Tributo a Sergio Bonelli no evento Quadrinhos ´51

Por Ezequiel Guimarães (texto e fotos) e Luciana (fotos)

A paixão e obstinação do super-fã Adriano Rainho, traz novamente, após quase dois anos, o granítico Ranger Tex Willer de volta a São Paulo, agora no MUBA.

* Fãs de quadradinhos prestam tributo ao mítico editor italiano Sergio Bonelli, com exposição e palestra (palestra/debate durante 3 horas !!!!).

* Ícone dos quadradinhos brasileiros, Álvaro de Moya compõe a mesa palestrante ao lado do egrégio jornalista Sidney Gusman, e do incansável texiano Gervásio de Freitas.

* Gonçalo Jr. , admirável jornalista-escritor, e Bira Dantas, consagrado caricaturista,  são especiais ouvintes na plateia e interagem com os palestrantes!!!.

* Gervásio divulga com exclusividade o provável nome do novo livro do “Tex brasileiro” G.G. Carsan, anuncia data de lançamento, e desafia em público Gonçalo Jr.!!!.

* Homenagem a Sergio Bonelli de Maurício de Souza foi ideia de Gusman.

* Demian pode chegar ao Brasil em 2013.

O dia: 19 de Maio. A hora: 14:00 hs. O local: Auditório da Escola de Belas Artes, na Rua Dr. Álvaro Alvim, nº. 76 na Vila Mariana, na cinzenta metrópole brasileira de  São Paulo. É o ápice do mais recente evento texiano na terra das corrupções que Cabral descobriu. Nesse horário começa a palestra/debate em homenagem ao último grande editor de quadradinhos a seguir para as pradarias de Manitu: o excepcionalmente talentoso Sergio Bonelli. Editor no sentido antigo da palavra, aquele que realmente fazia toda a edição e era o centro da editora que comandava. Algo que não existe mais, na era comandada por megas-corporações chefiadas por grupos de executivos, que na maioria das vezes visam apenas o aumento do lucro incessante, em detrimento da qualidade de roteiros ou desenhos.

A intensa palestra durou 3 horas!!! E fez parte de um ciclo de palestras inseridas no evento “Exposição Quadrinhos ´51” (a relação das palestras consta no final dessa matéria). Além das interessantes palestras, o evento consta com exposições de várias publicações raríssimas e muitos originais de artistas brasileiros e do resto do mundo dos anos 50, 60 e 70. Muitos originais estão com marcas do tempo e alguns têm colagens e até instruções para impressão, e dão uma mostra clara de como era produzir quadradinhos naquela época, e também mostram a técnica de cada desenhador (dentro da exposição consta também a parte texiana em tributo a Sergio Bonelli). Essa exposição ocorre de 22 de Março a 26 de Maio no Museu Belas Artes de São Paulo (MuBA).

O motivo principal dessa “ Exposição Quadrinhos ´51 “, é homenagear os grandes artistas do desenho de Histórias em Quadradinhos, do período que abrange as décadas de 40 a 70 do século passado (o XX), e relembrar aquela que é considerada a primeira exposição didáctica internacional de Histórias em Quadrinhos do mundo, organizada em São Paulo, no ano de 1951 por Jayme Cortez, Miguel Penteado, Álvaro de Moya, Syllas Roberg e Reinaldo de Oliveira.

Nesta exposição, quem comparece vê artes-finais de Jayme Cortez, Gutemberg, Álvaro de Moya, Primaggio, Shimamoto, André Le Blanc, Antonino Homobono Balieiro, Rodolfo Zalla, José Lanzelotti, Miguel Penteado, Izomar, Rubens Cordeiro, entre outros grandes mestres brasileiros do desenho. Também há para o público se deliciar, originais de gigantes estrangeiros como Will Eisner, Jerry Robinson, Jim Davis, Mort Walker, Leonard Starr e Serpieri.

Muitas publicações raríssimas de incalculável valor financeiro e histórico também são exibidas ao público: O Pato Donald, n°1; Pererê, n°1, do Ziraldo; O Tico-Tico; O Globo Juvenil, de 1949; The Spirit and Ebony, número 16, de 1949, de Will Eisner; Revista Mad número 11, de 1954; El Corazón Delator, adaptação de Breccia em formato gigante da obra de Edgar Alan Poe; Raimundo, o Cangaceiro, números 1 e 2, de José Lanzellotti; História do Além e Histórias Macabras, ambas número 1 e editadas por Jayme Cortez; Edição Maravilhosa, da Ebal; revistas número 1 da Turma da Mônica editadas na Europa, entre outras publicações.

