O Alfabeto do Velho Oeste – Letra F

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira

Wilson Vieira by Fred-MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:

http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira1Caros LeitoresGeograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

F

Fairweather, William (Bill) HenryFairweather, William (Bill) Henry – Descobridor da jazida aurífera de Alder, Montana, Nasceu em 14 de Junho de 1836, em Woodstock Parish, Carlton County, New Brunswick e morreu em 25 de Agosto de 1875 no Rancho Davy, em Madison, Montana. Henry Edgar contava a seguinte história: “Eu não sei por que as cascavéis nunca atacaram o Bill. Quando ele via uma delas, apanhava-a e ficava com o réptil, durante todo o dia. Elas deixavam que ele fizesse de tudo, e ele nunca as matou e nem elas. Um dia, após ter se aproximado de um acampamento indígena, recolheu uma cascavel, depois outra, e agitou-as no ar. Quando os índios observaram que ele as enfiava na sua própria camisa, não acreditavam no que viam apavorados. E passaram a considerá-lo o maior médico de todos os brancos. Certa vez, após ter colectado pepitas num pequeno saquinho de pele, entrou pela cidade de Virginia City, esparramando as pepitas pela rua principal, a galope, divertindo-se ao ver os chineses e crianças, brigando por elas. E as pepitas que reservava, gastava tudo em bebidas. Quando morreu não possuía dinheiro para pagar a própria sepultura. De 1868 a 1872 ele procurou pelo ouro em Peace River, e no Alasca. Retornando depois a Alder, e morreu no Rancho de Pete Davy, esconderijo do bando Plummer”.

Faixa para chapéuFaixa para chapéu – Para os chapéus confeccionados pela indústria, as faixas colocadas, geralmente eram de seda e nas cores mais variadas, porém o cowboy preferia a sua faixa, a qual ele não renunciava tal como não se separava da sua sela. Ela era feita da crina de cavalo trançada; no início também era feita com escalpes dos Índios, ou de pele de animal cortada à mão com ou sem ornamento de metal, com pedras ao estilo Indígena ou com pele de serpente. Além de ornar essa faixa servia para manter o chapéu aderente à testa, mesmo ao vento e em tempos ruins. Muitos chapéus possuíam também o cordão anti-tempestade, feitos com tiras de pele, ou crina de cavalo, que amarrado debaixo da mandíbula, serviam para mantê-lo sempre na sua posição, mesmo debaixo da acção das ventanias.

Falcão Nocturno – Sentinela dos cavalos que durante a noite vigiava e cuidava da “Remuda”. Durante o dia, ocupava-se em recolher lenha, com um carroção, ou a cavalo.

Fall Back – A intencional queda para trás de um cavalo, logo após estar empinado sobre as patas posteriores. O seu oposto é “Throw Back”, que significava uma involuntária queda para trás do animal. O “Fall Back” ou também o “Back Fall” é mais perigoso para o cavaleiro porque somente alguém experiente, conseguia sair ileso dessa manobra. Especialmente os “Mustangs” e os cavalos ainda selvagens, tentando livrarem-se assim dos inconvenientes e ousados cowboys.

Falsário – Um cavalo, cujos cascos posteriores tocavam-se, ferindo assim as patas superiores durante o galope.

Família dos MuskogeeFamília dos Muskogee – As Famílias dos “Muskogee” não eram, em cultura, ao mesmo nível dos Cherokees, mas eram consideradas entre as Nações civilizadas. Os “Choctaws” habitavam o Mississippi inferior, os “Chickasaws” de lá até o norte ao Tennessee River, os Creeks em Alabama, Geórgia e Carolina do Sul. Quando os “Algonkins” de Indiana e Ohio preparavam-se para a batalha final, contra o Presidente Washington, seu cacique Tecumseh, tentou atrair como aliados os valorosos guerreiros Creeks. Esses, porém, que talvez fossem determinantes para o êxito final da batalha, mantiveram-se neutros. Após a derrota dos Algonkins, eles receberam dos EUA o agradecimento por sua decisão: na guerra de 1813/14 foram chacinados pelos Americanos até à extinção total. Em 1836, juntamente com os Choctaws, Chickasaws e “Seminoles” foram deportados para o Oklahoma, onde, com os Cherokees, formaram em 1839, a chamada “Nação Civilizada” do território Indígena até quando Oklahoma foi declarado Estado Federal dos Americanos brancos. Todos os Índios das cinco Nações eram cristãos e tinham nomes de cristãos Americanos. Eram académicos, comerciantes, cidadãos, criadores de bovinos, funcionários, políticos e pedagogos, mais ou menos como os Americanos da New England. Muito antes que os cowboys do Texas viessem para o norte, a Polícia Indígena os chamados “Lighthorses”, juízes Índios e também xerifes, protegiam os viajantes que iam para o Oregon e a Califórnia (1846/1866) não como bandidos Indígenas, mas como bandidos brancos do Oklahoma.

