Tex e Lupe Velasco na MAGNÍFICA arte de Alessandro Piccinelli

julho 29, 2016

Tex e Lupe Velasco

na MAGNÍFICA arte de Alessandro Piccinelli

Tex e Lupe Velasco na MAGNÍFICA arte de Alessandro Piccinelli

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Eles falam de Tex Willer

julho 28, 2016

Eles falam de Tex Willer

Por Ezequiel Guimarães


Muitos leitores de BDs, gostam “apenas” da história, e ponto final !  Querem ler a(s) aventura(a) do(s) seu herói(s) predilecto(s), e não se interessam por saber nada a mais. Não querem saber sobre o ambiente onde as histórias se desenrolam, sobre o género literário no qual ela está inserida, não querem saber sobre a história editorial da personagem, o que ocorreu nos bastidores, qual a influência dos autores, de onde nasceu a ideia da série, etc., etc.
Ler uma entrevista com o desenhador ou o argumentista então é algo tedioso. Nem pensar!

Sidney Gusman e Ezequiel Guimarães

Mas isso é o que ocorre com muitos, mas não com todos . Muitos outros gostam de ter mais informações, aprofundam-se na temática, origem, e história editorial da personagem preferida, ou simplesmente gostam de entrevistas bem feitas com os autores. Por mera curiosidade ou para ampliarem seu conhecimento sobre os bastidores das BDs.

E entrevistas não só com autores das personagens preferidos, mas também com autores de outras personagens, pois agrega mais conhecimento sobre o universo das BDs. Para esses últimos, e para todos aqueles que gostam de conhecer muito mais sobre as personagens e autores de BDs, mesmo não sendo aficionados, chegou às livrarias um fantástico e maravilhoso livro: Universo HQ Entrevista.

O livro traz saborosas entrevistas, com variados autores, entre eles, vários falam de Tex, como os autores texianos Ivo Milazzo, Joe Kubert, Gianfranco Manfredi e Giancarlo Berardi. E até quem não desenhou uma história de Tex, também aborda o granítico ranger: (o saudoso) Sergio Toppi e Milo Manara.

Esclarecendo para não haver má interpretação, eles não falam exclusivamente de Tex. Obviamente o ranger está incluso ao longo do prazeroso bate-papo dos autores com os ícones da BD.
Também outros mestres da BD se fazem presente: Mark Waid, Jim Starlin, Lourenço Mutarelli, Flavio Colin, Neil, Gaiman, Will Eisner, Miguelanxo Prado, John Byrne, Eduardo Risso, Mort Walker, David Lloyd, Kyle Baker, Lorenzo Mattotti, Don Rosa, e Mike Deodato Jr.


As entrevistas foram publicadas ao longo do tempo no excelente site http://www.universohq.com/ , ponto de referência para os apreciadores da nona arte.  Também há entrevistas inéditas, como a de: José Luis García-López e Mauricio de Sousa. Mesmo as que já saíram no site, merecem ser lidas no papel, no conforto de uma poltrona ou cama. E um adicional interessante, como citou Samir Naliato: “ Todas as entrevistas  receberam notas de actualização (são 300, no total), seja actualizando o leitor sobre a repercussão do que no momento da entrevista eram apenas projectos futuros, seja detalhando alguma informação mencionada pelo entrevistado.“  Ele mesmo, ao lado dos outros experts em BDs Sidney Gusman, Sérgio Codespoti, Marcelo Naranjo, e Marcus Ramone, foram quem conduziram as entrevistas.


Além das entrevistas, há também belas caricaturas que enriquecem a obra. Todas da autoria de Eduardo Baptistão, um dos principais caricaturistas do Brasil. Baptistão fez as caricaturas, não só dos entrevistados, como da equipa entrevistadora. Ele recentemente (no ano passado) lançou um imperdível livro: “The art of Baptistão – 30 years”. O fantástico portefólio virtual do artista é o http://baptistao.zip.net . E vale a pena ser visitado.  Inclusive dedico aqui um agradecimento especial ao Baptistão pela cessão das belas caricaturas que ilustram esse post.