A parte texiana da exposição, é um tributo a Sergio Bonelli, e consta com belíssimas estatuetas e vários Tex da monumental colecção de Adriano Rainho, um dos maiores coleccionadores texianos, não só das Américas, mas também do mundo. O raríssimo Almanaque Buffalo Bill 1956,  o valiosíssimo Tex nº. 1 da 1a edição da Vecchi, vários Tex no formato “talão de cheques”, tanto de edições brasileiras como italianas, além de diversas outras publicações texianas italianas, estiveram presentes na bela exposição.


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Após apreciarem a magnífica exposição, os visitantes dirigiram-se para o Auditório da Escola de Belas Artes, onde ocorreu a palestra/debate texiana (que é citada no início deste texto). A palestra foi mediada pelo obstinado fã e grande coleccionador Adriano Rainho, que ao ser convidado para integrar a Exposição Quadinhos ´51, com itens raríssimos de sua valiosíssima colecção, colocou mais uma vez a paixão por Tex em primeiro plano, e negociou a participação texiana no evento. Graças à persistência dele, acabamos por ter Tex inserido neste evento. E inserido duplamente: tanto na exposição, como no ciclo de palestras. Em ambos os casos o tema é: Um tributo a Sergio Bonelli.

Adriano Rainho vem se notabilizando por organizar eventos texianos em solo bandeirante (sempre apoiado e incentivado pela sua simpática e bela esposa Élguima), já que foi dele também a ideia e organização do aclamado evento TEX 500 BRASIL que ocorreu em Santo André (cidade onde reside) em 2011, e que comemorou à época, a 500a. edição brasileira da série regular do justiceiro mais temido do Oeste, Tex!!! E agora, Rainho está por trás da volta de Tex à cidade de São Paulo, após quase dois anos do Ranger ter aportado por lá (a última vez que o herói bonelliano esteve na capital paulista foi em 2010 na FestComix).

Francisco Ucha, curador da mostra, fez a abertura, e passou para o texiano Adriano Rainho, que fez o discurso inicial, e as apresentações da mesa de palestrantes e os agradecimentos de praxe (um facto interessante que Adriano citou foi que voltou a ler Tex em 2003, graças ao Portal TexBR).

A mesa de palestrantes foi composta por grandes personalidades do mundo quadrinhístico:
Álvaro de Moya – Monstro sagrado do quadradinho brasileiro; jornalista, escritor, produtor, ilustrador e director de televisão. É considerado por muitos como o maior especialista em histórias em quadradinhos do Brasil.
Sidney Gusman – editor do Universo HQ e responsável pelo Planeamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções.
Gervásio Santana de Freitas – criador e principal gestor do maior Portal-Internet em língua portuguesa sobre quadradinhos italianos, o excepcional Portal TexBR.

Rainho leu um emocionado depoimento sobre Sergio Bonelli, enviado de Portugal pelo Representante da Mythos (e um dos maiores coleccionadores de Tex do mundo), José Carlos Pereira Francisco, co-criador deste blogue e seu principal gestor, sobre o saudoso amigo Bonelli.

Em seguida, iniciou-se a palestra/debate propriamente dita (que foi transmitida ao vivo pela Internet, via Twitter), e que foi mediada por Adriano Rainho de forma criativa e inteligente. Ele citava interessantes perguntas pré-formatadas para a mesa dos participantes, que brindavam a plateia com interessantes respostas dos bastidores do mundo dos quadradinhos, enquanto slides passavam na tela central do auditório, dando destaque ao homenageado Sergio Bonelli.

As principais perguntas (entre outras) para a mesa de palestrantes foram:
– Qual é a sua visão sobre o mestre Sergio Bonelli, falando também sobre a sua importância para os quadradinhos italianos.
– Após o falecimento de Sergio Bonelli, como você analisa o rumo que será tomado em relação ao futuro dos quadradinhos Bonelli que são publicados na Itália e também no Brasil pela Mythos Editora.
– O que pode ser feito, para captar as novas gerações, não só dentro do mundo Bonelli.
– Está chegando ao fim Mágico Vento, o que vocês acham que virá. Novas séries?

