Banco de Bahia Blanca e conseguiram 40.000 dólares. Deixaram então a Argentina, aparecendo na Bolívia onde assaltaram um trem em Eucalyptus, roubando os salários destinados aos mineradores. Os assaltos prosseguiram, até quando os bandidos foram localizados em San Vicente por uma unidade de Cavalaria. A batalha causou grande perda aos soldados, depois finalmente cessou, porque Cassidy estava sem munição. Ele, porém não se rendeu; primeiro matou o seu companheiro e gravemente ferido suicidou-se com a última bala de seu revólver. Os personagens mais notáveis do Wild Bunch foram: Butch Cassidy (George Leroy Parker), Elza Lay, Matt Warner (Willard Erastus Christiansen), Kit Curry (Harvey Logan), Lonny Logan, “The Tall Texas” (Ben Kilpatrick), Sundance Kid, Bill Carver, Big Nose George Curry, Flat Nose George McCarty, Bob Meeks, Tom O’Day, Bob Lee, Joe Walker, Gunplay Maxwell, John Carter, Tim Dilley, Tod Carver (T.C. Hilliard), David Lant, Harry Tracy, Patrick Louis Johnson, Silver Tip, Blue John, Jack Moore, Pete Neilson, Charley Lee, Ed Newcomb, Charles Teeters, Black Jack Ketchum. Sam Ketchum, Will Roberts, Jesse Linsey, William Cruzan, O. C. Hanks, James Lowe, John Arnold, Dave Atkins, Peg Leg Frank Elliot e Joe Chancellor. A maioria da quadrilha era composta por ex-cowboys. É de notar-se que Butch Cassidy não só tinha proibido o derramamento de sangue, mas, matou o primeiro homem somente em ocasião de sua morte na Bolívia. E o bando observava um Código Moral e era generoso com o dinheiro roubado, mas, provavelmente também por uma profunda aversão que existia no Oeste em relação aos investigadores da Agencia Pinkerton e pelas Companhias Ferroviárias e Bancárias, a quadrilha Wild Bunch usufruiu, em seu período melhor, uma fama lendária, similar ao bando de Robin Hood.

William Bellknap – Secretário de Guerra de 1865 a 1872. Em 1876 foi processado e considerado culpado por haver enganado os Índios das Reservas; manipulando os fundos para o fornecimento de alimentos para os armazéns, conseguindo assim “ganhar” 25.000 dólares. Não foi um caso isolado, foi mais uma das tantas malvadezas contra os Índios.

William H. Jackson –  A profissão de fotógrafo, quando se torna uma paixão, geralmente traz consigo vários riscos. Um dos mais célebres fotógrafos do Oeste, William H. Jackson arriscou várias vezes a própria vida por uma fotografia bem tirada; principalmente em beiradas de abismos. Jackson morreu em 1942 e foi um dos últimos veteranos da Guerra de Secessão.

William Tecumseh Sherman – O general Nortista, apelidado de “Inferno”, sustentava que em guerra as longas marchas valiam tanto quanto as batalhas. A sua acção mais clamorosa foi a travessia da Geórgia iniciada ao fim de Julho de 1864 após a derrota de Atlanta e a derrota do Exército de Johnston. Iniciava ali uma marcha durante a qual, destruiu tudo o que encontrava adiante do seu caminho, incitando os seus 62.000 soldados com a frase: “E agora vamos fazer chorar toda a Geórgia”. Em resposta aos protestos dos inimigos que o acusavam de crueldades, rebatia: “Se eles desejam a Paz, que parem então, de fazer a Guerra”.

