Inaugurada a Porta de Águia da Noite no Parque de Tex localizado no bairro romano de Torrino Mezzocammino

A Porta de Águia da Noite no Parque da Banda Desenhada em Roma

No bairro romano de Mezzocammino foi construído em 2009 o PARQUE DA BANDA DESENHADA, onde cada rua, cada edifício, tem o nome de um autor ou de uma personagem da banda desenhada italiana. Incluindo as portas de entrada, uma das quais foi agora inaugurada e baptizada de Águia da Noite

Vídeo de Patrizia Artemisio e fotos de Patrizia Artemisio e SBE

A Porta de Águia da Noite no “Parco dei Fumetti”, em Roma

A inauguração do Parco dei Fumetti (Parque da Banda Desenhada) remonta a Agosto de 2009, uma grande área verde localizada no bairro romano de Torrino-Mezzocammino. Ao longo dos anos o parque foi crescendo e completando-se, com a abertura de novas áreas, edifícios e actividades. Como o nome sugere, cada área do parque tem o nome de uma personagem ou autor de banda desenhada, assim como os prédios públicos que surgem dentro do perímetro da área e todas as entradas do parque.

O Presidente Maurizio Nicastro, grande fã de Tex, inaugura a Porta Águia da Noite

O discurso de inauguração do Presidente Maurizio Nicastro aquando da abertura oficial da Porta Águia da Noite

Nestas nossas páginas do Tex Willer Blog já falamos sobre o Parco dei Fumetti em mais de uma ocasião, porque há vários Heróis Bonellianos a quem são dedicadas as portas de entrada do parque e são muitos os autores da Sergio Bonelli Editore a quem foram dados os nomes às ruas que percorrem a área, de G.L. Bonelli a Hugo Pratt, de Jacovitti a tantos outros… em 2014 a nova escola primária construída no bairro também recebeu o nome de Sergio Bonelli, enquanto no interior do parque há uma quadra de ténis de praia com o nome do próprio Sergio Bonelli e uma quadra de voleibol de praia com o nome de Decio Canzio

Um momento da Cerimónia de Inauguração da porta Águia da Noite

Quadra de ténis de praia com o nome do próprio Sergio Bonelli e quadra de voleibol de praia com o nome de Decio Canzio

Desta vez a notícia é a abertura da Porta Águia da Noite, que decorreu com uma cerimónia pública no passado dia 2 de Junho, que se junta assim às portas com os nomes de Tex, Kit Carson e Tiger Jack inauguradas entre 2014 e 2015 para completar aquilo que para todos os efeitos é umparque dentro do parque“,com uma pequena praça e uma estátua comemorativa de Tex com o seu fiel cavalo Dinamite ao centro.

Estátua de Tex Willer e Dinamite

A belíssima Porta de Águia da Noite ao final do dia

Embora não seja um destino “canónico”, o Parco dei Fumetti fortemente desejado pelo Presidente do Consórcio Unitário Torrino-Mezzocammino, Maurizio Nicastro não pode faltar nas peregrinações dos amantes da banda desenhada, em especial fãs de Tex, que podem passar um dia rodeado de nomes que sempre os fizeram sonhar…

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Segue-se em vídeo, parte do discurso de inauguração de Maurizio Nicastro:

As provas do número 1 de Tex Willer Extra

A 3 de Julho será publicada, em Itália, TEX EXTRA, uma nova “colecção” que republicará a primeira grande aventura do jovem Tex Willer. Uma aventura que será dividida em três edições mensais de 80 páginas e cuja história será “O magnífico fora da lei” (“Il magnifico fuorilegge“, no original) de Mauro Boselli (argumentos) e Stefano Andreucci (desenhos) publicada originalmente no Tex Gigante nº 32  e que está completamente esgotado em Itália.

Será uma edição especial, ou melhor três edições (mensais), para este Verão, cujo primeiro título é “La città dei fuorilegge” (“A cidade dos fora da lei“). Será em preto e branco e no formato da série Tex Willer (16×21 cm) e conterá duas páginas inéditas, alguns esboços, novos textos redactoriais e ainda três capas inéditas, todas da autoria de Maurizio Dotti.