Gervásio, Gusman e Moya discorreram sobre as questões com interessantes respostas, inclusive com Gusman citando várias histórias acerca de Sergio Bonelli, e Moya citando bastidores de sua longa carreira no mundo dos quadradinhos.

Gervásio explanou sobre os motivos do evento, e o que significou o evento de 1951. Comentou que a BD mais antiga de aventura do mundo é brasileira: Zé Caipora, de 1883!!! Frisou que Quadradinhos são magia e diversão, que nos trazem entretenimento. Explicou sobre a criação de Mister NO, e onde Sergio se inspirou ao criá-lo: em suas andanças (viagens) pelo Brasil.

O gestor do magnífico Portal TexBR, expôs que tinha medo que os quadradinhos bonellianos acabassem quando Sergio partisse, mas vê que a editora está muito bem estruturada, e acredita que vai continuar e com excelentes roteiros. E lembrou que os roteiros e os desenhos para serem desenvolvidos na SBE, têm muita, mas muita pesquisa por parte dos autores.

E tem muito optimismo, achando até que, extra-oficialmente falando, Demian, uma máxi-série de 18 volumes, que alcançou grande sucesso na Itália, deve chegar ao Brasil em 2013.

Comentou que o calcanhar de Aquiles dos quadradinhos no Brasil é a distribuição extremamente deficiente que existe actualmente, e que em alguns lugares nesse vasto território continental, essa distribuição praticamente nem existe.

O renomado jornalista Sidney Gusman narrou algumas de suas viagens a Itália, e relembrou muitos casos que viveu ao lado do mítico editor Sergio Bonelli, alguns curiosos e até engraçados. Num desses contou quando após um cinema e uma pizza, saíram na “porrada” com outro italiano por causa de uma questão de trânsito. E quando foi bem recebido pelas Editoras Italianas, estranhando a recepção e a quantidade de brindes de lhe foram oferecidos; só mais tarde ao saber que Sergio havia ligado a todos os editores avisando que um amigo iria visitá-los, entendeu o porquê da calorosa recepção.

Conforme Gusman, Sergio não se preocupava em fazer quadradinhos que eram taxados de “populares”. Disse que o editor milanês recebia propostas (uma a duas por ano) de compra de sua editora por grandes grupos italianos, mas que sempre recusava, e que se preocupava até com a manutenção do emprego dos mais velhos colaboradores. Gusman conta que nos 17 dias que passou ao lado de Sergio Bonelli na SBE, aprendeu mais sobre edição de quadradinhos, do que no período que passou na Faculdade, pois ele era um editor completo.

Relembrou de quando recebia ligações de Sergio para que ele o ajudasse a “traduzir” o Angeli para o italiano, e que sempre ocorriam diálogos engraçados entre ambos. E de quando Sergio esteve no garimpo de Serra Pelada e encontrou um sujeito lendo Tex; ao contar que era ele quem fazia a revista, esse não acreditou. Teve que mostrar os seus documentos para provar quem era. Ao fazer isso, causou o maior reboliço, virando “rei” no local.

Outra curiosidade citada por ele, é que durante muito tempo, Sergio Bonelli publicou no Brasil sem receber direitos, somente os royalties do que vendesse, e que é algo incomum nesse segmento de mercado. Outra curiosidade que comentou foi que, a bela homenagem de Maurício de Souza por ocasião do falecimento de Sergio Bonelli em 2011, foi uma solicitação sua, a qual Maurício prontamente atendeu – e que se já se tornou uma imagem histórica: as personagens da Turma da Mônica personificando vários heróis da Casa Bonelli.

