Póster Tex Nuova Ristampa 237

outubro 31, 2014

Póster Tex Nuova Ristampa 237

Fantástica ilustração de Claudio Villa, retratando o reencontro, no Canadá, mais precisamente nas proximidades de Forte Saskatchewan, entre Tex Willer e Gros-Jean, o grande amigo de Tex que tinha sido raptado quando trabalhava como guia de uma expedição topográfica encarregue pelo governo canadiano de fazer sondagens nas Montanhas Rochosas para a definição do traçado da Ferrovia Transcanadiana.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Morte sul fiume”, de C. Nizzi e F. Fusco (Tex italiano #343 a #346).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

0

Tex e Carson nas corredeiras, em uma magistral arte de Fernando Fusco

outubro 30, 2014

Tex e Carson nas corredeiras, em uma
.
magistral arte de Fernando Fusco

Tex e Carson nas corredeiras, em uma magistral arte de Fernando Fusco

(Para aproveitar a extensão completa do desenho, clique no mesmo)

4

As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #108 – “Amor doentio” e “À margem da vida”

outubro 29, 2014

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #108

.
Amor doentio

Berardi e Mantero
(argumento)
Laura Zuccheri
(desenho)

À margem da vida
Berardi e Calza
(argumento)
Enio e Piccioni
(desenho)

Mythos Editora
Brasil, Janeiro/Fevereiro de 2014
135 x 180 mm, 260 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,80 / 9,00 €

Quem leu na altura certa – e continua a ler… – banda desenhada de aventuras, habituou-se a encontrar heróis com adversários eternos como Blake e Mortimer/Olrik, Lefranc/Borg ou – dando um salto aos super-heróis – Homem-Aranha/Dr. Octopus – que atingiu extremos inimagináveis no estimulante arco Homem-Aranha Superior.

Da mesma forma, séries houve em que, pelas suas características intrínsecas, não vemos de todo o protagonista sempre face ao mesmo opositor. Por razões distintas, esse é o caso de dois dos mais carismáticos heróis Bonelli.

Um deles, compreensivelmente, é Tex, pela facilidade com que dispara e manda os adversários para debaixo de terra, em que o único antagonista recorrente – com apenas meia dúzia de confrontos em mais de 60 anos – é o mago Mefisto.

O outro caso, que hoje me interessa, é Julia, onde o tom sério e bastante realista das histórias torna (quase) impossível um adversário regular.

Quase, acrescentei atrás, porque Julia tem na serial killer Myrna Harrod a sua besta negra. Co-protagonista do tríptico inicial das aventuras da criminóloga Julia Kendall, na edição actualmente distribuída em Portugal, Myrna está presente pela terceira vez em mais de 100 edições – distanciamento que cauciona a sua aparição – mais uma vez movida por sentimentos antagónicos de ódio e paixão que tornam forte e credível – e apaixonante – a narrativa.


E, para aqueles que achem excessiva a facilidade com que Julia é atraída pelo “isco” que Myrna preparou, esse é apenas um reflexo da situação de fragilidade – bem humana – em que ela se encontra, perante mais uma encruzilhada com que se depara na sua vida (real).

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

0

Vídeo: Exposição de Tex Willer em Padova

outubro 28, 2014

Vídeo: Exposição de Tex Willer em Padova

De 28 de Maio a 29 de Junho o famoso Ranger esteve presente, em Padova, através de pranchas e pinturas originais de Fabio Civitelli e Giovanni Ticci.
.

Tex Willer, o granítico Ranger criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, esteve em Padova através de pranchas e pinturas originais de Fabio Civitelli e Giovanni Ticci, integradas por esplêndidas ambientações pintadas a aguarelas por Sergio Tisselli.

A mostra «Tex Willer em Padova. Civitelli, Ticci, Tisselli», esteve aberta ao público de 28 de Maio a 29 de Junho na Galeria Samona’ e prosseguiu a série de exposições dedicadas à banda desenhada que o Departamento Cultural de Padova tem proposto à cidade, graças à colaboração de Filippo Piras com as galerias “Matita e China Art Gallery” e da Little Nemo Art Gallery.


Estiveram expostas, pela primeira vez, cerca de cinquenta obras originais realizadas pelos autores dos livros Il mio Tex, La ballata del West, La cavalcata del morto e Tex Willer – Il romanzo della mia vita do artista aretino Fabio Civitelli e desenhos e aguarelas de Tex l’avventura e i ricordi do sienês Giovanni Ticci. De Tisselli estiveram expostos alguns quadros de grande formato realizados para o portefólio Lampi sul West.

mostra tinha como objectivo contar, através de obras de arte em grande parte inéditas, o mundo de Tex Willer e dos seus pards, protagonistas do maior sucesso editorial italiano (1948-2014). Foi uma ocasião única para mostrar ao público algumas maravilhosas obras texianas, que contou no dia 7 de Junho com a presença de alguns dos maiores representantes da banda desenhada italiana, como se pode ver no vídeo que mostramos de seguida:

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

0

Entrevista exclusiva: MICHELE BENEVENTO

outubro 26, 2014

Entrevista exclusiva: MICHELE BENEVENTO

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Caro Michele Benevento, bem-vindo ao blogue português de Tex! Com que idade você começou a mexer com desenho?
Michele Benevento: Eu comecei a considerar o desenho como uma paixão por volta dos 14 anos. Eu sempre desenhava e copiava bastante mesmo antes dessa idade, mas virou paixão quando eu descobri Dylan Dog, no número 78. Poucos meses depois saiu Johnny Freak (Dylan Dog nº 81), e não sei quantas vezes eu copiei as mãos desenhadas naquela BD. Nem preciso falar o nome do autor dos desenhos, porque é um velho conhecido de vocês, não?

Quais desenhadores você considera como seus mestres? Quais você aprecia de modo particular? Se é que existem.
Michele Benevento: Então vamos dizer aquele nome: Andrea Venturi é um dos desenhadores que considero responsável pelo meu amor pelas BDs. Ao lado dele, não há como não mencionar aquele que, para mim, foi o Mestre, o que me ensinou como este ofício deve ser feito: Giuseppe Palumbo. Graças a ele eu dei os primeiros passos neste mundo louco de nuvens falantes. É claro que no meu DNA de autor de BD convive uma abundância de autores e desenhadores e, como sempre acontece em casos assim, listas sempre são curtas e incompletas. Mas eu me aventuro assim mesmo, porque não posso deixar de citar monstros sagrados como Buscema e Neal Adams, Alberto Breccia e Mandrafina, Micheluzzi, Stano, Villa e Castellini, Steranko e Kirby, Toppi e Ugolini, isso para limitar-me aos que, de algum modo, contribuíram para a minha formação. Só mais tarde vieram Toth, Caniff, Robbins, Raymond, Jordan, etc., etc.

