Fabio Civitelli na revista “Splaft!” nº 6, de Maio de 2010

Texto da revista “Splaft!” nº 6 (Caderno Informativo da Bedeteca de Beja – catálogo do Festival), de Maio de 2010.
* José Carlos Francisco
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FABIO CIVITELLI.

Fabio Civitelli, o consagrado desenhador italiano, natural de Lucignano, na província de Arezzo, Toscana, onde nasceu em 9 de Abril de 1955 e que este ano completa 25 anos de carreira a desenhar Tex Willer, a lendária personagem criada em 1948 pela mítica dupla Giovanni Luigi Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho) e que ainda hoje é um ícone de vendas dos (assim se denomina naquelas paragens a banda desenhada), regressa pela terceira vez ao nosso país, para participar na exposição organizada em sua homenagem pelo VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, depois de já ter estado presente, e sempre ter sido acolhido com grande afecto por um público afável e bem informado, na XVI Edição do Salão Internacional de Banda Desenhada (Moura BD 2007) e aquando dos 60 anos de vida editorial de Tex Willer, na XIX Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA 2008).

Civitelli, que aos sete, oito anos apaixonou-se pela BD e cujo traço luminoso, de linhas seguras, limpo de pormenores desnecessários, quase sempre sem tons intermédios entre o preto e o branco, que contrasta equilibradamente, não teve qualquer tipo de formação escolar específica, embora cultivasse diariamente a sua paixão pelo desenho, já que o seu sonho era tornar-se um desenhador profissional, depois de ter estudado no Liceu Científico de Arezzo, começou de imediato a trabalhar como desenhador de banda desenhada, ofício que nunca mais abandonou.

Fabio Civitelli na revista SplaftA sua estreia ocorre em 1974 com Lady Dust para o estúdio de Graziano Origa, publicada pela Edifumetto, que editava predominantemente banda desenhada pornográfica. Num período particularmente activo para o mercado da BD italiana, dado o proliferar nos anos setenta, de publicações nos quiosques, colabora também para a Editoriale Dardo e para a Ediperiodici. Para a Editora Universo desenhou para as revistas Il Monello e L’Intrepido em 1977. Nesse período utiliza o pseudónimo Pablo de Almaviva, à causa do qual Sergio Bonelli o inculpa de ter retardado o seu ingresso na editora Bonelli porque não conseguia descobrir quem era esse desenhador que tanto apreciava. Em 1979 o seu desenho está nas páginas de Bliz, para a mesma editora Universo, com a personagem Doctor Salomon. Ainda em 1979 teve uma breve experiência com as personagens Marvel, desenhando histórias do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico, produzidas na Itália, para a revista SuperGulp!, da Arnoldo Mondadori Editore e em Outubro desse mesmo ano acontece o grande momento da viragem na sua carreira ao ser apresentado a Sergio Bonelli, que o recruta imediatamente para trabalhar inicialmente em Mister No, personagem para o qual realiza meia dúzia de histórias publicadas entre 1980 e 1984, retornando dez anos mais tarde ao desenhar uma história para a série Almanacco dell’Avventura e concluindo em Fevereiro de 2006 a sua participação, ao colaborar na história escrita por Guido Nolitta (pseudónimo de Sergio Bonelli), que encerrou a saga do piloto Amazónico, tendo entretanto em 1983 desenhado na revista Orient Express para a Isola Trovata, de Bolonha, a história “Pomeriggio cubano”, com texto de Giuseppe Ferrandino, um dos mais interessantes ensaios de revista de conteúdo que procurava conjugar a banda desenhada de autor com a popular.

Tex em BejaMas a verdadeira afirmação de Fabio Civitelli acontece em 1984, quando é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje, sendo a sua versão de Tex uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo moderna e cativante, tendo como reconhecimento pela sua qualidade e dedicação sido encarregue pela Sergio Bonelli Editore, de desenhar o álbum celebrativo (colorido) do sexagésimo aniversário de Tex Willer, em Setembro de 2008, após uma ideia sua. A sua primeira história de Tex, “I due killer”, escrita por Claudio Nizzi, foi publicada na edição nº 293, em 1985, ou seja, há precisamente um quarto de século, tendo a sua mais recente história, “La grande sete”, sido publicada no Verão de 2009!

Tex Willer, que detém um invejável primado: esteve sempre presente no mercado italiano, durante os quase 62 anos de vida editorial, e entre as inúmeras séries de banda desenhada existentes no presente, impõe-se à atenção de todos, seja pela longa duração, seja pela sua difusão, sendo uma figura carismática da BD europeia e uma das personagens de “western”, com maior longevidade a nível mundial, assume simultaneamente o papel de investigador, justiceiro e até chefe índio, sob o nome de Águia da Noite, sendo também um Ranger do Texas que põe a justiça e a legalidade – a par da amizade – antes e acima de tudo, tendo sempre a seu lado Kit Willer, o seu filho, Kit Carson, o inseparável companheiro de aventuras, e o índio navajo Jack Tigre.

Copyright: © 2010 Revista “Splaft!“; José Carlos Francisco

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