O magnífico fora da lei” é um passo fundamental na reconstrução da biografia de Tex, daí considerarmos a reedição como sendo uma iniciativa muito importante e há que elogiar o responsável pela ideia, o curador Mauro Boselli que instado a comentar esta iniciativa disse: “A reedição de “O magnífico fora da lei“, corrigida e revisada, no formato Tex Willer, foi uma ideia minha e terá novas capas de Dotti, pelo que não pode ser considerada uma simples reimpressão, como acontece com outras séries de Tex.

Uma belíssima história da juventude de Tex, com relevo para o primeiro encontro de Tex com Cochise, o famoso chefe dos índios Apaches e que se tornou irmão se sangue do Ranger: Audacioso e solitário, caçado pela lei, Tex cavalga com o seu fiel Dinamite pelos montes selvagens do Arizona. Enquanto procura livrar-se de uma acusação falsa, ele vai desbaratar quadrilhas inteiras de bandidos e comancheros, vai salvar donzelas em perigo!

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Jornal i, de 21 de Junho, apresenta “Tex levanta problemas” a propósito de Patagónia, da Editora Polvo

Jornal i
Texto da secção “Leitor de BD“, de 21/06/2021
Ricardo António Alves

Tex levanta problemas

A narrativa é poderosa, encorpada, sem palha, fugindo aos lugares-comuns, mesmo que aqui e ali possa incorrer em algum anacronismo. 

Passada a fase do saque, escravização e evangelização forçada dos primeiros séculos pelos conquistadores europeus, a atitude genérica em face dos nativos do continente americano passou a ser a da submissão. De preferência com pazes feitas e tratados assinados, naturalmente obliterados à primeira necessidade ou conveniência, pois a colonização a tal obrigava. A partir do século XIX, o Euromundo triunfante começou a pretender “civilizá-los”, desconhecendo ou desdenhando das culturas autóctones de forma profunda, sempre complexas, umas delicadas, outras nem por isso. 

Foi apesar de tudo um progresso: deixou de considerar-se o outro como desigual, não sendo mais eticamente tolerável uma prática de tiro ao índio, visto como selvagem irredutível, ou mesmo semi-homem. 

No entanto, à medida que essas sociedades foram sendo estudadas, ganhava peso, a partir de meados do século passado, uma outra perspectiva, de sinal oposto: os “índios” deveriam ser deixados intocados, à margem do resto da humanidade, descontaminados da dinâmica das sociedades do “homem branco”. Mesmo que bem intencionada, vamos admitir, essa posição, que ainda hoje vence em largos sectores da academia, não apenas pretende parar o vento com as mãos, sendo por isso inútil, como se arroga um outro tipo de superioridade, como se as tribos ali estivessem como sujeitos de observação laboratorial, redundando numa espécie de paternalismo do avesso. 

Esta questão maior – que na literatura portuguesa é tratada com equilíbrio por Ferreira de Castro no seu último romance, O Instinto Supremo (1968) – surge-nos com acuidade no livro de hoje, uma narrativa de Tex, intitulada Patagónia. O ranger, que é simultaneamente chefe navajo, com o nome de Águia-da-Noite, é chamado por um amigo argentino, militar que conhecera no México, e que no seu país pertence a uma das facções que se digladiam, também quanto ao tratamento reservado aos povos nativos: o diálogo, trazendo-os à “civilização”, ou as expedições punitivas contra os insubmissos, neste caso uma parte da tribo pehuenche, pertencentes à nação mapuche.

Trata-se de uma obra maior dos fumetti, os quadradinhos italianos, e um encontro entre um senhor argumentista, Mauro Boselli (Milão, 1953) e um dos grandes desenhadores da BD europeia da actualidade, Pasquale Frisenda (Milão, 1970), resultando num enlace perfeito. A narrativa é poderosa, encorpada, sem palha, fugindo aos lugares-comuns, mesmo que aqui e ali possa incorrer em algum anacronismo, surgindo Tex como personagem densa, sempre guiado pela ética, mas mais rugoso (mais verosímil…), Frisenda, extraordinário no preto e branco como no sfumato, fez uma estupenda leitura gráfica do texto de Boselli, valorizando a trama. O início, o assalto a um fortim, e o fim, uma espécie de Termópilas nas pampas, têm um gosto épico que se guarda na memória. No conjunto, um livro para saborear, vagarosamente. 

