Entrevista com o fã e coleccionador: José Lázaro da Gama

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

José Lázaro da GamaPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Lázaro da Gama: Meu nome é José Lázaro da Gama, nasci no dia primeiro de Maio de 1990, no interior do Estado do Rio Grande do Norte, na bela e pacata cidade de Currais Novos, na qual moro até hoje. Sou uma pessoa muito calma, gosto de fazer as minhas coisas sempre pensando muito bem antes de efectuá-las. Sou amigo, muito sincero. Cometo também muitos erros, mas também quem nunca errou antes? Gosto de praticar desportos, fazer academia e correr no sábado à tarde para desfrutar o pôr do sol, conversar com amigos no banco da praça e fazer o que todo o mundo com menos de 20 anos faz. Sou muito caseiro, às vezes prefiro ficar em casa lendo um bom Tex ou na Internet verificando as novidades no Portal TexBR e no próprio Blogue português do Tex que está sempre trazendo muitas novidades. Tenho 19 anos de idade e nunca trabalhei, por enquanto estou estudando para concursos e graças a Deus tive uma boa classificação no primeiro que fiz, não dentro das vagas (eram 400 e fiquei em 471º), mas já é um bom começo a meu ver.

Colecção de José Lázaro da GamaQuando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
José Lázaro da Gama: Assim que aprendi a ler por volta de 1994, com quatro anos de idade. Primeiro lendo Tex e mais algumas personagens famosas como Pato Donald, Turma da Mónica, Super-Homem, Homem-Aranha, X-Men, Batman, entre tantas outras, mas a minha maior paixão mesmo pelos quadradinhos é e sempre será Tex Willer!

Quando descobriu Tex?
José Lázaro da Gama: Aprendi a ler por causa de Tex. Meu irmão Wescley tinha trocado umas tralhas dele por cerca de 10 revistas Tex, no ano de 1994. Eu achava as revistas muito interessantes e decidi que aprenderia a ler para poder degustar daquelas maravilhas, e o meu irmão todos os dias pressionava-me para que eu aprendesse logo. Digo que não demorou muito para eu poder ler e reler inúmeras vezes aquelas belas historias, dentre elas “Oklahoma”. Eu sempre perguntava para ele se não iria comprar mais revistas, mas ele dizia que não vendiam mais, que Tex tinha acabado a sua saga, e eu acreditei nele.
Passaram-se então 10 anos. Em Setembro de 2004 fui à banca com um amigo meu comprar um sorvete e deparei-me com uma belíssima miragem: Tex. “Não tinha acabado?”. Veio à mente o que o meu irmão disse uma década atrás. Não pensei duas vezes, peguei a minha mesada e comprei a revista Tex nº 417 – A Guerra das Peles, justamente de um dos desenhadores que mais gosto, o Fusco. Depois disso o meu irmão também ajudou a comprar as edições seguintes. Mas nunca me falou por que mentiu ou talvez não soubesse mesmo se Tex tinha acabado. O certo é que continuo até hoje, apesar das dificuldades.

Colecção de José Lázaro da GamaPorquê esta paixão por Tex?
José Lázaro da Gama: Porque Tex simplesmente é único. Nenhum outro herói consegue ter o carisma que o nosso Ranger desperta. Não tem medo de nada, sempre se arrisca em empreitadas dificílimas. Carson consegue enfeitar ainda mais as aventuras. Os dois completam-se: o Tex sempre optimista e sério com as dificuldades, enquanto Carson dá um show de pessimismo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
José Lázaro da Gama: Pode-se dizer que Tex e seus pards são “normais”, não têm poderes e nem artimanhas como a maioria dos heróis que existem. Isso é o ponto forte de Tex, ele conta apenas com as suas astúcias e artimanhas para revirar situações simplesmente caóticas. Sou mais ver o Tex duelando frente a frente com o adversário de que ver carros ou super-poderes voando na direcção do oponente (sem querer desmerecer todos os super-heróis consagrados). Tex é símbolo de garra, destreza, amor aos fracos e oprimidos, de uma mente típica de Sherlock Holmes, de uma força similar a Aquiles. Pelo menos é o que acho na minha humilde opinião.