Você é formado em História e Crítica de Cinema: depois desse percurso universitário, chegou a pensar em trabalhar no mundo cinematográfico?
Michele Benevento: Pensei, e até gostaria de fazer storyboard ou actuar como concept artist. A vida seguiu outro rumo, mas quem sabe um dia…

Como você entrou em contacto com Giuseppe Palumbo?
Michele Benevento: Eu conheci Giuseppe Palumbo em uma edição da Lucca Comics no distante ano de 1997. Naquela ocasião eu soube que ele seria meu professor no curso de BD da Escola Internacional de Comics de Florença, na qual eu havia acabado de me inscrever. O resto, como se diz, é história.

Imaginamos que a convivência com Palumbo foi importante para a sua carreira.
Michele Benevento: Como eu disse antes, foi fundamental. Eu aprendi muito com ele, tanto na escola quanto com a colaboração com o Estúdio Inventário. Ver Palumbo trabalhar, adquirir experiência, receber seus conselhos e os devidos puxões de orelha permitiu-me crescer. Ainda hoje é uma fonte de inspiração ver a sua abordagem viva e livre da BD, a sua sagacidade expressiva e narrativa, e a sua vontade de se divertir e divertir os outros.

Você também trabalhou com vários editores italianos e franceses, adquiriu experiências variadas. Em síntese, quais foram as mais importantes para o seu crescimento profissional?
Michele Benevento: Pode parecer banal, mas para mim todas são peças do mesmo quebra-cabeça, sem uma determinada experiência não haveria a seguinte. Para saber quais são elas, é só dar uma olhada na biografia no sítio da Bonelli (www.sergiobonelli.it/sezioni/3229/creatori), mas não posso negar que a possibilidade de trabalhar na criação de Lukas seja crucial no meu percurso, aconteça o que tiver de acontecer nos próximos anos.

Desde 2012 você actua como professor na Escola Internacional de Reggio Emilia. Quanto tempo já dedicou a essa actividade?
Michele Benevento: Sim, depois de uma primeira – e talvez prematura – experiência na sede de Florença, há poucos anos comecei a trabalhar naquela de Reggio Emilia. Isso me toma seis meses por ano, e é divertido e estimulante. Ou melhor, os jovens é que o são. Eles são a melhor parte.

Em 2009 você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore: como foi isso?
Michele Benevento: Foi um namoro longo. Cerca de três anos antes eu mandei uns testes de Dylan Dog a Mauro Marcheselli, que foi muito gentil ao telefonar para a minha casa para dizer que infelizmente não havia espaço mas que ficaria de olho no meu trabalho. Mauro disse-me para dar sinal de vida quando tivesse algum material para apresentar, e assim eu continuei a incomodá-lo, a enviar ou levar pessoalmente os trabalhos que eu fazia. E nada se concretizava, até que recebi a proposta de fazer algumas páginas para uma minissérie que estava em elaboração, Caravan, de Michele Medda.

A série Caravan gerou muitas discussões mas teve um fascínio indiscutível. O que o marcou nessa mini-série, do ponto de vista do leitor e do profissional?
Michele Benevento: Como leitor, Caravan me emocionou bastante, sobretudo pela sinceridade com que foi escrita. E eu gostei demais das histórias das personagens individuais e da evolução de Davide Donati por meio das tramas e das tragédias vividas durante a longa viagem. Poder desenhar um episódio significou muito para mim, como é fácil de imaginar: o roteiro de Michele era muito bem elaborado, com passagens definidas, complexo mas ao mesmo tempo simples e claro. Ele me deixava espaço quando podia, pressionava quando necessário. Antes de começar a desenhar eu achei que deveria ter uma trilha sonora para me acompanhar durante a viagem, e fui atrás dos álbuns dos Violent Femmes (Nove Para um Deus Perdido cita literalmente uma canção deles), Dylan e Springsteen, Dolly Parton, Pogues e outros.

Antes de voltarmos a Lukas, fale um pouco do seu encontro com Dampyr.
Michele Benevento: Como em outros casos, foi uma experiência bela, difícil, trabalhosa e gratificante. Quando Mauro Boselli me apresentou a história, eu havia acabado de voltar da África do Sul, mas ele não tinha como saber disso! Era um sinal. O roteiro extremamente detalhado de Claudio Falco parecia ter sido escrito especialmente para mim. A África do Sul do apartheid pré-Mandela, o Distrito 6, as township, e alguns vampiros aqui e ali. O que mais eu podia querer?

Em Lukas você é co-autor com Medda: como nasceu a ideia desse projecto?
Michele Benevento: A ideia inicial é de Michele Medda, que só me envolveu depois do projecto aprovado. Marcheselli (é o chefe, é papel dele) ligou-me para dizer que Medda queria falar comigo. Pensei que ia ser dispensado, por isso eu já estava sentado quando recebi a notícia da árdua tarefa que me aguardava. Pelo que eu soube depois, o primeiro passo para Lukas foi a imagem de um homem que sai do túmulo e que não se recorda quem é e nem onde está, e que usa uma luva na mão esquerda.

Você acha que a personagem pode dar uma leitura – embora filtrada pela reconstrução narrativa – das inquietações da realidade das novas gerações ou das pessoas de hoje em geral?
Michele Benevento: Eu penso que Lukas cumpre exactamente essa finalidade, mas eu gostaria de destacar que Lukas é uma fábula. Uma fábula de terror e de fantasia, mas com todas as características de fábula, com alguns pequenos desvios que Medda concedeu a si mesmo e ao leitor moderno e calejado.

Passemos ao Ranger que dá nome a este blogue. Como aconteceu o seu ingresso na equipa dos desenhadores de Tex?
Michele Benevento: Meio por acaso, meio por sorte, eu diria. Medda havia sido chamado para o Color Tex com histórias curtas e perguntou-me se eu gostaria de desenhar a sua história. Eu faria qualquer coisa pela oportunidade, mas devia aguardar o ok dos chefes. E eles devem ter achado que daria certo, porque me vi diante das fatídicas 32 páginas.