Tex – Patagónia
Texto: Mauro Boselli * Desenho: Pasquale Frisenda
Editora Polvo, 2ª edição, Lisboa, 2018

Copyright: © 2021 Jornal i;
Ricardo António Alves

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Os SETE esboços necessários para realizar a capa de Tex Willer n° 31 e ainda o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti

Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o capista tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.

Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 31 de Tex Willer, publicado no passado mês de Maio, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito sete esboços diferentes até dar-se por satisfeito, como poderemos ver de seguida, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores de todos os sete esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como da arte a lápis, da arte a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti.

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Quarto esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Quinto esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Sexto esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Sétimo esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Arte original a lápis para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #31, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #31 – Lo Sciamano dei Crow

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A inspiração de Laura Zuccheri para Tex

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

“The searchers” – “Rastros de Ódio” (Brasil), “A Desaparecida” (Portugal) – Jeffrey Hunter e John Wayne

Um cavaleiro e Tex por Laura Zuccheri

Laura Zuccheri inspirou-se numa cena do filme “The searchers” (“Sentieri selvaggi”, título na Itália; “Rastros de Ódio”, no Brasil; “A Desaparecida”, em Portugal; “La Prisonnière du désert”, em França) ao realizar a ilustração de um cavaleiro e Tex juntos.

No filme, dirigido por John Ford, Jeffrey Stunter e John Wayne interpretam, respectivamente, os personagens Martin Pawley e Ethan Edwards; na ilustração de Laura Zuccheri, os actores são substituídos, respectivamente, por um cavaleiro e pelo ranger Tex Willer.

O artigo com a ilustração dos dois cavaleiros do faroeste e a biografia de Laura Zuccheri, ilustradora, pintora, desenhadora e banda desenhista, foi publicado AQUI no Tex Willer Blog.

“Rastros de Ódio” (“The searchers”, 1956)

É a obra-prima de John Ford. A revista “New York” considerou-o o mais influente filme americano de todos os tempos. O filme foi homenageado por Wim Wenders em “Paris, Texas” e por Martin Scorsese em “Taxi Driver“. “Rastros de Ódio” tem interpretações pulsantes e diálogos antológicos. É uma obra cheia de camadas, talvez seja o filme a que mais vezes assisti na vida; cada vez que o vejo de novo descubro coisas diferentes. Quando “Cidade Baixa“, o meu primeiro longa, foi lançado em Londres, fui convidado por um jornalista do “Daily Telegraph” a participar da coluna Filmmakers on Film, na qual directores falam do seu filme preferido. Eu escolhi “Rastros de Ódio“, que também era o favorito do jornalista. Para comemorar a coincidência, ele convidou-me para fazer um tour pela “cidade baixa” londrina.
Sérgio Machado – Cineasta

Westerns. Cinema Americano por Excelência

Rastros de Ódio”/“The searchers”, EUA, 1956, 119 minutos
Dirigido por John Ford
Com John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles e grande elenco

O centésimo décimo quinto título da filmografia de John Ford é a mais complexa das suas realizações. Extraído de um romance de Alan Le May, “Rastros de Ódio” acompanha a saga obsessiva de um perdedor amargurado que não acredita em rendições. John Wayne, na nona parceria com John Ford, é Ethan Edwards, o texano desgarrado. Derrotado na Guerra de Secessão, ele volta, qual “irmão pródigo”, ao convívio dos seus depois de vagar pelo México. Um ataque dos comanches arranca de Ethan quase toda a família, inclusive a cunhada Martha (Dorothy Jordan), a quem secretamente amou antes de se alistar nas forças confederadas. Sobrevive apenas a sobrinha Debbie (Lana Wood e Natalie Wood), de aproximadamente 10 anos, raptada.

Uma jornada de reconhecimento e perda da alma, com duração aproximada de cinco anos — pontuada de idas e vindas na companhia do sobrinho torto, o mestiço Martin Pawley (Jeffrey Hunter) —, leva o individualista e racista Ethan a uma incansável e interminável procura pelo seu único laço de sangue. O personagem é um equivalente a Ulisses. Mas ao contrário do personagem de Homero, não terá casa ou mulher para voltar. Como se fosse a contra-face do comanche morto que ele profanou e amaldiçoou, ele está condenado a vagar sem rumo certo, entre o vento e a poeira.

