Tex e Eu: O Casamento de uma Filha

Por José Carlos Francisco (texto) e Renato Fernandes Curifoto (fotografias)

O casamento de uma filha (Andreia Sofia) é realmente um momento muito especial, que vivi recentemente, mais precisamente no dia 1 de Maio de 2021 – o primeiro realizado em Anadia, pelo pároco António Manuel Torrão da Cruz, nestes tempos pandémicos, após autorização do Governo para haver casamentos embora com as devidas restrições – com muita emoção e felicidade na companhia da minha esposa Fátima Francisco e da minha filha mais nova, a Ana Beatriz, para além da companhia de dezenas de familiares e amigos, onde também o Tex (personagem de banda desenhada nascido, em 1948 na Itália, pela mente brilhante de Gian Luigi Bonelli e pela arte mágica de Aurelio Galleppini) e a Direcção do Clube Tex Portugal estiveram presentes, já que a família Tex é também a família da minha filha, já que ela nasceu e foi crescendo tendo sempre presente o Tex em casa, mas também participando de eventos ao longo dos seus 27 anos de vida, fossem eles realizados em Portugal, ou no estrangeiro, acompanhando-me e estando sempre ao redor dos inúmeros autores do mítico personagem da Editora Bonelli que visitaram Portugal ao longo dos anos.

Tex e Eu – Andreia Sofia Francisco

Nesta celebração tão especial, sendo eu Presidente do Clube Tex Portugal e tendo a Andreia como muitos dos seus principais amigos os directores do Clube Tex, foi com natural satisfação e até com orgulho que vi a Direcção do Clube estar presente em peso, nas pessoas dos directores Carlos Moreira, Mário João Marques e Orlando Santos Silva, todos eles acompanhados das suas simpáticas e lindas esposas, num dos dias mais importantes e felizes da minha vida, provando uma vez mais que Tex está sempre presente na minha vida e na vida dos meus familiares mais chegados.

Mário João Marques, José Carlos Francisco, Carlos Moreira e Orlando Santos Silva, directores do Clube Tex Portugal com os noivos Luís Dias e Andreia Sofia

Mas voltando ao casamento em si, foi um momento perfeito para ser preenchido com sentimentalismo, nostalgia e deitar algumas lágrimas, porque os pais também choram já que houve tantas emoções no ar que nenhum pai consegue ficar indiferente e acaba por se emocionar, como foi o meu caso sobretudo quando os seus “meninos” entraram na Igreja para uma homenagem tão sentida, linda e emocionante à sua Educadora Andreia Sofia.

O matrimónio de Luís Dias e Andreia Sofia na Igreja Paroquial de Arcos – Anadia

É grande o orgulho que um pai sente ao levar a filha ao altar, embora se sinta um vazio, sentindo a perda de algo que esteve ligado a nós durante muitos anos, mas é o ciclo da vida. Mas felizmente esse sentimento de perda não é tão grande porque a minha filha reside próximo da minha casa e juntamente com o seu esposo, visita-nos e certamente continuará a visitar-nos com bastante assiduidade.

Directores do Clube Tex Portugal e respectivas esposas no casamento de Luís Dias e Andreia Sofia

Foram muitas emoções para um único dia. Senti-me completamente realizado!
Obrigado Andreia por seres a filha tão especial, tal como a tua mana Ana Beatriz, que ilumina a minha vida!
Que o amor que vos uniu (Andreia Francisco e Luís Dias) permaneça para sempre nos vossos corações!
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Giovanni Ticci: uma vida a desenhar

Por Italo Marucci*

Giovanni Ticci: uma vida a desenhar – Italo Marucci na revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Ninguém melhor do que Giovanni Ticci sabe como interpretar a figura dos homens do Oeste, ninguém melhor do que ele sabe como inserir numa história a personagem de Tex Willer e dos outros protagonistas, encontrando a expressão certa, ajudado por uma grande experiência e cultura pessoal, em harmonia com os inúmeros estímulos visuais que derivam do conhecimento que tem da realidade da fronteira e de uma análise profunda dos ambientes que rodeiam Tex.

