As Leituras do Pedro – Tex Edição de Ouro #72: Os Sete Assassinos

dezembro 22, 2014

As Leituras do Pedro*

Tex Edição de Ouro #72
Os Sete Assassinos
Mauro Boselli (argumento)
Marcello (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Maio de 2014
135 x 175 mm, 328 p., pb, brochado
R$ 22,90 / 11,00 €

Se a importância – criadora e histórica – de Gianluigi Bonelli e Sergio Bonelli (Guido Nolitta) são indiscutíveis para a afirmação de Tex, parece-me indiscutível a relevância de Mauro Boselli na sua renovação – na continuidade – e na sua modernização, para o aproximar do nosso tempo.

Os Sete Assassinos – actualmente à venda em Portugal – é (mais) um exemplo disso. Na verdade, as histórias de Boselli são geralmente mais elaboradas – perdendo alguma da ingenuidade que fez de Tex o ídolo de muitos leitores em décadas anteriores? – e conferem ao ranger e aos demais protagonistas uma espessura e uma profundidade de carácter que muitas vezes não acontecia no passado e que o aproximam de concepções mais interessantes – e modernas – do western.

A par disso, Boselli tem sabido recuperar participantes de histórias mais antigas – no caso presente regressam Lena e Donna, esposa e filha de um dos membros do célebre Bando dos Inocentes (e também paixões – nem sempre? – platónicas de Kit Carson e Kit Willer…) – o que contribui para dar maior consistência ao universo texiano.


Os Sete Assassinos parte de um pressuposto bem concebido: um bando guiado por um cego que é um formidável atirador e que integra uma série de criminosos, todos eles aberrações com capacidades (?) distintivas – Por coincidência este bando assola a região em que Tex, Carson, Kit e Jack Tigre perseguem um jogador que aparentemente se tornou assassino, acabando o confronto por se tornar inevitável quando os respectivos caminhos se cruzam nas proximidades da hospedaria que Lena e Donna gerem.

As características (horríveis) – lado a lado com o carácter amoral e hiperviolento dos sete assassinos – conferem um tom diferente a esta aventura, que aqui e ali roça quase o terror e tornam-na uma das mais violentas que já li de Tex.


Considero mesmo que as páginas 20 e 21 apresentam cruamente duas das mais violentas cenas que este western já apresentou pois, se são muitos os mortos e feridos que o ranger e os seus amigos deixaram pelo caminho ao longo de décadas, os habituais tiroteios e trocas de socos decorrem quase sempre de forma quase anódina, tão vulgares se tornaram e tão ‘ligeiros’ são os seus efeitos. Depois, ao longo da história, embora presente, a violência (visual) atenua-se e as consequências de cenas semelhantes são apenas sugeridas, não sendo visíveis os seus efeitos…

Com uma galeria de vilões – que noutras ‘paragens aos quadradinhos’ poderiam dar interessantes sequelas – Os Sete Assassinos fica assim como uma história marcante pela violência mas também pela forma consistente e equilibrada como se desenrola, com a acção a decorrer a vários níveis e a conduzir as duas narrativas paralelas para a esperada confluência, sem o final apressado que tantas vezes é marca de Tex, e pela força de algumas personagens secundárias, onde não faltam rivais para os dois Kit e oportunidade de redenção de quem parecia incapaz de qualquer acto de heroísmo.


Da edição brasileira, quero destacar Monstros Jamais Vistos, a boa leitura que Júlio Schneider fez desta história em jeito de introdução, embora discorde quando afirma que o facto de que “nenhuma  mulher ou criança é vitimada pelo bando” não deixa “esquecer que os sete monstros, no fundo (bem no fundo), são seres humanos” pois parece-me que pelo que é revelado da sua natureza, em especial as mulheres deveriam ser vítimas dos horrores que os fora-da-lei nunca hesitam em cometer ao longo de todo o relato e essa falta de ‘apetência’ pelo belo sexo – que a acontecer não seria estreia no Tex de Boselli – retira um pouco da verosimilhança do relato.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

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Póster Tex Nuova Ristampa 239

dezembro 21, 2014

Póster Tex Nuova Ristampa 239

Dramática ilustração nocturna realizada por Claudio Villa, onde vemos Tex Willer nas vestes de Águia da Noite sendo violentamente atacado, perante o desespero do seu filho Kit, por uma pantera negra da bruxa Zhenda que determinara a eliminação do Ranger e seus três pards por a velha índia não se conformar em ver Tex como chefe supremo dos navajos.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Gli spiriti della notte”, de C. Nizzi e F. Civitelli (Tex italiano #346 a #349).
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Texto de José Carlos Francisco

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Fabio Civitelli na Holanda: “Figurati, non è una Roleflex”

dezembro 20, 2014

Fabio Civitelli na Holanda:
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Figurati, non è una Roleflex

Por Fernanda Martins

Fabio Civitelli na Holanda para o lançamento do seu Tex Gigante

Realmente não era uma Roleflex a máquina com a qual Fabio Civitelli registou a sua visão da Holanda, mas essa era a maneira carinhosa com que respondia às minhas provocações quando eu associava a sua paixão pela fotografia e pela Bossa Nova.