Desprestigiado no lançamentoRastros de Ódio” ganhou reconhecimento com a passagem dos anos. Entre os primeiros a enaltecer esse filme está o crítico brasileiro Antônio Moniz Viana. Hoje, conta com fãs ardorosos: Martin Scorsese, Paul Schrader, Steven Spielberg, Curtis Hanson, John Milius, Brian De Palma, Clint Eastwood, Jean-Luc Godard, Wim Wenders, George Lucas, além dos falecidos Lindsay Anderson e Akira Kurosawa.

É o mais complexo dos westerns, protagonizado por um John Wayne assustador, como nunca se viu. Esse actor, tão desvalorizado, tem como Ethan Edwards um dos grandes papéis do cinema. O cenário preferido de John Ford, o Monument Valley, originalmente captado em Technicolor e VistaVision pelas lentes de Winton C. Hoch, assume o posto de locação das mais emblemáticas do cinema. Não é um mero pano de fundo ao desenvolvimento da acção. É cenário vivo, espelho revelador da alma atormentada de Ethan.
José Eugênio Guimarães – Cinéfilo

The searchers – John Wayne e Jeffrey Hunter; Warner Bros – 1956 & Blueberry – Ballade pour un cercueil – Charlier e Giraud; Dargaud – 1974

The Searchers – John Wayne e Jeffrey Hunter; Warner Bros – 1956

“Ballade pour un cercueil”

Jean Giraud realizou a capa de “Ballade pour un cercueil” (“Balada para um Caixão“), álbum publicado em 1974 pela editora Dargaud, inspirado numa cena de “The searchers” (“Rastros de Ódio”, título no Brasil; “A Desaparecida”, em Portugal; “La prisonnière du désert“, em França), filme de John Ford, lançado em 1956, com John Wayne (Ethan Edwards) e Jeffrey Hunter (Martin Pawley) na pista dos Comanches, que haviam raptado duas sobrinhas de Ethan, das quais sobreviveu Debbie Edwards, interpretada por Natalie Wood. Na ilustração da capa do volume 15 de “Blueberry”, Mike Blueberry ocupa do lugar de John Wayne e Jimmy Mc Clure aquele de Jeffrey Hunter.

Fontes
Textos:
*Rastros de Ódio” (“The searchers“, 1956), Sérgio Machado, em O cineasta Sérgio Machado elege os 10 melhores filmes do ‘contraditório e complexo’ John Ford. O Globo, Cultura.
*Rastros de Ódio” – “The searchers”, José Eugênio Guimarães, em Westerns. Cinema Americano por Excelência. Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense – UFF, blog Cine Arte UFF.
*Ballade pour un cercueil” em Inspirações de Charlier e de Giraud para “Blueberry”, artigo do blogue Blueberry.
Imagens:
* A ilustração de um cavaleiro e Tex, cavaleiros do faroeste: Laura Zuccheri.
* Do filme “The searchers” (“Rastros de Ódio”): divulgação.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore
The searchers © Warner Bros

Afrânio Braga

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Entrevista com o fã e coleccionador: Milton Alberto Scherner

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Milton Alberto Scherner: Me chamo Milton Alberto Scherner, nasci na cidade de Crissiumal, estado do Rio Grande do Sul, Brasil no dia 21 de Março de 1962. Trabalhava em casa numa pequena propriedade rural da família e cursava o segundo grau numa cidade vizinha. Em 1980, aos 18 anos de idade, juntamente com minha família nos mudamos para o Distrito de San Cristóbal, Departamento de Alto Paraná, Paraguai, aonde resido ate hoje. Chegamos como imigrantes e começamos a colonizar esta região, que naquela época era uma mata extensa, e assim, trabalhei 7 anos na lavoura, depois me mudei para um outro centro pouco mais distante, porém, na mesma região. Fiz cursos de informática e contabilidade e acabei de trabalhar por 20 anos em uma Cooperativa de Produção Agrícola, na qual também fui sócio diretor por muitos anos, entre outros, gerenciei por 25 anos uma Junta de Saneamento de agua potável, me casei e tenho 3 filhos. Falo e escrevo o espanhol fluentemente! Atualmente planto soja, milho e trigo na minha propriedade, o que se tornou minha fonte de renda principal.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Milton Alberto Scherner: Quando na minha infância eu comecei de ir na escola nos anos 70, havia na biblioteca revistinhas em quadrinhos que falavam de todas as modalidades olímpicas, onde os alunos eram incentivados a ser vencedores!!! Estas revistas a gente podia ler quando em dias de Educação Física, chovia! Como era uma época aonde a gente nem pensava em TV e tampouco tínhamos energia elétrica, acredito que foi isso que fez nascer minha paixão por banda desenhada! Como era difícil comprar uma edição nova de qualquer revista e com uma renda reduzida, passei a emprestar revistas, comecei a gostar tanto, que eu remediava isso relendo dez ou mais vezes cada história das que conseguia emprestada.