Desenhador extremamente atento e preciso, Giovanni Ticci tem como tema exclusivo da sua expressão artística o Oeste. Os seus desenhos adquirem um novo significado no âmbito da ilustração: contornos e formas destacam-se da folha branca, libertam-se e crescem visivelmente na imagem. Se bem observado, não se trata apenas de um regresso à ilustração moderna, sem transição, antes de uma nova descoberta da figuração que, de forma harmónica, nasce do traço. Deste modo, na obra gráfica de Giovanni Ticci a figura, entendida como forma humana, nunca é pré-estabelecida, não é fruto de um estilo, é uma forma que brota da experiência criativa. Porque nos quadradinhos de Ticci tudo é pensado, meditado, medido por um metro perfeito que guia a inspiração do artista.

Giovanni Ticci e Tex

Giovanni Ticci é desenhador e aquarelista com resultados expressivos de igual intensidade e felicidade. O estilo pessoal não revela nenhuma predileção por traços cruzados, os quais utiliza muito pouco. Os traços do rosto servem para evidenciar o caráter da personagem. Algumas vezes, a busca de tonalidades resulta numa luminosidade que suaviza o jogo dos claros-escuros.

A história da arte é, sobretudo, a história dos artistas. No que diz respeito aos artistas da banda desenhada, uma perniciosa e massiva campanha de nivelamento, empenhada em diminuí-los, objetivamente retirou-lhes esses dons naturais de intuição, de instinto, de impulso emotivo e de genialidade, próprios de muitos desenhadores italianos.

A busca gráfica de Giovanni Ticci é sempre tão alargada que pode ser continuamente percorrida e projetada para além da trajetória de uma aparente conquista definitiva, mesmo quando o traço se torna mais alegre e vivo e parece conter um grande número de soluções e de imagens. A verdadeira grandeza de um ilustrador, no desenho, deve ser procurada na arte-final, tão essencial. O desenho é a linguagem pessoal de Ticci: aqueles traços rápidos e fortes, os contornos enigmáticos dos rostos e dos corpos, as formas particulares das árvores e das rochas contam histórias de uma época. Os rostos marcados dos homens, os olhos, o arco da boca, são testemunhos que superam a interpretação do texto e nos oferecem ilustrações de extraordinário relevo e potência.

Nos dias de hoje, quando se assiste a uma gradual reabilitação da ilustração e da banda desenhada num ambiente favorável observa-se um tímido interesse de museus e galerias por esta forma artística. Ingres dizia que “o desenho é a honestidade da arte“: Giovanni Ticci nunca deixou de acreditar nesta premissa. A sua obra gráfica (nas páginas de Tex) deve ser considerada, não como um exercício que se encerra em si mesmo, mas como o núcleo de uma busca integrada, na qual a intuição gráfica torna-se no meio para uma narrativa por vezes complexa, mas sempre fluída, discursiva e agradável, onde a experimentação se transforma numa refinada expressão artística.

Giovanni Ticci: uma vida a desenhar Tex

* Texto do saudoso Italo Marucci publicado originalmente na Revista nº 2 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2015.

Pedro Mauro com a Revista (e o póster) do Clube Tex Portugal

Pedro Mauro Moreno Dias, ou simplesmente Pedro Mauro é, na actualidade, um dos principais desenhadores brasileiros de banda desenhada e depois de ter sido “descoberto”, em 2014, no Facebook pelo argumentista italiano Gianfranco Manfredi, foi convidado para desenhar Adam Wild, uma série escrita pelo autor que também é uma das referências em Tex. 

Pedro Mauro no seu estúdio

Em 2017 Pedro Mauro fez o seu segundo trabalho para a Sergio Bonelli Editore, ilustrando Mugiko para a colecção Le Storie, uma história de espionagem, também escrita por Gianfranco Manfredi. Em 2019, uma vez mais a convite de Manfredi, Pedro Mauro desenhou para Bonelli quatro números da nova série intitulada Cani Sciolti

Pedro Mauro e a sua fantástica arte

Com toda a grande repercussão, sucesso e reconhecimento do artista brasileiro, pelos seus esplêndidos trabalhos na consagrada editora italiana, há uma grande expectativa de que o Pedro Mauro possa ser o primeiro brasileiro a desenhar Tex, ele que inclusive possui uma arte magistral muito apreciada por Mauro Boselli, o editor de Tex, como o próprio editor italiano confirmou aquando do recebimento da Revista #13 do Clube Tex Portugal, que dedicou um amplo espaço ao Pedro Mauro e à sua carreira, retribuindo por sua vez o artista brasileiro com a realização de um fantástico póster de Tex que veio como brinde na revista.