Erik e Fabio Civitelli no aeroporto de Amesterdão

Fabio pisou em solo holandês no dia 07 de Outubro, de coração aberto, pronto para receber os fãs de um mercado texiano ainda muito tímido, representado pelos Países Baixos e pela Bélgica. E no seu aguardo estávamos eu e Erik, dono da Editora HUM!, responsável pelo retorno de Tex Willer e pela promoção da vinda de um desenhador bonelliano pela primeira vez na terra dos moinhos, especialmente para participar do maior festival de banda desenhada da Holanda, na cidade de Breda, ocorrida nos dias 11 e 12 de Outubro.

Tex na Holanda em uma arte de Fabio Civitelli

Para essa ocasião, Fabio Civitelli fez um desenho especial de Tex, vendido como ex-libris acompanhando o Tex holandês número 2, tendo ao fundo um cenário típico, património da humanidade declarado pela Unesco, os moinhos do Kinderdijk.

Fabio Civitelli na região dos moinhos do Kinderdijk

E foi lá, debaixo de chuva, que Fabio começou a sua turnê pela Holanda, que incluiu uma visita aos museus de Van Gogh e de Escher, às cidades de Amersfoort, Roterdão, Breda, Amesterdão e Haia.

Civitelli na sua faceta de turista na Holanda

Civitelli na sua faceta de turista na Holanda

Civitelli na sua faceta de turista na Holanda

Civitelli na sua faceta de turista na Holanda

Civitelli na sua faceta de turista na Holanda

A primeira apresentação de Fabio e de Tex na Holanda começou em Amesterdão, no Instituto Italiano de Cultura, que promoveu no dia 09 de Outubro, uma noite de autógrafos e desenhos, com entrevista filmada e coquetéis.

Civitelli no Instituto Italiano de Cultura em Amesterdão

Civitelli no Instituto Italiano de Cultura em Amesterdão

Civitelli no Instituto Italiano de Cultura em Amesterdão

Um brinde a Tex no Instituto Italiano de Cultura em Amesterdão

Já no dia 10, Fabio Civitelli conversou e emocionou-se com fãs holandeses e italianos em uma loja especializada em banda desenhada em Roterdão. Entre os fãs, que já o esperavam há algumas horas quando chegamos de Haia, havia dois irmãos, nascidos na Holanda, mas descendentes de italianos, cujo pai era um fã incondicional do nosso Ranger e não dormia um dia sequer sem ler uma revista de Tex, que, emocionados, trouxeram uma fotografia do pai já falecido para posar com Fabio.

Homenagem de dois irmãos a um, já falecido, fã incondicional do nosso Ranger

Civitelli em uma loja especializada em banda desenhada em Roterdão

Civitelli em uma loja especializada em banda desenhada em Roterdão

Os dias 11 e 12 foram dedicados à Feira de Banda Desenhada em Breda, com muitos fãs fazendo fila em ambos os dias para ver de perto Civitelli e as pranchas originais do livro que estava em suas mãos. Até um verdadeiro sósia de Kit Carson esteve presente na feira, fazendo com que Fabio ficasse mais inspirado para desenhar o camelo velho em pessoa!

Civitelli e um verdadeiro sósia de Kit Carson

Civitelli e os fãs no Festival de Banda Desenhada em Breda

Civitelli e os fãs no Festival de Banda Desenhada em Breda

Civitelli e um jovem fã no Festival de Banda Desenhada em Breda

A feira foi um sucesso e contou também com a presença de outros desenhadores italianos como Marco Santucci e Maria Laura Sanapo.

Fabio Civitelli entre Marco Santucci e Maria Laura Sanapo

A semana de Civitelli na Holanda foi encerrada com dois jantares maravilhosos, com direito a uma cesta de produtos holandeses que Fabio recebeu como agradecimento carinhoso do staff da editora HUM! e cantoria em italiano em um restaurante grego.

Civitelli e o staff da editora HUM!

Erik e Civiteli à mesa

Para mim, especialmente, que tive o prazer de estar ao lado de Fabio todos esses dias, servindo de intérprete, gerente e guia, foram momentos maravilhosos e inesquecíveis.

Fabio Civitelli e o autógrafo desenhado para Erik

Fabio Civitelli exibindo a sua arte

Eu, particularmente, e a Holanda, lhe agradecemos por tudo e lhe aguardamos novamente de braços abertos, Fabio!

Arte exclusiva de Fabio Civitelli para um fã especial

Tex desenhado magistralmente por Fabio Civitelli

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Book Trailer: Lua ensanguentada

dezembro 19, 2014

Book Trailer: Lua ensanguentada

Mauro Boselli e Corrado Mastantuono assinam uma história do nosso Ranger salpicada de sangue e cheia de tensão.
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No Texas, uma lua Carmesim (um tom de vermelho forte, brilhante e profundo, combinado com algum azul, do qual resulta um certo grau de púrpura) é o prenúncio de tristes presságios. Um vilão voltou do passado para semear a morte. Caberá a Tex enfrentá-lo, numa dramática luta sem  tréguas.