Família Linguística SiouxFamília Linguística Sioux – Para o Histórico Étnico, muitas tribos pertenciam à Família Linguística dos Sioux, que ocupavam uma região ao norte, central e no sul. As tribos do sul eram: Iowa, Kansa, Missouri, Omaha, Osage, Otoe e Poncã. As centrais eram: Hidatsa, Mandan, Santee, Yankton e Yanktonais (juntamente com os Mdewakaton, Wahpecute e Wahpeton). As do norte eram: Dakota com os End Village People, Marsh Dwellers, Sacred Water People, Shooter Among Leavs e os Tetons (com os Brulé, Hunkpapa, Minneconjou, Oglalla, Sans Arc e Two Kettles). Mas para a História e talvez também para esses próprios Índios, são somente os Dakota e os Teton-Dakota, que surgem como os reais Sioux, para calar da Família Linguística nórdica os Crows e os Assiniboines. Unidade social e aliança guerreira foram aplicadas raramente pelas principais tribos, ao contrário, lutaram entre elas próprias longamente e com combatividade. As tribos centrais e meridionais da pradaria, da Família dos Sioux, pactuaram logo com os Americanos e aceitaram as suas Reservas, enquanto que as tribos setentrionais (talvez também pelas favoráveis condições de fuga para o Canadá), combateram-nos até ao fim do século XIX e foram protagonistas das revoltas mais espectaculares e batalhas, mais comentadas em toda a História. Portanto pode-se limitar, quando se fala dos Sioux e os Dakotas e falando deles também os Teton-Dakota.

Famílias IndígenasFamílias Indígenas – Usa-se classificar os Índios que viviam no território dos EUA, ou mais exactamente na América do Norte, quando eles ultrapassaram a fronteira Canadense, em cinco categorias: Índios das Florestas e dos Lagos, das Planícies, do Sul, do Sudeste e enfim do Sudoeste. Os etnólogos subdividiram os Índios em 12 Famílias distintas que geralmente apresentavam numerosas ramificações. Às vezes, essas Famílias passavam de uma categoria a outra e podiam-se encontrar tribos que, forçadas a migrar, viviam em regiões distantes centenas de milhas da Família da qual pertenciam.

FanningFanning – Modo de atirar em filmes segurando com a mão direita o revólver e com a esquerda accionando o cão, disparando várias vezes. É certamente um espectáculo impressionante, disparando-se seis tiros no espaço de 2 ou 3 segundos. Pecado que tal cena tenha um só defeito; com o sistema “Fanning” é impossível acertar o alvo. Além do mais, um revólver o qual se usará essa técnica, deve com certeza ser modificado, senão o mínimo toque do cão será o suficiente para destruir a mão do atirador. O “rabo” do cão deverá ser achatado e alargado na sua parte superior e o percursor tem que ser limitado e tornar-se reforçado. Do ponto de vista Histórico, tal técnica não tem nenhum valor. Não existem exemplos registrados de pessoas famosas, que tenham usado a tal maneira, em atirar.

Farragut, David G.Farragut, David G. – Foi da proa do navio “Hartford”, que em Julho de 1864, Farragut, gritando: “Adiante!! A toda velocidade”, guiou a sua frota de madeira na Baía de Mobile (Arkansas), bloqueando assim o último porto Sulista.