Sidney também comentou que Davide Bonelli não é fã de quadradinhos, mas foi muito bem orientado para comandar a SBE (Sergio Bonelli Editore), e ele, Sidney, vê de uma maneira positiva o futuro da editora. Pois ela está baseada em excelentes desenhadores (citou que não há UM desenhador sequer que pode ser chamado de ruim), e também é alicerçada com excelentes roteiristas que pesquisam exaustivamente antes de escreverem qualquer coisa. Como exemplo citou o monumental Giancarlo Berardi (que ele considera um dos maiores argumentistas/roteiristas do mundo e um poço de cultura), que para criar a grandiosa personagem Júlia (e desenvolver as suas histórias), chegou a frequentar cursos de criminologia, e leu muitos livros sobre o mesmo tema. Como curiosidade citou que o autor italiano desenvolve até oito roteiros ao mesmo tempo, e não sabe o final das histórias, vai desenvolvendo, e o desenhador vai recebendo em partes, e também não sabe o que vai acontecer no decorrer da história. Também comentou que a editora tem criado novos títulos em mini-séries com o objectivo de angariar fãs mais jovens.

Mas quanto a Tex continuar no Brasil, manifestou temer por essa continuação após a morte de Sergio Bonelli (ao compartilhar da mesma opinião de Gonçalo Júnior).

O experiente jornalista também explicou que o trabalho de formiguinha, dos fãs divulgarem boca-a-boca as suas personagens favoritas, é o que realmente expande o universo de leitores, já que os editores nem sempre entram com força e com vontade, quando o objectivo é divulgação. Inclusive comentou que, iniciativas como a publicação de Tex em cores que ocorreu na Itália (em associação com o jornal La Repubblica e a revista L´Espresso), deveriam ser seguidas no Brasil.

Não vê perspectivas de novas séries Bonelli chegarem ao Brasil, mas comenta que outras editoras que não publicam títulos Bonelli no Brasil poderiam, ou melhor, deveriam se interessar em trazer as excelentes séries italianas que não estão hoje em solo tupiniquim.

O monstro sagrado dos quadradinhos brasileiros, Álvaro de Moya, fez a sua participação com várias tiradas inteligentes e irónicas, e frisou que um dos grandes problemas em relação às histórias em quadradinhos é que existe (e sempre existiu) um enorme preconceito contra essa mídia.

Santista fanático comentou que contratou Pelé quando dirigia a TV Excelsior, e que colocou no ar as TVs Bandeirantes, Tupi e Excelsior.

Moya citou casos curiosos que ocorreram em viagens pela Itália, e comentou que Galep visivelmente foi inspirado por Alex Raymond, principalmente Raymond de Jim das Selvas, e não Raymond de Flash Gordon. Lembrou que os italianos tinham muito carinho pela Editora Vecchi, e que Sergio dava muitas revistas para ele. Relembrou que, como é poliglota (fala português, espanhol, italiano, inglês e francês), isso muito o ajudou nos contactos na Europa, e que ele até serviu de intérprete entre diversos profissionais do mundo quadrinhístico, em suas viagens ao velho continente.

E discorreu de, como Sergio expandiu os negócios e tornou-se o maior editor de banda desenhada da Itália, com comprovado sucesso de volumes publicados e sucesso financeiro.

Comentou que todos os desenhadores do Tex são influenciados por Alex Raymond, e que todas as vertentes de quadradinhos no mundo nascem de três norte-americanos: Alex Raymond, Hal Foster e Milton Caniff. “Eles influenciaram desenhadores no mundo inteiro”, disse o velho mestre.

Tivemos duas grandes personalidades na plateia (e que interagiram com os palestrantes): o renomado jornalista Gonçalo Junior, autor do magnífico livro (entre outros belos livros) “O Mocinho do Brasil – A história de um fenômeno editorial chamado Tex”, e o consagrado caricaturista Bira Dantas (muito apreciado pelas suas belas caricaturas, muitas delas também dão um colorido especial às diversas entrevistas dos autores italianos aqui no Blogue do Tex).

Gonçalo Júnior, citou que fez o livro sobre Tex, com a intenção de provocar os diversos desafectos que tem no mundo quadrinhístico, e também porque Tex sofre de muito preconceito no Brasil. Citou que os ditos “especialistas em quadradinhos” sempre desprezaram Tex, e resolveu fazer um livro-reportagem sobre essa personagem que já há muito tempo lia (o primeiro foi Tex 67 – A Vingança dos Tuaregs, quando ele tinha 8 anos).

E teme de Tex não continuar a ser publicado no Brasil após a morte de Sergio Bonelli.