Descubra a sombria atmosfera da edição que será distribuída, em Itália, a 7 de Janeiro de 2015, graças ao book trailer (recurso que permite atrair leitores com uma amostra do que será publicado de forma dinâmica e visualmente atractiva) dedicado à aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada pelo traço dinâmico e vigoroso de Corrado Mastantuono:


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CLUBE TEX PORTUGAL JÁ TEM A SUA REVISTA!

dezembro 18, 2014

CLUBE TEX PORTUGAL JÁ TEM A SUA
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REVISTA!

Por Jorge Magalhães [1]


Já lá vão duas semanas, mas parece que foi ontem!… Conforme largamente divulgado no Tex Willer Blog, realizou-se em 29 de Novembro p.p. o 2º Convívio do Clube Tex Portugal e o cenário eleito para esse evento, que reuniu dezenas de sócios e seus familiares, foi, mais uma vez, o espaçoso e concorrido restaurante Regiões, sito naquela que já é denominada por muitos pards, membros e simpatizantes do Clube, como Cacém City.

O Gato Alfarrabista também se fez representar nesse caloroso (e ruidoso) Convívio, com a sala a abarrotar de gente — nas noites de sábado o restaurante está sempre à cunha — e música de fundo a ressoar-nos nos tímpanos durante horas e horas… o que proporcionou muitos momentos de alegria e de animado bailarico, sobretudo a um grupinho de moças do nosso clã, que se destacou pelo seu contagiante entusiasmo.

Mas o momento mais alto — à parte o efusivo ritual, celebrado com as honras devidas, de partilhar e saborear o artístico bolo comemorativo deste Convívio, com uma imagem de Tex, como é da praxe —, foi, sem dúvida, a apresentação pelos directores do Clube, José Carlos Francisco, Mário João Marques e Carlos Moreira, do número de estreia da sua revista, que todos os sócios presentes fizeram questão de comentar e elogiar, considerando-a uma das mais belas surpresas com que foram brindados nesta quadra natalícia. E até os mais novinhos ficaram satisfeitíssimos por a receber!…

Pela nossa parte, queremos desde já sublinhar o seu excelente aspecto gráfico, com uma capa de belo efeito da autoria do grande artista texiano Andrea Venturi — capa essa que serviu de mote à requintada arte culinária do mestre(a) confeiteiro(a) que confeccionou o recheio e a cobertura do magnífico bolo de aniversário, rapidamente tragado por mais de 50 gulosos convivas! E é muito bem capaz de não ter chegado para todos!…

Com colaboração variada, nas suas luzidas 32 páginas, onde a cor é uma nota dominante, este 1º número destaca-se ainda por apresentar outras ilustrações inéditas de grandes artistas da Velha Bota, como Maurizio Dotti e Stefano Biglia, e por ter sido quase inteiramente realizado por sócios do Clube, portugueses, italianos e brasileiros.

Se quisesse dar-me ao cuidado de recomendar o que mais me agradou no seu conteúdo — o que me parece tarefa ingrata e sem grande utilidade, pois cada um fará o seu próprio juízo —, começaria por referir os textos do seu director, Mário João Marques, a quem são devidos, com inteiro mérito, os maiores elogios pelo notável trabalho realizado, sob a sua alçada, por este grupo de colaboradores (entre os quais, sem imodéstia, me incluo).

Através do Tex Willer Blogue chega-nos a notícia — confirmando o grande êxito que este número obteve entre todos os sócios que já o receberam (pois nenhuma das suas expectativas saiu defraudada… e, nesta matéria, falo também por mim!) — de que a partir da próxima edição a revista terá periodicidade semestral, continuando a ser distribuída gratuitamente a todos os sócios com as quotas em dia. Mário João Marques está ainda apostado em aumentar o número de páginas, devido à crescente afluência de colaboradores, assim como ao interesse já manifestado por outros autores italianos em participar com trabalhos inéditos, juntando-se a Venturi, Dotti e Biglia.

Esperemos que entre esses insignes colaboradores esteja também um talentoso artista português, autor do cartaz deste memorável Convívio e texiano dos quatro costados: António Lança Guerreiro, que teve a amabilidade de nos obsequiar com um exemplar autografado de um dos seus recentes trabalhos. Aqui o reproduzimos, com o maior prazer.

Pelos largos trilhos da Aventura, com Tex cavalgando sempre a seu lado, o destino do Clube e desta bela revista, unidos pelos mesmos objectivos — que merecem ser calorosamente saudados e apoiados —, parece, pois, a longo prazo, sereno e auspicioso.

Como diriam os nossos heróicos pards, acenando alegremente com os seus chapéus, do alto de uma colina iluminada pelo sol: Tanti auguri! Buona fortuna, Clube Tex Portugal!!

[1]Texto de Jorge Magalhães apresentado no blogue “O gato alfarrabista” em 16/12/2014;
Copyright: © 2014, Jorge Magalhães

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Tex na fantástica arte de Luca Vannini

dezembro 17, 2014
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