Como você se sente a trabalhar com o Ranger?
Michele Benevento: Eu sinto que os pulsos, as pernas e o chapéu tremem. Não sou o primeiro a dizer isso, e Boselli fez questão de destacar o facto ao passar-me o roteiro: Tex é um ícone e como tal deve ser tratado e encarado. Não dá para dizer que depois eu voltei para casa calmo e sereno.


Ao desenhar Tex, você encontrou alguma dificuldade?
Michele Benevento: Bem, a caracterização de Tex é a parte mais delicada, e por enquanto eu creio que não acertei plenamente a sua fisionomia. Talvez eu tenha tido resultado melhores nos estudos, enquanto que nas páginas eu desperdicei umas chances de desenhar um belo Tex como estava na minha cabeça. Foi divertido receber um puxão de orelhas por ter desenhado o cinturão de Tex muito embaixo, por sobre o traseiro, ou por tê-lo feito curvado ou um pouco mais baixo que Kit. Tex é o herói. Eu me dei conta dos erros, ajustei a mira e espero ter feito justiça ao Ranger.


Você teve que modificar o seu estilo costumeiro?
Michele Benevento: A mudança que eu mesmo me impus foi essencialmente técnica, o que redundou em mudanças também de estilo (ao menos no meu modo de ver). Eu tinha decidido que, para desenhar melhor as atmosferas de faroeste, a arte-final deveria ser feita totalmente com pincel de ponta grossa. Para Lukas, Dampyr e Caravan a finalização é com hidrocor para as partes arquitetónicas e elementos de design (pistolas, armas em geral, automóveis, etc.), e com pincel de pincel de ponta grossa para as figuras e elementos naturais (rochas, árvores, nuvens). Aqui eu mudei. E foi o proverbial tiro no pé, porque os tempos de trabalho aumentaram demais. Mas confesso uma certa satisfação por ter experimentado esse novo caminho.


Como você define graficamente o seu Tex?
Michele Benevento: Quando mostrei os primeiros estudos a Claudio Villa (sim, eu fui incomodá-lo), o mestre disse que o meu Tex recordava, por alguns aspectos, o de Giolitti. Assumi o elogio, levei para casa e reciclo como resposta: é giolittiano!
P.S.: sem o volume dedicado a Villa na série ICON, eu estaria perdido.


Você usou modelos de referência particulares?
Michele Benevento: Eu parti do princípio: estudei o rosto de Gary Cooper em quem Galep também havia se inspirado no início, mas não funcionou. Eu percebi que devia me basear na lição dos mestres de hoje: Ticci, Villa e Venturi. Não para diminuir o trabalho dos desenhadores que estimo profundamente como Seijas, Font, Andreucci, os irmãos Cestaro ou Mastantuono, mas porque aqueles três autores são a minha Santíssima Trindade, são os que considero úteis ao meu modo de desenhar, que têm no modo deles aquelas soluções que eu gostaria que fossem minhas. Eu parti deles e depois busquei um caminho próprio. Pode até ser errado, mas é realmente um caminho próprio.

O que pode dizer sobre a história de Tex em que está a trabalhar?
Michele Benevento: Por ora, apenas que Medda colocou de tudo nela. Só senti falta de desenhar um ataque de alguma tribo de índios rebeldes, mas de resto não falta nada.

Nos últimos tempos vários desenhadores participaram de uma única história de Tex e depois voltaram ao trabalho com outras personagens. A sua participação em Tex será duradoura, ao menos na sua intenção?
Michele Benevento: Posso deixar de responder, por esconjuro? Ainda devo completar uma edição de Lukas e pretendo manter a concentração nisso. Mas ninguém me impede de sonhar. Tex é o símbolo da Editora, e eu (como centenas de milhares da minha geração) cresci com ele: desenhar suas histórias seria motivo de um profundo orgulho.

Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Michele Benevento: Como eu disse antes, Tex é um ícone. Na minha cabeça Tex é o Super-Homem, como Zagor é Tarzan. Eu gosto de desenhar os cavalos, mas as chances para fazer isso são cada vez mais raras. Gosto dos revólveres e odeio os chapéus – com todo o meu ser, mas só porque eu não sei desenhá-los.

Para encerrar o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Michele Benevento: Mais que positivo, eu vejo que há muita movimentação e que forças novas foram chamadas a adubar os pastos do Ranger. A começar por Andreucci. Grandíssimo.

Como é trabalhar na Sergio Bonelli Editore?
Michele Benevento: Eu trabalho lá. Mas não é só trabalho.

Há outra série bonelliana com a qual você não trabalhou mas que gostaria muito de desenhar? Caso positivo, qual e porque?
Michele Benevento: Dylan Dog. Porque eu sou um daqueles que começou a amar profundamente a BD ao ler o Dylan de Sclavi. Porque eu copiava os desenhos de Venturi, Stano e Dall’Agnol. Porque eu adorava as capas de Villa. E ia me deitar com um olho aberto e o outro também depois de ler as inquietantes histórias desenhadas por Montanari & Grassani.

O que é para você a BD, como linguagem e como experiência profissional?
Michele Benevento: Para mim é uma mentalização, uma exigência íntima e profunda (a minha esposa diria que é uma condenação). Enquanto não me pararem, terão que me aturar.

Você acha que ainda há diferenças de qualidade entre a BD dita de autor e aquela definida como popular?
Michele Benevento: Não. Sergio Bonelli demonstrou amplamente que não há, e creio que basta dar uma volta pelos corredores da redacção para perceber.

Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia típico, entre trabalho, leitura, busca de informações, ócio, vida familiar?
Michele Benevento: Eu sou bastante lento, mas ultimamente busco manter uma média de uma página a cada dois dias. Não sigo horários, só os ditados pelas necessidades de trabalho e/ou familiares. Pela manhã eu sou arrancado da cama pelo meu filho, pequeno-almoço, creche (ele) e prancheta (eu) depois de uma bela toalete. Cabeça baixa (quando dá) até a hora do almoço, pausa, café, uma passada na internet e de novo prancheta até 18h. Preparo o jantar para toda a família, converso com a esposa, brinco com o pequeno, cama (ele) e prancheta (eu) até às duas da madrugada (quando dá ou quando não me concedo um pouco de mundanidade – e aqui todos os meus colegas sabem que estou a mentir).

