Entrevista com o fã e coleccionador: Jefferson Ribeiro

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jefferson Ribeiro: Me chamo Jefferson Mateus Ribeiro, sou nascido e criado em João Pessoa, Paraíba, morei no interior um tempo, numa cidade chamada Guarabira, amo minha região (Nordeste), com nossos “oxe e oxente”,  atuo hoje como professor de História.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Jefferson Ribeiro: Quando criança, ainda sem saber ler, minha mãe me comprava gibis (revistas de banda desenhada) da Turma da Mônica, eu gostava, mas havia um bem velhinho do Capitão América que me chamava a atenção, ela lia para mim repetidas vezes, quando aprendi a ler, foi o primeiro que li.

Quando descobriu Tex?
Jefferson Ribeiro: Quando criança, meu pai me levava para cortar cabelo num barbeiro próximo da nossa casa, no caminha havia um sebo (alfarrabista), na volta ele sempre comprava um gibi para mim. O local possuía muitos quadrinhos de Tex, as capas sempre chamativas, comprei um uma certa vez, já conhecia e gostava de filmes de western, passei a gostar dos quadrinhos de Bang-Bang também!

Porquê esta paixão por Tex?
Jefferson Ribeiro: Não sei explicar muito bem, mas sempre gostei de personagens sem super poderes exagerados ou que não tivesse poder algum. O Tex conta com sua inteligência e habilidades (além da ajuda dos pards) para ajudar as pessoas e isso me atraía nas suas histórias, pois, quando criança, achava perfeitamente possível existir um Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jefferson Ribeiro: Acho que além do que eu já mencionei, é o facto de que sua personalidade buscando agir sempre de forma correta e justa me atraiu, sem contar que como ele é um ser humano “comum”, todos os perigos são muito reais e verdadeiramente mortíferos. Muitas de suas aventuras ensinam que devemos fazer o certo, não importa a situação e achava o máximo um herói que falava com seus pards em meio às viagens em parar para tomar algo para tirar a poeira da garganta. Algo muito próximo de todos nós após um dia cheio de trabalho, tomar uma cerveja ou fazer um lanche para desopilar. Essas coisas até aparecem em outros quadrinhos, mas me soa muito artificial e não como o Tex e o Carson falam.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jefferson Ribeiro: Sempre vai chegando mais coisas do Tex, mas atualmente tenho 137 revistas, foco em coleções mais curtas como a Edição Gigante, Anual, Maxi Tex, Graphic Novel, dentre outras, devido ao espaço que não tenho muito para armazenar as revistas. Mas já tive mais, infelizmente me desfiz de muitas e outras foram perdidas após emprestar e nunca mais receber de volta. Hoje não costumo emprestar mais nada de livro ou gibi. Gosto de todas, mas meu “xodó” é O Idolo de Cristal, capa dura da Vecchi.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jefferson Ribeiro: De Tex tenho apenas quadrinhos, estou pensando em adquirir alguns livros sobre o personagem também.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Jefferson Ribeiro: A estrela de Ranger. Este seria um brinde legal para vir com algum volume especial do Ranger.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Jefferson Ribeiro: Essa é uma escolha cruel! Acho que minha história predileta é Os Sete Assassinos. A arte do Claudio Villa para mim é a melhor! Quanto ao roteirista fico com o Bonelli – Pai, pois sua genialidade em criar o universo do Tex foi tremenda, mas em seguida vem o Boselli (risos).

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jefferson Ribeiro: O companheirismo e confiança entre ele e seus pards, Tex tem amigos leais, quase irmãos e isso é raro de encontrar, pois a confiança tem que ser mútua. O que me incomoda um pouco é o facto do Tex não encontrar um novo amor, mesmo que não seja consumado. Mas não chega a ser algo de todo ruim.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jefferson Ribeiro: Tex é um personagem carismático, seus roteiristas sabem retratar bem isso, aquele que ler uma história do Tex acaba se apegando ao personagem, como se tivesse um amigo naquelas páginas, ele inspira tudo de bom que podemos ser e nos mostra o que agir de forma errada pode ocasionar. Então, ele é um ícone por, além de divertir, ajudar a formar pessoas de bom caráter.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Jefferson Ribeiro: Na minha cidade e estado conheço alguns. Alguns desses considero verdadeiros amigos. Mas não vejo tantos por aí, nem quando vou a algum evento de HQs (BDs), embora isso esteja mudando, cada vez mais vejo pessoas descobrindo e redescobrindo o Tex. Dos que encontro ocasionalmente estão o Ge Ge Carsan, Saul Ramos, Aderaldo e recentemente conheci um colecionador muito legal e experiente, o Senhor Felipe, aqui do meu bairro. Mas mantenho muito contato por redes sociais, onde fiz bons amigos como os pards Cícero Linhares, Ricardo Elesbão Alves, dentre outros pards.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jefferson Ribeiro: Vejo como o melhor possível! Novas editoras publicando o Tex, ampliando o leque de coleções e leitores, temos títulos para todas as categorias financeiras, sem contar os sebos e comerciantes on line, então acredito que a tendência é aumentar e renovar o número de leitores. Entretanto há algo que me preocupa: com essa crise financeira e pandemia, os quadrinhos têm ficado cada vez mais caros, o que pode afastar as classes menos abastadas ou os jovens leitores que não dispões de uma autonomia financeira para comprar o quadrinho que deseja. No mais, Tex e seus pard ainda cavalgarão por muito tempo e espero poder acompanhá-los em várias outras aventuras, digo, leituras (risos)!

Prezado pard Jefferson Ribeiro, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

8 Comentários

  1. Olha só, também sou formado em História e moro próximo de Guarabira PB, sendo esta minha cidade natal. Excelente entrevista, pard.

  2. Jeferson é uma pessoa inigualável, foi meu professor. Foi um dos melhores que já tive…
    Parabéns pela coleção ❤

  3. Interessante ver pessoas jovens lendo Tex. E tem gente que fala que Tex é só lido pelos cinquentões, etc. E noto pelas entrevistas neste blogue que são muitos os jovens texianos.

  4. O Jefferson com o canal dele no YouTube tem trazido novos leitores para o mundo Bonelli assim como eu.

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