O simpático Bira Dantas citou que Tex é a revista que mais tem em sua gibiteca, e que aprecia muito a criminóloga Júlia, e a arte caricatural magistral de Massimo Bonfatti na grande criação de Claudio Nizzi, Leo Pulp.

E fez uma pergunta muito interessante, que era a possibilidade de um Tex Gigante ter alguma chance de ter algum traço de humor-caricatural algum dia. Os palestrantes responderam que não. Sei que é difícil, praticamente impossível, mas penso ser uma grande ideia que poderia ser aproveitada num Tex especial, fora-de-série.

Quase no final da palestra, Gervásio divulgou em primeira mão que trazia de João Pessoa na Paraíba a informação de que o novíssimo segundo livro do “Tex brasileiro” G.G. Carsan está pronto, só faltando ser impresso!!! E informa a data de lançamento: 30 de Setembro, data que foi escolhido como data nacional de Tex no Brasil (que é a data que ocorreu o lançamento de Tex na Itália, em 1948). E além dessa novidade, anunciou outra: o provável nome do novo livro: “Tex no Brasil – Justiça a qualquer preço”, e citou que escreveu um dos capítulos do livro, onde conta a história do excelente Portal TexBR, que é o paraíso dos apreciadores dos magistrais quadradinhos bonellianos.

Gervásio foi mais longe ainda, e inteligentemente lançou em público um desafio a Gonçalo Júnior: que o jornalista-escritor escreva um 2o livro sobre Tex!!!!

O desafio é muito bom, e a “provocação” (no bom sentido) é porque G.G. Carsan vai lançar o seu segundo livro (o primeiro foi o maravilhoso “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste”), E Gonçalo Júnior tem um livro publicado, o excepcional “O Mocinho do Brasil – A história de um fenômeno editorial chamado Tex”. Na verdade Gonçalo tem duas publicações sobre Tex, mas a primeira não é livro, e sim um (belo) álbum (Tex – Edição comemorativa de meio século de aventuras no Brasil). O livro de Gonçalo, é na verdade a versão integral de sua obra que era para ter saído exactamente no lugar desse álbum, mas foi muito cortado por diversas razões, e acabou sendo publicado como álbum.

Esse “desafio” é muito saudável, e, mostra como Gervásio e todos os texianos gostaram e aprovaram o livro de Gonçalo Júnior, pois até querem agora um 2o. livro. Esperamos que o jornalista aceite esse desafio, e breve tenhamos outro livro de Tex (tão interessante quanto o primeiro), num mercado carente sobre esse tipo de produto como o é o mercado tupiniquim.

Finalizando, em um item nessa palestra muitos concordaram: o desenho da obra tem que ser muito bom para atrair o público, mas o texto (argumento/roteiro) é fundamental.

Como Moya comentou:
Perguntaram para Alfred Hitchcock o que era necessário para fazer um bom filme.
Ele disse:
Good script
Good script
Good script
Frank Sinatra quando davam para ele uma nova música, antes de ouvi-la ele lia a lyrics, para ver se o texto tinha poesia, só depois é que ele ouvia a música.
Texto é fundamental”. E nisso, a SBE tem de sobra em suas publicações (além das belíssimas artes).

O que ficou claramente marcado neste evento nos depoimentos de cada palestrante, no sentimento de cada participante, foi que Sergio Bonelli foi um grande amigo, um grande editor, um grande argumentista, um grande ser humano, preocupado com os outros seres humanos.

Um homem que levou a paixão pelos quadradinhos ao extremo, dedicando dia após dia de sua vida à 9a. Arte que tanto amava, fazendo com que ela atingisse níveis altíssimos de qualidade. Encantando várias gerações de fãs pelo mundo afora. Por tudo isso, jamais será esquecido.

Como bem citou Álvaro de Moya durante a palestra:
Não concordo com a frase ´ninguém é insubstituível´. Sergio Bonelli é insubstituível”.

Relação do ciclo de palestras do evento “Exposição Quadrinhos ´51”:.