Mauro Boselli, Gianfranco Manfredi e Pedro Mauro na redacção da Sergio Bonelli Editore

Pois bem, Pedro Mauro já recebeu em mãos, no Brasil, a dita revista, assim como o magnífico póster, como o mesmo deu a conhecer publicamente na sua página no Facebook, onde teceu rasgados elogios à Revista do Clube Tex Portugal:

Voltando a falar do Ranger, à pergunta “E o Tex? Um desejo? Gostava de desenhar nem que fosse apenas uma história?“, Pedro Mauro respondeu da seguinte forma: “O Tex, para quem gosta do western, é uma grande personagem, com mais de 70 anos. Todos gostam! Eu não o acompanhava em criança, porque na região onde eu vivia não chegava a revista. Mas eu vim a conhecer Tex depois em São Paulo. Eu visitava as bancas, folheava as revistas e comprava a partir do desenhador, pois não havia dinheiro para tudo. Ortiz e De La Fuente para mim eram muito bons, não por serem os melhores, mas porque tinham um estilo mais parecido com o meu. Claro que todo o desenhador que gosta de western tem vontade de desenhar Tex, claro. Mas isso quem decide é a editora.

Pedro Mauro exibe orgulhosamente a Revista #13 do Clube Tex Portugal e o seu póster de Tex inserido na publicação lusitana

Ilustração de Tex realizada por Pedro Mauro para póster da Revista do Clube Tex Portugal

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Entrevista com o fã e coleccionador: Eduardo Dias Gouvea

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu?
O que faz profissionalmente?

Eduardo Dias Gouvea: Meu nome é Eduardo Gouvea, nasci em Maio de 1981, em Osasco, cidade que fica ao lado de São Paulo. Desde o final da década de 1990 trabalho com jornalismo desportivo e há 20 anos moro em Sorocaba, a 90 quilómetros de São Paulo. Atualmente tenho um canal sobre futebol no Youtube (Eduardo Gouvea) e edito os sites Gazeta do Futebol e SuperFutebol. Em Dezembro criei o canal “Resenha do Gibi” onde externo opiniões sobre histórias em quadrinhos, com bastante ênfase às histórias do Tex e da editora Bonelli.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Eduardo Dias Gouvea: Antes mesmo de eu aprender a ler e escrever as revistas em quadrinhos já me chamavam a atenção e quando foi alfabetizado comecei a ler gibis da Turma da Mônica e derivados. Em 1994 um programa de televisão infantil chamado “TV Colosso” iniciou a exibição dos desenhos animados dos X-Men. A animação fez muito sucesso entre os brasileiros e motivou uma reportagem sobre o aumento das vendas de gibis por conta disso. Como eu gostava muito do desenho decidi ir nas bancas de jornais atrás das revistas para conhecer um pouco mais sobre os personagens. Foi aí que a paixão explodiu pra valer e lá se vão quase três décadas.

Quando descobriu Tex?
Eduardo Dias Gouvea: Descobri Tex por volta de 1994, quando um amigo de escola, Cleiton Martins, tinha várias revistas e me emprestou algumas para eu ler. Logo de cara as histórias, a narrativa e a intensidade das aventuras me prenderam a atenção. Passava horas lendo e pedia mais emprestadas.

Porquê esta paixão por Tex?
Eduardo Dias Gouvea: Eu gosto muito do estilo da narrativa das histórias, sempre envolventes e com desfechos inesperados. Elas nos retrataram também um pouco do que era a vida na América do Norte no século XIX.
Outro ponto positivo é que as sagas são independentes e raramente influenciam sagas futuras. Isso facilita para um novo leitor que pode começar a ler, sem maiores problemas, qualquer história do personagem sem que as mesmas estejam “amarradas” a acontecimentos de sagas anteriores. Dificilmente o que aconteceu na história anterior influenciará na próxima.
Diferente de personagens de outras editoras, o Tex sempre foi aquilo desde o começo e não precisou se moldar para agradar novas gerações. A gente pode ler com a segurança de que lá na frente não vamos ser surpreendidos pelo facto de que ele era um bandido se passando por mocinho o tempo todo como já vi acontecer em outros universos.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Eduardo Dias Gouvea: Uma das coisas que me incomodam em personagens de outras editoras é que de tempos em tempos os roteiristas querem reinventá-los. Como, por exemplo, chegam ao ponto de dizerem que tudo que você conhecia sobre determinado herói é falso ou ainda quando outra pessoa assume a identidade do herói, um vilão passa a ser do bem e um herói agora é do lado mau. Também há casos, como o do Professor Xavier, que já morreu umas dez vezes e sempre volta. Nunca gostei desse tipo de reviravolta.