Quando descobriu Tex?
Milton Alberto Scherner: Foi por acaso, tinha uma coleguinha de escola que começou a me emprestar gibis para ler, me emprestava um, outra semana outro, e assim adiante, era Tio Patinhas, Pato Donald, Tarzan, Zé Carioca, um certo dia ela me convidou de ir na casa dela, e que poderia escolher o que queria!! Cheguei lá…. Nossa! Ela tinha duas caixas de sapatos cheios de gibis!! Levei todos, e no meio delas veio um gibi desconhecido por mim, sem capa, deixei para ler por último, simplesmente me apaixonei pela revista, ele representava em desenho toda a imaginação que eu tinha ao ler Bolsilivros de Faroeste, dos quais também era fã, o Tex que eu tinha encontrado era o Tex nº 9 “O Louco do Deserto”, primeira edição!

Porquê esta paixão por Tex?
Milton Alberto Scherner: A princípio o que mais me cativou foi a parte visual para contar suas aventuras, por outro lado sempre fui fascinado pela história e geografia, e em Tex, embora as aventuras sejam fictícias, algum facto histórico sempre está presente, um exemplo é a luta constante de Tex contra o genocídio indígena no continente americano e outro é a vida dos pioneiros, por outro lado, as histórias de Tex sempre dão grande destaque para a atmosfera e para a ação, aos valores morais, para a amizade e a honestidade, e contudo, as histórias sempre terminam com grande senso de justiça.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Milton Alberto Scherner:
Embora haja sempre um clima de parceria e amizade entre Tex e seus pards, o roteiro não procura instaurar o lado cómico para te prender na leitura, Tex segue sempre uma linha agradável de diálogo, onde os defeitos ou virtudes dos 4 parceiros se encaixam perfeitamente no enredo da história, são estas coisas que dão mais vida às aventuras!

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Milton Alberto Scherner: Quando morava no Brasil, minha situação financeira não me permitia ter muitas edições, deveria ter uns 20 exemplares próprios, os quais eu perdi no tempo, mas, as aventuras publicadas até 1980 consegui ler quase todas. Como no Paraguai a revista Tex não é publicada, entre os anos 1981 a 2000 cheguei a ter 60 exemplares os quais eu comprava aleatoriamente em Foz do Iguaçu, que fica a 130 km da minha cidade. Estas revistas novamente, não sei porquê, acabei presenteando elas para um parente meu! Mas em 2001 entrei em uma livraria na Cidade de Santa Rita, que fica a 60 km, vi muitas revistas de Tex que alguém tinha deixado pra vender, naquele momento decidi retornar a minha coleção, e assim comprei uns 100 exemplares, atualmente tenho 920 revistas entre Edição Normal, Tex Ouro, Tex Anual, Edição Histórica, Tex Almanaque, Tex Especial de Férias, Tex Coleção e Minissérie. Na importância para mim todas são especiais, mas sempre digo, que são aquelas que são o último lançamento.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Milton Alberto Scherner: Apenas coleciono livros, no Paraguai se torna muito difícil o acesso a coisas que dizem respeito à Revista Tex. Mas também coleciono em conjunto a revista Zagor, sendo que somente uma parceria, quem é fã incontestável delas é o meu sobrinho Magnus. Temos 400 exemplares! Coleção completa.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Milton Alberto Scherner: Nunca parei para pensar, mas tive uns chaveiros de Tex, mas a curto prazo é dar continuidade na minha coleção!!!