Colecção de José Lázaro da GamaQual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Lázaro da Gama: Tenho 180 revistas Tex, colecciono há cinco anos e ainda não tive a oportunidade de completar a colecção. Para mim todas são importantes, sem excepção. Mas a que mais me chama a atenção é o Tex 300 “Oklahoma!“. Simplesmente fantástica, foi o maior trabalho que Letteri fez de Tex a meu ver, além de ser um romance de tirar o fôlego.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
José Lázaro da Gama: No momento compro revistas com muita dificuldade, imagina coleccionar outras coisas sobre Tex. Mas assim que estiver trabalhando penso sim em comprar tudo que encontrar sobre a mítica personagem italiana.

Colecção de José Lázaro da GamaQual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
José Lázaro da Gama: O único objecto de Tex que tenho sem ser revistas é um chaveiro que veio junto com o Tex Anual “O Filho do Vento”, o qual levo para todos os lugares. Não tenho algo como bonequinho dos pards, mas seria muito interessante colorir a estante com isso, quem sabe num futuro próximo…

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Lázaro da Gama: A minha historia favorita com certeza é Okalhoma!, porque foi a primeira aventura que li do Ranger e também por ser uma verdadeira obra-prima, a trama é muito boa e Letteri arrasou nos desenhos. Civitelli é o meu preferido entre todos os desenhadores de Tex, pois os seus traços são magníficos, desenhados quase que à perfeição. Mas também não quero desmerecer todos os demais desenhadores que admiro tanto, como Fusco, Marcello, Venturi, Ortiz, Letteri, Magnus, Jesus Blasco, Buzelli, Erio Nicolò, Claudio Villa, Font e Frisenda. Esses foram os que eu li, ou seja, gosto de absolutamente todos, mas o Civitelli para mim é um ícone.
O Nizzi certamente é um grande argumentista e gosto muito do seu trabalho como um todo, o G. L. Bonelli foi o grande protagonista de tudo e adoro ainda mais o trabalho dele, com o seu Tex sempre irreverente, que não errava nunca. Actualmente Mauro Boselli está criando aventuras sensacionais, de tirar o fôlego. Portanto gosto de todos os roteiristas de Tex.

Colecção de José Lázaro da GamaO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Lázaro da Gama: As coisas que mais me agradam em Tex são o seu instinto e a sua personalidade como chefe da aldeia Navajo e o seu lado “pai coruja” com Kit Willer. A maneira com que enfrenta as dificuldades e como toma as suas decisões sempre na hora certa e com a maior responsabilidade possível. Não consigo dizer apenas uma coisa que me agrade, pois gosto de Tex como um símbolo. O que me agrada menos é o facto de Tex não sofrer muito, pois os heróis têm o habito de sofrer um pouco para poder conseguir as suas conquistas. Ele poderia levar mais socos, tiros de raspão, mais emboscadas, sofrer mais emocionalmente por causa de seus pards em perigo.