Como é a sua técnica de trabalho?
Michele Benevento: Depois de ler o roteiro duas vezes e anotar tudo o que necessita de uma pesquisa iconográfica, eu passo ao elenco da história, com estudo das personagens e de suas vestimentas, e só então dedico-me ao storyboard das páginas. São esboços pequenos e indecifráveis que servem para girar as sequências e definir a composição geral das páginas. Em seguida faço os traços a lápis (na escala 1:1 em relação à impressão) para depois fazer o clean-up, a limpeza dos traços, em um formato maior. E passo à arte-final, na maior parte, como eu dizia, com pincel de ponta grossa (um Winsor & Newton série 7 n. 3).

Quais são os seus projectos imediatos? Pode antecipar alguma coisa?
Michele Benevento: Eu já falei praticamente tudo, menos uma coisa que ainda não posso comentar… também made in Bonelli, claro.

Que BDs estão entre suas leituras actuais?
Michele Benevento: As últimas que eu li são uma história de Conan desenhada por Zaffino e que ganhei de presente do meu amigo e colega Andrea Borgioli, Last Man de Bastien Vivès, Rache Rising de Terry Moore, Devilman de Go Nagai e Nonnomba de Shizeru Mizuki.

Fora dos quadradinhos, que livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Michele Benevento: Eu sou um leitor preguiçoso. Adoro os contos de Carver, porque sei que posso começar um e terminar em pouco tempo. Assim como adoro os romances de aventura de Dumas. E também Verne e Conan Doyle. E os policiais. E os livros estranhos como Matadouro 5 de Vonnegut. Com relação ao cinema, não sei mesmo o que responder, são muitos nomes. Mas sou aficionado pela Nouvelle Vague, além de Hitchcock e Bergman. É mais fácil responder sobre música, talvez porque eu seja mais selectivo: Beatles, The Who, Rolling Stones e Zappa nunca podem faltar. Hmm… é melhor parar aqui.

E chegamos ao fim. Gostaria de dizer algo mais? Algo que não foi perguntado e que você gostaria que os leitores soubessem?
Michele Benevento: Acho que já fui espremido como um limão (eh, eh, eh).

Caro Michele, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Michele Benevento: Eu é que agradeço a vocês pela atenção e pela paciência, vistos os tempos bíblicos que levei para responder.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

1

Intervista esclusiva:MICHELE BENEVENTO

outubro 26, 2014

Intervista esclusiva: MICHELE BENEVENTO

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Ciao carissimo Michele Benevento, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! A quale età hai iniziato a cimentarti con il disegno?
Michele Benevento: Ho iniziato a pensare che il disegno fosse una vera passione intorno ai 14 anni. Ho sempre disegnato e soprattutto copiato moltissimo anche prima, ma la folgorazione credo sia avvenuta quando ho scoperto Dylan Dog con il n. 78. Solo pochi mesi dopo uscirà Johnny Freak (n. 81) e non so quante volte ho copiato e ricopiato le mani disegnate in quell’albo. L’autore dei disegni neanche lo nomino visto che è una vostra vecchia conoscenza, o sbaglio?

Nella tua attività di disegnatore, quali consideri, se vi sono, come tuoi maestri? Hai disegnatori che stimi particolarmente? In caso positivo, quali e perché?
Michele Benevento: E’ giunto il momento di fare quel nome, allora: Andrea Venturi è uno dei disegnatori che considero “responsabile” del mio amore per il fumetto. Accanto a lui non posso non affiancare quello che è stato per me il Maestro, quello che mi ha insegnato come questo mestiere va fatto: mi riferisco a Giuseppe Palumbo, grazie al quale ho mosso i primi incerti passi in questo matto mondo di nuvole e nuvolette. Naturalmente nel mio DNA di fumettista convive una pletora di autori e disegnatori e, come sempre in questi casi, le liste risultano incomplete e sommarie. Mi ci avventuro ugualmente, anche perché non posso esimermi dal citare Mostri Sacri come Buscema e Neal Adams, Alberto Breccia e Mandrafina, Micheluzzi, Stano, Villa e Castellini, Steranko e Kirby, Toppi e Ugolini, volendo limitarmi a quelli che in qualche modo hanno contribuito alla mia formazione. Solo più tardi giungeranno Toth, Caniff, Robbins, Raymond, Jordan etc. etc.

Ti sei laureato in Storia e Critica del Cinema: hai pensato, dopo questo tuo percorso universitario, di lavorare nel mondo cinematografico?
Michele Benevento: Ci ho pensato, e mi sarebbe piaciuto (e mi piacerebbe ancora) cimentarmi come storyboard artist o concept artist. La vita ha voluto altrimenti, ma mai dire mai.

Come sei entrato in contatto con Giuseppe Palumbo?
Michele Benevento: Ho conosciuto Giuseppe Palumbo in occasione di una Lucca Comics nel lontanissimo 1997. Appresi in quell’occasione che lo avrei avuto come insegnante al corso di Fumetto della Scuola Internazionale di Comics di Firenze dove mi ero appena iscritto. Il resto, come si dice, è storia.

Immaginiamo che la frequentazione con Palumbo sia stata importante per la tua carriera, no?
Michele Benevento: Come ho già anticipato, è stata fondamentale. Ho imparato moltissimo da lui sia a scuola sia grazie alla collaborazione con lo Studio Inventario. Vederlo lavorare, fare esperienza e seguire i suoi consigli e ricevere le sacrosante bastonate mi ha permesso di “farmi le ossa”. Ancora oggi rimane fonte di ispirazione per il suo approccio vivo e libero al fumetto, per il suo acume espressivo e narrativo e per la voglia di divertirsi e farci divertire.

Hai poi collaborato con vari editori, italiani e francesi, acquisendo disparate esperienze: puoi riassumere quali sono state quelle più importanti per la tua crescita professionale?
Michele Benevento: Sembrerà banale, ma per me sono tutti pezzi dello stesso puzzle, senza un’esperienza non ci sarebbe stata quella successiva. Per sapere quali sono basta scorrere la biografia sul sito Bonelli (www.sergiobonelli.it/sezioni/3229/creatori), ma di certo non posso negare che la possibilità di lavorare alla creazione di Lukas sia stata e sarà cruciale nel mio percorso. Qualunque cosa avvenga nei prossimi anni.