Tex desde do início foi o Tex e continuará sendo. Suas características não mudam e ele também não passa por transformações radicais. Mesmo assim as histórias seguem fascinantes e surpreendentes.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Eduardo Dias Gouvea: Minha coleção não é ainda tão robusta se comparada a de outros colecionadores. No total, contando todos os personagens e editoras, tenho cerca de 150 revistas, mas venho comprando todo mês.

Do Tex, especificamente, tenho quase 50, porém algumas muito especiais, como a Tex Coleção nº 01 e a Tex Edição História também nº01, que trazem em ambas as primeiras aventuras do personagem. Agora com o canal no Youtube onde toda semana falo de uma edição, a tendência é esse acervo aumentar bastante nos próximos meses.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Eduardo Dias Gouvea: 
Eu foco mais nas revistas e livros, até porque na cidade que moro não há muitas coisas de Tex para comprar.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Eduardo Dias Gouvea: Sempre gostei daquele lenço que ele usa no pescoço. Bem que poderia entrar na moda em alguma época. (…risos…)

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Eduardo Dias Gouvea: Uma que eu já devo ter lido quatro vezes ou mais foi “A Cidade Corrompida” (no Brasil saiu em Almanaque Tex nº 34). É uma história que se passa em Nova Orleans e Tex e Carson têm que colocar fim ao Bando do Rio. “Oklahoma!”, que li na década de 90 também é fantástica. “O Braço Longo da Lei”, que saiu recentemente na Tex Platinum nº 13 é bem legal. Outra que destaco é “O Passado de Tex” quando o próprio conta suas origens e “A Quadrilha dos Dalton”.
Sobre os desenhistas, gosto muito do trabalho do Fabio Civitelli e do Galleppini.
Citar como roteirista favorito o Gian Luigi Bonelli é, como se diz no Brasil, “chover no molhado”. Não há como não se referir a ele quando questionado a respeito. Fora ele, gosto muito dos textos do Mauro Boselli e do Antonio Segura. Outro que também me agrada é o Gianfranco Manfredi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Eduardo Dias Gouvea: Me agrada muito de quando ele é sarcástico em algumas situações, quando mesmo estando em perigo, o ranger não perde a oportunidade de dizer algo que no faz cair no riso. Isso traz equilíbrio em histórias que às vezes tendem a ser tensas. Com relação à arte, os desenhistas não precisam apelar para traços muito violentos ou chocantes para transmitir ao leitor toda a dramaticidade e tensão de um determinado momento. Mesmo em histórias coloridas, não há sangue jorrando do corpo dos personagens e isso é muito bom.
É difícil achar algo que não agrada, mas teve uma história que o Tex foi muito precipitado em uma situação na qual ele decidiu agir quando o melhor seria ficar escondido e isso causou a morte de pessoas inocentes. Teve outra história que no final ele matou um pistoleiro de aluguel que passou praticamente o tempo todo protegendo a ele e um amigo seu. Pelo menos isso mostra que Tex não é infalível e até mesmo o maior ranger das HQs pode tomar decisões erradas.
Com relação ao roteiro, há histórias que se alongam por demais e os desfechos, que poderiam ser mais explorados – como por exemplo o confronto final com o chefe de um bando –, tendem a ser resolvido em poucos quadros.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Eduardo Dias Gouvea: Seus princípios morais, o facto de nunca se corromper e sempre passar grandes valores como honestidade, companheirismo, justiça. Há situações, em que se coloca em grande risco para não ter que quebrar esses valores. Tudo isso, como já mencionei, com uma pitada de humor sarcástico.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Eduardo Dias Gouvea: Nunca tive a oportunidade de participar de um encontro com outros colecionadores. Mas espero que em breve isso possa ocorrer.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Eduardo Dias Gouvea: Em termos editoriais eu vejo as revistas do Tex como sendo uma das últimas referências das histórias em quadrinhos “raiz”, das histórias impressas em preto e branco onde o talento do artista se sobressai a recursos de computação gráfica. Em um mundo cada vez mais digitalizado, elas ainda nos darão o prazer de sentir o cheiro da tinta ainda fresca no papel jornal.
Sobre o personagem em si, eu vejo ele quebrando as barreiras do tempo e chegando aos 100 anos com a jovialidade de um garoto. Espero que ele sempre mantenha esse perfil.