Voltando ao livro Universo HQ Entrevista, ele tem o formato 17 x 24 cm, com 360 páginas, e o projecto foi para comemorar 15 anos de actividade, completados em 2015.  Como comentou  o sempre competente Sidney Gusman, editor-chefe do site, membro da equipa entrevistadora e o organizador da edição: “2015 tem sido especial para o Universo HQ. Para comemorar os 15 anos do site, resolvemos que nossos leitores ganhariam vários presentes…o principal deles é o livro Universo HQ Entrevista, no qual os autores falaram sobre seus trabalhos, opinaram sobre o mercado e analisaram a própria carreira… A ideia é oferecer ao leitor um material literalmente referencial.

A editora é a Editora Nemo, tradicional apoiante do mundo das BDs.  Obra referencial e imperdível! Esperamos que a trupe lancem outros!


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Esboço alternativo de uma capa de Tex, da autoria de Claudio Villa

julho 27, 2016

Esboço alternativo de uma capa de Tex,

da autoria de Claudio Villa

Por José Carlos Francisco

Claudio Villa

Pelos mais variados motivos, alguns desenhos e estudos para capas de Tex foram sendo modificados ou mesmo reprovados, conforme foram sendo “evoluídos”, até se chegar à capa eleita que vai para a gráfica, ou seja, o trabalho de Claudio Villa em cada capa de Tex, passa por sucessivas fases de realização conforme já por várias vezes mostramos aqui mesmo no blogue do Tex e hoje damos a conhecer mais um exemplo desses esboços que tornaram-se assim obras inéditas e por isso mesmo desconhecidas pela maior parte dos leitores e fãs de Tex.

De modo a que possa ser admirada e comentada e também para eventual comparação mostramos o (terceiro) esboço da capa nº 633, ao lado da respectiva capa publicada (pode ver outro esboço alternativo desta mesma capa clicando AQUI! ):

Tex # 633:


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TEX, da Mythos, alcança NOVAMENTE o SEGUNDO lugar como MELHOR EDIÇÃO PERIÓDICA DE PORTUGAL

julho 26, 2016

TEX da Mythos, alcança NOVAMENTE o

SEGUNDO lugar como

MELHOR EDIÇÃO PERIÓDICA DE PORTUGAL

Por José Carlos Francisco

Durante a tarde deste último domingo, dia 24 de Julho, os presentes no Central Comics Fest ’16 descobriram quem foi consagrado nos XIV Troféus Central Comics e viram subir ao palco os vencedores para receber os respectivos troféus. Para quem não pôde estar presente, revelamos os resultados, adjudicados pelos membros do júri do evento, obtidos a partir de largas centenas de votos recebidos.

Promovido pelo portal Central Comics, os Troféus Central Comics (TCC) incidem sobre as melhores obras e autores por edições no ano transacto, e os vencedores são escolhidos por votação do público, após nomeação do júri dos troféus.

Começamos pela categoria, Melhor Publicação Periódica, categoria essa onde a Mythos Editora através da revista Tex foi uma das cinco nomeadas e que elegeu a revista Batman – Novos 52, um dos títulos da Panini.

A Batman – Novos 52 acabou por vencer com 28% dos votos, seguindo-se a não muita distância o Ranger de Bonelli e Galep num honroso SEGUNDO lugar com 20% apesar da luta desigual. Na terceira posição tivemos a Disney Especial (Goody) com 19%, seguido por Os Simpsons (Goody) com 18% dos votos e por fim Universo Marvel (Panini) com 15%.