Dal 2012 collabori come docente con la Scuola Internazionale di Reggio Emilia: quanto tempo hai dedicato a quest’attività?
Michele Benevento: Dopo una prima e forse prematura esperienza presso la sede di Firenze, da pochi anni ho cominciato a lavorare presso la sede di Reggio Emilia. Mi assorbe molto e per ben sei mesi l’anno. E’ divertente e stimolante, o meglio, i ragazzi lo sono. I ragazzi sono la parte migliore.

Nel 2009 sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore: puoi raccontarci in quali circostanze?
Michele Benevento: E’ stato un lungo corteggiamento. Circa tre anni prima ho spedito delle prove di Dylan Dog a Mauro Marcheselli che fu così gentile da telefonarmi a casa per comunicarmi che purtroppo non c’era spazio ma che mi avrebbero comunque tenuto d’occhio. Mauro consigliò di farmi vivo quando avessi avuto materiale da sottoporgli, così per un po’ ho continuato a disturbarlo, spedendogli o portandogli i lavori che via via realizzavo. Senza che mai si concretizzasse nulla, finché non mi si propose di realizzare delle tavole per una miniserie in lavorazione: “Caravan” di Michele Medda.

Sì, con Michele Medda hai lavorato al progetto Caravan, serie che ha fatto discutere ma dall’indubbio fascino. Cosa ti ha colpito, come lettore e poi come professionista, di questa miniserie?
Michele Benevento: Da lettore Caravan mi ha emozionato molto, soprattutto per la sincerità con cui è scritta. In più, ho amato molto le storie dei singoli personaggi e l’evoluzione di Davide Donati attraverso le vicende e le tragedie vissute durante questo lungo viaggio. Poterne disegnare un episodio per me ha significato molto, come si può facilmente immaginare: la sceneggiatura di Michele era estremamente curata, stratificata, complessa eppure semplice e chiara. Mi lasciava spazio quando poteva, mi costringeva quando serviva. Prima di cominciare a disegnare mi ero fatto l’idea che avessi dovuto procurarmi la colonna sonora che mi avrebbe accompagnato durante questo “viaggio”: avevo recuperato gli album dei Violent Femmes (“Nove per un dio perduto” cita letteralmente una loro canzone), Dylan e Springsteen, Dolly Parton, Pogues e altri.

Prima di soffermarci su Lukas, due parole sul tuo incontro con Dampyr.
Michele Benevento: E’ stata, come già altre volte ho detto, un’esperienza bella, difficile, faticosa e gratificante. Quando Mauro Boselli mi propose la storia ero appena tornato dal Sud Africa, ma lui non poteva saperlo! Era un segno. La dettagliatissima sceneggiatura di Claudio Falco sembrava scritta apposta per me. Il Sudafrica dell’apartheid pre-Mandela, il Distretto 6, le township, e poi qualche vampiro qua e là. Che volere di più?

Lukas ti vede in veste di coautore insieme a Medda: com’è nata l’idea di questo progetto?
Michele Benevento: L’idea iniziale è di Michele Medda, che mi ha coinvolto solo a progetto approvato. Marcheselli (è il capo, gli tocca) mi chiamò a casa per dirmi che Medda voleva parlarmi. Ho pensato stessero per licenziarmi, quindi per fortuna ero già seduto quando appresi la notizia dell’arduo compito che mi attendeva. Da quanto ho appreso in seguito, il primo passo verso Lukas è stata l’immagine di un uomo che esce dalla tomba e che non ricorda chi sia né dove si trovi, e che ha la sola mano sinistra guantata.

Pensi che il personaggio possa dare una lettura, seppure filtrata dalla ricostruzione narrativa, delle inquietudini della realtà delle nuove generazioni o delle persone di oggi più in generale?
Michele Benevento: Penso che Lukas assolva appieno questa finalità, ma vorrei precisare che Lukas è una fiaba. Una fiaba, a tinte horror/fantasy, e pur sempre una fiaba con tutte le caratteristiche della fiaba, pur con qualche piccolo detournement che Medda ha giustamente concesso a se stesso e al lettore moderno e scafato.

Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: vuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex?
Michele Benevento: Un po’ per caso, un po’ per fortuna, credo. Medda era stato arruolato per il Color Tex – Storie Brevi e mi chiese se mi sarebbe piaciuto disegnare la sua storia. Io avrei fatto carte false, ma potevo solo sperare nell’ok dei capi. Devono aver detto che andava bene perché mi sono trovato a fronteggiare quelle fatidiche 32 tavole.

Come ti senti a misurarti con il Ranger?
Michele Benevento: Senti i polsi, le gambe e il cappello tremare. Non sono il primo a dirlo, e Boselli ci ha tenuto a sottolinearlo nel consegnarmi la sceneggiatura: Tex è un’icona e come tale va trattato e affrontato. Non è che poi se ne torna a casa sereno sereno.

Nel disegnare Tex che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate?
Michele Benevento: Beh, la caratterizzazione di Tex è sicuramente la parte più delicata, e per ora non credo di aver centrato in pieno la sua fisionomia. Forse i risultati migliori li ho ottenuti negli studi; nelle tavole ho sprecato un paio di occasioni per disegnare un bel Tex come ce l’avevo in testa. E’ stato buffo essere rimproverato per aver disegnato il cinturone di Tex troppo in basso, calato tutto sul fondoschiena, o per averlo reso ingobbito o poco più basso di Kit. Tex è l’eroe. Ho compreso gli errori, aggiustato il tiro e spero di aver reso giustizia al Ranger.

Hai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no?
Michele Benevento: Il cambiamento, autoimposto, è stato essenzialmente tecnico, ma questo ha per forza di cose portato dei mutamenti anche nello stile (almeno a mio modo di vedere). Avevo deciso che per disegnare al meglio le atmosfere western avrei dovuto eseguire il ripasso completamente a pennello. Di solito per Lukas, Dampyr e Caravan la sequenza prevede un’inchiostrazione a pennarello per le parti architettoniche o per gli elementi di “design” (pistole, armi, auto etc.) e un’inchiostrazione a pennello per le figure e per gli elementi naturali (rocce, alberi, nuvole). In quest’occasione ho cambiato le carte in tavola ma è stata la proverbiale zappa sui piedi, perché i tempi di lavorazione si sono drammaticamente allungati. Confesso, però, una certa soddisfazione nell’aver provato questa nuova “via”.