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Milton Alberto Scherner: É muito difícil definir qual a melhor, por que praticamente li todas as histórias, não quero escolher nenhuma em particular, mas sim, mencionar duas histórias que cheguei a levar 10 anos para ler a segunda parte, são antigas, mas não saem da minha mente, que são: Tex 48 – O DESFILADEIRO DA MORTE & Tex 49 – A PONTE TRÁGICA e Tex 68 – CAÇADA HUMANA e Tex 69 – JUSTIÇA PARA UM CARRASCO. Desenhista: Amo a arte de Fernando Fusco e Argumentista vou com o Giovanni Luigi Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Milton Alberto Scherner: Mais, tudo, as capas, os desenhos, o diálogo dos parceiros. Claro que gosto das grandes aventuras com drama e investigação, mas de vez em quando gosto uma aventura a sós de Tex, somente ele sendo o Justiceiro, e de que eu não gosto, ou melhor, não sou tão chegado é no Tex Colorido.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Milton Alberto Scherner: Tem muitas características que fazem de Tex um verdadeiro ícone, vejamos, Tex foi se lapidando e melhorando no decorrer dos anos sem deixar de ser um símbolo de uma época, ele sempre manteve-se como um rígido defensor e justiceiro de grupos considerados minoritários no velho Oeste, entre os quatro pards, cada um tem sua identidade, Carson com suas manias, Jack Tigre com as habilidades indígenas bem aprimoradas e Kit Willer sempre muito decisivo igual o pai, o grupo é unido e tem como ponto alto a camaradagem entre eles, mas Tex sempre é a ultima palavra nas decisões a serem tomadas, Tex nos faz passar a ideia de que sempre consegue antecipar ou prever a mentalidade criminosa da maioria dos seu adversários, e isto tem sido uma constância com exatidão e fidelidade, afinal, os textos e os desenhos são extremamente inteligentes e que fazem que o leitor estivesse participando de cada aventura com este tição dos infernos… kkkk

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Milton Alberto Scherner: Não, nunca pude ter o prazer de me encontrar com um colecionador, a não ser com meu sobrinho Magnus Weber que me tem ajudado muito nas compras da Mythos Editora! Mas venho mantendo contatos constantes com Colecionadores e Vendedores ao mesmo tempo, comecei a me comunicar por internet em 2015 com o Pard Luciano Alflen, que vive em Seara, Santa Catarina! Ele tem me fornecido muitos Tex pra minha coleção. Este ano Luciano me Indicou outro Pard, para eu poder novamente comprar meus livros restante, o senhor Carlos Ramalho, colecionador e dono da Texas Ranger Gibiteria, da Cidade de Indaiatuba, São Paulo, de quem estou comprando revistas para ir completando minha coleção! Por último conheci o pard Otavio Fernando Antoniolli Lanner, colecionador, de Campo Mourão, Paraná, por indicação de um sobrinho meu começamos uma ótima amizade e inclusive o Otavio me indicou para o TEX WILLER BLOG, para esta entrevista!!!

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Milton Alberto Scherner: Vejo um futuro ainda muito promissor, teve uma época que pensei que a saga do personagem Tex poderia ter um fim, nos últimos anos surgiram muitos argumentista e desenhistas todos seguindo o estilo Bonelli, e acredito que nunca vai parar, e as histórias realmente são muito boas, no Brasil Tex está bem difundido, existem Fã Clubes, Blogues, páginas no Facebook por toda parte, sendo que no Paraguai são muito raros os colecionadores, e acredito que não tem editoras interessadas em lançar gibis do Tex, mas isto pouco interfere na imagem mundial do Tex.

Prezado pard Milton Alberto Scherner, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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O processo de colorização (digital) da capa variante da Revista #14 do Clube Tex Portugal

A revista do Clube Tex Portugal, devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, neste seu DÉCIMO QUARTO número, a publicar neste mês Junho, conforme já foi anunciado, terá uma vez mais, DUAS versões para a sua capa, ambas da autoria de STEFANO ANDREUCCI, consagrado desenhador do staff oficial do Ranger.