Prezado pard Eduardo Dias Gouvea, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Vídeo: Inspiração Literária com Pasquale Ruju

No sábado passado, dia 8 de Maio, Fernanda Martins e Camila Boanova, da Colligare (veja mais sobre a Colligare clicando AQUI!) tiveram a honra e o prazer de conversar em uma live no Instagram com o nosso conhecido escritor Pasquale Ruju.

A conversa foi muito agradável, onde o escritor falou sobre as técnicas que usa para escrever as histórias de Tex. Além disso, Pasquale também comentou sobre a diferença que existe entre escrever para a banda desenhada e escrever romances. O argumentista de Tex também se aventura nesse ramo, tendo já quatro romances publicados.

Para finalizar, Pasquale nos transportou um pouco à sua terra natal, a Sardegna, palco também dos seus romances, contando-nos sobre a cultura e gastronomia da ilha. Tudo isto pode ser apreciado no vídeo que damos a visualizar de seguida, tanto na versão publicada no Youtube, como na versão publicada no Instagram, ambas com tradução simultânea em Português, pela nossa conhecida tradutora do Tex na Holanda, Fernanda Martins:

Blueberry e Tex por Alessandro Bocci

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Blueberry e Tex por Alessandro Bocci

Alessandro Bocci

Alessandro Bocci vive e trabalha em Monteroni d’Arbia, vilarejo a 16 quilómetros de Siena, Itália, onde nasceu em 30 de Agosto de 1965. Diplomado agrimensor em 1984, desenvolve a profissão como decorador de interiores de lojas de vestuário junto à empresa Tecna. Em 1986 e em 1988, vence as resenhas nacionais do humorismo, realizadas em Siena, com vinhetas sobre o Palio. Em 1994, entra na editora Star Comics como desenhador para o personagem Lazarus Ledd.

Como histórias completas de Lazarus Ledd, todas sobre textos de Ade Capone, ele desenha:
N° 16 “L’onore e la spada

N° 22 “Faccia a faccia
N° 28 “Energia alfa
N° 38 “La foresta dei misteri
N° 39 “Scontro finale
N° 50 “Missione impossibile”.

Ele colabora na realização dos números 89 e 151, o último da série. Colabora também na realização do n°2 “Lazarus Ledd Extra” – nº 10 e nº 12 – todos sobre roteiro de Ade Capone. Desde o número 18, torna-se capista do título “Lazarus Ledd” realizando o total de 90 capas entre a série regular e especial.

Para a editora Liberty, de Ade Capone, Bocci desenha várias capas relativas às séries por ela publicadas – “Erinni”, “Il potere e la gloria”, “Kore One”.

Em 1997, a revista “Fumo di China” atribui-lhe o prémio de melhor jovem desenhador italiano.

Em 1997, realiza, para a Marvel Itália, uma história de Conan, o bárbaro para a colecção “Conan il Conquistatore”.