Come definisci graficamente il “tuo” Tex?
Michele Benevento: Quando ho mostrato i primi studi a Claudio Villa (ebbene sì, sono andato a rompere le scatole proprio a Lui), il Sommo disse che il mio Tex gli ricordava in qualche modo quello di Giolitti. Quindi incasso, porto a casa il complimento e lo riciclo come risposta. “Giolittiano”!
PS: senza il volume dedicato a Villa da BD nella collana ICON sarei stato perduto.

Hai preso dei modelli di riferimento particolari?
Michele Benevento: Sono partito dal Principio: ho studiato il volto di Gary Cooper cui si era ispirato all’inizio anche Galep, ma non ho cavato un ragno dal buco. Ho capito che dovevo invece “servirmi” della lezione dei maestri di oggi: quindi Ticci, Villa e Venturi. Questo non per sminuire il lavoro di disegnatori che stimo profondamente come Sejas, Font, Andreucci, i Cestaro o Mastantuono, ma perché questa è la mia personale Santissima Trinità, sono i tre autori che ritengo “utili” al mio modo di disegnare, che contengono nel loro modo quelle soluzioni che vorrei fossero mie. Partendo da loro ho poi cercato una mia via. Magari sbagliata, ma mia.

Cosa ci puoi dire della storia di Tex alla quale stai lavorando?
Michele Benevento: Credo niente, se non che Medda ci ha messo di tutto. Mi è mancato di disegnare solo un assalto da parte di qualche tribù ribelle di indiani, per il resto non manca niente.

Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni?
Michele Benevento: Posso non rispondere per scaramanzia? Mi manca ancora un numero di Lukas da completare e vorrei rimanere concentrato su questo. Nessuno mi impedisce di sognare, però. Tex è il simbolo della casa editrice, ma io (come centinaia di migliaia di miei coetanei) con Tex ci sono cresciuto: disegnarne le storie sarebbe per me motivo di profondo orgoglio.

Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Michele Benevento: Come detto prima, Tex è un’icona. Nella mia testa Tex è Superman, come Zagor è Tarzan. Mi piace disegnare i cavalli, anche se le occasioni per farlo sono sempre rare, e le pistole; odio i cappelli. Con tutta l’anima, ma solo perché non so disegnarli.

Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Michele Benevento: Credo che sia più che roseo, mi sembra che ci sia un bel fermento e che forze nuove siano state chiamate a rinverdire i pascoli del Ranger. A partire da Andreucci. Grandissimo.

Com’è lavorare nella Sergio Bonelli Editore?
Michele Benevento: Ci lavoro. Ma non è solo lavoro.

C’è un’altra testata bonelliana per la quale non hai mai lavorato e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Michele Benevento: Dylan Dog. Perché sono uno di quelli che ha cominciato ad amare visceralmente i Fumetti leggendo il Dylan di Sclavi. Perché copiavo le vignette di Venturi, Stano e Dall’Agnol. Perché adoravo le cover di Villa. E andavo a letto con un occhio aperto e l’altro pure dopo aver letto le inquietantissime storie disegnate da Montanari & Grassani.

Cosa è per te il fumetto? Sia come linguaggio che come esperienza professionale.
Michele Benevento: Credo sia una forma mentis, un’esigenza intima e profonda (mia moglie direbbe una condanna). Vi tocca sopportarmi finché non mi fermano.

Ritieni che tra il fumetto cosiddetto d’autore e quello definito popolare si trovino ancora delle differenze di qualità?
Michele Benevento: No. Sergio Bonelli l’ha ampiamente dimostrato, e credo sia sufficiente farsi un giro nei corridoi della redazione per rendersene conto.

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Michele Benevento: Sono piuttosto lento, ma ultimamente cerco di tenere una media di una tavola ogni due giorni. Non ho orari, se non quelli dettati dalle necessità lavorative e/o familiari. La mattina vengo sradicato dal letto dal mio bimbo, colazione, asilo (lui) e poi via al tavolo (io) dopo una buona toelettatura. Testa bassa (quando ci si riesce) fino all’ora di pranzo, pausa, caffè, una sortita nell’internet e di nuovo al tavolo fino alle 18. Preparo la cena per tutta la famiglia, parlo con la moglie, gioco con il pupo, nanna (lui) e si ricomincia (io) fino alle 2 di notte (quando ci si riesce o non ci si concede un po’ di mondanità – e qui tutti i miei colleghi sanno che sto mentendo).

Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Michele Benevento: Dopo aver letto la sceneggiatura un paio di volte e aver annotato tutto quello che necessita di una ricerca iconografica passo al casting. Studio i personaggi e il loro abbigliamento e solo allora mi dedico allo storyboard delle tavole. Sono schizzi molto piccoli e indecifrabili che mi servono però a “girare” le sequenze e predisporre la composizione delle tavole. Passo quindi alle matite (in scala 1:1 rispetto alla stampa) per poi eseguire un clean-up su un formato più grande. A quel punto procedo con l’inchiostrazione che, come vi dicevo, avviene perlopiù a pennello (un Winsor & Newton serie 7 n.3).

Quali sono i tuoi progetti immediati? Puoi già anticiparci qualcosa?
Michele Benevento: Voi ho già detto tutto. Tranne una cosa di cui non posso ancora parlare… naturalmente made in Buonarroti.

Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Michele Benevento: Ultimi fumetti letti: una storia di Conan disegnata da Zaffino regalatami dal mio amico e collega Andrea Borgioli, Last Man di Bastien Vivès, Rache Rising di Terry Moore, Devilman di Go Nagai e Nonnomba di Shizeru Mizuki.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Michele Benevento: Sono un lettore pigro. Amo i racconti di Carver, perché so che posso iniziarne uno e terminarlo in breve tempo. Così come amo i romanzi d’avventura di Dumas. Adoro Verne e Conan Doyle. E i Gialli. E i libri “strani” come “Mattatoio n.5” di Vonnegut. Riguardo al cinema, non so proprio rispondere, troppi nomi. Ma sono affezionato alla Nouvelle Vague, e a Hitchcock e Bergman. Mi è più facile rispondere sulla musica, forse perché sono più selettivo: Beatles, The Who, Rolling Stones, Zappa non devono mancare mai. Mmhh… meglio se mi fermo.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Michele Benevento: Credo che mi abbiate spremuto come un limone (ehehehe).