Segue-se a lista completa dos vencedores e restantes nomeados dos XIV TROFÉUS CENTRAL COMICS 2016:

Melhor Publicação Nacional
VOLTA: O SEGREDO DO VALE DAS SOMBRAS (Polvo) – 40%
O Poema Morre (Kingpin Books) – 23%
Agência de Viagens Lemming (Devir) – 11%
Dança (Pato Lógico) – 9%
Kong, the King (Kingpin Books) – 9%
The Care of Birds (Chili com Carne) – 8%

Melhor Publicação Estrangeira
BATMAN: NOIR (Levoir) – 30%
Tungsténio (Polvo) – 24%
Finalmente, o Verão (Planeta Tangerina) – 17%
A Arte de Voar (Levoir) – 11%
O Comboio dos Órfãos: Ciclo 1 – Jim & Harvey (Arcádia) – 10%
Cumbe (Polvo) – 8%

Melhor Publicação Clássica
O REGRESSO DO CAVALEIRO DAS TREVAS vol.2 (Levoir) – 27%
Um Contrato com Deus (Levoir) – 23%
Foi Assim na Guerra das Trincheiras (Levoir) – 16%
Sharaz-De (Levoir) – 16%
A Viagem (Levoir) – 8%
O Menino Quadradinho (Booksmile) – 7%

Melhor Publicação Humor
BOA NOITE, DARTH VADER (Planeta Manuscrito) – 50%
Baby Blues: Molhados, Barulhentos, Pegajosos (Bizâncio) – 14%
Zits em Concerto (Gradiva) – 13%
Não Deixes o Pombo Guiar o Autocarro! (Booksmile) – 12%
As Crianças São Muito Infantis (Bertrand) – 11%

Melhor Publicação Independente
CINZAS (Mundo Fantasma/MMMNNNRRRG) – 34%
Carne & Osso #1 (AA.VV.) – 24%
Askar, o General (Chili com Carne) – 19%
I Like your Art much (AA.VV./Chili com Carne) – 10%
Molly #2 (AA.VV.) – 8%
Hollow (Rough ‘Nough) – 5%

Melhor Publicação Relacionada
MAGA (Chili com Carne) – 40%
Reflexos (Documenta/Sistema Solar) – 38%
Yangire/Yandere (Clube do Inferno) – 22%

Melhor Publicação Periódica
BATMAN – NOVOS 52! (Panini) – 28%
Tex (Mythos) – 20%
Disney Especial (Goody) – 19%
Os Simpsons (Goody) – 18%
Universo Marvel (Panini) – 15%

Melhor Obra Curta
S/ TÍTULO – SOFIA NETO, in Carne & Osso #1 – 30%
“Construção” – André Carrilho, in Ai Ai #1 – 24%
“Ameaça Dentata” – Filipe Abranches, in Ai Ai #1 – 15%
“Fantastic Proliferation” – Mao, in QCDI #3000 – 14%
“We All Come Here For Different Reasons” – André Pereira, in QCDI #3000 – 14%
S/ título – Gui Castro Felga, in Carne & Osso #1 – 3%

Melhor Desenho
ANDRÉ CAETANO (Volta: O Segredo do Vale das Sombras) – 38%
Sónia Oliveira (O Poema Morre) – 30%
Osvaldo Medina (Kong, the King) – 12%
João Fazenda (Dança) – 10%
Dileydi Florez (Askar, o General) – 6%
Francisco Sousa Lobo (The Care of Birds) – 4%

Melhor Argumento
ANDRÉ OLIVEIRA (Volta: O Segredo do Vale das Sombras) – 44%
David Soares (O Poema Morre) – 17%
José Carlos Fernandes (Agência de Viagens Lemming) – 15%
João Fazenda (Dança) – 12%
Francisco Sousa Lobo (The Care of Birds) – 9%
André Pereira (Madoka Machina #1) – 3%

Troféus Central Comics -Extra

Melhor Autor em Publicação Estrangeira
JORGE COELHO (John Flood) – 43%
Filipe Andrade (All-New, All-Different Point One #1) – 18%
André Lima Araújo (Avengers A.I.) – 17%
Daniel Henriques (Justice League of America (vol.2)) – 15%
Carlos Pedro (Elephantman #64-65) – 7%

