Faleceu Jorge Magalhães (Escritor, tradutor, coordenador editorial, autor de banda desenhada e ilustre sócio do Clube Tex Portugal)

Jorge Magalhães (1938 – 2018)

JORGE MAGALHÃES

(Porto, 22 de Março de 1938 – Cascais, 1 de Dezembro de 2018)

* É com tristeza e pesar que informamos do falecimento de Jorge Magalhães, ontem à noite, 1 de Dezembro de 2018, no Hospital de Cascais.

* O velório realiza-se nesta segunda-feira, dia 3 de Dezembro, a partir das 16H00, no  Centro Funerário de Cascais (Rua de Cascais, Cemitério de Alcabideche). A cerimónia de cremação terá lugar no mesmo local, na terça-feira, dia 4, às 15H30.
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Por Mário João Marques

Ao Jorge,

A nível pessoal, conheci tarde o Jorge, como eu o tratava, a seu pedido. Nada de senhor Jorge ou senhor Jorge Magalhães. Conhecemo-nos devido ao Tex, ele que era um grande apaixonado das aventuras do ranger bonelliano e do western. Se não estou em erro, conversámos a primeira vez num Festival de BD da Amadora, sempre com a sua Catherine ao lado, numa edição onde estiveram presentes Fabio Civitelli e Mauro Bianchini. Até então, conhecia apenas o Jorge Magalhães escritor, crítico, coordenador, editor, estudioso e profundo conhecedor da banda desenhada. Conhecia-o das crónicas e dos textos que publicava no saudoso Mundo de Aventuras, mas sobretudo dos argumentos que escrevia para histórias que marcaram o panorama da banda desenhada portuguesa. No entanto, o Jorge foi mais do que isso, foi também tradutor, coordenador editorial, chefe de redacção, funcionário público, passou mesmo pela rádio e pelo teatro em Angola.

Jorge Magalhães e Fabio Civitelli, em Moura

Nascido no Porto, em 1938 (por isso, quando falávamos de futebol ele não escondia a sua costela do Fêqêpê, o Futebol Clube do Porto), o Jorge foi autor de uma vasta obra. Publicou contos no Mundo de Aventuras e na II série de O Mosquito, em Angola colaborou para o Comércio de Angola, para A Província de Angola e para o Trópico, mas não esqueceu as publicações portuguesas, com artigos no jornal República e na revista Pisca-Pisca. Quando regressou a Portugal, instalou-se em Lisboa e passou a trabalhar na Agência Portuguesa de Revistas, onde se tornou coordenador do Mundo de Aventuras em 1974. Foi chefe de redacção da revista Selecções BD (II Série), coordenador editorial da Futura, onde apresentou dezenas de álbuns de BD, bem como as revistas O Mosquito (V série) e Almanaque O Mosquito, em simultâneo com a coordenação das revistas Homem-Aranha, Thor e O Incrível Hulk, da Distri Editora, em 1983. Entre 1997 e 1998 coordenou a revista Heróis Inesquecíveis, que publicou BD de autores clássicos norte-americanos. Editou fanzines, colaborou com o Clube Português da Banda Desenhada, de quem foi um dos seus membros fundadores e, posteriormente, membro da respectiva direcção.

Luís Diferr, Jesús Blasco, Dr. Chaves Ferreira e Jorge Magalhães

Na escrita de BD distingue-se a colaboração com Augusto Trigo, autor com quem manteve sempre uma relação de amizade. Obras como A Luz do Oriente, Excalibur, Wakatanka (O Bisonte Negro e O Povo Serpente) ou Ranger: A Vingança do Elefante, todas com Augusto Trigo, marcaram o panorama da banda desenhada portuguesa nos anos 80 e 90 do século passado. Mas a sua actividade estendeu-se a outras obras, como um conjunto de histórias para a colecção Lendas de Portugal em Banda Desenhada (A Lenda de Gaia, A Lenda do Rei Rodrigo, A Moura Encantada, A Dama Pé de Cabra, A Moura Cassima), a adaptação de O Regresso à Ilha do Tesouro, cuja segunda parte ficou inacabada, ou a colaboração com a sua esposa Catherine Labey em Contos Tradicionais e Contos para a Infância. Foi, ainda, coordenador e autor das várias histórias incluídas no livro Vasco Granja, uma vida… 1000 imagens. Para além dos nomes já citados, com ele trabalharam desenhadores como Carlos Alberto, Carlos Roque,Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon, assim como autores que acabaram por seguir outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto.