Fazer gato selvagem – Agir ao modo similar aos gatos selvagens; escondido, sem rumores, não visto, procurar sempre vantagens. Dessa maneira adocicada e brincalhona chamava-se “Wildcatters” às Companhias Teatrais Mambembes, porque enfrentavam o risco de fazer as suas representações sem grandes divulgações. Um jogador de profissão que se aventurava escondido numa cidade da qual tinha já sido expulso, por jogar, era também denominado de Wildcatter. Mais tarde, quando no sudoeste começou a retirada do petróleo, as perfurações sem as devidas concessões eram chamadas de “Fazer gato selvagem”. Também quando era feita uma perfuração obliqua, obtinha-se o petróleo do poço vizinho e era chamado também de Wildcatter.

Feador – Uma espécie de rédea de segurança, feita com crina de cavalo, que era amarrada na parte frontal, um pouco atrás das orelhas do animal e caindo ao longo do pescoço, era fixada à extremidade oposta do bocal. Esse tipo de rédea “Feador” era sobretudo usada com cavalos de carga. O cavaleiro segurava-a com a mão esquerda enquanto examinava a sela ou subia nela, ou quando amarrava no animal a sela com as mercadorias. Essa rédea impedia que o cavalo, com um rápido movimento, jogasse o cavaleiro entre as suas patas traseiras e desse coices. O Feador trazia consigo o cowboy e mantinha-o longe dos cascos posteriores.

Febre do TexasFebre do Texas – Uma afta mortal, proveniente dos carrapatos. Era somente imune a raça dos bovinos Texas-Longhorns. No ano de 1877, o Rancheiro Albert Dean descobriu que se untassem as mamas das vacas, com toucinho, os carrapatos caíam. O Ministério da Agricultura de Washington, encarregou-o de fazer pesquisas, que ao fim, levaram-no à produção de uma pomada que matava os carrapatos e de um soro. Os bovinos que eram contagiados por essa afta, tinham uma forte febre no terceiro dia e no nono dia morriam. O facto de que os bovinos da raça Longhorns fossem os portadores desses carrapatos (Texas Tick) que causavam a afta, representou para o restante do gado dos EUA, um grave perigo, por muitos e muitos anos.

Fence – Os primeiros colonos, por não existir nas pradarias nenhuma madeira, usavam ramagens de laranjais que cresciam 70 cm ao ano, davam os seus frutos no Verão e não necessitavam de grandes cuidados e ofereciam uma sensacional protecção contra as tempestades do nordeste. A sudoeste a paliçada era feita por troncos ou por tijolos cozidos ao sol (Adobe). Ao norte e ao nordeste, onde eram abundantes as árvores, podia-se dar o luxo da escolha.

Fender – Escudo com tiras de couro, que protegiam as pernas dos cavaleiros, do suor do seu cavalo.

FerraduraFerradura – (Horse Shoe). Armação de ferro circular que era fixada com cravos nos cascos de um cavalo para protegê-lo contra o desgaste natural. Os Índios da pradaria não ferravam os seus animais porque a grama macia ou o solo das estepes os favoreciam, contra o desgaste. Mas nas principais regiões habitadas por criadores, como o Texas, Wyoming e Montana, a terra era de fundo rochoso e mais espesso ainda, que agia nos cascos dos cavalos, como uma verdadeira lixa. Os cowboys dos EUA usavam as ferraduras da forma quase circular fechada, as chamadas “Circle Shoes”.