Depois de recentemente termos dado a conhecer a colorização (pintura manual da autoria de Sérgio Streiechen) da capa principal, hoje vamos mostrar o processo de colorização digital da CAPA VARIANTE, através das cores (digitais) de João Marin:

A arte a preto & branco de Stefano Andreucci para a ilustração da capa variante da Revista #14 do Clube Tex Portugal

A capa variante da revista nº 14 do Clube Tex Portugal com a deslumbrante arte de Stefano Andreucci já com as cores digitais de João Marin

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O HOMEM DAS PISTOLAS DE OURO – O segundo volume de Tex editado pela editora A Seita estará à venda a partir de 23 de Junho

* A partir de dia 23 de Junho, à venda em bancas e disponível para encomendas directas na editora, o segundo volume de Tex editado por A Seita: O HOMEM DAS PISTOLAS DE OURO

Tex- O Homem das Pistolas de Ouro; A Seita

Durante a guerra com o México, o exército americano pede ajuda aos Texas Rangers contra os guerrilheiros de Juan Gonzales. Vinte anos mais tarde, um fantasma regressado do inferno vai assassinando, um após outro, todos os que o perseguiram e mataram os seus irmãos. Um assassino cruel, armado com duas pistolas de ouro, cujo brilho é uma verdadeira sentença de morte. E na sua lista está Kit Carson, que cavalga ao lado de um jovem Tex Willer, num crescendo de sangue e violência.

Tex; O Homem das Pistolas de Ouro – Página 6

Mais uma aventura escrita por Pasquale Ruju, mas desta vez com desenhos da estrela internacional r.m. Guéra, que oferece aqui a sua interpretação pessoal do ranger mais famoso da banda desenhada, servido pelas cores de Giulia Brusco. Com O Homem das Pistolas de Ouro, o leitor, tal como no álbum anterior, é transportado até à fronteira do Rio Grande, onde Juan Gonzales parece ter regressado do inferno para acertar umas contas em atraso com um grupo de rangers, entre os quais Kit Carson. Um a um, todos vão caindo, assassinados sem apelo por um homem que não perdoa, e cuja única motivação é a vingança. Um belíssimo western que vem provar as inesgotáveis capacidades narrativas que a personagem de Tex pode oferecer, mesmo decorridas mais de sete décadas desde a sua criação.

Tex; O Homem das Pistolas de Ouro – Página 8

A edição d’A Seita apresenta uma belíssima capa diferente da edição original, e é enriquecida com um caderno de extras onde se destacam desenhos e estudos de r.m. Guéra, expressamente enviados pelo desenhador para este álbum, assim como um artigo sobre a génese desta história escrito em exclusivo por Pasquale Ruju.

Tex; O Homem das Pistolas de Ouro – Página 9

56 páginas a cores, capa dura, formato 20 x 28 cm
ISBN 978-989-53150-2-4
PVP: 14€

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A revisão final do Tex Gigante desenhado por Giampiero Casertano, com lançamento este mês

É já neste mês de Junho, mais precisamente no dia 22, em pleno Verão europeu, que teremos, na Itália, o habitual Albo Speciale de Tex, popularmente designado por Texone (Tex Gigante) e a edição deste ano é desenhada pelo consagrado desenhador Giampiero Casertano, artista italiano que já desenhou uma história de Tex (Os suspeitos; Tex Especial Colorido #4)  e que agora regressa numa das mais prestigiadas colecções do Ranger. O autor dos textos é Pasquale Ruju.

Capa do Albo Speciale de Tex nº 37

Em homenagem à sua Pátria derrotada chamaram Old South à cidade construída nos limites do território Apache… Mas os antigos soldados do Sul não têm de defender-se apenas da ameaça dos índios. Há um inimigo mais subtil e terrível entre eles: a ganância, que arrisca em colocar os antigos companheiros de armas uns contra os outros…

Albo Speciale de Tex nº 37 – Old South

O editor Mauro Boselli já está a proceder à revisão final do Albo Speciale #37, intitulado “Old South“, como podemos constatar nas várias fotografias que damos a conhecer hoje devido ao facto de Boselli as ter tornado públicas no seu Instagram…

Uma guerra sem heróis, de Graziano Frediani

Albo Speciale de Tex nº 37 com desenhos de Giampiero Casertano

Albo Speciale de Tex nº 37 com desenhos de Giampiero Casertano

Ilustração original da capa do Albo Speciale de Tex nº 37 da autoria de Giampiero Casertano

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