Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 27 e 28 – Autores de Banda Desenhada: Hugo Pratt

AUTORES DE BANDA DESENHADA

HUGO PRATT

Hugo PrattHugo Pratt nasceu a 15 de Julho de 1927, numa praia perto de Rimini (terra do realizador Fellini). Ali viveu até aos 10 anos de idade, altura em que, juntamente com os seus pais, partiu para a Etiópia (colónia italiana), ficando nesse país a estudar. Seu pai era um funcionário colonial e esse primeiro contacto com a realidade, marcaria muito o seu futuro de artista, influenciando toda a sua produção, o que se irá verificar logo em “Junglemen“, executado na Itália, com um grafismo ainda incipiente, mas já com a influência de outros desenhadores. Em 1943 volta a Veneza e, pouco depois, com Ongaro e Faustinelli, cria as aventuras de “Asso di Piche“, que não teve a aceitação dos leitores. Por esta altura Hugo Pratt parte para a Argentina, juntamente com outros desenhadores italianos seus colegas.

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 27Ali a sua actividade vai-se diversificando por várias personagens, todas elas com aceitação, mesmo a nível internacional: “Ray Kitt, “El Cacique Blanco“, “Sargento Kirk“, “Legión Estranjera“, “Ernie Pike“, “Ticonderoga“, “Wheeling“, “Capitán Carmomoran“, “Ann y Dan” e outras. Ao longo de todos estes trabalhos vai-se notando uma melhor qualidade nos seus traços e um progresso no seu estilo.

Convém fazer aqui um parêntesis. Quanto a nós, Hugo Pratt foi um dos melhores, para não dizer o melhor contador de histórias que apareceu na 9ª. arte. Dificilmente se poderá encontrar outro autor de argumentos tão bom…como ele… Talvez Héctor Oesterheld, Goscinny, Greg, Charlier e poucos mais… De qualquer dos modos, Hugo Pratt não era um bom desenhador. Era sim um bom aguarelista… As suas personagens eram esboçadas… Depois faltava o resto… os próprios rostos não primavam pela beleza…

Corto MalteseSe tivesse trabalhado nos Estados Unidos da América, o seu trabalho nunca teria sido avaliado da forma como o foi, já que ele seria o autor dos traços dos seus trabalhos e haveria alguém, que os cobriria a tinta-da-china, provavelmente alterando todo o seu estilo. No entanto, de modo algum poderemos deixar de considerar o lugar cimeiro, que Hugo Pratt alcançaria com a sua principal personagem “Corto Maltese“. Em 1958 Hugo Pratt fazia exposições de pintura, em paralelo com a sua actividade no campo das Histórias aos Quadradinhos. Hugo Pratt sempre se considerou influenciado pelos trabalhos de Caniff e Noel Sickles.

De todas as suas personagens indicadas atrás, diremos que “Wheeling” seria a executada com maior cuidado, antes de se dedicar em pleno ao seu “herói” principal. Em 1960 vamos encontrá-lo a ensinar arte, na Escola Panamericana de Arte, em Buenos Aires. Ao mesmo tempo trabalha para a “Daily Mirror Group“, para o “Sunday Pictorial” e para a “Amalgamated Press of London” (mais tarde Fleetway), todas de Inglaterra, fazendo histórias de guerra e ilustrando as aventuras de “Battler Britton“. Em 1962 vai para o Brasil, onde conhecerá Jayme Cortez e outros autores brasileiros. De regresso a Itália passa a criar as seguintes obras, no mesmo ano: “Le Avventure de Billy James” e “Le Leggende Indiane“.

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 28No ano seguinte é a vez de “Simbad, Il Marinaio“, “L’Epopea Dell’América“, “L’Odissea” e os seis primeiros episódios de uma aventura nas selvas, tipo “Tarzan” e que se chamava “Kiwi, Il Figlio Della Jungla“, trabalho que será continuado pelo desenhador Stelio Fenzo, cujo estilo era muito parecido com o de Pratt.

Nos anos seguintes ainda iremos ter acesso a “L’Ombra“, “L’Isola Del Tesoro” e “Il Ragazzo Rapito” (Raptado), até que em 1967 a revista “Sergente Kirk“, resolve publicar um novo trabalho deste autor, intitulado “Uma Ballata Del Mare Salato”, uma longa aventura que introduz, pela primeira vez, a personagem “Corto Maltese“.
Dois anos depois e, na mesma revista, publica a história “Os Escorpiões do Deserto“, interrompida no quinto capítulo e só completa, 4 anos depois, curiosamente, em outra publicação e em outro pais: No “Tin Tin” belga. De 1970 a 1973 continua com o seu “Corto Maltese” para o “Pif Gadget” em 21 episódios, culminando com “D’Autres Roméos et D’Autres Juliettes” e “Leopards“. A série continuará nas revistas italianas, “Linus” e “L’Europeo” e, em 1980, na revista “À Suivre“, inicia “La Maison Dorée de Samarkand” e “Le Matin de Paris” que ficarão incompletas.

O Homem de CaribePratt colaborou também na colecção “Um Homem Uma Aventura“, com “L’Uomo Dei Caraibi” (1977), “L’Uomo Del Sertão” (1978) e “L’Uomo Del Grand Nord” (1980). Neste mesmo ano retoma a série “Wheeling” para a revista “Metal Hurlant“.

Em Agosto de 1981, enceta “A Juventude de Corto Maltese” no quotidiano francês “Le Matin“. Escreve também o argumento do “Verão Índio“, para o desenhador Milo Manara. Prossegue com “Jesuit Joe” em 1984 e no mesmo ano cria “Cato Zulu“. Nos anos seguintes seguem-se mais aventuras de “Corto Maltese“. Em 1991 escreve “El Gaúcho“, de novo para Milo Manara. Em 1994 é a vez de “Saint-Exupéry – O Último Voo” e no ano seguinte “Morgana“, a sua última obra. Morre a 25 de Agosto de 1995.

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