FerroviaFerrovia – A construção de Ferrovias teve uma parte decisiva na Colonização do Oeste Americano. Elas encurtavam as distâncias, criaram a necessária capacidade de transporte para um ininterrupto fornecimento ao Exército de materiais e víveres, aos construtores de cidades, aos cidadãos, aos grandes pecuaristas e as mineradoras, mas forneceu também novas e melhores interacções com os mercados do comércio, indústria e agricultura. A História das Ferrovias Americanas é extremamente rica de magníficos feitos humanos e de geniais invenções técnicas, e intensas cobiças e desenfreadas brutalidades. Do ponto de vista económico, a imensa velocidade com as quais se desenvolveram, foi possível principalmente graças às imensas doações de terrenos, por parte do Governo para as suas Companhias. A construção das grandes linhas Ferroviárias Transcontinentais (Northern Pacific, Southern Pacific e Union Pacific) acelerou, a partir de 1870 (A Union Pacific, foi terminada em 10 de Maio de 1869), a colonização dos imensos e desertos territórios além da Linha Missouri-Mississippi, tanto que, ela pode ser considerada realmente terminada, dois decénios após. Em 1890 não existia tribo Indígena alguma em estado livre, a Era romântica dos Bovinos soltos também terminara, a política das Reservas era uma realidade, a autoridade da Lei estava estabelecida, os bandos de criminosos foram dizimados, a agricultura e a criação de bovinos tinham se industrializado.

Field, West CyrusField, West Cyrus – (1819/92). Projectou o primeiro cabo telegráfico submerso entre a América e a Europa. Através dele em 16 de Agosto de 1858 o presidente dos EUA Buchannan e a Rainha da Inglaterra, trocaram as primeiras mensagens telegráficas.

Fim amargo – O lado oposto do laço de uma corda, que geralmente era fixado no corno da sela com um nó turco, enquanto que a corda enrolada pendia ao lado direito da sela. Quando um cowboy após um lançamento notava que a sua corda não estava amarrada ao corno da sela, então ele temia o seu “Fim Amargo”; o que significava que a sua presa fugiria e o derrubaria da sela. E isso, galopando velozmente durante a marcação do gado, era perigosíssimo.

Flap Chaps – Palavra usada no lugar de “Bat Wing Chaps”.

FlapjackFlapjack – Método com o qual se assava o pão sobre o fogo, colocando na panela, farinha, água e fermento em pó.

FlatheadsFlatheads – O costume de achatar a cabeça dos seus bebés, por meio de faixas, não tem nada o que haver com os “Flatheads” = “Salish” = Povo Esquecido. Era uma tribo residente na área norte ocidental das Montanhas Rochosas dos EUA e é descrita pelos Historiadores como: “Inteligente, extremamente limpa, hospitaleira, pacífica, com nobres sentimentos, repudiavam a mentira, fiéis e dignos”. Juntamente com o Povo “Kalispells” = “Pendant d’Oreilles” = Povo dos Brincos e “Skitswich” = “Coeur D’Alênes” = Povo dos Corações Avarentos, pertencia ao grande Grupo Linguístico dos “Salish” da América norte ocidental. Quanto à língua e os costumes, os “Flatheads” eram estreitamente aparentados com outras tribos da Família “Salish”, habitantes das Montanhas Rochosas e com as numerosas tribos da costa norte ocidental. Elas foram convertidas ao Cristianismo pelos Missionários Jesuítas já em 1830. Por uma complexa situação por parte das autoridades militares dos EUA, em 1858, foram retirados de seus lares os “Yakima” e os “Spokane”, dos quais participavam também, mesmo com força reduzida e contra gosto os “Flatheads”, os “Coeur D’Alênes” e os “Kalispells”. Em 1859 foi assinada uma Paz aceitável, pela qual os “Flatheads” permaneceriam fora das confusões entre o Exército dos EUA contra os “Nez-Percé” e os Sioux, mas eles pediram ajuda aos seus vizinhos. “Enterramos a nossa lança de Guerra e estamos habituados a manter a palavra dada”. Declarou um cacique dos “Flatheads”. Era uma declaração curta, porém não deixava nada a desejar, quanto à sua real clareza.

Florenz, ZiegfeldFlorenz, Ziegfeld – Em 1907, Florenz Ziegfeld, um Americano de origem Alemã, apresentou a primeira edição da “Ziegfeld Follies”, o protótipo de uma nova geração de revista musical, rica e refinada com imensos cenários e pomposos costumes. A revista apresentou-se ano após ano com imenso sucesso: “É dedicada à glorificação da beleza das jovens Americanas”. Florenz Ziegfeld em 1907 era já um empresário bem conhecido, mas com suas “Follies”, conquistou uma fama jamais superada.