Melhor Desenho Estrangeiro
MILO MANARA (Caravaggio: O Pincél e a Espada) – 35%
Alexandre Leoni (A Vida Oculta de Fernando Pessoa) – 28%
Jim Lee (Liga da Justiça: Origem) – 18%
Tony Sandoval (Mil Tormentas) – 13%
Jay Anacleto (Marvels: Através da Objectiva) – 6%

Melhor Argumento Estrangeiro
BRIAN K. VAUGHN (Saga) – 32%
António Altarriba (A Arte de Voar) – 22%
Matt Fraction (Gavião Arqueiro: Quem Pelo Arco Vive) – 14%
Reinhard Kleist (O Pugilista) – 14%
Robert Kirkman (The Walking Dead) – 13%

Melhor Publicação Original Estrangeira
BATMAN (vol.2) (DC Comics) – 28%
Star Wars (vol.2) (Marvel) – 27%
The Walking Dead (Image Comics) – 24%
Harrow County (Dark Horse) – 11%
Descender (Image Comics) – 10%

Melhor Capa
A VIDA OCULTA DE FERNANDO PESSOA, de Alexandre Leoni – 28%
O Milagreiro, de Jorge Coelho – 27%
Kong the King, de Osvaldo Medina – 21%
Gentleman #1, de Ricardo Reis – 14%
Jim del Monaco: O Cemitério dos Elefantes, de Luís Louro – 10%

Melhor Personagem
FREE LANCE (Free Lance) – 34%
Fernando Pessoa (A Vida Oculta de Fernando Pessoa) – 21%
Mr.Turner (Gentleman #1) – 20%
Jim del Monaco (O Cemitério dos Elefantes) – 15%
Kong (Kong, the King) – 10%


Melhor Filme de BD
HOMEM-FORMIGA (Marvel Studios) – 36%
Os Vingadores 2 – Era de Ultron (Marvel Studios) – 34%
Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (20th Century Fox) – 30%

Melhor Série Televisiva de BD
THE WALKING DEAD (T05) – 37%
Daredevil (T01) – 36%
The Flash (T01) – 11%
Arrow (T03) – 9%
Dark Matter (T01) – 7%

Melhor Série Animada de BD
TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES – 23%
ULTIMATE SPIDER-MAN – 23%
The Avengers: Earth’s Mightiest Heroes – 22%
Saint Seiya Omega – 12%
Teen Titans Go – 10%

Melhor Videojogo de BD
BATMAN: ARKHAM KNIGHT – 53%
The Escapists: The Walking Dead – 14%
DuckTales Remastered – 12%
Disney Infinity 2.0: Marvel Super Heroes – 10%
Dragon Ball XenoVerse – 9%


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Collezione storica a colori nº 230 – Le stagioni dell’odio

julho 25, 2016

Tex nº 230 LE STAGIONI DELL’ODIO


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As Leituras do Pedro: Revista do Clube Tex Portugal #4

julho 24, 2016

As Leituras do Pedro*

Revista do Clube Tex Portugal #4
Vários autores
Capas de Enrique Breccia
Clube Tex Portugal
Portugal, Junho de 2016
210 x 280 mm, 48 p., cor, capa mole

Exclusiva para sócios
(ver condições de adesão aqui)

Publicação de e para fãs, a Revista do Clube Tex Portugal, ultrapassa esses limites e justifica a leitura por simples apreciadores de BD. Ou de western.

Embora sinta que este texto já venha tarde – a revista merecia ter tido já o destaque que agora lhe concedo – a minha ausência como colaborador neste número foi a mola impulsionadora.

Convém escrever desde já, que a revista é distribuída apenas aos sócios – cujas quotas (2,00 €/mês) a pagam, bem como à Mostra do Clube Tex que Anadia acolheu nos últimos 3 anos – e fica por isso o alerta para que leitores (do blogue) menos atentos a tentem encontrar à venda.