Em Junho de 2001, contactado por Mauro Boselli, entra no staff de “Dampyr” para a editora Sergio Bonelli Editore. Histórias desenhadas para “Dampyr”:
N°31 “Il mare della morte”, roteiro de M. Boselli

N°46 “Il castello di barbablù”, roteiro de M. Boselli
N°62 “I dannati di Praga”, roteiro de M. Boselli
N°75 “Lo sposo della vampira”, roteiro de M. Boselli
N°97 “Notte e nebbia”, roteiro de M. Boselli
N°98 “L’armata della morte”, roteiro de M. Boselli
N°102 “Gli spettri del Takla Makan”, roteiro de M. Boselli
N°115 “Sfida alla Temsek”, roteiro de D. Cajelli
N°129 ”Il tempio sull’himalaya”, roteiro de L. Mignacco
N°153 “Terra di nessuno”, roteiro de M. Boselli
N°177 “Scomparsi”, roteiro de M. Boselli
N°178 “I vagabondi dell’infinito”, roteiro de M. Boselli

Em 2000, ele realiza o storyboard para o filme “Laura non c’è” trazido da canção de Nek.

Em 2001, vence o prémio INCA – Italian Internet Comics Academy – de melhor capa do ano com “Lazarus Ledd Extra” nº 14 “Il cavaliere di san Giorgio”.

Em 2003, com a primeira história para “Dampyr”, ele vence o prémio Cartoomix-if de promessa da história da banda desenhada italiana.

Em 2004, realiza para a Contrada Sovrana dell’Istrice a história da última vitória do palio de Siena, em história de banda desenhada, de título “Senza Tempo”.

Em 2004, realiza a capa do último CD musical de Max Pezzali, “883”.

Em 2004, realiza duas capas da versão italiana de “Magical Mistery Moore”, editora Star Comics, de Alan Moore.

Em 2005, com a história de “Dampyr”, “I dannati di Praga”, Bocci vence o prémio Fumo di China de melhor história realística do ano.

Em 2007, no Lucca Comics, inspirado pelos vampiros inimigos de Dampyr sai – por ele mesmo produzido – o portfólio “I maestri della notte”, edição esgotada.

Em 2007, ele foi contactato pela editora francesa Soleil para a qual realiza, na colecção “Hanté”, uma história em volume cartonado de título “Fontainebleau – la casa di sangue” sobre roteiro de Christophe Bec.

Em 2008, no Lucca Comics, sai o seu portfólio “I maestri della notte II”.

Em 2009, no Lucca Comics, sai o seu portfólio “I maestri della notte III”.

Em 2010, ele realiza, para a editora If Edizioni, seis novas capas para a reedição de “Lazarus Ledd”.

Ainda em 2010, Alessandro Bocci foi escolhido pela editora francesa Soleil para substituir nos desenhos, na série “Prométhée”, Chisthophe Bec. Ele realiza o 3º e o 4º episódio. Também em 2010, foi contactato pela editora francesa Glénat para realizar uma história em dois números dedicados ao explorador amazónico Percy Fawcett.

Em 2014, entra a fazer parte do staff de “Tex”, sempre para a editora Sergio Bonelli Editore, para a qual  realizou duas histórias breves: “Il mescalero senza volto” para o “Color Tex” nº 10 e “Maria Pilar” para o “Tex Magazine” nº 1. Para a série regular Bocci desenhou os números 701 “La regina dei vampiri” e 702 “Il tempio nella giungla”.

Actualmente, está a trabalhar numa história dupla, sempre para a série regular de “Tex”, sobre roteiro de Mauro Boselli.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Blueberry, o irmão francês de Tex.” – Sergio Bonelli, editor e argumentista

Agradecimentos a Alessandro Bocci pelo desenho de Blueberry e Tex, lendas do Oeste, para o blogue.
Afrânio Braga

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Os três esboços necessários para realizar a capa de Tex Willer n° 30 e ainda o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti

Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o capista tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.

Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 30 de Tex Willer, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito três esboços diferentes até dar-se por satisfeito, como poderemos ver de seguida, com a particularidade do esboço eleito ter sido precisamente o último, embora com uma mudança de posição da mão esquerda, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores  de todos os três esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como da arte a lápis, da arte a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti devido à gentileza do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #30, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #30, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #30, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #30, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #30, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #30, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #30 – Blizzard!

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A contracapa da revista nº 14 do Clube Tex Portugal terá uma ilustração de ALESSANDRO PICCINELLI dedicada aos amigos do Clube Português

A revista do Clube Tex Portugal, devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, neste seu próximo DÉCIMO QUARTO número, a publicar no mês de JUNHO, terá, uma vez mais, DUAS versões para a sua capa, ambas da autoria de STEFANO ANDREUCCI, consagrado desenhador do staff oficial do Ranger, mas sobre as DUAS capas (a principal e a variante) para a revista nº 14 do Clube Tex Portugal, falaremos mais adiante!