Florman, JohnFlorman, John – John e Katherine (Kate). Terrível casal, conhecido ao norte da Califórnia e Oregon entre 1867 e 1872. Segundo G. T. Murray: “Eram vagabundos que assaltavam os viajantes, diligências e, sobretudo os condutores dos carroções de transporte. Apresentavam-se em qualquer lugar como um simples casal que, obviamente eram aceites onde quer que fossem. Eles contavam factos sobre assaltantes, ou perseguições, e ao serem aceites pelo cocheiro e sua guarda, estes eram assaltados mediante os seus enormes revólveres, deixando-os completamente sem nada”. Nos relatórios históricos da Wells & Fargo Co. e de outras linhas de transportes, John & K. Florman nunca foram citados, mesmo se em diversos jornais, eram mencionados. Mas todas essas histórias não resistem a um exame Histórico mais aprofundado. Nem se pode afirmar que fosse uma lenda contemporânea similar à de Joaquin Murieta. Alguns sugerem que o casal chegou ao Oregon em 1866, após deixarem o Kentucky, outros dizem que eram Franco-Canadenses provenientes de Montreal. Por isso falavam num Francês e Inglês, arrastados. A recompensa sobre eles chegou até 850 dólares. Em 1872, parece que a dupla diabólica inesperadamente desapareceu e nunca mais se falou sobre ela. Alguns dizem que um cocheiro ao ser surpreendido, mandou-os para o Inferno com a sua espingarda de caça e os enterrou.

Flunky – O condutor de um carroção, contendo os sacos de dormir dos cowboys, durante o Round Up.

FlyerFlyer – Termo usado para indicar: “Aquele que voa”. Eram chamados assim, antes que o Oeste fosse inundado por fios do telégrafo, os cartazes de procurados que continham a descrição, da actividade de um procurado, sua fisionomia e o valor da recompensa por sua captura “Vivo ou Morto”. Eles eram afixados por toda a cidade, em troncos de árvores e em muros de casas isoladas.

FogoFogo – Na Terra dos Bovinos, um incêndio na pradaria representava uma das mais temidas catástrofes, pois ela, com o tempo seco, estendia-se rapidamente e deixava raramente a homens ou bovinos uma possibilidade de fuga. As causas de incêndio podiam ser variadas: um pedaço de vidro na grama alta, um fósforo jogado fora, a fogueira de um acampamento, mal situado, uma fuga de centelhas de uma chaminé das casas ou das locomotivas, auto-combustão, acto doloso, ou outras. A luta contra o fogo baseava-se sobre a altura e secura da relva, a direcção do vento e a configuração da zona. Se a grama fosse curta (grama de bisontes) e o vento fraco, os cowboys de um Rancho ameaçado pelo fogo armavam-se com velhos sacos, cobertores de leito ou da sela e de um carroção carregado com barris com água. O chamado “Fogo de Ponta”, aquele que avançava seguindo a direcção do vento, porém devagar, permitia uma concentração de esforços por parte dos cowboys, enquanto que poderia ser apagado no solo, batendo-se sobre ele os tecidos embebidos com água, parando assim a sua avançada para a frente. Tudo isso deveria ser feito em no máximo de 3 a 5 minutos. Nesse espaço de tempo o incêndio “devorava” tudo de combustível que encontrasse pela frente, porém extinguia-se dentro da linha númida. Se o incêndio avançava rapidamente debaixo da acção do vento, era mandado o maior número de cowboys a cavalo possível. Eles arrastavam pendurados por cordas, pedaços de carcaças de bois mutilados, mantendo a parte aberta para baixo e cavalgando velozmente ao longo da linha do fogo. Por poucos segundos as primeiras chamas eram apagadas. Os “Batedores de Fogo” a pé, apagavam o restante com a sua defesa húmida. Se o terreno era rochoso, era então arado muito além da frente das chamas, com os “Arados de Superfície”, que eram troncos de árvores longos de 2 metros e cruzados em forma de X, puxados por cavaleiros por meio de quatro cordas. Assim criava-se uma “Zona de Fome”, larga de 30 a 50 metros. Nesse local, depois, era aceso então um “Contra-Fogo” à base de pequenas fogueiras, que consumiam lentamente o material combustível por perto e fundiam-se uma à outra, quando o material estava por acabar, assim que o perigo que as centelhas pudessem causar novos incêndios, além da “Zona de Fome”, era mínimo. Para enfrentar o fogo na pradaria as pequenas fogueiras acesas eram sempre mais numerosas, até formar a 200 metros do incêndio, uma parede de fogo sem brechas. Assim conseguia-se dominar até grandes incêndios. Os Índios por séculos usavam o chamado “Fogo de Caça”, para matar os bisontes e armazenar carne para o Inverno; colocando fogo na pradaria diante de uma manada de bisontes que pastavam e com o vento favorável, o fogo empurrava os animais, que presos pelo pânico, iam para a beira de um precipício, pelo qual se jogavam.