Aberta à colaboração dos sócios – e de ‘texianos’ de várias origens, de Portugal ao Brasil, passando por autores do universo Bonelli! – a revista ganha e sofre por isso mesmo, oscilando a qualidade do seu conteúdo com a maior capacidade/inspiração dos seus cronistas e – quatro números passados, com sucessivos aumentos do número de páginas – parece-me que chegou o momento de o seu corpo directivo dar um passo em frente na exigência e começar a seleccionar – na completa acepção do termo – as colaborações. E também de fazer passar o seu conteúdo – algum do seu conteúdo pelo menos… – pelo crivo de uma escrita correcta em português, porque, mais do que aos autores dos textos, as incorrecções factuais e as discordâncias de escrita afectam a imagem da publicação.

Em termos gráficos, se a maquete seguida não é especialmente inspirada, finalmente temos um número (quase) sem os constrangedores (e inexplicáveis) espaços em branco que se viam nalgumas páginas dos três primeiros números. Mesmo assim, há disparidades gritantes entre o tamanho das ilustrações publicadas – mais em função do espaço a ocupar do que da sua verdadeira importância…

Passando ao conteúdo em si, sendo de saudar – e de certeza apreciado pelos leitores/coleccionadores – a publicação de desenhos elaborados especificamente para serem publicados nela e até a existência de duas capas diferentes – uma chamariz extra para coleccionadores – deixo uma referência positiva para a diversidade de abordagens ao universo do ranger e para inclusão neste número de pranchas em pré-publicação. O ponto forte, no entanto, é a publicação de uma banda desenhada curta, completa, de Tex, inédita a cores fora de Itália, (curiosamente) remontada para o formato da revista – e numa publicação de e para fãs, não teria sido interessante publicar (e analisar o funcionamento d)as duas versões, mesmo que a original fosse publicada mais reduzida, só na forma de fotos como a mostrada na página de introdução?

A finalizar – e não querendo este texto ser mais do que um contributo positivo para a revista – sendo evidente que o seu caminho está traçado, é evidente que há (sempre) melhoramentos que podem ser introduzidos.

Pedro Cleto e a leitura da revista Clube Tex Portugal nº 4

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

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Entrevista com o fã e coleccionador: Fernando Videira

julho 23, 2016

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Fernando Videira: Nasci em 1960 e vivi em Benfica até ao fim da minha carreira estudantil. Sou licenciado em História e auto especializado em Pré-História. Tenho desenvolvido algum trabalho em escavações arqueológicas (sobretudo em Espanha, aos fins-de-semana) mas a minha principal actividade é a de professor de História e Português.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Fernando Videira: No final dos anos sessenta, a BD publicada era muito cara. No entanto, existiam na minha localidade (Benfica, junto à estação de caminho de ferro) uma espécie de lojas, hoje já extintas, que trocavam livros em segunda mão e emprestavam outros por um período de tempo – normalmente uma semana – os quais se tornavam acessíveis para as nossas bolsas. Escusado será dizer que as prateleiras destas lojas prendiam completamente a nossa atenção, repletas de livros e fascículos de BD e de um tipo de livros que é raro ver editados nos dias de hoje. Refiro-me a um modelo de livros que conjugavam alguns quadradinhos com o texto, que representava a fatia principal destas obras. Foi assim que conheci alguns títulos que fazem parte da literatura juvenil universal – “Ben Hur”, “Os Três Mosqueteiros”, “O Último dos Moicanos”, “A Flecha Negra”, etc…
Nessa altura o Mundo de Aventuras e o Falcão eram as nossas referências no que toca à BD. Líamos os fascículos do “TINTIN” e o “Jornal do Cuto”. Estes títulos contribuíram decididamente para alargarmos os horizontes em relação ao que se fazia em BD nesta altura.

Quando descobriu Tex?
Fernando Videira: Antes do TEX, lembro-me do Mendonza Colt, do Texas Jack e do Bill The Kid, verdadeiros ícones da BD relativa ao Oeste Americano. Penso que só no início deste século é que descobri o Tex, através da única publicação feita em Portugal nessa altura. Chamava-se “Tex contra Mefisto” e ainda tenho esse exemplar a cores de uma colecção que incluía vários autores de BD.