Jorge Magalhães a degustar a revista nº 6 do Clube Tex Portugal

Várias vezes distinguido com o Troféu “O Mosquito”para o Melhor Argumentista do Ano, em 1981, 1984, 1985, 1990 e 1993, pelo Clube Português de Banda Desenhada, com o Troféu “Zé Pacóvio e Grilinho” – Honra, pelo Festival Internacional de BD da Amadora, em 1999, e recentemente homenageado pelo mesmo, Jorge Magalhães deixa um notável trabalho e quis o destino que as suas últimas linhas tenham sido dedicadas a um artigo que a revista do clube Tex Portugal vai publicar no seu próximo número. Um artigo que o Jorge, mesmo debilitado, fez questão de terminar e enviar-nos, sempre preocupado em saber se ainda ia tempo da sua publicação, tão grande era o carinho e a amizade, mas sobretudo tão grande era a sua vontade em partilhar o seu vasto conhecimento, a sua larga experiência, fruto de uma vida dedicada a uma grande paixão, a banda desenhada. Hoje perdemos um grande. Hoje ficámos um pouco mais pobres.
Até sempre Jorge.

Jorge Magalhães exibe orgulhosamente um seu artigo publicado na revista do Clube Tex Portugal

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

14 Comentários

  1. O mundo da BD, e mais concretamente a BD em Portugal, ficou muito mais pobre com o desaparecimento de Jorge Magalhães. Sentidos pêsames a familiares e amigos mais íntimos. R.I.P.

  2. O “Mundo da BD” ficou um bocado mais pobre! E um bocado bem grande!

    As minhas condolências à família e aos amigos…

    Onde quer que esteja agora… que esteja bem e rodeado de aventuras…

  3. Espero que o seu nome seja lembrado já no próximo fim de semana, um nome muito grande em Portugal, não lhe conheci pessoalmente, li muito dele no Mundo de Aventuras e não só.
    Céu ficou mais rico com um bom homem, sinceras condolências à sua família. Muito obrigado Sr. Jorge Magalhães por tudo.

  4. Tive o prazer de conhecer o Jorge Magalhães em 2008 no Amadora BD, desde aí sempre que falava com ele trazia para casa mais um pouco de conhecimento sobre BD, como vou sentir falta dessas conversas. Descanse em paz meu AMIGO.

  5. Realmente o nosso mundo texiano está todo de luto, não só em Portugal mas aqui também na Holanda sinto pela partida de nosso amigo Jorge Magalhães…

  6. É com enorme pesar que recebi a notícia do falecimento do ‘Jorge Magalhães’. Fiquei incrédulo, depois imensamente triste por ver que aqueles que nós julgamos imortais afinal, um dia, também eles partem e nos deixam órfãos, do seu conhecimento, da sua amizade, da sua arte, do seu convívio… em dolorosa saudade. Com o desaparecimento do amigo ‘Jorge’, a BD em Portugal ficou mais pobre… e nós também.
    Os meus pêsames à família do Jorge.
    Obrigado, Mário, pelo teu excelente artigo que, penso, muito honra a mémória do nosso amigo, que agora partiu para a sua última cavalgada pelas pradarias eternas…

  7. Obrigada, Mário João Marques, José Carlos Francisco, e o todos os que nos escrevem ou nos telefonam para honrar a sua memória. O meu pai acolheu com entusiasmo a nossa participação no jantar do TEX do dia 8 de Dezembro. E ai estaremos, eu a Catherine o “Xerife”. Com ele. Porque sabemos que o que ele mais gostaria é que todos os que podem fazer algo pela BD em Portugal continuem o seu trabalho.

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