Fora da leiFora da Lei – (Outlaw). 1 – Um homem que, com o seu comportamento, colocou-se fora da lei e da sociedade. Aqui, fora da sociedade, precisava entender uma maioria legalizada dominante, que não devia sempre ser absolutamente legal. Por exemplo: Billy the Kid era considerado um fora da lei, porque se colocou fora da lei ditada num modo ditatorial de um grupo forte de interesses, que dominavam aquela sociedade. Se aquela sociedade tivesse sido derrotada, Billy the Kid teria sido libertado daquela marca de fora da lei. Um fora da lei podia ter matado pessoas, ou se apropriado de seus pertences, porém não podia ser confundido com os “Killers”, ou com bandidos, pois os dois eram criminais e nem ser considerado um “Desperado”, que com todos os meios combatia por sua crença justa, ou com os injustiçados, que queriam somente a vingança. Um fora da lei era, portanto um homem que quase sempre gozava da simpatia da minoria da população. 2 – Um chamado “Cavalo Estragado”, cheio de manias e bizarrices para com o seu cowboy, porém forte, resistente e veloz. Um cowboy cavalgava-o com grande atenção e cautela. Existia entre eles um amor-ódio eterno e irracional, e retornavam sempre juntos, apesar de tudo.

Ford, HenryFord, Henry – O futuro grande industrial, o homem que induziu os Americanos a sair da Era dos cavalos, para entrar naquela vertiginosa do automóvel. Nasceu em Greenfield, Michigan, filho de uma família de agricultores de origem Irlandesa. Com dezasseis anos abandonou os seus entes, para trabalhar ganhando dois dólares e meio por semana, numa fábrica de utensílios em Detroit. Tinha uma paixão irresistível por qualquer coisa mecânica, do relógio à locomotiva. Encontrou depois trabalho em diversos lugares, com várias profissões, entre as quais a de responsável do serviço de anti-incêndio através da “Detroit Edison Company”. Em 1900 as casas de madeira eram ainda numerosas e frequentemente eram incendiadas. Nova Iorque possuía já 3.500.000 habitantes, Chicago 1.700.000, Filadélfia 1.300.000, Detroit 300.000. O fenómeno do urbanismo sempre foi preocupante. De 1860 até 1900 a população urbana nos EUA saltou de 16% para 33%. Em 1880, 19 cidades superavam os 100.000 habitantes; em 1900 o número de cidades era já de 36. Os Americanos eram orgulhosos de suas escolas e do sistema de Educação, cujos benefícios, porém, não eram igualmente distribuídos, tanto é verdade que sobre os 75.000.000 de habitantes, contava-se 6.000.000 de analfabetos. Os Americanos lamentavam-se das taxas que pagavam, mas ao mesmo tempo aplaudiam o total delas. Em 1900 as Finanças demonstravam que o Governo recolheu 567.240.852 dólares; e as despesas eram de 520.860.847 dólares. Cada Americano pagou em média 7 dólares e 45 centésimos, contra 1 dólar e 78 centésimos pagos em 1860. Porém concentrou todas as suas qualidades num “Carro sem cavalos”. “O poder e as máquinas, o dinheiro e a propriedade são úteis somente se nos rendem livres para a vida, eu não considero os automóveis que trazem o meu nome como simples máquinas, se fosse assim, mudaria de profissão. Eles são o resultado da minha teoria sobre os negócios, uma teoria que tem como resultado, tornar esse mundo um lugar mais aprazível de se viver”.