Porquê esta paixão por Tex?
Fernando Videira:
O Tex simboliza tudo o que nos vem à memória da nossa infância: as séries a preto e branco (Bonanza, Daniel Boone, Chaparral) os filmes (as longas metragens de John Ford e Sérgio Leone; John Wayne, o 7º de cavalaria, o general Custer e as guerras com os índios, os grandes espaços convidativos para uma grande cavalgada, o pesquisador de ouro, o batoteiro, a menina do saloon e o xerife). No entanto, penso que é a partir de um filme que me marcou profundamente – “Dança Com Lobos” – que o Tex se afirma no meu ideário de herói, pois ele toma sempre o partido dos mais fracos e está sempre disposto a combater os partidários da corrupção e os prepotentes que se servem da justiça (ou da falta dela) para dominarem essas cidades do oeste americano em que a lei está no cano de uma arma.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Fernando Videira: Ao contrário de um certo tipo de BD (refiro-me concretamente às personagens da Disney) em que existe uma certa preocupação em tornar os heróis assexuados (repare-se que nas histórias do Tio Patinhas e do Donald só há tios e sobrinhos!…) no Tex, as relações familiares e amorosas estão perfeitamente assumidas – Tex teve uma esposa que faleceu e de cuja relação nasceu o Kit – e os vícios e virtudes do mundo envolvente a esta personagem confunde-se com o simples humano – o jogo, o álcool, a violência, a ganância, surgem de mãos dadas com a ilusão, a solidariedade, o sacrifício e a satisfação do dever cumprido. Por isso, todos temos algo de “Tex” em nós, quer na visão que temos do que nos rodeia, quer na forma como interagimos com os outros.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Fernando Videira: Tenho cerca de trezentas revistas, distribuídas pelas colecções Tex Ouro, Tex Gigante, Tex, Edição Histórica, Tex Anual e Tex em Cores. Todas são imprescindíveis para mim, daí não destacar nenhum título.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Fernando Videira: Para além das revistas, tenho a colecção de cromos editada pela Panini em Itália.
Tenho algumas personagens em miniaturas em plástico, relativas ao oeste americano e algumas figuras desta temática em chumbo, fabricadas na Rússia.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Fernando Videira: Os números 1 do Tex Ouro e do Tex Anual.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Fernando Videira:
Penso que o enredo do “Tex contra Mefisto” é dos melhores que já foi escrito.
Em relação aos autores, tenho uma especial preferência pelo Aurelio e pelo Sergio, os quais são os responsáveis pelo êxito do nosso herói. Actualmente surgem nomes com bastante valor e que são garantia da continuidade editorial.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Fernando Videira: Em relação ao herói, a sua visão pragmática das situações e a tomada de decisões no imediato, são atitudes que aprecio. Não adquiro outros títulos do Tex, porque detesto ficar à espera para saber como acaba uma história. Penso também que há algumas personagens que têm sempre lugar nas histórias do Tex, só que os autores que o desenham actualmente não se sentem à vontade para as “ressuscitar”.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Fernando Videira:
Tex é intemporal. Da mesma maneira que nos meus dez – doze anos vinha para a rua com um arco com flechas para brincar com o resto da tribo da minha localidade e embrenharmos no parque florestal do Monsanto (o nosso Oeste), também os jovens de hoje sentem a necessidade de brincar ao faz de conta, apesar das novas tecnologias os afastarem cada vez mais da natureza.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Fernando Videira:
Normalmente o ponto de encontro é o Festival da BD da Amadora. No entanto, vejo com apreensão o futuro destes encontros, pois o nº de “aficionados” cada vez é menos. Lembro-me das horas que passava numa fila para conseguir uma aguarela do Varanda, um desenho do Prado ou uma assinatura do Civiello ou do Bilal.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Fernando Videira:
Tudo depende do panorama editorial no Brasil. No entanto, começo a sentir que nem tudo vai bem, nomeadamente na irregularidade de títulos que chega até ao nosso rectângulo.

Prezado pard Fernando Videira agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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