As Leituras do Pedro: Tex Gigante #24 – Os Rebeldes de Cuba

As Leituras do Pedro*

Tex Gigante #24
Os Rebeldes de Cuba
Guido Nolitta
(argumento)
Mauro Boselli (guião)
Orestes Suarez (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
182 x 277 mm, 242 páginas, pb, capa brochada
9,00 €

Resumo

A pedido de Henri Picard, um amigo de Montales, este último e Tex deslocam-se a Cuba, que vive um agitado período revolucionário, para tentarem encontrar o filho de Picard, presumivelmente raptado por um feiticeiro local.

Desenvolvimento

Nascido por inspiração da participação de Sergio Bonelli num inusitado encontro de banda desenhada que teve lugar em Cuba em 1994, esta aventura, tal como o (excelente) Tex Gigante anterior, Patagônia, leva o ranger para longe do seu local habitual de acção – mas de forma mais credível, saliente-se.
Só que, ao contrário daquele, este livro, para mim, revelou-se uma desilusão. Parcial, pelo menos. Possivelmente porque as expectativas eram altas, em função dos ecos que já me tinham chegado sobre ele mas que a sua leitura não mas confirmou.
Passo a explicar porquê.
Desde logo, pelo argumento, menos conseguido, que começa logo por ser pouco claro quanto às razões do rapto.

E que, de seguida utiliza demasiadas páginas na introdução e para descrever a chegada de Tex e Montales a Cuba e despoletar a sua inimizade com os militares locais, páginas essas que poderiam ter sido melhor utilizadas para explorar o dia-a-dia e as razões dos revolucionários cubanos e, principalmente, no confronto final entre o pragmático Tex e as artes mágicas de Rayado – evocando até os confrontos (míticos e marcantes) daquele com Mefisto. Porque estes dois aspectos, que deveriam ser maiores e mesmo o cerne da narrativa, acabam por ser de certa forma “despachados“ em menos de um terço do livro.
E ainda pelo fraco desenvolvimento da (trágica) situação final, da forma narrada de todo desnecessária, porque serve apenas para a “conversão” (muito forçada e escusada) do fazendeiro.

Também graficamente, este Tex Gigante do cubano Orestes Suarez está bastante abaixo do virtuosismo demonstrado por Pasquale Frisenda em Patagônia. As personagens de Suarez demonstram, a espaços, alguma rigidez, o trunfo que seria o facto de ele conhecer pessoalmente os locais da acção não é suficientemente explorado, o que não invalida que revele um bom domínio da técnica de narrar em quadradinhos ao longo de todo o álbum, com uma planificação sóbria mas dinâmica que embala e conduz o leitor.

Mas, quero esclarecer, o que atrás fica escrito, no entanto, não significa que estejamos em presença de um mau western ou de uma fraca aventura de Tex, pelo contrário. Os fãs – os mesmos que me induziram em erro?! – ou mesmo alguns leitores ocasionais – encontrarão sem dúvida bons motivos para amar a história, pela temática fora do habitual que a rege. Mas eu, esperava mais, pelas tais expectativas elevadas e porque tem sido isso que me tem sido proporcionado pela maioria das edições gigantes de Tex.

A reter
– O bom desenvolvimento de algumas personagens: Etienne, Alonso, Serrano.
– Alguns aspectos positivos do argumento: as cenas em que domina a magia, a causa revolucionária, o confronto esclavagistas/abolicionistas…

Menos conseguido
– A tragédia que quase encerra o livro, forçada e de todo desnecessária.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

2 Comentários

  1. Gostei da matéria, muito bem feita. É muito bom termos análises/resenhas/críticas das obras texianas. Quer seja para enaltecer a obra, quer seja para criticá-la de uma forma mais forte (o que muitos às vezes ficam com medo de expor na web). Parabéns.

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