Forte SumterForte Sumter – Edmund Ruffin, um rico plantador da Virgínia, que disparou o primeiro tiro de canhão contra o forte. Era o acto da separação entre os Estados. Na Carolina do Sul o major Anderson do Exército Nortista, refugiou-se com os seus soldados no Forte Sumter, em Charleston. Tendo Anderson recusado a rendição, o general Sulista Toutant de Beauregard abre fogo, em 12 de Abril. Após trinta e quatro horas de bombardeamentos, após a explosão do depósito de pólvora e quando o Forte estava totalmente abatido, o major Anderson rendeu-se. O adversário concedeu-lhe as honras de Guerra.

FortesFortes – Guarnições militares dos EUA em tempo de Guerra, fortificações construídas em madeira, circundada por paliçadas e com torres de observação. Com o avançar da Colonização, reduziram-se a um conjunto de edifícios destacados um do outro e sem recintos de protecção. Os mais importantes Fortes foram: Ft. Sumter, Ft. Belknap, Ft. Berthold Reservation, Ft. Bowie, Ft. Bridger-Vertrag, Ft. Dodge, Ft. Ellis, Ft. Hall Reservation, Ft. Lyon, Ft. Marion, Ft. Peck Reservation, Ft. Stanton, Ft. Summer e Ft. Yuma.

Four Point – Áspero e grosso tecido de algodão “Mackinaw”, que em sua ourela eram inseridas quatro tiras coloridas, que comprovavam a sua autêntica e alta qualidade.

FrijolesFrijoles – Feijões vermelhos do México, com altíssimo poder nutritivo, que, segundo o Professor John Hendrix: “Criaram por gerações, os cowboys Americanos, tornando-os altos como árvores e fortes como ursos”. Nas regiões do sudoeste, um prato deles, fazia saltar um cavalo e até um cowboy velho. Aqui está a sua receita: 5 libras de feijões vermelhos colocados a molho, 3 libras e meia de toucinho defumado salgado, 1 libra de cebolas, 3 dentes de alho, 4 favas de pimenta do Chile e um pouco de pimenta negra, triturada. Tudo era colocado a cozinhar por pelo menos 5 horas, conseguindo-se assim uma refeição para 5 ou 6 pessoas adultas que sentiam a necessidade de ter algo de sólido no estômago, antes de fazer um trabalho duro.

Frill – Decoração sarcástica de um chicote para animais, obtida, unindo-se várias tiras de pele.

Fundo para o leito – Acampamento nocturno, protegido por todos os lados, que os cowboys geralmente procuravam para o gado durante o “Trail” para o Norte.

Furto de cavalosFurto de cavalos – Depois do assassinato, era o pior crime do Velho Oeste. Um homem, sem cavalo, na imensidão daquele território, corria um sério risco de morte por fome ou sede e estava exposto ao clima e aos Índios. Por isso o furto de um cavalo era considerado pelos cowboys como um atentado. O ladrão de gado tinha alguma possibilidade de escapar com algum olho roxo, mas para um ladrão de cavalos a pena era mais severa. Podia ser fuzilado ou enforcado numa árvore. Se não era morto, cortava-se a parte superior de uma das orelhas ou marcava-se na fronte ou face, como os bovinos. Muitos desses ladrões deixaram após esse facto crescerem os seus cabelos, para esconder a tal marca reveladora. Portanto os cowboys tinham certa desconfiança aos forasteiros cabeludos. Oficialmente, o furto de um cavalo não era um acto grave aos olhos da Justiça. Os ladrões de cavalos apanhavam algumas semanas de cadeia. Esse era um dos motivos pelo qual o cowboy desprezava a Autoridade Estatal.

Fuzztails – Também “Fuzzies”. Termo usado que designava aqueles cavalos selvagens ou de grande resistência que eram deixados no estado bravio, para não estragarem as suas prestações junto aos cowboys.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

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