Caro Michele, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Michele Benevento: Grazie a voi di cuore per l’attenzione e la pazienza, visti i tempi biblici con cui ho risposto.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

0

Entrevista com a fã e coleccionadora: Raissa Lira

outubro 25, 2014

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Raissa Lira: Nasci em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, Brasil, em 15 de Setembro de 1993. Actualmente moro com os meus pais e estou aguardando uma oportunidade de emprego, mas um lado bom dessas circunstâncias, são as horas que tenho a mais disponível… por exemplo, eu gosto de ficar num cantinho calmo e tranquilo e apenas ler, isso quase sempre. Leio de tudo um pouco, romance, ficção, policial…
E tenho por sonho viajar pelo mundo, conhecer pessoas e lugares novos… e disso tudo levar comigo boas lembranças e algumas aventuras… e a leitura do Tex de alguma forma ou de outra dá-me um pouco disso. Bom, apesar de ainda sequer ter saído da minha cidade, eu gosto de me aventurar, sonhar… acho que deve ser por isso que gosto tanto de ler, sempre viajo o mundo sem sair de casa, em questões de segundos estou lá onde a história me leva. É semelhante a deitar na minha cama, no sofá, e entrar de alma e coração num bom livro, numa boa leitura… é como ler Tex, nem se dá conta das horas que já passaram.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Raissa Lira: Desde dos meus 7 anos de idade, quando o meu pai me levava com ele à banca para comprar o seu jornal. Lá eu via várias histórias aos quadradinhos, mas fui me interessar inicialmente pela Turma da Mônica, do autor brasileiro Maurício de Sousa. Com o passar do tempo fui lendo os exemplares da Disney e Marvel… mas depois que descobri Tex ‘’larguei ‘’ o interesse pelos outros completamente.

Quando descobriu Tex?
Raissa Lira: Todo fim semana um velho amigo da família, mais conhecido como ‘’Seu Dias’’, frequentava a minha casa. Era rotina os amigos se reunirem para festejar, beber,  jogar dominó, baralho… E esse amigo em especial, sempre vinha para cá com vários Cd´s, Dvd´s de faroeste e revistas do Tex. Meu pai sempre foi fã de filmes de faroeste, (por isso mesmo é que o Seu Dias trazia os Dvd´s) e no final do dia assistia com ele e outro amigo, e eu às vezes assistia com eles também, cresci vendo tudo isso… meio que fui influenciada também a assistir. Recordo-me que me chamava a atenção o facto de Seu Dias por onde andava levava aquela singela revista dentro da sacola, mas por muitos anos apenas observei.
E foi assim, com o passar do tempo, que descobri Tex por influência desse senhor, que me emprestou o primeiro exemplar que eu li. Digamos que há 9 anos atrás. Não lembro qual revista foi, mas de facto eu gostei muito, foi paixão à primeira ‘’lida’’ (…risos…). E eu sinceramente não troco Tex por nenhuma outra personagem… principalmente por ter passado por muitas barreiras até por questões de preconceito também, devido a ser mulher e ler revistas de faroeste. Na cabeça de muitos é coisa para homens, nunca tive apoio nesse aspecto… chegando até a chorar algumas vezes por isso. Acho que esse é um dos motivos de muitas mulheres não ficarem em evidência, seja em histórias aos quadradinhos em geral, ou western… espero que um dia isso mude e que nós tenhamos mais espaço e direitos iguais nesse meio.

Porquê esta paixão por Tex?
Raissa Lira: Encontrei em Tex um mundo totalmente diferente do que tinha visto ( lido ) antes… uma mistura de géneros que me encantou. Isso desde das batalhas contra perigosos fora da lei, até vilões do porte demoníaco e maléfico como Mefisto e Yama… e ainda por cima dentro do velho Oeste americano, algo totamente surreal para mim.  Eu também me identifiquei com a sua determinação em ser justo e com sua busca pela verdade em prol de ajudar os outros… apesar que francamente não teria a mesma coragem de sair por aí arriscando a minha vida caçando bandidos, indíos em pé de guerra, seres sobrenaturais, enfim… nesse sentido creio que eu ia preferir  ficar na plateia, como sempre, lendo ou quem sabe assistindo (… risos…). Com Tex também aprendi os costumes dos nativos americanos, canadianos, mexicanos… nomes de cidades,  rios, montanhas, tudo novo para mim. As tribos índigenas também foram uma grande novidade. Entre outras coisas, querendo ou não, Tex foi um modo educacional, pois apreciei ainda mais a paixão pela leitura como um todo e acredito que obtive outras qualidades devido a ele também.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Raissa Lira: O Ranger leva consigo muita coragem e vontade de fazer o bem, sem distição de cor, raça ou religião. Além de ser humilde, prestativo e ter sede por justiça… Isso o difere de tantos outros heróis da banda desenhada.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Raissa Lira: Actualmente tenho 509 revistas na minha colecção. E a mais importante é o Tex gigante número 14, Sombras na Noite… foi uma das primeiras histórias que eu li, tenho um sentimento especial por esse exemplar. É até meio estranho explicar, mas eu sinto-me uma garotinha de anos atrás sempre que me deito e o releio.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Raissa Lira: Além das revistas, eu tenho o Dvd “Tex Willer e os senhores do abismo“, com o actor Giuliano Gemma, uma revista-póster do Tex número 1 e o Livro ‘’Tex Willer, a história da minha vida“, do autor Mauro Boselli.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Raissa Lira: Um sonho de consumo de todo coleccionador é ter a sua colecção do Tex completa, e comigo não seria diferente. Felizmente tenho tido a ajuda de alguns pards que têm contribuído fazendo-me doações de alguns exemplares que têm em duplicado, visando também que o meu estado finaceiro não me dá condições de comprar todos os lançamentos actuais e os números atrasados. Agradeço imensamente aos amigos Edison Bertoncello, Miguel J. Zinelli e Roberio Wilson, do Fã Clube Tex Brasil.
Quem também quiser contribuir é só entrar em contacto comigo pelo e-mail  raissamsn@hotmail.com ou Facebook Raissa Lira, eu agradeço desde  já.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Raissa Lira: O casamento de Tex (os Grandes Clássicos do Tex #1). Já o meu desenhador preferido sempre foi o Civitelli… seguido também do Claudio Villa e do falecido Aldo Capitanio. E quanto ao argumentista que mais aprecio é o Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Raissa Lira: Agrada-me a sua simplicidade com tudo e com todos, o seu companheirismo fiel a seus amigos, o senso de humor e o optimismo mesmo nas horas mais difíceis… também me agradam as cenas de romance, enfim… muitas outras coisas.  O que menos me agrada às vezes é a sua teimosia em lidar com certas situações e o facto de não ter uma companheira para si depois da morte da Lilyth.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Raissa Lira: Ser um justiceiro temido pelos maus e honrado pelos bons… símbolo de carácter e honestidade… um homem que não dá valor aos bens materias, mas sim ao que tem no coração.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Raissa Lira: Vou ter a primeira oportunidade de conhecer alguns coleccionadores agora em Novembro, dias 1 e 2, na ExpoTex que será realizada pelo nosso Tex brasileiro, o G. G . Carsan, em parceria com o 7º HQPB.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Raissa Lira: Vejo um futuro longo, passando de geração em geração… sempre progredindo.