31 de MarçoAinda há preconceito contra os Quadrinhos?
Participantes: Jotabê Medeiros, Álvaro de Moya, Gonçalo Júnior e Francisco Ucha

14 de AbrilLinguagem dos Quadrinhos no Cinema e na TV – Porque a TV brasileira despreza esse filão? Participantes: Celso Sabadin e Walter Negrão

28 de AbrilOs Grandes Mestres e a Produção Editorial dos anos 50 a 70
Primaggio Mantovi e Rodolfo Zalla

5 de MaioA Ficção Científica nos Quadrinhos
Participantes: Cesar Silva, Roberto Causo e Marcelo Naranjo

12 de MaioÂngelo Agostini, onde tudo começou
Participantes: Gilberto Maringoni, Gonçalo Júnior e Francisco Ucha

19 de MaioOs quadrinhos italianos – Um tributo a Sergio Bonelli
Participantes: Sidney Gusman, Gervásio Santana de Freitas,  Álvaro de Moya e Adriano Rodrigues Rainho

26 de Maio1951, Uma Exposição Educativa
Participantes: Álvaro de Moya e Maurício Kus
Encerramento com exibição do filme de 1969, História em Quadrinhos, de Rogério Sganzerla e Álvaro de Moya.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

27 Comentários

  1. É provável que Tex saia mesmo do mercado de língua portuguesa, do Brasil após o falecimento de Sergio Bonelli? Essa me derrubou! Mas a matéria foi super interessante, um evento pra lá de bacana. Adorei ter lido.

  2. Esses dias consegui comprar o livro do Gonçalo Júnior, muito bom, comecei a ler e tem muita coisa que eu não sabia, um trabalho muito bom foi feito, parabéns ao autor. Nunca vi nada parecido em matéria de quadrinhos.

  3. Ontem vi um cartaz do evento em mãos, muito bem feito, coisa de profissionais, parabéns. Ainda bem que o nível de eventos no Brasil está melhorando.

  4. Belíssimo tributo a Sergio Bonelli e brilhante reportagem. Parabéns a todos os envolvidos, pena que eu não pude estar presente a um evento como esse em virtude da distância. Quem sabe um dia. Abraços.

  5. Estava de férias e voltei a ler o blog hoje. Gostei muito dessa reportagem, bem completa. Tex está tendo mais atenção no Brasil, isso é muito bom. Deveriam fazer o mesmo por Mágico Vento e Zagor, eles ficam muito esquecidos.

  6. Concordo também, essa é a melhor cobertura do evento. E acho também que Tex corre riscos sem Sergio Bonelli, pode ficar fora das bancas em pouco tempo. Sergio Bonelli era a alma do negócio, sem ele tudo vai mudar.

  7. Olá Bianca. Agradeço suas palavras e fico contente que gostou da matéria e do evento. Pode republicá-la sim. Se quiser depois colocar o link do seu forum aqui para o pessoal conhecer, fique à vontade. Quanto às fotos, não sei quem tirou de você. Se quiser identificá-lo em alguma das fotos acima, poderemos redirecionar sua solicitação a ele.

  8. NEI – Grande pard Nei, agradecemos muito suas palavras. Foi um prazer reencontrar o incansável e simpático amigo, que não mede esforços para se deslocar aos eventos. És um grande exemplo. E olha que tivemos “texianos” que não sairam de bairros próximos…

    NILTON – Muito obrigado pela participação e pelas palavras.
    Quanto ao belo marcador de páginas do pard G.G. Carsan, e ao belo material que Adriano Rainho providenciou para o evento, e que fazem os “colecionáveis” dessa edição, estarão na próxima matéria que estou fazendo. Acompanhe sempre o BLOG DO TEX que daqui a alguns dias estará on-line.

  9. Quero aproveitar para elogiar e parabenizar a presença e participação das mulheres: Elguima, Jussara, Bianca e tem mais uma que não identifiquei.
    Houve um tempo que um evento desses seria extremamente povoado somente por homens, um verdadeiro clube do Bolinha.
    Gostaria de ver mulheres, mulheres texianas dividindo a mesa, pois sabemos que existem as colecionadoras.
    Creio que isso seja uma questão de tempo.
    Dessa forma, acredito que fazem os seus maridos mais felizes, bem como a todos nós, por percebermos que a aceitação pelos hobbies aumenta (ou a rejeição diminui).
    Parabéns!

  10. Olá! Nossa ficou fantastica a sua descrição do evento! Que realmente foi tudo de bom!^^
    Gostoaria de pedir se posso republicá-la no forum de quadrinhos que administro (obviamente com o devido encaminhamento) e também queria pedir se pode me enviar as fotos que tirou de mim (eu, a menina que deu os desenhos^^)!
    Obrigada e parabéns!!!!