Mas Stefano Andreucci não será o único autor do staff de Tex a contribuir e valorizar este 14º número de uma revista já fadada ao sucesso e que ficará cada vez mais na história de Tex em Portugal (e não só), pois também Moreno Burattini, Fabio Civitelli, os irmãos Raul Cestaro & Gianluca Cestaro e Alessandro Piccinelli, todos eles dos mais apreciados autores de Tex Willer vêm enriquecer este projecto editorial, mas hoje o destaque vai para ALESSANDRO PICCINELLI que desenhou para a contracapa da revista uma DESLUMBRANTE ilustração de Tex devidamente dedicada aos amigos do Clube Tex Portugal como se pode ver de seguida:

A contracapa da revista nº 14 do Clube Tex Portugal terá uma ilustração de ALESSANDRO PICCINELLI dedicada aos amigos do Clube Português

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«Por um Punhado de Euros – o génio de Leone, o caixão de Django e a loucura de Fidani» – Livro que alude ao filme “Tex, o Pistoleiro” (“Tex e il signore degli abissi”) à venda em Portugal e no Brasil

Por Emanuel Neto

É com enorme orgulho que escrevo este texto no consagrado Blogue Português do Tex, cujo cabecilha é o meu caro amigo José Carlos Francisco.

Não é inédita a presença da equipa do blogue Por um Punhado de Euros aqui neste espaço. Em outubro de 2009, ainda andávamos nós a gatinhar na blogosfera, o amigo Zeca teve a amabilidade de convidar dois parvinhos (eu e o Pedro) para uma entrevista sobre o nosso Tex Willer. É claro que nós ficámos logo de peito feito, tipo patos inchados, como quem diz: “Eh, pá! Uma entrevista? Nós?! A sério?!”

E assim foi. E porquê o convite? Porque a minha primeira resenha no nosso blogue foi precisamente “Tex e il signore degli abissi.

 

Passados todos estes anos, o Blogue Português do Tex continua imbatível e é uma referência a nível mundial, especialmente no Brasil e em Itália (o site da Sergio Bonelli Editore alude muitas vezes às publicações do blogue). Nós, no blogue Por um Punhado de Euros, fomos crescendo, aprendendo e resistindo aos tempos atuais, que glorificam as redes sociais e desprezam a blogosfera.

Após quase doze anos de vida, eis que surge em formato de livro uma parte do nosso trabalho. «Por um Punhado de Euros – o génio de Leone, o caixão de Django e a loucura de Fidani» é uma seleção de 40 westerns-spaghetti escolhidos a dedo que se distribuem por três categorias: os bons, os maus e os vilões.

Um desses filmes é “Tex, o Pistoleiro” (título em Portugal), realizado em 1985 por Duccio Tessari e protagonizado pelo grande Giuliano Gemma. Houve sempre muitas críticas negativas sobre o filme mas eu nunca passei cartão a nada disso. Eu defendo-o com unhas e dentes (e pistolas, se for obrigado a isso!) porque, para mim, o filme é excelente!

Todo o ambiente western de Tex Willer está lá: os rápidos tiroteios, o pragmatismo de Tex, a resmunguice de Carson, a sabedoria de El Morisco, a camisa amarela e as calças azuis de Tex…enfim, muito mais haveria para dizer mas fico-me por aqui.

Resta apenas dizer que o livro está à venda (em Portugal) nas lojas Chiado Books, Fnac, Bertrand e Wook. Mas os nossos amigos brasileiros podem estar descansados porque o livro também já está disponível em terras de Vera Cruz e podem comprá-lo através do site da Livraria Atlântico.

Termino este texto tal como comecei: é uma grande honra para mim (e creio que falo também em nome do meu amigo Pedro Pereira) escrever estas linhas no Blogue Português do Tex, administrado pelo nosso simpático amigo José Carlos Francisco, que é um autêntico general de quatro estrelas do exército Texiano! Eu acho que já passei o posto de soldado raso mas, comparado ao amigo Zeca, nunca passarei de um simples cabo!

Muito obrigado por tudo.

Viva Tex Willer!