Colecção de José Lázaro da GamaEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
José Lázaro da Gama: Por vários motivos. Sua personalidade e o seu amor pela justiça são pontos fortes para que ele possa se ter tornado esse ícone. Para um homem branco se tornar chefe de aldeia como a Navajo é necessário que ele seja querido por todos, e Tex é um guerreiro que conforta os que estão ao seu lado assim como coloca pânico naqueles que se atrevem a ficar no seu caminho ou os que trilham o caminho do mal. Tex é o desenho de um homem quase que perfeito, leal, corajoso, defensor dos fracos e oprimidos, seguro de si, sincero e sempre optimista. O retrato perfeito de um verdadeiro ícone a se seguir. Seus conselhos são sempre sábios, correctos, que levo até para a vida real, como acredito que muitos fãs e coleccionadores fazem isso também.
Uma personagem que fica mais de sessenta anos na activa, inevitavelmente tem que ter algo de especial, como numa relação para que seja duradoura. Posso dizer que sinto um afecto muito grande com a minha colecção, gosto sempre de estar limpando, guardando e lendo, aliás, leio Tex quase que diariamente, entre estudos e outras leituras como livros de Sherlock Holmes e outras mais de aventuras, coisas que para mim também lembram um pouco o Ranger.
O segredo para Tex ser um ícone é que quando se lê uma aventura dele pela primeira vez fica uma sensação de querer ler muito mais ainda. Eu sou um exemplo disso, quando comprei a minha primeira revista, o Tex nº 417 – A Guerra das Peles, li-a uma vez na mesma tarde que cheguei da banca e, não satisfeito, de madrugada estava com insónias e aproveitei para reler a aventura e fiquei ali admirando aquela revista como uma criança que ganha a sua primeira bicicleta. Acima de tudo Tex é uma obra de arte.

Colecção de José Lázaro da GamaCostuma encontrar-se com outros coleccionadores?
José Lázaro da Gama: Apenas com um amigo meu que começou a comprar Tex há pouco tempo. Ele tem 11 anos e começou a ler o Ranger graças também ao meu irmão que doou as dez revistas com que aprendi a ler para ele e de vez em quando nós nos vemos e empresto algumas revistas, falamos sobre a coragem de Tex, do pessimismo de Carson, só falta o bife e as batatas fritas para completar. Gostaria de conhecer mais fãs e coleccionadores de Tex, é uma experiência muito interessante.

Colecção de José Lázaro da GamaPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Lázaro da Gama: Durante esse mais de sessenta anos em que Tex está na activa, já foram grandes as possibilidades de que ele poderia ter deixado de existir, com a invenção da televisão e do computador, com a Internet e suas infinidades de recursos. A meu ver, não existe essa possibilidade pelo menos recente de Tex se aposentar. O futuro do Ranger está nas nossas mãos; as mãos dos leitores que nunca desistem do seu amor pelo faroeste, e o amor que cada coleccionador tem pelas suas revistas é inexplicável. Mas também Tex poderia ter uma publicidade maior, para que mais e mais pessoas possam conhecer esse quase já esquecido mundo Western. Tex ainda pode durar mais 60 anos de vida, basta que cada leitor não desista desse maravilhoso sonho que é ler BD e acima de tudo que a promova, apresente algumas revistas a amigos, façam com que seus filhos e sua família saboreiem esse espectacular mundo que se esconde em meio às grandes obras.
Vida Longa a Tex!

Prezado pard José Lázaro da Gama, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

11 Comentários

  1. É isso aí pard!!!! Tambem comecei aos poucos com pensamento positivo que iria conseguir completar minha coleção, a qual eu realmente completei, aliás… A qual não, as quais completei rsrsrsr

  2. Parabéns ao jovem Pard Lázaro. Continue lendo Tex e lute para completar sua coleção.

    Rouxinol do Rinaré – Ceará-Brasil

  3. Belíssima entrevista, mendigo!! Parabéns, que Deus te ilumine em seu curso e que seja sempre essa pessoa íntegra e amiga. Grande abraço e muitos Tex a mais na estante…

  4. Valeu Pard Lázaro. Grande entrevista. Todas entrevistas deviam ter o título de “Tex em minha vida“. Igual a sua
    Tex mudou a vida de todos nós, e sempre de forma a nos tornar pessoas melhores e mais racionais.

  5. É isso aí! Parabéns pela entrevista, Lázaro, e mais ainda, parabéns pelo seu ótimo gosto e pela sua dedicação com Tex.

    Hasta la vista, amigo!

  6. Valeu pela força grandes pards, pra mim é uma grande honra poder ser amigo de tantos Texianos ilustres, e obrigado ao grande Zeca que me deu essa oportunidade única na vida!

  7. Valeu pela força Lázaro, vc é um grande pards. Estou torcendo com que consiga completar sua coleção!!!

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