  11. Não achei no blog a parte dos colecionadores que vocês falaram que fazem dos eventos, só achei dos outros eventos, desse não. Podem me passar o endereço eletrônico?

  12. Muito boa cobertura, fiquei babando com essa matéria. Eu que não pude ir lá ao ler parece que estive em todos esses grandes momentos. Parabéns ao blog pois essa foi a única cobertura realmente boa que li.

  13. Que grande encontro com Grandes Pessoas (para além do artístico) reunidas em Homenagem ao Saudoso (e grande) Sergio Bonelli!
    Tão bom ver e rever vári@s pards, que nestes últimos anos, temos cruzado pelas fronteiras do BRasil a fora, indo e vindo, sempre trocando ideias, construindo sólidas atividades em torno das personagens Bonelli, principalmente. E, que tenhamos muito mais neste 2012, de Norte a Sul deste país! Estamos junt@s e vamos que vamos, afinal, como fez o grande Nei que saiu do Centrão do Estado de São Paulo (uns 300 e poucos quilômetros, e quase o mesmo tanto de pedágios, rsrs!) ou o Gervásio do Rio Grande do Sul, é na caminhada que a aventura transcorre!
    E, a AVENTURA não pode parar nunca, caminhemos!

  14. Adriano, Álvaro, Gervásio, Ucha e Sidney, mais Bira e Gonçalo, e também (virtualmente) Zeca e G.Carsan…
    Parabéns pelo evento. Sergio Bonelli é especial!

  15. Que bela reportagem Ezequiel, você e a esposa capturaram: bem ao estilo dos quadrinhos, com texto e imagens em ação (diria W. Eisner), excelentes detalhes e aspectos relevantes do evento. Uma mostra rica em conteúdos, sejam da exposição de HQs, seja nos momentos do debate: perguntas e respostas provocantes, diretas e corajosas. Histórias incríveis e engraçadas, assunto para um ou dois dias, se fosse possível! Sergio Bonelli esteve muito bem homenageado! De minha parte tive a felicidade de rever grandes amigos e, de quebra num só momento, conhecer em presença personalidades do mundo quadrinistas a quem de muito admiro 🙂
    Outra tarde daquelas, inesquecível!! Ops: em busca de um lugar prá foto saí em trânsito no palco. Bira, espero que neste momento o pé já esteja bem! Wilson, chegamos bem! Abraços a todos, grato pela oportunidade!

  16. Caro pard Adriano, muito obrigado pelas palavras. Fico contente que gostastes da matéria. Quanto ao belo marcador de páginas do pard G.G. Carsan (a quem também agradeço o que me chegou às mãos), ele e o belo material que você distribuiu no evento, estarão na próxima matéria que estou fazendo, que é a parte dos “colecionadores” que tradicionalmente faço dos eventos após a matéria principal. E agradeço o belo material que me brindou (assim como aos outros texianos). Muito obrigado, grande abraço.

  17. Caro pard G.G. Carsan, seu longo e interessante comentário também me emocionou bastante, muito obrigado pelas palavras. Vindo do “Tex brasileiro” é um grande incentivo para eu tentar continuar de alguma maneira, divulgar os heróis bonellianos. Muito obrigado e forte abraço.

  18. Grande mestre Bira, muito obrigado pelas palavras. Fico contente que gostou da cobertura. Boa essa da “Peter Parker de saias” – risos.
    Abração

  19. Caro Gervásio, fiquei emocionado com seu comentário, muito obrigado. É um incentivo para eu continuar a divulgação dos bonellianos. Mas grande não sou não. Nesse patamar está você e pards GG Carsan e Zeca, entre outros. Vocês sim, são grandes. Grande Abraço.

  20. Adradeço também ao pard GG Carsan que mesmo de tão longe participou ativamente do evento, inclusive criando um marcador de páginas exclusivo para a Palestra!