Winchester –  Winchester Oliver F., nasceu em 1810, Boston, foi ao início um comerciante de artigos de moda masculina. Foi inventor de máquinas para cortar e costurar, antes de participar em 1857, na “Volcanic Repeating Fire Arms Company”, a qual em 1854 produzia um novo tipo de rifle de repetição que em 1858 foi aperfeiçoado por Tyler Henry recebendo o nome de “Henry Rifle Mod. 1860”. Essa arma, com 15 tiros em seu carregador abaixo do cano, revolucionou toda a técnica bélica da América, garantindo aos conquistadores brancos do West uma notável vantagem sobre os Índios, que ainda usavam os velhos fuzis de um só tiro. Em 1860 Winchester chamou o sucessivo modelo de rifle como “Winchester 66”, que por seu carregador de bronze, foi chamado no Oeste de “Brass Boy”, ou também de “Yell Yellow Boy”. Essa arma, que disparava com cartuchos de revólver, tinha um carregador com 16 cartuchos na versão rifle e com 121 cartuchos naquela de carabina e teve um sucesso em todo o mundo. Os Turcos armaram com esse rifle as suas tropas durante a Guerra da Criméia contra a Rússia e ajudou em sua vitória esmagadora. Na Ásia e Europa surgiram vários modelos, com autorização Winchester. O cowboy Americano preferia o modelo “Winchester 66 Carabina” a todos os outros rifles curtos e ele tornou-se sua arma típica. Até o surgimento do novo modelo “Winchester 73”, que era a repetição como o modelo 66, um homem em dez no West possuía um Winchester. O novo modelo conquistou o restante do Oeste. Foram vendidos mais de 720.000 exemplares. Os modelos seguintes: “Winchester 76” e “Winchester 92”, possuíam um sistema mais prático e um carregador mais curto, mas em aço. O modelo “Winchester 94” tornou-se a arma de maior sucesso da indústria bélica Americana. 

Wind Broken – Termo usado para indicar um cavalo pequeno.

Winnebagos – Palavra “Sak” = Povo da Água Ruim. Os Ingleses chamava-nosm de = Fedidos. Povo “Sioux” que certa vez vivia ao sul da Green Bay e no lago Winnebago e que hoje se encontra na Reserva de Nebraska. Em 1863 o Governo dos EUA transportou-o de Minnesota ao Missouri. Um Órgão de Informação daquela época, o “Maneypenny, our Indian Wards” escreveu, em 1863: “Eles foram transportados em um navio a vapor, ao relento, somando 1.900 almas. Recebiam o alimento como pão endurecido e carne de porco estragada. Não era dado café, açúcar nem verduras. Assim espremidos, na viagem para St. Joseph eles foram contaminados pela disenteria e febre. Após alguns dias o total de mortos passava de 150 pessoas. Não existia ali nenhum médico que cuidasse deles, somente soldados, com suas armas carregadas, e limitavam-se a jogar os cadáveres no rio”.

Winnetou –  Herói Indígena de muitos contos do escritor Alemão Karl May. O nome é derivado, provavelmente, do dialecto “Shoshone” (Win-tu = o Homem). A descrição de Karl May desse “Cacique dos Apaches” tem muito pouco a ver com a realidade histórica. Os “Apaches” não eram um povo, mas somente uma família linguística, a qual era composta de inúmeros bandos e hordas, que não tinham nenhuma ligação entre eles, mas vagavam sem destino através do deserto. Figuras de Caciques autocráticos eram desconhecidas. Os Caciques dos bandos baseavam-se em plebiscitos quotidianos. Do ponto de vista físico os “Apaches” eram pequenos, entroncados, com os ombros estreitos e o ventre proeminente. A excepção foi “Mangas Coloradas”, o Cacique que teria 2 metros de altura. Falsa historicamente é também a descrição dos “Apaches” como um Povo de Cavaleiros. Eram nómadas do deserto e preferiam comer os cavalos que cavalgá-los. Analogamente, os “Apaches” da realidade histórica desprezavam também os “Tomahawks” e a lança de guerra, usando como arma a clava pré-histórica consistente, feita com raízes robustas e com sua extremidade grossa e redonda. Se pretendermos procurar uma vaga semelhança histórica com a figura autocrática do Heroísmo “Winnetou”, nós poderíamos levar em consideração ao máximo então, os “Cheyennes” do norte ou os “Sioux”. 

Wohaw – Palavra Indígena para indicar os bovinos. Ela derivava dos gritos de comando do gado, para os quais: “Wouuuh!”, significava (Alto!) e “Haaawwwh!”, significava (Adiante!). Os Índios, que pretendiam os bovinos das boiadas de passagem, cavalgavam até encontrarem-se diante ao chefe do gado, levantava a mão esquerda e indicavam o gado; para cada 10 cabeças recebidas diziam uma vez: “Wohaw!”. 

Wrangler – Cowboy para o qual era confiada uma “Remuda” de cavalos de reserva, aos quais deveria aguardar. Era seu dever, durante o recolhimento e a transferência do gado, cuidar que os cavalos estivessem sempre juntos e sempre prontos para a troca. 

Wring Tail – Termo indicativo para um cavalo que, nervosamente, agita sua cauda para cima e para baixo, de um lado para o outro. Para o cowboy isso era a certeza que o cavalo estava com alguma dor. Ou foram chicoteados, ou esporas foram usadas cruelmente, talvez até o cabresto muito apertado.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

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