Prezada pard Raissa Lira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

14

A ESPLÊNDIDA ilustração de ANDREA VENTURI para a CAPA da edição nº 1 da revista do Clube Tex Portugal e o respectivo EDITORIAL

outubro 24, 2014

A ESPLÊNDIDA ilustração de ANDREA VENTURI
.
para a CAPA da edição nº 1 da revista do
.
Clube Tex Portugal
e o respectivo EDITORIAL

Por José Carlos Francisco


Conforme já foi anunciado aqui mesmo no blogue do Tex, a revista do Clube Tex Portugal, devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, no seu primeiro número terá uma CAPA INÉDITA e EXCLUSIVA feita PROPOSITADAMENTE por ANDREA VENTURI.

Capa essa que terá uma magnífica ilustração de Tex a cavalo que damos hoje a conhecer a todos os leitores do blogue português do Tex (após a SBE fazer há poucas horas a divulgação, em estreia mundial, na página oficial de Tex no Facebook, o que demonstra bem a importância que a própria editora de Tex dá a este projecto português), na versão a preto e branco, mas também na versão colorida, com cores do próprio Andrea Venturi que deste modo comprova a importância e o carinho posto também por ele neste projecto editorial dedicado aos sócios do jovem Clube Tex Portugal.

Magnífica ilustração de Andrea Venturi para a capa da edição nº 1 da revista do Clube Tex Portugal

Para uma apresentação melhor  desta importante iniciativa dirigida por Mário João Marques, o director da revista, e destinada aos sócios do Clube (cada sócio do Clube Tex Portugal terá direito a um exemplar totalmente grátis e de modo a tornar a revista mais cobiçada e valiosa pelos amantes do Ranger cada sócio só poderá comprar um segundo exemplar) damos a conhecer de seguida o editorial deste primeiro número da revista:

EDITORIAL

Em Agosto de 2013, durante uma tertúlia texiana organizada quando do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, um grupo de amigos teve a oportunidade de formalizar a criação de um clube que pudesse fomentar o convívio e a troca de ideias sobre Tex. Idealizado uns meses antes, a ocasião proporcionada e a presença inspiradora de Andrea Venturi, desenhador convidado para o Salão, serviram assim de catalisadores, permitindo firmar a criação do Clube Tex Portugal.

Andrea Venturi, de pin ao peito, exibe orgulhosamente o cartão de Sócio Honorário do Clube Tex Portugal

A revista que agora está nas vossas mãos é um objectivo a que nos propusemos desde a primeira hora, um instrumento privilegiado que permite divulgar, aprofundar e sobretudo homenagear um grande herói e uma grande série que, ano após ano, se vem batendo pelos ideais da justiça e da honra, unindo muitos em redor de valores infelizmente cada vez mais raros.

Devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, que desde o início nos concedeu a honra do seu apoio e do seu carinho, a revista é o trabalho de muitos e que nos enche de orgulho, representando o culminar de um primeiro ano do Clube pleno de actividades e de sucesso. Todos são convidados a participar, apresentando trabalhos sobre Tex, o seu mundo, as suas personagens, os seus autores. Queremos fomentar o convívio, desejamos divulgar a personagem, ansiamos que apreciem e possam retirar o mesmo prazer que todos os que colaboraram neste primeiro número tiveram na sua preparação e elaboração.

Este primeiro número conta com artigos de José Carlos Francisco, Sérgio Madeira de Sousa, Pedro Cleto, Jorge Magalhães e Mário João Marques, assim como com um pequeno texto escrito por Júlio Schneider, em jeito de homenagem à amizade em torno de Tex. Mas outros, de uma forma ou de outra, deram o seu grande contributo, permitindo que o projecto pudesse ver a luz do dia. Carlos Moreira, Hernâni Portovedo, Orlando Silva, António Guerreiro, Jorge Machado Dias, Dorival Lopes (e a Mythos), Gianni Petino e todas as mulheres texianas, foram baluartes fundamentais. A todos o Clube Tex Portugal agradece!

Apesar desta paixão, nada teria sido possível sem o apoio dado pela Sergio Bonelli Editore, que não cansamos de sublinhar, particularmente Davide Bonelli e Mauro Boselli, a quem o Clube Tex Portugal agradece eternamente. E é também um enorme motivo de orgulho poder contar, na capa deste primeiro número, com um desenho exclusivo de um grande talento, Andrea Venturi. Um grande desenho de um grande desenhador, desde o início ao nosso lado. Grazie mille Andrea!

Leiam, releiam, comentem, sugiram, pois a participação de todos é fundamental para juntos podemos fazer cada vez mais e melhor. Sem qualquer presunção, humildemente queremos alimentar o sonho e a paixão.

Clube Tex Portugal

Ilustração a preto e branco de Andrea Venturi para a capa da edição nº 1 da revista do Clube Tex Portugal

(Para aproveitar a extensão completa  das imagens acima, clique nas mesmas)

1