  21. Agradeço imensamente aos pards e amigos Ezequiel pela maravilhosa e rica matéria cheia de detalhes, realmente um incansável batalhador pelo Universo Bonelli, ao Zeca pelo espaço no Blogue e pelo emocionante depoimento que pude lêr na palestra sobre a sua relação de amizade com o mestre Sergio Boneli, ao Francisco Ucha, um nova amizade que criei, com este grande jornalista e divulgador dos Quadrinhos Nacionais, curador desta exposição Quadrinhos `51 que tão gentilmente nos cedeu um espaço e também a oportunidade de organizarmos a palestra Os Quadrinhos Italianos – Um Tributo A Sergio Bonelli, aos grandes palestrantes Gervásio, Sidney e Álvaro que nos brindaram com seus amplos conhecimentos sobre a Nona Arte!, Agradeço também a todo o público em geral que veio prestigiar a palestra, que vieram de longe para participar, como foram os casos do Gonçaço, do Nei, do Wilson, do Fábio, do Bira Dantas, da Jussara, entre outros.

    Como foi muito falado na palestra este trabalho de formiguinha feito por todos nós é o mais importante para que os quadrinhos italianos possam ser cada vez mais difundidos entre as novas gerações!!!

    Obrigado a todos!!

  22. Realmente, mas realmente, um ótimo evento para a confraria texiana. As imagens mostram muito das emoções que circularam nessa arena de grande representação para o nosso herói. A emoção e coleção do Rainho, a representatividade do Gervásio, a experiência do Sidão em Milão e na MS, a sabedoria e práticas do Moya… tudo num só lugar… hunft… perdi…
    De minha parte, pessoal mesmo, agradecer ao Gervásio pela ‘canja’ que deu para o livro Tex no Brasil 2, que vem por aí, introduzindo através do Tex no Brasi 1, que já é realidade para boa parte da nação texiana. Este gesto me fez presente no evento e para mim é uma grande honra e satisfação.
    A platéia presencial, apesar de pequena, sempre muito significativa, seja através dos pards que se deslocam de longe, como o Nei, ou como os que de perto só tem a posição geográfica, mas quase não chegam, (1000 desfiladeiros, rios caudalosos e vales profundos) como é o caso do Wilson, do Fabio, etc; e dos renomados Bira, Gonçalo, Jussara, que surgem para ver de perto os atrativos do Ranger que faz justiça a qualquer preço. Para o Bira, será inesquecível mesmo, após esta torção.
    Por falar em livro, muito boa a provocação do Gervásio para o Gonçalo Jr, pois temos sim muito, mas muito mesmo, espaço para novas publicações texianas, como bem atestam os + de 100 livros já lançados na Itália.
    Raios me partam se já vi uma matéria tão bem escrita, tão longa e que a gente lê torcendo para que não acabe. Parece best seller. Realmente, como diz mister Dantas, o pard Ezequiel e sua fiel escudeira vão longe, aliás, já chegaram longe, haja vista que esta matéria seguramente já está sendo lida tanto pelas bandas de Milão, quanto em Monument Valley e até pelas bandas canadenses de Winnipeg e Vancouver.
    Forte abraço a todos e parabéns.
    G. G. Carsan

  23. Parabéns ao Ezequiel pela otima cobertura (esse cara vai longe!) e a sua mulher pela simpatia e otimas fotos (será uma Peter Parker de saias?).

  24. Zeca, foi uma grande oportunidade de encontrar pessoas que conheceram Sergio Bonelli de perto e principalmente quem conheceu a vasta obra de sua editora tão a fundo. Um prazer enorme encontrar velhos conhecidos como o Ucha, Moya, Sidney, Gonçalo, Ezequiel e conhecer (finalmente) Adriano e Gervásio, alem dos leitores e fãs que lá estavam…
    Detalhe importante foi a presença da Jussara, filha do GRANDE quadrinhista brasileiro José Lanzelotti. O único problema foi ao final do debate, a torcida que dei no pé ao descer da rampa do auditório. Estou claudicar até hoje (rs)! Abraços a todos!

  25. Eu espero estar presente no próximo evento texiano, com a presença de tantas pessoas que contribuem para a Nona Arte no Brasil.
    Saudações texianas.

  26. Ezequiel captou magistralmente bem os principais fatos que serviram de fio condutor da palestra/debate Tributo a Sergio Bonelli. Obrigado, Ezequiel! Com teu trabalho, tu também estás te tornando um dos grandes na divulgação do universo Bonelli no Brasil! Grande abraço!

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